Por Zé Castillero

Como parte do ataque às ocupações urbanas e à luta por habitação, a ocupação Vila São Jorge, no bairro de São Cristóvão (Rio de Janeiro), foi despejada em meados de junho, contrariando a expectativa do decreto municipal do prefeito Marcelo Crivella, que formou um grupo de trabalho para mapear e negociar desocupações, com reassentamento dos moradores. Dessa vez a prefeitura apenas prometeu conceder aluguel social, que já não compensa a perda material diante das perdas com tijolos, cimento e outros recursos para construção de casas no local.

A medida da prefeitura pela reintegração de posse a favor da proprietária Brookfield Incorporações mostra que além de não cumprir com a medida de negociação de uma indenização diante da perda de moradia, nem mesmo é cumprido o aluguel social, política imediata abaixo do emergencial. A crise do projeto Minha Casa, Minha Vida, com 6,4 milhões de famílias sem casa pelo Brasil, reforça o déficit habitacional, longe de qualquer solução mínima. Sem uma política de compensação, diante da crise econômica que reflete no mercado imobiliário, não há políticas de compensação, mas somente a prioridade em promover despejos.

Se o anúncio do decreto 44.557 do prefeito Marcelo Crivella já apresenta uma tendência a atacar a luta por habitação, que tentava mascarar a violência dos despejos por um discurso que promete o reassentamento e desocupações negociadas, a conjuntura de recuperação de valores por parte do mercado imobiliário já mostra que a situação de ataque das classes dominantes é bem pior do que é anunciado. Mesmo tendo prometido o aluguel social em assembleia com os moradores nas vésperas do despejo, o prefeito Crivella não cumpriu com a sua promessa. As famílias estão acampadas há semanas no gramado em frente à prefeitura e dormindo embaixo da passarela da estação Cidade Nova do metrô.

O ataque de Crivella não é uma surpresa e o conflito até aqui com uma só ocupação não deve nos iludir de que o enfrentamento não venha numa escala maior. Atacar uma ocupação isolada também é uma estratégia em um contexto de ofensiva contra a luta por moradia. Pois uma ocupação despejada num único mês ou semana não traz a mesma mobilização que diversas ocupações despejadas teriam no mesmo tempo. Assim, enquanto isola e ataca os moradores do imóvel na rua Luiz Gonzaga 600, o conflito é reduzido a uma só comunidade diante de uma política que visa atacar muitas.

Enquanto o governo do estado e o do município planejam atacar ocupações e comunidades, já anunciado no decreto 44.557 do prefeito Crivella, eles parecem atacar um a um os conjuntos habitacionais, para que não haja uma mobilização de porte mínimo o suficiente para atrapalhar seus planos. Mesmo assim, a classe trabalhadora segue lutando e o fundamental é a necessidade de solidariedade que surge nesse momento. Os moradores da Vila São Jorge continuam acampados e realizado periódicos fechamentos de rua para chamar a atenção e pressionar por seu direito à habitação. Pedem ajuda com doações e apoio de pessoas no local. É importante que todos que atuam e lutam pela classe trabalhadora apoiem esses moradores, como resistência à política de despejos e ofensiva à habitação do município e governo do RJ.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here