Por Marcelo de Marchi Mazzoni

Na iminência do esqueleto do que um dia foi o PT levar uma das mais duras pancadas, a prisão de seu mais destacado dirigente, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, nós nos perguntamos, o que fará o Lulinha paz e amor? Entregará flores aos policias que o prenderão? Xingará muito no Twitter, depois se entregará? Ou tentará levar a situação de Golpe a sério?

Houve muitas figuras históricas e militantes que, confrontadas com momentos semelhantes ao nosso, adotaram posturas das mais diversas:

– Getúlio Vargas saiu da vida para entrar para a história;

– Brizola mobilizou as forças que possuía para garantir que Jango assumisse;

– A secessão aventiniana de 1924, durante a ascensão do Fascismo italiano, na qual os parlamentares italianos boicotaram o parlamento. Ação mal sucedida, mas que representava um posicionamento de deslegitimação contra o regime;

– Julian Assange que se auto-exilou numa embaixada;

– Snowden correu para Rússia, entre tantos outros.

Mas, e aí? E o PT? Toda hora escutamos:

“– Sofremos um golpe, meu Deus, um Golpe! Fora Temer, Fora Cunha!”. Logo em seguida, “Porém, muita calma nessa hora, vamos fechar umas alianças eleitorais aqui e ali”.

Antes disso, durante o processo de impeachment, a mesma atitude. Ocuparam somente os espaços que tinham direito legal a ocuparem. Nada que poria em xeque, que jogaria merda no ventilador foi feito. A Dilma fez tudo o que mandava o script, nenhuma linha de ilegalidade durante o processo. Será que a legalidade só deve ser rompida, na cabeça do petismo, para se conseguir alguns votos a mais no Congresso?

“– A Lava-Jato”, podemos ouvir aos quatro ventos, “é uma ação imperialista para desmoralizar o Brasil, a Petrobrás e as multinacionais brasileiras. Querem manter o país subordinado economicamente, é a permanência do ‘desenvolvimento do subdesenvolvimento’.“

Que fique claro que não queremos entrar no mérito de se houve ou não golpe e qual o papel histórico da Lava Jato, mas queremos entender se o PT leva a sério a ideia de que houve um golpe. Pois, tudo o que a Lava Jato manda é acatado a risca; nenhuma linha poderá, para eles, ser questionada sem o intermédio de um advogado. O Moro é um lacaio do imperialismo, todavia a lei golpista não pode ser desrespeitada.

O que queremos apontar é o seguinte. Há uma dubiedade, uma ação paradoxal contínua entre o discurso e a ação do petismo. Hoje, dia 5 de abril de 2018, foi decretada a prisão de Lula. Não seria o momento de romper de vez com a legalidade? Fazer uma coisa fora da caixinha? Seguir o exemplo de Assange e se auto-exilar em alguma embaixada, enquanto denúncia ao país e ao mundo do que está ocorrendo, para mostrar que agora o momento é de desespero, que a ordem constitucional não existe mais. Conclamar o povo, não com palavras, mas com ações, à desobediência civil.

Após deixar a prisão, em 20 de maio de 1980, Lula é levado a São Bernardo em viatura do Dops. Foto de Jorge Araújo

Talvez o PT seja consciente, em sua dubiedade, por não saber como sair do buraco no qual se enfiou. Optou por tornar-se burguês, entretanto a burguesia o usou e o jogou fora, por, ao se tornar burguês, deixar de ter a única coisa que o tornava aceitável: a força de mobilização das classes subalternas. Então, consciente de que ao abandonar os operários foi abandonado pelos capitalistas, o PT, ao se ver enrascado, não poderia fazer nada mais do que denunciar. Denunciar que a burguesia voltou a ser purista.

Marx, muito antes de todo esse imbróglio, foi categórico em seu Lutas de Classe na França, ao apontar que os “revolucionários de 1848” tentavam fazer uma “revolta nos limites da razão pura”, isto é, uma “revolução” dentro da legalidade instaurada. O desfecho dessa posição é necessariamente trágico, pois, enquanto as forças progressivas submeteram-se à regra do jogo, todas as outras se articularam em sua volta para lhes derrubar, se necessário, quebrando o próprio jogo e suas regras.

1848 levou à farsa histórica que era Luís Bonaparte. Enquanto isto, vemos o que já foi um partido operário combater com palavras coisas que deveriam ser enfrentadas, supostamente, por todos os meios. 2013 levou ao falso combate ao Golpe. Mas, como na história de Pedro e o Lobo, o que ocorrerá quando os lobos saírem de fato das casernas, será que o povo não estará cansado de ouvir falar sobre o Golpe? De qualquer modo, o PT precisava ter se levado a sério, historicamente, para ter conseguido enfrentar, de modo sério, a reação da burguesia aos avanços dos subalternos.

36 COMENTÁRIOS

  1. Em um texto escrito já no exílio (ou seja, após 55), Perón escrevia que ainda que apoiasse uma maior integração continental com outros líderes de inspiração terceiromundistas da região, tinha então certas diferenças de visão política. Ao se referir a Vargas, dizia que este acreditava em uma via de negociações e acertos para assim alcançar a condução política. Sua visão era oposta: primeiro impor a condução para depois negociar e acertar.

    Existe outra questão que muito me chama a atenção na comparação entre as duas tradições nacionais. Aqui na Argentina, ao menos até o fim dos mandatos de Cristina, os simpatizantes e os militantes eram bastante antenados com a linha discursiva da “chefa”, conheciam as consignas, sabiam que opinião “ter” a respeito disto ou daquilo, sabiam qual era a pauta do momento a ser enfatizada, sabiam rebater os principais argumentos dos oponentes políticos.
    Já no Brasil, na minha experiência neste país, vejo que a grande maioria dos simpatizantes do PT mal conhecem as tendências internas do partido e praticamente inexiste a prática de criar uma linha retórica unificada de posicionamentos frente a este ou aquele problema. A “blogosfera” tentou preencher este vazio nos últimos anos, mas de forma bastante caótica e voltada a um público difuso e com pouca capilaridade nas bases sociais, “eleitores” mais do que nada, além de terem a fraqueza de dependerem dos egos e das vicissitudes da profissão de jornalistas, mais acostumados à comunicação enquanto quadros empresariais que como quadros partidários.

    A retórica do Golpe é tão esdrúxula, para além de uma suposta análise histórica institucional, e o que me impressiona é a capacidade do aparelho petista conseguir com tanta força passar uma versão dos fatos aos seus simpatizantes em tão completo contraste com a ação do partido e dos principais referentes.
    Lula surgiu e vai morrer como um quadro de ligação entre elite e massas, assim como o PT moldado à sua imagem, ele não vale nada em outra função que não essa (e o sabe, por isso se entrega à prisão). Mas eu acho que o autor do presente texto em seu questionamento termina defendendo a ideia de que a ilegalidade seria uma “resposta legítima frente a um governo ilegítimo”, nos moldes da mitologia democrática-popular progressista a respeito da guerrilha dos anos 70. Ainda assim teríamos uma resposta burguesa a um conflito burguês. A ilegalidade é uma necessidade revolucionária com ou sem golpe. Desde o início a discussão sobre “golpe sim ou golpe não” buscou enquadrar os trabalhadores e a militância proletária em uma disjuntiva onde a ordem burguesa e sua preservação funcionam tanto como horizonte político quanto limite de ação.

  2. Acho que a extrema-esquerda, justamente por não ter criado nenhum mecanismo de luta relevante nesses últimos 30 anos, ainda fantasia o Partido dos Trabalhadores. Como não tem relevancia política, expressa todos os seus desejos irrealizados na social-democracia. Quando a social-democracria frustra seus desejos (como é de se esperar), tornam-se duplamente ressentidos. Como ninguém os segue, nem os trabalhadores, nem o PT (sim, parece que desejam isso, esses pequenos patrões), tornam-se duplamente ressentidos.

    Esse texto só comprova isso. A resposta do PT ao golpe é essa aí que estamos assistindo, camarada. O ponto é: qual a resposta da extrema-esquerda ao golpe? Fazer textão criticando a social-democracia por não seguir outra linha?

    Convenhamos.

  3. NOSTER X NESTOR
    Se e quando isso ocorrer (“E SE O PT LEVASSE A IDEIA QUE PROPAGA DE GOLPE A SÉRIO?”), até o mais incondicional dos nestores (gestores?) lulopetistas terá -enfim…- percebido que em matéria de golpes lulinácio é hors-concours: no interior do PT, suprimiu a ala esquerda; nos movimentos sociais, cooptou as lideranças; e, como se fosse pouco, aliou-se (atropelando burocraticamente a vontade majoritária dos militantes) com o PMDB.
    Mas é bem verdade que sem a malta dos tais (g/n)estores o candidato a pai dos pobres não teria conseguido sequer um décimo de suas façanhas class(e-colaboracion)istas…

  4. O comentário do Nestor tem alguns erros que valem a pena serem mencionados. Primeiro, é uma parte pequena da extrema-esquerda que fantasia com o PT: entre eles boa parte do PSOL e uma pequena tradição autonomista, que fantasia com o PT desde 1980, bem documentado já nas “11 teses sobre autonomia”. O resto da extrema-esquerda não fantasia nada, ou porque é composta de pequenos grupelhos com nada a ganhar com tais fantasias, ou por já ter um piso social distanciado do PT e com alguma firmeza em aparelhos sindicais, como o PSTU e outras tendências sindicais menores.

    Outro erro, que me parece mais mistificador, é achar que o PT é uma social-democracia. O PT nasce com raízes em aparelhos sindicais que diferem muito das organizações que foram o corpo da social-democracia europeia, da 2a internacional, cuja integração no Estado foi a base do “bem estar social” nesta região. O sindicalismo hegemônico no Brasil foi forjado no modelo corporativista e não na tradição de organismos de classe “lentamente deturpados” ou “politicamente conservadores”. O lulismo mesmo sempre representou no Brasil a ideologia do operário que deseja algum dia usar terno e gravata e comer no restaurante dos patrões — em contraste profundo com a ideologia “obrerista” do peronismo, para aproveitar o gancho do comentário acima, que num modelo sindical também corporativista criou uma cultura de operários orgulhosos de sua classe, de suas colônias de férias, de suas roupas de trabalho. A economia popular em volta do MST talvez seja a base mais próxima da social-democracia histórica dentro do campo democrático-popular brasileiro, talvez por isso mesmo tenha sido um dos principais redutos de “entrismo” de parte da extrema-esquerda, gerando um dos poucos debates interessantes prévios ao 2013, onde se colocava a questão de construir ou não construir o MST, assim como a esquerda comunista discutia na onda revolucionária de 1920 sobre a participação ou não participação nos sindicatos.

  5. Quando o PaTo era pequeno e feio, nunca foi (ou quis o) além-mar. Foi, primeiramente (e, talvez, somente…), Além-Car (se PaLavras inteiras, desde então, não bastaram… o que se dirá destas meias palavras…), para só então “t’aimer”.. . E, quando cisne, entoou o canto para entornar o caldo (a classe … que, sem classe, tornou-se apenas c, d ou e…). Antes do morrer, por “t’aimer”, o PaTo, no monte (não das Oliveiras, mas no Pascal, na Ilha de Santa Cruz, Terra de Vera Cruz…) entregou, ao Grande Sinédrio, Severino, o filho de Maria, do finado Zacarias… Assim, do mato, quem é – ao motor da história – o caPiTão? E, em Palmares – bem perto de Caetés – quem é o rei? O Rei… é Pelé, é Roberto, Elvis Presley… é Zumbi, é PanTera (cor de rosa, ou negra, ou branca… ou alvinegra, rubro-negra, alviverde, tricolor…), PanTerinhas… 1968-2018: “Pelas ruas marchando indecisos cordões. Ainda fazem da flor (ou da estrela – que brilha ou não… -, ou do rastafari, ou do arco-íris, ou do tofu…) seu mais forte refrão. E acreditam nas flores (ou nas estrelas, ou nos rastafaris, nos arco-íris, ou nos tofus…) vencendo o canhão…

  6. Se Ulisses, o sábio, vem me dizer que sou um gestor do Lulopetismo, espero meus trocados, tá bem? Depois passo minha conta bancaria.
    Lucas, na tentativa de corrigir os erros do meu pequeno comentario deixou intacto o essencial: a extrema-esquerda brasileira é tao pequena, fragmentada e desimportante que a linha politica adotada nos atuais acontecimentos foi: torcer para o Lula resistir.

    Mas, para Lucas, teve o pstu né…

    Pelo comentario de Lucas descobrimos, além de que o PSTU é uma potencia na luta de classes, que só há uma social-democracia: a europeia. O restante deve ser, sei lá, liberalismo disfarçado.

  7. Faço minhas as palavras do Nestor.

    E acrescento, depois do golpe o PT sairá fortalecido em relação à extrema-esquerda, e um dos motivos é a inépcia de boa parte da extrema-esquerda de sequer enxergar a realidade diante dos olhos e fazer uma análise com pé no chão. Não enxergam golpe nem o fascismo se formando e cavalgando a cavalo na sua frente. Alguns demoram bastante e acabam vendo… Mas em política o tempo é precioso, e a credibilidade também.

  8. Boa noite camaradas,

    Meu texto se apequena perto de tão interessantes comentários.

    Ao Itamar, muito obrigado, e digo que não tenho condições, nem pretensões, de dar respostas às lutas sociais, mas, é erro meu, pois toda análise concreta implica uma reflexão que aponte algo de construtivo.

    Primo Jonas bateu no ponto mais nodal de minha reflexão, mas, não sei se chegou a desmontar o argumento, quando apontou, que, traçando respostas legítimas a governos ilegítimos:
    “Ainda assim teríamos uma resposta burguesa a um conflito burguês. A ilegalidade é uma necessidade revolucionária com ou sem golpe.”
    Concordo inteiramente, só acrescentaria que não podemos exigir ações revolucionárias de um partido não revolucionário. Do mesmo modo, não podemos analisá-lo a partir de um horizonte de ações que necessariamente não faria. Todos os exemplos citados, de Getúlio a Assange, são elementos que não vislumbraram um horizonte socialista, mas que ousaram de modo interessante contra ações das mais diversas. O PT, eu quis apontar isso, nem chegou perto, apesar do grande alarde. Voltando ao ponto, o campo brasileiro, com mortes todos os anos de lideranças camponesas, assim como, as favelas, com seus jagunços legais/ilegais, ambos são exemplos de que a luta de classe é um banho de sangue, no Brasil, para que a classe permaneça completamente dominada. O PT levantou a bandeira do “golpe sim” para que ele, e a ordem burguesa, se conservassem.

    O camarada Nestor aponta que a extrema-esquerda é ressentida, meu texto como prova de acusação, por não conseguir fazer nada e, devido a isto, projeta seus desejos e anseios no PT. Todavia, para o Nestor, é óbvio que qualquer um sabe que o PT não faria nada, logo, como é de conhecimento geral, as ações aqui descristas em testículo, se reduziriam a um “textão”. Em minha defesa, diria que o texto visa analisar a dubiedade na ação do petismo, além de crítica-lo por conta disso, creio que consegui provar o meu ponto. Se era óbvio a referida dubiedade, peço desculpas a quem leu, pois eu entendi que não o era. Porém, o Nestor coloca que “O que importa é saber o que a extrema-esquerda vai fazer?”, mas, acho que aí encontra-se uma coisa interessante, pois, podemos perguntar: existe extrema-esquerda enquanto força social relevante? Creio que não, a classe está em frangalhos. Mas, se não existe uma “extrema-esquerda socialmente relevante”, como ela daria uma resposta? Essa é uma pergunta que não é óbvia, e acredito que eu partilho com o camarada Nestor.

    Sempre fico meio perdido nos comentários de Ulisses, mas, se entendi bem, tirando pelo trocadilho (engraçado, aliás), concordo com o camarada.

    Não vou entrar no mérito do debate de se o PT é ou não socialdemocrata, Lucas e Nestor, acredito que não acrescentaria em nada aos pontos que os camaradas colocaram.

    Vida e morte severina, é um texto grande pro meu entendimento diminuto.

    Leo Vínicius fechou seu comentário com uma frase que eu deveria ter usado: em política o tempo é precioso, e a credibilidade também. O menino e o Lobo , que citei no último parágrafo, trata exatamente disso, alguém que grita desesperadamente de modo a mobilizar forças continuamente, mas, que no final, resulta em descredibilidade, de novo, e de novo, até o final feliz para o Lobo. A dubiedade frente o Golpe é ponto forte de perda de credibilidade. O “Golpe”, ou melhor, o novo ascenso das forças retrógradas, não é a derrubada do PT, no meu entendimento, ele deve ser entendido a partir da modificação da base religiosa das classes subalternas no país, mobilizados para os misticismo e uma submissão à lógica mais violenta de capitalismo, por meio da crescente do Neopentecostalismo e seus adjacentes, assim podemos entender o Bolsonaro como produto de um processo, isto unido à ideologia neoliberal (com seus Think tanks: Instituto Millenium) e a novidade dos MEI (microempreendor individual), como novíssima forma de classe subalterna fragmentada aos indivíduos (uberização, como colocou o Passa Palavra) e aparentemente proprietária. A partir disso devemos entender MBL, Vem para Rua, etc… A Lava Jato não é o golpe, o impeachment também não, o buraco é muito mais embaixo. Enquanto isso o PT grita: olha o Lobo, olha o Lobo e mantêm sua dubiedade. Enquanto nós, como esquerda, perdemos tempo e credibilidade, sem saber o que fazer.
    Se o PT vai sair fortalecido? Eleitoralmente, talvez, historicamente, creio que não, só se acreditarmos na “guinada à esquerda”.

    Agradeço aos camaradas,

    abraços.

  9. Também concordo com Nestor, mas nem tanto com Léo Vinícius. O fascismo está a caminho, mas discordo totalmente da tese do golpe, assim como acho que são questões independentes. Não é preciso defender que houve golpe para perceber o fascismo crescendo. Assim como negar o caráter socialdemocrata do PT não tem o menor fundamento. Mas, o que me preocupa mesmo é um espaço como esse ser usado para propagar a antiorganização. Antes mesmo de terminar de digitar a palavra organização, já tem alguém te chamando de gestor, de candidato a bolchevique ou coisa que o valha. O que importa é desqualificar de largada. Mas é isso, vamos deixar que os fascistas se organizem e, quando eles vierem, cuspamos versos, eles hão de recuar…

  10. É justamente no campo político mais lúcido, o chamado “autonomista”, onde ao mesmo tempo se crítica o esfacelamento da extrema-esquerda e se propaga hegemonicamente uma perspectiva antiorganização. Se a preocupação de não se constituir como mais uma expressão da hetero-organização do proletariado é legítima, ao mesmo tempo, não pode se tornar uma desculpa para o imobilismo. Os capitalistas, burgueses e gestores, são extremamente organizados. Os fascistas estão se organizando. Enquanto isso parte da esquerda autonomista ataca quem ousa falar em organização, acreditando que entre cada vaga de manifestação política espontânea do proletariado nada precisa ser feito. Os intelectuais bolcheviques querem controlar as massas e subordinar sua espontaneidade aos seus interesses e ditames, já os intelectuais autonomistas antiorganização querem aguardar passivamente a próxima onda de espontaneidade para se colocar em movimento e, entre uma vaga e outra, realizar suas lúcidas análises do último levante. E, neste meio tempo, não temos apenas um oceano em calmaria, mas um deserto. Nem se acumulam forças políticas, tampouco se criam estratégias que contribuam para que o próximo levante seja ainda mais poderoso do que o anterior. Parece que começamos sempre do zero. No caso agora do ascenso fascista, estamos partindo do negativo. O mais triste é que escrevo isso tudo sabendo que provavelmente serei rejeitado de imediato, sem provocar algum tipo de reflexão. O que, afinal, é bom, pois sou apenas mais um (n/g)estor infiltrado no templo imaculado da pura autonomia, onde se condena corretamente a hetero-organização, se exalta abstratamente a auto-organização, mas se pratica a não-organização. Antes que também digam que generalizei, já me desculpo diante dos que não se enquadram no esboço desenhado acima, não estou aqui pra julgar ninguém, nem para apresentar ou cobrar atestado de lutador social. Não, não quero ser líder de nada, apenas cansei dessa apatia. O passapalavra é o único canal político hoje que faço questão de entrar diariamente para buscar um norte político, para além do meu círculo político imediato. No entanto, entre o seleto grupo de comentaristas “habitués”, parece haver uma tendência a se regozijar com a apologia à desorganização. Eu gostaria realmente de conhecer aquelas centenas de pessoas que acompanham este importante canal, mas não se manifestam, pelo mesmo motivo que eu venho evitando de aqui me expressar…

  11. Irado,

    Não é “tese do golpe”. Até por definição de manual de ciência política, houve golpe de Estado.

    Vamos lá:
    1. Um governo (um governo, não apenas um presidente) foi destituído por estamentos estatais (parlamento e Judiciário);
    2. O governo que assume impõe um programa (Ponte para o Futuro) no qual um dos seus autores afirma que não é um programa que passaria em eleições ( http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,vai-ser-preciso-dar-um-tranco-no-congresso–diz-ex-ministro-de-fhc,10000026727).
    3. O presidente que assume afirma em alto e bom som em Nova York que Dilma foi derrubada por não querer implantar o Ponte para o Futuro, o programa não eleito que a burguesia golpista queria: https://www.youtube.com/watch?v=3vMtoMCxYPc
    4. Apenas como exemplo das medidas que vieram com o golpe, pois essa é a mais incontroversa, a mudança constitucional congelando as despesas primárias por 20 anos, que veio como PEC 241. Primeira medida efetiva do governo Temer, mesmo antes da segunda votação do impeachement no Senado ele já havia enviado o projeto para o Congresso. Uma medida inimaginável, que nenhum país realizou, por mais medidas de austeridade que tenha tomado. Fez o PL 257 da Dilma, que mudava a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estava em tramitação, parecer brincadeira de criança; para não falarmos da reforma trabalhista, que modificou para pior quase toda a CLT de uma vez só;
    5. Comandante do Exército ameaça intervenção militar caso Lula não seja preso. Ou seja, os militares, ou parte deles, ficam na retaguarda, não foram necessários, para deixar o golpe mais limpo aos olhos internos e externos (para parte da esquerda principalmente pelo visto).
    6. Prende-se o candidato do governo derrubado que liderava as pesquisas eleitorais podendo ganhar até em primeiro turno, sendo também a principal figura do partido e talvez a maior liderança da classe trabalhadora (goste a extrema-esquerda ou não) da história do país.

    Para qualquer pessoa que não esteja ou com a cabeça muito feita pela mídia golpista interna, ou muito afundada em ideologia, derrubar um governo e depois prender o candidato lider das pesquisas, do mesmo partido, é golpe dado e golpe preventivo, digno das caricaturas de República das Bananas. Mas pra nossa extrema-esquerda não foi golpe porque, imagina, como que a burguesia daria golpe num governo que servia a ele como o PT? A extrema-esquerda prefere seguir sua teoria do que a realidade. Pior pra ela.

  12. Léo Vinicius, tenho o maior respeito pela tua trajetória, mas algumas coisas precisam ser ditas.

    1. Você vem acusando a extrema-esquerda de estar agarrada à “sua teoria”, mesmo contra “a realidade”, que fala por si mesma. Mas, você mesmo se ampara nos “manuais de ciência política”. Me parece que esses “manuais” também são recheados de “teorias” (ideologias?), na melhor das hipóteses, socialdemocratas;

    2. Você trata seus interlocutores como ignorantes, que não sabem o que está acontecendo, que não conhecem os “fatos”. Logo, não se trata de outra interpretação, diferente da sua, mas de um dogmatismo teórico impermeável à “realidade”. Eu apenas uso outros “manuais”. Costumava inclusive ler este aqui http://passapalavra.info/2015/09/106231;

    3. Me admira um expoente da autonomia proletária se referir ao Lula como “talvez a maior liderança da classe trabalhadora da história do país”. Lula e o PT são causa, não vítimas da escalada fascista. Ou você se esqueceu dos “fatos”, da “realidade” da socialdemocracia alemã, que abriu uma clareira para a
    ascensão do nazismo? Você falando me faz lembrar a esquerda tradicional em 2009, que gritava “VOLTA Zelaya!”, após sua derrubada em Honduras. Volta Zelaya?! Volta “querida”?! Que horas Lula volta?! É essa a posição que devemos assumir neste contexto? Eu temo o fascismo e não sou cego para os “fatos”, mas não retornarei ao campo da socialdemocracia.

    4. Neste sentido, tudo que tenho visto você escrever nos últimos tempos me parece ter ultrapassado os limites da “autocrítica”. A situação já beira ao revisionismo. Os “manuais de ciência política” que eu consulto, possivelmente diferentes dos teus a esta altura, me dizem que quando luta de classes acirra as forças políticas em cena são impelidas cada vez mais a se concentrar em determinados pólos da disputa, muitas vezes levando a mudanças concretas de indivíduos de um campo a outro. Ao que tudo indica você está se deixando levar para o campo socialdemocrata. Veja, você está contrapondo a “posição teórica da extrema-esquerda” à “pura realidade”, ou seja, solicitando que a esquerda abandone a “política das convicções” em favor da “política da responsabilidade”, apresentando como programa implícito a defesa de Lula, do PT, enfim, da socialdemocracia contra o fascismo. Isso é Weber falando! Mas, antes de ser Weber, é a própria manifestação da Realpolitik alemã clássica, da qual Weber era expressão. E se a socialdemocracia foi “vítima” do fascismo naquele tempo, antes disso o proletariado foi vítima da socialdemocracia, o que explica como a história caminhou até 1933. Eis a “realidade”;

    5. Não tenho dúvidas que o lulismo ainda é forte. A maior prova está na sua capacidade da atrair para o seu campo os lutadores sociais da autonomia. Eis a tecnologia de controle da luta de classes que você mesmo expôs magistralmente em tantos escritos, mas pela qual você mesmo está sendo engolido. Veja, quando você afirma que “a extrema-esquerda prefere seguir sua teoria do que a realidade. Pior pra ela”, você já se coloca de fora. Hoje me sinto debatendo com um lulopetista convencional, pois não há nada em seus argumentos que atualmente o diferencie disto. Só o faço porque acredito que o processo ainda não se consolidou, pois estamos falando aqui de uma subjetividade forjada ao longo de anos na luta prática e teórica autonomista.

    Saudações

  13. É uma questão de caracterização. Sobre a de Leo Vinicius, basta ver sua página de FB, onde figura a palavra “LU.A”, sendo o . substituído por uma grafia entre o L e o T (algo como uma poesia concretista que sugere as palavra Lula e Luta), além de conter uma montagem do Lula discursando com uma banda de punk-rock atrás. Não é necessário ter dúvidas de que se trata de um lulopetista convencional, se o debate tem valor é para ver o que pensa alguém que transitou do nosso lado da trincheira para o outro, do classismo à política capitalista travestida de povo.
    E a questão da caracterização é importante. Por exemplo, chamar o PT de “social-democracia” tem como único motivo dar razões para identificar o campo “democrático e popular” como uma base proletária, com organizações de classe próprias e passível de ser disputado legitimamente pelas tendências socialistas. Não vou me surpreender se este razonamento explique o aparente giro trotskista do Leo Vinicius, não será nenhuma grande novidade, tentar fazer política dizendo aos capitalistas como é que deveriam organizar a economia e a política institucional de uma forma melhor (sem golpes, sem demissões, etc).
    Oras, vocês definem social-democracia como uma simples posição política, transponível para qualquer país e época? Não é relevante a base social e as organizações que a compõe? O PT hoje não tem como base social uma massa de trabalhadores e os aparelhos sindicais surgidos desta massa, a base social sindical hoje é composta por uma massa de gestores de baixo escalão, a CUT. Depois tem-se o setor de “pobres e progres”, pobres que, principalmente no norte-nordeste, por meio do crédito tiveram acesso a bens de consumo no período Lula — não organizados, consumidores mais próximos dos bancos que de qualquer cooperativa de consumo — e os jovens profissionais progressistas “sensíveis”: sensíveis a fotos sebastianistas do povo tocando Lula como se fosse um ídolo cristão (saídas diretamente das mãos de militantes de organizações como o Fora do Eixo), sensíveis à narrativa de que um bom presidente resolve os problemas mais sérios do país, também em sua maioria não organizados sob sindicatos, cooperativas, clubes de bairro.
    Enfim, o que é que sobra de “social-democracia”? A composição sociológica de eleitores? Queremos discutir composição de eleitores para entender a classe trabalhadora brasileira?

    Outro ponto é sobre a “extrema-esquerda”. Leo Vinicius joga essa palavra de forma abstrata e depois faz como boa parte dos petistas e pega a sigla “PSTU” para fazer piada, sem desenvolver o que ele mesmo considera que seja a extrema-esquerda. É apenas uma provocação, pois se ele mesmo sabe que não existe um polo político relevante nesta parte do espectro ideológico, que sentido faria uma pergunta no sentido de “que farão com respeito a…”? Não restam dúvidas que para qualquer militante classista, frente um cenário de fragmentação e falta de relevância da extrema-esquerda, o importante é reerguer a militância e os vínculos de classe, antes de pensar um segundo em tomar uma pauta externa, especialmente quando se trata de um conflito interno de um regime burguês. Mas isso é um divisor de águas ideológico que os do outro lado tentam pintar de “realidade vs teoria”.

  14. Irado,

    Falo do “Golpe de Estado: um manual prático”. http://www.columbia.edu/~tmm2129/Piaui.pdf

    Não sei realmente de onde você retirou a ideia de que manuais de ciência política são escritos por social-democratas. daqui a pouco vão chamar maquiavel de lulista.

    Como você não refutou o que escrevi sobre os FATOS que nos fazem viver uma caricatura de República das Bananas, onde os golpes são dados a torto e a direita (aliás, quase sempre à direita), creio que finalmente concordamos nisso.

    Ah sim, é claro que o PT tem sua responsabilidade. Como a historiografia se faz em retrospectiva, assim como análise de acidentes, sempre encontraremos responsabilidades várias.

    Sobre “política das convicções”, não há problema algum em fazer política a partir de convicções, o problema é quando as convicções estão erradas. Aí age-se com irresponsabilidade.

    De resto, como você não teve resposta ao fatos que coloquei sobre o golpe, fez ilações de que eu estaria “apresentando como programa implícito a defesa de Lula, do PT, enfim, da socialdemocracia contra o fascismo”. Onde eu fiz isso? O problema é que vocês acham que enxergar a realidade de que houve um golpe significa aderir ao programa petista. Isso é uma pobreza enorme de pensamento, digna do PSTU. Se você estivesse em 64 então e fosse um anarquista, por exemplo, você negaria que foi golpe porque isso seria aderir a ao programa janguista-varguista? Não meu caro, trata-se de diagnóstico da realidade simplesmente. Como combater o avanço neoliberal, o golpe e a escalada fascista são outros 500. Só que se não se tem o diganóstico certo da realidade vai ser difícil ser consequente politicamente.

    E te dou exemplo de organização de extrema-esquerda no Brasil que desde o início do golpe soube fazer um diagnóstico preciso do que ocorria (soube enxergar a realidade) e se colocar politicamente como sempre se colocou, seguindo seus princípios: a Coordenação Anarquista Brasileira. Pegue as suas cartas e posições de 2016 para cá, ou da Federação Anarquista Gaúcha.

    termino colando aqui o que um militante da Federação Anarquista do Rio de Janeiro escreveu essas semanas:

    “Assim como na época do golpe jurídico-parlamentar um punhado de organizações e seitas políticas negaram que estivéssemos vivendo um golpe, hoje, essas organizações negam que vivemos um ascenso conservador.

    Esse pântano ideológico, que inclui organizações trotskistas, anarquistas e afins tem como característica a confusão total entre teoria e ideologia. Para eles, analisar a realidade de uma determinada maneira é se render ao “petismo”, a “social-democracia”. A análise da realidade é uma coisa, o que fazer com a análise da realidade são coisas diferentes. Considerar que houve golpe não significa que concordamos integralmente em quais elementos foram determinantes para o golpe (por exemplo, a responsabilidade do pt no golpe é omitida pelos petistas). Assim como, considerar que há um ascenso conservador, não significa que a solução para este ascenso seja uma unidade baseada nas urnas. A debilidade teórica dos que confundem teoria e ideologia se apresenta cada vez mais evidente, quando são incapazes, apesar do discurso “materialista”, olhar a realidade em frente ao seu nariz. Podem omitir o que quiserem. Mas o que está no papel está no papel. A história não vai perdoar.”

  15. Sendo rápido, por questões de ordem pessoal…

    1. Léo Vinicius, não compare por favor a prática social de classe (gestora) do PT com um “acidente”;
    2. Não compare o golpe civil-militar de 64 com o impeachment da Dilma;
    3. Maquiavel não era lulista, mas de fato era um “realista político”;
    4. Sobre a “lúcida análise” da FAG repito o que disse anteriormente, a ascensão fascista em curso, que é real, não é consequência de um “golpe” contra o governo do PT que, como bem disse Lucas, trata-se de “um conflito interno de um regime burguês”. Aliás, não é de hoje que organizações anarquistas estejam gravitando na órbita socialdemocrata graças a penetração do multiculturalismo em suas fileiras;
    5. Já que citei o Lucas, rapidamente, para mim a socialdemocracia não é um campo em disputa pelos “socialistas”, mas uma outra face do inimigo de classe. Talvez seja preciso fazer toda uma explanação sobre os desenvolvimentos desse campo político ao longo do século XX, para entendermos que nenhuma socialdemocracia hoje permaneceu totalmente igual e fiel às suas origens. Estamos falando de um processo de evolução no interior da própria socialdemocracia que levou a expressões políticas diferentes no mundo. Não se trata de uma legenda partidária (no caso brasileiro várias delas compõem o campo socialdemocrata), nem de análise de composição social dos eleitores, mas de uma expressão política e ideológica da classe dos gestores, que age como potência hetero-organizadora do proletariado, essência social que permanece desde às suas origens. E, como eu disse, aí não há espaço para disputas, mas para combate. Por último, sobre o “conflito interno de um regime burguês”, expressão com a qual concordo plenamente, acredito que não se trate de buscar uma posição política entre esses dois campos em conflito, mas de se realizar uma análise (e dela se extrair uma estratégia de ação) sobre as consequências inevitavelmente nefastas desse conflito sobre o proletariado. Pois, as classes dominantes neste momento estão brigando apenas para resolver a melhor forma de espoliar ainda mais o proletariado, e o processo já está em franco desenvolvimento. Eis o verdadeiro golpe…

  16. Irado,

    1. Onde comparei prática gestora do PT com um acidente???? Comparei o trabalho da historiador com aquele de quem analise acidentes. É sempre uma visão retrospectiva, depois dos acontecimentos!!!

    2. Onde comparei o golpe de 64 com o golpe de 2016? Eu apenas perguntei se você acha que um anarquista em 64 se achasse que houve golpe isso significaria aderir ao programa político do Jango. Ora, da mesma forma enxergar e acusar um golpe em 2016 não significa defender programa político do PT. Uma lógica simples, uma banalidade, mas que infelizmente precisa ser dita.

    3. Maquiavel era o que era, e isso não diminui a importância da obra dele. Ora, você aprende só com pensadores e cientistas da sua corrente política. Eu acho que vou aprender mais sobre golpe de Estado com quem ajudou a dr golpes de Estado pelo mundo. Que foi o caso da referência que apontei.

    4.Não vi a FAG dizendo que o fascismo em ascensão é decorrência do golpe, embora tenham leitura de que ambos sao uma realidade. Segundo, dizer que essas organizações anarquistas gravitam na órbita social-democrata me faz parar o debate aqui e na verdade me arrepender de te-lo iniciado. Pois aí se vê que falta argumentos e sobra dogmatismo. E é engraçado falar em multiculturalismo, quando esse tipo de extrema-esquerda que nega o golpe associando isso a um discurso e programa petista, é, com todo o sentido, uma esquerda identitária, mais preocupada em fortalecer uma identidade própria (não-petista ou antipetista) do que fazer leitura da realidade. Os fatos que vão ás favas. Aliás, os que apresentei continuaram intocados.

  17. ponto 2 dos “fatos” de Leo Vinicius:
    2. O governo que assume impõe um programa (Ponte para o Futuro) no qual um dos seus autores afirma que não é um programa que passaria em eleições.

    trocamos por

    2. O governo que assume impõe o programa que perdeu as eleições.

    o segundo governo Dilma foi um golpe.

  18. ESQUIZO(RITM0)ANÁLISE CONJUNTURAL
    O golpe, seja ele civil-militar ou legislativo-judiciário -&(a fortiori)mediático-, é a continuação por outros meios (meta-aristotélicos: zoopolíticos?) da legalidade sufragista-universal.
    O segundo mandato da (g/n)estora [email protected] oscilou na irresolução entre a suposição e o supositório. Explico: tupiniquim & gê[email protected] da raça, ela supôs que fagocitaria o golpe antecipando-se “progra(&/prag)maticamente” aos golpistas. A suposição deveio um enorme supositório, que a (g/n)estora entubou.
    De camarote, Nine Fingers assistia e fantasiava eventuais desdobramentos promissores…

  19. Tenho dificuldade em entender porque é necessário reconhecer e aceitar a tese do golpe, ou definir qual foi o tipo de golpe, para poder resistir aos ataques capitalistas. É como se a razão de estarmos perdendo feio é porque a extrema-esquerda, que não existe, ainda não engrossou o coro do “contragolpe”. Parece um típico discurso bolivariano.

    Particularmente, e não sozinho, nunca precisei endossar essa tese para poder discutir com colegas de trabalho e propor resistências às PEC’s e reformas; até mesmo participar e mobilizar para atos daqueles que gritam “Golpe”; “Fora temer” etc.

    Mas se for para reconhecer o golpe – nem que seja via ato falho como o de Lula, dizendo “O meu apartamento” – para podermos ajudar a engrossar a luta da Frente Ampla (a favor de quê?), o problema é que ela já nos mandou prender faz tempo. Os meses de ato de rua no Brasil, amarelos x vermelhos anos 80, quando esses mandavam prender os baderneiros, já haviam cessado há bastante tempo, porque os dois polos já haviam se recolhido para guardar energia para as eleições. Agora voltaram por causa da prisão do Lula. Eleição novamente.

    Então, estaríamos resistindo contra o “golpe” exatamente em qual sentido? O sentido-direção dessa luta, pela negativa e positiva, passa obrigatoriamente por reconhecer que o PT sofreu um golpe de ladrão ou podemos simplesmente propor formas de resistências auto-organizadas contra os ataques, e cair fora desse debate já no mínimo atrasado. Essa discussão “foi ou não foi e quem não reconhece que foi é um dogmático” virou uma oportuna desculpa para poderem continuar se abrigando dentro das coberturas da social-democracia, seus movimentos sociais (exatamente aqueles 2 onde se pratica entrismo vermelho-negro, ambos movimentos no palco do “discursivo histórico” mais patético e mentiroso da história), mas agora é em nome do realismo-verdadeiro-dos-fatos-concretos. Os que não aceitam esse “método” são os cegos identitários.

    Mas enquanto a gente joga futebol filosófico,
    sempre é bom ouvir um capitalista em momento de sinceridade:

    https://www.youtube.com/watch?v=zJfkLOwJeOQ

  20. 3 pontos em debate:
    1) a palavra golpe é ambígua (que permite duas (ou mais) interpretações diferentes) e pode significar tanto “estratagema, ardil, trama” ou – no caso da locução “Golpe de Estado” – tomada inesperada do poder governamental pela força. Todas estas definições tiradas de algo mais básico que qualquer manual de Ciência Política: o dicionário Houaiss. O Temer deu um golpe na Dilma (no sentido de golpe de bandido) sem que no Brasil houvesse qualquer Golpe de Estado. Ora então porque a social-democracia transita de um significado a outro com tamanha desfaçatez se ambos são tão diferentes? a resposta é simples, trata-se de evocar a memória do Golpe de 1964 (este sim um Golpe de Estado) com claro sentido de angariar apoio para um retorno eleitoral ao comando da caneta do Diário Oficial da União. Esta caneta faz milagres. Com ela foi possível corromper a maioria esmagadora dos movimentos sociais ao longo de 13 anos. E assim entendemos porque existe mais empenho contra a prisão de Lula do que contra as reformas de Temer. A ambiguidade da palavra “golpe” se presta a uma refinada ideologia (operação de ocultamento) para legitimar o retorno ao comando do Estado que se pretende em 2018.
    2) O que é a social-democracia? O esmagamento da Comuna de Paris provoca o enfraquecimento da influência das correntes proudhonianas e blanquistas no movimento operário. A fundação da II Internacional em 1889, com a estratégia de participação nas instituições do Estado por meio da criação de partidos socialistas de massas dotados de programas de reformas sociais, origina a social-democracia, primeira corrente política marxista claramente delineada. Podemos defini-la em 4 pontos:
    • Concepção evolutiva e pacífica de socialismo;
    • Formas de ação parlamentar e reivindicativa;
    • Formas organizativas que separam luta política e luta econômica (partido de massas e sindicatos);
    • Busca a integração do proletariado na ordem capitalista.
    Portanto – com ou sem peculiaridades nacionais ou regionais – qualquer Partido, grupo, corrente, coletivo que adote esta linha de ação é social-democrata. Tudo isto é o que o PT sempre foi desde o seu nascimento. E Lula é o nosso Hebert com 90 anos de atraso. Com a diferença que na administração do primeiro já não havia uma Rosa Luxemburg para ele assassinar.
    3) Agora chego no ponto mais importante. Qual o caminho para enfrentar o crescimento do fascismo? formando frente com a social-democracia ou constituindo um campo independente dos explorados contra ambos? a história está repleta de exemplos de que é da falência da gestão social-democrata que se nutre o ressentimento fascista. Hitler chegou ao poder sem dar Golpe de Estado depois de 14 anos de governos social-democratas. Enquanto uma parte da esquerda não enxergar que o capital sempre se apresenta politicamente com uma face “humana” e outra “brutal”, a social-democracia continuará revigorando sua capacidade de recuperar as lutas. Urge abrir um terceiro campo: aquele em que o proletariado possa atuar com independência política.

  21. Johnie,

    Não estou condenando ninguém.

    Apenas citei a fala do Lula no seu discurso quando ele falou “O meu apartamento”. Dele ou não, ato falho. Isso apenas.

    Estava dizendo eu então que também posso assumir o discurso de que foi golpe, já que pra mim o “foi ou não foi” não é a centralidade do debate.

  22. Concordando com ANC. Não entendo a relação entre aceitação do “Golpe” ou não, e a militância da extrema-esquerda.
    Pois, “Golpe” foi dado em quem, no PT ou no proletariado?
    A entrevista do José Eduardo Cardozo é bastante explicativa em relação à pergunta acima. Conferir com o tempo: 1:00:00.
    https://www.youtube.com/watch?v=aqH4FBHJzJQ
    Pois, para os defensores do “Golpe”, o PT governava para o proletariado. Os fatos mostram ao contrário. Já que Henrique Meirelles (Presidente do BC de 2003 a 2011) e Joaquim Levy (ministro da fazenda governo Dilma), não são propriamente herdeiros de nenhuma tradição econômica de esquerda.
    Pergunto, o que diz um manual de ciência política, quando um presidente está sofrendo um golpe de seu vice, e esse presidente passa o cargo ao vice para ir a uma conferencia da ONU?
    https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/04/21/dilma-vai-aos-eua-e-temer-assume-pela-1-vez-em-meio-a-crise-do-impeachment.htm
    Em relação à atuação da esquerda autonomista, parece haver um contentamento com a negação. Há desinteresse ou preguiça de uma atividade positiva e organizativa. Porém, a crise do campo autônomo só pode ser superada quando ela conseguir atuar materialidade. Mas, há como atuar na materialidade sem se organizar?

  23. Discordâncias à parte, o desassossego de irado e de malaga também é o meu.
    A esquerda autonomista, pós-MPL, é completamente carente de organização. Como articular toda essa gente interessada em construir esse campo?

  24. “Diga-me com quem andas e dir-te-ei [que língua, a nossa!] quem és. Pois é: Judas andava com Cristo. Cristo andava com Judas”.
    Millôr Fernandes

    Lembro-me, como se fosse “quase” hoje, quando vi o Lula, no início dos anos 1980, no Jornal Nacional. A Globo, em uma de suas faces, cobria a visita dele aos EUA de maneira um tanto quanto “festiva” (“1981- Junho – Como líder e porta-voz do PT, Lula viaja o Brasil e o mundo. Vai a mais de 10 países entre 1980 e 1981. Nos Estados Unidos, tem audiência com o senador democrata Ted Kennedy, irmão do ex-presidente John Fitzerald Kennedy. Na Itália, encontra-se com o papa João Paulo II e com o líder sindical polonês Lech Walesa, que seria agraciado com o Nobel da Paz em 1983 e governaria o país entre 1990 e 1995” – http://lula.com.br/biografia). Dizem que, para bom entendedor, meias palavras bastam…

    Lembro, anos mais tarde, de Fátima Bernardes chorando no Jornal Nacional quando Lula foi eleito o presidente “paz e amor”… (não achei a cena… mas… http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL544401-10406,00-A+HISTORIA+DE+UM+VENCEDOR.html). Dizem que, para bom entendedor, meias palavras bastam… (meias palavras + meias palavras = palavras inteiras????)

    Me pergunto se o destino de Jesus era morrer para “salvar a humanidade”, por que Judas seria traidor? Haveria, portanto, traição ou era tudo “vontade de Deus”, para se “cumprir a lei”… ? Ora, aquele que agora é tido como o “cordeiro de Deus” não sabia com quem andava e o qual era a vontade destes? Será que houve golpe ou à lei capitalista não foi dada apenas o cumprimento?

    … ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais… (Belchior)

  25. Nestor.
    Penso que o primeiro passo que temos que dar é pensar o que nos torna um campo coeso ou não. E penso também que essa discussão para construção do campo autônomo é algo que já devia estar encaminhada. Pois, com o crescimento do fascismo é nossa existência física que pode estar em jogo.

  26. Malanga,

    O GOLPE de ESTADO SEM ASPAS foi dado num governo encabeçado pelo PT.

    O objetivo principal do GOLPE de ESTADO SEM ASPAS foi impor um programa econômico mais profundo e mais nefasto e mais rápido do que o dos governos anteriores sobre a classe trabalhadora.

    Precisa desenhar?

    A pergunta se o golpe foi sobre o PT ou sobre o proletariado é bastante tola. Ora, o golpe piorar a situação da classe trabalhadora não implica que o governo derrubado era um governo do proletariado. Se os simpatizantes ou militantes da extrema-esquerda não conseguem ter domínio nem de lógica formal básica, vai ficar bastante difícil.

    Segundo: antes de tudo, a qualidade necessária de qualquer um que se diga de esquerda, é se preocupar com a vida concreta dos trabalhadores, das pessoas. A miséria aumentou de um ano para cá, a política econômica de austeridade com o governo golpista já não é apenas um erro cometido que gera desemprego, ela tem como objetivo gerar desemprego e queda de salários. Como bem disse um jornalista esses dias, estamos usando pouco a palavra GOLPE diante da miséria e da fome impostas. Não creio em ninguém de esquerda indiferente à sorte de quem vai passar fome porque um governo foi derrubado. Novamente, eu estou milhas longe de qualquer um que é de esquerda identitária, que é esquerda radical por identidade, por narcisismo.
    Diante dos fatos, da clareza do golpe de Estado a essa altura e de suas consequencias, não levo a sério quem coloca aspas por ressentimento ou identidade.

    Colocar aspas não é só negar um fato concreto político, mas negar uma consequencia concreta na vida das pessoas. Tirar as aspas devidamente não impede ninguém de fazer a crítica acertada ao PT, de ser anticapitalista etc. Só se justifica por medo de ser confundido com ‘petista’.

    Aqui nos comentários temos uma boa amostra de onde leva a PTfobia pela extrema-esquerda.

  27. Zé, Malanga, Nestor, Irado e tantos outros,

    Muita calma nessa hora, acho que o tempo não é de desespero, porque temos que nos lembrar que: “O Brasil não é nem nunca foi para principiantes”. “Como assim não é tempo para desespero? Você não está vendo o ascenso do fascismo? Não está vendo que não há uma esquerda que possa combater o neoliberalismo, os fascio-crente, os fascio-milicianos, os bolsobesta e os posmod?” Tudo bem, entendo que existem problemas sérios, mas, não podemos deixar de notar que esses problemas são próprios às novas formas de uma coerente história brasileira, pois, a esquerda enquanto força articulada e coerente é a exceção. A regra, tratando-se de Brasil, é a Marielle, isto é, as lideranças orgânicas que incomodam e, quando não são cooptadas, são executadas (basta olhar para o banho de sangue que é o campo brasileiro).

    Calma, não entre em pânico!

    Precisamos de organização, tudo bem, concordo, mas para quê? Uma organização para que Brasil? Afinal, o que é Brasil? Estamos vivendo o desenvolvimento do subdesenvolvimento (Rui Mauro Marini)? Estamos ainda numa nova forma da Via Colonial caiopradiana? Será que Werneck Sodré estava certo quando estabeleceu a idéia de uma estrutura econômica colonial? Mesmo se tudo o que escreveram estiver errado, estes autores e seus debates, que parecem tão antigos à primeira vista, não deixaram de ser atuais. Sobre uma perspectiva temporal, vejam só, como o tempo voa: em 13 de maio o fim da escravidão faz aniversário de 130 anos (talvez seja um ano cabalístico para o PT), pensando que alguns seres humanos vivem 100 anos é provável que ainda existam entre nós, literalmente, alguns filhos de escravos e filhos de senhores. Tanto a direita quanta a esquerda não pode se esquecer que o Brasil não está em seu momento mais sombrio, já esteve muito pior, não que isso seja motivo para um otimismo.
    Então, acredito que, o esforço organizacional não pode ser movido pelo impulso do “faça alguma coisa”, mas, pela ação consciente de saber (desculpem o trocadilho) “o que fazer”. Repito, não é tempo de desespero, mais do que nunca, é tempo de elaborar perguntas e arriscar respostas.

    “Mas como assim, você quer que não façamos nada?”

    Eu acredito que existem pelo menos dois tipos de violência, sem contar a das forças de repressão, aquela violência imediata, à la black bloc, e a violência de um ato revolucionário. O primeiro mobiliza um conjunto de forças para ações rapidamente realizáveis e possíveis, que no fundo não mudam nada, o segundo, que pode ser desde uma greve geral e de massas, a uma tomada do palácio de inverno, ao conjunto de ações tomados para que torná-los viáveis. A questão é sair do campo da primeira violência. Como? Não sei.

    abraços.

  28. Essa série de comentários do Leo Vinicius são um excelente aviso para a extrema-esquerda, e para o autonomismo em particular.
    Especialmente neste momento de reordenação e ensaios de organizações insipientes, nunca é demais insistir na importância e no valor da formação. É necessário ter uma visão estruturada, sentada em bases sólidas, para poder interpretar o mundo e propor-se a atuar nele. Acredito que a obra de Marx é um primeiro passo fundamental para munir-se de ferramentas explicativas sobre a economia e o mercado-mundo; a tradição proletária e revolucionária nos dá exemplos históricos de lutas, erros e acertos que também são importantes para tomar posições, decisões e ações.
    Sem isso fica mais fácil repetir discursos rasos e baseados num sentido comum simplório. Essas noções toscas e desligadas de uma interpretação sobre a luta de classes foram responsáveis pelos muitos anos em que algumas esquerdas “pintadas de povo e de vermelho” apoiaram o chavismo — que hoje revela seu núcleo mais puro e sobre o qual sempre esteve baseado. A mesma lógica se repete ao diferenciar a austeridade do “governo golpista” daquela do “governo dilmista” — de fato, em termos de composição ministerial, o governo golpista está mais próximo dos anos Lula do que os últimos anos de Dilma.
    Mas talvez o maior alerta à extrema-esquerda seja esta cegueira eleitoralista e oportunista de defender repressores com a desculpa de que em seus governos o povo esteve melhor. “Reprime mas faz”. Não só Lula enviou as tropas brasileiras ao Haiti para reprimir os trabalhadores lá, mas também para aprenderem a reprimir melhor aqui. E o fez no seu governo, a pedido de seus amigos peemedebistas cariocas (muitos hoje presos; serão presos políticos também?), a primeira vez em 2007 e depois em 2010, quando as tropas invadiram o complexo do alemão [imagem marcada na música da banda Ponto de Equilíbrio, “O que eu vejo”]. E o que dizer da criação da Força Nacional já em 2004, criada para reprimir com verniz militar sem precisar usar as forças armadas oficiais?
    Lula é um repressor entre outros, inimigo da classe trabalhadora brasileira. Só que quando ele é responsável pela repressão boa parte da esquerda “realista” se cala ou fala mal dos generais, no mesmo tipo de esquizofrenia política fingida realizada por essa mesma esquerda ao protestar contra Joaquim Levy e não contra quem o pôs como ministro.
    Que não nos vejamos nos anos seguinte fazendo análises rasas nem defendendo repressores, este é um bom aviso para a extrema-esquerda autonomista que queira voltar a organizar-se.

  29. Calo Leo, gostalia que, a exemplo do malavilhoso Malx em quadlinhos, você também nos plesenteasse com desenhos de sua supeliola sabeldolia, pala que nossa ignolância seja assim esclalecida. Obligado!

  30. Agradeço ao Lucas por me poupar um grande esforço, fazendo bem melhor do que eu faria. Mas gostaria de trazer uma curiosidade ao marido da Senhora dos Absurdos, o Senhor dos Fatos: http://mobile.valor.com.br/politica/5449855/pt-ja-admite-aliancas-com-ciro-ou-barbosa

    Falando malangamente, contra o golpe e sem candidato o PT acena para um ex-Arena e para um Juiz de extrema-direita. Justo em plena “ditadura do Judiciário”. Eis a luz no fim do túnel que nosso superanticapitalista não identitário antinarcísico nos oferece: um trem bala na contramão. Nessa eu fecho com o Cebolinha.

    Organização não se faz por desespero. Organização não se faz para justificar um ativismo irresponsável. Ninguém quer aqui criar uma organização. A questão é a necessidade de organizar a resistência ao que está se configurando já há muitos anos. Portanto, já estamos atrasados historicamente. Que surjam muitas organizações, não me refiro aos chamados grupelhos, mas expressões legítimas de luta do proletariado em suas diferentes configurações sociais. Apenas considero que o Passapalavra pode ser um catalisador desse processo, inclusive por ser uma organização. Não uma organização qualquer, mas uma que tem história e respeito dos lutadores sociais, com grande legitimidade.

  31. Pus o mecanismo de busca a funcionar. Salvo um comentário pendente e ainda não visível, no artigo e nos comentários a palavra «exploração» nunca aparece. A palavra «explorados» surge uma única vez, num comentário.

  32. João Bernardo, procure a palavra “proletariado” e encontrará. Para mim ainda significa a classe explorada e, se há uma classe explorada, há exploradores. Neste sentido, deve encontrar ainda a palavra “gestores”, em algum lugar. Há também a “hetero-organização”, que você mesmo nos esclareceu que representa a dimensão política da mais-valia, expressa no plano econômico. Uma vez esclarecida a não literalidade do debate, talvez seja importante avançarmos.

  33. Saudações Irado,

    Não queria entrar na sopa de letrinhas, pois o irado sugeriu uma palavra, em meio a tantas relevantes, como “revolução”, “classe trabalhadora”, “classes subalternas”, “Marx”, “marxismo”, entre tantas outras…

    Irado só queria pontuar duas coisa, fiz o post para tentar jogar um balde de água fria numa idéia muito esquisita, para mim, que surgiu nos comentários. Como se esse ascenso fascista fosse algo de desespero, que iria botar nossa existência em risco (quando ela sempre esteve em risco). Fi-lo por não gostar de discursos com resquícios apocalípticos.
    No mais, assino em baixo das duas assertivas que fez: “Que surjam muitas organizações, não me refiro aos chamados grupelhos, mas expressões legítimas de luta do proletariado em suas diferentes configurações sociais”.
    E: “o Passapalavra pode ser um catalisador desse processo, inclusive por ser uma organização. Não uma organização qualquer, mas uma que tem história e respeito dos lutadores sociais, com grande legitimidade”.

    abraços.

  34. Caro Marcelo de Marchi Mazzoni , compartilho contigo o incômodo com o caráter apocalíptico de alguns comentários. Pois, diante de um naufrágio, qualquer “coisa” boiando parece a “salvação”. Sigamos.

    Saudações

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