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	Comentários sobre: A Bienal, os pichadores e as práticas do capitalismo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Raymundo de Lima		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/32287/#comment-142522</link>

		<dc:creator><![CDATA[Raymundo de Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Oct 2013 01:02:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Então existe mesmo inteligentinhos, pseudointelectuais, que consideram a produção em série, brega, kitsh, como &quot;arte&quot;? Tá difícil viver num mundo assim em que pássaros dormem com morcegos e acabam de cabeça pra baixo. Depois vem as dores de cabeça, pensamentos virados, e outros sintomas. LAMENTO!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então existe mesmo inteligentinhos, pseudointelectuais, que consideram a produção em série, brega, kitsh, como &#8220;arte&#8221;? Tá difícil viver num mundo assim em que pássaros dormem com morcegos e acabam de cabeça pra baixo. Depois vem as dores de cabeça, pensamentos virados, e outros sintomas. LAMENTO!</p>
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		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/32287/#comment-70279</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jun 2012 20:11:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mais uma obra dessa vanguarda brasileira, inauguradores da arte pós-contemporânea ou hiper-realista.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1104868-igreja-pichada-por-brasileiros-em-berlim-esta-interditada-por-tempo-indeterminado.shtml

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-polemica-entre-os-pixadores-de-sp-e-a-bienal-de-berlim]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma obra dessa vanguarda brasileira, inauguradores da arte pós-contemporânea ou hiper-realista.</p>
<p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1104868-igreja-pichada-por-brasileiros-em-berlim-esta-interditada-por-tempo-indeterminado.shtml" rel="nofollow ugc">http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1104868-igreja-pichada-por-brasileiros-em-berlim-esta-interditada-por-tempo-indeterminado.shtml</a></p>
<p><a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-polemica-entre-os-pixadores-de-sp-e-a-bienal-de-berlim" rel="nofollow ugc">http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-polemica-entre-os-pixadores-de-sp-e-a-bienal-de-berlim</a></p>
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		<title>
		Por: Alexandre Herzen		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/32287/#comment-17821</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Herzen]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Dec 2010 23:20:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desaparecido de Praga, Bakunin é reencontrado feito comandante militar em Dresden; ex-oficial de artilharia, ensina a arte militar aos professores, músicos, farmacêuticos... Ele os aconselha a fixar a Madona de Rafael e os quadros de Murillo sobre os muros da cidade e de se servir deles como defesa contra os prussianos que são “demasiado ilustrados” para ousar atirar em Rafael.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desaparecido de Praga, Bakunin é reencontrado feito comandante militar em Dresden; ex-oficial de artilharia, ensina a arte militar aos professores, músicos, farmacêuticos&#8230; Ele os aconselha a fixar a Madona de Rafael e os quadros de Murillo sobre os muros da cidade e de se servir deles como defesa contra os prussianos que são “demasiado ilustrados” para ousar atirar em Rafael.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Astolfo Jr		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/32287/#comment-17143</link>

		<dc:creator><![CDATA[Astolfo Jr]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Dec 2010 17:17:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ao Baader, que não conseguiu perceber o brado irônico do João:
Transpondo a questão do campo artístico ao campo de futebol, não se pode dizer que a qualidade de um Pelé, de um Cruyf ou de um Messi seja igual a de um Felipe Mello, de um Dunga ou à minha jogando pelo Arranca Toco FC.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao Baader, que não conseguiu perceber o brado irônico do João:<br />
Transpondo a questão do campo artístico ao campo de futebol, não se pode dizer que a qualidade de um Pelé, de um Cruyf ou de um Messi seja igual a de um Felipe Mello, de um Dunga ou à minha jogando pelo Arranca Toco FC.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/32287/#comment-17009</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Dec 2010 16:18:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=32287#comment-17009</guid>

					<description><![CDATA[Penso que este tipo de debates deve interessar mais aos leitores, pelo menos àqueles que tiverem paciência para os ler, do que aos intervenientes. Assim, pela minha parte gostaria apenas de acrescentar três coisas antes de encerrar.
Eu pertenço ao número daqueles que, como Eduardo Tomazine num comentário de 27 de Novembro, distinguem &lt;em&gt;graffiti&lt;/em&gt; e pichação. Um leitor considerou que essa atitude só cabia a «exemplares cidadãos». Quanta ingenuidade em imaginar que basta rabiscar por aqui e por ali para ter uma vacina de anticapitalismo! Quem quiser saber o que eu penso acerca dos &lt;em&gt;graffiti&lt;/em&gt; pode ler um artigo de que sou co-autor: http://passapalavra.info/?p=2329 O leitor desse artigo verá também o que penso acerca da atitude tomada pela anterior Bienal a respeito da pichação. Defendo o direito de os rabiscadores rabiscarem, porque não acredito na utilidade de proibir a péssima arte nem de perseguir judicialmente os péssimos artistas.
Mais importante é a questão da selecção das obras artísticas e da definição da sua qualidade. Essa selecção pode caber inicialmente a um grupo de especialistas remunerados, em geral ligados a um museu ou a uma fundação. Nos casos em que a obra é seleccionada apenas deste modo ela raramente goza de consideração ao longo do tempo. A selecção só tem possibilidade de ser duradoura quando cabe inicialmente à apreciação de outros artistas. Nos séculos XIX e XX, praticamente todos os artistas plásticas cuja reputação se afirmou até hoje foram seleccionados informalmente por outros artistas ligados às mesmas correntes estéticas. Na maior parte dos casos, a selecção de uns artistas opera-se contra a selecção de outros, instaurando-se representações de correntes estéticas rivais ou mesmo francamente antagónicas.
Qualquer que seja o modo como for efectuada, a selecção pode ser aceite pelo público e pelos &lt;em&gt;marchands&lt;/em&gt;. Pode suceder que a aceitação de ambos coincida, mas pode suceder também que a celebridade do artista seja promovida por uns e não por outros. São inúmeros os casos em que os artistas promovidos pelos &lt;em&gt;marchands&lt;/em&gt; acabaram por não ter acolhimento pelo público, o que entra na rubrica das perdas e danos dos promotores. E o inverso sucede também, quando os &lt;em&gt;marchands&lt;/em&gt; só tardiamente se apercebem de que um artista por eles desprezado pode constituir uma hipótese de mercado interessante. E já aconteceu, com os cubistas, por exemplo, que um único &lt;em&gt;marchand&lt;/em&gt; promovesse a vanguarda, contra a opinião dos demais e ao lado de uma parte do público esclarecido.
Note-se que as formas de selecção aqui evocadas dizem respeito unicamente à sociedade capitalista. Em épocas anteriores, quando o artista produzia em resposta a uma encomenda de um mecenas, laico ou religioso, o problema do mercado não se colocava. O artista recebia um estipêndio, maior ou menor consoante a sua celebridade, e a obra não ficava à venda.
Mas o grande selecccionador, o maior de todos, é a história, e ainda aqui os julgamentos podem ser rivais. Michel Seuphor disse que em cada época havia duas estéticas opostas mas complementares, a que ele chamou o &lt;em&gt;grito&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;estilo&lt;/em&gt;. E assim teríamos Rembrandt e Vermeer, Delacroix e Ingres, Rodin e Brancusi, Pollock e Mondrian, e vários outros pares de oposições. Nenhum destes, note-se, foi seleccionado originariamente pelo mercado. Todos eles foram seleccionados por outros artistas e pelo público &lt;em&gt;connaîsseur&lt;/em&gt;. Confundir a definição de vanguardas com a selecção mercantil não resiste à prova dos factos. A definição de vanguardas é múltipla, contraditória e, no geral, originariamente exterior ao mercado.
Ora, nós conhecemos as selecções operadas pela história porque podemos ver as obras em museus. As obras têm de ser preservadas, sob pena de ficarem destruídas. Antigamente as obras eram guardadas em conventos e em palácios, e aqueles que consideram os museus como lugares elitistas fariam bem em estudar a história do aparecimento dos museus públicos. Fariam igualmente bem em consultar as estatísticas relativas à frequência social dos museus, não especialmente no Brasil, onde não existem museus de boa qualidade, mas nos países onde estão sediados os principais museus.
Evidentemente que os museus guardam apenas obras materiais e não as formas efémeras de arte, que só podem ser registadas em filmes ou vídeos. E nos casos em que essas formas efémeras requerem a participação do público, o registo não pode ser senão parcial. Talvez um dia a estética vigente passe a ser totalmente constituída por formas efémeras. Mas, mesmo então, o que sucederá às obras materialmente existentes? Deitam-se fora? Ou continuam a guardar-se em museus? Termino recordando o que escrevi no primeiro dos meus comentários, que quando se nega a estética em nome da política temos a barbárie absoluta, a anulação do sentimento, o grau zero da cultura, o desprezo por toda a história.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Penso que este tipo de debates deve interessar mais aos leitores, pelo menos àqueles que tiverem paciência para os ler, do que aos intervenientes. Assim, pela minha parte gostaria apenas de acrescentar três coisas antes de encerrar.<br />
Eu pertenço ao número daqueles que, como Eduardo Tomazine num comentário de 27 de Novembro, distinguem <em>graffiti</em> e pichação. Um leitor considerou que essa atitude só cabia a «exemplares cidadãos». Quanta ingenuidade em imaginar que basta rabiscar por aqui e por ali para ter uma vacina de anticapitalismo! Quem quiser saber o que eu penso acerca dos <em>graffiti</em> pode ler um artigo de que sou co-autor: <a href="http://passapalavra.info/?p=2329" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=2329</a> O leitor desse artigo verá também o que penso acerca da atitude tomada pela anterior Bienal a respeito da pichação. Defendo o direito de os rabiscadores rabiscarem, porque não acredito na utilidade de proibir a péssima arte nem de perseguir judicialmente os péssimos artistas.<br />
Mais importante é a questão da selecção das obras artísticas e da definição da sua qualidade. Essa selecção pode caber inicialmente a um grupo de especialistas remunerados, em geral ligados a um museu ou a uma fundação. Nos casos em que a obra é seleccionada apenas deste modo ela raramente goza de consideração ao longo do tempo. A selecção só tem possibilidade de ser duradoura quando cabe inicialmente à apreciação de outros artistas. Nos séculos XIX e XX, praticamente todos os artistas plásticas cuja reputação se afirmou até hoje foram seleccionados informalmente por outros artistas ligados às mesmas correntes estéticas. Na maior parte dos casos, a selecção de uns artistas opera-se contra a selecção de outros, instaurando-se representações de correntes estéticas rivais ou mesmo francamente antagónicas.<br />
Qualquer que seja o modo como for efectuada, a selecção pode ser aceite pelo público e pelos <em>marchands</em>. Pode suceder que a aceitação de ambos coincida, mas pode suceder também que a celebridade do artista seja promovida por uns e não por outros. São inúmeros os casos em que os artistas promovidos pelos <em>marchands</em> acabaram por não ter acolhimento pelo público, o que entra na rubrica das perdas e danos dos promotores. E o inverso sucede também, quando os <em>marchands</em> só tardiamente se apercebem de que um artista por eles desprezado pode constituir uma hipótese de mercado interessante. E já aconteceu, com os cubistas, por exemplo, que um único <em>marchand</em> promovesse a vanguarda, contra a opinião dos demais e ao lado de uma parte do público esclarecido.<br />
Note-se que as formas de selecção aqui evocadas dizem respeito unicamente à sociedade capitalista. Em épocas anteriores, quando o artista produzia em resposta a uma encomenda de um mecenas, laico ou religioso, o problema do mercado não se colocava. O artista recebia um estipêndio, maior ou menor consoante a sua celebridade, e a obra não ficava à venda.<br />
Mas o grande selecccionador, o maior de todos, é a história, e ainda aqui os julgamentos podem ser rivais. Michel Seuphor disse que em cada época havia duas estéticas opostas mas complementares, a que ele chamou o <em>grito</em> e o <em>estilo</em>. E assim teríamos Rembrandt e Vermeer, Delacroix e Ingres, Rodin e Brancusi, Pollock e Mondrian, e vários outros pares de oposições. Nenhum destes, note-se, foi seleccionado originariamente pelo mercado. Todos eles foram seleccionados por outros artistas e pelo público <em>connaîsseur</em>. Confundir a definição de vanguardas com a selecção mercantil não resiste à prova dos factos. A definição de vanguardas é múltipla, contraditória e, no geral, originariamente exterior ao mercado.<br />
Ora, nós conhecemos as selecções operadas pela história porque podemos ver as obras em museus. As obras têm de ser preservadas, sob pena de ficarem destruídas. Antigamente as obras eram guardadas em conventos e em palácios, e aqueles que consideram os museus como lugares elitistas fariam bem em estudar a história do aparecimento dos museus públicos. Fariam igualmente bem em consultar as estatísticas relativas à frequência social dos museus, não especialmente no Brasil, onde não existem museus de boa qualidade, mas nos países onde estão sediados os principais museus.<br />
Evidentemente que os museus guardam apenas obras materiais e não as formas efémeras de arte, que só podem ser registadas em filmes ou vídeos. E nos casos em que essas formas efémeras requerem a participação do público, o registo não pode ser senão parcial. Talvez um dia a estética vigente passe a ser totalmente constituída por formas efémeras. Mas, mesmo então, o que sucederá às obras materialmente existentes? Deitam-se fora? Ou continuam a guardar-se em museus? Termino recordando o que escrevi no primeiro dos meus comentários, que quando se nega a estética em nome da política temos a barbárie absoluta, a anulação do sentimento, o grau zero da cultura, o desprezo por toda a história.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Baader		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/32287/#comment-16958</link>

		<dc:creator><![CDATA[Baader]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Dec 2010 20:39:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João, concordo quando diz que, dentro de cada critério de apreciação da arte, é possível determinar quais são as melhores e as piores. No entanto, cabe ressaltar que, na medida em que essa determinação se faz de forma unilateral, por uma categoria em especial, temos uma relação que configura a política elitista da qual muito se falou por aqui. Quem, durante sua apreciação, deve determinar qual arte é boa ou qual ruim? O expectador ou uma comitiva composta por pessoas, ao menos parcialmente, comprometida com os ideais políticos e estéticos do patrocinador? 
Acredito que a discussão chegou a um ponto que não mais é possível se resumir aos “rabiscadores”. No entanto, cabem algumas considerações a respeito de suas observações:
1)	Se os rabiscadores não progridem artisticamente, você concorda que o que levou a Bienal a aceitá-los esse ano, em detrimento do ano retrasado, foi uma questão de cunho puramente político, afinal eles não evoluíram artisticamente para ocupar tal patamar. Logo, a Bienal assimila aquilo que ela mesma não aceita e, fazendo isso, mantém os riscos interpostos pelos “rabiscadores de parede” afastados, além de possibilitá-los entrar no mercado de arte. Esse é o ponto do texto. Não há motivos para discussões a este respeito;
2)	Quando você fala que os “rabiscadores de parede” não evoluem porque a subjetividade lhes proporciona uma zona de conforto, você, com certeza, despreza o trabalho de pichadores (que agora recebem nome de grafiteiros) como Bansky, cujos trabalhos são de uma sensibilidade e uma técnica inenarráveis. Ele também foi cooptado pelo sistema, assim como os demais pichadores (como você bem ressaltou), embora isso não anule os méritos de seu trabalho. (para ver obras de Bansky: http://www.banksy.co.uk/outdoors/outuk/horizontal_1.htm)
3)	Dizer que os “rabiscadores de parede” têm preguiça de aprender por não refinarem sua técnica não um erro. É o mesmo que dizer que se um punk não fosse preguiçoso, ele seria um músico do heavy metal. Se esquece que a famosa receita dos 3 acordes são, em si, a essência da contestação estética que o punk proporciona. Conhecer todas as tendências para se saber o que se está questionando? Eu concordo. Seria mais coerente, mas isso é seguir uma regra com a qual somente nós estamos preocupados. 
Discutir isso é o mesmo que dois professores de educação física discutir, na década de 80, se o skate é ou não um esporte. É uma discussão que não interessa a quem pratica. Cabe a nós perceber que a ingratidão de ser teórico é que a Terra não espera pela teoria para girar... Ela está lá (ou cá), limitemo-nos a observar e apresentar os motivos.

4)	Se ampliar os olhares é o que traz ao artista a vitória, podemos achar que os “rabiscadores de paredes” são uma vanguarda vitoriosa, à medida em que romperam o “antigo” modo de se pensar a arte dos muses? Talvez. Eu prefiro acreditar que foram cooptados e enquadrados
Em questões mais amplas, concordo que a Bienal desnudou o discurso dos “rabiscadores de parede” mas não o meu (no caso, um dos ”promotores da rabiscação”), já que, como alguns comentários meus dizem: os pichadores estão sendo assimilados e se mostrando mercadorias em potencial, assim como os rappers.
Por fim, não vejo os “ideólogos da rabiscação” como os que fogem de algum lugar. Criticar não é evitar, nem temer!  Pelo contrário, como o comentário do Fernando mostra, estes – os “ideólogos da rabiscação” pretendem que os museus invadam as cidades. Não são os ideólogos da rabiscação os que têm um discurso articulado no sentido de excluir parcela da população da visitação e/ou exposição, quem o faz são aqueles que, aproveitando a analogia religiosa, preferem que a arte esteja concentrada em mosteiros culturais, nos quais somente os monges da cultura podem expor. Os outros? Que sejam submetidos à fogueira junto com os que não consomem a verdadeira arte e una arte.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João, concordo quando diz que, dentro de cada critério de apreciação da arte, é possível determinar quais são as melhores e as piores. No entanto, cabe ressaltar que, na medida em que essa determinação se faz de forma unilateral, por uma categoria em especial, temos uma relação que configura a política elitista da qual muito se falou por aqui. Quem, durante sua apreciação, deve determinar qual arte é boa ou qual ruim? O expectador ou uma comitiva composta por pessoas, ao menos parcialmente, comprometida com os ideais políticos e estéticos do patrocinador?<br />
Acredito que a discussão chegou a um ponto que não mais é possível se resumir aos “rabiscadores”. No entanto, cabem algumas considerações a respeito de suas observações:<br />
1)	Se os rabiscadores não progridem artisticamente, você concorda que o que levou a Bienal a aceitá-los esse ano, em detrimento do ano retrasado, foi uma questão de cunho puramente político, afinal eles não evoluíram artisticamente para ocupar tal patamar. Logo, a Bienal assimila aquilo que ela mesma não aceita e, fazendo isso, mantém os riscos interpostos pelos “rabiscadores de parede” afastados, além de possibilitá-los entrar no mercado de arte. Esse é o ponto do texto. Não há motivos para discussões a este respeito;<br />
2)	Quando você fala que os “rabiscadores de parede” não evoluem porque a subjetividade lhes proporciona uma zona de conforto, você, com certeza, despreza o trabalho de pichadores (que agora recebem nome de grafiteiros) como Bansky, cujos trabalhos são de uma sensibilidade e uma técnica inenarráveis. Ele também foi cooptado pelo sistema, assim como os demais pichadores (como você bem ressaltou), embora isso não anule os méritos de seu trabalho. (para ver obras de Bansky: <a href="http://www.banksy.co.uk/outdoors/outuk/horizontal_1.htm" rel="nofollow ugc">http://www.banksy.co.uk/outdoors/outuk/horizontal_1.htm</a>)<br />
3)	Dizer que os “rabiscadores de parede” têm preguiça de aprender por não refinarem sua técnica não um erro. É o mesmo que dizer que se um punk não fosse preguiçoso, ele seria um músico do heavy metal. Se esquece que a famosa receita dos 3 acordes são, em si, a essência da contestação estética que o punk proporciona. Conhecer todas as tendências para se saber o que se está questionando? Eu concordo. Seria mais coerente, mas isso é seguir uma regra com a qual somente nós estamos preocupados.<br />
Discutir isso é o mesmo que dois professores de educação física discutir, na década de 80, se o skate é ou não um esporte. É uma discussão que não interessa a quem pratica. Cabe a nós perceber que a ingratidão de ser teórico é que a Terra não espera pela teoria para girar&#8230; Ela está lá (ou cá), limitemo-nos a observar e apresentar os motivos.</p>
<p>4)	Se ampliar os olhares é o que traz ao artista a vitória, podemos achar que os “rabiscadores de paredes” são uma vanguarda vitoriosa, à medida em que romperam o “antigo” modo de se pensar a arte dos muses? Talvez. Eu prefiro acreditar que foram cooptados e enquadrados<br />
Em questões mais amplas, concordo que a Bienal desnudou o discurso dos “rabiscadores de parede” mas não o meu (no caso, um dos ”promotores da rabiscação”), já que, como alguns comentários meus dizem: os pichadores estão sendo assimilados e se mostrando mercadorias em potencial, assim como os rappers.<br />
Por fim, não vejo os “ideólogos da rabiscação” como os que fogem de algum lugar. Criticar não é evitar, nem temer!  Pelo contrário, como o comentário do Fernando mostra, estes – os “ideólogos da rabiscação” pretendem que os museus invadam as cidades. Não são os ideólogos da rabiscação os que têm um discurso articulado no sentido de excluir parcela da população da visitação e/ou exposição, quem o faz são aqueles que, aproveitando a analogia religiosa, preferem que a arte esteja concentrada em mosteiros culturais, nos quais somente os monges da cultura podem expor. Os outros? Que sejam submetidos à fogueira junto com os que não consomem a verdadeira arte e una arte.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/32287/#comment-16902</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Dec 2010 23:56:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=32287#comment-16902</guid>

					<description><![CDATA[João,

Para a analogia com o esporte ser correta, ou fazer sentido, em relação ao conteúdo por trás do título &quot;arte: inimiga do povo&quot;, de modo a se dizer igualmente que o &quot;esporte é inimigo do povo&quot;, ter-se-ia que procurar mostrar que o conceito ou significação de &#039;esporte&#039; se relaciona fortemente ou indissiociavelmente ao que uma classe (burguesa ou dominante, como se queira)considera como esporte ou aceita como esporte. Ter-se-ia que tentar mostrar que uma certa atividade não era vista como esporte até essa classe aceitá-lo e/ou começar a praticá-lo e assim por diante.
O título não tem nada a ver com deixar uns de fora e outros dentro, ou em hierarquizar pessoas.

Vejo a arte, assim como o capital, como disse Marx em relação ao último, como uma relação social, e não um conjunto de coisas (de impressões ou produções estéticas etc.). 
Mas embora tenha ficado instigado a lhe perguntar algumas coisas a partir da leitura rápida do seu último comentário, no fundo &#039;arte&#039; não é um tema que me interesse, por isso, fico por aqui. Sempre achei uma grande besteira alguém querer chamar ou deixar de chamar algo que se faz de arte. Faça-se o que se quer fazer e pronto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,</p>
<p>Para a analogia com o esporte ser correta, ou fazer sentido, em relação ao conteúdo por trás do título &#8220;arte: inimiga do povo&#8221;, de modo a se dizer igualmente que o &#8220;esporte é inimigo do povo&#8221;, ter-se-ia que procurar mostrar que o conceito ou significação de &#8216;esporte&#8217; se relaciona fortemente ou indissiociavelmente ao que uma classe (burguesa ou dominante, como se queira)considera como esporte ou aceita como esporte. Ter-se-ia que tentar mostrar que uma certa atividade não era vista como esporte até essa classe aceitá-lo e/ou começar a praticá-lo e assim por diante.<br />
O título não tem nada a ver com deixar uns de fora e outros dentro, ou em hierarquizar pessoas.</p>
<p>Vejo a arte, assim como o capital, como disse Marx em relação ao último, como uma relação social, e não um conjunto de coisas (de impressões ou produções estéticas etc.).<br />
Mas embora tenha ficado instigado a lhe perguntar algumas coisas a partir da leitura rápida do seu último comentário, no fundo &#8216;arte&#8217; não é um tema que me interesse, por isso, fico por aqui. Sempre achei uma grande besteira alguém querer chamar ou deixar de chamar algo que se faz de arte. Faça-se o que se quer fazer e pronto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fernando Paz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/32287/#comment-16876</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernando Paz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Dec 2010 13:53:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sobre a popularização da arte e as iniciativas que possibilitam acesso aos museus àqueles que muitas vezes não são visitantes assíduos, ideia que apareceu em vários comentários, apresento dois exemplos em curso na cidade de Curitiba/PR. 1) No Museu Oscar Niemeyer (MOM), conhecido popularmente como museu do olho, graças a seu desenho arquitetônico, o departamento de Ação Educativa criado em 2003, que tem o intuito de levar a arte para além de suas salas expositivas, recentemente criou o projeto chamado “Missão Artística Francesa – Uma interação Museu - Escola” como um desdobramento da exposição “A Missão Artística Francesa – Museu Nacional de Belas Artes (MNBA)”, que foi exibida no MOM em 2007. Neste, foram criadas cartilhas educativas, painéis com reproduções das imagens da exposição, material de apoio para professores e, nos meses de junho e julho deste ano, o projeto visitou 32 escolas de Curitiba e região metropolitana, levando a mais de mil alunos um pouco da história do grupo de artistas franceses que desembarcaram no Brasil em 1816. 2) No Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (MAE-UFPR), museu temático voltado também à cultura popular brasileira, o departamento de Ação Educativa levou, entre os meses de agosto e outubro deste ano, uma pequena parte de seu acervo a mais de 960 alunos da rede pública municipal. Além disso, o projeto que também leva o nome “Ação Educativa”, estabelecendo uma parceira com a secretaria de educação de Curitiba, possibilitou a vista de todos estes alunos ao (MAE-UFPR). Acredito que projetos deste tipo, que apresentei de forma bastante resumida, fomentam em seus públicos o pensamento crítico e a reflexão sobre história, arte, produção cultural e artística, entre diversos outros assuntos, qualificando cada vez mais os museus como espaço de reflexão coletiva. Como alerta aos desavisados digo que estou olhando para os projetos e os resultados que conheço, não estou fazendo aqui a defesa de nenhum grupo político que está, ou esteve, à frente do governo de Estado do Paraná, ou da prefeitura de Curitiba. Estou certo que “ver a arte, ver mesmo, dá trabalho”, e, conhecer os museus, conhecer mesmo, dá muito mais trabalho ainda.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre a popularização da arte e as iniciativas que possibilitam acesso aos museus àqueles que muitas vezes não são visitantes assíduos, ideia que apareceu em vários comentários, apresento dois exemplos em curso na cidade de Curitiba/PR. 1) No Museu Oscar Niemeyer (MOM), conhecido popularmente como museu do olho, graças a seu desenho arquitetônico, o departamento de Ação Educativa criado em 2003, que tem o intuito de levar a arte para além de suas salas expositivas, recentemente criou o projeto chamado “Missão Artística Francesa – Uma interação Museu &#8211; Escola” como um desdobramento da exposição “A Missão Artística Francesa – Museu Nacional de Belas Artes (MNBA)”, que foi exibida no MOM em 2007. Neste, foram criadas cartilhas educativas, painéis com reproduções das imagens da exposição, material de apoio para professores e, nos meses de junho e julho deste ano, o projeto visitou 32 escolas de Curitiba e região metropolitana, levando a mais de mil alunos um pouco da história do grupo de artistas franceses que desembarcaram no Brasil em 1816. 2) No Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (MAE-UFPR), museu temático voltado também à cultura popular brasileira, o departamento de Ação Educativa levou, entre os meses de agosto e outubro deste ano, uma pequena parte de seu acervo a mais de 960 alunos da rede pública municipal. Além disso, o projeto que também leva o nome “Ação Educativa”, estabelecendo uma parceira com a secretaria de educação de Curitiba, possibilitou a vista de todos estes alunos ao (MAE-UFPR). Acredito que projetos deste tipo, que apresentei de forma bastante resumida, fomentam em seus públicos o pensamento crítico e a reflexão sobre história, arte, produção cultural e artística, entre diversos outros assuntos, qualificando cada vez mais os museus como espaço de reflexão coletiva. Como alerta aos desavisados digo que estou olhando para os projetos e os resultados que conheço, não estou fazendo aqui a defesa de nenhum grupo político que está, ou esteve, à frente do governo de Estado do Paraná, ou da prefeitura de Curitiba. Estou certo que “ver a arte, ver mesmo, dá trabalho”, e, conhecer os museus, conhecer mesmo, dá muito mais trabalho ainda.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/32287/#comment-16810</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 14:21:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os rabiscadores de muros não conseguem suportar a noção de que existem na arte diferenças de qualidade, que há boas e más obras artísticas, que as há mutíssimo boas e péssimas. Quando se esforçam por dar à argumentação um aspecto sofisticado, invocam o carácter relativo das apreciações estéticas, confundindo assim &lt;em&gt;relativo&lt;/em&gt; com &lt;em&gt;subjectivo&lt;/em&gt;. Os critérios e os padrões de apreciação são relativos, dependem de muita coisa. Mas dentro de cada critério podem determinar-se com objectividade quais são as obras melhores e as piores e aquelas que se devem pôr de lado. Ora, o mais comum é que os rabiscadores, achando a vida facilitada pelo subjectivismo, considerem que os seus rabiscos, pelo facto de serem deles, são tão bons como as produções estéticas de qualquer outra pessoa. A isto chama-se incapacidade de aprender, porque se os rabiscos, pelo mero facto de estarem rabiscados, já são óptimos, é inútil o rabiscador pô-los em causa, olhar para outras obras, tentar fazer algo diferente ou melhor.
E assim os rabiscadores caíram desde há bastantes anos no campo estético oposto àquele que imaginam ocupar. Caíram no mais banal academismo. Obras que se mantêm invariáveis no estilo, na técnica empregue e no suporte usado, a ponto de serem incapazes de trazer qualquer olhar novo, obras que já conhecemos antes de as termos visto, são obras académicas. A pichação faz parte da constelação de movimentos que eu designo como neo-&lt;em&gt;pompiers&lt;/em&gt;.
Sem suscitarem novos olhares, os rabiscos devem classificar-se como uma antivanguarda. Os rabiscadores e os promotores da rabiscação consideram que qualquer juízo de valor estético, uma vez aceite por um número significativo de pessoas, passa a integrar-se na ideologia dominante, que eles, com uma enorme ingenuidade sociológica, identificam como a ideologia das classes dominantes. Ignoram assim o processo de formação das vanguardas artísticas e ignoram as grandes lutas que as várias vanguardas permanentemente travam para abrir e ampliar visões novas das coisas e das relações sociais. Existem vencedores entre os artistas, sem dúvida alguma. Não são quem ganha mais dinheiro com as obras, mas quem consegue romper as visões predominantes e criar novas maneiras de olhar. E ampliam o mundo por causa disto, porque nos ensinam a ver coisas diferentes.
Ensinam-nos, com a condição de estarmos dispostos a aprender, o que aqui significa, a olhar. O problema é que aqueles que ignoram um mecanismo não deixam por isso de estar submetidos à sua acção; pelo contrário, sofrem ainda mais profundamente os seus efeitos, porque, não identificando o mecanismo, não podem lutar contra ele. Ignorando as várias vanguardas, diversas ou opostas, que se formaram ao longo dos séculos e que hoje se diluem e se voltam a formar sob os nossos olhos — sob os olhos de quem seja capaz de ver — os rabiscadores deixam-se docilmente ser formados pela &lt;em&gt;estética sem nome&lt;/em&gt;, quero dizer, pela estética que não se afirma como tal e que tudo permeia, a estética que condiciona os hipermecados e os &lt;em&gt;shoppings&lt;/em&gt;, os programas de televisão e a quase totalidade dos filmes de grande audiência, para não falar nas músicas de três minutos despejadas a toda a hora por todo o lado.
Os rabiscadores julgam-se imunes a esse condicionamento estético porque, na sua candura — que é uma forma amável de classificar outra coisa — julgam que uma ruptura política é por si mesma uma ruptura estética. O mundo seria mais simples se isto fosse verdade, mas não o é. As rupturas têm de se fazer em cada campo e de cada vez. Não existem rupturas totais e definitivas.
Os rabiscadores legitimam-se como vanguarda estética pelo facto de terem alegadamente procedido a uma ruptura política, e consideram uma ruptura política o facto de os seus rabiscos não adquirirem valor no mercado. Daí a sua indignação contra a Bienal, e contra esta Bienal em particular, porque, ao abrir as portas aos rabiscadores, ela desvendou o carácter falacioso daquele argumento. Os rabiscadores não se incomodam com a Pinacoteca nem com o Museu de Arte Sacra, por exemplo, porque estas duas instituições, não se interessando por rabiscos, não põem em causa aquele pretenso alheamento do campo das mercadorias.
Ora, os rabiscos, quando conseguem sair do academismo da pichação, inovar e adquirir certa qualidade estética, são efectivamente integrados no mercado dos objectos artísticos, quer os rabiscadores queiram ou não. Evoquei num comentário anterior o caso de Jean-Michel Basquiat e poderia citar também o que sucedeu ao famigerado Muro de Berlim. No capitalismo não existem ilhas, e mesmo que os rabiscadores não vendam o seu produto, eles vendem a sua força de trabalho, ou de algum outro modo ganham a vida, ou recebem o dinheiro de alguém que a ganha por eles, e assim têm tempo e instrumentos para rabiscar.
Mas o verdadeiro problema é outro ainda. No campo artístico as questões são artísticas, e a questão primordial não é saber se uma dada obra adquiriu ou não valor mercantil, mas se ela tem ou não a qualidade de uma ruptura estética. As rupturas não são tão simples, não basta rabiscar paredes. Sem reflectir sobre os processos estéticos não se fazem rupturas estéticas. Mas para reflectir é preciso ver, e os rabiscadores e os ideólogos da rabiscação fogem dos museus e das galerias como as beatas dos lugares de pecado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os rabiscadores de muros não conseguem suportar a noção de que existem na arte diferenças de qualidade, que há boas e más obras artísticas, que as há mutíssimo boas e péssimas. Quando se esforçam por dar à argumentação um aspecto sofisticado, invocam o carácter relativo das apreciações estéticas, confundindo assim <em>relativo</em> com <em>subjectivo</em>. Os critérios e os padrões de apreciação são relativos, dependem de muita coisa. Mas dentro de cada critério podem determinar-se com objectividade quais são as obras melhores e as piores e aquelas que se devem pôr de lado. Ora, o mais comum é que os rabiscadores, achando a vida facilitada pelo subjectivismo, considerem que os seus rabiscos, pelo facto de serem deles, são tão bons como as produções estéticas de qualquer outra pessoa. A isto chama-se incapacidade de aprender, porque se os rabiscos, pelo mero facto de estarem rabiscados, já são óptimos, é inútil o rabiscador pô-los em causa, olhar para outras obras, tentar fazer algo diferente ou melhor.<br />
E assim os rabiscadores caíram desde há bastantes anos no campo estético oposto àquele que imaginam ocupar. Caíram no mais banal academismo. Obras que se mantêm invariáveis no estilo, na técnica empregue e no suporte usado, a ponto de serem incapazes de trazer qualquer olhar novo, obras que já conhecemos antes de as termos visto, são obras académicas. A pichação faz parte da constelação de movimentos que eu designo como neo-<em>pompiers</em>.<br />
Sem suscitarem novos olhares, os rabiscos devem classificar-se como uma antivanguarda. Os rabiscadores e os promotores da rabiscação consideram que qualquer juízo de valor estético, uma vez aceite por um número significativo de pessoas, passa a integrar-se na ideologia dominante, que eles, com uma enorme ingenuidade sociológica, identificam como a ideologia das classes dominantes. Ignoram assim o processo de formação das vanguardas artísticas e ignoram as grandes lutas que as várias vanguardas permanentemente travam para abrir e ampliar visões novas das coisas e das relações sociais. Existem vencedores entre os artistas, sem dúvida alguma. Não são quem ganha mais dinheiro com as obras, mas quem consegue romper as visões predominantes e criar novas maneiras de olhar. E ampliam o mundo por causa disto, porque nos ensinam a ver coisas diferentes.<br />
Ensinam-nos, com a condição de estarmos dispostos a aprender, o que aqui significa, a olhar. O problema é que aqueles que ignoram um mecanismo não deixam por isso de estar submetidos à sua acção; pelo contrário, sofrem ainda mais profundamente os seus efeitos, porque, não identificando o mecanismo, não podem lutar contra ele. Ignorando as várias vanguardas, diversas ou opostas, que se formaram ao longo dos séculos e que hoje se diluem e se voltam a formar sob os nossos olhos — sob os olhos de quem seja capaz de ver — os rabiscadores deixam-se docilmente ser formados pela <em>estética sem nome</em>, quero dizer, pela estética que não se afirma como tal e que tudo permeia, a estética que condiciona os hipermecados e os <em>shoppings</em>, os programas de televisão e a quase totalidade dos filmes de grande audiência, para não falar nas músicas de três minutos despejadas a toda a hora por todo o lado.<br />
Os rabiscadores julgam-se imunes a esse condicionamento estético porque, na sua candura — que é uma forma amável de classificar outra coisa — julgam que uma ruptura política é por si mesma uma ruptura estética. O mundo seria mais simples se isto fosse verdade, mas não o é. As rupturas têm de se fazer em cada campo e de cada vez. Não existem rupturas totais e definitivas.<br />
Os rabiscadores legitimam-se como vanguarda estética pelo facto de terem alegadamente procedido a uma ruptura política, e consideram uma ruptura política o facto de os seus rabiscos não adquirirem valor no mercado. Daí a sua indignação contra a Bienal, e contra esta Bienal em particular, porque, ao abrir as portas aos rabiscadores, ela desvendou o carácter falacioso daquele argumento. Os rabiscadores não se incomodam com a Pinacoteca nem com o Museu de Arte Sacra, por exemplo, porque estas duas instituições, não se interessando por rabiscos, não põem em causa aquele pretenso alheamento do campo das mercadorias.<br />
Ora, os rabiscos, quando conseguem sair do academismo da pichação, inovar e adquirir certa qualidade estética, são efectivamente integrados no mercado dos objectos artísticos, quer os rabiscadores queiram ou não. Evoquei num comentário anterior o caso de Jean-Michel Basquiat e poderia citar também o que sucedeu ao famigerado Muro de Berlim. No capitalismo não existem ilhas, e mesmo que os rabiscadores não vendam o seu produto, eles vendem a sua força de trabalho, ou de algum outro modo ganham a vida, ou recebem o dinheiro de alguém que a ganha por eles, e assim têm tempo e instrumentos para rabiscar.<br />
Mas o verdadeiro problema é outro ainda. No campo artístico as questões são artísticas, e a questão primordial não é saber se uma dada obra adquiriu ou não valor mercantil, mas se ela tem ou não a qualidade de uma ruptura estética. As rupturas não são tão simples, não basta rabiscar paredes. Sem reflectir sobre os processos estéticos não se fazem rupturas estéticas. Mas para reflectir é preciso ver, e os rabiscadores e os ideólogos da rabiscação fogem dos museus e das galerias como as beatas dos lugares de pecado.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Baader		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/11/32287/#comment-16761</link>

		<dc:creator><![CDATA[Baader]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Dec 2010 23:30:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Concordo com o João, afinal os homens nascem iguais e o sol nasce para todos. Quem não aproveita, muito provavelmente, merece a miséria que o acompanha. Inclusive, li isso numa entrevista em que alguém (não me lembro quem) condenava o bolsa família. Ele dizia que quem não vence (como no atletismo) é porque não se esforçou o bastante. Outra vez ouvi dizer que isso fazia parte do discurso liberal, mas não tenho propriedade para repetir.
Achei um ponto, em especial, muito interessante no comentário: Todas as atividades tratam-se de competições. Esportivas,mas competições. Agora, a Bienal é uma competição? É uma competição para quem sobressair em relação a quem? Existe um vencedor entre os artistas, exceto aquele que ganha mais diheiro com sua obra? Isso é mercantilização da arte.
Num campo de várzea, também existe a regra do &quot;arrogante&quot; que diga que pode haver apenas uma bola, mas ninguém reclama (talvez a bola) porque, apesar disso o acesso ao campo não está limitado a um grupo ou classe social. Tentem: qualquer um pode jogar. Você senta lá e grita: &quot;Eu estou de próximo&quot; e pronto! Você já está inscrito. Você pode inclusive dizer: &quot;10 minutos ou dois gols&quot;, mesmo sem ser o dono da bola. Isso não me parece uma seleção, quer dizer não uma seleção excludente. Coisas que deveriam ser mais estdadas pela academia! 
Não me pareceu que é o que acontece na Bienal. Alguém pode dizer: &quot;sou o próximo?&quot; e ter parte daquele espaço? Agora e se os donos da bola (no caso FIAT e Itau, os patrocinadores) dissessem o mesmo? Estes teriam, né? Mas se isso ocorresse, com certeza, alguém aqui gritaria: &quot;Isso é seleção, é classificação, faz parte do processo natural e é inerente ao homem, assim como ocorre no desporto e em N outros lugares!&quot; 
Intelectuais orgânicos... 
Vejo que a Bienal e o Desporto guardam, em si, muitas diferenças, mas a principal é: se o desporto é inimigo do povo, não sei... Mas a Bienal COM CERTEZA!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo com o João, afinal os homens nascem iguais e o sol nasce para todos. Quem não aproveita, muito provavelmente, merece a miséria que o acompanha. Inclusive, li isso numa entrevista em que alguém (não me lembro quem) condenava o bolsa família. Ele dizia que quem não vence (como no atletismo) é porque não se esforçou o bastante. Outra vez ouvi dizer que isso fazia parte do discurso liberal, mas não tenho propriedade para repetir.<br />
Achei um ponto, em especial, muito interessante no comentário: Todas as atividades tratam-se de competições. Esportivas,mas competições. Agora, a Bienal é uma competição? É uma competição para quem sobressair em relação a quem? Existe um vencedor entre os artistas, exceto aquele que ganha mais diheiro com sua obra? Isso é mercantilização da arte.<br />
Num campo de várzea, também existe a regra do &#8220;arrogante&#8221; que diga que pode haver apenas uma bola, mas ninguém reclama (talvez a bola) porque, apesar disso o acesso ao campo não está limitado a um grupo ou classe social. Tentem: qualquer um pode jogar. Você senta lá e grita: &#8220;Eu estou de próximo&#8221; e pronto! Você já está inscrito. Você pode inclusive dizer: &#8220;10 minutos ou dois gols&#8221;, mesmo sem ser o dono da bola. Isso não me parece uma seleção, quer dizer não uma seleção excludente. Coisas que deveriam ser mais estdadas pela academia!<br />
Não me pareceu que é o que acontece na Bienal. Alguém pode dizer: &#8220;sou o próximo?&#8221; e ter parte daquele espaço? Agora e se os donos da bola (no caso FIAT e Itau, os patrocinadores) dissessem o mesmo? Estes teriam, né? Mas se isso ocorresse, com certeza, alguém aqui gritaria: &#8220;Isso é seleção, é classificação, faz parte do processo natural e é inerente ao homem, assim como ocorre no desporto e em N outros lugares!&#8221;<br />
Intelectuais orgânicos&#8230;<br />
Vejo que a Bienal e o Desporto guardam, em si, muitas diferenças, mas a principal é: se o desporto é inimigo do povo, não sei&#8230; Mas a Bienal COM CERTEZA!</p>
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