Será que a tecnologia de controle invalida a sua utilização para a mobilização social? Por Legume Lucas

A discussão proposta aqui acerca da utilização das redes sociais para o mapeamento da atividade política me recordou discussões muito presentes na época em que atuava no Centro de Mídia Independente e as redes sociais ainda não tinham sua atual abrangência. Deixo claro que não pretendo negar o mapeamento e a repressão voluntária permitida por estas novas redes, mas sim acrescentar novos elementos acerca da discussão sobre a segurança e a mobilização nas redes sociais.

Grande parte desta criação da chamada web 2.0 surgiu da experiência das lutas sociais protagonizadas pelos movimentos altermundistas. Nomeadamente o twiter foi criado por um ex-voluntário do CMI com o intuito de permitir relatos curtos e facilmente compartilháveis sobre manifestações; quando a imprensa internacional “descobriu a utilização inovadora” desta ferramenta no Egito, ele teria declarado “mas é obvio que funciona para manifestações, foi para isto que o criei”. Contudo, a aproximação, voluntária, destes militantes com o mundo empresarial levou ao desenvolvimento de uma tecnologia de controle impressionante. Será que isto invalida a sua utilização por esquerdistas ou para a mobilização social?


Junto à expansão do uso das redes sociais, também os militantes de movimentos esquerdistas das mais diversas linhas políticas criaram seus perfis nestas redes, alguns destes entraram nas redes sociais antes até de serem esquerdistas. Assim como fazem parte da vida destes militantes, as redes sociais são um elemento cotidiano na vida das pessoas das mais diversas classe sociais e idades. É comum ver trabalhadores de escritório e do comércio acessarem o facebook dos computadores de trabalho.

As redes permitem, portanto, uma forma de acesso rápido e constante a um conjunto de pessoas que não estão necessariamente diretamente envolvidas em atividades militantes, ou que querem envolver-se em algo e não sabem muito bem como. Evidentemente, a divulgação nas redes não deve substituir o trabalho de base militante, mas a presença nelas pode ser bastante útil a um movimento social. Por exemplo, as mobilizações sociais protagonizadas pelo Movimento Passe Livre de São Paulo (MPL-SP) em 2011 foram fruto do trabalho do movimento em escolas. Porém, a divulgação no Facebook serviu para potencializar os contatos de um movimento que já era referência na mobilização por transporte. Isto ficou ainda mais claro com o ciclo de mobilizações contra os aumentos da tarifa dos ônibus na grande São Paulo em 2013, pois muitos de seus participantes tiveram contato com as formas de luta e as reivindicações do MPL via Facebook.

Isto diferencia as redes sociais comerciais das suas pretensas substitutas militantes como o we.riseup, que apesar de garantir a segurança de seus usuários não serve para a divulgação além dos círculos militantes. Com isso a segurança termina servindo como um meio de restrição à participação militante.

Este quadro se complica quando detectamos a necessidade de nos comunicarmos de uma forma segura para escapar das novas formas de controle, como já discutiu um militante anglo-brasileiro tempos atrás. Criam-se hierarquias nas quais apenas as pessoas familiarizadas com criptografia da informação poderão ter acesso às esferas de decisão da mobilização. De fato um computador só pode ser seguro se utilizar um software livre, tiver o HD criptografado e chave criptografada no e-mail. Quantas pessoas terão acesso a isso? Não estaríamos incorrendo no risco de criar uma tecnocracia nos movimentos sociais? Não nos condenaríamos a ser eternamente do mesmo tamanho?

De fato, algumas atividades políticas precisam ser feitas às escondidas e me parece fundamental evitar que os processos de decisão dos movimentos sociais sejam conhecidos da repressão. Porém, a publicidade de algumas de nossas ações como forma de defesa e proteção – já que é difícil imaginar que não exista um mapeamento, por parte das autoridades, de quem são os militantes – e o desenvolvimento de atividades públicas possibilitam a constituição de uma rede de solidariedade externa à militância.

Os quadrinhos [bandas desenhadas] são de André Dahmer e a ilustração (assim como a de destaque) é a obra de Kasimir Malevitch, Cavalaria Vermelha.

15 COMENTÁRIOS

  1. vc nao precisava ter escrito um texto pra defender isso, isso já está bastante generalizado… facebook precisa de defesa?

  2. não me parece que estão defendendo o facebook no texto. O ponto mais interessante é pensar em que ponto a publicização das coisas militantes é uma ameaça e o quanto é uma defesa para os movimentos sociais.

  3. Interessante esse outro ponto de vista, Legume. Igualmente sem negar a importância do que o Alex escreveu no outro artigo, acho que ponderar essa outra visão que você coloca é fundamental. Vejamos o que diz a Folha de SP de hoje, por exemplo:

    Favela está ‘superligada’ à internet, diz estudo

    No Rio, 90% dos jovens de cinco áreas de baixa renda acessam a rede

    Usuários priorizam redes sociais como o Facebook, mostra levantamento feito com 2.000 entrevistas
    FABIO BRISOLLA DO RIO

    Nove entre dez moradores de favelas cariocas, com menos de 30 anos, acessam a internet. A maioria utiliza o computador de sua própria casa. Quando conectados, os usuários priorizam redes sociais, como o Facebook.

    As constatações citadas integram uma pesquisa com residentes, entre 15 a 29 anos, de cinco áreas de baixa renda: Rocinha (zona sul), Cidade de Deus (zona oeste), Manguinhos e os complexos do Alemão e da Penha (zona norte).

    O levantamento, baseado em 2.000 entrevistas, foi produzido entre os dias 17 e 22 de dezembro de 2012 para o projeto Solos Culturais, uma parceria da Secretaria Estadual de Cultura com a ONG Observatório das Favelas.

    Segundo os pesquisadores, a adesão à internet dessa parcela da população sinaliza mudanças.

    “O cidadão invisível na rua aos olhos da sociedade consegue ser reconhecido em redes sociais como o Facebook. O excluído está alçando virtualmente sua visibilidade. Isso é uma revolução no imaginário da cidade”, avalia Jorge Luiz Barbosa, professor do Departamento de Geografia da UFF (Universidade Federal Fluminense) e diretor do Observatório das Favelas.

    Ele acredita que a internet pode estabelecer laços até então pouco explorados.

    “O garoto da favela posta um vídeo com passos de funk no YouTube que acaba sendo visto pelo menino do condomínio de luxo. Esses cruzamentos culturais permitem a esperança em uma sociedade mais generosa com suas diferenças”, diz Barbosa.

    MEMÓRIA ARMAZENADA

    Além de marcar presença em redes sociais, os internautas entrevistados afirmam que costumam armazenar sons, fotos e vídeos.

    Essa coleção pessoal criada por cada usuário é citada também como algo inédito.

    “Antes, uma pessoa de classe baixa não tinha condições de comprar uma máquina fotográfica. Hoje, qualquer celular tira foto, o que possibilita a construção de uma memória que por muitas gerações não existiu”, avalia o diretor do Observatório das Favelas.

    O levantamento mostrou ainda que o complexo do Alemão registrou o maior número de usuários habituados a baixar músicas: 85,2% dos internautas da região.

    “Essas pessoas passaram a ter acesso a bens culturais simbólicos, como é o caso da música. Por isso, elas começam a construir seu próprio acervo de informação”, diz Gilberto Vieira, produtor executivo do projeto.

    O conjunto de favelas da Penha atingiu o índice mais alto de usuários do Facebook, com a participação de 93,42% do total de entrevistados com acesso à rede.

    O uso da internet como ferramenta para os estudos também chamou a atenção.

    No complexo da Penha, em cada grupo de dez internautas, sete afirmaram recorrer às ferramentas de buscas virtuais para realizar trabalhos escolares.

    A pesquisa realizada nas favelas cariocas vai resultar no livro “Solos Culturais”, que deve ser lançado até o final deste mês.

  4. Quem puder ver a edição impressa do jornal, lá tem alguns gráficos, mostrando por exemplo a porcentagem de jovens (acho que o critério é menos de 30 anos) que estão cadastrados no facebook. Nas cinco comunidades pesquisadas, se não me engano em nenhuma delas o índice é inferior a 90%.

  5. Não se trata de um texto defendendo o Facebook, mas um texto que tenta encarar a discussão apresentada pelo artigo anterior do Alex por um enfoque prático. Sabendo que as redes sociais servem para vigilância e repressão, que consequências podemos tirar para nossa prática militante?

  6. Essa é uma discussão realmente complicada. No final acaba sendo uma extensão de discussões organizacionais e qual a eficiência de cada forma?

    Eu considero o Facebook como algo ruim em si. Me assusta um arquivo mundial tão detalhado das atividades, desejos, paixões, preferências e relações de cada um dos indivíduos. Por conta disso não o utilizo. Porém faço parte de um coletivo de comunicação e o meu coletivo tem uma página no Facebook. A grande maioria dos cliques para o site vem do Face. Apesar disso, decidimos construir um uso diferenciado dessa ferramenta. A questão que nos perguntamos é parecida com a do texto: se a técnica não é neutra qual as possibilidades de subvertê-la?

    Pelo que acompanhei dos últimos grandes processos de mobilização mundiais, não compactuo com a tese de que o Facebook foi o motor das grandes mobilizações. Pode ter servido como potencializador, mas nenhuma delas teria ocorrido se não houvesse um trabalho muito sério, duradouro e comprometido muito para além do Facebook. Prefiro construir esse trabalho à fazer campanhas publicitárias em redes sociais.

    Daí, eu acho um pouco falacioso o antagonismo entre um uso seguro (criptografia e afins) da internet e o uso das redes sociais. Acho possível um uso conjunto de ambos. Ao mesmo tempo que uso VPN, Tor e criptografia, eu participo de um coletivo que usa o Facebook para divulgar questões mais emergenciais (tendo o cuidado de revelar o mínimo possível sobre nós pessoas físicas nesse ambiente). O jeito mais eficaz de evitar uma tecnocracia não é evitar o uso desses mecanismos de defesa e sim torná-los o mais popular possível.

    Sobre essas questões, eu tenho achado as reflexões de Assange bem interessantes. Recomendo um debate da série “O mundo amanhã” que trata sobre o assunto:

    http://www.youtube.com/watch?v=n2_ON1swsok

    Bem, é isso. Continuemos com essa discussão porque muito ainda precisamos entender para evitar que nos enforquemos com uma corda que nós próprios construímos.

  7. 1. o que faço não é ilegal.
    2. se eu fizer algo ilegal não será anunciado aos quatro ventos, sejam virtuais ou reais. a inocência ou seja lá qual for a motivação de publicizar algo deste gênero, pode melar alguma ação direta, mas até agora não impediram nada (mesmo porque a gente nao tem feito muita coisa né?!)
    3. Facetruque ajuda na comunicação, nada mais.

  8. Me assusta, particularmente, os trechos atribuídos – segundo o recorte realizado pelo jornalista e a edição do jornal – ao professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ).

    Não conheço, particularmente, esse trabalho atual e toda a produção acadêmica/pesquisa de Jorge Luiz Barbosa. Mesmo assim, e ainda que abrindo o benefício da dúvida (jornalista e editor poder ter “cortado” ou distorcido suas declarações), é de ingenuidade sem tamanho dizer que “O cidadão invisível na rua aos olhos da sociedade” agora alcança, via milagre das redes sociais, um reconhecimento de que existe na cidade. Chamar isso de “revolução no imaginário da cidade” é uma piada praticamente.

    Sei que isso parece desviar totalmente de nossa discussão aqui empreendida, mas não é o caso. Senão, vejamos. Não há dúvidas de que os textos publicados no Passa Palavra e o debate em seus comentários contribuem muito mais para entender de forma séria e crítica essa realidade. Já a pesquisa da ONG, da Secretaria Estadual da Cultura e do professor da UFF está vocalizando apenas sensos comuns ingênuos e bem ao gosto dessas grandes corporações de redes sociais/vigilância.

  9. Xavier e todos,

    Mas acho que o interessante da pesquisa/matéria é ter apontado que quase a totalidade da juventude urbana brasileira faz uso da internet e das redes sociais.

    Também não concordo com o a leitura deslumbrada do professor, mas temos de pensar o quanto isso reafirma, com ainda mais contundência, a pertinência da polêmica (saudável) que é aqui colocada. Por um lado, a pesquisa nos diz que é possível alcançar a maioria da juventude brasileira com alguns cliques (o que pode ser bom se usado com alguma inteligência e bom senso), mas, por outro, indica que essa conectividade é feita sob o controle de algumas empresas (o que é não é nada bom).

    Abraços

  10. Taiguara e todos.

    Achei as conclusões do professor muito deslumbradas, como você bem disse. Mas, de fato, você está certo: a pesquisa aponta para dados surpreendentes e que não podemos ignorar – e as redes sociais são, sim, ferramentas que podem ser bem utilizadas, ao mesmo tempo em que nossa participação (não só a nossa, é claro) também é o alimento que nutre a valorização dessas grandes empresas de controle/segurança (se utilizam de nossos dados, vendem nossos gostos e posicionamentos para governos e corporações). Por esse motivo, esses dois artigos de polêmica aqui no Passa Palavra são importantes para a reflexão – já que apontam para as potencialidades e contradições de tal “realidade conectada”.

    Deveria ter sido mais claro, ao falar da pesquisa. Os dados apresentados são, como você bem disse, importantes. E, no fim das contas e o comentário do Taiguara me ajudou a perceber isso, as conclusões expostas pelo professor e demais envolvidos no estudo são de menor importância – diante do que podemos extrair para nossa reflexão e ação nas lutas.

    Ainda sobre essa questão, puxo aqui da memória um artigo de 2011 que falava, em sua segunda seção, sobre um outro aspecto do tema sobre internet e mobilização. São muitos assuntos possíveis de serem linkados a partir dessa realidade da juventude que se conecta, informa e interage pelas redes sociais. O artigo em questão é: “Curtir or not curtir” (http://passapalavra.info/?p=46696).

  11. [email protected],
    além da segurança na internet, gostaria de ressaltar um outro ponto acerca deste advento: a modificação das relações sociais.

    Com isso, não quero apresentar uma grande tese que explique detalhadamente cada ponto da relação entre a inserção de uma tecnologia e seus efeitos (práticos) nas relações sociais (ou seja, nas relações de dominação). Mas apenas iluminar com exemplos específicos o modo pelo qual as relações sociais se modificam com esse advento e seus efeitos para os militantes e ativistas de esquerda.

    Apesar de todas as ressalvas, acho que a maneira com que Zizek pensa o capitalismo cultural (ou cognitivo) pode nos ajudar a pensar como a internet termina por modificar as relações sociais (claro, isso não é um elemento isolado, mas apenas um dos aparelhos que “transformam” as relações). De acordo com Zizek, em linhas gerais, o capitalismo cognitivo termina por modificar o prisma da dominação de classe, ou seja, o consumidor passa a ser responsável pelas mazelas dos sistema capitalista. Quando “escolhe” consumir café Starbucks (que tem o selo de “comércio justo”, produção baseada nos princípios do “desenvolvimento sustentável”) ao invés de outro café, o consumidor estaria escolhendo entre a destruição do planeta ou a sua preservação. Embora essa “ideologia” seja fácil de ser desmascarada, na medida em que basta olhar para o atendente da Starbuck para entender que não existe comércio justo, pois um café é igual o preço de uma hora de trabalho deste atendente.

    Ainda assim, o que “resta” dessa ideologia? Ao que parece, é a sensação de que estamos contribuindo para resolver os problemas (naturais e sociais) do planeta. A “consciência” – ética – dos consumidores (trabalhadores) fica tranquila, pois foi feito uma boa ação que contribuiu para barrar a destruição do mundo.

    Esse exemplo fica mais palpável no caso da caridade. A igreja incentiva a caridade como forma de participação dos fieis no desígnios do mundo; ao dar o dízimo para igreja, estamos nos ausentando da responsabilidade de fazer alguma coisa pelos mais “pobres”. Confiamos à igreja – delegamos à ela – o poder para agir em prol dos “desfavorecidos”, com isso seguimos nossas vidas sem precisar se preocupar com os “problemas sociais do mundo”.

    Tá, mas o que tudo isso tem haver com a modificação das relações sociais e sua influência na ação da esquerda.

    Do mesmo modo que sentíamos tranquilos ao contribuir com a igreja através dos dízimos, ou comprando cafés de selo justo, ao compartilhar algo no facebook nos sentimos, de algum modo, como se estivéssemos contribuindo com a luta de tal modo que basta um “click” para as coisas mudarem. É o mesmo “sentimento” (as áspas servem neste caso porque é um sentimento que envolve pensamentos e ações) que somos tomados quando fazemos algo de útil para o mundo, como a caridade.

    Com isso não quero ir de encontro com a tese do Legume de que as redes sociais, de algum modo, potencializam as lutas. Acredito que isso acontece, no entanto, algo mais também acontece (como expliquei acima). Não se trata de afirmar uma contradição para abandoná-lo e ir buscar algo isento de contradição . Nada mais conservador querer alguma coisa pura, sem defeitos. Mas a “consciência” disso nos permite operar sobre o mesmo, isto é, não substituir o trabalho de base pelos compartilhamentos. Ou então começar a mapear (porque não) nossos [email protected] que compartilham muitas coisas nas redes sociais para trazê-lo aos trabalhos de base.

    Desculpe pelas voltas. Da próxima buscarei ser mais direto.

    abs.

  12. Xavier,
    tbm achei o tal professor um panaca por essa declaração, mas é isso, eu colei a parada por contados dados. Já ouvi de muita gente de uma esquerda digamos “roots” coisas como “ah, isso é ativismo de internet, coisa de classe média para classe média”. Acho que é um consenso aqui que evidentemente que só a ação virtual não serve de nada, e que tbm nao foram FB ou Twitter que fizeram a Primavera Árabe ou o cacete, é preciso de trabalho real, sem dúvida. MAS esse papo de que atuar na Internet é apenas falar com classe média é o que parece já estar completamente desatualizado, por isso achei relevante os dados (e a matéria é uma merda, poderia discutir muito mais) – mais de 90% dos moradores de cinco morros do RJ estão conectados ao face, isso nao é nada desprezível.

    Sem falar outra coisa: quase 100% estão ligados à TV, certo? Na comparação TV X Redes sociais aí acho que é facil ver onde temos alguma mínima chance de fazer algo e onde nao temos ne… enfim, acho um debate bacana, em todos os aspectos colocados aqui, da crítica ao controle e das possibilidades de atuação.

    Um outro lance que andei lendo esses dias e que me interessei bastante é pela tal da DEEP WEB, ces manjam disso? Pode ser uma alternativa para determinadas articulações? Sabem algum texto mais aprofundado? Eu li esse aqui, jornalístico:

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-internet-que-quase-ninguem-ve

    Abraços!

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