Leia via RSS! Siga o Passa Palavra no Twitter! Inscreva-se na nossa página do Facebook

Atestado de honestidade

maio 25, 2013  
Categoria: Flagrantes Delitos

Na primeira aula do seu curso a professora universitária disse aos alunos que uma das coisas que ela mais queria com aquela turma era criar uma relação de honestidade recíproca. Todos concordaram. Na segunda aula ela não compareceu e mandou que uma aluna da universidade avisasse a turma. No horário da aula compareceu à sala a garota do recado, que disse: “A professora não vem, pois está muito cansada. Ela poderia ter mentido, mas não o fez porque é honesta.” Passa Palavra

Criança de rua

maio 22, 2013  
Categoria: Flagrantes Delitos

Um lobo marinho apareceu na praia e por ali ficou uns dias. Em poucas horas universitários e outros voluntários organizaram um grande esquema de segurança e de cuidados 24 horas por dia para o bicho. Uma colega de trabalho contava, felicíssima, que era mais uma das voluntárias. Disse-lhe que isso tudo me causava estranheza, pois não há nada parecido no município para as crianças de rua. Ela então me respondeu: “É que criança a gente vê todo dia.” Passa Palavra

Presente para a chefe

maio 18, 2013  
Categoria: Flagrantes Delitos

Antes de iniciar os trabalhos a palestrante distribui alguns livros de sua autoria e catálogos de sua própria editora. Só dizendo: “Veja e repasse.” Ao término ela pede para ver quem está com os materiais e diz a todos que aquilo são presentes dela para a plateia. Rapidamente, aqueles que estão com livros se dirigem a ela para que os autografe. A palestrante está sentada e a fila vai andando até que chega uma moça com um dos catálogos e pede autógrafo. Ela olha surpresa e a moça diz: “A sua palestra foi linda, a minha chefe gostaria muito de estar aqui mas não pode, então vou levar isso de presente para ela.” Sem dizer nada ela autografa o catálogo e continua com a mesma cara de surpresa. Passa Palavra

Sangue no olho

maio 15, 2013  
Categoria: Flagrantes Delitos

Oscar Niemeyer foi preso pela ditadura militar em 1964. No interrogatório, perguntaram-lhe como havia ganho tanto dinheiro. “Dando o cu”, respondeu Oscar. Na versão datilografada, o escrivão anotou: ”[…] quando perguntado como havia auferido tantos resultados financeiros, o inquirido afirmou que praticando a pederastia passiva”. Oscar se recusou a assinar. “Eu não disse isso. Disse dando o cu”. Passa Palavra

Heterofobia

maio 12, 2013  
Categoria: Flagrantes Delitos

Um pergunta ao outro: “Existe heterofobia?” E o outro responde: “Impossível! Assim como não existe a possibilidade da burguesia reclamar que sofre preconceito de classe. Os heterossexuais só reclamam de heterofobia quando perdem hegemonia no espaço.” Passa Palavra

Indignado

maio 8, 2013  
Categoria: Flagrantes Delitos

Ensinaram-me que a vida é feita para subir, não para avançar em arco cercando a presa que tem valor de comida. Não um subir à maneira de Sísifo, porque Sísifo não ultrapassa obstáculos a passo cruel – antes vive os obstáculos como parte das vitórias sobre si mesmo. Ensinaram-me que os obstáculos são os outros, que o meu caminho só pode ser feito de olhos postos nos poucos que vão à frente, e que o sangue na esteira dos meus passos e dos meus silêncios é a cor natural deles, como a de um qualquer poente. A isso chamam concorrência; os capitais fracos morrem às mãos dos capitais fortes. Agora, que me meteram em casa a instabilidade e o outsourcing, que me fazem parecer com os proletários sem ser proletário, revejo tudo isso e protesto em cortejos de solidões, numa multidão de fragmentos. Não vejo horizonte para este vácuo e fico deprimido, impotente. Se estamos no meio de coisa nenhuma, porque nos chamam “classe média”? Passa Palavra

Meus patrões são comunistas

maio 4, 2013  
Categoria: Flagrantes Delitos

Veio de muito longe para estudar. Era pobre e já não tinha pai. Largou o emprego e a casa da mãe para seguir um sonho. Seu primeiro trabalho na nova cidade foi de babá. Trabalhava para um casal de professores universitários e comunistas. Brincava dizendo aos amigos que ainda vestiria uma camiseta escrita “meus patrões são comunistas”. Não conseguindo bolsa alguma na universidade, desanimou-se com tudo aquilo. Chocou os amigos a notícia de sua partida; ela havia resolvido largar a faculdade e o trabalho de babá e retornar à casa da mãe. Na festa de despedida contou que não aguentava mais aquela situação, que havia começado como babá, mas os patrões já a obrigavam a passar a roupa de toda a família e a lavar as louças da casa, isso tudo com o mesmo mísero salário e sem carteira assinada. Por Passa Palavra

Piada machista

maio 1, 2013  
Categoria: Flagrantes Delitos

Em roda os trabalhadores aguardavam o horário para bater o cartão e contavam piadas para não ver o tempo passar. Um colega chega e vai logo perguntando: “Qual a diferença entre o casamento e a guerra?” Ninguém arrisca e ele emenda: “Na guerra você não é obrigado a comer o inimigo.” Alguns riem e uma das presentes sai logo dizendo que não gostou da piada porque é machista. Duas outras riem e cochicham. Ela pergunta às duas se também não acharam a piada machista e respondem que não. Ela então diz para prestarem bem atenção na piada. Uma das que riam olha bem na cara dela e diz o seguinte: “Nós entendemos a piada. Acontece que come quem tem boca, e nós, mulheres, temos três.” Ela sai da roda dizendo: “Nossa Senhora!” Passa Palavra

Em maiúsculas

abril 27, 2013  
Categoria: Flagrantes Delitos

“Gosto das mulheres que não leram Malcom. Seus papos retos também desconhecem Beauvoir. Organizam-se sem saber dos marcos políticos-organizativos referendados em siglas revolucionárias. São intelectuais orgânicas que escrevem a história em caixa alta, sem espaçamentos e recuos, ao contrário das ‘politizadas’, de ‘verbos no mais que perfeito’ que em fonte 12, justificadas por eufemismos vão dizendo sob resumo suas reticências acerca das outras mulheres. As daqui, não têm muitos livros em casa, mas não deixam lacunas nas sociabilidades. Substantivas que só, não têm tempo para desconstrução da ‘sujeita’ na terceira pessoa do plural. São intransitivas. O seu bom senso é de interjeição: Tomara que eu não encontre com X. Enfim: Não fazem discurso libertário ou entram em resenhas críticas, nada feministas, para enquadrar sexualidades e identidades estéticas pouco atrativas àquele habitus. As mulheres daqui da rua, na moral, são maravilhosas.” Carla Akotirene Santos

Má-fé

abril 24, 2013  
Categoria: Flagrantes Delitos

Ele perguntava aos alunos qual é o único contrato que a má-fé não invalida. Os alunos insistiam que não existe essa possibilidade, que a má-fé invalida qualquer contrato. «E o contrato eleitoral?», lembrava ele. «Nenhuma eleição fica nula se se provar que o candidato não tinha intenção de cumprir as promessas». O mistério é por que o ritual se repete de quatro em quatro anos. Mistério maior é saber por que devemos considerar isso uma grande vitória. Passa Palavra

Próximo »