<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Sobre Negri e Hardt [*]	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2010/01/17173/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2010/01/17173/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Sat, 16 Dec 2023 23:20:09 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Joker		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/01/17173/#comment-916893</link>

		<dc:creator><![CDATA[Joker]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Dec 2023 14:57:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=17173#comment-916893</guid>

					<description><![CDATA[Morreu Antonio Negri. Resguardadas todas as críticas que lhe possam ser dirigidas, foi-se um militante e intelectual fundamental para a esquerda autonomista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Morreu Antonio Negri. Resguardadas todas as críticas que lhe possam ser dirigidas, foi-se um militante e intelectual fundamental para a esquerda autonomista.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: bertame		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/01/17173/#comment-7972</link>

		<dc:creator><![CDATA[bertame]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 04:51:47 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=17173#comment-7972</guid>

					<description><![CDATA[excelente trabalho, parabéns]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>excelente trabalho, parabéns</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ricardo Noronha		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/01/17173/#comment-7906</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Noronha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 22:21:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=17173#comment-7906</guid>

					<description><![CDATA[Excelente texto Léo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Excelente texto Léo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eduardo Tomazine		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/01/17173/#comment-7878</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 03:30:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=17173#comment-7878</guid>

					<description><![CDATA[Uma coisa que me incomoda na esmagadora maioria dos debates em torno das formulações teoricas de Negri, bem como de varios outros intelectuais (tanto da parte dos seus criticos, como daqueles que compartilham das suas leitura) é que eles se restringem ao locus de referência analitica dos paises centrais do capitalismo, sobretudo a Europa Ocidental. Pior ainda, acabam por universalizar certas categorias e conceitos que, para a maior parte do globo e da sua população, são apenas parcialmente validos, ou mesmo invalidos. Eh a praxis quem perde com isso.

Ora, que um Negri e um Hardt acabem por generalizar uma analise teorica formulada no contexto europeu e, em menor medida, estadunidense, isso podemos compreender mais facilmente, embora não devamos deixar de criticar. Agora, que os companheiros no Brasil, Argentina, México ou Africa do Sul sigam empregando irrefletidamente conceitos como o de trabalhador precario para designar trabalhadores como catadores ou ambulantes e formulando programas politicos para esse  sujeito potencialmente revolucionario por meio de categorias inadequadas, ai o problema é grave.
     
Afinal, se observarmos a composição da classe trabalhadora na América Latina, por exemplo, veremos que, entre a sua grande maioria  -  e, sobretudo, entre aqueles que animam os mais consistentes movimentos sociais  -  e o precario Europeu (o jovem desempregado, o subcontratado, o desempregado que ainda consta de alguma assistência social etc.) ha bem mais do que um oceano de diferenças. Creio que reconhecer essas diferenças tem uma importância que extrapola e muito uma mera demanda por rigor. Muda, &quot;simplesmente&quot;, os parâmetros para a definição de uma pratica revolucionaria coerente. Por exemplo: perante a condição de trabalhadores como camelôs, catadores de material para reciclagem e jovens favelados ou da periferia das grandes metropoles brasileiras, as estratégias de apropriação dos meios de produção borram as separações entre o capital cognitivo e o capital material. Igualmente, a sua luta para a criação do comum passa muito mais pela territorialização de parcelas do espaço do que por qualquer tipo de reivindicação, como a reivindicação tão coerentemente defendida por Negri de um &quot;salario de remuneração da vida&quot; (não sei se é esse o termo exato que Negri utiliza para essa renda minima a todos) - isto é, coerente para a realidade a qual ele analisa e milita!

Ademais, em nossos contextos semiperiféricos, as formas de controle também são qualitativamente distintas. Basta pensar na territorialização de espaços segregados por grupos armados e a violação sistematica de direitos humanos basicos por parte do Estado. Uma pergunta que poucos tem se colocado é saber como superar as ingerências ou mesmo os ataques que esses grupos disferem contra os movimentos sociais das cidades latinoamericanas. 
 
Francamente, creio que não apenas agendas de pesquisa coerentes com a realidade do capitalismo na sua semiperiferia são fundamentais para a elucidação da realidade e a atuação politica nessas regiões, como elas tendem a ser também cada vez mais pertinentes para as areas centrais! A respeito dessas agendas de pesquisa, indico a leitura atenta dos trabalhos de Marcelo Lopes de Souza, o qual, na minha opinião, é um dos intelectuais que mais tem contribuido atualmente para superar a &quot;descolonização do saber&quot; nessa seara. Eh evidente que, para esse tipo de investigação, as contribuições de um Negri, bem como as de um Andre Gorz e mesmo um Ivan Ilich são muito relevantes, desde que não nos impeçam de construir as ferramentas analiticas apropriadas para as nossas realidades.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma coisa que me incomoda na esmagadora maioria dos debates em torno das formulações teoricas de Negri, bem como de varios outros intelectuais (tanto da parte dos seus criticos, como daqueles que compartilham das suas leitura) é que eles se restringem ao locus de referência analitica dos paises centrais do capitalismo, sobretudo a Europa Ocidental. Pior ainda, acabam por universalizar certas categorias e conceitos que, para a maior parte do globo e da sua população, são apenas parcialmente validos, ou mesmo invalidos. Eh a praxis quem perde com isso.</p>
<p>Ora, que um Negri e um Hardt acabem por generalizar uma analise teorica formulada no contexto europeu e, em menor medida, estadunidense, isso podemos compreender mais facilmente, embora não devamos deixar de criticar. Agora, que os companheiros no Brasil, Argentina, México ou Africa do Sul sigam empregando irrefletidamente conceitos como o de trabalhador precario para designar trabalhadores como catadores ou ambulantes e formulando programas politicos para esse  sujeito potencialmente revolucionario por meio de categorias inadequadas, ai o problema é grave.</p>
<p>Afinal, se observarmos a composição da classe trabalhadora na América Latina, por exemplo, veremos que, entre a sua grande maioria  &#8211;  e, sobretudo, entre aqueles que animam os mais consistentes movimentos sociais  &#8211;  e o precario Europeu (o jovem desempregado, o subcontratado, o desempregado que ainda consta de alguma assistência social etc.) ha bem mais do que um oceano de diferenças. Creio que reconhecer essas diferenças tem uma importância que extrapola e muito uma mera demanda por rigor. Muda, &#8220;simplesmente&#8221;, os parâmetros para a definição de uma pratica revolucionaria coerente. Por exemplo: perante a condição de trabalhadores como camelôs, catadores de material para reciclagem e jovens favelados ou da periferia das grandes metropoles brasileiras, as estratégias de apropriação dos meios de produção borram as separações entre o capital cognitivo e o capital material. Igualmente, a sua luta para a criação do comum passa muito mais pela territorialização de parcelas do espaço do que por qualquer tipo de reivindicação, como a reivindicação tão coerentemente defendida por Negri de um &#8220;salario de remuneração da vida&#8221; (não sei se é esse o termo exato que Negri utiliza para essa renda minima a todos) &#8211; isto é, coerente para a realidade a qual ele analisa e milita!</p>
<p>Ademais, em nossos contextos semiperiféricos, as formas de controle também são qualitativamente distintas. Basta pensar na territorialização de espaços segregados por grupos armados e a violação sistematica de direitos humanos basicos por parte do Estado. Uma pergunta que poucos tem se colocado é saber como superar as ingerências ou mesmo os ataques que esses grupos disferem contra os movimentos sociais das cidades latinoamericanas. </p>
<p>Francamente, creio que não apenas agendas de pesquisa coerentes com a realidade do capitalismo na sua semiperiferia são fundamentais para a elucidação da realidade e a atuação politica nessas regiões, como elas tendem a ser também cada vez mais pertinentes para as areas centrais! A respeito dessas agendas de pesquisa, indico a leitura atenta dos trabalhos de Marcelo Lopes de Souza, o qual, na minha opinião, é um dos intelectuais que mais tem contribuido atualmente para superar a &#8220;descolonização do saber&#8221; nessa seara. Eh evidente que, para esse tipo de investigação, as contribuições de um Negri, bem como as de um Andre Gorz e mesmo um Ivan Ilich são muito relevantes, desde que não nos impeçam de construir as ferramentas analiticas apropriadas para as nossas realidades.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/01/17173/#comment-7853</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 06:32:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=17173#comment-7853</guid>

					<description><![CDATA[Lembrei que havia separado a passagem de Negri que aludi no comentário anterior. Então pude recuperá-la.

Em &quot;Cinco Lições sobre o Império&quot; Negri busca indicar os meios para se distinguir entre os gestores e trabalhadores dentro do conceito de multidão, uma vez que enquanto conjunto de singularidades produtivas na hegemonia do trabalho imaterial, isto é, quando a atividade social como um todo gera valor, ao menos a princípio, ele englobaria sem distinção todos na sociedade. A diferenciação entre “o gerente e o operário”, ou entre o gestor e o trabalhador, seria dada pelo comum: “é somente a afirmação do “comum” que nos permite orientar de dentro dos fluxos de produção e separar os capitalistas, alienantes, dos que recompõem o saber e a liberdade. O problema será então resolvido por uma ruptura prática, capaz de reafirmar a centralidade da práxis comum” (p.227).
Em outras palavras, essa separação só se daria na prática, através de uma práxis que os diferenciaria, na qual os trabalhadores se reconhecessem através do que têm em comum e produzem em comum, contra a apropriação privada dos capitalistas. 

&quot;Exploração deverá significar de fato, apropriação de uma parte ou de todo o valor que foi construído em comum. (Este “em comum” não quer dizer que, na produção, trabalhadores e patrões estejam juntos: absolutamente não! A luta de classe continua!) A emergência do comum que se dá no processo produtivo não elimina o antagonismo interno à produção, mas o desenvolve – imediatamente – no nível de toda a sociedade produtiva. Trabalhadores e capitalistas se chocam na produção social, porque os trabalhadores (a multidão) representam o comum (a cooperação), enquanto os capitalistas (o poder) representam as múltiplas mas sempre ferozes – vias de apropriação privada&quot; (Negri, Cinco Lições sobre o Império, p.266-267).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lembrei que havia separado a passagem de Negri que aludi no comentário anterior. Então pude recuperá-la.</p>
<p>Em &#8220;Cinco Lições sobre o Império&#8221; Negri busca indicar os meios para se distinguir entre os gestores e trabalhadores dentro do conceito de multidão, uma vez que enquanto conjunto de singularidades produtivas na hegemonia do trabalho imaterial, isto é, quando a atividade social como um todo gera valor, ao menos a princípio, ele englobaria sem distinção todos na sociedade. A diferenciação entre “o gerente e o operário”, ou entre o gestor e o trabalhador, seria dada pelo comum: “é somente a afirmação do “comum” que nos permite orientar de dentro dos fluxos de produção e separar os capitalistas, alienantes, dos que recompõem o saber e a liberdade. O problema será então resolvido por uma ruptura prática, capaz de reafirmar a centralidade da práxis comum” (p.227).<br />
Em outras palavras, essa separação só se daria na prática, através de uma práxis que os diferenciaria, na qual os trabalhadores se reconhecessem através do que têm em comum e produzem em comum, contra a apropriação privada dos capitalistas. </p>
<p>&#8220;Exploração deverá significar de fato, apropriação de uma parte ou de todo o valor que foi construído em comum. (Este “em comum” não quer dizer que, na produção, trabalhadores e patrões estejam juntos: absolutamente não! A luta de classe continua!) A emergência do comum que se dá no processo produtivo não elimina o antagonismo interno à produção, mas o desenvolve – imediatamente – no nível de toda a sociedade produtiva. Trabalhadores e capitalistas se chocam na produção social, porque os trabalhadores (a multidão) representam o comum (a cooperação), enquanto os capitalistas (o poder) representam as múltiplas mas sempre ferozes – vias de apropriação privada&#8221; (Negri, Cinco Lições sobre o Império, p.266-267).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/01/17173/#comment-7850</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 23:27:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=17173#comment-7850</guid>

					<description><![CDATA[Seguindo o comentário do João Bernardo, aqui há um bom artigo, a partir de um estudo de caso que problematiza a questão das &#039;classes criativas&#039; e dos gestores dentro de um empreendimento que mobiliza o tal trabalho imaterial ou a intelectualidade de massa: http://www.ephemeraweb.org/journal/7-1/7-1arvidsson.pdf

De fato na teoria dos pós-operaístas a clivagem entre trabalhadores e gestores ou capitalistas é no minimo obscura. Michael Albert critica o conceito de multidão nesse sentido também.
Em uma passagem de um livro que não me recordo exatamente qual e que não me aventuraria procurar agora, porém Negri expõe de forma mais convincente ou clara, o que distinguiria o trabalhador do capitalista para ele. O conflito que distinguiria ambos giraria, em poucas palavras, em torno da tentativa de apropriação do produzido em comum por parte do capitalista. Claramente uma concepção mais fácil de ser apreendida e identificada por quem paticipa diretamente do tal &#039;capitalismo cognitivo&#039;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seguindo o comentário do João Bernardo, aqui há um bom artigo, a partir de um estudo de caso que problematiza a questão das &#8216;classes criativas&#8217; e dos gestores dentro de um empreendimento que mobiliza o tal trabalho imaterial ou a intelectualidade de massa: <a href="http://www.ephemeraweb.org/journal/7-1/7-1arvidsson.pdf" rel="nofollow ugc">http://www.ephemeraweb.org/journal/7-1/7-1arvidsson.pdf</a></p>
<p>De fato na teoria dos pós-operaístas a clivagem entre trabalhadores e gestores ou capitalistas é no minimo obscura. Michael Albert critica o conceito de multidão nesse sentido também.<br />
Em uma passagem de um livro que não me recordo exatamente qual e que não me aventuraria procurar agora, porém Negri expõe de forma mais convincente ou clara, o que distinguiria o trabalhador do capitalista para ele. O conflito que distinguiria ambos giraria, em poucas palavras, em torno da tentativa de apropriação do produzido em comum por parte do capitalista. Claramente uma concepção mais fácil de ser apreendida e identificada por quem paticipa diretamente do tal &#8216;capitalismo cognitivo&#8217;.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/01/17173/#comment-7849</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 12:16:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=17173#comment-7849</guid>

					<description><![CDATA[Originariamente, as inovações teóricas de Negri inseriram-se num debate bastante amplo no seio da esquerda marxista, incluindo os partidos comunistas francês e italiano, e em que ocupou um lugar importante o «Capítulo Inédito» de &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt;. Este meu comentário diz respeito a esse conjunto de posições, e não especificamente às teses defendidas por Negri. Apesar disso, não me parece despropositado no artigo do Leo Vinicius, porque trata de questões que lhe estão subjacentes.
A confusão entre trabalho produtivo e fabrico de objectos palpáveis e sujeitos à lei da gravidade tem sido feita pelos marxistas que se reivindicam do leninismo e do trotskismo, possivelmente por razões corporativas, porque eles se encontram ligados − quando se encontram ligados a alguma coisa − às burocracias sindicais de base operária tradicional.
No entanto, em &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt; Marx definiu muito claramente o trabalho produtivo como aquele que produz mais-valia, e definiu a mais-valia como uma relação de produção em que os produtores são desapropriados tanto do produto como do conhecimento e do controlo do processo de trabalho. Em &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt;, que pode ser considerado uma longa crítica à reificação, seria difícil imaginar que Marx confundisse uma relação social com um produto material dessa relação social. Aliás, mesmo naquela época de capitalismo estritamente fabril, e em que, por conseguinte, a grande parte do trabalho produtivo dava lugar a objectos materiais e palpáveis, Marx incluiu no trabalho produtivo a actividade dos transportes, que depois seria considerada como um serviço.
Com a taylorização da actividade dos escritórios e, em seguida, com o fim do fordismo e a difusão do toyotismo, passou a ter uma importância crescente a exploração da componente intelectual do trabalho. A divisão entre indústria e serviços perdeu a razão de ser e ambas as actividades obedecem hoje ao mesmo sistema de organização do trabalho. Uma vez mais, o que importa são as relações sociais estabelecidas no processo de trabalho e não o facto de o resultado desse trabalho obedecer ou não à lei da gravidade.
Mas é necessário distinguir claramente a cisão social ocorrida no interior dos novos processos de trabalho. Sem dúvida que a componente intelectual da actividade laboral é cada vez mais importante. No interior deste quadro, porém, há os que perdem qualquer direito ao controlo do seu processo intelectual e que não conseguem organizar o seu horário de trabalho independentemente das pressões do capital; e há os que se inserem nas hierarquias que controlam e organizam os processos de trabalho alheios. Uns são trabalhadores produtivos, explorados; os outros são gestores capitalistas, exploradores.
Ora, esta clivagem não pode ser detectada nem entendida se não admitirmos a existência no capitalismo de duas classes exploradoras: a burguesia, que se apropria do capital directamente no plano jurídico, graças à propriedade dos meios de produção; e os gestores, que se apoderam do capital no plano organizativo, graças ao controlo exercido sobre o processo de trabalho.
Pouco importa que o antagonismo entre trabalhadores e gestores ocorra no interior das paredes de uma mesma empresa ou que ocorra entre pessoas ligadas pela terceirização e pela subcontratação. Dando continuidade a um processo inaugurado há muito, a concentração económica do capital deixou de exigir a concentração jurídica, e as tecnologias de controlo electrónico permitem agora a uma pequena sede, onde se concentra o capital, organizar a produção de um grande número de subcontratantes e de trabalhadores individuais. Nestes casos a dispersão jurídica corresponde a um aumento da concentração económica. E se a precarização do emprego levou o assalariamento a assumir formas jurídicas diferentes, o que importa é a clivagem existente no interior das novas formas assumidas pelas relações de trabalho. Não nos devemos prender aos termos jurídicos para definir os limites da empresa, que só devem ser definidos em termos de relações de produção.
Os autores que não procedem com a necessária clareza àquela divisão de classes gozam de uma considerável popularidade, porque nas suas teses podem rever-se tanto alguns dos novos trabalhadores produtivos «imateriais» como alguns dos novos gestores «imateriais». Essas teses chamam a atenção para o novo quadro de exercício do trabalho, mas sem destacarem devidamente os mecanismos de exploração decorrentes desse quadro. Por isso, julgo que elas reformulam na época contemporânea a ambiguidade social que tem viciado a esquerda anticapitalista e a tem conduzido às suas derrotas históricas − a ausência de uma clivagem clara entre trabalhadores e gestores. É a camada social mais directamente beneficiada por esta ambiguidade que, na minha opinião, se sente representada por essas teses.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Originariamente, as inovações teóricas de Negri inseriram-se num debate bastante amplo no seio da esquerda marxista, incluindo os partidos comunistas francês e italiano, e em que ocupou um lugar importante o «Capítulo Inédito» de <em>O Capital</em>. Este meu comentário diz respeito a esse conjunto de posições, e não especificamente às teses defendidas por Negri. Apesar disso, não me parece despropositado no artigo do Leo Vinicius, porque trata de questões que lhe estão subjacentes.<br />
A confusão entre trabalho produtivo e fabrico de objectos palpáveis e sujeitos à lei da gravidade tem sido feita pelos marxistas que se reivindicam do leninismo e do trotskismo, possivelmente por razões corporativas, porque eles se encontram ligados − quando se encontram ligados a alguma coisa − às burocracias sindicais de base operária tradicional.<br />
No entanto, em <em>O Capital</em> Marx definiu muito claramente o trabalho produtivo como aquele que produz mais-valia, e definiu a mais-valia como uma relação de produção em que os produtores são desapropriados tanto do produto como do conhecimento e do controlo do processo de trabalho. Em <em>O Capital</em>, que pode ser considerado uma longa crítica à reificação, seria difícil imaginar que Marx confundisse uma relação social com um produto material dessa relação social. Aliás, mesmo naquela época de capitalismo estritamente fabril, e em que, por conseguinte, a grande parte do trabalho produtivo dava lugar a objectos materiais e palpáveis, Marx incluiu no trabalho produtivo a actividade dos transportes, que depois seria considerada como um serviço.<br />
Com a taylorização da actividade dos escritórios e, em seguida, com o fim do fordismo e a difusão do toyotismo, passou a ter uma importância crescente a exploração da componente intelectual do trabalho. A divisão entre indústria e serviços perdeu a razão de ser e ambas as actividades obedecem hoje ao mesmo sistema de organização do trabalho. Uma vez mais, o que importa são as relações sociais estabelecidas no processo de trabalho e não o facto de o resultado desse trabalho obedecer ou não à lei da gravidade.<br />
Mas é necessário distinguir claramente a cisão social ocorrida no interior dos novos processos de trabalho. Sem dúvida que a componente intelectual da actividade laboral é cada vez mais importante. No interior deste quadro, porém, há os que perdem qualquer direito ao controlo do seu processo intelectual e que não conseguem organizar o seu horário de trabalho independentemente das pressões do capital; e há os que se inserem nas hierarquias que controlam e organizam os processos de trabalho alheios. Uns são trabalhadores produtivos, explorados; os outros são gestores capitalistas, exploradores.<br />
Ora, esta clivagem não pode ser detectada nem entendida se não admitirmos a existência no capitalismo de duas classes exploradoras: a burguesia, que se apropria do capital directamente no plano jurídico, graças à propriedade dos meios de produção; e os gestores, que se apoderam do capital no plano organizativo, graças ao controlo exercido sobre o processo de trabalho.<br />
Pouco importa que o antagonismo entre trabalhadores e gestores ocorra no interior das paredes de uma mesma empresa ou que ocorra entre pessoas ligadas pela terceirização e pela subcontratação. Dando continuidade a um processo inaugurado há muito, a concentração económica do capital deixou de exigir a concentração jurídica, e as tecnologias de controlo electrónico permitem agora a uma pequena sede, onde se concentra o capital, organizar a produção de um grande número de subcontratantes e de trabalhadores individuais. Nestes casos a dispersão jurídica corresponde a um aumento da concentração económica. E se a precarização do emprego levou o assalariamento a assumir formas jurídicas diferentes, o que importa é a clivagem existente no interior das novas formas assumidas pelas relações de trabalho. Não nos devemos prender aos termos jurídicos para definir os limites da empresa, que só devem ser definidos em termos de relações de produção.<br />
Os autores que não procedem com a necessária clareza àquela divisão de classes gozam de uma considerável popularidade, porque nas suas teses podem rever-se tanto alguns dos novos trabalhadores produtivos «imateriais» como alguns dos novos gestores «imateriais». Essas teses chamam a atenção para o novo quadro de exercício do trabalho, mas sem destacarem devidamente os mecanismos de exploração decorrentes desse quadro. Por isso, julgo que elas reformulam na época contemporânea a ambiguidade social que tem viciado a esquerda anticapitalista e a tem conduzido às suas derrotas históricas − a ausência de uma clivagem clara entre trabalhadores e gestores. É a camada social mais directamente beneficiada por esta ambiguidade que, na minha opinião, se sente representada por essas teses.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
