Protestos em Londres (I) – quarta-feira, dia 1/4

Protestos em Londres (I) – quarta-feira, dia 1/4

em 3 abr

Protestos contra a Cimeira dos 20 em Londres (I)
(quarta-feira, dia 1 de Abril)
vídeo enviado por José Figueiredo (ver relato abaixo)

Companheiros da Passa Palavra:
Tenho andado a filmar e a fotografar os acontecimentos aqui em Londres, por ocasião da Cimeira dos 20. Penso que foi um acontecimento único. Já no Hyde Park sentira o mesmo.

Este filme refere-se (1) ao arranque da manifestação na London Bridge, tendo depois essa e outras manifestações convergido para a City [zona da bolsa, dos bancos e sociedades financeiras] (2) à frente do Banco da Escócia (RBS) e depois (3) à frente do banco HSBC.
Ao minuto 1.03, penso que dizem “cash deliver” [entrega em dinheiro contado].
Ao minuto 1.20, alguém diz, voz de homem, “they are smashing windows…” [estão a partir janelas/montras…].
Ao minuto 1.58, parece-me que dizem “our street” [a rua é nossa] seguido de “shame on you!” [tenham vergonha!].
Ao minuto 2.41, dizem “seat down!” [sentem-se!], para a polícia não avancar, momento que tenho o microfone no plano devido aos empurrões anteriores.
Nesse momento um indivíduo de camisola azul diz “estás mais para trás? eu estou ao pé da rua no passeio [na calçada]”.
Ao minuto 3.20, ”have a rest” [descansem um bocado] seguido de ”people united…” qualquer coisa [povo unido…].
Ao minuto 4.24, “horses are now getting involved, poor animals – it’s all right, a pig to ride a horse, but he is not a real pig” [estão a entrar com os cavalos, pobres animais – está certo, um porco (porco = pig = polícia) a montar um cavalo, mas não é um porco de verdade].
Ao minuto 5.30, dizem “here they come” [aí vêm eles], seguido de “butcher” [carniceiro, açougueiro]…

As pessoas não estão contentes, estão como se diz “pelos cabelos”, por razões várias:
Vivemos numa sociedade capitalista e individualista. Elevado número de desemprego, mesmo entre pessoas formadas e de classe média, elevadas taxas de crédito, muita gente sem habitação, a grande diferenca entre riquezas, não só entre classes, mas também entre os países mais desenvolvidos e os mais pobres, que necessitam de novas medidas de importação e exportação, e não de ajuda humanitária, para recuperarem a sua agricultura e ajudarem os seus agricultores.
Para além do nosso ambiente, o planeta, o aquecimento global que se sente em várias partes do mundo e não é uma mentira.
Mentiras, sim, são as promessas feitas pelos políticos. É bom ver que as pessoas ainda não baixaram os braços e não têm medo de vir para a rua e perderem os empregos, aquelas que o têm, já não era sem tempo. Agora não sei se basta o que aconteceu ontem… até porque o poder esconde-se atrás dos uniformes dos polícias, e não só.

Ontem morreu um dos manifestantes.

Hoje manifestantes mais radicais voltaram à zona do banco por causa disso, uma das organizações chama-se Revolution (são os que se veem com bandeiras vermelhas no RBS).

Hoje estive em Excel [o espaço onde se reune a Cimeira] e na City novamente.

Mais tarde envio email do que penso fazer com todas as filmagens, montagem, etc.

Abraco, José Figueiredo

Acrescento recebido posteriormente (domingo, dia 5 de Abril)

Companheiros,

Às manifestações de 1 de Abril, os organizadores deram o título genérico:

PARTY IN THE CITY [Festa/Encontro na cidade]

chamando às quatro manifestações THE FOUR HORSMEN of the APOCALYPSE [os quatro cavaleiros do Apocalipse]

As quatro começaram às 11h da manhã e começavam em estações de combóio [trem]:

1 – War [Guerra] – Red Horse [O cavalo vermelho] – estação Moorgate
2 – Climate chaos [Caos climático] – Green horse [O cavalo verde] – estação Liverpool
3 – Money crimes [Crimes financeiros] – Silver horse [O cavalo prateado] – estação London Bridge
4 – Land grabbers [Usurpadores da terra] – Black horse [O cavalo negro] – estação Cannon Street

Marcaram encontro às 12h00 no Bank of England [Banco de Inglaterra], que é o que se vê naquele plano onde diz “capitalism isn’t working” [o capitalismo não está a funcionar].

Tornou-se numa manifestação em parada, tomaram conta de uma ampla área, com várias frentes, vários acontecimentos ao mesmo tempo; a estação mais perto, também dentro da area, era a Bank.

Abraços, José Figueiredo.


Comentários 1

    • Costa

      |

      abr 4, 2009

      |

      Parabéns pelos vídeos e pelo texto.

      Não basta haver manifestações e protestos, é necessário também reporta-las e mostrar para que haja mais consciência luta e as pessoas iniciem processos de mudança numa atitude mais pro-activa.

      É urgente mudar de paradigma, e estes vídeos são um excelente apelo para que essa mudança aconteça.

      Força.!!

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