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	Comentários sobre: O que se passou em 17 de outubro de 1961	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Benilde Pinto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/31390/#comment-46669</link>

		<dc:creator><![CDATA[Benilde Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 15:15:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ando a tentar fazer um trabalho sobre esse tema para uma disciplina da faculdade, mas estou a ver que tenho de desistir, pois a bibliografia é muito escassa. Apenas vi a referencia a um livro sobre isso &quot;LA bataille de Paris&quot; de Jean Luc Eunaudi, mas que não há em Portugal, pelo menos já corri imensas livrarias e não encontrei. Se alguém conhecer outros, agradecia imenso que me dissessem.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ando a tentar fazer um trabalho sobre esse tema para uma disciplina da faculdade, mas estou a ver que tenho de desistir, pois a bibliografia é muito escassa. Apenas vi a referencia a um livro sobre isso &#8220;LA bataille de Paris&#8221; de Jean Luc Eunaudi, mas que não há em Portugal, pelo menos já corri imensas livrarias e não encontrei. Se alguém conhecer outros, agradecia imenso que me dissessem.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Juliana Mantovani		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/31390/#comment-15930</link>

		<dc:creator><![CDATA[Juliana Mantovani]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Nov 2010 18:28:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Me parece que não houve uma participação significativa, nem assassinato, de franceses no 17 de outubro, assim como os argelinos não participaram da manifestação de Charonne, organizada pelo Partido Comunista Francês em 8 de fevereiro de 62.
De acordo com a Charlotte Nordmann, a repressão de Charonne se tornou um símbolo da violência do Estado e do engajamento do Partido Comunista durante a Guerra da Argélia. E talvez isso indique o motivo do Partido não levantar a questão, e ainda contribuir para seu esquecimento ao privilegiar a memória da manifestação de Charonne.
Por vários motivos o 17 de outubro acabou sendo encoberto pelo &quot;Affaire do Metro Charonne&quot;. O Le Monde, por exemplo, chegou a publicar que a repressão de Charonne foi a mais violenta vista por Paris desde 1934 e alguns livros didáticos, e programas de tv,  utilizaram as fotos do 17 de outubro para ilustrar a manifestação de Charonne.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me parece que não houve uma participação significativa, nem assassinato, de franceses no 17 de outubro, assim como os argelinos não participaram da manifestação de Charonne, organizada pelo Partido Comunista Francês em 8 de fevereiro de 62.<br />
De acordo com a Charlotte Nordmann, a repressão de Charonne se tornou um símbolo da violência do Estado e do engajamento do Partido Comunista durante a Guerra da Argélia. E talvez isso indique o motivo do Partido não levantar a questão, e ainda contribuir para seu esquecimento ao privilegiar a memória da manifestação de Charonne.<br />
Por vários motivos o 17 de outubro acabou sendo encoberto pelo &#8220;Affaire do Metro Charonne&#8221;. O Le Monde, por exemplo, chegou a publicar que a repressão de Charonne foi a mais violenta vista por Paris desde 1934 e alguns livros didáticos, e programas de tv,  utilizaram as fotos do 17 de outubro para ilustrar a manifestação de Charonne.</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/31390/#comment-15841</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 21:15:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Giancarlo,
Dizer que não se falava do assunto com medo da repressão seria subestimar o problema, porque na França daquela época, além das variadas polícias oficiais, que continuam hoje a existir, havia os órgãos de repressão clandestinos, mais ou menos oficiosos, de que a OAS foi o exemplo mais notório. E este ambiente continuou a ser vivido até depois de 1968. O Partido Comunista Francês poderia não ter interesse em levantar a questão — desconheço o que pudesse estar por detrás dessa opção — mas a extrema-esquerda não tinha força para o fazer abertamente. É conveniente não esquecer que na França dos anos seguintes a 1968 várias organizações de extrema-esquerda foram ilegalizadas e reprimidas e alguns dos seus militantes chegaram a ser assassinados. A repressão nas ruas era muito violenta e as fiscalizações eram quotidianas, de tal modo que, aos olhos de um jovem exilado com experiência de perseguições e de prisões, a democracia francesa parecia mais policial do que o fascismo português.
Quanto à existência de franceses entre os mortos, houve-os pelo menos no massacre do Métro Charonne, como o José Mário Branco recordou num comentário acima, mas ignoro se os houve em 17 de Outubro de 1961.
Quanto a conselhos operários ou instituições autogeridas no processo de independência argelino, isso estaria bem mais perto do sonho do que da realidade. Por muito pouco que se goste de falar do assunto, a influência do fascismo nos processos de independência dos espaços colonizados foi muito considerável, e no caso do Norte de África foi especialmente forte a influência do nacional-socialismo. Remeto para o que escrevi acerca do assunto nas págs. 896 e segs. do meu livro &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt;. Aliás, é interessante saber que o decano do fascismo francês do pós-guerra, Maurice Bardèche, considerava que na guerra da Argélia os fascistas tinham mais razões para apoiar a FLN, que ele considerava nasserista e por isso mesmo fascista, do que o governo francês, que ele considerava uma democracia plutocrática.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Giancarlo,<br />
Dizer que não se falava do assunto com medo da repressão seria subestimar o problema, porque na França daquela época, além das variadas polícias oficiais, que continuam hoje a existir, havia os órgãos de repressão clandestinos, mais ou menos oficiosos, de que a OAS foi o exemplo mais notório. E este ambiente continuou a ser vivido até depois de 1968. O Partido Comunista Francês poderia não ter interesse em levantar a questão — desconheço o que pudesse estar por detrás dessa opção — mas a extrema-esquerda não tinha força para o fazer abertamente. É conveniente não esquecer que na França dos anos seguintes a 1968 várias organizações de extrema-esquerda foram ilegalizadas e reprimidas e alguns dos seus militantes chegaram a ser assassinados. A repressão nas ruas era muito violenta e as fiscalizações eram quotidianas, de tal modo que, aos olhos de um jovem exilado com experiência de perseguições e de prisões, a democracia francesa parecia mais policial do que o fascismo português.<br />
Quanto à existência de franceses entre os mortos, houve-os pelo menos no massacre do Métro Charonne, como o José Mário Branco recordou num comentário acima, mas ignoro se os houve em 17 de Outubro de 1961.<br />
Quanto a conselhos operários ou instituições autogeridas no processo de independência argelino, isso estaria bem mais perto do sonho do que da realidade. Por muito pouco que se goste de falar do assunto, a influência do fascismo nos processos de independência dos espaços colonizados foi muito considerável, e no caso do Norte de África foi especialmente forte a influência do nacional-socialismo. Remeto para o que escrevi acerca do assunto nas págs. 896 e segs. do meu livro <em>Labirintos do Fascismo</em>. Aliás, é interessante saber que o decano do fascismo francês do pós-guerra, Maurice Bardèche, considerava que na guerra da Argélia os fascistas tinham mais razões para apoiar a FLN, que ele considerava nasserista e por isso mesmo fascista, do que o governo francês, que ele considerava uma democracia plutocrática.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Giancarlo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/31390/#comment-15839</link>

		<dc:creator><![CDATA[Giancarlo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 20:51:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Interesantíssimo, tanto o texto como os comentários e conteúdos anexados.
Mas ficaram algumas dúvidas. Por que a esquerda não falava sobre o episódio tempos depois, e a extrema esquerda falava com receios? (da repressão)?
Segundo: os mortos eram todos argelinos e &quot;estrangeiros&quot; ou tombaram também franceses?
Terceiro: alguém sabe de algum texto em português ou espanhol que fale dos conselhos operários ou de alguma outra estrutura autogerida no processo de independência da Argélia?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Interesantíssimo, tanto o texto como os comentários e conteúdos anexados.<br />
Mas ficaram algumas dúvidas. Por que a esquerda não falava sobre o episódio tempos depois, e a extrema esquerda falava com receios? (da repressão)?<br />
Segundo: os mortos eram todos argelinos e &#8220;estrangeiros&#8221; ou tombaram também franceses?<br />
Terceiro: alguém sabe de algum texto em português ou espanhol que fale dos conselhos operários ou de alguma outra estrutura autogerida no processo de independência da Argélia?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Juliana Mantovani		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/31390/#comment-15831</link>

		<dc:creator><![CDATA[Juliana Mantovani]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 19:01:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No site onde o texto original foi publicado também há outros artigos, fotos, relatos de testemunhas, filmografia e várias outras referências sobre o assunto.

Outro filme, mais ou menos recente, é o Caché (2005), de Michael Haneke, que aborda de forma não totalmente explícita o massacre e a maneira como os franceses lidam com esse tipo de conflito, mas que no Brasil teve essa questão praticamente ignorada.

É legal dizer que a maioria das fotos do 17 de outubro são do fotógrafo Élie Kagan, um dos únicos que conseguiram preservar clandestinamente seu material, já que os jornalistas foram proibidos de presenciar e registrar a manifestação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No site onde o texto original foi publicado também há outros artigos, fotos, relatos de testemunhas, filmografia e várias outras referências sobre o assunto.</p>
<p>Outro filme, mais ou menos recente, é o Caché (2005), de Michael Haneke, que aborda de forma não totalmente explícita o massacre e a maneira como os franceses lidam com esse tipo de conflito, mas que no Brasil teve essa questão praticamente ignorada.</p>
<p>É legal dizer que a maioria das fotos do 17 de outubro são do fotógrafo Élie Kagan, um dos únicos que conseguiram preservar clandestinamente seu material, já que os jornalistas foram proibidos de presenciar e registrar a manifestação.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Danilo Chaves Nakamura		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/31390/#comment-15817</link>

		<dc:creator><![CDATA[Danilo Chaves Nakamura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 15:09:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bom texto! Legal Jú! Você ter divulgado sua tradução...

Sobre o assunto há um filme: Nuit noire, 17 octobre 1961 (original title) Noite negra de Alain Tasma. Disponível em 11 partes (youtube). Também é possível baixá-lo.

Há um blog interessante sobre o assunto. Nele há dicas de bibliografia, imagens, noticias de jornais e outros. http://franceandalgeria.wordpress.com/tag/17-october-1961/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bom texto! Legal Jú! Você ter divulgado sua tradução&#8230;</p>
<p>Sobre o assunto há um filme: Nuit noire, 17 octobre 1961 (original title) Noite negra de Alain Tasma. Disponível em 11 partes (youtube). Também é possível baixá-lo.</p>
<p>Há um blog interessante sobre o assunto. Nele há dicas de bibliografia, imagens, noticias de jornais e outros. <a href="http://franceandalgeria.wordpress.com/tag/17-october-1961/" rel="nofollow ugc">http://franceandalgeria.wordpress.com/tag/17-october-1961/</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: José Mário Branco		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/31390/#comment-15801</link>

		<dc:creator><![CDATA[José Mário Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 09:23:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João, em Paris eu conheci o caso pelo nome de “Affaire do Metro Charonne”, mas são de facto dois casos diferentes: a repressão sobre os argelinos em 17 de Outubro de 1961, assunto deste artigo, e a repressão do metro Charonne em 8 de Fevereiro de 1962 onde foram mortos 8 manifestantes franceses. Até eu sair da França em 1974, eram dois casos quase totalmente silenciados, à direita e à esquerda, e, quando referidos, amalgamavam-se as duas diferentes ocorrências. Só a extrema-esquerda e os magrebinos se lhes referiam, mesmo assim com grandes cuidados e receios.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João, em Paris eu conheci o caso pelo nome de “Affaire do Metro Charonne”, mas são de facto dois casos diferentes: a repressão sobre os argelinos em 17 de Outubro de 1961, assunto deste artigo, e a repressão do metro Charonne em 8 de Fevereiro de 1962 onde foram mortos 8 manifestantes franceses. Até eu sair da França em 1974, eram dois casos quase totalmente silenciados, à direita e à esquerda, e, quando referidos, amalgamavam-se as duas diferentes ocorrências. Só a extrema-esquerda e os magrebinos se lhes referiam, mesmo assim com grandes cuidados e receios.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/31390/#comment-15800</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 08:49:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando cheguei a Paris, em 1968, este acontecimento era narrado de boca a orelha, porque não havia nada escrito acerca do assunto, nem isso era permitido. Só depois começou a fazer-se a história deste caso. Há ainda algo que o artigo não diz. É que os próprios bombeiros foram usados para atirar cadáveres de manifestantes ao Sena, e proibidos pela hierarquia da corporação de narrar o que haviam feito. Os Soldados da Paz…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando cheguei a Paris, em 1968, este acontecimento era narrado de boca a orelha, porque não havia nada escrito acerca do assunto, nem isso era permitido. Só depois começou a fazer-se a história deste caso. Há ainda algo que o artigo não diz. É que os próprios bombeiros foram usados para atirar cadáveres de manifestantes ao Sena, e proibidos pela hierarquia da corporação de narrar o que haviam feito. Os Soldados da Paz…</p>
]]></content:encoded>
		
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