Estudante processa Facebook por violação de dados

Estudante processa Facebook por violação de dados

em 28 out

Nem KGB ou CIA já tiveram 1200 páginas a respeito de um cidadão comum. Por Passa Palavra

Mapa múndi a partir das redes de conexão do Facebook

Mapa Múndi a partir das redes do Facebook

Numa época de vigilância em massa pelos Estados e pelas empresas, o estudante de direito em Viena, Max Schrems, iniciou um processo contra o Facebook, a maior rede social do mundo criada por Mark Zuckerberg. Após muitas dificuldades, o estudante de direito conseguiu um CD com toda a informação coletada durante os três anos em que fez parte desta rede. Quando impresso, o conteúdo do CD formava uma pilha de 1.200 páginas. Todo o material – histórico de chats, cutucadas, pedidos de amizade, posição religiosa, etc. – era classificado em 57 categorias que possibilitam facilmente a mineração de dados, descobrindo qualquer informação que se deseja; seja da vida pessoal, profissional, religiosa ou política.

facebook2Além desse material, mesmo as mensagens, fotos e outros arquivos que ele havia deletado continuavam armazenados nos servidores do Facebook. Quando questionado sobre isto, o Facebook afirmou que apenas “removia da página” e não “deletava”. Isso significa que, quando uma informação é publicada no Facebook, ela jamais é excluída. Após descobrir que o Facebook possui servidores na Irlanda, entre agosto e setembro de 2011, Schrems abriu 22 queixas contra a rede social no Irish Data Protection Commissioner, um órgão deste país. Para acompanhar o caso, o estudante de direito criou o site “Europe versus Facebook”.

facebook1Entre as 22 queixas, foi incluída também uma sobre o botão [tecla] “Curtir”(Like), o qual se tornou o símbolo do Facebook. O botão descrito como “plug-in social” também é responsável por rastrear os usuários por toda a Internet. Mesmo deslogado do Facebook, é notificado quais sites o usuário acessou a partir do botão “Curtir”. “Isto é ainda mais preocupante se considerarmos que botões “Curtir” não só podem ser encontrados em páginas “normais” como em sites de notícias, ou sites de entretenimento, mas também nas páginas que contêm informações sensíveis (por exemplo, dos partidos políticos, grupos de ação, igrejas, sites pornográficos, sites que revelem informações sobre saúde ou páginas dos sindicatos […]). O usuário geralmente não sabe se o site tem um botão de “Curtir” antes de visitá-lo e não pode, portanto, fazer escolhas informadas e corretas”, escreve Schrems na carta endereçada ao Irish Data Protection Commissioner.

Nas últimas décadas a violação da privacidade tem sido aceita passivamente e feita de forma voluntária em troca de serviços gratuitos. O que aconteceria caso o Facebook fechasse um acordo com o governo local para entregar os dados dos usuários envolvidos em manifestações (devidamente “curtidas” e “confirmadas”)? Desde 2006, a Polícia Federal brasileira tem acesso privilegiado no Orkut, rede social do Google, podendo fechar comunidades e vasculhar dados sem precisar passar por autorização judicial.


Comentários 11

    • Renata

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      out 29, 2011

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      Por que o Passapalavra faz uso do facebook então?

    • iraldo

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      out 29, 2011

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      Renata, não sou do Passapalavra, então respondo por mim. Talvez porque todos os meios de comunicação hoje sejam controlados. Sendo assim, quem está na luta ou corre o risco de ser monitorado, ou corre o risco de se isolar. A própria existência do site Passapalavra já deve ser objeto de investigação, independente do Facebook. Assim como ser anti-capitalista não significa morar em uma caverna “vivendo de luz”…

    • cubana

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      out 30, 2011

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      Cara Renata, o site PASSAPALAVRA esta fazendo sua parte em divulgar essa informação de extrema importancia.Se vc está do lado do facebook fica na sua e deixe o site fazer o seu trabalho de PASSAR A PALAVRA ok?
      Quanto a sua pergunta, vou responder como uma menina cubana que sabe falar ingles: “É preciso aprender a lingua do inimigo!”

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      out 30, 2011

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      A PF tem acesso privilegiado ao orkut??? E as inúmeras comunidades de ódio racial, neo-nazistas e grupos extremistas que tem lá??? Por que não deletam???

    • Passa Palavra

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      out 30, 2011

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      Cara Renata,
      O Passa Palavra utiliza o Facebook e outras mídias sociais, pois há muito tempo uma expressiva parte dos leitores migrou para lá as suas atividades virtuais. De forma a não ficar “isolado”, o coletivo decidiu divulgar o conteúdo nesses sites, mas sem transferir as discussões do site para lá. O presente artigo buscou evidenciar como a mídia social mais usada é também o maior sistema de vigilância em massa da atualidade e esperamos que isso dê subsídios para que os movimentos e coletivos reflitam sobre os usos dessa ferramenta. Ademais, cioso da intensificação da vigilância que os espaços virtuais permitem, o coletivo, dentro das suas possibilidades, toma as devidas providências de segurança.
      Cordialmente,
      Coletivo Passa Palavra

    • MARCELO DE SOUZA

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      out 30, 2011

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      “Nem KGB ou CIA já tiveram 1200 páginas a respeito de um cidadão comum”

      Desculpem-me por dizer isso, mas se o Hitler tivesse um computador e internet teria dominado o mundo facilmente. KGB e CIA não tiveram por que não havia tanta facilidade de se estar em todos os lugares com um “click” e não havia também tanta gente interessada na vida alheia como há hoje. Se você não quer ter sua vida vasculhada ou bisbilhotada, não faça parte de redes sociais, simples. Mas acontece que, como você dizem, “pessoas não querem se sentir isoladas” e por isso fazem. No meu entendimento isso se chama “se eu pular no buraco você tem que pular também”.
      O problema das redes sociais não são elas, mas o mal uso delas, seja por parte dos usuários ou por parte dos programadores. Entretanto, o arquivamento de dados feito pelo Facebook é interessante, pois se você sofrer ameaças, “bullying” ou outras coisas pode saber a quem procurar para provar.

    • iraldo

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      out 30, 2011

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      Prezado Marcelo, considero bastante equivocada sua interpretação da questão do “isolamento” (corretamente grafado entre aspas, pelo passapalavra, embora eu tenha usado o termo), comparando com uma atitude de “Maria vai com as outras”. A questão é que o meio virtual é amplamente monitorado, ainda que o Facebook permita isso numa escala impensável. Sendo assim, ou corre-se o risco de ser monitorado ao se buscar canais de ampla divulgação, no meio virtual, das lutas sociais e da análise sobre tais lutas; ou pode se optar por não entrar nessas redes sociais, diminuindo o alcance da comunicação e da circulação das informações. Não se trata de “isolamento”, como eu mesmo coloquei de forma equivocada anteriormente. Tal escolha deve ser realizada ponderando-se possíveis ganhos e perdas, ou riscos, pensando em contribuir com as lutas sociais, não por modismos como vc insinuou. Portanto, afirmar que quem quer discutir um problema sério como o do controle sobre as redes sociais virtuais, tal como apresenta o artigo, não pode participar de tais espaços, não me parece fruto de muita reflexão. Até porque muitas pessoas nem sonham que isto esteja ocorrendo, então é preciso sim discutir a questão. Mas, de fato vale repensar a participação ou não em tais redes…

    • Márcia de Oliveira

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      out 30, 2011

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      Todos hj estão expostos a qq vigilância. Há programas que basta vc digitar o CPF e terá a “capivara” da pessoa, sabendo se ela é boa pagadora, má pagadora, se já esteve no Serasa, SPC etc. As grandes empresas usam isso para contrar seus funcionários. Agora, com a nota fiscal paulista, é possível saber o hábito de consumo da população. Na minha opinião, não há como fugir disso. E se quiser fugir, não tire CPF rsrsr

    • Itamires

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      nov 29, 2011

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      Tem fotos em 3d da minha casa no google. policiais podem acessar meus dados no orkut. saberem onde eu estou quando cutuco alguem no facebook não é nada perto do ratreador que tem em todos os celulares. Filho se você ainda não percebeu, estamos dentro de um sistema que nos ratreia persegue e mata se você bobiar!

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      jul 15, 2013

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      Gostaria, depois de 3 anos de estar inscrito nesta rade social, Facebook, que me informassem como reclamar tudo quanto tenho nas minhas páginas do facebook. Fui inibido de entrar na minha página rpincipal sem qualquer razão aparente. tenho a minha consciência tranquila, não ofendi ninguém e estes sabujos do Facebook dizem que tenho usado nomes falsos. Pura mentira. Qualquer um pode banir outra pessoa do FB poe denúncia e depois, estessenhores, não dão o contraditório ao lesado…mas que política é essa? Os domains do FB pertencem pertencem ou querem pertencer a outra galáxia, mas, quanto a mim, não passam se espiões ao serviço dos EUA. Muitas outras redes peretncem tal como o FB a NSA e PRISM que qaundo a mim, estão ao serviço da espionagem dso EUA.

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