Na Universidade Walter Sisulu, na África do Sul, um coral formado por jovens adolescentes de uma escola apresentou-se usando o inkciyo, pequeno avental tradicional da etnia xhosa que deixa o torso desnudo e, quando agitado em meio às danças tradicionais, permite ver a genitália. O professor defende-se evocando os valores do identitarismo, enquanto a ministra se revela presa aos preconceitos do eurocentrismo, pois foram os malvados colonizadores que convenceram os negros e as negras a vestirem-se, para assim lhes poderem vender os têxteis fabricados nas metrópoles imperialistas. Temos assim uma luta do identitarismo contra o puritanismo eurocêntrico. Mas então, como ficamos perante o olhar lúbrico dos pedófilos? A vida é complicada, e a vida politicamente correcta é mais complicada ainda. Passa Palavra

6 COMENTÁRIOS

  1. OCIDENTE ou ACIDENTE?
    O pseudo-antagonismo entre essas duas Weltanschauungen (cosmovisões), ambas fundamentalistas & cada uma delas pro domo sua, tem suas vantagens no mistifório das mistificações.
    O universalismo ocidental, amálgama judeu-cristão & greco-romano que o capital devindo sistema hipostasiou, foi implantado a ferro&fogo e sucessivas expropriações primitivas, que remanescem e perduram suas distopias sanguinárias neste colapso epocal.
    O fundamentalismo, esse rótulo homologatório do não-ocidental (exterior e hostil ao judeu-cristão & greco-romano…), é o ideologema que o logocentrismo quantofrênico axiomatiza como o Outro sans phrase (bárbaro, negro, muçulmano etc.): a chancela do bode expiatório ou vítima sacrificial.

  2. Sim, é engraçado, mas é uma parábola de crianças, muito light. Quem quiser ver os horrores — ridículos, mas nem por isso menos horrorosos — que ocorrem dentro dos aquários do politicamente correcto, com as disputas de qual identidade é mais vítima, e portanto mais privilegiada, do que as outras, leia esta notícia:
    http://www.lepoint.fr/societe/etats-unis-licenciees-pour-avoir-refuse-de-servir-une-activiste-noire-apres-la-fermeture-11-06-2018-2226139_23.php#xtor=CS2-238

    E, claro, como sempre sucede nos identitarismos, quem apanhou a martelada foram os trabalhadores. O problema com esta notícia é que é necessário entender francês, mas quem não entender talvez tenha uma vizinha que entenda. Ou então, quem sabe se entre os leitores do Passa Palavra há alguma boa alma poliglota que se disponha a traduzir isto, para o bem geral.

  3. De fato, situação de classe (trabalhador, formal ou precário) não é o mesmo que posição de classe; nem, tampouco, imuniza contra os ideologemas reacionários: fascistas, racistas etc.
    Neste ínterim, desenrola-se a pré-história da humanidade: as inexoráveis(?) acumulações primitivas e contrarrevoluções preventivas – locais e globais – se multiplicam…

  4. Para quem entende inglês, encontrei uma notícia sobre o mesmo fato referido por João Bernardo em sua última mensagem: http://komonews.com/news/local/portland-bakery-fires-employees-for-denying-black-woman-service-after-closing-06-01-2018

    Há uma referência crítica ao mesmo acontecimento aqui: https://www.americanthinker.com/blog/2018/06/portland_bakery_fires_two_employees_for_refusing_service_to_a_black_customer_after_closing_time.html

    Outra notícia, também de um ponto de vista crítico, pode ser encontrada aqui: https://www.dailywire.com/news/31346/portland-bakery-fires-employee-denying-service-paul-bois

    Também parece ter sido publicado um artigo de opinião sobre o assunto no Wall Street Journal, mas o acesso é exclusivo para assinantes e não pude conferi-lo: https://www.wsj.com/articles/would-you-like-some-strife-with-your-meal-1527807733

    Por fim, encontrei dezenas de outras notícias em inglês pesquisando no Google, inclusive vídeos no YouTube.

  5. Também há em inglês uma matéria do mesmo autor do artigo de opinião do WSJ: https://quillette.com/2018/06/05/portland-bakery-white-guilt-poisons-batter/

    Ela é esclarecedora em um ponto que julgo muito importante: várias pessoas são identificadas na reportagem como uma espécie de consultores de igualdade, trabalhando tanto para os governos (parece que principalmente na área de educação), mas também prestando consultoria para empresas, sejam elas grandes ou pequenas (como o loja onde se deu todo o incidente). Parece que a própria discriminada trabalha dessa forma. A matéria dá mais enfase num picareta que se aproveita do discurso racial para arrancar dinheiro de brancos que se sentem culpados, mas parece que está disseminada, pelo menos nos EUA, esse tipo de profissão.

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