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	Comentários sobre: O fetiche “antiburocrático” e falta de participação	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Felipe C.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/29632/#comment-14203</link>

		<dc:creator><![CDATA[Felipe C.]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Oct 2010 14:29:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito bom o artigo. Contribui bem com a discussão da burocracia a partir de reflexões teóricas e fundamentalmente práticas que se colocam no dia-a-dia. Estou preparando um material para essa discussão da burocratização e incorporei argumentos deste artigo. 

Há algumas questões fundamentais. Primeiro, essa reflexão de que a burocratização é um problema. No entanto, ela se restringe aos setores já mobilizados, que hoje são minoria. Portanto, a grande questão é a dificuldade de mobilização, problema que deve ser considerado o mais relevante hoje para a esquerda mais combativa e autônoma. Segundo, o texto foge de uma análise maniqueísta, baseando-se no cotidiano da luta, que realmente traz questões complicadas e que não possuem uma resposta que pode ser dada à priori. 

Ainda que eu me esforce bastante para fazer reflexões teóricas sobre esses temas, estou cada vez mais convencido que, sem a prática, muitas vezes nos perdemos em problemas que não são reais e não tocamos em outros, muito importantes. Esse artigo, a meu ver, contribui com questões práticas relevantes e, de fato, muitas vezes difíceis de se resolver.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom o artigo. Contribui bem com a discussão da burocracia a partir de reflexões teóricas e fundamentalmente práticas que se colocam no dia-a-dia. Estou preparando um material para essa discussão da burocratização e incorporei argumentos deste artigo. </p>
<p>Há algumas questões fundamentais. Primeiro, essa reflexão de que a burocratização é um problema. No entanto, ela se restringe aos setores já mobilizados, que hoje são minoria. Portanto, a grande questão é a dificuldade de mobilização, problema que deve ser considerado o mais relevante hoje para a esquerda mais combativa e autônoma. Segundo, o texto foge de uma análise maniqueísta, baseando-se no cotidiano da luta, que realmente traz questões complicadas e que não possuem uma resposta que pode ser dada à priori. </p>
<p>Ainda que eu me esforce bastante para fazer reflexões teóricas sobre esses temas, estou cada vez mais convencido que, sem a prática, muitas vezes nos perdemos em problemas que não são reais e não tocamos em outros, muito importantes. Esse artigo, a meu ver, contribui com questões práticas relevantes e, de fato, muitas vezes difíceis de se resolver.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Ronan		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/29632/#comment-14189</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ronan]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Oct 2010 16:45:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Assim como ocorre com o voto, deveria haver alguma lei e correspondentes punições que obrigassem as pessoas a lutar, a participar e se interessarem por sua própria libertação e melhoria de vida. 

Será que daria certo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assim como ocorre com o voto, deveria haver alguma lei e correspondentes punições que obrigassem as pessoas a lutar, a participar e se interessarem por sua própria libertação e melhoria de vida. </p>
<p>Será que daria certo?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Giancarlo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/29632/#comment-14154</link>

		<dc:creator><![CDATA[Giancarlo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 22:59:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tanto o artigo como o debate estão muito bons. Este tema, da burocratização dos movimentos sociais, deve ser tratado e retratado nestas espaços, sempre se buscando aprofundar mais no tema. Neste sentido, não é a toa que este site sirva de espaço para estes debates, assim como os trechos em que Marat tenha se referido às organizações de base tenham sido suprimidas pelos bolcheviques/stalinistas da França e da URSS.
Mas, entrando no debate em si, o artigo propõe interessantes reflexões. A mais importante creio ser a de desfocar o debate do ponto direção (vanguardismo)/ assembléia (base) para o da participação em si. Pensando assim, meu raciocínio logo aponta para a distinção entre períodos revolucionários e períodos de não acirramento da luta de classes. Entretanto, pensando assim não se reflete de fato sobre os fatores da mobilização, e que são milhares...
Um grupo/coletivo que não ficou restrito à crítica às organizações burocráticas (partidos, sindicatos, Estado, etc) mas &quot;avançou&quot; para a crítica a própria classe ou grupo dominado foram os situacionistas. Para isto basta ler qualquer um dos documentos deles, principalmente o &quot;A Miséria do meio estudantil&quot; (obs, não trato aqui os estudantes como grupo dominado).
Quando às citações sobre o ME, principalmente nos parágrafos 6, 7 e 8. Isto me fez lembrar do tempo em que militei no ME aqui em Manaus. É como se o ME, pelo menos nos cursos mais participativos politicamente, vivesse em ciclos, e não conseguisse superar isto. O eterno retorno do mesmo. No caso da Estadual de Manaus me pareceu ser uma deficiência muito grande no projeto político dos estudantes que criticavam os &quot;partidários&quot;. Acabou que a disputa ficou muito presa a estes e eles uma vez &quot;vencidos&quot; acabou o confronto e a graça do ME. 
Pra finalizar, no caso do sindicalista que está &quot;preso&quot; na direção do sindicato, eu tomaria uma atitude situacionista. Neste caso, eu renunciaria sem dúvidas, até porque, se for pra tirar os burocratas para colocar no lugar uma pessoa, qual a  diferença? Deixa então o burocrata lá, pelo menos ele vai ganhar algo com isso...(no mínimo, um pretigiozinho dentro do partido).... Ah, e aproveitaria a oportunidade pra tentar criar
uma situação...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tanto o artigo como o debate estão muito bons. Este tema, da burocratização dos movimentos sociais, deve ser tratado e retratado nestas espaços, sempre se buscando aprofundar mais no tema. Neste sentido, não é a toa que este site sirva de espaço para estes debates, assim como os trechos em que Marat tenha se referido às organizações de base tenham sido suprimidas pelos bolcheviques/stalinistas da França e da URSS.<br />
Mas, entrando no debate em si, o artigo propõe interessantes reflexões. A mais importante creio ser a de desfocar o debate do ponto direção (vanguardismo)/ assembléia (base) para o da participação em si. Pensando assim, meu raciocínio logo aponta para a distinção entre períodos revolucionários e períodos de não acirramento da luta de classes. Entretanto, pensando assim não se reflete de fato sobre os fatores da mobilização, e que são milhares&#8230;<br />
Um grupo/coletivo que não ficou restrito à crítica às organizações burocráticas (partidos, sindicatos, Estado, etc) mas &#8220;avançou&#8221; para a crítica a própria classe ou grupo dominado foram os situacionistas. Para isto basta ler qualquer um dos documentos deles, principalmente o &#8220;A Miséria do meio estudantil&#8221; (obs, não trato aqui os estudantes como grupo dominado).<br />
Quando às citações sobre o ME, principalmente nos parágrafos 6, 7 e 8. Isto me fez lembrar do tempo em que militei no ME aqui em Manaus. É como se o ME, pelo menos nos cursos mais participativos politicamente, vivesse em ciclos, e não conseguisse superar isto. O eterno retorno do mesmo. No caso da Estadual de Manaus me pareceu ser uma deficiência muito grande no projeto político dos estudantes que criticavam os &#8220;partidários&#8221;. Acabou que a disputa ficou muito presa a estes e eles uma vez &#8220;vencidos&#8221; acabou o confronto e a graça do ME.<br />
Pra finalizar, no caso do sindicalista que está &#8220;preso&#8221; na direção do sindicato, eu tomaria uma atitude situacionista. Neste caso, eu renunciaria sem dúvidas, até porque, se for pra tirar os burocratas para colocar no lugar uma pessoa, qual a  diferença? Deixa então o burocrata lá, pelo menos ele vai ganhar algo com isso&#8230;(no mínimo, um pretigiozinho dentro do partido)&#8230;. Ah, e aproveitaria a oportunidade pra tentar criar<br />
uma situação&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Danilo Chaves Nakamura		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/29632/#comment-14114</link>

		<dc:creator><![CDATA[Danilo Chaves Nakamura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Sep 2010 16:37:45 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=29632#comment-14114</guid>

					<description><![CDATA[Bom texto R. Rugai...

Lembrou muito sua fala em 2005 num debate do pré-congresso dos estudantes de história. Na oportunidade, chamamos você, o Nabil (PT) e o José Anibal (PSDB). Até hoje não entendi porque raios esse último foi chamado.

O debate foi sobre &quot;Representação e Representatividade&quot; e lá você nos alertou sobre o ciclo vicioso que geralmente esse debate leva. Ainda mais na História-USP onde a idéia de C.A. autogestionário sempre reaparece (os últimos dois congressos [2008 e 2010] foi a mesma coisa).

Devemos também pensar o que é exatamente &quot;participação&quot;. Ao contrário do que muitos dizem, hoje vivemos uma sociedade extremamente participativa. Somos constantemente convocados a &quot;fazer coisas&quot;. A todo momento estamos &quot;fazendo coisas&quot; lá onde de fato não fazemos nada.

A ação política foi substituída por esse &quot;fazer coisas&quot;. Como disse o R. Schwarz (num outro contexto): Nunca fomos tão engajados! Hoje poderíamos reformular: &quot;Nunca fomos tão participativos&quot;.

Também não tenho resposta... Mas essa virá dos movimentos, que de uma forma ou outra, estão agindo políticamente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bom texto R. Rugai&#8230;</p>
<p>Lembrou muito sua fala em 2005 num debate do pré-congresso dos estudantes de história. Na oportunidade, chamamos você, o Nabil (PT) e o José Anibal (PSDB). Até hoje não entendi porque raios esse último foi chamado.</p>
<p>O debate foi sobre &#8220;Representação e Representatividade&#8221; e lá você nos alertou sobre o ciclo vicioso que geralmente esse debate leva. Ainda mais na História-USP onde a idéia de C.A. autogestionário sempre reaparece (os últimos dois congressos [2008 e 2010] foi a mesma coisa).</p>
<p>Devemos também pensar o que é exatamente &#8220;participação&#8221;. Ao contrário do que muitos dizem, hoje vivemos uma sociedade extremamente participativa. Somos constantemente convocados a &#8220;fazer coisas&#8221;. A todo momento estamos &#8220;fazendo coisas&#8221; lá onde de fato não fazemos nada.</p>
<p>A ação política foi substituída por esse &#8220;fazer coisas&#8221;. Como disse o R. Schwarz (num outro contexto): Nunca fomos tão engajados! Hoje poderíamos reformular: &#8220;Nunca fomos tão participativos&#8221;.</p>
<p>Também não tenho resposta&#8230; Mas essa virá dos movimentos, que de uma forma ou outra, estão agindo políticamente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Xavier		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/29632/#comment-14091</link>

		<dc:creator><![CDATA[Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 19:16:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá,

Tanto o texto aqui em destaque, quanto o comentário de João Bernardo, são fundamentais para nossa reflexão em torno das experiências participativas e autogestionárias em processos intensos de mobilização de base.

O texto em questão, por exemplo, chama a atenção para a importante articulação entre o fazer (os acontecimentos relatados) e o pensar sobre (tentativa, séria e sem respostas fáceis e retóricas, de entendimento dos fatos).

Já o comentário do João Bernardo destaca, mesmo que indiretamente, o papel até aqui desempenhado pelo Coletivo Passa Palavra e todos aqueles que estão engajados nessa iniciativa: justamente o nome de nosso especial, ou seja, pensar a esquerda - em sua prática e experiências - por dentro e por fora. 

Não se trata de vangloriar um grupo, ou qualquer coisa parecida: mas, sim, de reconhecer essa característica do trabalho até realizado por este sítio.

Realmente, o especial tem sido de grande valia e formação para a esquerda não-ortodoxa - que quer, mesmo, encarar de frente algumas questões sempre formuladas, mas pouco aprofundadas.

Abraços.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá,</p>
<p>Tanto o texto aqui em destaque, quanto o comentário de João Bernardo, são fundamentais para nossa reflexão em torno das experiências participativas e autogestionárias em processos intensos de mobilização de base.</p>
<p>O texto em questão, por exemplo, chama a atenção para a importante articulação entre o fazer (os acontecimentos relatados) e o pensar sobre (tentativa, séria e sem respostas fáceis e retóricas, de entendimento dos fatos).</p>
<p>Já o comentário do João Bernardo destaca, mesmo que indiretamente, o papel até aqui desempenhado pelo Coletivo Passa Palavra e todos aqueles que estão engajados nessa iniciativa: justamente o nome de nosso especial, ou seja, pensar a esquerda &#8211; em sua prática e experiências &#8211; por dentro e por fora. </p>
<p>Não se trata de vangloriar um grupo, ou qualquer coisa parecida: mas, sim, de reconhecer essa característica do trabalho até realizado por este sítio.</p>
<p>Realmente, o especial tem sido de grande valia e formação para a esquerda não-ortodoxa &#8211; que quer, mesmo, encarar de frente algumas questões sempre formuladas, mas pouco aprofundadas.</p>
<p>Abraços.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Carlos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/29632/#comment-14090</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 19:13:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Exato, o problema não é haver a ou b, mas as pessoas aceitarem que as coisas sejam assim. Precisa começar a ser discutida a razão de as pessoas não participarem, de as pessoas aceitarem, de as pessoas não quererem saber. Talvez seja o caso de se pensar que luta por igualdade efetiva seja sempre atividade de uma minoria, mesmo que heroica e/ou suicida, e são apenas momentos episódicos que criam grandes atuações de massas. Talvez, ao invés de nos questionarmos porque as coisas não acontecem, seria o caso de irmos indagar o que houve de diferente que fez com que surgissem pontualmente grandes momentos de agito. As revoluções são exceções cujas imagens míticas deixamos que poluam nossa percepção das coisas.

Há luta? Claro que há, mas não aquela que nós desejamos e nem as que mistificamos. O peso da existência é grande demais e tantos outros temas se colocam para as pessoas em sua vida cotidiana. Elas passam a vida lutando dentro de um cosmo quase imperceptível. Há o peso da cor da pele, o peso da estética, o peso da pobreza/miséria, da origem geográfica, da questão de gênero, das redes sociais e afetivas, da opressão do vizinho...É tanta coisa com a qual se tem que lutar que não sobra tempo para se pensar em grandes reformulações, participações e projetos. A luta do dia é a luta da vida, do estar vivo no dia seguinte ou não humilhado. Em meio a este caos todo, na maioria das vezes, quem se apresenta chamando para a participação quer, na verdade, usar-nos para ascender e ao nosso lado não há muitos que desejam construir uma parceria, também ansiosos de serem chefes, de terem status, de terem dinheiro/poder. A situação é pesada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Exato, o problema não é haver a ou b, mas as pessoas aceitarem que as coisas sejam assim. Precisa começar a ser discutida a razão de as pessoas não participarem, de as pessoas aceitarem, de as pessoas não quererem saber. Talvez seja o caso de se pensar que luta por igualdade efetiva seja sempre atividade de uma minoria, mesmo que heroica e/ou suicida, e são apenas momentos episódicos que criam grandes atuações de massas. Talvez, ao invés de nos questionarmos porque as coisas não acontecem, seria o caso de irmos indagar o que houve de diferente que fez com que surgissem pontualmente grandes momentos de agito. As revoluções são exceções cujas imagens míticas deixamos que poluam nossa percepção das coisas.</p>
<p>Há luta? Claro que há, mas não aquela que nós desejamos e nem as que mistificamos. O peso da existência é grande demais e tantos outros temas se colocam para as pessoas em sua vida cotidiana. Elas passam a vida lutando dentro de um cosmo quase imperceptível. Há o peso da cor da pele, o peso da estética, o peso da pobreza/miséria, da origem geográfica, da questão de gênero, das redes sociais e afetivas, da opressão do vizinho&#8230;É tanta coisa com a qual se tem que lutar que não sobra tempo para se pensar em grandes reformulações, participações e projetos. A luta do dia é a luta da vida, do estar vivo no dia seguinte ou não humilhado. Em meio a este caos todo, na maioria das vezes, quem se apresenta chamando para a participação quer, na verdade, usar-nos para ascender e ao nosso lado não há muitos que desejam construir uma parceria, também ansiosos de serem chefes, de terem status, de terem dinheiro/poder. A situação é pesada.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/09/29632/#comment-14084</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 10:34:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=29632#comment-14084</guid>

					<description><![CDATA[A leitura deste excelente artigo suscitou-me duas reflexões.
Foi Jean Paul Marat quem pela primeira vez analisou de maneira sistemática o facto primordial da ordem política. Machiavelli, Jean Bodin, Hobbes e os outros clássicos haviam partido de um pressuposto, a existência do Príncipe, da autoridade soberana. Mas Marat colocou a questão ao contrário: por que motivo a plebe deixa o déspota existir? Para ele, o problema fundamental era o controlo exercido sobre os representantes, e tal controlo devia ser permanente. Este problema ocupara Marat já antes da Revolução Francesa, numa obra escrita no exílio inglês, &lt;em&gt;Les Chaînes de l’esclavage&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;As Cadeias da Escravidão&lt;/em&gt;). E foi aquela interrogação, pendente como uma ameaça, que orientou a intervenção política de Marat durante a Revolução. Será que, como uma suspensão num líquido — perguntava ele — é necessário um permanente trabalho de agitação para que a plebe fique atenta e impeça o restabelecimento do despotismo? Será que não existe uma forma de organização da plebe que, uma vez institucionalizada, evite qualquer risco de despotismo? Será que não se consegue quebrar de vez a apatia e a falta de participação? Toda a acção de Marat depois de 1789 se orientou no sentido de reforçar a mobilização de base, mas foi assassinado sem ter conseguido solucionar o problema na prática, e legou-o às gerações seguintes, que também não o souberam resolver.
Quando eu estudei a obra de Marat, há trinta ou quarenta anos, quase não havia edições modernas dos seus textos. Não sei se a situação entretanto mudou. Mas na época, em França, uma colecção de bolso de grande difusão, a 10/18, orientada por pessoas de extrema-esquerda, pusera a circular &lt;em&gt;Les Chaînes de l’esclavage&lt;/em&gt;. De resto existiam apenas algumas antologias editadas pelo Partido Comunista Francês e pelas publicações soviéticas em línguas estrangeiras. E nestas antologias estavam cuidadosamente suprimidas as passagens em que Marat se referia à organização de base. A tal ponto, dois séculos depois, o problema continuava a ser vital para os novos déspotas, ou candidatos a déspotas! Para ler integralmente Marat tive de consultar numa biblioteca de Paris os exemplares do jornal que, por vezes com risco de vida, ele publicou durante a Revolução Francesa. Mesmo para um pesquisador devotado e alheio ao fetichismo dos documentos, a emoção foi grande ao ter nas mãos aqueles papéis ilustres.
Se o problema da apatia da base, levantado por Marat, continua a ser o nosso problema, e se ele tinha tanta urgência na época da Revolução Francesa como tem hoje, é porque esse é o ponto crucial do confronto entre as classes. Os exploradores nunca venceram só a partir do exterior. Têm conseguido vencer porque têm absorvido uma parcela da vanguarda constituída no interior da classe explorada, revitalizando com ela as classes dominantes. Não se trata nunca de uma luta dupla, trabalhadores de um lado e burgueses do outro. Trata-se sempre de uma luta tripla, em que parte da classe dos gestores se coloca ao lado da burguesia e outra parte se coloca ao lado dos trabalhadores. A situação é mais complicada ainda, porque no interior da classe trabalhadora, através da burocratização das organizações, se formam novos gestores. E a burocratização ocorre quando as bases se tornam inactivas. A passividade é a causa originária da burocratização, embora os burocratas, em seguida, estimulem a passividade para continuarem a sustentar-se. O perigo para que Marat alertara é o mesmo perigo que desde então continua a ameaçar: o perigo da apatia que permite a formação de burocratas, o perigo da conversão das vanguardas em burocracias e das burocracias em elites, e o perigo do rejuvenescimento das classes dominantes graças a essas novas elites. Quando a revolução perde o fôlego é porque os gestores de esquerda e as vanguardas convertidas em elite se reunificaram com os gestores de direita, dando ao capitalismo novos fundamentos, mais sólidos.
Enquanto o capitalismo durar, durará este perigo. Mas as derrotas que os trabalhadores têm sofrido não são um simples recomeço. Atingem-se novos patamares, com novas oportunidades, mas também com outros riscos. Por isso a questão tem de ser discutida de cada vez. É o que estamos aqui a fazer.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A leitura deste excelente artigo suscitou-me duas reflexões.<br />
Foi Jean Paul Marat quem pela primeira vez analisou de maneira sistemática o facto primordial da ordem política. Machiavelli, Jean Bodin, Hobbes e os outros clássicos haviam partido de um pressuposto, a existência do Príncipe, da autoridade soberana. Mas Marat colocou a questão ao contrário: por que motivo a plebe deixa o déspota existir? Para ele, o problema fundamental era o controlo exercido sobre os representantes, e tal controlo devia ser permanente. Este problema ocupara Marat já antes da Revolução Francesa, numa obra escrita no exílio inglês, <em>Les Chaînes de l’esclavage</em> (<em>As Cadeias da Escravidão</em>). E foi aquela interrogação, pendente como uma ameaça, que orientou a intervenção política de Marat durante a Revolução. Será que, como uma suspensão num líquido — perguntava ele — é necessário um permanente trabalho de agitação para que a plebe fique atenta e impeça o restabelecimento do despotismo? Será que não existe uma forma de organização da plebe que, uma vez institucionalizada, evite qualquer risco de despotismo? Será que não se consegue quebrar de vez a apatia e a falta de participação? Toda a acção de Marat depois de 1789 se orientou no sentido de reforçar a mobilização de base, mas foi assassinado sem ter conseguido solucionar o problema na prática, e legou-o às gerações seguintes, que também não o souberam resolver.<br />
Quando eu estudei a obra de Marat, há trinta ou quarenta anos, quase não havia edições modernas dos seus textos. Não sei se a situação entretanto mudou. Mas na época, em França, uma colecção de bolso de grande difusão, a 10/18, orientada por pessoas de extrema-esquerda, pusera a circular <em>Les Chaînes de l’esclavage</em>. De resto existiam apenas algumas antologias editadas pelo Partido Comunista Francês e pelas publicações soviéticas em línguas estrangeiras. E nestas antologias estavam cuidadosamente suprimidas as passagens em que Marat se referia à organização de base. A tal ponto, dois séculos depois, o problema continuava a ser vital para os novos déspotas, ou candidatos a déspotas! Para ler integralmente Marat tive de consultar numa biblioteca de Paris os exemplares do jornal que, por vezes com risco de vida, ele publicou durante a Revolução Francesa. Mesmo para um pesquisador devotado e alheio ao fetichismo dos documentos, a emoção foi grande ao ter nas mãos aqueles papéis ilustres.<br />
Se o problema da apatia da base, levantado por Marat, continua a ser o nosso problema, e se ele tinha tanta urgência na época da Revolução Francesa como tem hoje, é porque esse é o ponto crucial do confronto entre as classes. Os exploradores nunca venceram só a partir do exterior. Têm conseguido vencer porque têm absorvido uma parcela da vanguarda constituída no interior da classe explorada, revitalizando com ela as classes dominantes. Não se trata nunca de uma luta dupla, trabalhadores de um lado e burgueses do outro. Trata-se sempre de uma luta tripla, em que parte da classe dos gestores se coloca ao lado da burguesia e outra parte se coloca ao lado dos trabalhadores. A situação é mais complicada ainda, porque no interior da classe trabalhadora, através da burocratização das organizações, se formam novos gestores. E a burocratização ocorre quando as bases se tornam inactivas. A passividade é a causa originária da burocratização, embora os burocratas, em seguida, estimulem a passividade para continuarem a sustentar-se. O perigo para que Marat alertara é o mesmo perigo que desde então continua a ameaçar: o perigo da apatia que permite a formação de burocratas, o perigo da conversão das vanguardas em burocracias e das burocracias em elites, e o perigo do rejuvenescimento das classes dominantes graças a essas novas elites. Quando a revolução perde o fôlego é porque os gestores de esquerda e as vanguardas convertidas em elite se reunificaram com os gestores de direita, dando ao capitalismo novos fundamentos, mais sólidos.<br />
Enquanto o capitalismo durar, durará este perigo. Mas as derrotas que os trabalhadores têm sofrido não são um simples recomeço. Atingem-se novos patamares, com novas oportunidades, mas também com outros riscos. Por isso a questão tem de ser discutida de cada vez. É o que estamos aqui a fazer.</p>
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