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	Comentários sobre: Critérios de periferia	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Dany		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/28947/#comment-16351</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dany]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 16:34:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gosto quando o debate segue para esse âmbito.
Pois é, Rodrigo, acho que você tocou num ponto fundamental para se pensar a luta nas periferias hoje, que é a relação concreta com as facetas que o capital assume no cotidiano desses locais. Você citou o tráfico, a igreja e as associações de moradores. A Carolina, em seu contundente texto, fala do racismo e do patriarcalismo e de como os métodos pré-concebidos dos movimentos sociais precisam ser repensados para essa realidade que a periferia impõe. Você cita o binômio repressão-cooptação como bastante eficaz nas periferias. Fiquei pensando nos exemplos que você deu, como o tráfico, por exemplo, oferece ascensão de poder, grana, muitíssimo veloz e &quot;fácil&quot; para aqueles que vivem num mar de misérias. De repente quem era o zé ninguém, vira &quot;o&quot; banbanban da quebrada, dinheiro fácil, drogas fácil, status fácil, poder de consumo (tão sonhado) fácil e, muito rapidamente, morte fácil. Aí é um lance de pensar também em mais um elemento que se soma a todos esses já citados, que é a própria indústria cultural que encontra terreno fertíssimo nas televisões de cada casa, de cada barraco, que ao mesmo tempo aparece como escape das desgraças e a projeção dos sonhos de outra vida, de outro consumo. A violência, então, come solta mesmo. Mas voltando aos três exemplos citados. Se pensarmos nas igrejas também é isso aí, tem os que vão pro tráfico, tem os que vão procurar a salvação ou a sociabilização nos cultos, muitas vezes o lazer oferecido na quebrada. E para os que se destacam como &quot;líderes comunitários&quot;, as associações de moradores aparelhadas pelos políticos/mafiosos da pior espécie é um prato cheio. Aí é mais uma coisa que se desdobra em outras tanto quanto complexas. As associações que podem aparecer forjando-se de espaços coletivos de luta dos moradores, são e estão na verdade, articuladas com todas as forças contrárias à luta do povo. Deputados, construtoras, donos de lotações, etc., etc., estão bem amalgamados por trás de inúmeras associações. Ou seja, tráfico, igreja, associações, que cooptando moradores sintetizam sempre saídas individuais nas periferias, e obviamente, todas muito bem dentro do sistema, ou melhor, aparecendo concretamente como o sistema, colocam inúmeros desafios para a esquerda, ou para aqueles que encampam suas lutas nas quebradas. Como mobilizar hoje nesses locais? Quais os canais de diálogo? Quais alternativas podemos apontar quando se tem uma esquerda em frangalhos, lutas setorizadas, fragmentadas? Como se coloca um horizonte de luta cotidiana novamente nesse cenário? Sei lá, algumas questões que sempre aparecem...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto quando o debate segue para esse âmbito.<br />
Pois é, Rodrigo, acho que você tocou num ponto fundamental para se pensar a luta nas periferias hoje, que é a relação concreta com as facetas que o capital assume no cotidiano desses locais. Você citou o tráfico, a igreja e as associações de moradores. A Carolina, em seu contundente texto, fala do racismo e do patriarcalismo e de como os métodos pré-concebidos dos movimentos sociais precisam ser repensados para essa realidade que a periferia impõe. Você cita o binômio repressão-cooptação como bastante eficaz nas periferias. Fiquei pensando nos exemplos que você deu, como o tráfico, por exemplo, oferece ascensão de poder, grana, muitíssimo veloz e &#8220;fácil&#8221; para aqueles que vivem num mar de misérias. De repente quem era o zé ninguém, vira &#8220;o&#8221; banbanban da quebrada, dinheiro fácil, drogas fácil, status fácil, poder de consumo (tão sonhado) fácil e, muito rapidamente, morte fácil. Aí é um lance de pensar também em mais um elemento que se soma a todos esses já citados, que é a própria indústria cultural que encontra terreno fertíssimo nas televisões de cada casa, de cada barraco, que ao mesmo tempo aparece como escape das desgraças e a projeção dos sonhos de outra vida, de outro consumo. A violência, então, come solta mesmo. Mas voltando aos três exemplos citados. Se pensarmos nas igrejas também é isso aí, tem os que vão pro tráfico, tem os que vão procurar a salvação ou a sociabilização nos cultos, muitas vezes o lazer oferecido na quebrada. E para os que se destacam como &#8220;líderes comunitários&#8221;, as associações de moradores aparelhadas pelos políticos/mafiosos da pior espécie é um prato cheio. Aí é mais uma coisa que se desdobra em outras tanto quanto complexas. As associações que podem aparecer forjando-se de espaços coletivos de luta dos moradores, são e estão na verdade, articuladas com todas as forças contrárias à luta do povo. Deputados, construtoras, donos de lotações, etc., etc., estão bem amalgamados por trás de inúmeras associações. Ou seja, tráfico, igreja, associações, que cooptando moradores sintetizam sempre saídas individuais nas periferias, e obviamente, todas muito bem dentro do sistema, ou melhor, aparecendo concretamente como o sistema, colocam inúmeros desafios para a esquerda, ou para aqueles que encampam suas lutas nas quebradas. Como mobilizar hoje nesses locais? Quais os canais de diálogo? Quais alternativas podemos apontar quando se tem uma esquerda em frangalhos, lutas setorizadas, fragmentadas? Como se coloca um horizonte de luta cotidiana novamente nesse cenário? Sei lá, algumas questões que sempre aparecem&#8230;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/28947/#comment-16234</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 14:25:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Queria contribuir para a reflexão sobre uns aspectos do debate. Tenho a impressão de que quando comentamos sobre as formas que os trabalhadores da periferia se organizam, ou tentam se organizar, esquecemos que existe uma tensão permanente em um projeto burguês que se realiza todos os dias por esses cantos. De uma maneira geral, é impossível discutir as formas de organização de lutas na periferia sem entrar em pelo menos na analise de qual o papel, as tendências e os limites das três principais forças: o tráfico, a igreja e as associações de moradores.

Por mais que as tentativas vindas dos movimentos sociais de alguma maneira transportassem seus métodos (no caso do MST, um método voltado para disciplina no campo) de outras experiências (o que é lógico) isso por si só não explica a &quot;falência&quot; destes projetos. Isso só seria verdade se apenas as organizações de esquerda fossem os únicos sujeitos ativos e relevantes nesta esfera. Mas não é o que acontece. Em São Miguel Paulista, por exemplo, muitos &quot;militantes orgânicos&quot;, como falou alguém mais acima, são partidários do Maluf e isso não por mera ignorância, mas por respostas burguesas efetivas para a vida dessas pessoas. Penso que é importante pensar nessa dinâmica. 

Em resumo, acho que é importante começarmos a levar em consideração que a burguesia tem planos integrativos pra periferia (baseado no binômio repressão-cooptação) que são bastante eficazes e ver como que o tráfico, a igreja e as associações de moradores se ajustam (ou não) a estes planos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queria contribuir para a reflexão sobre uns aspectos do debate. Tenho a impressão de que quando comentamos sobre as formas que os trabalhadores da periferia se organizam, ou tentam se organizar, esquecemos que existe uma tensão permanente em um projeto burguês que se realiza todos os dias por esses cantos. De uma maneira geral, é impossível discutir as formas de organização de lutas na periferia sem entrar em pelo menos na analise de qual o papel, as tendências e os limites das três principais forças: o tráfico, a igreja e as associações de moradores.</p>
<p>Por mais que as tentativas vindas dos movimentos sociais de alguma maneira transportassem seus métodos (no caso do MST, um método voltado para disciplina no campo) de outras experiências (o que é lógico) isso por si só não explica a &#8220;falência&#8221; destes projetos. Isso só seria verdade se apenas as organizações de esquerda fossem os únicos sujeitos ativos e relevantes nesta esfera. Mas não é o que acontece. Em São Miguel Paulista, por exemplo, muitos &#8220;militantes orgânicos&#8221;, como falou alguém mais acima, são partidários do Maluf e isso não por mera ignorância, mas por respostas burguesas efetivas para a vida dessas pessoas. Penso que é importante pensar nessa dinâmica. </p>
<p>Em resumo, acho que é importante começarmos a levar em consideração que a burguesia tem planos integrativos pra periferia (baseado no binômio repressão-cooptação) que são bastante eficazes e ver como que o tráfico, a igreja e as associações de moradores se ajustam (ou não) a estes planos.</p>
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		<title>
		Por: Júlio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/28947/#comment-13989</link>

		<dc:creator><![CDATA[Júlio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Sep 2010 19:09:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gostaria de poder comentar o texto com mais calma e profundidade, e pretendo faze-lo em breve. Mas por enquanto acho que o diagnóstico é perfeito, e muito fácil de ser percebido (só comparar uma letra de rap a um documento de partido ou movimento social), uma pena que infelizmente a esquerda aparentemente esteja mais preocupada com quais botões vamos apertar no começo de outubro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de poder comentar o texto com mais calma e profundidade, e pretendo faze-lo em breve. Mas por enquanto acho que o diagnóstico é perfeito, e muito fácil de ser percebido (só comparar uma letra de rap a um documento de partido ou movimento social), uma pena que infelizmente a esquerda aparentemente esteja mais preocupada com quais botões vamos apertar no começo de outubro.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/28947/#comment-13967</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Sep 2010 21:56:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um comentário bem rápido de quem está um pouco cansado no momento, para escrever.

É sobre a discussão de gênero e racial, já que ela apareceu nos comentários também.

Claro, o artigo em questão é bom, faz críticas pertinentes. Porém a conclusão me surpreendeu, já que a questão de agregar a questão do racismo e machismo (ou patriarcado, como se queira) às questões da esquerda ou de classe, não é nova. Para dizer a verdade já tem uns séculos, o que portanto levaria a crer que a periferia deste milênio não coloca questões novas, se se o que se retira dela é principalmente isso, o que por sua vez contradiz o que seria a meu ver tese central do artigo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um comentário bem rápido de quem está um pouco cansado no momento, para escrever.</p>
<p>É sobre a discussão de gênero e racial, já que ela apareceu nos comentários também.</p>
<p>Claro, o artigo em questão é bom, faz críticas pertinentes. Porém a conclusão me surpreendeu, já que a questão de agregar a questão do racismo e machismo (ou patriarcado, como se queira) às questões da esquerda ou de classe, não é nova. Para dizer a verdade já tem uns séculos, o que portanto levaria a crer que a periferia deste milênio não coloca questões novas, se se o que se retira dela é principalmente isso, o que por sua vez contradiz o que seria a meu ver tese central do artigo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ana reis		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/28947/#comment-13934</link>

		<dc:creator><![CDATA[ana reis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Sep 2010 12:46:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo
não estou jogando &quot;classe&quot; fora. falo do lugar de mulher branca,classe média, que sempre se pensou &quot;de esquerda&quot; e achava que estava lutando e trabalhando por todos e todas as pessoas oprimidas. quando caiu a ficha da raça, vi que havia um enorme buraco cego na minha visão de Brasil e de mundo. essa ficha muda tudo, não é?

quanto `as igrejas, todas são misóginas, ferozmente patriarcais. o deus único e masculino já diz tudo... a católica tem um peso maior por conta da longa história e dos longos braços de poder que manejam sempre, apesar de serem, no Brasil apenas 17 mil padres. se comparar com a torcida do Corinthians.... 
pelo que me contou uma ex noviça, muito da teologia da libertação foi feita pelas freiras - um aspecto a ser investigado para entender o que aconteceu com esses discursos dentro da i. c. 
emancipar os pobres tira o álibi do poder (sobretudo econômico) da hierarquia, não nos esqueçamos. o que fariam os padres sem os pobres?

Eduardo, o meu querido amigo Eder Sader falou dos clubes de mães. é preciso ver como esses novos sujeitos políticos se apresentam, do ponto de vista feminista. &quot;mãe&quot; como sujeito político é a reafirmação do papel de gênero, uma limitação que se vê até hoje sobretudo nos movimentos sob as saias dos padres. no último 8 de março em Salvador,por exemplo, as mulheres do MST estavam de um lado, as feministas com os cartazes defendendo a legalização do aborto de outro. elas nem sabiam que mulheres eram aquelas, apesar de abortarem e sofrerem a clandestinidade.
o que explica &quot;movimento de mulheres&quot; e &quot;movimento feminista&quot; não serem exatamente a mesma coisa? (sem falar nos feminismos negros não se identificarem com discursos dos feminismos brancos, que é outra conversa).
quanto `as outras igrejas, é tudo pior ainda. os exorcismos, a gritaria, continuam o domínio patriarcal sobre os corpos  das mulheres, que, como diz Rita Segato, são o território das igrejas. outro dia vi na TV uma pastora ou bispa (são logo tod@s bisp@s..) dizendo&quot;mulheres, submetam-se. deus quer que a mulher seja submetida a três homens: ao pai, ao marido e ao pastor&quot;. já pensou o que vc sentiria ao ouvir um bispo te dizendo submeta-se `a sua mãe, `a sua mulher, `a pastora? nos anos 60  diríamos que isso é coisa da CIA. nunca mais dissemos isso...

o apelo do imaginário capitalista ainda é mais atraente que o do socialismo ou do anarquismo. seria interessante saber o que dizem hoje as pessoas que cresceram nos países ditos comunistas vivendo no mundo hollywoodiano do capitalismo imaginado virado real. por menos comunistas de verdade que fossem esses países, alguma coisa de melhor tiveram. mas o imaginário nunca transcendeu o mundo da posse, da ilusão do consumo. será culpa do pensamento patriarcal que não foi superado? a primeira propriedade não foi os corpos das mulheres?
quanto aos valores comunitaristas, será mesmo que são articulados por elas? vejo tanto individualismo nos discursos...
é o projeto político desse pessoal que me apavora. a folha de são paulo acha que é o maior jornal da America Latina. tem cerca de 300 mil exemplares . a Folha Universal 2 milhões e 300 mil. e o partido do bispo Macedo (que de puro escárnio se chama republicano) tem o vice presidente da república. e todo mundo diz com naturalidade&quot; bancada evangélica&quot;. socorro!!!!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo<br />
não estou jogando &#8220;classe&#8221; fora. falo do lugar de mulher branca,classe média, que sempre se pensou &#8220;de esquerda&#8221; e achava que estava lutando e trabalhando por todos e todas as pessoas oprimidas. quando caiu a ficha da raça, vi que havia um enorme buraco cego na minha visão de Brasil e de mundo. essa ficha muda tudo, não é?</p>
<p>quanto `as igrejas, todas são misóginas, ferozmente patriarcais. o deus único e masculino já diz tudo&#8230; a católica tem um peso maior por conta da longa história e dos longos braços de poder que manejam sempre, apesar de serem, no Brasil apenas 17 mil padres. se comparar com a torcida do Corinthians&#8230;.<br />
pelo que me contou uma ex noviça, muito da teologia da libertação foi feita pelas freiras &#8211; um aspecto a ser investigado para entender o que aconteceu com esses discursos dentro da i. c.<br />
emancipar os pobres tira o álibi do poder (sobretudo econômico) da hierarquia, não nos esqueçamos. o que fariam os padres sem os pobres?</p>
<p>Eduardo, o meu querido amigo Eder Sader falou dos clubes de mães. é preciso ver como esses novos sujeitos políticos se apresentam, do ponto de vista feminista. &#8220;mãe&#8221; como sujeito político é a reafirmação do papel de gênero, uma limitação que se vê até hoje sobretudo nos movimentos sob as saias dos padres. no último 8 de março em Salvador,por exemplo, as mulheres do MST estavam de um lado, as feministas com os cartazes defendendo a legalização do aborto de outro. elas nem sabiam que mulheres eram aquelas, apesar de abortarem e sofrerem a clandestinidade.<br />
o que explica &#8220;movimento de mulheres&#8221; e &#8220;movimento feminista&#8221; não serem exatamente a mesma coisa? (sem falar nos feminismos negros não se identificarem com discursos dos feminismos brancos, que é outra conversa).<br />
quanto `as outras igrejas, é tudo pior ainda. os exorcismos, a gritaria, continuam o domínio patriarcal sobre os corpos  das mulheres, que, como diz Rita Segato, são o território das igrejas. outro dia vi na TV uma pastora ou bispa (são logo tod@s bisp@s..) dizendo&#8221;mulheres, submetam-se. deus quer que a mulher seja submetida a três homens: ao pai, ao marido e ao pastor&#8221;. já pensou o que vc sentiria ao ouvir um bispo te dizendo submeta-se `a sua mãe, `a sua mulher, `a pastora? nos anos 60  diríamos que isso é coisa da CIA. nunca mais dissemos isso&#8230;</p>
<p>o apelo do imaginário capitalista ainda é mais atraente que o do socialismo ou do anarquismo. seria interessante saber o que dizem hoje as pessoas que cresceram nos países ditos comunistas vivendo no mundo hollywoodiano do capitalismo imaginado virado real. por menos comunistas de verdade que fossem esses países, alguma coisa de melhor tiveram. mas o imaginário nunca transcendeu o mundo da posse, da ilusão do consumo. será culpa do pensamento patriarcal que não foi superado? a primeira propriedade não foi os corpos das mulheres?<br />
quanto aos valores comunitaristas, será mesmo que são articulados por elas? vejo tanto individualismo nos discursos&#8230;<br />
é o projeto político desse pessoal que me apavora. a folha de são paulo acha que é o maior jornal da America Latina. tem cerca de 300 mil exemplares . a Folha Universal 2 milhões e 300 mil. e o partido do bispo Macedo (que de puro escárnio se chama republicano) tem o vice presidente da república. e todo mundo diz com naturalidade&#8221; bancada evangélica&#8221;. socorro!!!!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eduardo Tomazine Teixeira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/28947/#comment-13906</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Sep 2010 18:10:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caros João Bernardo e Ana Reis,

A questão da relação entre a misoginia estrutural da Igreja Católica e a sua influência sobre os movimentos sociais é complexa. Mesmo que nunca se tenha produzido algo como uma pastoral feminista, é preciso lembrar que as Comunidades Eclesiais de Base cumpriram um papel fundamental na emergência dos Clubes de Mães, os quais foram importantíssimos para a afirmação da mulher na vida política nos anos 70 e 80 (como mostrou, de maneira brilhante, Eder Sader em &quot;Quando novos personagens entram em cena&quot;).  
É bastante provável que a derrota da Teologia da Libertação no interior da Igreja  -  e a subsequente afirmação da Renovação Carismática (seguida agora pela &quot;Renovação&quot; ultraconservadora do Ratzinger) - seja parte da razão pela qual a Igreja tenha perdido tanto espaço para os neopentecostais. Ela castrou seus próprios canais de articulação comunitária com as camadas populares, deixando o caminho aberto para novas igrejas que souberam muito bem articular valores comunitaristas com o imaginário capitalista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros João Bernardo e Ana Reis,</p>
<p>A questão da relação entre a misoginia estrutural da Igreja Católica e a sua influência sobre os movimentos sociais é complexa. Mesmo que nunca se tenha produzido algo como uma pastoral feminista, é preciso lembrar que as Comunidades Eclesiais de Base cumpriram um papel fundamental na emergência dos Clubes de Mães, os quais foram importantíssimos para a afirmação da mulher na vida política nos anos 70 e 80 (como mostrou, de maneira brilhante, Eder Sader em &#8220;Quando novos personagens entram em cena&#8221;).<br />
É bastante provável que a derrota da Teologia da Libertação no interior da Igreja  &#8211;  e a subsequente afirmação da Renovação Carismática (seguida agora pela &#8220;Renovação&#8221; ultraconservadora do Ratzinger) &#8211; seja parte da razão pela qual a Igreja tenha perdido tanto espaço para os neopentecostais. Ela castrou seus próprios canais de articulação comunitária com as camadas populares, deixando o caminho aberto para novas igrejas que souberam muito bem articular valores comunitaristas com o imaginário capitalista.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/28947/#comment-13900</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Sep 2010 14:19:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Cara Ana Reis,
Eu não creio que a categoria &lt;em&gt;classe&lt;/em&gt; nos tivesse deixado cegos para a categoria &lt;em&gt;raça&lt;/em&gt;. Bem pelo contrário, parece-me que a categoria &lt;em&gt;classe&lt;/em&gt; nos permite entender a existência de classes sociais antagónicas com a mesma cor de pele. Acerca deste assunto, recordo a série de artigos que o Manolo e eu escrevemos sobre o «Retorno a África», e nomeadamente este:
http://passapalavra.info/?p=26128
Isto sem esquecer que, por outro lado, com frequência a categoria &lt;em&gt;classe&lt;/em&gt; serviu simplesmente de pretexto para instituir o racismo no interior da classe trabalhadora. É uma dialéctica complexa, que me parece que vai sendo clarificada pela luta dos trabalhadores não brancos que ao mesmo tempo se assumem como membros da classe trabalhadora e como membros de culturas até agora marginalizadas.
Quanto às consequências que a misoginia da Igreja Católica poderá ter tido sobre os movimentos sociais, parece-me que as suas observações são instigantes. Mas eu, que sou ignorante nestas questões, pergunto-lhe: na sua opinião, as Igrejas Evangélicas no Brasil têm uma postura diferente? Não me refiro à doutrina, mas ao posicionamento prático. Por que motivo as Igrejas Evangélicas crescem tanto entre as camadas mais pobres, em detrimento da Igreja Católica?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cara Ana Reis,<br />
Eu não creio que a categoria <em>classe</em> nos tivesse deixado cegos para a categoria <em>raça</em>. Bem pelo contrário, parece-me que a categoria <em>classe</em> nos permite entender a existência de classes sociais antagónicas com a mesma cor de pele. Acerca deste assunto, recordo a série de artigos que o Manolo e eu escrevemos sobre o «Retorno a África», e nomeadamente este:<br />
<a href="http://passapalavra.info/?p=26128" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=26128</a><br />
Isto sem esquecer que, por outro lado, com frequência a categoria <em>classe</em> serviu simplesmente de pretexto para instituir o racismo no interior da classe trabalhadora. É uma dialéctica complexa, que me parece que vai sendo clarificada pela luta dos trabalhadores não brancos que ao mesmo tempo se assumem como membros da classe trabalhadora e como membros de culturas até agora marginalizadas.<br />
Quanto às consequências que a misoginia da Igreja Católica poderá ter tido sobre os movimentos sociais, parece-me que as suas observações são instigantes. Mas eu, que sou ignorante nestas questões, pergunto-lhe: na sua opinião, as Igrejas Evangélicas no Brasil têm uma postura diferente? Não me refiro à doutrina, mas ao posicionamento prático. Por que motivo as Igrejas Evangélicas crescem tanto entre as camadas mais pobres, em detrimento da Igreja Católica?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ana reis		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/28947/#comment-13899</link>

		<dc:creator><![CDATA[ana reis]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Sep 2010 13:32:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=28947#comment-13899</guid>

					<description><![CDATA[Seria preciso aprofundar, a partir desse texto lúcido e inspirador, a reflexão do peso da igreja católica misógina e racista ( Bento XVI é Benedito em todos os países de língua espanhola) na origem de quase todos os movimentos sociais brasileiros. Com a exceção dos movimentos feministas, evidentemente. Nunca haverá uma pastoral feminista. 
A urgência de articularmos o anti-racismo e os feminismos, revisando os discursos teóricos, entendendo o quanto a categoria &quot;classe&quot; nos fez ceg@s para &quot;raça&quot; pode ser um caminho fértil sobretudo se colocado nas perpectivas pós-coloniais. No Brasil, não nos esqueçamos, &quot;classe&quot; foi intituída como &quot;raça&quot;. 
E &quot;branquitude&quot; é categoria invisível. Certamente, como o texto instiga, passa por essas questões a radicalização e a superação da atual paralisia dos movimentos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seria preciso aprofundar, a partir desse texto lúcido e inspirador, a reflexão do peso da igreja católica misógina e racista ( Bento XVI é Benedito em todos os países de língua espanhola) na origem de quase todos os movimentos sociais brasileiros. Com a exceção dos movimentos feministas, evidentemente. Nunca haverá uma pastoral feminista.<br />
A urgência de articularmos o anti-racismo e os feminismos, revisando os discursos teóricos, entendendo o quanto a categoria &#8220;classe&#8221; nos fez ceg@s para &#8220;raça&#8221; pode ser um caminho fértil sobretudo se colocado nas perpectivas pós-coloniais. No Brasil, não nos esqueçamos, &#8220;classe&#8221; foi intituída como &#8220;raça&#8221;.<br />
E &#8220;branquitude&#8221; é categoria invisível. Certamente, como o texto instiga, passa por essas questões a radicalização e a superação da atual paralisia dos movimentos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: eric		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/28947/#comment-13870</link>

		<dc:creator><![CDATA[eric]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Sep 2010 20:15:15 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=28947#comment-13870</guid>

					<description><![CDATA[Ia ficar quieto mas não resisto. 

O artigo da Carolina Malê, depois de 4 parágrafos de introdução, coloca “em primeiro plano a aproximação entre os movimentos sociais e a periferia” e finaliza com “o anti-racismo e o feminismo, bem combinados à luta de classes, podem carregar algumas das chaves de que carecemos hoje.” Bem simples, se não fosse de uma complexidade imensa, que não tem como adentrar num breve comentário, como os outros aqui já mostraram.

Antes de tudo, resumindo, quero dar minha contribuição aqui de São Paulo, e pegar carona com Legume, na sua breve contribuição. P. e., a questão geracional merece um aprofundamento, que por mais que não queiram , os movimentos anticapitalistas que se formaram no início do século, estão sentindo o efeito que atingem os movimentos que surgiram antes, de dificilmente conseguir renovar suas “quadras” (sic!), ficando à frente os/as mesmos/as de sempre.*

Como eu, tem como referência São Paulo que, pela formação e origens de sua massa trabalhadora e urbanização conseqüente, há suas peculiaridades que dificultam uma comparação com um Rio, um Salvador ou um Recife (que entendi ser a origem da autora), cada um com sua história de lutas, que às vezes são gritantemente diversas, tanto pela sua distância geográfica e tudo mais. Não tem como botar os Estados que formam a Federação num mesmo saco. São diferentes, da atuação do Estado e seus donos, até a formação histórica das massas. Quem ousaria colocar Polônia junto com a França, num mesmo saco? Não dá. Não tem como ficar nesta lógica generalizante, que é a lógica do capital, que tira do povo sua história, sua iniciativa e sua criatividade em resolver as questões que o interessa. A luta de classes não é algo abstrato, heróico pra entrar nos livros de (contra-) história, se dá ao nível do dia-dia. 

Nem ao nível local de São Paulo, com seus imensos satélites, com uma população de 10, 20 a 35 milhões (dependendo do gosto) tem como tirar um fator comum, já que cada bairro, cada região, cada cidade, tem sua história de lutas, que repercutam nas reivindicações atuais.** 

Muito importante é entender a política atual “geral” do capital de “retomar a cidade”, e inserir ela de volta ao mercado, dando um final à liberação geral dos últimos 20, 30, 40 anos, colocando a sua “ordem” e impor as suas regras de acumulação de “valores”, as mecanismos que ele usa, e, de contramão, as formas que “os/as atingidos/as” usam para se opor. A nova leva de movimentos urbanos que se inspira no MST, como aliás o próprio MST incentiva (e que nem é tão nova), por enquanto come as bordas do que com certa dificuldade é identificável como “a“ cidade. Curioso como a academia não falhou e descobriu este novo filé e já deu vários nomes ao fenômeno. Os movimentos urbanos, por sua vez, têm uma grande resistência de se aliar, por motivos mais de que óbvios.*** 

Só pra finalizar, não sei se concordo com a crítica que os movimentos seriam mais voltados à “demandas segmentadas” ou reivindicativos, claro que são. Seria bom se fossemos todos/as filósofos/as, estudiosos/as dos clássicos, mas não tem como negar que quem está no movimento de moradia, está nele porque quer moradia. Há quem quer saúde, educação pros seus filhos, matar a fome, transporte. Reivindicações que deram início aos movimentos “populares” – prefiro, ao invés de “sociais” – no sub-urbano (ou seja, na periferia) a partir dos 70, nas recém-criadas cidades-dormitório (política do Estado!), como Tiradentes, que acordaram de manhã sem serviço público algum. Há nesta “segmentação” um perigo? Há. É impressionante como, se tratando de uma população que nos “clássicos” é tratada como lúmpen (sem consciência de classe, reserva de mão de obra, etc.), nos últimos dez anos, houve um surgimento de movimentos “reivindicativos”, dos/as catadores/as de recicláveis e da população de rua, etc., há imensas dificuldades de se comunicar entre si e entre outros movimentos como de moradia, dos camelôs, etc., quando há quem está nos quatro! É igualmente impressionante como o Estado (junto com ong’s, faculdades, igrejas, empresas com “responsabilidade social”, etc.) caíram em cima para desviar suas reivindicações para um leito entre margens mais seguras.

Lembro que uns anos atrás, perguntei ao Gegê (que ontem celebramos que foi solto provisoriamente), porque a UMM com todos os seus ramais pela cidade inteira não organizava pelo menos um campeonato de futebol, e a resposta foi: “Pois é, está na luta por moradia”. Que me lembra da luta dos cortiços, outro assunto, que dificilmente há relação com o campo, por mais que houve (ainda há) pastorais envolvidos.

É isso, por enquanto, se está confuso é porque sou e com pouco tempo para elaborar algo melhor.

Brjs, Eric

* A vantagem pode ser que assimilaram uma boa dose do legado anarquista, que evita sua institucionalização e dá espaço para renovação e procura de outros caminhos, que não evita que a nave-mãe fica orbitando, já que nem anarquista é santo. Dou o maior valor a iniciativas como “A Outra Campanha” e outras, se não à base de uma análise profunda de nossa realidade, pelo menos pela intenção de criar coisas novas. E posso estar errado, mas o PassaPalavra faz parte deste esforço de não ficar estagnado.

** São Paulo no início dos anos 70 tinha algo como 1% da população morando em “favelas”, já nos meados dos anos 90, 25%.

*** Entra a antiguíssima questão do “reformismo”, que faz que aqui hoje boa parte da esquerda “tradicional”, se achando no “poder”, trabalha em função de que o Estado se torne menos cruel, menos repressivo. Prefiro nem entrar no assunto, já se mostrou um desastre em outras épocas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ia ficar quieto mas não resisto. </p>
<p>O artigo da Carolina Malê, depois de 4 parágrafos de introdução, coloca “em primeiro plano a aproximação entre os movimentos sociais e a periferia” e finaliza com “o anti-racismo e o feminismo, bem combinados à luta de classes, podem carregar algumas das chaves de que carecemos hoje.” Bem simples, se não fosse de uma complexidade imensa, que não tem como adentrar num breve comentário, como os outros aqui já mostraram.</p>
<p>Antes de tudo, resumindo, quero dar minha contribuição aqui de São Paulo, e pegar carona com Legume, na sua breve contribuição. P. e., a questão geracional merece um aprofundamento, que por mais que não queiram , os movimentos anticapitalistas que se formaram no início do século, estão sentindo o efeito que atingem os movimentos que surgiram antes, de dificilmente conseguir renovar suas “quadras” (sic!), ficando à frente os/as mesmos/as de sempre.*</p>
<p>Como eu, tem como referência São Paulo que, pela formação e origens de sua massa trabalhadora e urbanização conseqüente, há suas peculiaridades que dificultam uma comparação com um Rio, um Salvador ou um Recife (que entendi ser a origem da autora), cada um com sua história de lutas, que às vezes são gritantemente diversas, tanto pela sua distância geográfica e tudo mais. Não tem como botar os Estados que formam a Federação num mesmo saco. São diferentes, da atuação do Estado e seus donos, até a formação histórica das massas. Quem ousaria colocar Polônia junto com a França, num mesmo saco? Não dá. Não tem como ficar nesta lógica generalizante, que é a lógica do capital, que tira do povo sua história, sua iniciativa e sua criatividade em resolver as questões que o interessa. A luta de classes não é algo abstrato, heróico pra entrar nos livros de (contra-) história, se dá ao nível do dia-dia. </p>
<p>Nem ao nível local de São Paulo, com seus imensos satélites, com uma população de 10, 20 a 35 milhões (dependendo do gosto) tem como tirar um fator comum, já que cada bairro, cada região, cada cidade, tem sua história de lutas, que repercutam nas reivindicações atuais.** </p>
<p>Muito importante é entender a política atual “geral” do capital de “retomar a cidade”, e inserir ela de volta ao mercado, dando um final à liberação geral dos últimos 20, 30, 40 anos, colocando a sua “ordem” e impor as suas regras de acumulação de “valores”, as mecanismos que ele usa, e, de contramão, as formas que “os/as atingidos/as” usam para se opor. A nova leva de movimentos urbanos que se inspira no MST, como aliás o próprio MST incentiva (e que nem é tão nova), por enquanto come as bordas do que com certa dificuldade é identificável como “a“ cidade. Curioso como a academia não falhou e descobriu este novo filé e já deu vários nomes ao fenômeno. Os movimentos urbanos, por sua vez, têm uma grande resistência de se aliar, por motivos mais de que óbvios.*** </p>
<p>Só pra finalizar, não sei se concordo com a crítica que os movimentos seriam mais voltados à “demandas segmentadas” ou reivindicativos, claro que são. Seria bom se fossemos todos/as filósofos/as, estudiosos/as dos clássicos, mas não tem como negar que quem está no movimento de moradia, está nele porque quer moradia. Há quem quer saúde, educação pros seus filhos, matar a fome, transporte. Reivindicações que deram início aos movimentos “populares” – prefiro, ao invés de “sociais” – no sub-urbano (ou seja, na periferia) a partir dos 70, nas recém-criadas cidades-dormitório (política do Estado!), como Tiradentes, que acordaram de manhã sem serviço público algum. Há nesta “segmentação” um perigo? Há. É impressionante como, se tratando de uma população que nos “clássicos” é tratada como lúmpen (sem consciência de classe, reserva de mão de obra, etc.), nos últimos dez anos, houve um surgimento de movimentos “reivindicativos”, dos/as catadores/as de recicláveis e da população de rua, etc., há imensas dificuldades de se comunicar entre si e entre outros movimentos como de moradia, dos camelôs, etc., quando há quem está nos quatro! É igualmente impressionante como o Estado (junto com ong’s, faculdades, igrejas, empresas com “responsabilidade social”, etc.) caíram em cima para desviar suas reivindicações para um leito entre margens mais seguras.</p>
<p>Lembro que uns anos atrás, perguntei ao Gegê (que ontem celebramos que foi solto provisoriamente), porque a UMM com todos os seus ramais pela cidade inteira não organizava pelo menos um campeonato de futebol, e a resposta foi: “Pois é, está na luta por moradia”. Que me lembra da luta dos cortiços, outro assunto, que dificilmente há relação com o campo, por mais que houve (ainda há) pastorais envolvidos.</p>
<p>É isso, por enquanto, se está confuso é porque sou e com pouco tempo para elaborar algo melhor.</p>
<p>Brjs, Eric</p>
<p>* A vantagem pode ser que assimilaram uma boa dose do legado anarquista, que evita sua institucionalização e dá espaço para renovação e procura de outros caminhos, que não evita que a nave-mãe fica orbitando, já que nem anarquista é santo. Dou o maior valor a iniciativas como “A Outra Campanha” e outras, se não à base de uma análise profunda de nossa realidade, pelo menos pela intenção de criar coisas novas. E posso estar errado, mas o PassaPalavra faz parte deste esforço de não ficar estagnado.</p>
<p>** São Paulo no início dos anos 70 tinha algo como 1% da população morando em “favelas”, já nos meados dos anos 90, 25%.</p>
<p>*** Entra a antiguíssima questão do “reformismo”, que faz que aqui hoje boa parte da esquerda “tradicional”, se achando no “poder”, trabalha em função de que o Estado se torne menos cruel, menos repressivo. Prefiro nem entrar no assunto, já se mostrou um desastre em outras épocas.</p>
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		<title>
		Por: Legume		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/28947/#comment-13824</link>

		<dc:creator><![CDATA[Legume]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Sep 2010 20:22:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acho que por geralmente nos inserirmos mais nestes movimentos criados a partir da segunda metadade da década de 90, até por uma questão geracional, não analisamos as outras experiências de movimentos urbanos e de moradia que surgiram a UMM, fundada em 1987, e que continua ativa a seu modo até hoje. 
Não creio assim que possamos afirmar que a maioiria dos movimentos urbanos surge inspirado nos movimentos do campo, já que estes movimentos urbanos foram centrais para formação do PT e ainda hoje estão presentes no cenário político. Ao mesmo tempo é inegável que há uma nova leva de movimentos urbanos que se inspiram no MST, talvez por que estes velhos movimentos urbanos não tenham a mesma aura de combatividade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que por geralmente nos inserirmos mais nestes movimentos criados a partir da segunda metadade da década de 90, até por uma questão geracional, não analisamos as outras experiências de movimentos urbanos e de moradia que surgiram a UMM, fundada em 1987, e que continua ativa a seu modo até hoje.<br />
Não creio assim que possamos afirmar que a maioiria dos movimentos urbanos surge inspirado nos movimentos do campo, já que estes movimentos urbanos foram centrais para formação do PT e ainda hoje estão presentes no cenário político. Ao mesmo tempo é inegável que há uma nova leva de movimentos urbanos que se inspiram no MST, talvez por que estes velhos movimentos urbanos não tenham a mesma aura de combatividade.</p>
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