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	Comentários sobre: Alarme de incêndio no Butantã: manifestações neofascistas na USP	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: douglas anfra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/6811/#comment-801</link>

		<dc:creator><![CDATA[douglas anfra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 00:44:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Hannah Arendt, mas interessante:
http://universidadeparaquem.wordpress.com/2009/06/28/um-instantaneo-sobre-a-multidao-one-flash-about-the-mob/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hannah Arendt, mas interessante:<br />
<a href="http://universidadeparaquem.wordpress.com/2009/06/28/um-instantaneo-sobre-a-multidao-one-flash-about-the-mob/" rel="nofollow ugc">http://universidadeparaquem.wordpress.com/2009/06/28/um-instantaneo-sobre-a-multidao-one-flash-about-the-mob/</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/6811/#comment-748</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 21:08:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O que o Douglas aponta no seu comentário é a minha sensação também, embora acompanhando relativamente de longe.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que o Douglas aponta no seu comentário é a minha sensação também, embora acompanhando relativamente de longe.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Douglas Anfra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/6811/#comment-747</link>

		<dc:creator><![CDATA[Douglas Anfra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 18:15:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=6811#comment-747</guid>

					<description><![CDATA[Acho que faltou destacar um detalhe no artigo que é importante, ainda é um movimento que contagia, conta com divulgação e utiliza uma plataforma de relacionamento que funciona. 
Este também conta com todas as falhas apontadas na esquerda, falta de contato com os estudantes, falta de contato com as lutas, disputas entre si, muitas vezes, amplo desrespeito pelas instâncias de decisão estudantil, tanto quanto a direita, mas falta um detalhe: ainda é um movimento, não é um grupo, nem em si mesmo hegemonicamente facista.
Ele possui lideranças de direita, mas sua base é ambígua, como são ambíguos todos os movimentos no inicío. 
CAda um deles pensa algo sobre a PM diferente, por exemplo, muitos pensam em policiamento e não em Polícia militar batendo nos estudantes e no que isso implica. OU ainda, muitos deles não são contra as pautas, mas contra a greve em si e contra o formato do movimento estudantil. 
E o pior, acho que é uma ressaca da ocupação. Isto é, o discurso de crítica ao formato do movimento estudantil alimentou um discurso com mesmo foco só que pela direita, onde apenas de descontroi o movimento estudantil, sem ser para afirmar seus objetivos e, mais ainda, deseja um impulso libertário de desobrigar-se politicamente para aferrarem-se ao impulso indiviudal e à manutenção das ideologias que circulam.
Desta origem também credito o medo de ser manobrado por outro, mas agora identificando tal medo de ser determinado por um outro na assembléia, como se ela fosse do dce e da entidade ao partido da gestão que o articula.
DO mesmo modo, acredito que os dois grupos de esquerda que empacam muitas assembléias padecem de mal parecido (ou talvez sejam seus gêmeos siameses), o de desprezar qualquer forum de representação, ato, etc, para disputar um projeto político onde está em questão mais os seus ideais do que a construção de poder popular e movimento estudantil.
Apesar disto, o aviso está de pé. Mesmo contraditório, segundo o texto do João Bernardo, e o Faye quando tratam dos jovens conservadores ou outros grupos proto-fascistas, o que vale é o quer fazem a partir do impulso de suas lideranças mais radicais, identificadas aos fascismos e direitismos diversos, quando anulam os espaços de decisão direta (na assembléia os estudantes se apresentam e não representam) e de organização sindical de outra categoria, os trabalhadores.
Com isto desobrigam-se de ver o que implica materialmetne aquilo que defendem, mantendo, graças à tais lideranças diversas imagens, como a de que o outro, o esquerdista traz a bagunça e a confusão e nós a paz e a ordem, os problemas deles devendo ser deles e todas as mazelas da universidade igualmente podendo ser a eles imputados.
Seria o caso de conversar com esta base ? E como ?
E não acho que atléticas são essencialmente um problema, o problema é que muitas são entidades privas que arrecadam muita grana e se profissionalizam nesta roda sem fim a partir de uma demanda real dos estudantes: divertir-se e praticar atividades de lazer e sociais, não vejo mal nisso, apenas vejo problemas no modo como isto se encaminha.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que faltou destacar um detalhe no artigo que é importante, ainda é um movimento que contagia, conta com divulgação e utiliza uma plataforma de relacionamento que funciona.<br />
Este também conta com todas as falhas apontadas na esquerda, falta de contato com os estudantes, falta de contato com as lutas, disputas entre si, muitas vezes, amplo desrespeito pelas instâncias de decisão estudantil, tanto quanto a direita, mas falta um detalhe: ainda é um movimento, não é um grupo, nem em si mesmo hegemonicamente facista.<br />
Ele possui lideranças de direita, mas sua base é ambígua, como são ambíguos todos os movimentos no inicío.<br />
CAda um deles pensa algo sobre a PM diferente, por exemplo, muitos pensam em policiamento e não em Polícia militar batendo nos estudantes e no que isso implica. OU ainda, muitos deles não são contra as pautas, mas contra a greve em si e contra o formato do movimento estudantil.<br />
E o pior, acho que é uma ressaca da ocupação. Isto é, o discurso de crítica ao formato do movimento estudantil alimentou um discurso com mesmo foco só que pela direita, onde apenas de descontroi o movimento estudantil, sem ser para afirmar seus objetivos e, mais ainda, deseja um impulso libertário de desobrigar-se politicamente para aferrarem-se ao impulso indiviudal e à manutenção das ideologias que circulam.<br />
Desta origem também credito o medo de ser manobrado por outro, mas agora identificando tal medo de ser determinado por um outro na assembléia, como se ela fosse do dce e da entidade ao partido da gestão que o articula.<br />
DO mesmo modo, acredito que os dois grupos de esquerda que empacam muitas assembléias padecem de mal parecido (ou talvez sejam seus gêmeos siameses), o de desprezar qualquer forum de representação, ato, etc, para disputar um projeto político onde está em questão mais os seus ideais do que a construção de poder popular e movimento estudantil.<br />
Apesar disto, o aviso está de pé. Mesmo contraditório, segundo o texto do João Bernardo, e o Faye quando tratam dos jovens conservadores ou outros grupos proto-fascistas, o que vale é o quer fazem a partir do impulso de suas lideranças mais radicais, identificadas aos fascismos e direitismos diversos, quando anulam os espaços de decisão direta (na assembléia os estudantes se apresentam e não representam) e de organização sindical de outra categoria, os trabalhadores.<br />
Com isto desobrigam-se de ver o que implica materialmetne aquilo que defendem, mantendo, graças à tais lideranças diversas imagens, como a de que o outro, o esquerdista traz a bagunça e a confusão e nós a paz e a ordem, os problemas deles devendo ser deles e todas as mazelas da universidade igualmente podendo ser a eles imputados.<br />
Seria o caso de conversar com esta base ? E como ?<br />
E não acho que atléticas são essencialmente um problema, o problema é que muitas são entidades privas que arrecadam muita grana e se profissionalizam nesta roda sem fim a partir de uma demanda real dos estudantes: divertir-se e praticar atividades de lazer e sociais, não vejo mal nisso, apenas vejo problemas no modo como isto se encaminha.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: A. Nonimo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/6811/#comment-745</link>

		<dc:creator><![CDATA[A. Nonimo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 15:35:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bom, muitos da esquerda acham de fato que a população é incapaz de se organizar e solidarizar. Aí entram as vanguardas profissionais querendo se substituir à base.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bom, muitos da esquerda acham de fato que a população é incapaz de se organizar e solidarizar. Aí entram as vanguardas profissionais querendo se substituir à base.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/6811/#comment-744</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 15:13:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O último comentário de A. Nônimo suscitou-me certas refelexões.
Não creio que o PT e a CUT sejam reformistas burros, muito pelo contrário. A CUT gere sindicatos que dispõem de consideráveis fundos de pensões e que mesmo sem isso constituem óptimos negócios. E o PT gere com muita competência uma economia capitalista, obtendo resultados melhores do que os de certos países desenvolvidos, governados mais à direita.
Quanto aos grupúsculos que se mantêm isolados das bases, não será isso mesmo que eles pretendem? Os seus dirigentes treinam-se assim na função de vanguardas profissionais, para a breve trecho se converterem em elites e alimentarem com novos membros as classes dominantes.
De resto, quer a extrema-esquerda utilize ou não as festas, o futebol e sei lá o quê como forma de mobilização, a população não é burra e ela mesma cria essas oportunidades de solidariedade. Talvez a única diferença seja que, se a esquerda lá estivesse, baptizava esses eventos com a nomenclatura do seu jargão. Desde há muitos anos eu digo e repito que o grande intelectual do proletariado brasileiro é o Adoniran Barbosa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O último comentário de A. Nônimo suscitou-me certas refelexões.<br />
Não creio que o PT e a CUT sejam reformistas burros, muito pelo contrário. A CUT gere sindicatos que dispõem de consideráveis fundos de pensões e que mesmo sem isso constituem óptimos negócios. E o PT gere com muita competência uma economia capitalista, obtendo resultados melhores do que os de certos países desenvolvidos, governados mais à direita.<br />
Quanto aos grupúsculos que se mantêm isolados das bases, não será isso mesmo que eles pretendem? Os seus dirigentes treinam-se assim na função de vanguardas profissionais, para a breve trecho se converterem em elites e alimentarem com novos membros as classes dominantes.<br />
De resto, quer a extrema-esquerda utilize ou não as festas, o futebol e sei lá o quê como forma de mobilização, a população não é burra e ela mesma cria essas oportunidades de solidariedade. Talvez a única diferença seja que, se a esquerda lá estivesse, baptizava esses eventos com a nomenclatura do seu jargão. Desde há muitos anos eu digo e repito que o grande intelectual do proletariado brasileiro é o Adoniran Barbosa.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: A.Nônimo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/6811/#comment-742</link>

		<dc:creator><![CDATA[A.Nônimo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 14:20:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acho que os debates evoluiram muito e os companheiros tocam em questões primordiais.
Gostaria de ressaltar aqui, sinteticamente, o que venho defendendo. E não é posição minha, mas como condivíduo, expressão da discussão de toda uma coletividade da qual estou inserido, e a qual devo estas constatações.
O problema crucial é a esquerda desarmada, sem projeto.
Me parece que a esquerda fica cindida em duas armadilhas: o ideologismo e o pragmatismo.
O ideologismo seria a expressão da teoria alheia e alienada da concretude, que se degenera em ideologia: fórmulas mágicas. É a esquerda dos grupos de minoria porraloca sem inserção na base e com suas palavras de ordem radicais e que não mobilizam quase ninguem, porque não tocam na realidade concreta das pessoas.
O pragmatismo é aquela esquerda vendida, petismo burro, que ocupa sindicatos e instituições para apenas geri-los como fim em si mesmo, ou seja, o reformismo burro e caturra duma CUT, etc. Empresariamento e prestação de serviços assistencialistas!

O problema ao meu ver, que condiciona a falta de projeto é essa separação teoria/pratica social. A teoria cristaliza-se em fórmula, vira ideologismo empoeirado. A prática sem teoria vira reformismo burro. No final de contas, carece-se de um projeto centrado na idéia de autonomia que seja fundamentado numa teoria aberta, heterodoxa, que trabalhe com as mediações concretas.

Isso implica que devemos voltar nossos olhos para o imediato das pessoas, o cotidiano, ao inves de fazer como os grupelhos sectarios que acham que vão mobilizar as massas com truques e palavras de ordem. Olhar o imediato significa entender como se formam as relações de sociabilidade de solidariedade na vida cotidiana: o botequim, o futebol de varzea, a festa, o apoio mutuo, etc!
Por isso que a direita está se expandindo - ela atua justamente na esfera da concretude, da realidade imediata. Ela usa atléticas, festas, times, etc para mobilizar - e como isso mobiliza! E a esquerda briga com moinhos de vento defendendo abstrações, que são algo broxante e que não mobiliza ninguém - a não ser a quarta internacional (qual delas???) e outros grupelhos que enchem um fusca ou com sorte uma Kombi. Sem desprezar os companheiros das quartas-internacionais, que são combativos e convictos, mas estes fariam bem melhor se procurassem entender essa microfisica das relações sociais, a questão das formas. Assim talvez eles tivessem mais respaldo das bases e orientação sobre como agir e mobilizar de forma efetiva.
No final das contas, embora tenha seus problemas que Marx apontou, o pensamento de proudhon legou um aspecto interessante que merece ser revisitado: a dinamica da construção de relações solidarias, e formas de atuação de apoio-mutuo.
Que a esquerda então crie suas redes de relações solidarias e anticapitalistas. Tem à sua disposição mil formas de fazer a crítica prática.
E viva a Universidade Popular!!!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que os debates evoluiram muito e os companheiros tocam em questões primordiais.<br />
Gostaria de ressaltar aqui, sinteticamente, o que venho defendendo. E não é posição minha, mas como condivíduo, expressão da discussão de toda uma coletividade da qual estou inserido, e a qual devo estas constatações.<br />
O problema crucial é a esquerda desarmada, sem projeto.<br />
Me parece que a esquerda fica cindida em duas armadilhas: o ideologismo e o pragmatismo.<br />
O ideologismo seria a expressão da teoria alheia e alienada da concretude, que se degenera em ideologia: fórmulas mágicas. É a esquerda dos grupos de minoria porraloca sem inserção na base e com suas palavras de ordem radicais e que não mobilizam quase ninguem, porque não tocam na realidade concreta das pessoas.<br />
O pragmatismo é aquela esquerda vendida, petismo burro, que ocupa sindicatos e instituições para apenas geri-los como fim em si mesmo, ou seja, o reformismo burro e caturra duma CUT, etc. Empresariamento e prestação de serviços assistencialistas!</p>
<p>O problema ao meu ver, que condiciona a falta de projeto é essa separação teoria/pratica social. A teoria cristaliza-se em fórmula, vira ideologismo empoeirado. A prática sem teoria vira reformismo burro. No final de contas, carece-se de um projeto centrado na idéia de autonomia que seja fundamentado numa teoria aberta, heterodoxa, que trabalhe com as mediações concretas.</p>
<p>Isso implica que devemos voltar nossos olhos para o imediato das pessoas, o cotidiano, ao inves de fazer como os grupelhos sectarios que acham que vão mobilizar as massas com truques e palavras de ordem. Olhar o imediato significa entender como se formam as relações de sociabilidade de solidariedade na vida cotidiana: o botequim, o futebol de varzea, a festa, o apoio mutuo, etc!<br />
Por isso que a direita está se expandindo &#8211; ela atua justamente na esfera da concretude, da realidade imediata. Ela usa atléticas, festas, times, etc para mobilizar &#8211; e como isso mobiliza! E a esquerda briga com moinhos de vento defendendo abstrações, que são algo broxante e que não mobiliza ninguém &#8211; a não ser a quarta internacional (qual delas???) e outros grupelhos que enchem um fusca ou com sorte uma Kombi. Sem desprezar os companheiros das quartas-internacionais, que são combativos e convictos, mas estes fariam bem melhor se procurassem entender essa microfisica das relações sociais, a questão das formas. Assim talvez eles tivessem mais respaldo das bases e orientação sobre como agir e mobilizar de forma efetiva.<br />
No final das contas, embora tenha seus problemas que Marx apontou, o pensamento de proudhon legou um aspecto interessante que merece ser revisitado: a dinamica da construção de relações solidarias, e formas de atuação de apoio-mutuo.<br />
Que a esquerda então crie suas redes de relações solidarias e anticapitalistas. Tem à sua disposição mil formas de fazer a crítica prática.<br />
E viva a Universidade Popular!!!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jefferson Rodrigues Barbosa		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/6811/#comment-734</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jefferson Rodrigues Barbosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2009 18:00:50 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=6811#comment-734</guid>

					<description><![CDATA[Eles estão entre nós! 
Saudações
O ponto importante do texto do companheiro, ao meu ver, está centrado na necessidade de repensarmos estratégias de ações nas instituições educacionais.
O autor chama a atenção para um ponto importante das novas formas de aglutinação do estudantado através de Atléticas e ofertas de entretimento.
É visível, por exemplo, na Unesp/Marília nos últimos anos como a presença da Atlética mudou o perfil de sociabilidade dos estudantes sendo instrumento para a dispolitização dos mesmos - sociabilidade para os prazeres daqueles que têm meios para o consumo de requisitos para adentrar nesses círculos sociais.
Outra dimensão é a ação mais politizada e organizativa. Novamente entramos na questão dos grupos de características fascistas, onde os estudantes com vínculo com grupos defensores de uma &quot;ordem social&quot; de higienização moral, como as organizações antiesquerdistas, racistas e nacionalistas de diferentes caracteríticas, como neonazis, intregralistas e skiheads que cada vez mais destacam-se em várias escolas, faculdades e universidades. Ficando restrita aqui a observação sobre a atuação desses grupos nas instituições educacionais;

Exemplos:

1 Através de uma lista de discussão que participo sobre pesquisadores do integralismo chegou ao meu conhecimento que na Universidade Federal de Santa Catarina está ocorrendo a mobilização de estudantes integralistas que fazem reuniões e panfletagens sob o apoio de um professor, tbm integralista, que leciona no curso de direito. 
2 Na Unicamp, há alguns poucos anos atrás a administração da reitoria da Universidade fez interversão direta sobre um grupo neonazi que fixava cartazes sobre os murais da instituição com convites abertos para participações nas reuniões do grupo.
3 Na USP, há poucos anos tbm estudantes foram presos por fixarem nas paredes do campus cartazes com caricaturas de negros semelhantes a macacos com os dizeres: &quot;vc deixará eles roubarem nossas vagas?&quot; - o cartaz tinha a referência do Movimento White Power de SP e fazia propaganda contra a política de cotas para estudantes negros nas faculdades e universidades brasileiras.
5 Um colega de trabalho que é oriundo do Rio Grande do Norte, estado da região nordeste, ano retrasado era professor em faculdades privadas no interior do estado do Rio Grande do Sul e recebeu algumas vezes a seguinte recomendação por parte de alunos que gostavam do sujeito: &quot;professor, existem uns neonazistas aqui na faculdade e eles não gostam de nordestinos, tenha cuidado&quot;.
6 O último caso de gde repercussão na mídia foi o assassinato de um casal neonazi por parte de membros da mesma organização - Neuland - que disputavam a liderança dessa facção neonazista. Na ocasião estavam reunidos aproximadamente 400 jovens neonazi num sítio em cidade do interior do estado do Paraná, (região sul do Brasil). Em sua maioria os participantes eram estudantes universitários, assim como os próprios jovens assassinados, o rapaz era estudante de direito.  

Compartilho com os companheiros e companheiras que leram este texto e postaram comentários que estes diversos grupos estão entre nós, mais próximos muitas vezes do que pensamos. E, muitos destes militantes estão se aproveitando das brechas ocasionadas pelas táticas de ação política e tbm de sociabilidade que ocorrem nas comunidades das instituições educacionais. Os aconecimentos na USP, nesse sentido, são um aspecto desta situação que nos leva a pensar sobre as formas de atuação, veladas e explícitas, daqueles que repudiamos! 
até breve.
Jefferson Rodrigues]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eles estão entre nós!<br />
Saudações<br />
O ponto importante do texto do companheiro, ao meu ver, está centrado na necessidade de repensarmos estratégias de ações nas instituições educacionais.<br />
O autor chama a atenção para um ponto importante das novas formas de aglutinação do estudantado através de Atléticas e ofertas de entretimento.<br />
É visível, por exemplo, na Unesp/Marília nos últimos anos como a presença da Atlética mudou o perfil de sociabilidade dos estudantes sendo instrumento para a dispolitização dos mesmos &#8211; sociabilidade para os prazeres daqueles que têm meios para o consumo de requisitos para adentrar nesses círculos sociais.<br />
Outra dimensão é a ação mais politizada e organizativa. Novamente entramos na questão dos grupos de características fascistas, onde os estudantes com vínculo com grupos defensores de uma &#8220;ordem social&#8221; de higienização moral, como as organizações antiesquerdistas, racistas e nacionalistas de diferentes caracteríticas, como neonazis, intregralistas e skiheads que cada vez mais destacam-se em várias escolas, faculdades e universidades. Ficando restrita aqui a observação sobre a atuação desses grupos nas instituições educacionais;</p>
<p>Exemplos:</p>
<p>1 Através de uma lista de discussão que participo sobre pesquisadores do integralismo chegou ao meu conhecimento que na Universidade Federal de Santa Catarina está ocorrendo a mobilização de estudantes integralistas que fazem reuniões e panfletagens sob o apoio de um professor, tbm integralista, que leciona no curso de direito.<br />
2 Na Unicamp, há alguns poucos anos atrás a administração da reitoria da Universidade fez interversão direta sobre um grupo neonazi que fixava cartazes sobre os murais da instituição com convites abertos para participações nas reuniões do grupo.<br />
3 Na USP, há poucos anos tbm estudantes foram presos por fixarem nas paredes do campus cartazes com caricaturas de negros semelhantes a macacos com os dizeres: &#8220;vc deixará eles roubarem nossas vagas?&#8221; &#8211; o cartaz tinha a referência do Movimento White Power de SP e fazia propaganda contra a política de cotas para estudantes negros nas faculdades e universidades brasileiras.<br />
5 Um colega de trabalho que é oriundo do Rio Grande do Norte, estado da região nordeste, ano retrasado era professor em faculdades privadas no interior do estado do Rio Grande do Sul e recebeu algumas vezes a seguinte recomendação por parte de alunos que gostavam do sujeito: &#8220;professor, existem uns neonazistas aqui na faculdade e eles não gostam de nordestinos, tenha cuidado&#8221;.<br />
6 O último caso de gde repercussão na mídia foi o assassinato de um casal neonazi por parte de membros da mesma organização &#8211; Neuland &#8211; que disputavam a liderança dessa facção neonazista. Na ocasião estavam reunidos aproximadamente 400 jovens neonazi num sítio em cidade do interior do estado do Paraná, (região sul do Brasil). Em sua maioria os participantes eram estudantes universitários, assim como os próprios jovens assassinados, o rapaz era estudante de direito.  </p>
<p>Compartilho com os companheiros e companheiras que leram este texto e postaram comentários que estes diversos grupos estão entre nós, mais próximos muitas vezes do que pensamos. E, muitos destes militantes estão se aproveitando das brechas ocasionadas pelas táticas de ação política e tbm de sociabilidade que ocorrem nas comunidades das instituições educacionais. Os aconecimentos na USP, nesse sentido, são um aspecto desta situação que nos leva a pensar sobre as formas de atuação, veladas e explícitas, daqueles que repudiamos!<br />
até breve.<br />
Jefferson Rodrigues</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/6811/#comment-725</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 20:31:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=6811#comment-725</guid>

					<description><![CDATA[Ricardo, essa de que são contra a greve porque não acham um instrumento válido não cola. Basta ver os que são contra a greve dizem e como agem.

Eles são contra o Sintusp, contra os sindicalistas, tomam abertamete partido da repressão da PM, da demissão do Brandão. Não cola Ricardo. Se vc é um deles, assuma então, agora querer esconder essa realidade, não dá. Se fosse apenas uma questão de divergência tática estariam juntos participando de instâncias de deliberação.

Esses estudantes tem ódio de sindicalistas e da greve, e defendem a repressão da PM em grande parte porque querem os ônibus circulares e o bandejão. Basta dar uma olhada no que eles escrevem na internet.

Concordo com o autor do artigo que comentou que eles aparecem inofensivos mas é assim que começa um verdadeiro fascismo. Essa de que são nerds que não sabem limpar a própria baba não cola. A prática deles está aí, surtindo efeito. São base fácil para fascistas de carteirinha.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ricardo, essa de que são contra a greve porque não acham um instrumento válido não cola. Basta ver os que são contra a greve dizem e como agem.</p>
<p>Eles são contra o Sintusp, contra os sindicalistas, tomam abertamete partido da repressão da PM, da demissão do Brandão. Não cola Ricardo. Se vc é um deles, assuma então, agora querer esconder essa realidade, não dá. Se fosse apenas uma questão de divergência tática estariam juntos participando de instâncias de deliberação.</p>
<p>Esses estudantes tem ódio de sindicalistas e da greve, e defendem a repressão da PM em grande parte porque querem os ônibus circulares e o bandejão. Basta dar uma olhada no que eles escrevem na internet.</p>
<p>Concordo com o autor do artigo que comentou que eles aparecem inofensivos mas é assim que começa um verdadeiro fascismo. Essa de que são nerds que não sabem limpar a própria baba não cola. A prática deles está aí, surtindo efeito. São base fácil para fascistas de carteirinha.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eduardo Tomazine		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/6811/#comment-722</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 16:35:15 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=6811#comment-722</guid>

					<description><![CDATA[Prezados compas,

Pelo que tenho observado com as inúmeras manifestações conservadoras da juventude nos últimos anos, não acredito que qualificá-las enquanto expressões do individualismo seja adequado. Ao contrário, parece que a sede por associativismo, que primeiro incidiu sobre as mães da classe trabalhadora sob a forma do neopentecostalismo, e entre os seus filhos através de facções criminosas de narcotraficantes, chega aos filhos da classe média assumindo contornos fascistóides. E o fascismo, longe de ser o corolário político do individualismo (o que o liberalismo é), é a dissolução do indivíduo, simples peça de uma máquina, seguidor incondicional de um guia infalível ou de um símbolo que encarne uma crença de superioridade a ser exercida.

Tampouco creio que sejam niilistas. Hedonistas, sim; inconseqüentes, insolentes, violentos. Para esses garotos e garotas,  membros de comunidades onde se agregam aos seus iguais (geralmente agredindo os diferentes), não se trata de acreditar ou desacreditar em algo, na humanidade, na história ou em deus ou o diabo.  A descrença caracteriza o niilista, e é por isso que ele não se associa. Esses rapazes direitosos não querem saber a respeito do sentido das coisas. Querem, em meio a uma sociedade tão clivada pelas diferenças, afirmar a superioridade dos seus iguais. Como são débeis, como não refletem, sozinhos não podem nada, se escondem. Contudo, no anonimato da internet, na escuridão da noite com grupos em roupas escuras, agridem, seja com palavras, seja com tacos de baseball. Às centenas, em mobilizações onde se reúnem pela afirmação positiva da ordem (cujas deficiências seriam resultantes do seu não cumprimento), soltam os seus gritos. Ao associarem-se, descobrem finalmente algum sentido, mas um sentido que termina em si mesmo, como uma moda. Sentem estar subvertendo a mediocridade do nosso tempo, a viver - usando as palavras de Eça de Queiróis para descrever a mocinha medíocre que passa a receber cartas de amor - &quot;uma realidade superiormente interessante&quot;.

São, de fato, anomalias (embora necessárias!) de um tempo que reduz todos os sentidos ao consumo desenfreado e à competição. Como o individualismo exacerbado é deletério até mesmo ao capitalismo - que, enquanto ordem social, precisa de alguma associação para se manter de pé - os associativismos mistificadores da realidade de toda espécie aparecem como válvulas de escape, e a competição, da esfera de indivíduos, fica mais forte com o apoio de um grupo (não que em seu interior não haja uma competição feroz por afirmação, como os conflitos autofágicos das máfias, como os desafios das atléticas universitárias etc.). Um niilista individualista típico nunca iria participar de uma mobilização anti-greve na sua universidade, e tampouco de uma competição para saber quantos copos de cerveja bebe em 30 segundos.

Algumas das perguntas que eu penso serem importantes diante disso são as seguintes: são muitos ainda os jovens sedentos por fazerem parte de um grupo que, diante de um projeto de transformação social, se engajariam? Acredito que sim (conto com isso), e os meninos que o hip-hop crítico de um Ferréz aglutina dão algumas indicações, mesmo que poucas, de que nem tudo está perdido. Como, então, acessar esses jovens? Qual linguagem, qual estética e, sobretudo, qual significação  podem fazê-lo? A autonomia? Seguramente, mas só essa categoria não assegura nada se desprovida de um movimento real, sob formas reais. Essa é uma questão que só a práxis pode resolver, e para isso é preciso olhar para o que já vem sendo feito. Nas periferias de São Paulo, o hip-hop tem conquistado muita coisa. Mas como acessar os pais desses jovens, entorpecidos por uma religião conformista? Como acessar os jovens de classe média, fascinados pelo associativismo fácil e elitista?

Acredito que uma das tarefas da esquerda de hoje, diante desses desafios, é tentar reconstruir as bases sociais e psicológicas da construção de um novo projeto, trabalho que a classe trabalhadora soube fazer com um esforço heróico no princípio do século XIX, alfabetizando-se por conta própria, criando as suas próprias instituições, descobrindo os seus interesses comuns e seus inimigos. Não pensem vocês que apenas os jovenzinhos de direita se expressam muito mal e têm uma leitura tosca da realidade. Olhemos para as nossas deficiências também. Quem de nós aqui sente-se verdadeiramente bem formado (nossa, eu não saberia nem por onde começar se fosse listar as minhas lacunas!!!). Somos filhos do nosso tempo, e a negação dele também passa por aquilo que nos afeta mais diretamente, e não apenas aos nossos adversários. Por bases sociais para a construção de um novo projeto me refiro a novos espaços de ação e discussão política, em meio aos quais indivíduos autônomos possam se formar e participar com liberdade. Por bases psicológicas, penso exatamente no tipo de indivíduo que queremos ajudar a formar, nos valores e na ética de que ele se valerá. Ocupações de sem-teto com escolas onde uma outra educação seja possível, centros acadêmicos autogestionários organicamente ligados aos movimentos sociais fora dos muros da universidade, movimentos artísticos de contestação e de afirmação desses movimentos políticos; grupos de estudo e discussão das teorias políticas consagradas, sem o sectarismo da velha esquerda e com o senso de criação dialética dos que pensaram em uma esquerda etc. etc. etc. 

Um abraço a todos!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezados compas,</p>
<p>Pelo que tenho observado com as inúmeras manifestações conservadoras da juventude nos últimos anos, não acredito que qualificá-las enquanto expressões do individualismo seja adequado. Ao contrário, parece que a sede por associativismo, que primeiro incidiu sobre as mães da classe trabalhadora sob a forma do neopentecostalismo, e entre os seus filhos através de facções criminosas de narcotraficantes, chega aos filhos da classe média assumindo contornos fascistóides. E o fascismo, longe de ser o corolário político do individualismo (o que o liberalismo é), é a dissolução do indivíduo, simples peça de uma máquina, seguidor incondicional de um guia infalível ou de um símbolo que encarne uma crença de superioridade a ser exercida.</p>
<p>Tampouco creio que sejam niilistas. Hedonistas, sim; inconseqüentes, insolentes, violentos. Para esses garotos e garotas,  membros de comunidades onde se agregam aos seus iguais (geralmente agredindo os diferentes), não se trata de acreditar ou desacreditar em algo, na humanidade, na história ou em deus ou o diabo.  A descrença caracteriza o niilista, e é por isso que ele não se associa. Esses rapazes direitosos não querem saber a respeito do sentido das coisas. Querem, em meio a uma sociedade tão clivada pelas diferenças, afirmar a superioridade dos seus iguais. Como são débeis, como não refletem, sozinhos não podem nada, se escondem. Contudo, no anonimato da internet, na escuridão da noite com grupos em roupas escuras, agridem, seja com palavras, seja com tacos de baseball. Às centenas, em mobilizações onde se reúnem pela afirmação positiva da ordem (cujas deficiências seriam resultantes do seu não cumprimento), soltam os seus gritos. Ao associarem-se, descobrem finalmente algum sentido, mas um sentido que termina em si mesmo, como uma moda. Sentem estar subvertendo a mediocridade do nosso tempo, a viver &#8211; usando as palavras de Eça de Queiróis para descrever a mocinha medíocre que passa a receber cartas de amor &#8211; &#8220;uma realidade superiormente interessante&#8221;.</p>
<p>São, de fato, anomalias (embora necessárias!) de um tempo que reduz todos os sentidos ao consumo desenfreado e à competição. Como o individualismo exacerbado é deletério até mesmo ao capitalismo &#8211; que, enquanto ordem social, precisa de alguma associação para se manter de pé &#8211; os associativismos mistificadores da realidade de toda espécie aparecem como válvulas de escape, e a competição, da esfera de indivíduos, fica mais forte com o apoio de um grupo (não que em seu interior não haja uma competição feroz por afirmação, como os conflitos autofágicos das máfias, como os desafios das atléticas universitárias etc.). Um niilista individualista típico nunca iria participar de uma mobilização anti-greve na sua universidade, e tampouco de uma competição para saber quantos copos de cerveja bebe em 30 segundos.</p>
<p>Algumas das perguntas que eu penso serem importantes diante disso são as seguintes: são muitos ainda os jovens sedentos por fazerem parte de um grupo que, diante de um projeto de transformação social, se engajariam? Acredito que sim (conto com isso), e os meninos que o hip-hop crítico de um Ferréz aglutina dão algumas indicações, mesmo que poucas, de que nem tudo está perdido. Como, então, acessar esses jovens? Qual linguagem, qual estética e, sobretudo, qual significação  podem fazê-lo? A autonomia? Seguramente, mas só essa categoria não assegura nada se desprovida de um movimento real, sob formas reais. Essa é uma questão que só a práxis pode resolver, e para isso é preciso olhar para o que já vem sendo feito. Nas periferias de São Paulo, o hip-hop tem conquistado muita coisa. Mas como acessar os pais desses jovens, entorpecidos por uma religião conformista? Como acessar os jovens de classe média, fascinados pelo associativismo fácil e elitista?</p>
<p>Acredito que uma das tarefas da esquerda de hoje, diante desses desafios, é tentar reconstruir as bases sociais e psicológicas da construção de um novo projeto, trabalho que a classe trabalhadora soube fazer com um esforço heróico no princípio do século XIX, alfabetizando-se por conta própria, criando as suas próprias instituições, descobrindo os seus interesses comuns e seus inimigos. Não pensem vocês que apenas os jovenzinhos de direita se expressam muito mal e têm uma leitura tosca da realidade. Olhemos para as nossas deficiências também. Quem de nós aqui sente-se verdadeiramente bem formado (nossa, eu não saberia nem por onde começar se fosse listar as minhas lacunas!!!). Somos filhos do nosso tempo, e a negação dele também passa por aquilo que nos afeta mais diretamente, e não apenas aos nossos adversários. Por bases sociais para a construção de um novo projeto me refiro a novos espaços de ação e discussão política, em meio aos quais indivíduos autônomos possam se formar e participar com liberdade. Por bases psicológicas, penso exatamente no tipo de indivíduo que queremos ajudar a formar, nos valores e na ética de que ele se valerá. Ocupações de sem-teto com escolas onde uma outra educação seja possível, centros acadêmicos autogestionários organicamente ligados aos movimentos sociais fora dos muros da universidade, movimentos artísticos de contestação e de afirmação desses movimentos políticos; grupos de estudo e discussão das teorias políticas consagradas, sem o sectarismo da velha esquerda e com o senso de criação dialética dos que pensaram em uma esquerda etc. etc. etc. </p>
<p>Um abraço a todos!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: A. Nônimo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2009/06/6811/#comment-721</link>

		<dc:creator><![CDATA[A. Nônimo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 14:35:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=6811#comment-721</guid>

					<description><![CDATA[Leo, acho que isso é o crucial: fazer uma leitura de realidade lúcida para não fazermos merda, para se saber o que fazer. A propósito, queria comentar uma coisa. Antes da crise arrebentar (arrebentou mesmo?) quando rolavam os rumores da crise, várias análises de conjuntura corriam. Me lembro que o Valério Arcary cantava que a crise iria provocar levantes e uma conjuntura revolucionária mundial, a única em nossas vidas e etc. E por outro lado, o Emílio Gennari dizia que com a crise, como a esquerda está sem alternativa e despedaçada, os trabalhadores penderiam para a direita, e que era necessário não ter nenhuma ilusão. Enfim, sobreveio a crise, o capital encontrou meios de se manter funcionando (passou a bolha do capital fictício para o Estado), eu olho para as cidades e vejo os carros circulando como se nada tivesse acontecido (embora veja também que o número de mendigos, michês, pobres, desempregados, comércios falidos aumentou muito), mas o que eu vejo é exatamente o que o Gennari dizia: os trabalhadores penderam para a direita mesmo, até por uma defensiva e por falta de alternativa. Por isso, sou muito pessimista e penso que essa esquerda dos grupos que puxam hoje as oposições sindicais e movimento estudantil, se não tomar cuidado, ela vai literalmente desaparecer historicamente, mesmo porque está sem um projeto, sem uma avaliação consequente da realidade e aí tendem a seguir dois caminhos possíveis:
Ou o do PSTU/Conlutas, que pediu registro como central sindical no ministério do trabalho, e aceleradamente está se integrando na normatividade oficial (como o DCE da USP); ou os grupos menores radicais, que se jogam de cabeça em ações desesperadas, quase existencialistas, sem respaldo das bases, e viram um prato cheio para a repressão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leo, acho que isso é o crucial: fazer uma leitura de realidade lúcida para não fazermos merda, para se saber o que fazer. A propósito, queria comentar uma coisa. Antes da crise arrebentar (arrebentou mesmo?) quando rolavam os rumores da crise, várias análises de conjuntura corriam. Me lembro que o Valério Arcary cantava que a crise iria provocar levantes e uma conjuntura revolucionária mundial, a única em nossas vidas e etc. E por outro lado, o Emílio Gennari dizia que com a crise, como a esquerda está sem alternativa e despedaçada, os trabalhadores penderiam para a direita, e que era necessário não ter nenhuma ilusão. Enfim, sobreveio a crise, o capital encontrou meios de se manter funcionando (passou a bolha do capital fictício para o Estado), eu olho para as cidades e vejo os carros circulando como se nada tivesse acontecido (embora veja também que o número de mendigos, michês, pobres, desempregados, comércios falidos aumentou muito), mas o que eu vejo é exatamente o que o Gennari dizia: os trabalhadores penderam para a direita mesmo, até por uma defensiva e por falta de alternativa. Por isso, sou muito pessimista e penso que essa esquerda dos grupos que puxam hoje as oposições sindicais e movimento estudantil, se não tomar cuidado, ela vai literalmente desaparecer historicamente, mesmo porque está sem um projeto, sem uma avaliação consequente da realidade e aí tendem a seguir dois caminhos possíveis:<br />
Ou o do PSTU/Conlutas, que pediu registro como central sindical no ministério do trabalho, e aceleradamente está se integrando na normatividade oficial (como o DCE da USP); ou os grupos menores radicais, que se jogam de cabeça em ações desesperadas, quase existencialistas, sem respaldo das bases, e viram um prato cheio para a repressão.</p>
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