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	Comentários sobre: Marxismo e nacionalismo (III): O Partido Comunista alemão e a extrema-direita nacionalista	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Pedro Irio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-709665</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pedro Irio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Jan 2021 18:03:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Curiosamente você citando os escritos estéticos do Lukács - são ótimos -, mas também ficou reduzido às aulas de estética e história da arte reduzida em torno do velho marxista magiar.

Muito obrigado pela sua explicação da situação existente entre os marxistas.
Abraços fraternos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Curiosamente você citando os escritos estéticos do Lukács &#8211; são ótimos -, mas também ficou reduzido às aulas de estética e história da arte reduzida em torno do velho marxista magiar.</p>
<p>Muito obrigado pela sua explicação da situação existente entre os marxistas.<br />
Abraços fraternos</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-709560</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jan 2021 22:29:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Pedro Irio,

O grande problema com os marxistas — não com Marx, mas com os marxistas — é que deixam de usar as contradições e a perspectiva histórica, ou seja, deixam de usar a dialéctica quando chegam a Marx ou a qualquer outro personagem da sua devoção. No &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt; eu sou muito crítico de Trotsky no que diz respeito à orientação económica que ele defendeu a seguir a Outubro de 1917 e durante a guerra civil, e critico também as contorções e distorções que foi operando ao longo do tempo na sua tese inicial da revolução permanente. Mas elogio muito as análises a que ele procedeu sobre o fascismo. Considero que na época, entre os marxistas, não houve ninguém que tivesse entendido tão bem o fascismo como Trotsky. O mesmo se passa com Lukács. A &lt;em&gt;História e Consciência de Classe&lt;/em&gt;, que eu li muito novo, influenciou-me para o resto da vida. Comprei o livro ainda no Portugal de Salazar, na edição francesa, vendida à socapa numa livraria que fazia isso aos clientes em quem tinha confiança. A &lt;em&gt;Destruição da Razão&lt;/em&gt; abriu-me os olhos para muita coisa e não gostei de outras, assim como lhe critico algumas lacunas, mas não sucede isto com tudo na vida? Quanto às obras de Lukács sobre a literatura francesa e o realismo, foram feitas para servir os donos. Ele corta Balzac a meio, usa só a parte aceitável, escamoteia o resto e, no final, desvirtua completamente o romancista. Mas que outra coisa poderíamos esperar? Lukács optou pela sobrevivência, e os ziguezagues a que procedeu foram a condição para não sair do seu país e se manter vivo. Toda a história do marxismo ficaria mais clara e mais compreensível se reconhecêssemos que os seus personagens são humanos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Pedro Irio,</p>
<p>O grande problema com os marxistas — não com Marx, mas com os marxistas — é que deixam de usar as contradições e a perspectiva histórica, ou seja, deixam de usar a dialéctica quando chegam a Marx ou a qualquer outro personagem da sua devoção. No <em>Labirintos do Fascismo</em> eu sou muito crítico de Trotsky no que diz respeito à orientação económica que ele defendeu a seguir a Outubro de 1917 e durante a guerra civil, e critico também as contorções e distorções que foi operando ao longo do tempo na sua tese inicial da revolução permanente. Mas elogio muito as análises a que ele procedeu sobre o fascismo. Considero que na época, entre os marxistas, não houve ninguém que tivesse entendido tão bem o fascismo como Trotsky. O mesmo se passa com Lukács. A <em>História e Consciência de Classe</em>, que eu li muito novo, influenciou-me para o resto da vida. Comprei o livro ainda no Portugal de Salazar, na edição francesa, vendida à socapa numa livraria que fazia isso aos clientes em quem tinha confiança. A <em>Destruição da Razão</em> abriu-me os olhos para muita coisa e não gostei de outras, assim como lhe critico algumas lacunas, mas não sucede isto com tudo na vida? Quanto às obras de Lukács sobre a literatura francesa e o realismo, foram feitas para servir os donos. Ele corta Balzac a meio, usa só a parte aceitável, escamoteia o resto e, no final, desvirtua completamente o romancista. Mas que outra coisa poderíamos esperar? Lukács optou pela sobrevivência, e os ziguezagues a que procedeu foram a condição para não sair do seu país e se manter vivo. Toda a história do marxismo ficaria mais clara e mais compreensível se reconhecêssemos que os seus personagens são humanos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pedro Irio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-709539</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pedro Irio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jan 2021 19:55:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Seus apontamentos críticos sobre Trotsky são geniais!
Aproveitando para fazer um elogio de caráter pessoal com uma pequena confissão. 

Minha formação foi na Fundação Santo André que era reduto de professores de extração lukacsiana. E foi me ensinado sobre fascismo, prussianismo e integralismo tudo a partir das reflexões do livro a &quot;Destruição da Razão&quot; e nas reflexões do livro do José Chasin sobre o &quot;Integralismo de Plínio Salgado&quot;. Há uns quatro-cinco anos conversando com um amigo relembrando da vida universitária falávamos como era uma heresia alguém discordar destas análises. E hoje estudando seu livro estou adorando seus apontamentos que você faz sobre Lukács. Estudo e debate que meus amigos e eu não tivemos na vida universitária.

Diante da recente publicação inédita do livro do Lukács em língua portuguesa, saúdo a publicação de seu livro.

Abraços fraternos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Seus apontamentos críticos sobre Trotsky são geniais!<br />
Aproveitando para fazer um elogio de caráter pessoal com uma pequena confissão. </p>
<p>Minha formação foi na Fundação Santo André que era reduto de professores de extração lukacsiana. E foi me ensinado sobre fascismo, prussianismo e integralismo tudo a partir das reflexões do livro a &#8220;Destruição da Razão&#8221; e nas reflexões do livro do José Chasin sobre o &#8220;Integralismo de Plínio Salgado&#8221;. Há uns quatro-cinco anos conversando com um amigo relembrando da vida universitária falávamos como era uma heresia alguém discordar destas análises. E hoje estudando seu livro estou adorando seus apontamentos que você faz sobre Lukács. Estudo e debate que meus amigos e eu não tivemos na vida universitária.</p>
<p>Diante da recente publicação inédita do livro do Lukács em língua portuguesa, saúdo a publicação de seu livro.</p>
<p>Abraços fraternos</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-320939</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Dec 2017 11:35:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-320869&quot;&gt;ulisses&lt;/a&gt;.

Pedrosa já não era trotskista quando Tragtenberg passou a ser convidado para este tipo de eventos, lá pelo final dos anos 1970. Tinha os contatos, ajudou na fundação da Convergência Socialista a partir do exílio, mas já não se dizia mais trotskista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-320869">ulisses</a>.</p>
<p>Pedrosa já não era trotskista quando Tragtenberg passou a ser convidado para este tipo de eventos, lá pelo final dos anos 1970. Tinha os contatos, ajudou na fundação da Convergência Socialista a partir do exílio, mas já não se dizia mais trotskista.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Breno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-320871</link>

		<dc:creator><![CDATA[Breno]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Dec 2017 22:53:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Obrigado, João Bernardo.

Sugestões preciosas. Lerei todas.

Cordialmente]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado, João Bernardo.</p>
<p>Sugestões preciosas. Lerei todas.</p>
<p>Cordialmente</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-320869</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Dec 2017 21:21:33 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=5364#comment-320869</guid>

					<description><![CDATA[Secundando JB

Leon Trotsky, OBRAS:
INFORME DE LA DELEGACIÓN SIBERIANA
https://www.marxists.org/espanol/trotsky/1903/info.htm
NUESTRAS TAREAS POLÍTICAS
https://www.marxists.org/espanol/trotsky/1904/tareas.htm

Noves fora Mario Pedrosa (&quot;não é esse em quem estão pensando&quot;), quem seria &quot;o outro, mais velho&quot;?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Secundando JB</p>
<p>Leon Trotsky, OBRAS:<br />
INFORME DE LA DELEGACIÓN SIBERIANA<br />
<a href="https://www.marxists.org/espanol/trotsky/1903/info.htm" rel="nofollow ugc">https://www.marxists.org/espanol/trotsky/1903/info.htm</a><br />
NUESTRAS TAREAS POLÍTICAS<br />
<a href="https://www.marxists.org/espanol/trotsky/1904/tareas.htm" rel="nofollow ugc">https://www.marxists.org/espanol/trotsky/1904/tareas.htm</a></p>
<p>Noves fora Mario Pedrosa (&#8220;não é esse em quem estão pensando&#8221;), quem seria &#8220;o outro, mais velho&#8221;?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-320846</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Dec 2017 11:06:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=5364#comment-320846</guid>

					<description><![CDATA[Breno,
Na segunda versão, disponível na internet, deve consultar as págs. 615-667.
Já agora, aproveito para algumas considerações. Trotsky foi um teórico muito interessante, com um pensamento ágil e criativo, mas precisamente por isso evoluiu bastante, as suas opiniões transformaram-se e em alguns aspectos são francamente contraditórias. Porém, enquanto dirigente político ele pretendeu apresentar-se como feito de uma só peça, o que o levou a contorções e acrobacias, dando o dito por não dito e pretendendo mascarar certas posições que tivera anteriormente. Pior ainda, pretendeu fazer esquecer algumas obras suas, especialmente o Relatório da Delegação Siberiana e As Nossas Tarefas Políticas. A este respeito, há uma história curiosa, que me contou Maurício Tragtenberg. Um conhecido intelectual trotskista (não, não é esse em quem estão pensando; é o outro, mais velho) organizou um congresso sobre a obra de Trotsky e convidou o Maurício a apresentar uma comunicação. O Maurício aceitou, mas com a condição de ser acerca de As Nossas Tarefas Políticas. O organizador disse-lhe que não tinha nenhuma objecção, o Maurício apresentou a comunicação, houve o debate habitual, tudo parecia ter corrido da melhor maneira, só que quando saiu o livro que reunia as comunicação, a do Maurício tinha sido suprimida. E sem que o tivessem prevenido. Como há muito mais pessoas a ler um livro do que a assistir às sessões de um congresso, a tesoura da censura funcionou onde era mais eficaz.
É que, se Trotsky se sentia na necessidade de esconder algumas obras suas ou de adulterar o conteúdo de outras, a questão é ainda mais premente para os discípulos. Se os leitores do Passa Palavra lerem as duas obras que mencionei (ignoro se existem traduções em português) compreenderão porquê. Ou se lerem Terrorismo e Comunismo. Ou se conhecerem a defesa sistemática do trabalho forçado como via para o comunismo. Quanto a isto, os leitores interessados poderão consultar as págs. 484-494 da segunda versão do Labirintos do Fascismo. Seria interessante que os trotskistas brasileiros divulgassem agora o discurso de Trotsky no 9º Congresso do Partido Comunista russo e a sua intervenção no 3º Congresso Pan-Russo dos Sindicatos. Aqui deixo a sugestão.
No entanto, a agilidade intelectual e a criatividade de Trotsky impedem que ele fique confinado em posições absolutas. Se alguém tiver lido o Labirintos do Fascismo verá que, entre os teóricos daquela época, considero que foram Franz Neumann e Trotsky quem mais longe chegou na compreensão do fenómeno fascista. Mas Neumann restringiu-se à análise do nacional-socialismo alemão, enquanto Trotsky analisou o fascismo globalmente, e se discordo de algumas vertentes da sua análise, não é por isso que não a considero muito interessante e, aliás, indispensável.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Breno,<br />
Na segunda versão, disponível na internet, deve consultar as págs. 615-667.<br />
Já agora, aproveito para algumas considerações. Trotsky foi um teórico muito interessante, com um pensamento ágil e criativo, mas precisamente por isso evoluiu bastante, as suas opiniões transformaram-se e em alguns aspectos são francamente contraditórias. Porém, enquanto dirigente político ele pretendeu apresentar-se como feito de uma só peça, o que o levou a contorções e acrobacias, dando o dito por não dito e pretendendo mascarar certas posições que tivera anteriormente. Pior ainda, pretendeu fazer esquecer algumas obras suas, especialmente o Relatório da Delegação Siberiana e As Nossas Tarefas Políticas. A este respeito, há uma história curiosa, que me contou Maurício Tragtenberg. Um conhecido intelectual trotskista (não, não é esse em quem estão pensando; é o outro, mais velho) organizou um congresso sobre a obra de Trotsky e convidou o Maurício a apresentar uma comunicação. O Maurício aceitou, mas com a condição de ser acerca de As Nossas Tarefas Políticas. O organizador disse-lhe que não tinha nenhuma objecção, o Maurício apresentou a comunicação, houve o debate habitual, tudo parecia ter corrido da melhor maneira, só que quando saiu o livro que reunia as comunicação, a do Maurício tinha sido suprimida. E sem que o tivessem prevenido. Como há muito mais pessoas a ler um livro do que a assistir às sessões de um congresso, a tesoura da censura funcionou onde era mais eficaz.<br />
É que, se Trotsky se sentia na necessidade de esconder algumas obras suas ou de adulterar o conteúdo de outras, a questão é ainda mais premente para os discípulos. Se os leitores do Passa Palavra lerem as duas obras que mencionei (ignoro se existem traduções em português) compreenderão porquê. Ou se lerem Terrorismo e Comunismo. Ou se conhecerem a defesa sistemática do trabalho forçado como via para o comunismo. Quanto a isto, os leitores interessados poderão consultar as págs. 484-494 da segunda versão do Labirintos do Fascismo. Seria interessante que os trotskistas brasileiros divulgassem agora o discurso de Trotsky no 9º Congresso do Partido Comunista russo e a sua intervenção no 3º Congresso Pan-Russo dos Sindicatos. Aqui deixo a sugestão.<br />
No entanto, a agilidade intelectual e a criatividade de Trotsky impedem que ele fique confinado em posições absolutas. Se alguém tiver lido o Labirintos do Fascismo verá que, entre os teóricos daquela época, considero que foram Franz Neumann e Trotsky quem mais longe chegou na compreensão do fenómeno fascista. Mas Neumann restringiu-se à análise do nacional-socialismo alemão, enquanto Trotsky analisou o fascismo globalmente, e se discordo de algumas vertentes da sua análise, não é por isso que não a considero muito interessante e, aliás, indispensável.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Breno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-320787</link>

		<dc:creator><![CDATA[Breno]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Dec 2017 14:30:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A respeito das críticas ao trotskismo, quais páginas da nova edição do Labirintos do Fascismo correspondem àquelas citadas pelo JB?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A respeito das críticas ao trotskismo, quais páginas da nova edição do Labirintos do Fascismo correspondem àquelas citadas pelo JB?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: N.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-308229</link>

		<dc:creator><![CDATA[N.]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Dec 2015 18:08:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A respeito da posição dos comunistas alemães, ano passado, 2014, circulou um texto que serviu como fundamento para algumas lideranças do PSOL apoiarem a Dilma Rousseff no 2 turno das eleições.
Curiosamente, o referido texto (link no final) ignora a questão do nacionalismo no interior do partido comunista alemão e se refere à política da III internacional e do partido comunista como &#039;uma linha política ultra-esquerdista, de “classe contra classe&quot;. 
Ignoram as questões levantadas pelo artigo aqui no Passa Palavra

Att.

segue o link
http://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=8&#038;id_noticia=13551]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A respeito da posição dos comunistas alemães, ano passado, 2014, circulou um texto que serviu como fundamento para algumas lideranças do PSOL apoiarem a Dilma Rousseff no 2 turno das eleições.<br />
Curiosamente, o referido texto (link no final) ignora a questão do nacionalismo no interior do partido comunista alemão e se refere à política da III internacional e do partido comunista como &#8216;uma linha política ultra-esquerdista, de “classe contra classe&#8221;.<br />
Ignoram as questões levantadas pelo artigo aqui no Passa Palavra</p>
<p>Att.</p>
<p>segue o link<br />
<a href="http://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=8&#038;id_noticia=13551" rel="nofollow ugc">http://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=8&#038;id_noticia=13551</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/5364/#comment-246002</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Aug 2014 22:11:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nantess0r,
Não tenho conhecimento de nenhum documento desse teor emanado dos trotskistas durante a guerra civil. De qualquer modo, a IV Internacional foi irrelevante em Espanha nessa época, porque o desenvolvimento do POUM impediu o crescimento do trotskismo. Conheço, isso sim, um documento contrário aos judeus e emanado da direcção da central sindical anarquista. Tratei desse assunto nas págs. 727-730 do meu livro &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo. Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta&lt;/em&gt; (Porto: Afrontamento, 2003). Para quem não disponha da obra, transcrevo em seguida a passagem correspondente da versão que tenho em computador e que, aliás, é mais completa e detalhada do que a versão impressa. Poderemos assim entender o contexto em que se inseriu esse espantoso documento.
&lt;blockquote&gt;
Mariano Rodríguez Vázquez, conhecido por Marianet, depois de desempenhar as funções de secretário do Comité Regional da CNT [Confederación Nacional del Trabajo, central sindical anarquista] da Catalunha foi secretário do Comité Nacional a partir de Novembro de 1936, até morrer acidentalmente em Junho de 1939, já no exílio em França. Estava longe de ser um personagem insignificante, pois em Setembro de 1936 fora consideravelmente reforçada a autoridade do Comité Nacional da CNT e a sua autonomia de decisão. Depois de lhe chamar «um magnífico militante», Cipriano Mera comentou que ele «levou consigo para a sepultura bastantes segredos do período da nossa guerra» &lt;strong&gt;[1]&lt;/strong&gt;. Pois foi Marianet, ocupando um cargo dotado de significativos poderes e de grandes responsabilidades, quem escreveu em Maio de 1938: «Em Espanha existiam duas potências económicas, a dos judeus e a dos jesuítas. A dos judeus era quase toda formada por capital estrangeiro. A dos jesuítas surgia na maior parte dos casos como capital nacional». O assunto tinha actualidade porque Franco acabara de promulgar, a 3 de Maio, um decreto autorizando o regresso dos jesuítas. Era perfeitamente natural que os anarco-sindicalistas se opusessem a todas as Ordens religiosas, os inimigos de sempre, mas pode parecer estranho que, em nome da sua organização, o secretário nacional da CNT recusasse qualquer política destinada a promover o regresso dos judeus. «É necessário deixar bem claro que nós não podemos apelar e envidar esforços para a abolição do velho edicto que ordena a expulsão dos judeus de Espanha, nem para abrir as portas do país a todos os que aqui quiserem vir estabelecer-se. Não podemos fazer isso porque seria indubitavelmente uma das decisões mais contra-revolucionárias que poderíamos adoptar. Sabemos perfeitamente que de imediato se estabeleceria aqui um capitalismo de enorme importância, renascendo assim, e por este motivo, os velhos sistemas de exploração [...] À margem desta questão de princípio, pode ser feito todo o trabalho de atracção, de propaganda e de divulgação que se quiser nos meios sefarditas, se bem que tenhamos de concordar que nenhum judeu é fascista» &lt;strong&gt;[2]&lt;/strong&gt;. A que se refere este documento, que a um leitor de hoje pode parecer extraordinário? Quem pretendia então reintroduzir os judeus em Espanha? 

Nunca houve fascismo sem uma frustração imperialista, e se a debilidade militar impedia a conquista de novos territórios restava o recurso ao expansionismo cultural. Como a Espanha perdera no final do século XIX os últimos despojos de um império moribundo, os meios oficiais iniciaram uma orientação pró-judaica, passando a apresentar como promotores da língua e da civilização hispânicas os sefarditas que há vários séculos tinham sido obrigados a abandonar a península. Também o jovem fascismo espanhol se idealizou como um centro de emanação civilizacional, e neste sentido foi muito activa &lt;em&gt;La Gaceta Literaria&lt;/em&gt;, dirigida por Ernesto Giménez Caballero &lt;strong&gt;[3]&lt;/strong&gt;. Em 1929, precisamente no mesmo ano em que introduziu em Espanha a ideologia mussoliniana, Giménez Caballero partiu com o apoio do governo fascizante do general Primo de Rivera para uma missão destinada a restabelecer os laços com as comunidades sefarditas dos Balcãs, da Turquia e da Itália e continuou em seguida a promover as relações culturais com os judeus de origem ibérica disseminados pelo mundo &lt;strong&gt;[4]&lt;/strong&gt;. 

Entre os demais fascistas de renome o anti-semitismo era raro antes da guerra civil, manifestado apenas por Onésimo Redondo, para cuja formação ideológica fora decisiva a influência do nacional-socialismo alemão &lt;strong&gt;[5]&lt;/strong&gt;. Depois, quando os militares e as armas nazis se revelaram cruciais para as esperanças de vitória nacionalistas, a hostilidade aos judeus foi difundida pela propaganda falangista, para ser abandonada quando deixaram de precisar do apoio do Terceiro Reich &lt;strong&gt;[6]&lt;/strong&gt;. O anti-semitismo fora um mero expediente, indispensável para congraçar um aliado poderoso, e nem sequer impediu que vários judeus fascistas italianos se oferecessem como voluntários para combater do lado franquista durante a guerra civil &lt;strong&gt;[7]&lt;/strong&gt;. 

Liquidada a última resistência republicana, Franco retomou as tentativas de hegemonização dos meios sefarditas no estrangeiro &lt;strong&gt;[8]&lt;/strong&gt;. Entre os judeus de Salónica, por exemplo, contavam-se cerca de seis centenas com a nacionalidade espanhola e foram os membros mais ricos desta comunidade quem financiou a inauguração de uma secção da Falange, em Abril de 1943 &lt;strong&gt;[9]&lt;/strong&gt;. Compreende-se, assim, que quando os ocupantes nazis decretaram a aniquilação de todos os judeus da Grécia, os representantes diplomáticos de Franco tivessem encetado negociações para conseguir que os judeus espanhóis fossem internados em condições relativamente favoráveis num campo de concentração onde não existiam instalações de extermínio, salvando a vida de mais de metade &lt;strong&gt;[10]&lt;/strong&gt;. E quando a Wehrmacht e os SS ocuparam a Hungria em Março de 1944, o governo de Madrid contou-se entre os que intercederam junto às novas autoridades magiares em defesa da comunidade judaica, ameaçada de extermínio imediato &lt;strong&gt;[11]&lt;/strong&gt;. Aliás, durante aqueles anos terríveis houve judeus a encontrar refúgio em Espanha &lt;strong&gt;[12]&lt;/strong&gt;, e no final de 1943 ou nos primeiros meses de 1944 Franco permitiu a abertura de campos de abrigo temporário para os acolher &lt;strong&gt;[13]&lt;/strong&gt;. Não espanta que ao comunicarem aos Aliados, na Primavera de 1944, o plano de trocar por dez mil camiões a vida de um milhão de judeus, os SS tivessem mencionado a Espanha como o país que haveria de receber inicialmente esta massa humana &lt;strong&gt;[14]&lt;/strong&gt;. Por um lado tratava-se de uma nação neutral e com a qual os nazis mantinham boas relações, por outro lado contava o filo-semitismo do regime franquista. Não foi uma das menos portentosas circunvoluções deste labirinto sanguinário que ao mesmo tempo que em Espanha os fascistas surgiam como protectores dos judeus e promotores da cultura sefardita, entre os dirigentes máximos dos sindicatos anarquistas se tivesse manifestado o anti-semitismo. 

&lt;strong&gt;Notas&lt;/strong&gt;

&lt;strong&gt;[1]&lt;/strong&gt; C. Mera (2006) 341.
&lt;strong&gt;[2]&lt;/strong&gt; Citado por F. Mintz (1977) 212.
&lt;strong&gt;[3]&lt;/strong&gt; M. Franco (2004) 128-129, 132; H. R. Southworth (1967) 33.
&lt;strong&gt;[4]&lt;/strong&gt; H. R. Southworth (1967) 32-34. Isto não impediu Giménez Caballero de pretender, em 1935, que o carácter internacional da arquitectura funcionalista era «fruto do espírito judaico». Ver A. Llorente Hernández (1995) 22. Mas talvez ele considerasse que entre os sefarditas prevalecia a cultura ibérica e não o cosmopolitismo.
&lt;strong&gt;[5]&lt;/strong&gt; R. Griffin (org. 1995) 185 observou que «em geral, na ideologia falangista, tal como no franquismo, não se encontravam tensões anti-semitas e eugenistas». Este autor, porém, não mencionou Onésimo Redondo como uma das excepções. Acerca do anti-semitismo de Redondo ver H. R. Southworth (1967) 34-35. Por seu lado, S. G. Payne (1961) 15-16 chamou a atenção para a influência do nacional-socialismo alemão sobre Redondo.
&lt;strong&gt;[6]&lt;/strong&gt; H. R. Southworth (1967) 36. «[...] Franco só simpatizou com Hitler durante a guerra e não apoiou a sua política de exterminação dos judeus», escreveu S. Wiesenthal (1989) 168.
&lt;strong&gt;[7]&lt;/strong&gt; R. De Felice (1977) 235.
&lt;strong&gt;[8]&lt;/strong&gt; H. R. Southworth (1967) 36.
&lt;strong&gt;[9]&lt;/strong&gt; R. Hilberg (1961) 447-448.
&lt;strong&gt;[10]&lt;/strong&gt; Id., ibid., 448 indicou que dos cerca de seiscentos judeus espanhóis residentes em Salónica sobreviveram trezentos e sessenta e cinco.
&lt;strong&gt;[11]&lt;/strong&gt; Id., ibid., 549.
&lt;strong&gt;[12]&lt;/strong&gt; Id., ibid., 413.
Num relatório enviado a Salazar com data de 29 de Julho de 1944 o embaixador português em Espanha deu conta de «um caso vergonhoso passado em Barcelona no dia 18. Trinta falangistas armados assaltaram num hotel os quartos em que um português judeu chamado Sequerra tinha os escritórios, como delegado da nossa Cruz Vermelha e do comité americano de auxílio judaico, e destruíram tudo com uma fúria canibalesca. Foi uma sorte o homem não estar». E o embaixador comentou: «O Sequerra deve ter sido atacado não por português, mas por se ocupar dos judeus americanos». Ver Presidência do Conselho de Ministros, Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista (org. 1987-1991) IV 591. O diplomata português cometeu várias imprecisões, porque na verdade actuavam em Barcelona desde 1942 não um Sequerra mas dois, os irmãos Joel e Samuel, que se ocupavam tanto dos refugiados judeus como não judeus, conseguindo salvar aproximadamente um milhar de pessoas, e que no total foram alvo não de um mas de três atentados, escapando sempre indemnes. Concluo que a expedição punitiva a que se referiu o embaixador não teve o aval das autoridades e decerto se deveu a um sector nazi da Falange, porque os Sequerra conseguiam dispor de numerosos apoios nos meios oficiais. Ver a este respeito N. Menda (2002) 14-16. Também o facto de ambos os irmãos terem permanecido em Espanha até depois do final da guerra revela que a sua acção em prol dos refugiados não deparou com qualquer veto governamental.
&lt;strong&gt;[13]&lt;/strong&gt; I. F. Stone em &lt;em&gt;The Nation&lt;/em&gt;, 10 de Junho de 1944, reproduzido em K. V. Heuvel et al. (orgs. 1994) 247.
&lt;strong&gt;[14]&lt;/strong&gt; L. Brenner (1983) 252.

&lt;strong&gt;Referências&lt;/strong&gt;

Lenni BRENNER (1983) &lt;em&gt;Zionism in the Age of the Dictators&lt;/em&gt;, Londres e Canberra: Croom Helm, Westport: Lawrence Hill.
Renzo DE FELICE (1977) &lt;em&gt;Storia degli Ebrei Italiani sotto il Fascismo&lt;/em&gt;, 2 vols., [s. l.]: Arnoldo Mondadori.
Manuela FRANCO (2004) «Diversão Balcânica: Os Israelitas Portugueses de Salónica», &lt;em&gt;Análise Social&lt;/em&gt;, XXXIX, nº 170.
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Katrina Vanden HEUVEL e Hamilton dos SANTOS (orgs. 1994) &lt;em&gt;O Perigo da Hora. O Século XX nas Páginas do&lt;/em&gt; The Nation, São Paulo: Scritta.
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Nelson MENDA (2002) «Os Irmãos Sequerra. A Fantástica História dos Gêmeos Samuel e Joel», &lt;em&gt;Semana Judaica&lt;/em&gt;, nº 218, 12-18 de Maio de 2002.
Cipriano MERA (2006) &lt;em&gt;Guerra, Exilio y Cárcel de un Anarcosindicalista&lt;/em&gt;, Madrid: Confederación General del Trabajo.
Frank MINTZ (1977) &lt;em&gt;La Autogestion en la España Revolucionaria&lt;/em&gt;, Madrid: La Piqueta.
Stanley G. PAYNE (1961) &lt;em&gt;Falange. A History of Spanish Fascism&lt;/em&gt;, Stanford: Stanford University Press.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS, COMISSÃO DO LIVRO NEGRO SOBRE O REGIME FASCISTA (org. 1987-1991) &lt;em&gt;Correspondência de Pedro Teotónio Pereira para Oliveira Salazar&lt;/em&gt;, 4 vols., [Lisboa].
Herbert Rutledge SOUTHWORTH (1967) &lt;em&gt;Antifalange. Estudio Crítico de «Falange en la Guerra de España: La Unificación y Hedilla» de Maximiano García Venero&lt;/em&gt;, [s. l.]: Ruedo Ibérico.
Simon WIESENTHAL (1989) &lt;em&gt;Justice Not Vengeance&lt;/em&gt;, Londres: Weidenfeld and Nicolson.
&lt;/blockquote&gt;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nantess0r,<br />
Não tenho conhecimento de nenhum documento desse teor emanado dos trotskistas durante a guerra civil. De qualquer modo, a IV Internacional foi irrelevante em Espanha nessa época, porque o desenvolvimento do POUM impediu o crescimento do trotskismo. Conheço, isso sim, um documento contrário aos judeus e emanado da direcção da central sindical anarquista. Tratei desse assunto nas págs. 727-730 do meu livro <em>Labirintos do Fascismo. Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta</em> (Porto: Afrontamento, 2003). Para quem não disponha da obra, transcrevo em seguida a passagem correspondente da versão que tenho em computador e que, aliás, é mais completa e detalhada do que a versão impressa. Poderemos assim entender o contexto em que se inseriu esse espantoso documento.</p>
<blockquote><p>
Mariano Rodríguez Vázquez, conhecido por Marianet, depois de desempenhar as funções de secretário do Comité Regional da CNT [Confederación Nacional del Trabajo, central sindical anarquista] da Catalunha foi secretário do Comité Nacional a partir de Novembro de 1936, até morrer acidentalmente em Junho de 1939, já no exílio em França. Estava longe de ser um personagem insignificante, pois em Setembro de 1936 fora consideravelmente reforçada a autoridade do Comité Nacional da CNT e a sua autonomia de decisão. Depois de lhe chamar «um magnífico militante», Cipriano Mera comentou que ele «levou consigo para a sepultura bastantes segredos do período da nossa guerra» <strong>[1]</strong>. Pois foi Marianet, ocupando um cargo dotado de significativos poderes e de grandes responsabilidades, quem escreveu em Maio de 1938: «Em Espanha existiam duas potências económicas, a dos judeus e a dos jesuítas. A dos judeus era quase toda formada por capital estrangeiro. A dos jesuítas surgia na maior parte dos casos como capital nacional». O assunto tinha actualidade porque Franco acabara de promulgar, a 3 de Maio, um decreto autorizando o regresso dos jesuítas. Era perfeitamente natural que os anarco-sindicalistas se opusessem a todas as Ordens religiosas, os inimigos de sempre, mas pode parecer estranho que, em nome da sua organização, o secretário nacional da CNT recusasse qualquer política destinada a promover o regresso dos judeus. «É necessário deixar bem claro que nós não podemos apelar e envidar esforços para a abolição do velho edicto que ordena a expulsão dos judeus de Espanha, nem para abrir as portas do país a todos os que aqui quiserem vir estabelecer-se. Não podemos fazer isso porque seria indubitavelmente uma das decisões mais contra-revolucionárias que poderíamos adoptar. Sabemos perfeitamente que de imediato se estabeleceria aqui um capitalismo de enorme importância, renascendo assim, e por este motivo, os velhos sistemas de exploração [&#8230;] À margem desta questão de princípio, pode ser feito todo o trabalho de atracção, de propaganda e de divulgação que se quiser nos meios sefarditas, se bem que tenhamos de concordar que nenhum judeu é fascista» <strong>[2]</strong>. A que se refere este documento, que a um leitor de hoje pode parecer extraordinário? Quem pretendia então reintroduzir os judeus em Espanha? </p>
<p>Nunca houve fascismo sem uma frustração imperialista, e se a debilidade militar impedia a conquista de novos territórios restava o recurso ao expansionismo cultural. Como a Espanha perdera no final do século XIX os últimos despojos de um império moribundo, os meios oficiais iniciaram uma orientação pró-judaica, passando a apresentar como promotores da língua e da civilização hispânicas os sefarditas que há vários séculos tinham sido obrigados a abandonar a península. Também o jovem fascismo espanhol se idealizou como um centro de emanação civilizacional, e neste sentido foi muito activa <em>La Gaceta Literaria</em>, dirigida por Ernesto Giménez Caballero <strong>[3]</strong>. Em 1929, precisamente no mesmo ano em que introduziu em Espanha a ideologia mussoliniana, Giménez Caballero partiu com o apoio do governo fascizante do general Primo de Rivera para uma missão destinada a restabelecer os laços com as comunidades sefarditas dos Balcãs, da Turquia e da Itália e continuou em seguida a promover as relações culturais com os judeus de origem ibérica disseminados pelo mundo <strong>[4]</strong>. </p>
<p>Entre os demais fascistas de renome o anti-semitismo era raro antes da guerra civil, manifestado apenas por Onésimo Redondo, para cuja formação ideológica fora decisiva a influência do nacional-socialismo alemão <strong>[5]</strong>. Depois, quando os militares e as armas nazis se revelaram cruciais para as esperanças de vitória nacionalistas, a hostilidade aos judeus foi difundida pela propaganda falangista, para ser abandonada quando deixaram de precisar do apoio do Terceiro Reich <strong>[6]</strong>. O anti-semitismo fora um mero expediente, indispensável para congraçar um aliado poderoso, e nem sequer impediu que vários judeus fascistas italianos se oferecessem como voluntários para combater do lado franquista durante a guerra civil <strong>[7]</strong>. </p>
<p>Liquidada a última resistência republicana, Franco retomou as tentativas de hegemonização dos meios sefarditas no estrangeiro <strong>[8]</strong>. Entre os judeus de Salónica, por exemplo, contavam-se cerca de seis centenas com a nacionalidade espanhola e foram os membros mais ricos desta comunidade quem financiou a inauguração de uma secção da Falange, em Abril de 1943 <strong>[9]</strong>. Compreende-se, assim, que quando os ocupantes nazis decretaram a aniquilação de todos os judeus da Grécia, os representantes diplomáticos de Franco tivessem encetado negociações para conseguir que os judeus espanhóis fossem internados em condições relativamente favoráveis num campo de concentração onde não existiam instalações de extermínio, salvando a vida de mais de metade <strong>[10]</strong>. E quando a Wehrmacht e os SS ocuparam a Hungria em Março de 1944, o governo de Madrid contou-se entre os que intercederam junto às novas autoridades magiares em defesa da comunidade judaica, ameaçada de extermínio imediato <strong>[11]</strong>. Aliás, durante aqueles anos terríveis houve judeus a encontrar refúgio em Espanha <strong>[12]</strong>, e no final de 1943 ou nos primeiros meses de 1944 Franco permitiu a abertura de campos de abrigo temporário para os acolher <strong>[13]</strong>. Não espanta que ao comunicarem aos Aliados, na Primavera de 1944, o plano de trocar por dez mil camiões a vida de um milhão de judeus, os SS tivessem mencionado a Espanha como o país que haveria de receber inicialmente esta massa humana <strong>[14]</strong>. Por um lado tratava-se de uma nação neutral e com a qual os nazis mantinham boas relações, por outro lado contava o filo-semitismo do regime franquista. Não foi uma das menos portentosas circunvoluções deste labirinto sanguinário que ao mesmo tempo que em Espanha os fascistas surgiam como protectores dos judeus e promotores da cultura sefardita, entre os dirigentes máximos dos sindicatos anarquistas se tivesse manifestado o anti-semitismo. </p>
<p><strong>Notas</strong></p>
<p><strong>[1]</strong> C. Mera (2006) 341.<br />
<strong>[2]</strong> Citado por F. Mintz (1977) 212.<br />
<strong>[3]</strong> M. Franco (2004) 128-129, 132; H. R. Southworth (1967) 33.<br />
<strong>[4]</strong> H. R. Southworth (1967) 32-34. Isto não impediu Giménez Caballero de pretender, em 1935, que o carácter internacional da arquitectura funcionalista era «fruto do espírito judaico». Ver A. Llorente Hernández (1995) 22. Mas talvez ele considerasse que entre os sefarditas prevalecia a cultura ibérica e não o cosmopolitismo.<br />
<strong>[5]</strong> R. Griffin (org. 1995) 185 observou que «em geral, na ideologia falangista, tal como no franquismo, não se encontravam tensões anti-semitas e eugenistas». Este autor, porém, não mencionou Onésimo Redondo como uma das excepções. Acerca do anti-semitismo de Redondo ver H. R. Southworth (1967) 34-35. Por seu lado, S. G. Payne (1961) 15-16 chamou a atenção para a influência do nacional-socialismo alemão sobre Redondo.<br />
<strong>[6]</strong> H. R. Southworth (1967) 36. «[&#8230;] Franco só simpatizou com Hitler durante a guerra e não apoiou a sua política de exterminação dos judeus», escreveu S. Wiesenthal (1989) 168.<br />
<strong>[7]</strong> R. De Felice (1977) 235.<br />
<strong>[8]</strong> H. R. Southworth (1967) 36.<br />
<strong>[9]</strong> R. Hilberg (1961) 447-448.<br />
<strong>[10]</strong> Id., ibid., 448 indicou que dos cerca de seiscentos judeus espanhóis residentes em Salónica sobreviveram trezentos e sessenta e cinco.<br />
<strong>[11]</strong> Id., ibid., 549.<br />
<strong>[12]</strong> Id., ibid., 413.<br />
Num relatório enviado a Salazar com data de 29 de Julho de 1944 o embaixador português em Espanha deu conta de «um caso vergonhoso passado em Barcelona no dia 18. Trinta falangistas armados assaltaram num hotel os quartos em que um português judeu chamado Sequerra tinha os escritórios, como delegado da nossa Cruz Vermelha e do comité americano de auxílio judaico, e destruíram tudo com uma fúria canibalesca. Foi uma sorte o homem não estar». E o embaixador comentou: «O Sequerra deve ter sido atacado não por português, mas por se ocupar dos judeus americanos». Ver Presidência do Conselho de Ministros, Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista (org. 1987-1991) IV 591. O diplomata português cometeu várias imprecisões, porque na verdade actuavam em Barcelona desde 1942 não um Sequerra mas dois, os irmãos Joel e Samuel, que se ocupavam tanto dos refugiados judeus como não judeus, conseguindo salvar aproximadamente um milhar de pessoas, e que no total foram alvo não de um mas de três atentados, escapando sempre indemnes. Concluo que a expedição punitiva a que se referiu o embaixador não teve o aval das autoridades e decerto se deveu a um sector nazi da Falange, porque os Sequerra conseguiam dispor de numerosos apoios nos meios oficiais. Ver a este respeito N. Menda (2002) 14-16. Também o facto de ambos os irmãos terem permanecido em Espanha até depois do final da guerra revela que a sua acção em prol dos refugiados não deparou com qualquer veto governamental.<br />
<strong>[13]</strong> I. F. Stone em <em>The Nation</em>, 10 de Junho de 1944, reproduzido em K. V. Heuvel et al. (orgs. 1994) 247.<br />
<strong>[14]</strong> L. Brenner (1983) 252.</p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p>Lenni BRENNER (1983) <em>Zionism in the Age of the Dictators</em>, Londres e Canberra: Croom Helm, Westport: Lawrence Hill.<br />
Renzo DE FELICE (1977) <em>Storia degli Ebrei Italiani sotto il Fascismo</em>, 2 vols., [s. l.]: Arnoldo Mondadori.<br />
Manuela FRANCO (2004) «Diversão Balcânica: Os Israelitas Portugueses de Salónica», <em>Análise Social</em>, XXXIX, nº 170.<br />
Roger GRIFFIN (org. 1995) <em>Fascism</em>, Oxford e Nova Iorque: Oxford University Press.<br />
Katrina Vanden HEUVEL e Hamilton dos SANTOS (orgs. 1994) <em>O Perigo da Hora. O Século XX nas Páginas do</em> The Nation, São Paulo: Scritta.<br />
Raul HILBERG (1961) <em>The Destruction of the European Jews</em>, Londres: W. H. Allen.<br />
Angel LLORENTE HERNÁNDEZ (1995) <em>Arte e Ideología en el Franquismo (1936-1951)</em>, Madrid: Visor.<br />
Nelson MENDA (2002) «Os Irmãos Sequerra. A Fantástica História dos Gêmeos Samuel e Joel», <em>Semana Judaica</em>, nº 218, 12-18 de Maio de 2002.<br />
Cipriano MERA (2006) <em>Guerra, Exilio y Cárcel de un Anarcosindicalista</em>, Madrid: Confederación General del Trabajo.<br />
Frank MINTZ (1977) <em>La Autogestion en la España Revolucionaria</em>, Madrid: La Piqueta.<br />
Stanley G. PAYNE (1961) <em>Falange. A History of Spanish Fascism</em>, Stanford: Stanford University Press.<br />
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS, COMISSÃO DO LIVRO NEGRO SOBRE O REGIME FASCISTA (org. 1987-1991) <em>Correspondência de Pedro Teotónio Pereira para Oliveira Salazar</em>, 4 vols., [Lisboa].<br />
Herbert Rutledge SOUTHWORTH (1967) <em>Antifalange. Estudio Crítico de «Falange en la Guerra de España: La Unificación y Hedilla» de Maximiano García Venero</em>, [s. l.]: Ruedo Ibérico.<br />
Simon WIESENTHAL (1989) <em>Justice Not Vengeance</em>, Londres: Weidenfeld and Nicolson.
</p></blockquote>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
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