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	Comentários sobre: O que há de autonomia na luta dos professores paulistas?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Ncrgua		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/03/20648/#comment-9099</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ncrgua]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 17:08:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Li por vez primeira as observ. de Renan no CMI e tenho várias observ. a fazer mas uma reuniäo de balanco (teclado configurado em castelhano) sobre a Greve e näo posso extenderme agora.
Porém quero destacar: 1-A Teoria do Autonomismo, é encontrada nos escritos de Tony Negri e Michael Hardt . Vc defende esta teoria ou houve mera coincidëncia entre o termo Autonomismo?
2-As constatacóes de que näo se realiza cursos e etc que visam elevar a subjetividade da categoria em maior número sindicalizada, em toda a nossa América Latina e Caribe nao fazem frente a ausëncia de proposta no sentido de CRIAR A FRACAO REVOLUCIONÁRIA näo só na apeoesp mas em outros sindicatos(descartando o malufista cpp,udemo,etc é lógico)e centrais(descartando ugt,etc);
3-A partir da formacäo da FRACAO REVOLUCIONÁRIA, deve-se intervir nos processos eleitorais, inclusive com o projeto do VOTO NULO PROGRAMÁTICO;
4-Nenhuma acao deve ser feita isolada de um número expressivo de trabalhadores, para näo se caracterizar como aventurireismo ou romanticismo ¨¨revolucionário¨¨. É vital adquirir influencia de massas;
5-É necessário discutir-se a estratégia na formacáo do autëntico PARTIDO OBREIRO REVOLUCIONÁRIO considerando que a burguesia atua em bloco, centralizada, como um partido e a nível mundial e a resposta dos oprimidos e explorados também deve merecer tal grau de organizacäo.
6-Deste ítem em seguida(7,8,etc),deixarei para outra ocasiäo,caso a discussäo entre nós,evolua.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Li por vez primeira as observ. de Renan no CMI e tenho várias observ. a fazer mas uma reuniäo de balanco (teclado configurado em castelhano) sobre a Greve e näo posso extenderme agora.<br />
Porém quero destacar: 1-A Teoria do Autonomismo, é encontrada nos escritos de Tony Negri e Michael Hardt . Vc defende esta teoria ou houve mera coincidëncia entre o termo Autonomismo?<br />
2-As constatacóes de que näo se realiza cursos e etc que visam elevar a subjetividade da categoria em maior número sindicalizada, em toda a nossa América Latina e Caribe nao fazem frente a ausëncia de proposta no sentido de CRIAR A FRACAO REVOLUCIONÁRIA näo só na apeoesp mas em outros sindicatos(descartando o malufista cpp,udemo,etc é lógico)e centrais(descartando ugt,etc);<br />
3-A partir da formacäo da FRACAO REVOLUCIONÁRIA, deve-se intervir nos processos eleitorais, inclusive com o projeto do VOTO NULO PROGRAMÁTICO;<br />
4-Nenhuma acao deve ser feita isolada de um número expressivo de trabalhadores, para näo se caracterizar como aventurireismo ou romanticismo ¨¨revolucionário¨¨. É vital adquirir influencia de massas;<br />
5-É necessário discutir-se a estratégia na formacáo do autëntico PARTIDO OBREIRO REVOLUCIONÁRIO considerando que a burguesia atua em bloco, centralizada, como um partido e a nível mundial e a resposta dos oprimidos e explorados também deve merecer tal grau de organizacäo.<br />
6-Deste ítem em seguida(7,8,etc),deixarei para outra ocasiäo,caso a discussäo entre nós,evolua.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Giancarlo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/03/20648/#comment-9091</link>

		<dc:creator><![CDATA[Giancarlo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Apr 2010 23:59:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito rico o texto postado por Renan. Trás inúmeras questão para serem analisadas. A central julgo ser, como já foi citado em alguns comentários, a questão da autonomia. Os sindicatos podem contribuir para a mesma ou são necessariamente centralizadores? Entendo por autonomia a possibilidade dos professores, em suas unidades de trabalho (escolas) se organizarem entre si, e com os demais profissionais e alunos e pais de alunos, para decidirem sobre as normas e condutas a serem a serem seguidas nas escolas. Bem como a articulação destas unidades para enfrentar as normas e condutas deliberadas pelo Estado. O sindicato, como o próprio Renan resumiu, tem como papel gerir as lutas. Ora, há aqui uma contradição direta com a autonomia. A direção sindical, passa então, ela sim, a ter autonomia em relação à base dos professores que diz representar. A direção dos sindicatos representam a base dos professores nas mesma medida que o governador do estado representa a população. As oposições sindicais até podem representar um papel &quot;progressista&quot; quando realizam ações de luta direta (organização de atos, debates, críticas ao governo e a direção do sindicato), mas possuem a limitação de quererem elas, gerir as lutas dos professores.
Ao que tudo indica, a Apeoesp conseguiu, até então, realizar a greve como queria, uma greve eleitoral somente. Foi só o Governador sair do cargo para se candidatar a presidência que a Apeoesp propos e manobrou o fim da greve. Mas houve oposição, e poderá continuar havendo, já que pelo menos este episódio da luta dos professores de SP ainda não chegou completamente ao fim.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito rico o texto postado por Renan. Trás inúmeras questão para serem analisadas. A central julgo ser, como já foi citado em alguns comentários, a questão da autonomia. Os sindicatos podem contribuir para a mesma ou são necessariamente centralizadores? Entendo por autonomia a possibilidade dos professores, em suas unidades de trabalho (escolas) se organizarem entre si, e com os demais profissionais e alunos e pais de alunos, para decidirem sobre as normas e condutas a serem a serem seguidas nas escolas. Bem como a articulação destas unidades para enfrentar as normas e condutas deliberadas pelo Estado. O sindicato, como o próprio Renan resumiu, tem como papel gerir as lutas. Ora, há aqui uma contradição direta com a autonomia. A direção sindical, passa então, ela sim, a ter autonomia em relação à base dos professores que diz representar. A direção dos sindicatos representam a base dos professores nas mesma medida que o governador do estado representa a população. As oposições sindicais até podem representar um papel &#8220;progressista&#8221; quando realizam ações de luta direta (organização de atos, debates, críticas ao governo e a direção do sindicato), mas possuem a limitação de quererem elas, gerir as lutas dos professores.<br />
Ao que tudo indica, a Apeoesp conseguiu, até então, realizar a greve como queria, uma greve eleitoral somente. Foi só o Governador sair do cargo para se candidatar a presidência que a Apeoesp propos e manobrou o fim da greve. Mas houve oposição, e poderá continuar havendo, já que pelo menos este episódio da luta dos professores de SP ainda não chegou completamente ao fim.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Milton		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/03/20648/#comment-9051</link>

		<dc:creator><![CDATA[Milton]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 18:53:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=20648#comment-9051</guid>

					<description><![CDATA[Meu caro Ronan excelente texto o seu. A tempos é preciso enfrentar com criticidade intelectual a atuação dos nossos &quot;representantes sindicais&quot;. Munidos de uma estrategia ideologica setentista assim como muito de nossos colegas estão totalmente desconectadas das novas formas de enfrentamentamente politico, isto para além da necessidade as vezes instriseca do enfrentamentamento direto. Portanto, coloca aqui a questão para todos. Porque não o enfrentamento direto? Porque não convocamos um dia geral de paralisão de todos os trabalhadores em nome da educação. Um dia, uma hora, um minuto em nome da educação. Porque não propomos uma intervençao artistica em um local de midia. Porque não se utilizamos da midia a nosso favor?

De fato precisamos urgente de novas formas de representação das nossas lutas. E talvez associações livres desta a apeoesp ista, petista, psdbista (não duvidem tem muito tucano entre nós) pcbista e todas estas demais ideologias historicamente obsoletas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu caro Ronan excelente texto o seu. A tempos é preciso enfrentar com criticidade intelectual a atuação dos nossos &#8220;representantes sindicais&#8221;. Munidos de uma estrategia ideologica setentista assim como muito de nossos colegas estão totalmente desconectadas das novas formas de enfrentamentamente politico, isto para além da necessidade as vezes instriseca do enfrentamentamento direto. Portanto, coloca aqui a questão para todos. Porque não o enfrentamento direto? Porque não convocamos um dia geral de paralisão de todos os trabalhadores em nome da educação. Um dia, uma hora, um minuto em nome da educação. Porque não propomos uma intervençao artistica em um local de midia. Porque não se utilizamos da midia a nosso favor?</p>
<p>De fato precisamos urgente de novas formas de representação das nossas lutas. E talvez associações livres desta a apeoesp ista, petista, psdbista (não duvidem tem muito tucano entre nós) pcbista e todas estas demais ideologias historicamente obsoletas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Seu Madruga		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/03/20648/#comment-9050</link>

		<dc:creator><![CDATA[Seu Madruga]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 16:34:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=20648#comment-9050</guid>

					<description><![CDATA[Vejam o site da apeoesp:
http://apeoespsub.org.br/

Observem a parte de baixo do site. Existem propagandas de convenios com empresas privadas na área de plano de saúde.
Não era a apeoesp que dizia protestar em defesa do IPESP e da saúde pública? Não era o mesmo sindicato que dizia ser contra a SP-PREV (previdencia de fundo de pensão) e na hora H, em 2007, recuou e matou uma greve de verdade que estava para explodir, apenas porque o Serra lhes deu cadeiras na gestão do tal fundo de pensão?
Que pensar de um sindicato desses?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vejam o site da apeoesp:<br />
<a href="http://apeoespsub.org.br/" rel="nofollow ugc">http://apeoespsub.org.br/</a></p>
<p>Observem a parte de baixo do site. Existem propagandas de convenios com empresas privadas na área de plano de saúde.<br />
Não era a apeoesp que dizia protestar em defesa do IPESP e da saúde pública? Não era o mesmo sindicato que dizia ser contra a SP-PREV (previdencia de fundo de pensão) e na hora H, em 2007, recuou e matou uma greve de verdade que estava para explodir, apenas porque o Serra lhes deu cadeiras na gestão do tal fundo de pensão?<br />
Que pensar de um sindicato desses?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Otto J. Leite		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/03/20648/#comment-9032</link>

		<dc:creator><![CDATA[Otto J. Leite]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2010 16:43:41 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=20648#comment-9032</guid>

					<description><![CDATA[Caro Ronan

Parabens pelo excelente artigo. Tenho pleno acordo com sua linha de raciocínio.
Como você sabe, participei do sindicato por muito anos. A estrutura é hierarquica, vedada às intervenções da base, centralista, dominada por uma casta de burocratas profissionais. E quanto ao argumento do companheiro da ASS - que colocou algumas questões pertinentes - eu diria que embora o numero de sindicalistas profissionais puros seja bem reduzido na apeoesp, o sindicato se transforma em meio de vida e salário indireto para seus dirigentes, que passam a ter através do sindicato almoços pagos, gasolina para carro, uso de telefones e celular, computador, salão de festas, etc, resumindo, um salário indireto sim, que se contabilizado, se torna um meio de reprodução pessoal de dirigentes.
O que reina, mesmo em subsedes, é um fisiologismo, grupos de afinidade que controlam, panelinhas, que se travestem atrás de discursos ideológicos, mas acabam sendo grupos que se encostam na estrutura e procuram tão somente a reprodução pessoal, sendo vedados a qualquer coisa nova.
Concordo com você, que o impulso à luta tem que vir principalmente de fora. Mas tambem penso que esses movimentos autonomos, na medida do possivel devem disputar espaços de base - como os REs, e até CRs de Subsede, sempre tendo claro em mente não se deixar instrumentalizar pelo cretinismo pragmatico do dia-a-dia sindical, sem se deixar tragar.
Mas a grana no sindicato não deixa de ser um dinheiro, que tanto pode ser nosso e usado para luta como pode se transformar em mais-valia e capital na mão dos dirigentes sindicais. Nada mais é que uma dada reserva de tempo social que pode ter usos muito diferentes, até opostos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Ronan</p>
<p>Parabens pelo excelente artigo. Tenho pleno acordo com sua linha de raciocínio.<br />
Como você sabe, participei do sindicato por muito anos. A estrutura é hierarquica, vedada às intervenções da base, centralista, dominada por uma casta de burocratas profissionais. E quanto ao argumento do companheiro da ASS &#8211; que colocou algumas questões pertinentes &#8211; eu diria que embora o numero de sindicalistas profissionais puros seja bem reduzido na apeoesp, o sindicato se transforma em meio de vida e salário indireto para seus dirigentes, que passam a ter através do sindicato almoços pagos, gasolina para carro, uso de telefones e celular, computador, salão de festas, etc, resumindo, um salário indireto sim, que se contabilizado, se torna um meio de reprodução pessoal de dirigentes.<br />
O que reina, mesmo em subsedes, é um fisiologismo, grupos de afinidade que controlam, panelinhas, que se travestem atrás de discursos ideológicos, mas acabam sendo grupos que se encostam na estrutura e procuram tão somente a reprodução pessoal, sendo vedados a qualquer coisa nova.<br />
Concordo com você, que o impulso à luta tem que vir principalmente de fora. Mas tambem penso que esses movimentos autonomos, na medida do possivel devem disputar espaços de base &#8211; como os REs, e até CRs de Subsede, sempre tendo claro em mente não se deixar instrumentalizar pelo cretinismo pragmatico do dia-a-dia sindical, sem se deixar tragar.<br />
Mas a grana no sindicato não deixa de ser um dinheiro, que tanto pode ser nosso e usado para luta como pode se transformar em mais-valia e capital na mão dos dirigentes sindicais. Nada mais é que uma dada reserva de tempo social que pode ter usos muito diferentes, até opostos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Graça Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/03/20648/#comment-8981</link>

		<dc:creator><![CDATA[Graça Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 03:20:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Parabéns pela brilhante análise. 
Acredito que independente do sindicato, há que haver mobilização dos profissionais da área de educação no debate da questão educacional. Concordo que temos que nos unir e participar mais ativamente, não só apontando os problemas da educação, como também elaborando projetos. Até o presente momento, o que fizemos para nos aproximar da população? Quantas vezes promovemos um grupo de discussão em nossas escolas e levamos as nossas propostas para a direção, para os pais ou para secretaria de educação? Quantas vezes nos unimos para encaminhar sugestões aos parlamentares? Temos o hábito de escrever aos jornais falando sobre o cotidiano escolar?
Particularmente acredito que o baixo salário da categoria é conseqüência da pouca importância dada à educação de massa. 
Caros colegas, o assistencialismo é uma praga arraigada na mentalidade dos dirigentes brasileiros. A questão social ainda é tratada na base da esmola e continua sendo caso de polícia. Na ótica dos nossos dirigentes educação pública, não é direito, é favor. Preste atenção nos discursos de campanha e vocês verão que estou com razão. 
A época áurea da categoria coincide com o momento em que o Estado necessita de mão de obra especializada para suprir seus quadros burocráticos. O profissional de educação na era Vargas era endeusado, atuava na educação popular, mas o projeto educacional não se destinava à massa. Hoje as necessidades são outras, apesar do discurso a pouca mão-de-obra qualificada existente atende as necessidades. Doutores e mestres estão sobrando no país. As mães e os pais de nossos alunos, em sua grande maioria, não tem condições para avaliar as políticas educacionais, mas nós temos. Quando surge um novo pacote “modernizante”, somos capazes de analisá-lo apontando os pontos positivos e negativos, pois temos capacidade, conhecimento e experiência para fazê-lo. 
Em vários municípios foi implantado o regime da aprovação automática, uma autêntica linha de produção de analfabetos funcionais. Onde estava a nossa categoria que não se mobilizou e partiu em defesa da Educação? Ao terminar o Ensino Fundamental o estudante recebe um diploma de conclusão e é imediatamente admitido no Ensino Médio. Contaminados pelo assistencialismo, que vem de cima, a maioria dos professores e professoras, ficam com “peninha” e tentam ensinar para aquele estudante o que ele deveria ter aprendido no fundamental. Impossível tarefa, pois nem alfabetizado ele foi... Hipoteticamente vamos considerar a seguinte situação: o município remete uma leva de analfabetos funcionais para o Estado, agindo conscientemente como profissionais vamos seguir à risca o programa elaborado pela secretaria de educação para esse segmento. Chega o final do ano, resultado? Reprovação em massa. Escândalo total. Soa o alarme na secretaria estadual de educação, afinal estatística para a publicidade é uma necessidade real. Pais e mães furiosos significam prejuízo nas urnas, a imprensa seria obrigada a noticiar e então, a caixa preta do fracasso escolar seria encontrada e aberta. As autoridades competentes seriam pressionadas pela população Politicamente falando, tanto para o município quanto para o Estado, a quantidade de aprovações tem sentido e é valorizada. Lembram-se das pressões feitas durante os COCS?  A aprovação significa votos, recursos do governo federal, etc. etc. Os professores neste caso estariam protegidos, pois foram profissionais e executaram exatamente o que determina o Mec e as secretarias de educação. A população finalmente perceberá a realidade e ver que a educação não é o que a publicidade anuncia. Os estados cobrariam dos municípios as suas responsabilidades, a educação pública passaria a ser um item importante, pois é fiscalizada, o povo a entende. Sejamos professores e professoras de fato, vamos usar o nosso conhecimento, a nossa experiência para defender a educação tornando-a inteligível para a população.
A greve é válida, mas é perigosa porque coloca a população contra nós e encobre as falhas do sistema. Os governantes saem ilesos, são aplaudidos pela população quando colocam a tropa de choque para espancar “os vagabundos”, afinal para o povo a educação é tudo aquilo que ela vê nas propagandas, e nós ao entramos em greve estamos impedindo que as crianças e os jovens desfrutem desses benefícios.  E enquanto a tropa de choque baixa o cassetete nas professoras e nos professores, em casa uma mãe pensa: “O calor está infernal, todas as escolas tem ar condicionado, mas meu filho esta cozinhando aqui em casa porque a professora dele esta em greve. O menino é bom, nunca repetiu um ano sequer, até agora passou direto. A escola é boa, tem merenda, tem computador, deu o uniforme, os livros e até a passagem de ônibus. Ano que vem voto nesse prefeito e nesse governador, eles defendem os pobres...”.
O artigo apresenta uma excelente proposta que é a criação de espaços para se discutir a educação, vamos vestir essa camisa e criar fóruns, comunidades e blogs. Plantem essa idéia, eu já criei o meu.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parabéns pela brilhante análise.<br />
Acredito que independente do sindicato, há que haver mobilização dos profissionais da área de educação no debate da questão educacional. Concordo que temos que nos unir e participar mais ativamente, não só apontando os problemas da educação, como também elaborando projetos. Até o presente momento, o que fizemos para nos aproximar da população? Quantas vezes promovemos um grupo de discussão em nossas escolas e levamos as nossas propostas para a direção, para os pais ou para secretaria de educação? Quantas vezes nos unimos para encaminhar sugestões aos parlamentares? Temos o hábito de escrever aos jornais falando sobre o cotidiano escolar?<br />
Particularmente acredito que o baixo salário da categoria é conseqüência da pouca importância dada à educação de massa.<br />
Caros colegas, o assistencialismo é uma praga arraigada na mentalidade dos dirigentes brasileiros. A questão social ainda é tratada na base da esmola e continua sendo caso de polícia. Na ótica dos nossos dirigentes educação pública, não é direito, é favor. Preste atenção nos discursos de campanha e vocês verão que estou com razão.<br />
A época áurea da categoria coincide com o momento em que o Estado necessita de mão de obra especializada para suprir seus quadros burocráticos. O profissional de educação na era Vargas era endeusado, atuava na educação popular, mas o projeto educacional não se destinava à massa. Hoje as necessidades são outras, apesar do discurso a pouca mão-de-obra qualificada existente atende as necessidades. Doutores e mestres estão sobrando no país. As mães e os pais de nossos alunos, em sua grande maioria, não tem condições para avaliar as políticas educacionais, mas nós temos. Quando surge um novo pacote “modernizante”, somos capazes de analisá-lo apontando os pontos positivos e negativos, pois temos capacidade, conhecimento e experiência para fazê-lo.<br />
Em vários municípios foi implantado o regime da aprovação automática, uma autêntica linha de produção de analfabetos funcionais. Onde estava a nossa categoria que não se mobilizou e partiu em defesa da Educação? Ao terminar o Ensino Fundamental o estudante recebe um diploma de conclusão e é imediatamente admitido no Ensino Médio. Contaminados pelo assistencialismo, que vem de cima, a maioria dos professores e professoras, ficam com “peninha” e tentam ensinar para aquele estudante o que ele deveria ter aprendido no fundamental. Impossível tarefa, pois nem alfabetizado ele foi&#8230; Hipoteticamente vamos considerar a seguinte situação: o município remete uma leva de analfabetos funcionais para o Estado, agindo conscientemente como profissionais vamos seguir à risca o programa elaborado pela secretaria de educação para esse segmento. Chega o final do ano, resultado? Reprovação em massa. Escândalo total. Soa o alarme na secretaria estadual de educação, afinal estatística para a publicidade é uma necessidade real. Pais e mães furiosos significam prejuízo nas urnas, a imprensa seria obrigada a noticiar e então, a caixa preta do fracasso escolar seria encontrada e aberta. As autoridades competentes seriam pressionadas pela população Politicamente falando, tanto para o município quanto para o Estado, a quantidade de aprovações tem sentido e é valorizada. Lembram-se das pressões feitas durante os COCS?  A aprovação significa votos, recursos do governo federal, etc. etc. Os professores neste caso estariam protegidos, pois foram profissionais e executaram exatamente o que determina o Mec e as secretarias de educação. A população finalmente perceberá a realidade e ver que a educação não é o que a publicidade anuncia. Os estados cobrariam dos municípios as suas responsabilidades, a educação pública passaria a ser um item importante, pois é fiscalizada, o povo a entende. Sejamos professores e professoras de fato, vamos usar o nosso conhecimento, a nossa experiência para defender a educação tornando-a inteligível para a população.<br />
A greve é válida, mas é perigosa porque coloca a população contra nós e encobre as falhas do sistema. Os governantes saem ilesos, são aplaudidos pela população quando colocam a tropa de choque para espancar “os vagabundos”, afinal para o povo a educação é tudo aquilo que ela vê nas propagandas, e nós ao entramos em greve estamos impedindo que as crianças e os jovens desfrutem desses benefícios.  E enquanto a tropa de choque baixa o cassetete nas professoras e nos professores, em casa uma mãe pensa: “O calor está infernal, todas as escolas tem ar condicionado, mas meu filho esta cozinhando aqui em casa porque a professora dele esta em greve. O menino é bom, nunca repetiu um ano sequer, até agora passou direto. A escola é boa, tem merenda, tem computador, deu o uniforme, os livros e até a passagem de ônibus. Ano que vem voto nesse prefeito e nesse governador, eles defendem os pobres&#8230;”.<br />
O artigo apresenta uma excelente proposta que é a criação de espaços para se discutir a educação, vamos vestir essa camisa e criar fóruns, comunidades e blogs. Plantem essa idéia, eu já criei o meu.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/03/20648/#comment-8934</link>

		<dc:creator><![CDATA[Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 11:50:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=20648#comment-8934</guid>

					<description><![CDATA[Então no dia que prenderam os professores aqui em Franco eu estava na hora e vi bem mais de perto como foi. A policia fez um esquema de proteção para o Serra inaugurar uma parte do Hospital, os professores manifestantes ficaram do lado de fora, ao lado de alguns funcionários do juquery.

Eram poucos professores, em sua maioria mulheres, mais ou menos tinha uns 30. A policia perdeu a cabeça e foi pra cima dos manifestantes, bateram com socos e empurravam com os escudos. Pegaram três deles na marra, usando de força para persuadir e mobilizar. Enquanto isso lançaram gás de pimenta entre todos funcionários que estavamos ali presenciando o conflito ao lado de fora da tenda montada pra receber uma porcentagem de pessoas, servidores e alguns políticos locais. Teve um momento que esse gás de pimenta foi parar lá dentro da tenda, visto que era uma área aberta apesar de ser grande.

A polícia não foi mais violenta visto a quantidade de repórtes no local, mas mesmo assim eles agiram como agiram. Só faltou eles terem agredido os próprios funcionários, quase todos com crachá e alguns outros com uniformes. Mas mesmo assim esses receberam gás de pimenta na fuça, inclusive eu.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então no dia que prenderam os professores aqui em Franco eu estava na hora e vi bem mais de perto como foi. A policia fez um esquema de proteção para o Serra inaugurar uma parte do Hospital, os professores manifestantes ficaram do lado de fora, ao lado de alguns funcionários do juquery.</p>
<p>Eram poucos professores, em sua maioria mulheres, mais ou menos tinha uns 30. A policia perdeu a cabeça e foi pra cima dos manifestantes, bateram com socos e empurravam com os escudos. Pegaram três deles na marra, usando de força para persuadir e mobilizar. Enquanto isso lançaram gás de pimenta entre todos funcionários que estavamos ali presenciando o conflito ao lado de fora da tenda montada pra receber uma porcentagem de pessoas, servidores e alguns políticos locais. Teve um momento que esse gás de pimenta foi parar lá dentro da tenda, visto que era uma área aberta apesar de ser grande.</p>
<p>A polícia não foi mais violenta visto a quantidade de repórtes no local, mas mesmo assim eles agiram como agiram. Só faltou eles terem agredido os próprios funcionários, quase todos com crachá e alguns outros com uniformes. Mas mesmo assim esses receberam gás de pimenta na fuça, inclusive eu.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jaime Pinho		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/03/20648/#comment-8926</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jaime Pinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 17:39:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=20648#comment-8926</guid>

					<description><![CDATA[Caro ZMB

Leio com muito gosto a tua reflexão que é um estímulo. E que toca em algumas das feridas.
O meu espaço para respirar é o
http://www.movimentoescolapublica.blogspot.com/
Um grande abraço
Jaime Pinho, Setúbal
Movimento Escola Pública]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro ZMB</p>
<p>Leio com muito gosto a tua reflexão que é um estímulo. E que toca em algumas das feridas.<br />
O meu espaço para respirar é o<br />
<a href="http://www.movimentoescolapublica.blogspot.com/" rel="nofollow ugc">http://www.movimentoescolapublica.blogspot.com/</a><br />
Um grande abraço<br />
Jaime Pinho, Setúbal<br />
Movimento Escola Pública</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/03/20648/#comment-8915</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Mar 2010 18:30:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fotos de ontem,a truculência: http://blog.forumeducacao.zip.net/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fotos de ontem,a truculência: <a href="http://blog.forumeducacao.zip.net/" rel="nofollow ugc">http://blog.forumeducacao.zip.net/</a></p>
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		<title>
		Por: Mário Machaqueiro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/03/20648/#comment-8906</link>

		<dc:creator><![CDATA[Mário Machaqueiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Mar 2010 00:46:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Seguindo uma sugestão do JMB, coloco aqui a resposta que, por e-mail, lhe enderecei a propósito do comentário que ele aqui colocou. É claro que, depois de ler este &quot;post&quot;, há outras observações que se impõem. E a primeira é para realçar que, ao ler esta descrição do que se passa com os professores do Estado de São Paulo, se fica com a inquietante sensação de &quot;déja vu&quot;: parecia-me que estava a ler uma análise da situação em Portugal! Os mesmos comportamentos dos professores, a mesma previsibilidade acarneirada, os mesmos tiques das direcções sindicais. Paulistas, sois nossos irmãos em espírito!
Indo agora ao comentário do JMB, e independentemente de todo o respeito e admiração que tenho por ele, devo dizer que a sua análise dos movimentos independentes dos professores é um tanto ou quanto precipitada e injusta. 
Digamos, para começar, que subscrevo no essencial a caracterização que ele faz do baixo nível de consciência política dos professores em Portugal e de como isso explica a rapidez com que desmobilizaram. Verifica-se agora que o grande motor da luta recente dos professores portugueses assentava em dois factores relativamente fáceis de esvaziar: o modelo de avaliação do desempenho e a acentuada (e politicamente tosca) agressão à &quot;dignidade&quot; da classe operada pela retórica da anterior equipa ministerial. Se o primeiro desses factores foi, em grande medida, removido pelo chamado modelo &quot;simplex&quot;, o segundo foi igualmente rasurado com a operação de charme protagonizada pela actual ministra. Por conseguinte, com bases tão frágeis, era previsível que o &quot;grande movimento&quot; dos professores se volatilizasse depressa, para mais tendo em conta que o mesmo partia de uma classe profissional que não é propriamente conhecida por um elevado grau de combatividade, de lucidez ou de coragem política. Na verdade, foram necessárias condições muito excepcionais, um cansaço e revolta acumulados à mistura com a enorme inépcia de quem controlava a tutela do sistema de ensino, para que o movimento dos professores adquirisse a dimensão que o definiu e que a todos surpreendeu, desde o pessoal do Ministério até aos dirigentes sindicais, passando pelos próprios actores do movimentos independentes. Condições como essas não voltarão a repetir-se tão cedo, e é por isso que agora vem ao de cima o que, na verdade, sempre esteve lá: a enorme inércia e escassa politização dos professores em Portugal, a qual, de resto, apenas reflecte a despolitização geral da sociedade portuguesa.
 No meio disto tudo, o que resta aos movimentos independentes de professores? Muito pouco, pois não podem (nem devem) substituir-se a uma movimentação de toda uma classe profissional, movimentação de que foram expressão e que sustentou a sua relativa força. Note-se que não é verdade que esses movimentos tenham estado calados nos últimos tempos. Se o JMB ler com atenção os blogues dos movimentos genuinamente independentes, verá posições bastante críticas em relação ao acordo recentemente cozinhado entre o Ministério e os sindicatos, posições que conheceram algum eco na comunicação social e que valeram os ataques costumeiros da parte dos profissionais da calúnia &quot;pró-sindical&quot;. No caso particular da APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino), fez-se ainda mais: sem esperar pelo acordo, ela apresentou uma proposta alternativa para o sistema educativo, proposta que não se prende apenas com questões laborais ou &quot;corporativas&quot; mas pretende sugerir um &quot;desenho global&quot; para o sistema de ensino e a escola pública em Portugal. Essa proposta teve alguma divulgação junto dos blogues e da imprensa, mas acabou por &quot;desaparecer&quot; no meio do burburinho suscitado pelo acordo e - importa também dizê-lo - perante uma certa indiferença e falta de vontade de muitos dos professores para pensar as condições mais profundas da sua profissão e da natureza do quadro em que são obrigados a trabalhar.
Por tudo isto, e apesar das condições adversas, parece-me desadequado dizer que os movimentos independentes andaram a reboque das organizações sindicais e que se limitaram a reproduzir o caderno reinvindicativo dos sindicatos. Leia-se a referida proposta de um desses movimentos, a APEDE, e, concorde-se ou não, ver-se-á que ela excede em muito a agenda habitual dos sindicatos.
A verdade, porém, é que não podemos exigir aos movimentos mais do que eles têm podido dar. Sem meios para se abalançarem a uma organização mais estruturada ou para liderar lutas mais amplas dos professores, compostos por pessoas que se organizam dentro do pouco tempo livre que têm para lá do horário laboral, os movimentos dificilmente conseguem impor o ritmo e a forma dos combates a travar - a não ser em contextos excepcionais como o que descrevi atrás. É, por isso, compreensível que eles não consigam contrariar a actual reposição de um &quot;status quo&quot; dominado por cumplicidades inconfessáveis entre estruturas sindicais e Ministério, reposição também reforçada pelo regresso da classe docente a uma certa apatia política que quase sempre a caracterizou.
Tudo o que aqui está dito traduz, naturalmente, apenas a minha leitura dos acontecimentos. Não compromete a APEDE, na qual, aliás, desempenho agora apenas a função de editor (e, mesmo assim, irregular) do blogue. Creio, contudo, que a maioria dos colegas da APEDE não discordaria, no essencial, destas minhas considerações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seguindo uma sugestão do JMB, coloco aqui a resposta que, por e-mail, lhe enderecei a propósito do comentário que ele aqui colocou. É claro que, depois de ler este &#8220;post&#8221;, há outras observações que se impõem. E a primeira é para realçar que, ao ler esta descrição do que se passa com os professores do Estado de São Paulo, se fica com a inquietante sensação de &#8220;déja vu&#8221;: parecia-me que estava a ler uma análise da situação em Portugal! Os mesmos comportamentos dos professores, a mesma previsibilidade acarneirada, os mesmos tiques das direcções sindicais. Paulistas, sois nossos irmãos em espírito!<br />
Indo agora ao comentário do JMB, e independentemente de todo o respeito e admiração que tenho por ele, devo dizer que a sua análise dos movimentos independentes dos professores é um tanto ou quanto precipitada e injusta.<br />
Digamos, para começar, que subscrevo no essencial a caracterização que ele faz do baixo nível de consciência política dos professores em Portugal e de como isso explica a rapidez com que desmobilizaram. Verifica-se agora que o grande motor da luta recente dos professores portugueses assentava em dois factores relativamente fáceis de esvaziar: o modelo de avaliação do desempenho e a acentuada (e politicamente tosca) agressão à &#8220;dignidade&#8221; da classe operada pela retórica da anterior equipa ministerial. Se o primeiro desses factores foi, em grande medida, removido pelo chamado modelo &#8220;simplex&#8221;, o segundo foi igualmente rasurado com a operação de charme protagonizada pela actual ministra. Por conseguinte, com bases tão frágeis, era previsível que o &#8220;grande movimento&#8221; dos professores se volatilizasse depressa, para mais tendo em conta que o mesmo partia de uma classe profissional que não é propriamente conhecida por um elevado grau de combatividade, de lucidez ou de coragem política. Na verdade, foram necessárias condições muito excepcionais, um cansaço e revolta acumulados à mistura com a enorme inépcia de quem controlava a tutela do sistema de ensino, para que o movimento dos professores adquirisse a dimensão que o definiu e que a todos surpreendeu, desde o pessoal do Ministério até aos dirigentes sindicais, passando pelos próprios actores do movimentos independentes. Condições como essas não voltarão a repetir-se tão cedo, e é por isso que agora vem ao de cima o que, na verdade, sempre esteve lá: a enorme inércia e escassa politização dos professores em Portugal, a qual, de resto, apenas reflecte a despolitização geral da sociedade portuguesa.<br />
 No meio disto tudo, o que resta aos movimentos independentes de professores? Muito pouco, pois não podem (nem devem) substituir-se a uma movimentação de toda uma classe profissional, movimentação de que foram expressão e que sustentou a sua relativa força. Note-se que não é verdade que esses movimentos tenham estado calados nos últimos tempos. Se o JMB ler com atenção os blogues dos movimentos genuinamente independentes, verá posições bastante críticas em relação ao acordo recentemente cozinhado entre o Ministério e os sindicatos, posições que conheceram algum eco na comunicação social e que valeram os ataques costumeiros da parte dos profissionais da calúnia &#8220;pró-sindical&#8221;. No caso particular da APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino), fez-se ainda mais: sem esperar pelo acordo, ela apresentou uma proposta alternativa para o sistema educativo, proposta que não se prende apenas com questões laborais ou &#8220;corporativas&#8221; mas pretende sugerir um &#8220;desenho global&#8221; para o sistema de ensino e a escola pública em Portugal. Essa proposta teve alguma divulgação junto dos blogues e da imprensa, mas acabou por &#8220;desaparecer&#8221; no meio do burburinho suscitado pelo acordo e &#8211; importa também dizê-lo &#8211; perante uma certa indiferença e falta de vontade de muitos dos professores para pensar as condições mais profundas da sua profissão e da natureza do quadro em que são obrigados a trabalhar.<br />
Por tudo isto, e apesar das condições adversas, parece-me desadequado dizer que os movimentos independentes andaram a reboque das organizações sindicais e que se limitaram a reproduzir o caderno reinvindicativo dos sindicatos. Leia-se a referida proposta de um desses movimentos, a APEDE, e, concorde-se ou não, ver-se-á que ela excede em muito a agenda habitual dos sindicatos.<br />
A verdade, porém, é que não podemos exigir aos movimentos mais do que eles têm podido dar. Sem meios para se abalançarem a uma organização mais estruturada ou para liderar lutas mais amplas dos professores, compostos por pessoas que se organizam dentro do pouco tempo livre que têm para lá do horário laboral, os movimentos dificilmente conseguem impor o ritmo e a forma dos combates a travar &#8211; a não ser em contextos excepcionais como o que descrevi atrás. É, por isso, compreensível que eles não consigam contrariar a actual reposição de um &#8220;status quo&#8221; dominado por cumplicidades inconfessáveis entre estruturas sindicais e Ministério, reposição também reforçada pelo regresso da classe docente a uma certa apatia política que quase sempre a caracterizou.<br />
Tudo o que aqui está dito traduz, naturalmente, apenas a minha leitura dos acontecimentos. Não compromete a APEDE, na qual, aliás, desempenho agora apenas a função de editor (e, mesmo assim, irregular) do blogue. Creio, contudo, que a maioria dos colegas da APEDE não discordaria, no essencial, destas minhas considerações.</p>
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