A oposição bolchevique contra Lênin: G. I. Miasnikóv e o Grupo Operário (2)

A oposição bolchevique contra Lênin: G. I. Miasnikóv e o Grupo Operário (2)

em 14 nov

“Você diz que eu quero liberdade de imprensa para a burguesia. Ao contrário, eu quero liberdade de imprensa para mim mesmo, um proletário, um membro do partido por quinze anos”. Por Paul Avrich

Pouco se sabe dos primeiros anos de Miasnikóv. Ele começou sua vida em 1889, um nativo dos Urais, que tinha uma tradição de militância operária que retrocedia até o século dezoito. Ele mesmo, possuído por uma têmpera militante, tomou parte da Revolução de 1905[5]. Com apenas dezesseis anos na época, ajudou a organizar um soviete de operários na grande fábrica metalúrgica em que trabalhava, em Motovilikha, uma vila sobre o Rio Kama, poucas milhas acima de Perm[6]. No ano seguinte ingressou no partido bolchevique. Detido logo depois, foi preso e então banido para a Sibéria, cumprindo um total de sete anos e meio de trabalhos forçados[7]. Miasnikóv se provou um prisioneiro rebelde. Ele foi espancado por insubordinação, passou setenta e cinco dias em greve de fome, e escapou nada menos do que três vezes, reentrando no bolchevismo clandestino depois de cada fuga. Pouco surpreende que ele tenha adquirido uma reputação de firmeza e dedicação! Ousado, determinado, inflexível, um homem de paixão e energia tempestuosa, ele já exibia aqueles traços de caráter que iriam colocá-lo contra a hierarquia do partido. Tinha ideais elevados, era independente, implacável, um turbulento instrumento de militância revolucionária, o qual, com sua longa barba e cabelos e olhos penetrantes, combinava as qualidades de um duro ativista operário com as de um visionário e romântico. Marcado com a mentalidade de um velho crente — pode-se perguntar se, como Shliapnikov da Oposição Operária, ele tivera origem cismática [N. do T.: “velhos crentes” é o nome de uma fração que rompeu com a igreja ortodoxa russa por rejeitar a reforma realizada em 1666 e por defender a pureza da religião como eles a entendiam; Shliapnikov era filho de membros dessa seita.], — ele tendia a ver os assuntos políticos e sociais em termos de absolutos morais. Pelo resto de sua vida ele manteve uma atitude de fundamentalismo sectário, rejeitando qualquer adulteração dos ideais revolucionários[8].

Ao retornar do exílio, Miasnikóv retomou sua atividade clandestina. Com o colapso da autocracia em fevereiro de 1917, ele se atirou na revolução em seu distrito de nascimento, formando um comitê dos trabalhadores e servindo tanto no soviete de Perm como na organização bolchevique local. Em outubro de 1917 tomou parte na tomada do poder pelos bolcheviques nos Urais. Três meses depois, em janeiro de 1918, foi mandado como delegado da província de Perm para o Terceiro Congresso dos Sovietes, no qual a dissolução da Assembleia Constituinte foi aprovada[9]. Logo depois aconteceu sua primeira ruptura conhecida com Lênin; ele se aliou com a fração dos Comunistas de Esquerda e opôs-se à ratificação do tratado de Brest-Litovsk. Em maio de 1918, numa conferência de todo o partido em Perm, Miasnikóv falou contra o tratado. Convencido de que a revolução europeia era iminente, e de que sem ela o regime bolchevique não poderia sobreviver, ele defendeu uma “guerra revolucionária” que incendiaria o proletariado do Ocidente e traria a destruição final do capitalismo[10].

Gavriil Myasnikov (ou Miasnikóv)

Miasnikóv, entretanto, alinhou-se com Lênin durante o verão de 1918, quando a intensificação da guerra civil trouxe a desaparição gradual dos Comunistas de Esquerda e a restauração da unidade no interior do partido. Agora um membro do soviete regional dos Urais, ganhou uma certa notoriedade por seu papel na liquidação da família imperial. Ele foi pessoalmente responsável por executar o Grão-Duque Mikhail, o irmão mais novo do Czar, que tinha sido deportado para Perm. Na noite de 12 para 13 de julho, um grupo de trabalhadores, liderado por Miasnikóv, chegou ao apartamento de Mikhail com papeis forjados da Cheka provincial. Eles acordaram o Grão-Duque, levaram-no e ao seu secretário inglês, Nicholas Johnson, até a fábrica de Motovilikha e lá executaram-nos com tiros[11].

Se Miasnikóv assumiu o assassinato por sua própria iniciativa ou agiu sob ordens de uma autoridade superior, isto não esta claro. Vera Kornoukhova, secretária do comitê do partido bolchevique de Perm, mais tarde testemunhou que Miasnikóv era “um homem amargo e sedento de sangue, e não totalmente são”, insinuando que apenas ele tinha sido o responsável pelo ato[12]. Ainda assim, o fato de que, tão logo o assassinato foi concluído, Miasnikóv tenha partido para Moscou e se reportado diretamente a Lênin, sugere que ele tenha agido sob instruções. Quatro dias depois, pode ser acrescentado, o Czar e sua família foram fuzilados, por ordens dos bolcheviques, na cidade de Ekaterinburgo, nos Urais.

Pelo restante da guerra civil Miasnikóv permaneceu um bolchevique fiel. Em 1920 ele era presidente do comitê provincial do partido em Perm, tendo encabeçado sua seção de agitprop [N. do T.: abreviatura de agitação e propaganda, nome que era dado para a atividade de disseminação das ideias do partido na massa da população]. Em setembro desse ano ele foi delegado para a Nona Conferência do Partido, ocorrida em Moscou, onde falou sobre o trabalho de propaganda no interior do partido[13].

Ele não criticou a liderança do partido, como muitos outros delegados na conferência. Ainda assim, fervia de descontentamento. Estava profundamente perturbado pelas tendências oligárquicas no interior do partido, o deslize rumo ao autoritarismo e ao comando de uma elite, um processo grandemente acelerado pela guerra civil. Ele estava consternado pela crescente concentração de poder nas mãos do Comitê Central, o divórcio da liderança em relação à base, a supressão da iniciativa local e do debate. Igualmente perturbadora, embora ele não tivesse até o momento levantado sua voz em protesto público, foi a introdução da disciplina de trabalho nas fábricas, juntamente com a elevação de especialistas técnicos às posições de autoridade e a substituição do controle operário pela gerência unipessoal e administração burocrática.

Para Miasnikóv, tudo isto representava uma flagrante ruptura das promessas bolcheviques, uma entrega das conquistas de Outubro. Com a hierarquia e a disciplina ressuscitadas, o que, ele pensava, tinham ganho os trabalhadores? Com o inimigo de classe mais uma vez comandando as fábricas, o que tinha acontecido com o poder dos trabalhadores?[14] Miasnikóv era um homem amargo. Ele não conseguia reconciliar a si mesmo com o abandono dos princípios da democracia proletária enunciados em 1917. Ele acreditava de corpo e alma na revolução. O propósito central da revolução, como Miasnikóv o via, tinha sido a abolição das formas capitalistas de exploração, e desta forma a libertação das energias criativas dos trabalhadores e o estabelecimento das condições para a sua dignidade e igualdade. Para Miasnikóv, o curso em que Lênin estava agora embarcado não era nem necessário, nem útil. Logo após a 9ª Conferência do Partido, Miasnikóv começou a falar em voz alta. Voltando aos Urais, ele protestou abertamente e ferozmente contra toda a tendência ou política bolchevique e sua divergência da linha de 1917. Ele soltou a voz contra o crescimento do burocratismo no partido, o autoritarismo e ar de superioridade dos oficiais do partido, e o número crescente de não trabalhadores nas fileiras do partido e em posições de poder. Ele criticou qualquer acomodação com a velha ordem, qualquer retenção de formas e métodos capitalistas.

Miasnikóv batalhou para reconduzir o partido ao seu caminho original. Nada menos do que a varredura completa da ordem burguesa, sua desigualdade e injustiça, sua subjugação e degradação dos trabalhadores, iria satisfazer sua sede pelo milênio [N. do T.: nome dado na linguagem religiosa para a chegada do paraíso]. Ele exigiu a realização do programa de 1917 — antiburocrático, igualitário e internacionalista, tal como o próprio Lênin o delineara em O Estado e a Revolução. O avanço em direção ao socialismo dependia de democracia interna no partido, maior autonomia local e iniciativa popular, e a restauração do poder dos sovietes. Ele dependia da participação da classe trabalhadora, não-comunista e comunista [N. do T.: em 1918 o Partido Bolchevique mudou de nome para Partido Comunista de Toda a Rússia (Bolchevique), e depois mudaria para Partido Comunista da União Soviética; os filiados ao partido, novos e antigo, desde esse momento, passaram a ser chamados de “comunistas”] em todos os níveis da vida política e econômica.

Muito do que Miasnikóv estava dizendo ecoava ideias já ditas pelos Centralistas Democráticos e pela Oposição Operária. Ele partilhava com esses dissidentes uma perspectiva comum de idealismo de esquerda, uma insatisfação comum com as políticas da liderança bolchevique, uma repulsa comum contra todo o programa autoritário que o regime, sob a direção de Lênin, tinha adotado. Ainda assim Miasnikóv fez as coisas do seu próprio jeito. Não obstante as acusações subsequentes de que ele tinha sido um “membro ativo” da Oposição Operária[15], ele não o fora, a não ser pelos contatos mais efêmeros, associados com este grupo[16]. Miasnikóv, por enquanto, permaneceria uma oposição de um homem só. Sempre independente em seus pontos de vista, ele se diferenciava tanto dos Centralistas Democráticos como da Oposição Operária em pontos importantes e foi além deles na natureza arrasadora de seu ataque contra a hierarquia do partido. Ele foi um dos poucos bolcheviques neste momento a esposar a causa do campesinato, especialmente seus elementos mais pobres, advogando a formação de sindicatos camponeses; por isso ele foi acusado de abrigar simpatias pelos Socialistas Revolucionários[17] [N. do T.: conhecidos pela sigla SR, partido não marxista baseado nos camponeses, que por essa época já estava na oposição ao governo bolchevique]. Durante a controvérsia sobre os sindicatos, além do mais, ele não aderiu a nenhuma das plataformas em disputa, menos ainda a de Lênin e seus apoiadores, como Shliapnikov enganadoramente sustentou[18]. Para Miasnikóv, ao contrário, os sindicatos tinham sobrevivido para além da sua utilidade, devido à existência dos sovietes. Os sovietes, ele argumentava com um veia de sindicalista, eram corpos revolucionários, ao invés de reformistas. Ao contrário dos sindicatos, eles abraçavam não apenas um ou outro segmento do proletariado, esta ou aquela categoria profissional, mas “todos os trabalhadores” e ao longo das “linhas de produção” ao invés de ofício. Os sindicatos deveriam, portanto, ser desmantelados, Miasnikóv insistia, junto com os Conselhos de Economia Nacional, que estavam carcomidos com “burocratismo e morosidade”; a gestão da indústria, ele dizia, deveria ser investida nos sovietes operários[19].

Estação de Nikolayevsky, Petrogrado, 1917

Os pronunciamentos não-ortodoxos de Miasnikóv levantaram a ira das autoridades do partido. Por ordens do Comitê Central, ele foi transferido (“banido para correição”, como ele mesmo colocou) dos Urais para Petrogrado, onde poderia ser colocado sob supervisão[20]. Isso ocorreu no outono de 1920. A guerra civil tinha sido vencida e a atmosfera na capital parecia festiva. Um olhar mais próximo, no entanto, revelaria um descontentamento difuso. “Petrogrado Vermelha”, Miasnikóv notou, era uma “Vila Potemkin” [N. do T.: anedota russa equivalente no Brasil a algo como “para inglês ver”; a origem desse nome está num episódio acontecido durante a visita da Imperatriz Catarina II à Criméia em 1787, quando uma vila cenográfica foi construída para fazer parecer que a situação estava melhor do que realmente era, e essa construção passou para o folclore russo com o nome de “Vila Potemkin”]. Por trás da fachada de vitória avolumava-se uma séria crise. A influência bolchevique entre os trabalhadores estava declinando rapidamente. No interior do partido o favoritismo e a corrupção eram abundantes. O Hotel Astoria, onde muitos altos oficiais viviam, era um cenário de perdulariedade, enquanto os cidadãos comuns não eram atendidos em suas necessidades básicas. Designado para uma unidade do partido destacada para a arrecadação de alimentos [N. do T.: vigorava nessa época o chamado “comunismo de guerra”, em que não havia mais compra e venda, e o governo confiscava mantimentos dos camponeses, em troca da distribuição de bens manufaturados das cidades; esse sistema era extremamente precário, com falhas de todos os lados, banditismo, corrupção, escassez, fome, etc., agravando a tragédia da guerra civil], Miasnikóv descobriu que seus colegas não eram “arrecadadores de pão”, mas “comedores de pão”, e que um novo tipo de comunista estava surgindo, o carreirista bajulador que “sabe como agradar seus superiores”[21].

No começo, Miasnikóv hesitou em protestar. Mas logo ele começou a falar em alto e bom som novamente. Zinoviev, presidente do partido em Petrogrado, respondeu com ameaças. Num certo momento ele advertiu Miasnikóv para que parasse de reclamar “ou nós iremos expulsá-lo do partido; ou você é um SR ou é um homem doente”[22]. Mas Miasnikóv recusou-se a ser silenciado. Sua prolongada luta contra a ordem czarista tinha-lhe dado um gosto pela liberdade de expressão que ele não estava propenso a sacrificar, mesmo em nome da disciplina do partido. Ele deplorou a supressão das críticas pelo Comitê Central. Comunistas que se arriscavam a emitir uma opinião, protestava, eram estigmatizados como heréticos e contrarrevolucionários. “Vocês pensam que são mais espertos que Ilich?” [N. do T.: sobrenome verdadeiro de Lênin, que é um pseudônimo de Vladimir Ilich Ulianov], era o que lhes diziam[23]. Conforme Miasnikóv, apesar de repetidas advertências, continuava a falar abertamente, outras vozes insatisfeitas juntaram-se a ele. No início de 1921, a classe trabalhadora em Petrogrado estava em ebulição. Em fevereiro, fábrica após fábrica entraram em greve, e porta-vozes do partido eram frequentemente barrados das reuniões de trabalhadores. No final do mês, a cidade estava à beira da greve geral. Então, em março, veio a rebelião de Kronstadt. Miasnikóv foi profundamente afetado. Ao contrário dos Centralistas Democráticos e da Oposição Operária, ele se recusou a denunciar os insurgentes. Nem teria participado da repressão contra eles, se tivesse sido convocado. Pois ele atribuía a rebelião “ao regime interno do partido”. “Se alguém se atreve a manter com coragem suas convicções”, Miasnikóv declarou,

ele é ou um individualista, ou, pior, um contrarrevolucionário, um menchevique ou um SR. Foi esse o caso de Kronstadt. Tudo estava bem e tranquilo. Então, de repente, sem uma palavra, algo o atinge na face: “o que é Kronstadt? Algumas centenas de comunistas estão lutando contra nós”. O que isso significa? A quem culpar se os círculos dirigentes não falam a mesma língua não só que as massas não partidárias mas com os comunistas de base? Eles se desentendem tanto assim que buscam por suas armas. O que é isso então? É o precipício, o abismo[24].

Claramente, tinha sido um engano trazer Miasnikóv para Petrogrado. O Comitê Central, reconhecendo seu erro, ordenou que ele retornasse aos Urais. Miasnikóv obedeceu. De volta ao seu terreno nativo, entretanto, ele retomou sua agitação, formando um vespeiro na organização local do partido. Em maio de 1921, ainda por cima, ele explodiu uma bomba na forma de um memorando ao Comitê Central, clamando por reformas de grande alcance. Uma denúncia esmagadora dos líderes comunistas, suas teorias e métodos, o memorando exigia a abolição da pena de morte, a abolição das formas burocráticas de organização, a transferência da administração industrial para sovietes de produtores — ele contrapunha princípios revolucionários aos expedientes promovidos pelo Comitê Central[25].

A mais impressionante exigência do memorando foi a de liberdade de imprensa irrestrita. Criticando o Décimo Congresso do Partido por asfixiar o debate, Miasnikóv clamou por liberdade de imprensa para todos, “de monarquistas a anarquistas, inclusive”, como ele colocou[26], uma frase que iria reverberar durante as polêmicas que se seguiram. Miasnikóv foi o único bolchevique a fazer uma tal demanda. Ele via a liberdade de imprensa como o único meio de conter as tendências de abuso de poder e manter a honestidade e a eficiência no interior do partido. Nenhum governo, concluiu, poderia evitar o erro e a corrupção quando vozes críticas fossem silenciadas[27].

Nos Urais, enquanto isso, Miasnikóv conduziu uma vigorosa campanha para levar suas ideias aos trabalhadores. Várias e várias vezes ele falou publicamente contra o comportamento ditatorial dos oficiais do partido e a crescente concentração de autoridade no centro. Para impedir que a situação se tornasse pior, ele apelava para a imediata renovação da democracia no interior do partido e uma maior autonomia para os sovietes. Ele advertiu que a substituição dos sovietes pelo aparato do partido, combinado com a tendência rumo à centralização no interior do partido, representava um perigo para a realização do socialismo.

A crítica de Miasnikóv atiçou uma revolta no interior da organização do partido nos Urais. Um homem de caráter magnético e óbvia sinceridade, ele ganhou seguidores nos caldeirões de proletários descontentes tanto em Perm quanto em Motovilikha. Os oficiais bolcheviques locais ficaram alarmados. Em maio de 1921, pouco depois de Miasnikóv ter despachado seu memorando ao Comitê Central, o comitê provincial de Perm o proibiu de propagandear suas ideias em reuniões do partido. Mas Miasnikóv se recusou a desistir. Em 21 de junho ele falou numa conferência provincial do partido em Perm, castigando tanto o Comitê Central como o comitê provincial[28]. Um mês depois, em 27 de julho, ele foi ainda mais longe, publicando um panfleto chamado Bol’nye voprosy (Questões Controversas), no qual ele reiterava as exigências de seu memorando, acima de tudo por liberdade de crítica. “O governo soviético”, declarou ousadamente, “deveria manter detratores às suas próprias custas, como faziam os imperadores romanos”[29]. Enquanto isso, o comitê de Perm não ficou parado. Em seguida ao discurso de Miasnikóv em 21 de junho, o comitê local apelou ao Comitê Central para que sua conduta fosse investigada. Em 29 de julho, dois dias depois da aparição de Bot’nye voprosy, o Orgburo [N. do T: bureau de organização, em russo no original] formou uma comissão especial, composta de Bukhárin, P. A. Ziluisky e A. A. Sol’ts, para investigar a questão[30]. Bukharin considerou o memorando de Miasnikóv de interesse suficiente para ser passado adiante para Lênin. Assim foi que Lênin se envolveu no caso.

Lênin deu uma olhada no memorando. Em 1 de agosto, ele escreveu para Miasnikóv uma breve nota, convidando-o ao Kremlin para uma conversa. “Que tipo de liberdade você quer?” Lênin perguntou. “Para os SRs e mencheviques? Todos de uma vez? No seu memorando não está claro”[31]. Em 5 de agosto, Lênin prosseguiu com uma longa carta. Até então ele tinha lido tanto o memorando quanto Bot’nye voprosy. Ele viu algum verdade nas críticas de Miasnikóv. O homem, apesar de ingênuo, era claramente sincero. Ele era também um velho bolchevique, um veterano das prisões czaristas, um herói da revolução e da guerra civil. Lênin sentiu que devia a ele uma resposta. Ele esperava, ao mesmo tempo, acompanhá-lo de perto. Dirigindo-se a ele como “Camarada Miasnikóv” e fechando “com saudações comunistas”, seu tom era amigável, mas firme. Como um mestre-escola, ele falou ora com simpatia, ora com condescendência, a seu pupilo rebelde.

Liberdade de imprensa, Lênin tentou convencer Miasnikóv, nas circunstâncias existentes, fortaleceria as forcas da contrarrevolução. Lênin rejeitou a “liberdade” em abstrato. Liberdade para quem?, ele perguntava. Sob quais condições? Para qual classe? “Nós não acreditamos em ‘absolutos’. Nós rimos da ‘democracia pura’”. Liberdade de imprensa, Lênin sustentava, significaria “liberdade de organização política para a burguesia e seus servos mais leais, os mencheviques e SRs”. Os capitalistas ainda são fortes, ele argumentava, mais fortes do que os comunistas. Eles pretendem nos esmagar. Dar-lhes liberdade de imprensa iria facilitar sua tarefa. Mas nós não o faremos. Nós não temos a intenção de cometer suicídio[32]. Liberdade de imprensa, de acordo com Lênin, seria uma palavra de ordem “não-partidária, anti-proletária”. Lênin atribuía a adesão de Miasnikóv a ela a um colapso nervoso combinado com uma inabilidade de captar a teoria marxista. Longe de adotar uma análise de classe, Miasnikóv tinha feito uma avaliação “sentimental” da crise existente. Confrontado com a adversidade, ele tinha sucumbido ao pânico e desespero. Lênin chamava Miasnikóv a se recompor, se acalmar e repensar as coisas. Depois de uma reflexão séria, Lênin esperava, ele iria reconhecer seus erros e retornar ao trabalho partidário útil[33].

Guarda Vermelha em frente ao Smolny, edifício escolhido para se tornar a sede do Partido Bolchevique durante 1917

Miasnikóv não foi convencido pelos argumentos de Lênin. Ele elaborou uma forte resposta. Relembrando Lênin de suas credenciais revolucionárias, ele escreveu: “Você diz que eu quero liberdade de imprensa para a burguesia. Ao contrário, eu quero liberdade de imprensa para mim mesmo, um proletário, um membro do partido por quinze anos”, e não no exterior, mas dentro da Rússia, encarando perigo e prisão. Miasnikóv falou de sua experiência nas prisões czaristas, suas greves de fome, espancamentos e fugas. Certamente ele tinha merecido um pouco de liberdade de imprensa, “no interior do partido pelo menos. Ou eu devo me retirar assim que eu discordar de você na avaliação das forças sociais?” Se for, este é um modo grosseiro de acertar diferenças. “Você diz”, Miasnikóv continuou, “que as presas da burguesia devem ser quebradas”.

O problema é que, enquanto você ergue sua mão contra os capitalistas, você golpeia os trabalhadores. Você sabe muito bem que por palavras tais como as que eu estou expressando agora centenas, talvez milhares de trabalhadores estão padecendo na prisão. Que eu mesmo só continuo em liberdade porque sou um comunista veterano; tenho sofrido por minhas crenças e sou conhecido entre massas de trabalhadores. Se não fosse por isso, se eu fosse apenas um mecânico da mesma fábrica, onde eu estaria agora? Em uma prisão da Cheka [N. do T.: polícia política, depois rebatizada para GPU, NKVD e KGB, como ficou conhecida no pós-II Guerra], ou mais provavelmente tornado ‘fugitivo’, exatamente como eu fiz Mikhail Romanov ‘fugir’. Mais uma vez eu digo: você levanta sua mão contra a burguesia, mas sou eu que estou cuspindo sangue, e somos nós, os trabalhadores, que estamos tendo as presas quebradas”[34].

Neste ponto Lênin interrompeu a correspondência. Em 11 de agosto, ele mandou um telegrama para o comitê provincial do partido em Perm, requisitando que sua carta para Miasnikóv, juntamente com o memorando dele e Bol’nye voprosy, fossem lidos diante de seus membros, bem como do comitê distrital de Motovilikha[35]. O propósito de Lênin, parece claro, era demonstrar a irrazoabilidade da posição de Miasnikóv e justificar os esforços do partido para silenciá-lo. Miasnikóv, entretanto, não seria silenciado. Na metade de agosto ele realizou uma marcha da delegação de Motovilikha em uma conferência em Perm, entregando uma nota de protesto ao comitê provincial do partido, que vinha tentando silenciá-lo[36].

Essa ação selou o destino de Miasnikóv. Em 22 de agosto, o Orgburo do comitê central, tendo ouvido o informe da comissão que acompanhava as atividades de Miasnikóv, declarou seus pontos de vista “incompatíveis com os interesses do partido” e o proibiu de disseminá-las em encontros posteriores[37]. Miasnikóv foi convocado a Moscou e colocado sob controle do Comitê Central. E mesmo assim ele se recusou a capitular. Em desafio ao Comitê Central, ele retornou aos Urais e retomou sua agitação. No final de agosto ele apareceu diante de uma plenária de membros do partido de Motovilikha e conseguiu ganhá-los para o seu lado. Adotando uma resolução contra a censura do Orgburo a Miasnikóv, eles denominaram sua transferência para Moscou uma forma de banimento e exigiram que ele tivesse “plena liberdade de expressão e de imprensa no interior do partido”[38].

Assumindo sua liberdade de expressão, em novembro de 1921 Miasnikóv publicou em forma de panfleto seu memorando ao Comitê Central junto com Bol’nye voprosy, a carta de Lênin de 5 de agosto, sua resposta a ela, a decisão do Orgburo de 22 de agosto e a resolução da célula do partido em Motovilikha contra essa decisão[39]. Intitulado “para membros do partido apenas” e impresso em somente 500 cópias, o panfleto foi concebido por Miasnikóv não como uma carta de rebelião, mas como um veículo de discussão de seus pontos de vista rumo ao Décimo Primeiro Congresso do Partido, marcado para acontecer na primavera seguinte. Miasnikóv, ao mesmo tempo, buscou agrupar seus apoiadores em Motovilikha e Perm em torno do seu programa. Em 25 de novembro, além disso, ele escreveu a B. A. Kurzhner, um simpatizante em Petrogrado, compelindo uma campanha de agitação em preparação para o Congresso do Partido. “Nós devemos unir todos os elementos dissidentes do partido sob uma só bandeira”, ele declarou[40]. Por este momento Miasnikóv estava sendo vigiado pela Cheka e sua carta para Kurzhner foi interceptada. Para Lênin esta foi a gota d’água. Tendo suprimido a Oposição Operária com não pequena dificuldade, ele temeu a emergência de ainda outro grupo no interior do partido alegando representar os verdadeiros interesses do proletariado. “Nós devemos devotar maior atenção à agitação de Miasnikóv”, escreveu para Molotov em 5 de dezembro, “e informar o Politburo [N. do T.: bureau político, em russo no original, centro de decisão política mais alto no interior do Comitê Central] duas vezes por mês”[41]. Para lidar com Miasnikóv, enquanto isso, o Orgburo formou uma nova comissão, da qual Molotov, ele mesmo um nativo de Perm, serviu como membro.

Aí começaram para Miasnikóv tribulações intermináveis. Em 15 de fevereiro de 1922 a comissão do Orgburo, tendo completado sua investigação, recomendou sua expulsão do partido. Essa recomendação foi referendada pelo Politburo, o qual, em 20 de fevereiro, declarou Miasnikóv expulso por “repetidas violações da disciplina do partido”, e especialmente por tentar organizar uma fração no interior do partido, contrariando a resolução sobre unidade partidária passada pelo Décimo Congresso. O Politburo, entretanto, adicionou uma cláusula prevendo que, se Miasnikóv reformasse seus modos, ele poderia se candidatar para readmissão depois de um ano[42]. Pela primeira vez, então, a penalidade prescrita pelo Décimo Congresso por fracionismo tinha sido imposta. Esta era a primeira oportunidade, além do mais, exceto por aquela de S. A. Lozovsky em 1918, readmitido no ano seguinte, onde Lênin de fato expulsou um bem conhecido bolchevique de longa data.

No dia seguinte, 21 de fevereiro de 1922, Lênin instruiu Kámenev e Stalin a publicar sua carta para Miasnikóv, ou pelo menos partes substanciais dela, para mostrar que, antes de expulsar Miasnikóv, ele havia tentado argumentar com o sujeito[44]. Ainda havia uma disseminada relutância no interior do partido em tomar medidas extremas contra membros veteranos, especialmente um com a reputação de coragem e dedicação de Miasnikóv. O próprio Lênin partilhava dessas hesitações, ainda que sua paciência com Miasnikóv tivesse sido exaurida. A Rússia tinha restado sozinha num mundo hostil, cercada de inimigos de todos os lados. A revolução esperada não tinha eclodido no Ocidente. Em tais circunstâncias, Lênin sentiu, criticar o Comitê Central, exigir procedimentos democráticos, era jogar o jogo dos contrarrevolucionários. Mais do que isso, se as demandas de Miasnikóv fossem concedidas, se a liberdade de imprensa e eleições livres para os sovietes fossem permitidas, o partido seria varrido do poder, e uma reação imediatamente se seguiria, da qual os bolcheviques, Miasnikóv incluído, seriam as primeiras vítimas. Essa era a posição de Lênin. Para Miasnikóv a “defesa da revolução” de Lênin era a defesa do monopólio do poder pela liderança. Na demanda de Lênin por unidade do partido ele via um desculpa para silenciar o dissenso. Miasnikóv persistiu com suas críticas. Em 26 de fevereiro de 1922, menos de uma semana depois de sua expulsão do partido, ele se juntou a um grupo de dissidentes, incluindo Shliápnikov, Medvedev e Kollontai da Oposição Operária, na apresentação de uma petição ao Comitê Executivo da Internacional Comunista [N. do T.: também conhecida como Comintern ou III Internacional, por ter sucedido a Associação Internacional dos Trabalhadores — AIT (1864-1876) e a Internacional Socialista (1889-1914)]. Essa petição, conhecida como Apelo dos 22, foi parcialmente ocasionada pela excomunhão de Miasnikóv. Em termos fortes, ela denunciava o Comitê Central por amordaçar a crítica, desconsiderar a democracia dos trabalhadores e admitir não-proletários no partido em tal número a ponto de alterar seu caráter proletário.

Sergei Medvedev, Mikhail Chelyshev, Alexander Shlyapnikov: três signatários do Apelo dos 22, fotografados em 1926.

Em 4 de março, sob a recomendação de uma comissão especial cujos membros incluíam Vasil Kolarov da Bulgária, Clara Zetkin da Alemanha e Marcel Cachin da França, a Comintern declarou essas queixas como sendo infundadas. Apoiando Lênin e o Comitê Central bolchevique, ela rejeitou o Apelo dos 22 como uma “arma contra o partido e a ditadura do proletariado”[46].

Em casa Miasnikóv tinha também estado ocupado. Em sua fábrica, em Motovilikha, ele garantiu a eleição de um novo comitê operário com uma maioria anti-leninista. Uma plenária geral do partido em Motovilikha, aparentemente sob sua instigação, passou uma resolução endossando o Apelo dos 22, e uma célula do partido, em 22 de março, emitiu uma denúncia de gerentes burgueses e “dominadores burocráticos”[47].

As questões chegaram ao clímax no Décimo Primeiro Congresso do Partido, que, abrindo em 27 de março, foi o último no qual Lênin participou. Miasnikóv foi rapidamente levado em conta; Molotov, Trótsky, e Lênin, todos falaram contra ele. Por seis meses, reclamou Molotov, o Comitê Central tinha se envolvido em “conversações, consultas, trocas de pontos de vista” com Miasnikóv, num esforço para persuadi-lo a aceitar a “linha geral do partido”. Tudo em vão. Molotov clamou por um expurgo do partido para remover tais elementos “instáveis” de suas fileiras[48]. Trótski, agindo como chefe da promotoria, açoitou Miasnikóv por dar ajuda e conforto ao inimigo. Não foi acidente, ele declarou, que o governo polonês transmitira extratos do panfleto de Miasnikóv, ou que Chernov, Miliukov e Martov [N. do T.: dirigentes mencheviques] houvessem citado-o nos editoriais dos jornais. Esses panfletos antipartidários — a Oposição Operária de Kollontai era outra — jogavam água para o moinho daqueles que iriam outra vez levantar a bandeira de Kronstadt — “nada menos do que Kronstadt!”[49] Lênin, falando depois de Trotski, reconheceu o direito dos signatários do Apelo dos 22 de peticionar à Internacional Comunista; eles não tinham direito, ele insistiu, de protestar em nome de Miasnikóv, que violou decisões do Décimo Congresso do Partido. Lênin recapitulou sua correspondência com Miasnikóv: “Eu vi que o homem tinha habilidade, que valia à pena passar as questões a limpo com ele. Mas alguém tinha que dizer ao homem que se ele persistisse criticando no mesmo estilo não seria tolerado”[50].

Miasnikóv não encontrou defensores no Congresso. Mas um delegado, V. V. Kosior, argumentou que Lênin tinha adotado uma abordagem errada para a questão do dissenso. Se alguém, disse Kosior, tinha a coragem de apontar deficiências no trabalho do partido, ele era marcado como um oposicionista, retirado do cargo, colocado sob vigilância, e — em referência a Miasnikóv — até mesmo expulso do partido. O partido, Kosior advertiu, estava alienando a si mesmo dos trabalhadores[51].

Seguindo Kosior, Shliapnikov e Medvedev da Oposição Operária defenderam o Apelo dos 22. Eles foram à Comintern, explicaram, porque a liderança tinha rejeitado suas queixas. Eles não formaram uma fração separada, insistiram, nem lançaram uma conspiração contra o Comitê Central. Uma reunião privada tinha sido realizada, Medvedev admitiu, para elaborar o apelo. “Miasnikóv estava lá com vocês”, uma voz interrompeu do plenário. “Sim”, reconheceu Medvedev, “mas nosso objetivo era reformar o partido, não dividi-lo”[52].

O Congresso, seguindo o exemplo da Comintern, montou uma comissão, consistindo de Dzerzhinsky, Zinoviev, e Stalin, para investigar a questão. Em 2 de abril, último dia do Congresso, a comissão entregou seu informe em sessão fechada. Considerando os signatários do Apelo culpados de organizar uma fração, ela recomendou a expulsão do partido de cinco dos seus membros, Shliapnikov, Medvedev e Kollontai, junto com dois menos conhecidos da Oposição Operária, F. A. Mitin e N. V. Kuznetsov. O Congresso, entretanto, escolheu expulsar apenas Mitin e Kuznetsov, deixando os três primeiros escapar com uma advertência[53]. Miasnikóv não ficou sem perturbações. Logo depois do Congresso ele foi levado em custódia pela GPU, tornando-se o primeiro comunista proeminente a ser um prisioneiro político na Rússia Soviética. E isso nem foi tudo. No curso de sua prisão uma tentativa foi feita de fazê-lo “fugir”, como ele previra em sua carta para Lênin. De algum modo o esquema falhou: três tiros foram disparados contra ele, mas falharam em encontrar o alvo. Caracteristicamente, tão logo foi colocado detrás das grades, Miasnikóv declarou uma greve de fome, como ele fizera previamente sob o Czar. Doze dias depois ele foi libertado[54].

Deste ponto em diante Miasnikóv permaneceu sob vigilância contínua. De suas atividades durante o restante de 1922, nada é sabido. No início de 1923, entretanto, ele estava novamente em problemas com as autoridades. Miasnikóv estava agora vivendo em Moscou. Um ano tinha se passado desde sua expulsão do partido e, seguindo o estipulado na ordem de expulsão, ele peticionou ao Comitê Central por readmissão. Seu pedido foi negado. Miasnikóv assim apelou para o Comitê Executivo da Comintern, o qual, em 27 de março de 1923, decidiu que, longe de ter modificado seus modos, ele continuava a expressar opiniões das quais um “agente da burguesia buscando criar um racha no Partido Comunista da Russia” iria aprovar[55].

Este artigo será publicado em quatro partes:
Introdução
Antes e durante a Revolução Russa
Depois da expulsão do partido
Exílio e últimos anos

Notas

[5] Mesmo um autor soviético hostil chama-o de “um dos líderes” da revolução em seu distrito. M. M. Vasser, “Razgrom anarkho-sindikalistskogo uklona v partii,” Voprosy istorii KPSS, 1962, no. 3, p. 76.
[6] G. Miasnikóv, “To zhe, da ne to,” in G. E. Zinoviev, ed., Partiia i soiuzy (K diskussiio role i zadachakh profsoiuzov), Petrogrado, 1921, pp. 282-283. Sobre a fábrica Motovilikha, fundada em 1736, ver Entsiklopedicheskii’slovar’, ed. F. A. Brokgauz e I. A. Efron, vol. 20, São Petersburgo, 1897, p. 43.
[7] Carta de Miasnikóv para Lênin, ago. 1921, in Letters from Russian prisons, ed. Alexander Berkman, New York, 1925, pp. 85-86.. Ver também V. I. Lenin, Sochineniia, 2d ed., 30 vols., Moscou, 1926-1932, vol. 27, p. 583.
[8] Cf. Georges Haupt and Jean-Jacques Marle, Makers of the Russian Revolution, Ithaca, NY, 1974, p. 217.
[9] Lênin, Sochineniia, vol. 27, p. 583. Ele também esteve presente no Sexto Congresso dos Sovietes, ocorrido mais adiante, no mesmo ano. Shestoi vserossiiskii chrezvychainyi s”ezd sovetov rabochikh, krest’ianskikh, kazach’ikh i krasnoarmeiskikh deputatov. Stenograficheskii otchet, Moscou, 1919, p. 188.
[10] Uma resolução dos Comunistas de Esquerda a este respeito, apoiada por Miasnikóv, foi adotada por ampla margem. Kommunist (Moscou), nº 4, June 1918. Ver também John S. Reshetar, Jr., A concise history of the Communist Party of the Soviet Union, Nova Iorque, 1960, p. 150.
[11] De acordo com outra versão, eles foram assassinados nos bosques circunvizinhos a Perm. Nicolas Sokoloff, Enquete judiciaire sur l’assassinat de la famille imperiale russe, Paris, 1924, pp. 298-300; Victor Alexandrov, The End of the Romanovs, Boston, 1966, pp. 81-83, 221-222. Ver também Victor Serge, Year One of the Russian Revolution, ed. Peter Sedgwick, Londres, 1972, p. 279.
[12] Paul Bulygin, The Murder of the Romanovs, Londres, 1935, p. 255.
[13] Deviataia konferentsiia RKP(b); sentiabr’ 1920 goda. Protokoly, Moscou, 1972, pp. 110-111.
[14] Cf. Jay B. Sorenson, The Life and Death of Soviet Trade Unionism, 1917-1928, Nova Iorque, 1969, pp. 99-100.
[15] Bol’shaia sovetskaia entsiklopediia, 1st ed., vol. 47, Moscou, 1940, pp. 760-761; Odinnadtsatyi s”ezd RKP(b); mart-aprel’ 1922 goda. Stenograficheskii otchet, Moscow, 1961, p. 838.
[16] Cf. A. G. Shliapnikov, “Nashi raznoglasiia,” Pravda, 18 jan. 1924.
[17] G. Miasnikov, “Nereshennyi vopros,” Petrogradskaia pravda, 19 nov. 1920; Leonard Schapiro, The Origin of the Communist Autocracy, Cambridge, MA, 1956, pp. 218, 306. De acordo com B. Pismanik, ”’Rabochaia gruppa’ (‘Miasnikovshchina’),” Proletarskaia revoliutsiia, 1931, no. 6, p. 85, Miasnikov teria sido um socialista-revolucionário antes de unir-se aos bolcheviques. Não há evidência, entretanto, para apoiar esta alegação, além do fato em contrário de ele ter-se tornado bolchevique quando tinha apenas 17 anos
[18] Pravda, 18 jan. 1924.
[19] Miasnikóv, “To zhe, da ne to,” in G. E. Zinoviev, ed., Partiia i soiuzy, pp. 282-287; E. H. Carr, The Bolshevik Revolution, 1917-1923, 3 vols., Nova Iorque, 1951-53, vol. 2, p. 103. Miasnikov retornou a este tema em janeiro de 1921 num encontro partidário em Petrogrado. Ver S. N. Kanev, “Iz istorii bor’by V. I. Lenina protiv fraktsionnykh gruppirovok (1920-1922 gg.),” Voprosy istorii KPSS, 1958, nº 4, p. 62, que cita arquivos partidários em Leningrado.
[20] “Zamechatel’nyi dokument,” Sotsialisticheskii vestnik, 23 fev. 1922; Lenin, Sochineniia, vol. 27, p. 583.
[21] Sotsialisticheskii vestnik, 23 fev. 1922.
[22] Ibid.
[23] Ibid.
[24] Ibid.
[25] Não consegui localizar o texto completo do memorando de Miasnikóv, datado de 2 de maio de 1921, e apoiei-me em excertos publicados em V. G. Sorin, Rabochaia gruppa (“Miasnikovshchina”), Moscou, 1924; Sotsialisticheskii vestnik, 23 fev. 1922; Pismanik, ”’Rabochaia gruppa’,” pp. 84-85; e G. P. Maximoff, The Guillotine at Work, Chicago, 1940, pp. 266-270. Ver também Sam Dolgoff, “The Miasnikov Memorandum,” Cienfiegos Press Anarchist Review, vol. 1, outono de 1977, pp. 87-88.
[26] Sorin, Rabochaia gruppa, p. 78.
[27] Cf. Schapiro, Origin of the Communist Autocracy, pp. 327-328.
[28] Lênin, Sochineniia, vol. 26, pp. 683-684; M. Zorkii, ed., “Rabochaia oppozitsiia”: Materialy i dokumenty, 1920-1926 gg., Moscou-Leningrado, 1926, pp. 57-58.
[29] Bol’nye voprosy, Perm, 1921, p. 39, citado em Pismanik, “’Rabochaia gruppa’,” p. 91; Schapiro, Origin of the Communist Autocracy, p. 328. Tácito refere-se à prática de imperadores romanos de usar bárbaros para criticar sua civilização.
[30] Lenin, PSS, vol. 44, pp. 539-540; P. N, Pospelov et al., Istoriia Kommunisticheskoi tii Sovetskogo Soiuza, vol. 4, Moscou, 1970, p. 84.
[31] Lenin, PSS, vol. 53, pp. 85-86.
[32] 1bid., vol. 44, pp. 78-83. Ver também Robert V. Daniels, The Conscience of the Revolution, Cambridge, MA, 1960, pp. 159-160. Na opinião de Roy Medvedev, “para as condições de 1921, a posição de Lênin era, é claro, correta”. Medvedev, “O tragicheskoi sud’be G. I. Miasnikova,” p. 59.
[33] Lenin, PSS, vol. 53, pp. 85-86.
[34] Excertos da carta de Miasnikóv podem ser encontrados em Guillotine at Work, pp. 270-271; Letters from Russian Prisons, pp. 85-86; e Revoliutsionnaia Rossiia, out.-nov. 1923. Vasser, “Razgrom anarkho-sindikalistskogo uklona,” pp. 76- 77, escreve que Miasnikóv recusou-se a encontrar-se com Lênin depois da carta-convite deste último datada de 1º de agosto, e que ele não respondeu a carta de Lênin datada de 5 de agosto. Ambas as assertivas são falsas.
[35] Lenin, PSS, vol. 53, p. 115.
[36] Lenin, Sochineniia, vol. 26, pp. 683-684.
[37] Izvestiia Ts.K. RKP(b), mar. 1922; Lenin, PSS, vol. 44, pp. 539-540.
[38] Lenin, Sochineniia, vol. 26, pp. 683-684; Pismanik, “’Rabochaia gruppa’,” p. 86. Noutra reunião da organização partidária de Motovilikha, ocorrida em 5 de setembro, Miasnikóv castigou outra vez o Comitê Central e o comitê provincial de Perm.
[39] Diskussionnyi material (Tezisy tov. Miasnikova, pis’mo tov. Lenina, otvet emu, postanovienie Org. biuro Ts.K. i rezoliutsiia motovilikhintsev), Perm, 1921. Este importante documento, infelizmente, não se encontra mais disponível nas bibliotecas ocidentais.
[40] Lenin, PSS, vol. 54, p. 59. Em 1927 Kurzhner, um engenheiro nos estaleiros do Báltico, foi expulso do partido por atividade facciosista. Ibid., vol. 54, p. 780.
[41] Ibid., vol. 54, p. 59.
[42] 1zvestiia Ts.K. RKP(b), mar. 1922; Pravda, 3 mar. 1922. Ver também Kanev, “Iz istorii bor’by V. I. Lenina,” p. 70.
[43] Lênin tentara, infrutiferamente todavia, expulsar Kámenev e Zinóviev em outubro de 1917 e Shliapnikov em agosto de 1921.
[44] Lenin, PSS, vol. 54, p. 177.
[45] Zorkii, ed., “Rabochaia oppozitsiia”’ pp. 59-60; Carr, Bolshevik Revolution, vol. 1, p. 209.
[46] Odinnadtsatyi s“ezd RKP(b), pp. 751-752.
[47] Pismanik, ”’Rabochaia gruppa’,“ p. 86; Zorkii, ed., “Rabochaia oppozitsiia”, p. 57.
[48] Odinnadtsatyi s”ezd RKP(b), p. 46.
[49] Ibid., p. 132
[50] Ibid., p. 149.
[51] Ibid., p. 128.
[52] Ibid., p. 192; Zorkii, ed., “Rabochaia oppozitsiia”, p. 166.
[53] Odinnadtsatyi s“ezd RKP(b), p. 710; Pravda, 5 abr. 1922.
[54] Revoliutsionnaia Rossiia, out.-nov. 1923; Letters from Russian Prisons, p. 85.
[55] Pravda, 3 abr. 1923; Dvenadtsatyi’ezd RKP(b): 17-25 aprelia 1923 goda. Stenograficheskii otchet, Moscou, 1968, p. 856.

Traduzido e anotado por Daniel M. Delfino a partir do original disponível na Russian Review, vol. 43, nº 1 (jan. 1984), pp. 1-29, corrigido segundo a errata disponível na Russian Review, vol. 43, nº 3 (jul. 1984), p. 337 e revisado pelo Passa Palavra. Este artigo faz parte do esforço coletivo de traduções do centenário da Revolução Russa mobilizado pelo Passa Palavra. Veja aqui a lista de textos e o chamado para participação.


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