O sucesso de “Só quer vrau”, funk que parodia a velha canção partisana “Bella Ciao”, incomodou a esquerda. Nos comentários do clipe, um militante stalinista fez um textão criticando a “banalização” e o “emburrecimento histórico” da versão. Logo um funkeiro respondeu: “O cara quer chamar a gente de burro e usa uma foto do Stalin no perfil kkkkk”. Passa Palavra

37 COMENTÁRIOS

  1. «24. Para que uma sociedade autogerida não leve à barbárie da falta de produtividade e do primitivismo tecnológico é necessário que a complexidade não sirva de pretexto à ignorância e que todos queiram aprender a gerir. Se o interesse e a competência generalizados e uma divisão do trabalho igualitária forem uma utopia irrealizável, então será impossível a autogestão da abundância e teremos de optar entre uma abundância gerida por outros ou a autogestão da miséria. Toda a questão do comunismo é esta.
    Ora, o aparecimento do punk-rock constituiu uma colossal ruptura política, afirmando o direito dos que não têm voz a cantar, dos que não têm ouvido a compor, dos que não sabem tocar a tocar. A partir de então não se parou e a ignorância e a inaptidão deixaram de constituir obstáculo às pretensões. A democracia assumiu um novo sentido, não é mais a luta pelo direito a todos aprenderem o que quiserem saber e passou a ser a afirmação de que é desnecessário saber o que quer que seja. A internet é usada como infra-estrutura desta punk-incultura. Tudo o que assim se poderá obter é a autogestão da miséria. Na época da punk-democracia, é desta verdade profunda que deve partir qualquer programa de reforma da esquerda anticapitalista.
    Para reconstruir uma esquerda anticapitalista ou, mais exactamente, para reconstruir o anticapitalismo no espaço que hoje se denomina esquerda, temos de partir quase do zero.» ( http://passapalavra.info/2014/05/93844 )

    E ler e ouvir também, quem souber ler e ouvir:
    http://passapalavra.info/2014/04/94255

  2. com ou sem Stalin, vendo o videoclip desta música algumas coisas ressaltam:
    1- a suposta “música de favela” ainda é imune à nova onda do feminismo.
    2- a suposta “música de favela” está passando a ter como referência séries produzidas pela Netflix, não a tradição partisana.
    3- já é um produto millenial globalizado, mas por enquanto ainda é mais rentável falar de “favela” (mercado interno).
    4- ainda existem músicas comerciais com coreografia “oficial”, símbolo máximo da degradação humana.

  3. Não creio que a “música de favela” seja imune à nova onda do feminismo. Ao contrário, a temática da representatividade, do “direito sobre o próprio corpo” estão em voga há algum tempo…desde de Valesa Popozuda pelo menos menos rs..Claro partindo pelo que entendo dessa “nova onda feminista”, que parece caminhar rumo regaste ou exaltação de mt do que a segunda onda do feminismo em âmbito internacional propagou…

    Sobre o comentário do João Bernardo, muito pertinente. Fico pensando o quanto qualquer grupelho, ou incipiência de organização política em um meio dito independente ou autônomo, deixa de focar, ou tem deixado de focar, em uma transformação estrutural e passa a ser uma afirmação de identidade (as vezes afirmada, as vezes velada) , coisa comum a juventude, mas que com certeza não é dotada de uma capacidade de transformação social. Constituem cenas, em Goiás talvez até muito similares aos beatniks, como em outras localidades que com certeza possuem seus correspondentes…

    Creio que a sátira é uma ferramenta muito importante, mas fico a pensar até que ponto a zueira é algo pertinente, ou em que momento ela passa a ser um ato de desespero de uma esquerda perdida, sem perspectiva de qualquer possibilidade de uma real transformação social.

  4. ASSIM É, SE LHE PARECE.

    “I VITELLI DEI ROMANI SONO BELLI.”
    Em latim: “Vai, Vitélio, ao som de guerra do deus romano.”
    Em italiano: “Os vitelos dos romanos são belos.”

    “STECCHE NEI CANTI, MA STUDIATO ED ABILE GIOCO DI MOVIMENTI ACCHÉ LE FORME EBURNEE RISALTIN NEI VIVACI ABBIGLIAMENTI.”
    No teatro: “Notas desafinadas nos cantos, mas estudado e hábil jogo de movimentos para que as formas ebúrneas ressaltem nas roupas vistosas.”
    No bilhar: “Tacos nos cantos, mas estudado e hábil jogo de movimentos para que as formas ebúrneas ricocheteiem em vivazes tabelas.”

  5. “Para mais de 1.200 pessoas que passaram nas duas últimas semanas de julho pela estação Brás da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e se manifestaram através de cédulas de votação, o rei do cangaço Virgolino Ferreira, o Lampião, era um herói (…)”

    ‘(…) Lampião —, perseguido por forças policiais a mando do ditador Getúlio Vargas (…)”

    “Por outro lado, depoimentos de centenas de pessoas ouvidas pelo historiador definem Lampião como um homem alto (tinha 1,80m), moreno, calmo e bem-educado, que bebia (uísque White Horse) moderadamente, sem nunca se embriagar.” (excertos em http://anovademocracia.com.br/no-12/1061-para-paulistas-lampiao-foi-heroi e http://anovademocracia.com.br/no-12/1061-para-paulistas-lampiao-foi-heroi)

    Lampião, Getúlio… esquerda, direita…, mocinho, bandido… ditador, democrático… Quando defendemos aqueles que “roubam mas fazem”, sejam de direita, sejam de esquerda (dando-lhes, inclusive, bom dia diariamente), sejam políticos ou não (e não são apenas os típicos capitalistas que – naturalmente – nos roubam, pois muitos são os capitalistas em peles de religiosos, artistas, intelectuais, “justiceiros”…), não estamos apenas evidenciando que o crime (organizado ou não) é parte inexorável do modo de produção capitalista, mas estamos, principalmente, “sedimentando” a fragmentação da classe trabalhadora, pois todas aquelas misérias que deveríamos superar ao se tornarem objeto de culto e veneração (e sempre na forma mercadoria), só podem enriquecer os “não-miseráveis”, e nos fazer cavar, sem uma dose sequer de um “White Horse”, a própria cova:

    Esta cova em que estás com palmos medida
    É a conta menor que tiraste em vida
    É a conta menor que tiraste em vida

    É de bom tamanho nem largo nem fundo
    É a parte que te cabe deste latifúndio
    É a parte que te cabe deste latifúndio

    Não é cova grande, é cova medida
    É a terra que querias ver dividida
    É a terra que querias ver dividida… (João Cabral de Melo Neto)

  6. Tem razão o estalinista. Tem razão o funkeiro. Conclusão: temos que lutar contra toda forma de decadência, da estética à política.

  7. E quando os fascistas marcharem sobre nós ao som de Bella Vrau, perguntarei ao zeppo molotov e ao Alfredo Lima se valeu a pena…

  8. Gostei da questão colocada. E aproveitando os comentários sobre a questão da música, gostaria de fazer uma pergunta ao João.
    Tenho estudado recentemente os processos revolucionários e suas efervescências artísticas. Coloco para exemplo o Construtivismo russo e o Proletkult, explosões de ideias vindas do proletariado no processo revolucionário.
    Até agora em meus estudos e pesquisas pouco ou quase nada encontrei sobre essas expressões artísticas no campo da música vinda das revoluções proletárias.
    O que encontrei foram expressões democráticas na música, como no caso do Brasil na década de 60 e 70, onde houve poucas mudanças nas formas, preocuparam-se mais em resgatar as formas das estéticas regionais e politizar seu conteúdo.
    Em seus comentários ao artigo Sobre a Esquerda e as Esquerdas você cita por exemplo Luís Tinoco, de inquestionável talento, e um músico de vanguarda. Mas lhe pergunto como pode haver hoje as músicas de vanguarda? Você coloca como essencial: “vanguardas artísticas e rupturas nas formas de apreensão, leitura e representação da realidade.”, afirmação que concordo plenamente.
    Você também cita Rui-Mário Gonçalves. Interpretei que você concorda com a afirmação dele de que “ a arte é geralmente a primeira reveladora das transformações que a humanidade deseja. Não é a política. A boa política é aquela que serve os verdadeiros anseios da Humanidade, e esses verdadeiros anseios são expressos na melhor arte”. Interpreto essa afirmação de Gonçalves como “A Arte precedendo à Revolução”.
    Achei curioso que no mesmo artigo você comenta que defende que “o melhor da estética contemporânea, onde ela é criativa e inovadora, reside na música”.
    Não sei se sou um pessimista em relação a isso, mas penso que estamos em tempos de declínio em questão de qualidade na estética musical.
    Gostaria de finalizar minha pergunta, João, interrogando como você coloca historicamente e teoricamente a questão da Música como forma de luta proletária? É possível esse horizonte? Eu agradeço.
    Saudações!

  9. Sim, tudo vale a pena, até um Créu fascista velocidade 5… acho que errei o canal, tô na sessão de comentários do UOL.

  10. não fique tão irado, irado.
    alguns dos comentários acima são mais estilo porta de banheiro do que UOL, com essa irreverência cínica de quem não tem que argumentar.
    Artista quando não quer saber de política termina pedindo aplausos para a PM.
    Militante quando não quer saber de arte termina pedindo aplausos para absolutamente qualquer coisa, sempre e quando jogue água no seu moinho…

  11. “Como seres humanos, captamos apenas os conjuntos que têm um sentido para nós… Existe uma infinidade de outros conjuntos dos quais jamais saberemos coisa alguma. É óbvio que, para nós, é impossível experimentar todos os elementos que existem em toda situação e todas as suas possíveis relações… Por isso, somos obrigados a apelar, de situação em situação, como fator formante da percepção, para a experiência adquirida… Em outras palavras, o que vemos é certamente função de uma média calibrada de nossas experiências passadas. Parece, assim, que relacionamos um dado padrão de estímulos com experiências passadas, através de uma complexa integração de tipo probabilista… Daí por que as percepções resultantes de tais operações não constituem, de maneira alguma, revelações absolutas ‘do que está fora’, mas representam predições e probabilidades baseadas em experiências adquiridas.”
    J. L. KILPATRICK – The Nature of Perception (in Explorations in Transactional Psichology)

  12. Não entendi a relação do fascismo com o Bella Vrau. Alguém explica? É evidente que a música é horrorosa. Mas o espírito de deboche e ironia com o original não deixa de ser um ponto de partida melhor que o senso de superioridade moral da esquerda saudosa de Geraldo Vandré – e que aliás degradou suas músicas até o limite nos carros de sons sindicais. A velha esquerda quando se apropria de funks é uma coisa horrorosa, parece velho brincando de criança. O espírito destrutivo do funkeiro que zomba de stalin tem bem mais a ver com formas de luta mais emancipatórias do que o neo-bolche-nova-resistência que, ele sim, adora uma internacional em russo…

  13. Só pode ser preguiça… A relação é entre fascismo e bella ciao, uma canção de resistência, entre o festejado caráter “destrutivo” (niilista) de certos setores da esquerda e a ausência de alternativas. Regozija-se com qualquer coisa que incomode a esquerda tradicional, mas não se oferece nada em troca. João Bernardo apontou bem o problema acima, naquilo que se refere à estética. Pouco me importa o funk em si mesmo. Mas, quando a esquerda vê qualidades emancipatórias nisso só porque irritou um stalinista, é porque a situação está em franca decadência. Bem alertava Pannekoek: a revolução é, acima de tudo, um grande processo de construção, pois para destruir só é preciso força bruta…

  14. Que a apropriação da velha esquerda de memes, funks, etc é tosco, não há dúvída, Grouxo. Além de demonstrar que estão sempre uns 10 passos atrasados no que tange a marketing político, uma vez que focam no processo eleitoral….Agora, não entendo o que essa estética tem de “forma de luta emancipatória”, francamente…
    Pensar repertórios e perfomances não é algo novo nos estudos de movimentos sociais, e já está mais do que claro que ambas podem ser incorporadas reinventadas, reincorporadas novamente, pela estrutura. Ou seja, não pode estar ai o critério para definir luta emancipatória…Alias, acho engraçado que muitas vezes a mesma esqueda que critica a Queer Theory anda por ai em busca de uma identidade emancipatória, o que realmente não faz sentido, só pode ser fruto de uma falta de reflexão crítica sobre a própria prática política…
    Agora, também não creio que o problema seja necessariamente por ver qualidades emancipatórias aí, acho que um potêncial emancipatório está presente sim, o problema é, “como transformar energia potêncial em qualquer outra forma de energia”. O problema é que a zueira é o atual limite da crítica.

    Outro ponto que fiquei pensando, sobre o que o João expôs, é que a luta não é só por acesso a determinado conhecimento, a banalização também é um recurso para afirmar que “também podemos gerir sob outros critérios”, não necessariamente da miséria. Uma vez que o próprio campo da produção de conhecimento é um campo de poder, no qual ocorre uma luta pela legitimação do conhecimento, a nossa própria compreensão de gestor é limitada segundo determinados critérios que são propícios ao capital. Desse modo, a ruptura não é o problema. o problema é que não conseguimos superar o momento de ruptura. E nesse ponto acho todas as críticas, no geral, muito abstratas. Pois,que é preciso pensar em um processo de construção é óbvio, mas como? Quais os caminhos?? Esses foram o erro da esquerda até hoje, e francamente me parece que a esquerda “autônoma”, quando não está em busca da emancipação via uma busca de uma identidade da classe trabalhadora (que aparentemente foi descoberta de uns tempos para cá), só anda assumindo o papel de esquerda rabugenta, que não possuem proposta alguma e elaboram críticas vazias e ensimesmadas.

  15. Vinha a muito tempo pensando nessa relação que a ”contra-cultura” coloca ao ser absorvida pelo capital. O comentario d’O Irado me fez expô-las (mesmo que de forma incipiente).

    A sociedade de consumo está posta, ou seja, a televisão, o jornal, as escolas, o trabalho, etc.. nos incentivam a consumir. algo que ainda não consigo explicar de forma objetiva é como o funk ”ostentação” surge nesse processo, mas uma coisa me parece clara: Dentro da lógica da sociedade de consumo, ”quem tem moto faz amor, quem não tem passa mal” (Letra do MC léo da baixada). o que quero dizer (e que Marx disse lá atrás, é que, nessa sociedade ”ter é poder”. O Funk ”ostentação” é justamente a materialização disso. no sentido de que surge em ambientes de miseria social e, constantemente, — os indivíduos que ali residem — são atingidos por uma enxurrada de coisas que precisam ter para serem ”alguém”, para serem vistos pela ”sociedade”, para adquirirem ”respeito”. As vias que são colocadas, para adquirir tais coisas, são em maioria o futebol, o crime ou a musica. beleza, mas e ai? eles agora, querem cantar sobre o que tem, sobre como a vida de favelado é dura e, de como saíram dela. agora elas podem consumir e isso fica claro nas musicas.

    ”Mais um guerreiro da vida sofrida
    Olha como o moleque tá hoje
    O Sol nasce, uma Juju na face
    O moleque na brisa do doce” (MC Dede, Passei de Oakley)

    A questão é, como ”direcionar” o Funk, principalmente o funk ”ostentação”, para uma critica mais acirrada do capitalismo? Como produtivo da cultura popular, o funk, agora — seguindo a lógica de absorção pelo capital — ensina que para o ”pobre” ser reconhecido como ”alguém” ele precisa ter. Bella Vrau é o exemplo mais exato disso, no sentido de que durante todo o Clipe se observa carros, mulheres, dinheiro.

    ”Quando ouviu o barulho do motor
    Era nós passando pela sua quebrada
    Levantou e foi ver na janela
    Na hora que viu ficou impressionada.

    De Hornet ou de R1
    Se só foder, de moto eu paro
    Eu vou até minha garagemt
    Buscar meu Veloster, Sonata ou Camaro”. (MC Guimé, Tá patrão)

    Bella Vrau é excelente no sentido de deixar a esquerda raivosa, mas ela — enquanto integrante do Funk Ostentação me deixa meio inquieto pensa-la como critica anticapitalista.

  16. Quanto ao comentário d’O Irado e, por mais que superficial que seja, posso apenas responder que a critica a esquerda não significa deixar de lado as questões relativas ao fascismo. Se você fizer um levantamento historico dele, inclusive à partir de varios textos publicados no PP, você perceberá que o Fascismo está intimamente ligado a esquerda. isso, (alegar minha passividade em relação ao fascismo) de certa maneira, só existe na sua cabeça. não venha me imputar percepções que são puramente suas e que diante do meu comentário, não expressam absolutamente nenhuma relação.

  17. Cada um canta sobre o que quiser. Eu jamais entraria numa página de um funkeiro ou de apreciadores do estilo para tecer qualquer crítica. Acho perfeitamente compreensível que tenha surgido esse tipo de expressão musical. Mas, buscar anticapitalismo no funk ostentação, dentro do passapalavra, fica difícil deixar passar. Alguns setores autonomistas (se forem) querem jogar fora toda a experiência histórica das lutas proletárias, como se elas fossem propriedade da esquerda ortodoxa. Logo, acharão ótimo se tiver funk ostentação sobre Maiakóvski, sertanejo sobre Brecht, forró universitário do José Mário Branco, trio elétrico do Victor Jara. Obras primas da crítica social. Atingirão seu objetivo revolucionário, incomodar a esquerda, que chamam de “tradicional” só para parecer que estão lá, do lado oposto, quebrando dogmas e cânones politicos e estéticos. Bom se “sesse”. Me faz lembrar de alguns anarquistas que usam Foucault para criticar Marx, só que bem pior. O fato de o Proletkult ter tido mais de 200 mil associados não significa nada, pois isso é coisa de “esquerda tradicional”. Ótimo! O próximo hit do verão será o funk ostentação “Incompreensível para as mina”, do MC Xexéu, uma sátira ao poema de Maiakóvski. A esquerda tradicional vai tremer. A nova revolução cultural estará a caminho. Estamos vivendo a reedição da discussão cultura popular x cultura erudita, na versão farsa. Tudo que vem do “povo” é bom, inclusive o senso comum, o sexismo etc. E os antiintelectuais orgânicos estão lá, onde estiveram antes os críticos de arte burgueses, para encontrar fissuras emancipatórias no Bonde do Tigrão. Funk ostentação agora é contracultura (ou seria contra a cultura?), crítica da sociedade do consumo, quase anticapitalista. Vou ali no boteco tomar um coquetel molotov, mas não volto…

  18. Saudações camaradas,

    Há um ditado popular que diz: Para a fome, não há mau pão.

    O Irado está absolutamente certo em sua ira. Aparentemente, a fome é tanta por qualquer luz no fim do túnel que acabamos comprando gato por lebre. “Nossa, um funk falou que os pobres sofrem, mas agora estão comprando mercadorias”, nossa descobriram o Brasil. “Nossa, cornetaram o Stalin”, descobriram que a copa é na Rússia.

    O filme Titanic é uma boa expressão disso, como Zizek o aborda no seu Guia Pervertido da Ideologia (https://www.youtube.com/watch?v=9DocwBZyESU). Para o autor existe uma “falsa simpatia com as classes trabalhadoras”, mas, que a trama amorosa traz o elemento central, um “mito reacionário” no qual a classe dominante (representada na personagem Rose), resolve suas crises internas a sugando as pulsões criativas das classes subalternas (representada no Jack), que no final é sacrificado. No decorrer do argumento, Zizek expressa como esta é uma ação típica em momentos de crises do capital, que levam a uma continua elevação da exploração e subalternização das classes trabalhadoras. Esse funk ostentação, até que ponto, não seria o hino (a expressão ideológica enquanto falsa consciência, de nossa época) do trabalhador “uberizado”? Afinal, ele é um “patrão”, um prestador de serviços. Ou seja, pra mim, cultuar essa produção musical é desenvolver essa falsa simpatia com as partes mais exploradas dos trabalhadores. Porém, se realmente é a expressão ideológica da submissão, conseguiram terceirizar a produção de uma cultura de dominação. Contudo, temos no Brasil recente “Chico Science e Nação Zumbi”, eis uma obra de arte produzida pelos homens carangueijos. Haverá luz no fim do túnel? Sempre houve e sempre haverá, mas não podemos ficar hipnotizados com as luzes artificiais.

    abraços.

  19. O Irado é a versão “contra a apropriação cultural” da esquerda ~radical~. Não toque no meu turbante!

    Realmente ele fica muito incomodado com o fato de uma série boba de internet, e logo depois um funkeiro, terem pego uma música completamente esquecida e terem a transformado em dinheiro. Aliás, não é de hoje e não é só com a Bella Ciao que os capitalistas tripudiam da gente, riem da nossa insignificância. Avançam agora sobre a última fronteira possível, transformando o próprio comunismo em mercadoria. É só olhar a queridinha da vez, a Economia do Compartilhamento. É uma grande ilusão, assim como é a luta encardida pela propriedade do turbante, definir quem pode usar deste ou daquele artefato ou objeto cultural, essa busca inútil pelos verdadeiros herdeiros, a tal da ancestralidade, se é que me entende… Não importa as mil outras apropriações culturais feitas com o passar do tempo, sequer importa o esquecimento pela própria esquerda da música e do contexto que a originou. O que importa é que exista um nicho que se agarra a este símbolo e, quem sabe um dia, consiga utilizá-lo para se projetar. E uma situação inusitada como essa, que mostra o fundo do nosso poço, e na qual deveríamos apenas ver dois lados péssimos de um mesmo fenômeno, obriga uns a se alinharem ao estalinismo.

    É por isso que essa esquerda — e tomara que surja outra — não irá além. E não irá porque tem uma capacidade criativa — na forma e no conteúdo — muitíssimo menor do que os funkeiros, os pagodeiros, os rappers, etc. Nem para produzir um lixo que é esta versão funkeira do Bella Ciao essa esquerda, a nossa esquerda, é capaz.

    Convenhamos, mesmo essa série e o funkeiro oportunistas fizeram um favor maior do que a gente jamais fez ao resgatar a história desta canção, pois acredite ou não, uma geração inteira de militantes sequer sabia da resistência italiana, nunca chorou ao ouvir essa música em alguma esquina qualquer do mundo, sequer se imaginou combatendo de verdade um fascista para além das tuitadas e postagens de Facebook. Agora sabem. E não só eles. Há mais gente. E, se por um lado, esse funkeiro maculou uns dos nossos símbolos sagrados, por outro lado deu uma nova vida.

    Bom ou ruim? Não sei. Talvez não se trate disso. Mas preferiria fazer o debate dentro deste parâmetro do que na base do ressentimento. Façamos uma nova Bella Ciao. Mas antes disso precisaremos criar a nossa própria resistência. Ou talvez ela já aconteça, a resistência e a nova Bella Ciao, e por estarmos procurando os nossos turbantes não conseguimos enxergá-las.

    “Hoje (…) o que se canta? Cantemos.”

  20. Partigiano 2.0, assim como outros aqui, insiste naquilo que não está em discussão. Pouco me importa o que fazem os funkeiros, não se trata de crítica de consumidor que, como tal, ouço de tudo. Foi o que disse acima. Talvez nos encontremos numa festa um dia e, depois da terceira garrafa de vodka, comecemos a dançar revolucionariamente na boquinha da garrafa. E no dia seguinte, de ressaca, voltemos a discutir aqui. Não me admiro com os comentários, pois o desespero de causa estético da esquerda (?) niilista corresponde com a sua passividade diante do contexto político atual. Se a discussão fosse tão tola eu teria falado sozinho, ninguém teria respondido. Mas só eu fui tolo em levar a sério pelo visto. Podem fazer até uma versão pornô da Casa de Bernarda Alba se quiserem, “tô nem aí”, já diria outra canção revolucionária partigiana. Esperarei os niilistas tecerem seus comentários sobre o caráter revolucionário da obra cinematográfica, por terem deixado a esquerda tradicional abalada, mas excitada. Partigiano tem razão, é uma grande perda de tempo este debate. O debate, não o tema. Mesmo assim cada hora aparece um personagem novo, se não for o mesmo. Aguardemos a reinvenção partigiana da esquerda, sem história e renascida da junção entre ignorância estética e o lixo da indústria cultural. Estamos entre isso e a tese da “arte inimiga do povo”, o pior de dois mundos…

  21. o partigiano 2.0 vai ao ponto dos equívocos, mesmo que no seu comentário estejam basicamente invertidos. É a esquerda do turbante justamente aquela que enaltece a “música de favela” por sua origem em essência transgressiva, independente das letras, dos conteúdos, da estética e das suas próprias relações de produção. Bella Ciao agora é tão conhecida “pelo mundo” quanto o foi a música sertaneja brasileira no verão de 2011 com a ascensão de Michel Teló a estrela internacional; quanto tempo isso vai durar? Até a próxima série de sucesso (que por ano são quantas? umas 5 ou 6).

    Talvez nas páginas de redes sociais visitadas por este partigiano 2.0 realmente não estejam presentes nenhuma “nova Bella Ciao”. Sugiro que saia da bolha e caminhe um pouco. Para começo de conversa, comparar a generalidade de “funkeiros, pagodeiros e rappers” já demonstra enorme ignorância a respeito das diferentes formas de vínculo entre artistas e movimentos sociais: o partigiano, como bom internauta, apenas consome os produtos via youtube, não entende que a arte política têm seus maiores momentos por fora das telas e dos holofotes. As grandes obras não são senão a cristalização de caminhos andados e experiências compartilhadas.

    E acho que quem está com problemas para enxergar é aquele que vê uma “nova vida” do Bella Ciao a partir de um produto tão tosco. É certamente uma versão zumbi da canção partisana.
    Mas fico mesmo impressionado pelo fato de que muitos pensam que o funkeiro está fazendo uma referência à canção partisana, quando na realidade é uma referência à uma série audiovisual produzida e veiculada por uma grande empresa de internet. Pensar que se trata de uma sátira, ironia, ou mesmo “apropriação” da tradição política é não entender do que se trata. Essa versão funkeira nunca teria existido não fosse pela série e certamente a enorme maioria de seus ouvintes reconhece a melodia em função da série, esse fator é o único determinante de valor para esta música e, de fato, qualquer debate “político” sobre a versão é disparatado. Se existe um debate que valha a pena sobre a questão ele é sobre valorizar essa música como algo mais do que merda, que não é outra coisa do que a repetição sobre o videoclipe do celulite da Anitta como promotor do empoderamento feminino periférico. Sim, aquela cantora e seu videoclipe que “deram nova vida e novo significado” para a celulite, para a “sexualidade periférica”, que atacou a estética hegemônica em um videoclipe produzido e dirigido por profissionais especializados na alta costura.
    Alias, Anitta é a verdadeira representante deste gênero, e está bem avançada. Para o mercado brasileiro ela fala de poder femenino e favela, mas ela já canta em inglês, espanhol, faz video-clipe sobre a Amazônia, etc. Um funk que é em si mesmo uma referência a uma série globalmente famosa da Netflix mas cantado em português e falando de favela é um meio termo, mas aponta na mesma direção do produto Anitta, musa da esquerda turbante.

  22. Gabriel, tardei em dar-lhe uma resposta, mas aqui vai.

    A existência de vanguardas parece-me evidente por si mesma. São aqueles que abrem o caminho. No entanto,
    a) O facto de uma vanguarda o ser não significa que o seja sempre. Uma vanguarda define-se em função de uma ruptura e, por si só, não oferece nenhumas garantias de perpetuação.
    b) Uma vanguarda não tem nenhum direito a assumir-se como elite social ou económica.
    c) Afirmar-se como vanguarda a respeito de uma dada questão não implica que seja vanguarda a respeito de todas as outras questões.

    Realço este último aspecto. O facto de ser uma vanguarda política não dá nenhum direito a supor que possa ser uma vanguarda estética. Nem se pode recusar que uma dada corrente ou uma dada pessoa constitua uma vanguarda estética pelo facto de não constituir uma vanguarda política, ou de até ser politicamente reaccionário. Tomo o exemplo que você evoca, da Proletkult. Ali fundiram-se o carácter de vanguarda estética e o carácter de vanguarda política, mas a questão complica-se porque não se pode entender a Proletkult sem conhecer a Bauhaus nem se pode entender a Bauhaus sem conhecer a Deutscher Werkbund. Só muito raramente as grandes rupturas estéticas se deveram a pessoas que participaram ou apoiaram rupturas políticas, e esta cisão histórica entre as vanguardas estéticas e as políticas representa, para mim, o ponto nevrálgico do fracasso dos movimentos de renovação social.

    Se alguém se interessar em saber o que penso a este respeito, remeto para aqui: http://passapalavra.info/2017/10/115371 Passaram muitos anos e este artigo está em parte ultrapassado, sobretudo por não considerar a nova problemática trazida pelo conceptualismo, mas nos seus termos gerais ele continua a representar as minhas ideias.

    Todavia, a situação agora é pior ainda, porque os grupos que se pretendem críticos do capitalismo consomem exclusivamente os produtos da indústria cultural de massas, tanto no que diz respeito à música como às formas plásticas. E confundem a irreverência com insultos ou rabiscos nas paredes. Um comentador falou em preguiça, e é isso mesmo. Com preguiça não se faz ruptura nenhuma e muito menos uma revolução, que são coisas que dão muito trabalho. Com preguiça apenas se consome sem sentido crítico os produtos mais débeis da indústria cultural de massas. Repito o que escrevi. É a punk-música a erigir-se em punk-política, é a anti-vanguarda estética a apresentar-se como anti-vanguarda política.

  23. Eu realmente não gostaria de tomar ”parte” junto aos neoestalinistas, mas essa aceitação acrítica de tudo o que se produz e vende na indústria cultural como ”progressista’ é sintoma da incapacidade da esquerda de criar os seus próprios conteúdos culturais anti-sistêmicos, isto é, sintoma da sua própria falência enquanto força contestadora e subversiva.

    Por outro lado, é claro que o reclame dos neoestalinistas também não pode ser usado como contraponto válido. Eles querem substituir a ‘degeneração burguesa estética e ‘cosmopolita’ por uma expressão puramente nacionalista, positivada nos princípios teleológicos dos planos partidários de ‘desenvolvimento das forças produtivas’ e do culto ao trabalho, no melhor exemplo do realismo soviético.

  24. (Ulisses publicou um comentário aqui http://passapalavra.info/2014/04/94255#comment-332332 , mas como ele mesmo explicou que o comentário valia para este Flagrante Delito, prossigo o diálogo nesta parte.)

    Mas, caro Ulisses, os movimentos históricos quando estão a ocorrer são uma confusão danada, recheados de possibilidades, sem que ninguém possa prever que caminho seguirão. E quando tudo se põe aos tiros a confusão é mais concentrada ainda, porque só pode haver dois lados, ninguém pode ficar a meio, e o que fazer quando no lado em que ficamos há vizinhos pouco ou nada frequentáveis? A história no momento em que se faz, a priori, é muito diferente daquela escrita a posteriori. A história a posteriori considera só um trajecto, aquele que foi percorrido, enquanto a história a priori reunia um número ilimitado de trajectos possíveis. Passa-se o mesmo com o Bella Ciao. E como em toda a arte a forma é o principal conteúdo, aqui também podemos ter uma forma depurada, sóbria, tão nua como estão nuas as mãos de Yves Montand:
    https://www.youtube.com/watch?v=k9yZAsYlJtM
    No extremo oposto podemos ouvir a burocratização do hino, cantado pelo coro do exército soviético de maneira tão pesada que mais parece uma celebração litúrgica da Igreja ortodoxa no cúmulo da opulência:
    https://www.youtube.com/watch?v=bX3Q8gOghnA
    Mas no reino das formas tudo é mais complexo, porque uma celebração litúrgica pode terminar com o Bella Ciao cantado com a nudez de uma comunidade de iguais, e vale a pena buscar na internet informações sobre o padre Andrea Galo:
    https://www.youtube.com/watch?v=ePP9AHrncjQ
    Ou, num plano quase rarefeito, temos o eco do hino dentro de uma mente, o peso do silêncio perante a repressão, e quem quiser saber alguma coisa sobre os confrontos de Michele Santoro com Berlusconi pode também procurar na internet:
    https://www.youtube.com/watch?v=2zfA7yyHHv4
    E notem como Santoro deixou em suspenso, sem a pronunciar, a palavra final: Libertà. São ilimitadas as maneiras possíveis de cantar ou entoar o Bella Ciao, como naquela época eram ilimitadas as possibilidades da luta armada contra a República Social e os seus sustentáculos do Terceiro Reich. Também hoje, nesta manhã em que escrevo, vemos tudo como um nevoeiro de possibilidades, tão diferentes das certezas daqueles que daqui a meio século hão-de traçar a história destes nossos dias.

  25. Caro João Bernardo
    Temos divergências, que não são poucas nem pequenas, no que tange a essa fórmula de confusão denominada antifascismo. Decerto, “os movimentos históricos quando estão a ocorrer são uma confusão danada, recheados de possibilidades, sem que ninguém possa prever que caminho seguirão”; mas “porque só pode haver dois lados, ninguém pode ficar a meio” é, digamos, menos óbvio. Quanto aos “vizinhos pouco ou nada frequentáveis”, a luta de classes se encarrega, demarcando os campos e produzindo decantações teórico-programáticas, de nos livrar deles.
    Resumindo a ópera, o que não deve ser interpretado como subestimação dos argumentos que elencaste, estamos (tu & eu) abordando a questão com enfoques e níveis de abstração diferentes.
    Canções e hinos, bandeiras e consignas retumbantes – verbigratia: “Renunciamos a tudo, menos à vitória!” escamoteia a questão fundamental: vitória de que classe social, se renunciamos a tudo (a começar pela revolução social) – por mais que comovam e eventualmente promovam heróis e mártires, não me sensibilizam a ponto de me fazer abrir mão do senso crítico e da perspectiva histórica que me situa numa sociedade capitalista mais ou menos ionizada pelo antagonismo decisivo entre proletariado e capital.
    Numa guerra imperialista, o manual bolchevique recomenda o derrotismo revolucionário. Na prática, aliar-se ao inimigo do inimigo para mais facilmente derrotá-lo. Neste jogo de soma zero, quando chegamos ao fim estamos antes do começo e a revolução social não avançou nem um salto de pulga. E isto quando não abriu-se o caminho para a reestruturação do capital mediante contrarrevoluções burocráticas e preventivas, como as que decorreram do golpe de estado que asfixiou a revolução social na Rússia (em 1917) e sequelas (leninismo, stalinismo, trotskismo & respectivos epígonos nacionais-bolcheviques, jacobinos populistas et caterva).
    Numa guerra de classes, trata-se da revolução (& contrarrevolução, na perspectiva dos estrategistas do capital) e não há lugar para tática oportunista do derrotismo revolucionário (o atalho que se torna beco sem saída). As massas
    trabalhadoras (classe em si: substância) se tornam proletariado (classe para si: sujeito) mediante o protagonismo revolucionário da autonomia operária. O resto é política…
    Já escrevi bem mais do que o habitual, para um teimoso escoliasta que se recusa a ser polemista. Mas gostaria de concluir dizendo que teus argumentos – por bem fundamentados que sejam – não atacaram o que presumo seja o fundo da questão ou a questão de fundo (teórico-programática). O que não quer dizer que este coração de estudante não te seja grato por tudo que apre(e)ndeu…

    Saúde & Alegria

  26. Caro Ulisses,

    Que surpresa, é a primeira vez que leio um texto seu sem anagramas e com mais de três linhas! Aliás, concordo com tudo o que você agora escreveu, e a minha militância e os meus escritos anteriores ao 25 de Abril de 1974 mostram bem que eu nunca pensei que pelo facto de lutarmos contra o fascismo teria de haver um campo único de antifascismo. Nesses velhos textos pretendi sempre mostrar as profundas cisões de classe que rompiam o antifascismo português, tal como na minha actividade prática, dentro dos limites dela, pretendi aprofundar essas cisões. Mas veja bem. No meu comentário eu não disse: «porque só pode haver dois lados, ninguém pode ficar a meio». O que disse foi: «quando tudo se põe aos tiros […] só pode haver dois lados, ninguém pode ficar a meio». São os tiros que alteram não a política da coisa, mas a geografia dela. E alteram pelo próprio facto físico do pum! pum! pum! No Labirintos do Fascismo (e remeto aqui para o capítulo das págs. 780-828 da terceira versão) pretendi mostrar como em Espanha se agravaram as contradições — aliás de um e outro lado — numa situação de guerra civil em que as balas e as bombas obrigavam a juntar-se geograficamente facções que politicamente se digladiavam. Mas é precisamente por isso que, pelo menos no início da guerra civil, o lado republicano parecia aos anticapitalistas tão cheio de problemas como de possibilidades. E quando viram que não era assim, o que lhes restava senão a desilusão? (A este respeito é muito interessante ler James Matthews, Reluctant Warriors. Republican Popular Army and Nationalist Army Conscripts in the Spanish Civil War, 1936-1939, Oxford: Oxford University Press, 2012.) Ora, se a desilusão pode gerar lucidez, com certeza não gera combatividade. Nada é simples. Mas também, se o fosse, já não haveria capitalismo.

  27. Caro João Bernardo

    Retorno, pois, ao lúdico manejo das caixas de ferramentas: as três linhas, os indefectíveis anagramas, os ornitorrincos linguageiros e outros badulaques do taodadaismo em que se refocila minha enciclopédica ignorância.
    E o “fato físico do pum! pum! pum!”, cuja substância é uma feijoada, torna-me um sujeito feliz…

  28. Concordo, Ulisses. Era esse comentário sobre os partisans e o antifascismo que eu estava querendo ver ou escrever aqui.
    E sou a favor que o Ulisses saia com mais frequência do modo anagrama para o modo textão. rsrs
    (e eu volto para o modo silêncio)

  29. O que eu não li aqui foi uma defesa do antifascismo ou dos partisans, mas uma crítica ao suposto caráter revolucionário da deturpação estética, pela indústria cultural, de uma música que tem um valor histórico, independente de representar a corrente política com a qual eu me identifico. Seria como achar revolucionária uma pixação sobre os afrescos da Capela Sistina. Daí quem criticar o ato ser chamado de teísta, ou pró dominação religiosa. Outro poderia realizar um ótimo e oportuno discurso sobre o caráter contrarrevolucionario da religião. Ok. Mas a questão era outra, desde o início. Aliás, sobre o tema recomendo um texto de Pannekoek…

    https://www.marxists.org/portugues/pannekoe/1933/03/luta.htm

  30. NIETZSCHIANAMENTE ou COM CINISMO E INOCÊNCIA
    Discordo, C(l)ara Luz. E, respeitosamente, ouso sugerir: não desperdices teu luminoprecioso tempo lendo meus pouco claros koans tAOdadaístas a.k.a. comentários. Ademais, se algum retardatário enragé regurgitar uma objeção, há que deixá-lo agonizar… abraçado ao seu (his) rancor, comme il faut: sem textão e sem textículo [sic].
    Saúde & Alegria
    P.S.: Oxente! Sem essa de ‘modo silêncio’. Vem passapalavrar conosco.

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