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	Comentários sobre: Movimentos sociais, burocratização e poder popular. Da teoria à prática. 2) Um método de análise para os movimentos sociais	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Xavier		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/31230/#comment-16112</link>

		<dc:creator><![CDATA[Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 11:25:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá,

Não sou nada especialista no assunto, mas como me interesso bastante pela temática, aí vai um comentário rápido.

O Eder Sader, em seu clássico &quot;Quando novos personagens entram em cena&quot;, chamava a atenção para novas abordagens teóricas e procedimentos metodológicos que estavam em voga no final dos anos 1970 e início dos anos 1980 - principalmente tendo como destaque a idéia de &quot;autonomia&quot; e &quot;auto-instituição da sociedade&quot;, desenvolvidas por Cornelius Castoriadis e outros autonomistas da época. Ao mesmo tempo, Eder também costuma lembrar a riqueza das análises históricas de Edward Thompson. 

E o Eder Sader, nesse conjunto de influências, elaborou um dos melhores estudos concretos sobre a emergência dos movimentos populares no Brasil. Uma obra muito citada, e bem esquecida - não levada em suas últimas consequências teóricas e práticas.

Para maiores esclarecimentos, vale a pena a leitura do capítulo inicial do livro supracitado. Nesse sentido, penso que a abordagem de Eder Sader pode ser considerada extremamente inovadora para época, e mesmo para o que veio depois - principalmente se pensarmos, como bem lembrou o Felipe, nos desenvolvimentos posteriores das análises dos movimentos sociais no Brasil.

Enfim, são algumas notas soltas - ainda tentando mapear esse debate. Abraços!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá,</p>
<p>Não sou nada especialista no assunto, mas como me interesso bastante pela temática, aí vai um comentário rápido.</p>
<p>O Eder Sader, em seu clássico &#8220;Quando novos personagens entram em cena&#8221;, chamava a atenção para novas abordagens teóricas e procedimentos metodológicos que estavam em voga no final dos anos 1970 e início dos anos 1980 &#8211; principalmente tendo como destaque a idéia de &#8220;autonomia&#8221; e &#8220;auto-instituição da sociedade&#8221;, desenvolvidas por Cornelius Castoriadis e outros autonomistas da época. Ao mesmo tempo, Eder também costuma lembrar a riqueza das análises históricas de Edward Thompson. </p>
<p>E o Eder Sader, nesse conjunto de influências, elaborou um dos melhores estudos concretos sobre a emergência dos movimentos populares no Brasil. Uma obra muito citada, e bem esquecida &#8211; não levada em suas últimas consequências teóricas e práticas.</p>
<p>Para maiores esclarecimentos, vale a pena a leitura do capítulo inicial do livro supracitado. Nesse sentido, penso que a abordagem de Eder Sader pode ser considerada extremamente inovadora para época, e mesmo para o que veio depois &#8211; principalmente se pensarmos, como bem lembrou o Felipe, nos desenvolvimentos posteriores das análises dos movimentos sociais no Brasil.</p>
<p>Enfim, são algumas notas soltas &#8211; ainda tentando mapear esse debate. Abraços!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Felipe C.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/31230/#comment-15932</link>

		<dc:creator><![CDATA[Felipe C.]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Nov 2010 19:47:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá Eduardo, obrigado pelos seus comentários. Concordo plenamente que toda teoria tenha muita relação com o ambiente que ela é produzida. 

No caso da Teoria da Mobilização de Recursos (TMR), estou de acordo que ele é uma teoria muito baseada no contexto dos EUA, inclusive na perspectiva da esquerda assumidamente iluminista que está bastante presente por lá. A vantagem dela, a meu ver, é que ela reforçou aspectos racionais e estratégicos, que estavam pouco presentes em abordagens anteriores.

Ainda sobre os EUA, se você pegar o clássico do McAdam dos anos 1980 que deu início à Teoria do Processo Político (TPP), &quot;Political Process and Black Insurgency&quot; eu acho uma das melhores análises do que foi a mobilização pelos direitos civis. E a teoria dele surge justamente a partir de um questionamento acerca dos limites da TMR.

Os teóricos que você coloca, Tourraine e Castells, da forma como eu entendo, possuem essa abordagem que forjou as bases da Teoria dos Novos Movimentos Sociais (TNMS). De novo, nessas buscas de novas teorias, eu acho que um dos problemas é que os teóricos saiam de um extremo e iam para outro. Então, o extremo oposto da TMR é a TNMS. Uma prioriza absolutamente estratégia e racionalidade, a outra relega tudo isso e enfatiza praticamente só a cultura e os aspectos irracionais (abandonam classe e outros conceitos que me parecem centrais). 

Não sou um grande conhecedor neste sentido mas me parece que as abordagens de Tourraine e Castells vão neste sentido de ênfase dos aspectos culturais e no pouco trato pelas questões de estratégia, classe, racionalidade etc. que eu julgo que também são elementos importantes nos movimentos. Você concorda?

Minha simpatia pelo pessoal que saiu da TPP e incorporou suas críticas (fundamentalmente da amplitude dos conceitos de oportunidades políticas e estruturas de mobilização e também da falta de importância aos aspectos culturais) e desenvolveu um modelo que me parece adequado para pensar as diferentes realidades. Diferente destes modelos que iam de um extremo a outro, acredito que eles propõem um bom meio termo entre questões individuais, coletivas e estruturais - aceitando a posição de interdependência e interinfluência dessas esferas. Além disso, tendem a observar todos os aspectos dos movimentos estratégia, racionalidade, emotividade, quadros interpretativos, etc.

Sobre a literatura anglo-saxã, realmente eu acredito que foi ela que desenvolveu recentemente a maior quantidade relevante de teoria sobre movimentos sociais. Você discorda? Há uma quantidade (com qualidade) muito interessante de coisas a partir dos anos 1990 que ganhou muito quando as teorias começaram a sair do diálogo de surdos e incorporar elementos umas das outras. 

Acho os escritos recentes (pós 2001) dessa turma do &quot;contentious&quot; uma boa síntese da discussão. O Brasil a meu ver, tem uma trajetória em termo de teoria de movimentos sociais que acompanha a do PT: no início discutia-se movimentos sociais mas aos poucos as discussões foram se institucionalizando, avaliando a &quot;sociedade civil&quot; pontos de interação entre movimentos e Estado etc. realmente ficando para trás no que diz respeito a teoria de movimentos sociais. Você concorda?  

De qualquer forma, suas colocações são pertinentes! Valeu pelo debate! Se você tiver materiais interessantes de teoria de movimentos sociais para indicar, será mais do que bem-vindo!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Eduardo, obrigado pelos seus comentários. Concordo plenamente que toda teoria tenha muita relação com o ambiente que ela é produzida. </p>
<p>No caso da Teoria da Mobilização de Recursos (TMR), estou de acordo que ele é uma teoria muito baseada no contexto dos EUA, inclusive na perspectiva da esquerda assumidamente iluminista que está bastante presente por lá. A vantagem dela, a meu ver, é que ela reforçou aspectos racionais e estratégicos, que estavam pouco presentes em abordagens anteriores.</p>
<p>Ainda sobre os EUA, se você pegar o clássico do McAdam dos anos 1980 que deu início à Teoria do Processo Político (TPP), &#8220;Political Process and Black Insurgency&#8221; eu acho uma das melhores análises do que foi a mobilização pelos direitos civis. E a teoria dele surge justamente a partir de um questionamento acerca dos limites da TMR.</p>
<p>Os teóricos que você coloca, Tourraine e Castells, da forma como eu entendo, possuem essa abordagem que forjou as bases da Teoria dos Novos Movimentos Sociais (TNMS). De novo, nessas buscas de novas teorias, eu acho que um dos problemas é que os teóricos saiam de um extremo e iam para outro. Então, o extremo oposto da TMR é a TNMS. Uma prioriza absolutamente estratégia e racionalidade, a outra relega tudo isso e enfatiza praticamente só a cultura e os aspectos irracionais (abandonam classe e outros conceitos que me parecem centrais). </p>
<p>Não sou um grande conhecedor neste sentido mas me parece que as abordagens de Tourraine e Castells vão neste sentido de ênfase dos aspectos culturais e no pouco trato pelas questões de estratégia, classe, racionalidade etc. que eu julgo que também são elementos importantes nos movimentos. Você concorda?</p>
<p>Minha simpatia pelo pessoal que saiu da TPP e incorporou suas críticas (fundamentalmente da amplitude dos conceitos de oportunidades políticas e estruturas de mobilização e também da falta de importância aos aspectos culturais) e desenvolveu um modelo que me parece adequado para pensar as diferentes realidades. Diferente destes modelos que iam de um extremo a outro, acredito que eles propõem um bom meio termo entre questões individuais, coletivas e estruturais &#8211; aceitando a posição de interdependência e interinfluência dessas esferas. Além disso, tendem a observar todos os aspectos dos movimentos estratégia, racionalidade, emotividade, quadros interpretativos, etc.</p>
<p>Sobre a literatura anglo-saxã, realmente eu acredito que foi ela que desenvolveu recentemente a maior quantidade relevante de teoria sobre movimentos sociais. Você discorda? Há uma quantidade (com qualidade) muito interessante de coisas a partir dos anos 1990 que ganhou muito quando as teorias começaram a sair do diálogo de surdos e incorporar elementos umas das outras. </p>
<p>Acho os escritos recentes (pós 2001) dessa turma do &#8220;contentious&#8221; uma boa síntese da discussão. O Brasil a meu ver, tem uma trajetória em termo de teoria de movimentos sociais que acompanha a do PT: no início discutia-se movimentos sociais mas aos poucos as discussões foram se institucionalizando, avaliando a &#8220;sociedade civil&#8221; pontos de interação entre movimentos e Estado etc. realmente ficando para trás no que diz respeito a teoria de movimentos sociais. Você concorda?  </p>
<p>De qualquer forma, suas colocações são pertinentes! Valeu pelo debate! Se você tiver materiais interessantes de teoria de movimentos sociais para indicar, será mais do que bem-vindo!</p>
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		<title>
		Por: Eduardo Tomazine Teixeira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/31230/#comment-15887</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Nov 2010 12:12:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Estou gostando desta série de artigos que tenta explicitar as teorias sobre os movimentos sociais produzidas na academia, mas senti falta de duas coisas importantes nesta exposição:

1) A ausência do contexto social no âmbito do qual estas teorias foram formuladas, mostrando que elas emanam de realidades específicas e bastante diferentes entre si. Ora, a teoria da mobilização de recursos, por exemplo, nasce num EUA onde as formas de mobilização política da sociedade civil eram de fato impregnadas da tal &quot;escolha racional&quot;: lobbies, reivindicações formais etc. Muito diferente dos movimentos sociais &quot;explosivos&quot; da década de 60 que inspiram as teorias dos novos movimentos sociais. Uma contextualização é importante para mostrar como as teorias são uma confluência do ambiente institucional (dos centros de pesquisa) com o ambiente social (dos movimentos). 

2) A negligência de algumas matrizes teóricas importantíssimas, sobretudo a Teoria da Ação formulada por Alain Tourraine e depois desenvolvida teórica e empiricamente por autores incontornáveis como Manuel Castells - uma matriz teórica que esteve na base da TNMS. No seu texto, caro Felipe Correa, você explicita apenas as matrizes teóricas anglo-saxãs, e o leitor não familiarizado com as teorias sobre os movimentos sociais pode achar que isso é tudo. Que você priorize certas matrizes teóricas as quais você considere mais robustas ou com as quais esteja mais familiarizado, isto não é nenhum problema. Mas é importante dar a entender que existem outras importantes matrizes, as quais o leitor interessado poderá correr atrás depois. 

Apesar das ressalvas, parabéns pela série!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou gostando desta série de artigos que tenta explicitar as teorias sobre os movimentos sociais produzidas na academia, mas senti falta de duas coisas importantes nesta exposição:</p>
<p>1) A ausência do contexto social no âmbito do qual estas teorias foram formuladas, mostrando que elas emanam de realidades específicas e bastante diferentes entre si. Ora, a teoria da mobilização de recursos, por exemplo, nasce num EUA onde as formas de mobilização política da sociedade civil eram de fato impregnadas da tal &#8220;escolha racional&#8221;: lobbies, reivindicações formais etc. Muito diferente dos movimentos sociais &#8220;explosivos&#8221; da década de 60 que inspiram as teorias dos novos movimentos sociais. Uma contextualização é importante para mostrar como as teorias são uma confluência do ambiente institucional (dos centros de pesquisa) com o ambiente social (dos movimentos). </p>
<p>2) A negligência de algumas matrizes teóricas importantíssimas, sobretudo a Teoria da Ação formulada por Alain Tourraine e depois desenvolvida teórica e empiricamente por autores incontornáveis como Manuel Castells &#8211; uma matriz teórica que esteve na base da TNMS. No seu texto, caro Felipe Correa, você explicita apenas as matrizes teóricas anglo-saxãs, e o leitor não familiarizado com as teorias sobre os movimentos sociais pode achar que isso é tudo. Que você priorize certas matrizes teóricas as quais você considere mais robustas ou com as quais esteja mais familiarizado, isto não é nenhum problema. Mas é importante dar a entender que existem outras importantes matrizes, as quais o leitor interessado poderá correr atrás depois. </p>
<p>Apesar das ressalvas, parabéns pela série!</p>
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