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	Comentários sobre: Dois fóruns urbanos, duas ilusões	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Eduardo Tomazine Teixeira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/08/27499/#comment-13431</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 14:53:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mais uma vez, tenta-se criticar uma argumentação atacando-se ao autor, e não a ideia. E, mais uma vez, ataca-se ao autor sem conhecê-lo, sem saber qual é a sua trajetória biográfica e quais são as suas relações com os movimentos. Finalmente, não vejo por qual razão seria necessário, para criticar os resultados de um evento - que, ademais, é político e público - fazer parte da sua organização. Ademais, há um sério problema de interpretação textual por parte do autor do comentário &quot;reflexões&quot;. Ora, em nenhum momento o autor disse que a alternativa ao FSU seria a realização de um outro fórum, ou de um espaço onde os &quot;da universidade&quot; possam acolher os movimentos. O que o autor diz é: &quot;Pelo que se viu, o &#039;fórum alternativo&#039; não era alternativa nenhuma, e por isso comecei a pensar: precisamos de uma alternativa à &#039;alternativa&#039;…&quot; Depois, o autor diagnostica como sendo um dos elementos de origem  dos problemas do FSU a sua &quot;colonização&quot; por um pequeno grupo de acadêmicos e militantes vinculados a partidos ou ONGs, e, mais a frente, indica outras realidades em que os movimentos sociais conseguem dar as rédeas dos seus próprios espaços de reflexão, como no caso do MST. 

Eu não quero, com o meu comentário, tentar invalidar as análises feitas pelo companheiro anônimo - mesmo porque considero algumas delas pertinentes. Apenas quero chamar a atenção para certos comentários que se valem de argumentos de autoridade e outras falácias argumentativas, como tentar combater uma ideia atacando ao seu autor, ou achar que é preciso ser &quot;do lugar&quot; para poder falar sobre ele. Francamente, em um momento tão difícil da história, temos que evitar, a todo custo, esse tipo de artifício, o qual provoca apenas divisionismos e me parecem, na melhor das hipóteses, fruto de ressentimentos, ou, na pior delas, de (más)intenções deliberadas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma vez, tenta-se criticar uma argumentação atacando-se ao autor, e não a ideia. E, mais uma vez, ataca-se ao autor sem conhecê-lo, sem saber qual é a sua trajetória biográfica e quais são as suas relações com os movimentos. Finalmente, não vejo por qual razão seria necessário, para criticar os resultados de um evento &#8211; que, ademais, é político e público &#8211; fazer parte da sua organização. Ademais, há um sério problema de interpretação textual por parte do autor do comentário &#8220;reflexões&#8221;. Ora, em nenhum momento o autor disse que a alternativa ao FSU seria a realização de um outro fórum, ou de um espaço onde os &#8220;da universidade&#8221; possam acolher os movimentos. O que o autor diz é: &#8220;Pelo que se viu, o &#8216;fórum alternativo&#8217; não era alternativa nenhuma, e por isso comecei a pensar: precisamos de uma alternativa à &#8216;alternativa&#8217;…&#8221; Depois, o autor diagnostica como sendo um dos elementos de origem  dos problemas do FSU a sua &#8220;colonização&#8221; por um pequeno grupo de acadêmicos e militantes vinculados a partidos ou ONGs, e, mais a frente, indica outras realidades em que os movimentos sociais conseguem dar as rédeas dos seus próprios espaços de reflexão, como no caso do MST. </p>
<p>Eu não quero, com o meu comentário, tentar invalidar as análises feitas pelo companheiro anônimo &#8211; mesmo porque considero algumas delas pertinentes. Apenas quero chamar a atenção para certos comentários que se valem de argumentos de autoridade e outras falácias argumentativas, como tentar combater uma ideia atacando ao seu autor, ou achar que é preciso ser &#8220;do lugar&#8221; para poder falar sobre ele. Francamente, em um momento tão difícil da história, temos que evitar, a todo custo, esse tipo de artifício, o qual provoca apenas divisionismos e me parecem, na melhor das hipóteses, fruto de ressentimentos, ou, na pior delas, de (más)intenções deliberadas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: reflexão		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/08/27499/#comment-13375</link>

		<dc:creator><![CDATA[reflexão]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 07:38:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Prezado Marcelo, me parece de quem seguiu o andamento dos foruns que têm acontecido pelo mundo inteiro há mais ou menos uma década para cá, esperaria tão pouco ou muito de um fórum alternativo quanto o autor do artigo esperou do FUM. Qualquer lugar que tenha um Fórum pela primeira vez vemos os mesmos mecânismos e assim o FSU com as seus limitações era mais ou menos o que era para se esperar. O próprio modelo forum é um modelo para pessoas que têm tempo durante dias da semana, que têm dinheiro para viajar e para estar presentes para discutir e ouvir em vez de trabalhar por dinheiro, e para os quais esse tipo de encontro faz de alguma maneira parte de se organisar. Esse tipo de Fórum é uma ferramenta de organização que sempre vai favorecer e atrair muito mais segmentos da classe média do que das classes populares. Nesse sentido vejo um fórum alternativo como a possibilidade daquelas pessoas se encontrarem que em algum lugar fazem trabalho de base sem que toda essa base chegue ou possa chegar até o Centro do Rio. Quem trabalha principalmente na base e convive e atua nos espaços periféricos da cidade do Rio nenhum desses dois encontros poderia trazer a grande mudança ou esperança que você projetou nele. O trabalho de base está no dia-a-dia nas favelas e nas periferias e falta muito até que tenhamos a capacidade e recursos de criar um espaço no qual muitos militantes integrantes de movimentos de base possam estar juntos com tempo e energia para colaborar e trocar experiências e debater durante vários dias. Se o meu desejo seria que tenhamos um amplo movimento libertário e de base a realidade é completamente outra, e trabalhando na base temos que trabalhar com aquilo que temos e com quem está disposto a trabalhar. E os movimentos do campo realmente estão muito mais avançados nesse sentido, por que eles militam em favor de formas de produção e reprodução autónomos enquanto que estamos longe disso nas cidades. Na cidade reagimos contra mortos pela polícia, contra muros e não temos nem tempo de respirar até que acontece a próxima grande sacanagem oprimindo e matando os moradores nas periferias. Necessitamos de utopia urbana popular que alimente as nossas lutas e vá além da mera defesa, e que enxerga o quanto que se vive resistência diariamente nos espaços populares. Para chegar num nível de militância necessitamos formas de sustento a base de autogestão em grande escala - quem por exemplo dos tão ditos militantes das universidades está disposto a criar e colaborar em algo nesse sentido sem a segurança do salaŕio mensal acadêmico? 
Quem está nas periferias e junto aos poucos movimentos presentes regularmente acho que não teria esse tipo de esperança de conseguir esse Fórum puro e sem contradições que você desejou. O Fórum foi um espelho de qual força e formas de trabalho temos disponíveis na classe média politizada carioca, uma tentativa válida. E assim a leitura deve ser mais diferenciada: Teve uma noite que a APA Funk tocou e integrantes desse movimento fizeram falas, quase ninguém do estudantinhos ficou por que a noite é perigoso no centro...parecia assim. A culpa daqueles que organisaram o Fórum? Mas quando tocou o orchestra voadora, 100% &quot;esquerda&quot; festiva da Zona Sul, para apoiar a campanha &quot;O petróĺeo é nosso&quot;, com o qual certamente têm pouco a ver diretamente, de repente bombou a festa. 
Enquanto isso a base está onde ela vive e ahí que temos que estar para fazer encontros que são nossos de militância de base. Assim devemos ver aquilo que apesar dessas condições tivemos nesse FSU de fato: Integrantes que organisam a resistência na Vila Autódromo fizeram um encontro, integrantes de movimentos e coletivos da periferia participaram das mesas, você mesmo menciona alguns encontros válidos que se realisaram. 
Resumindo: A sua grande decepcão vem de um desejo de que o lugar da onde milita (uma Universidade Federal) seja mais transformador, seja realmente uma ferramenta para mudanças, o que não é o caso. Para mudarmos as coisas nas periferias é aonde devemos estar, trabahlar e conviver e construir a base que um dia tenhamos uma organização popular urbana tão forte que podemos fazer os nosso encontros quando e onde queremos. Até que esteja assim um FSU deve ser visto como uma tentativa válida dentro da realidade que temos. Quem vem da, vive na e milita nas favelas, nas ocupações, e não foram muitos que chegaram até o FSU, não se surpreendeu com esse Fórum e acho que soube usá-lo da melhor forma. E acredito eu quem o organisou por grande parte certamente desejou algo mais popular sem saber o poder como conseguí-lo.
Nisso as críticas duras não deixam de tocar em pontos certos, mas fica tambem a sensaçao de que aqui o fórum serviu para que você possa mostrar de quanto mais crítico e puro você pensa do que a grande maioria dos outros que trabalham sob as mesmas condições quanto você: Acadêmicos que tem como ponto de partida e como fio condutor a universidade na qual não se faz movimento popular e por isso desejem que esses cheguem em massas até os espaços aonde estão. E, por último, tambem é muito claramente uma crítica de quem não viveu as contradições durante o processo organisador, por que dele não participou de nenhuma maneira. Assim dizendo, críticas são importantes e válidas, mas respeito para companheiros e companheiras que trabalharam bastante para realisar o possível é importante tambem. E como último uma pergunta: Na universidade onde trabalha a comida que come e as bebidas que bebe e as equipes que mantêm e que limpam as salas onde dá aula são servidos por cooperativas que trabalham em autogestão que num próximo fórum podem ser chamados? E as relações de trabalho e pesquisa que mantém são tão igualitário quanto o exige aqui do Fórum, salários iguais para todos por exemplo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezado Marcelo, me parece de quem seguiu o andamento dos foruns que têm acontecido pelo mundo inteiro há mais ou menos uma década para cá, esperaria tão pouco ou muito de um fórum alternativo quanto o autor do artigo esperou do FUM. Qualquer lugar que tenha um Fórum pela primeira vez vemos os mesmos mecânismos e assim o FSU com as seus limitações era mais ou menos o que era para se esperar. O próprio modelo forum é um modelo para pessoas que têm tempo durante dias da semana, que têm dinheiro para viajar e para estar presentes para discutir e ouvir em vez de trabalhar por dinheiro, e para os quais esse tipo de encontro faz de alguma maneira parte de se organisar. Esse tipo de Fórum é uma ferramenta de organização que sempre vai favorecer e atrair muito mais segmentos da classe média do que das classes populares. Nesse sentido vejo um fórum alternativo como a possibilidade daquelas pessoas se encontrarem que em algum lugar fazem trabalho de base sem que toda essa base chegue ou possa chegar até o Centro do Rio. Quem trabalha principalmente na base e convive e atua nos espaços periféricos da cidade do Rio nenhum desses dois encontros poderia trazer a grande mudança ou esperança que você projetou nele. O trabalho de base está no dia-a-dia nas favelas e nas periferias e falta muito até que tenhamos a capacidade e recursos de criar um espaço no qual muitos militantes integrantes de movimentos de base possam estar juntos com tempo e energia para colaborar e trocar experiências e debater durante vários dias. Se o meu desejo seria que tenhamos um amplo movimento libertário e de base a realidade é completamente outra, e trabalhando na base temos que trabalhar com aquilo que temos e com quem está disposto a trabalhar. E os movimentos do campo realmente estão muito mais avançados nesse sentido, por que eles militam em favor de formas de produção e reprodução autónomos enquanto que estamos longe disso nas cidades. Na cidade reagimos contra mortos pela polícia, contra muros e não temos nem tempo de respirar até que acontece a próxima grande sacanagem oprimindo e matando os moradores nas periferias. Necessitamos de utopia urbana popular que alimente as nossas lutas e vá além da mera defesa, e que enxerga o quanto que se vive resistência diariamente nos espaços populares. Para chegar num nível de militância necessitamos formas de sustento a base de autogestão em grande escala &#8211; quem por exemplo dos tão ditos militantes das universidades está disposto a criar e colaborar em algo nesse sentido sem a segurança do salaŕio mensal acadêmico?<br />
Quem está nas periferias e junto aos poucos movimentos presentes regularmente acho que não teria esse tipo de esperança de conseguir esse Fórum puro e sem contradições que você desejou. O Fórum foi um espelho de qual força e formas de trabalho temos disponíveis na classe média politizada carioca, uma tentativa válida. E assim a leitura deve ser mais diferenciada: Teve uma noite que a APA Funk tocou e integrantes desse movimento fizeram falas, quase ninguém do estudantinhos ficou por que a noite é perigoso no centro&#8230;parecia assim. A culpa daqueles que organisaram o Fórum? Mas quando tocou o orchestra voadora, 100% &#8220;esquerda&#8221; festiva da Zona Sul, para apoiar a campanha &#8220;O petróĺeo é nosso&#8221;, com o qual certamente têm pouco a ver diretamente, de repente bombou a festa.<br />
Enquanto isso a base está onde ela vive e ahí que temos que estar para fazer encontros que são nossos de militância de base. Assim devemos ver aquilo que apesar dessas condições tivemos nesse FSU de fato: Integrantes que organisam a resistência na Vila Autódromo fizeram um encontro, integrantes de movimentos e coletivos da periferia participaram das mesas, você mesmo menciona alguns encontros válidos que se realisaram.<br />
Resumindo: A sua grande decepcão vem de um desejo de que o lugar da onde milita (uma Universidade Federal) seja mais transformador, seja realmente uma ferramenta para mudanças, o que não é o caso. Para mudarmos as coisas nas periferias é aonde devemos estar, trabahlar e conviver e construir a base que um dia tenhamos uma organização popular urbana tão forte que podemos fazer os nosso encontros quando e onde queremos. Até que esteja assim um FSU deve ser visto como uma tentativa válida dentro da realidade que temos. Quem vem da, vive na e milita nas favelas, nas ocupações, e não foram muitos que chegaram até o FSU, não se surpreendeu com esse Fórum e acho que soube usá-lo da melhor forma. E acredito eu quem o organisou por grande parte certamente desejou algo mais popular sem saber o poder como conseguí-lo.<br />
Nisso as críticas duras não deixam de tocar em pontos certos, mas fica tambem a sensaçao de que aqui o fórum serviu para que você possa mostrar de quanto mais crítico e puro você pensa do que a grande maioria dos outros que trabalham sob as mesmas condições quanto você: Acadêmicos que tem como ponto de partida e como fio condutor a universidade na qual não se faz movimento popular e por isso desejem que esses cheguem em massas até os espaços aonde estão. E, por último, tambem é muito claramente uma crítica de quem não viveu as contradições durante o processo organisador, por que dele não participou de nenhuma maneira. Assim dizendo, críticas são importantes e válidas, mas respeito para companheiros e companheiras que trabalharam bastante para realisar o possível é importante tambem. E como último uma pergunta: Na universidade onde trabalha a comida que come e as bebidas que bebe e as equipes que mantêm e que limpam as salas onde dá aula são servidos por cooperativas que trabalham em autogestão que num próximo fórum podem ser chamados? E as relações de trabalho e pesquisa que mantém são tão igualitário quanto o exige aqui do Fórum, salários iguais para todos por exemplo?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rafael		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/08/27499/#comment-13130</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rafael]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 16:21:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=27499#comment-13130</guid>

					<description><![CDATA[Excelente artigo! Talvez aqueles que participaram da organização do FSU (alguns que conheço) fiquem chateados com o artigo que faz um duro balanço crítico dos dois Fóruns. Afinal, muitos daqueles que dormiram pouco e trabalharam muito para o FSU acontecer, o fizeram com o objetivo de se contrapor ao FUM e constituir um espaço alternativo no qual militantes de esquerda em geral (sejam de partidos, ONGs ou movimentos sociais) pudessem se reunir para pensar a cidade. Contudo, mesmo deixando de lado possíveis motivações obscuras de interesse específico (próprios da razão instrumental tão característica da lógica partidária), peço aos companheiros que acreditaram na proposta do FSU que reflitam sobre o que se passou realmente. Afinal, qual era o objetivo? Estabelecer um diálogo fraterno com os grandes empresários e governantes no âmbito do FUM ou marcar uma posição claramente contrária a estes e contribuir para a articulação daqueles que se opõem às políticas segregacionistas do Estado capitalista? Penso que essa diferença (e ambigüidade) tenha ficado clara na manifestação que abriu o FSU, como bem foi observado no artigo. Toda a imprensa internacional estava lá, assistindo a manifestação enquanto ela passava na frente do FUM. Talvez fosse o momento certo para pressionar a polícia, gerar um fato político e desmascarar os governos autoritários e assassinos do Sérgio Cabral e do Eduardo Paes. E foi só o trânsito começar a ficar congestionado que a polícia truculenta já veio empurrando os manifestantes para a calçada com spray de pimenta. Nesse momento pude reconhecer diversos companheiros que atuam efetivamente em movimentos sociais (e não somente em partidos políticos e ONGs) puxando um grito de: “Vem, vem, vem pra rua vem!”. Contudo, a maioria dos manifestantes se recusou em tomar a rua e fechar o trânsito em um claro sinal de submissão, medo e conformismo. Não se tratava de tensionar à toa, mas de utilizar uma oportunidade oferecida pela conjuntura para fazer um pouco mais do que desfilar na frente dos empresários enquanto eles planejavam o despejo de milhões de pessoas em prol da especulação imobiliária e do valor de troca da cidade. Mesmo assim, a decisão predominante foi a de passar pacificamente em frente ao FUM, cantar um pouco e, obedientemente, se retirar para que este pudesse continuar sem distúrbios e distrações. Ou bem o FSU se constitui como um espaço verdadeiramente alternativo e, mais do isso, subversivo – com um formato organizativo voltado para os movimentos sociais, com ações e ideias que entrem em confronto de forma explícita e declarada com os posicionamentos hegemônicos do FUM e com propostas que partam desses mesmos protagonistas –, ou bem decidimos que não vale a pena construir um espaço alternativo e nos basta participar coniventemente do Fórum do Estado capitalista e suas ONGs!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Excelente artigo! Talvez aqueles que participaram da organização do FSU (alguns que conheço) fiquem chateados com o artigo que faz um duro balanço crítico dos dois Fóruns. Afinal, muitos daqueles que dormiram pouco e trabalharam muito para o FSU acontecer, o fizeram com o objetivo de se contrapor ao FUM e constituir um espaço alternativo no qual militantes de esquerda em geral (sejam de partidos, ONGs ou movimentos sociais) pudessem se reunir para pensar a cidade. Contudo, mesmo deixando de lado possíveis motivações obscuras de interesse específico (próprios da razão instrumental tão característica da lógica partidária), peço aos companheiros que acreditaram na proposta do FSU que reflitam sobre o que se passou realmente. Afinal, qual era o objetivo? Estabelecer um diálogo fraterno com os grandes empresários e governantes no âmbito do FUM ou marcar uma posição claramente contrária a estes e contribuir para a articulação daqueles que se opõem às políticas segregacionistas do Estado capitalista? Penso que essa diferença (e ambigüidade) tenha ficado clara na manifestação que abriu o FSU, como bem foi observado no artigo. Toda a imprensa internacional estava lá, assistindo a manifestação enquanto ela passava na frente do FUM. Talvez fosse o momento certo para pressionar a polícia, gerar um fato político e desmascarar os governos autoritários e assassinos do Sérgio Cabral e do Eduardo Paes. E foi só o trânsito começar a ficar congestionado que a polícia truculenta já veio empurrando os manifestantes para a calçada com spray de pimenta. Nesse momento pude reconhecer diversos companheiros que atuam efetivamente em movimentos sociais (e não somente em partidos políticos e ONGs) puxando um grito de: “Vem, vem, vem pra rua vem!”. Contudo, a maioria dos manifestantes se recusou em tomar a rua e fechar o trânsito em um claro sinal de submissão, medo e conformismo. Não se tratava de tensionar à toa, mas de utilizar uma oportunidade oferecida pela conjuntura para fazer um pouco mais do que desfilar na frente dos empresários enquanto eles planejavam o despejo de milhões de pessoas em prol da especulação imobiliária e do valor de troca da cidade. Mesmo assim, a decisão predominante foi a de passar pacificamente em frente ao FUM, cantar um pouco e, obedientemente, se retirar para que este pudesse continuar sem distúrbios e distrações. Ou bem o FSU se constitui como um espaço verdadeiramente alternativo e, mais do isso, subversivo – com um formato organizativo voltado para os movimentos sociais, com ações e ideias que entrem em confronto de forma explícita e declarada com os posicionamentos hegemônicos do FUM e com propostas que partam desses mesmos protagonistas –, ou bem decidimos que não vale a pena construir um espaço alternativo e nos basta participar coniventemente do Fórum do Estado capitalista e suas ONGs!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcelo Lopes de Souza		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/08/27499/#comment-13038</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Lopes de Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Aug 2010 10:20:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro &quot;Geógrafo Libertário&quot;, apenas algumas perguntinhas:

1) Quanto ao autor do texto ser ou não um &quot;intelectual&quot;, dificilmente eu contestaria (obviamente, isso sempre dependerá do que se queira entender por &quot;intelectual&quot;). No entanto... de onde você tirou que o autor não participa de nenhum movimento social? (Não estará você PREJULGANDO, como, infelizmente, é tão comum, mesmo entre os que se dizem lutar por tolerância etc. etc.?...)

2) Você se assina &quot;Geógrafo Libertário&quot;. É válido presumir que você tenha estudado ou esteja estudando Geografia? (Em todo o caso, assumindo que o &quot;intelectual&quot;  -  diferentemente do mero pesquisador  -  é aquele que pensa criticamente e assume posições publicamente para defender suas ideias, é interessante notar que os geógrafos anarquistas Kropotkin e Reclus foram, na verdade, muito mais intelectuais que a esmagadora maioria dos portadores de diploma universitário em Geografia. É possível ser intelectual sem ser portador de qualquer diploma, assim como a maioria dos pesquisadores universitários não é, só por isso, automaticamente, &quot;intelectual&quot;, muito embora alguns possam sê-lo. Sobre esse assunto, aliás, publiquei, aqui no PassaPalavra, semanas atrás, um outro artigo.) 

3) O objetivo deste pequeno texto foi, de maneira pessoal, passar algumas impressões sobre o que foram dois eventos. Nada mais. Você se deu ao trabalho de buscar os trabalhos (livros, artigos...  -  puxa, coisa de intelectual, que droga!) onde eu discuto, exatamente, possíveis caminhos? (Várias dessas discussões se deram e têm se dado, aliás, no âmbito de seminários e encontros organizados pelo movimento dos sem-teto, em São Paulo e, principalmente, no Rio de Janeiro, onde atuo mais. Na página do NuPeD, na Internet, é possível acessar alguns desses materiais, e de quebra colher informações sobre o colóquio que ocorrerá em outubro, onde você poderá expor livremente todos os seus pontos de vista  -  isto é, se não tiver ojeriza a &quot;intelectuais&quot;, mesmo quando engajados e colaborando com movimentos sociais.) 

4) Para finalizar: não estaria mais do que na hora de pararmos um pouquinho de julgar sem conhecer, de atacar a partir de suposições e de desqualificar antecipadamente  -  coisa que só fortalece o campo conservador, além de ser INCOERENTE com uma postura libertária?...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro &#8220;Geógrafo Libertário&#8221;, apenas algumas perguntinhas:</p>
<p>1) Quanto ao autor do texto ser ou não um &#8220;intelectual&#8221;, dificilmente eu contestaria (obviamente, isso sempre dependerá do que se queira entender por &#8220;intelectual&#8221;). No entanto&#8230; de onde você tirou que o autor não participa de nenhum movimento social? (Não estará você PREJULGANDO, como, infelizmente, é tão comum, mesmo entre os que se dizem lutar por tolerância etc. etc.?&#8230;)</p>
<p>2) Você se assina &#8220;Geógrafo Libertário&#8221;. É válido presumir que você tenha estudado ou esteja estudando Geografia? (Em todo o caso, assumindo que o &#8220;intelectual&#8221;  &#8211;  diferentemente do mero pesquisador  &#8211;  é aquele que pensa criticamente e assume posições publicamente para defender suas ideias, é interessante notar que os geógrafos anarquistas Kropotkin e Reclus foram, na verdade, muito mais intelectuais que a esmagadora maioria dos portadores de diploma universitário em Geografia. É possível ser intelectual sem ser portador de qualquer diploma, assim como a maioria dos pesquisadores universitários não é, só por isso, automaticamente, &#8220;intelectual&#8221;, muito embora alguns possam sê-lo. Sobre esse assunto, aliás, publiquei, aqui no PassaPalavra, semanas atrás, um outro artigo.) </p>
<p>3) O objetivo deste pequeno texto foi, de maneira pessoal, passar algumas impressões sobre o que foram dois eventos. Nada mais. Você se deu ao trabalho de buscar os trabalhos (livros, artigos&#8230;  &#8211;  puxa, coisa de intelectual, que droga!) onde eu discuto, exatamente, possíveis caminhos? (Várias dessas discussões se deram e têm se dado, aliás, no âmbito de seminários e encontros organizados pelo movimento dos sem-teto, em São Paulo e, principalmente, no Rio de Janeiro, onde atuo mais. Na página do NuPeD, na Internet, é possível acessar alguns desses materiais, e de quebra colher informações sobre o colóquio que ocorrerá em outubro, onde você poderá expor livremente todos os seus pontos de vista  &#8211;  isto é, se não tiver ojeriza a &#8220;intelectuais&#8221;, mesmo quando engajados e colaborando com movimentos sociais.) </p>
<p>4) Para finalizar: não estaria mais do que na hora de pararmos um pouquinho de julgar sem conhecer, de atacar a partir de suposições e de desqualificar antecipadamente  &#8211;  coisa que só fortalece o campo conservador, além de ser INCOERENTE com uma postura libertária?&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Geógrafo Libertário		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/08/27499/#comment-13009</link>

		<dc:creator><![CDATA[Geógrafo Libertário]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Aug 2010 20:40:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=27499#comment-13009</guid>

					<description><![CDATA[A reflexão é muito boa, apesar do texto apontar poucas alternativas.

E paradoxalmente, o autor do texto também é um &quot;intelectual&quot;, preso em suas contradições de analisar o problema sem propor soluções que evitem esse aparelhamento dos partidos: a maioria o são, mesmo os mais a esquerda dos partidos políticos.

Talvez seja a hora dos intelectuais e a classe média integrarem os movimentos sociais não como iluminados, nem vampiros, como bem indica o autor do texto, mas como partícipes e companheiros ombro a ombro de jornada.

Sobrará tempo para fartas análises acadêmicas? Ou o tempo estará comprometido em lutar contra os vampiros dos movimentos?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A reflexão é muito boa, apesar do texto apontar poucas alternativas.</p>
<p>E paradoxalmente, o autor do texto também é um &#8220;intelectual&#8221;, preso em suas contradições de analisar o problema sem propor soluções que evitem esse aparelhamento dos partidos: a maioria o são, mesmo os mais a esquerda dos partidos políticos.</p>
<p>Talvez seja a hora dos intelectuais e a classe média integrarem os movimentos sociais não como iluminados, nem vampiros, como bem indica o autor do texto, mas como partícipes e companheiros ombro a ombro de jornada.</p>
<p>Sobrará tempo para fartas análises acadêmicas? Ou o tempo estará comprometido em lutar contra os vampiros dos movimentos?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Xavier		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/08/27499/#comment-12751</link>

		<dc:creator><![CDATA[Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 17:46:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=27499#comment-12751</guid>

					<description><![CDATA[Olá Marcelo e leitores,

Excelente artigo e reflexões - que evidenciam justamente o impasse atual em que vivem os movimentos sociais. A academia, as direções e os governos são questões extremamente vivas no interior dos debates e práticas das organizações sociais.

De fato, ou combatemos essas práticas ou então silenciamos sobre sua manutenção - contribuindo assim para a reprodução desse quadro.

Mais reflexões são possíveis sobre essa questão - já que a cidade e seus sentidos são cada vez mais sequestrados por especialistas.

Abraços.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Marcelo e leitores,</p>
<p>Excelente artigo e reflexões &#8211; que evidenciam justamente o impasse atual em que vivem os movimentos sociais. A academia, as direções e os governos são questões extremamente vivas no interior dos debates e práticas das organizações sociais.</p>
<p>De fato, ou combatemos essas práticas ou então silenciamos sobre sua manutenção &#8211; contribuindo assim para a reprodução desse quadro.</p>
<p>Mais reflexões são possíveis sobre essa questão &#8211; já que a cidade e seus sentidos são cada vez mais sequestrados por especialistas.</p>
<p>Abraços.</p>
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