Trocando as bolas II

No curso de Agroecologia, na disciplina de Manejo Animal, o professor explicava que um terneiro nascido com sérias deficiências físicas era obrigatoriamente morto e descartado da produção; eis que o aluno pergunta: “Professor, se fosse um filho seu você descartaria?” Passa Palavra

O lugar das pessoas nas agendas “verde”, “marrom” e “azul”: Sobre a dimensão geopolítica da política ambiental urbana

Uma questão se impõe: como deixar de fazer com que, de uma perspectiva comprometida com a justiça social, as preocupações com “degradação ambiental” pareçam uma falsa questão ou um conveniente diversionismo ideológico com conteúdo reacionário e antipopular? Por Marcelo Lopes de Souza

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Seja um fiscal da lei

Dirigia. Adiante, uma blitz: mais ou menos umas cinco viaturas e o dobro de policiais. Sinalizaram que parasse. Parou. Aproximam-se, então, umas vinte crianças, todas vestidas com o uniforme de uma escola particular da cidade; vestem, ainda, por cima do uniforme escolar, aqueles coletes verdes florescentes da Polícia Militar. Uma das crianças se aproxima, acompanhada por um policial e uma moça que carrega uma máquina fotográfica (provavelmente uma professora), e lhe entrega um daqueles saquinhos de lixo para carros. “É pra não jogar lixo na rua”, diz, sorridente, a criança. Agradeceu e sorriu de volta… Que mais poderia fazer? No saquinho está escrito: “Blitz educativa! Para um trânsito melhor!” Dentro dele: 1) um adesivo, em que está estampada a foto de uma viatura, com destaque para o número do celular da mesma, indicando ainda o batalhão e o quadrante da viatura. Nos cantos, marcas de patrocinadores (empresas da região: uma drogaria, um bar etc.); 2) um folheto com “dicas para evitar o roubo de seu veículo”; 3) um outro folheto, que diz: “seja um colaborador da segurança pública da sua comunidade”. Na primeira página do folheto, diz: “Não seja uma vítima fácil. Seja um fiscal da lei.” Além de outras coisas, o folheto ensina o “cidadão” a observar “pessoas em atitude suspeita” e, em seguida, a ligar para a polícia (as últimas páginas do folheto apresentam, ainda, uma lista de “telefones úteis”: de outras viaturas de outros batalhões, dos bombeiros, do SAMU etc.). A moça com a máquina fotográfica na mão, também sorridente, diz para a criança: “Fica perto do moço pra gente tirar uma foto!” Respondeu: “Não, não! Prefiro não tirar a foto!” Diante da frustração, da moça e da criança, seguiu viagem. Passa Palavra

Flatulências

Esta notícia enche-nos de satisfação. De agora em diante, os arrotos das vacas já podem ser uma fonte de energia alternativa. Ainda para mais tendo a certeza de que serão respeitadas «as questões éticas e de bem-estar animal». E o problema é tanto mais urgente quanto sabemos de fonte segura que os puns das vacas, imaginamos que dos bois também, aumentam o efeito estufa. Só nos parece que o mesmo sistema poderá, com vantagem, aplicar-se às flatulências dos humanos. Ah, que alívio, peidarmo-nos sabendo que estamos assim a contribuir para a salvação do planeta! Passa Palavra