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	Comentários sobre: Portugal não existe	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: militar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/12/33125/#comment-34455</link>

		<dc:creator><![CDATA[militar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 10:14:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[noto que todos os intervenientes são filósofos e historiados, mas não encontro aqui ninguém ,com vontade de dar a volta ao rumo que Portugal leva.será que sou o único que pensa na eliminação de algumas cabeças??gostaria saber se entre vós, há alguém com tomates que queira fazer um movimento de salvação nacional?  eu estou pronto para pra luta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>noto que todos os intervenientes são filósofos e historiados, mas não encontro aqui ninguém ,com vontade de dar a volta ao rumo que Portugal leva.será que sou o único que pensa na eliminação de algumas cabeças??gostaria saber se entre vós, há alguém com tomates que queira fazer um movimento de salvação nacional?  eu estou pronto para pra luta.</p>
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		<title>
		Por: João R.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/12/33125/#comment-21999</link>

		<dc:creator><![CDATA[João R.]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 19:03:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Apenas para precisar que quando refiro &quot; A história de Portugal, a que se faz hoje, é uma história portuguesa para os portugueses...&quot; não quero dizer aquela ideia do &quot;Portugal aos portugueses&quot; da extrema direita, quero sim acentuar que o Portugal colonial, o que ficou nas ex-colónias desse Portugal pertence hoje acima de tudo a essas ex-colónias para que elas façam o que queiram dessa herança, ex-colónias essas que são hoje países perfeitamente outros, independentes, e que só em parte, cada vez menor julgo, podem servir de espelho para nos revermos hoje em dia em termos de identidade profunda. O que eu quero dizer, então, é que a nossa história de hoje para diante, salve o impevisível, há-de fazer-se, ou deve fazer-se, com atenção ao nosso país sem preocupações demasiadas com o Portugal imperial e mesmo as relações com os países de língua portuguesa devem pautar-se pela naturalidade, como parceiros possíveis em muitas matérias, mas como parceiros, já não como ex-colónias.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apenas para precisar que quando refiro &#8221; A história de Portugal, a que se faz hoje, é uma história portuguesa para os portugueses&#8230;&#8221; não quero dizer aquela ideia do &#8220;Portugal aos portugueses&#8221; da extrema direita, quero sim acentuar que o Portugal colonial, o que ficou nas ex-colónias desse Portugal pertence hoje acima de tudo a essas ex-colónias para que elas façam o que queiram dessa herança, ex-colónias essas que são hoje países perfeitamente outros, independentes, e que só em parte, cada vez menor julgo, podem servir de espelho para nos revermos hoje em dia em termos de identidade profunda. O que eu quero dizer, então, é que a nossa história de hoje para diante, salve o impevisível, há-de fazer-se, ou deve fazer-se, com atenção ao nosso país sem preocupações demasiadas com o Portugal imperial e mesmo as relações com os países de língua portuguesa devem pautar-se pela naturalidade, como parceiros possíveis em muitas matérias, mas como parceiros, já não como ex-colónias.</p>
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		<title>
		Por: João R.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/12/33125/#comment-21994</link>

		<dc:creator><![CDATA[João R.]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 16:48:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Numa primeira nota, julgo que deveria ter citado Oliveira Martins, porque a tese da morte de Portugal em 1580 é dele, e portanto, já tem 130 anos.

Em segundo lugar, julgo que essa ideia da morte de Portugal parte do princípio que sustenta que ou Portugal é um império de relevância mundial ou não existe Portugal. Essa ideia é um erro, é uma ideia que faz parte do problema e não da solução. O que aconteceu é que a história de Portugal já não é, hoje, uma história mundial. A história de Portugal, a que se faz hoje, é uma história portuguesa para os portugueses e é isso que é preciso assumir com convicção e até alegria. Deixemos essa ideia do Portugal imperial para a história que passou e fundemo-nos agora na história do presente e do futuro, com as circunstâncias geopolíticas em que estamos agora e tratemos dos nossos problemas mais urgentes e profundos - o resto virá por acréscimo.
Quanto à cultura, nunca, talvez, desde 1974, a música portuguesa foi tão popular em Portugal. É evidente o renascimento do fado, com tons de modernidade sem que se perca as sua referências identitárias fundamentais. Cada vez mais se vê a inclusão de instrumentos tradicionais em fusão com projectos modernos e inovadores. A nossa literatura tem conquistado relevância internacional, o cinema vai melhorando um pouco, embora haja ainda muito que fazer. É verdade que este renascimento cultural não tem tido grande apoio dos governos, mas os artistas e o povo têm ainda assim alimentado com a sua ousadia e o seu gosto este renascimento da cultura portuguesa em Portugal.
O problema de Portugal é económico, este é a sua fraqueza actual, mas é um problema que pode ser enfrentado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Numa primeira nota, julgo que deveria ter citado Oliveira Martins, porque a tese da morte de Portugal em 1580 é dele, e portanto, já tem 130 anos.</p>
<p>Em segundo lugar, julgo que essa ideia da morte de Portugal parte do princípio que sustenta que ou Portugal é um império de relevância mundial ou não existe Portugal. Essa ideia é um erro, é uma ideia que faz parte do problema e não da solução. O que aconteceu é que a história de Portugal já não é, hoje, uma história mundial. A história de Portugal, a que se faz hoje, é uma história portuguesa para os portugueses e é isso que é preciso assumir com convicção e até alegria. Deixemos essa ideia do Portugal imperial para a história que passou e fundemo-nos agora na história do presente e do futuro, com as circunstâncias geopolíticas em que estamos agora e tratemos dos nossos problemas mais urgentes e profundos &#8211; o resto virá por acréscimo.<br />
Quanto à cultura, nunca, talvez, desde 1974, a música portuguesa foi tão popular em Portugal. É evidente o renascimento do fado, com tons de modernidade sem que se perca as sua referências identitárias fundamentais. Cada vez mais se vê a inclusão de instrumentos tradicionais em fusão com projectos modernos e inovadores. A nossa literatura tem conquistado relevância internacional, o cinema vai melhorando um pouco, embora haja ainda muito que fazer. É verdade que este renascimento cultural não tem tido grande apoio dos governos, mas os artistas e o povo têm ainda assim alimentado com a sua ousadia e o seu gosto este renascimento da cultura portuguesa em Portugal.<br />
O problema de Portugal é económico, este é a sua fraqueza actual, mas é um problema que pode ser enfrentado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: leonel clérigo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/12/33125/#comment-18809</link>

		<dc:creator><![CDATA[leonel clérigo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Jan 2011 16:37:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=33125#comment-18809</guid>

					<description><![CDATA[A resposta pronta de João Bernardo dá-me a oportunidade de, mais uma vez, saudar a sua boa iniciativa assim como colocar agora umas curtas notas, em jeito de “despedida”, sobre alguns pontos do meu texto que “censurei”, para não parecer ainda mais “pastelada” do que aquele que enviei.

1 – Um dos aspectos que mais apreciei no texto de João Bernardo foi ele, desabridamente, ter “chamado à liça” a Arte, neste caso, a Pintura. Se a Arte é já há algum tempo entendida – desde os tempos de Baumgarten, se a arteriosclerose não me atraiçoa - uma forma de conhecimento, não se vê porque algumas das suas “formas” particulares continuem apenas reservadas aos “salões”.

2 – Continuando ainda na “companhia da Arte”, não há dúvida que a “forma” que foi – e talvez ainda o seja - entendida pelos portugueses como “suprema”, foi a Poesia. É claro que fizemos algumas boas “aventuras” por outras “formas”, mas não sei se foi o nosso “mercadejar” pelos “sete mares” – o mercador necessita de “boas palavras” para o ofício de convencer – o responsável por este jeito de “poetas”. De qualquer maneira, não quero deixar de notar ter sido o “iniciador” do “Manuelino” o “arquitecto” Boitaca – um descendente de franceses - com a sua bela e percursora Igreja em Setúbal.

3 – JB, no seu último texto, recorda sobre a “Morte de Portugal”: “…eu não escrevi que Portugal deve deixar de existir. Escrevi que ele já deixou de existir, e quanto mais cedo nos dermos conta disso menos tempo perderemos com disparates e mais atenção prestaremos às coisas fundamentais”.

JB: é minha convicção que cerca de mil anos de História já nos permitem alguns “disparates”. Além disso também é permitido perguntar: será isso da razão da “não-existência” válida para um Luxemburgo, uma Holanda, uma Dinamarca ou uma Grécia? Ou isso diz respeito apenas a Portugal? Qual o “critério” do direito à “não-existência”? E que dizer desse monstro que a Europa criou - com a sua emigração - os “States”? Será essa a gente que se entende mais “saudável” para atravessar o futuro? Há uns anos atrás, dizia-se o palavrão “antecipação super estrutural”. E o que é a famigerada “globalização”? Em bom português “treta”, para enganar incautos: basta olhar a Europa atentamente e ver os “países” firmes que nem rochas. A América Latina fez belos estudos sobre isso: Gunder FranK, Ruy Mauro Marini, Theotóneo dos Santos e até – na sua fase de ouro que não a de pechisbeque – Fernando Henrique Cardoso. Marx chamava-lhe (o burguês gosta de mudar o nome às coisas pensando ser essa a boa maneira de mudar a realidade) “internacionalização do capital” e suas “fases”.

Quanto ao “nacionalismo”, se saltar a pergunta “qual a razão para o mundo inteiro andar a falar “inglês”? Que se deve responder a isso? Foi uma decisão “democrática”? Parece que o Imperialismo moderno vem ganhando doces adjectivações. Por mim – não tenho dúvidas - continuo a preferir a resposta que deu um Ministro do Brasil quando questionaram sobre a “internacionalização da Amazónia”.

Com isto, me vou e até sempre.

Saudações]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A resposta pronta de João Bernardo dá-me a oportunidade de, mais uma vez, saudar a sua boa iniciativa assim como colocar agora umas curtas notas, em jeito de “despedida”, sobre alguns pontos do meu texto que “censurei”, para não parecer ainda mais “pastelada” do que aquele que enviei.</p>
<p>1 – Um dos aspectos que mais apreciei no texto de João Bernardo foi ele, desabridamente, ter “chamado à liça” a Arte, neste caso, a Pintura. Se a Arte é já há algum tempo entendida – desde os tempos de Baumgarten, se a arteriosclerose não me atraiçoa &#8211; uma forma de conhecimento, não se vê porque algumas das suas “formas” particulares continuem apenas reservadas aos “salões”.</p>
<p>2 – Continuando ainda na “companhia da Arte”, não há dúvida que a “forma” que foi – e talvez ainda o seja &#8211; entendida pelos portugueses como “suprema”, foi a Poesia. É claro que fizemos algumas boas “aventuras” por outras “formas”, mas não sei se foi o nosso “mercadejar” pelos “sete mares” – o mercador necessita de “boas palavras” para o ofício de convencer – o responsável por este jeito de “poetas”. De qualquer maneira, não quero deixar de notar ter sido o “iniciador” do “Manuelino” o “arquitecto” Boitaca – um descendente de franceses &#8211; com a sua bela e percursora Igreja em Setúbal.</p>
<p>3 – JB, no seu último texto, recorda sobre a “Morte de Portugal”: “…eu não escrevi que Portugal deve deixar de existir. Escrevi que ele já deixou de existir, e quanto mais cedo nos dermos conta disso menos tempo perderemos com disparates e mais atenção prestaremos às coisas fundamentais”.</p>
<p>JB: é minha convicção que cerca de mil anos de História já nos permitem alguns “disparates”. Além disso também é permitido perguntar: será isso da razão da “não-existência” válida para um Luxemburgo, uma Holanda, uma Dinamarca ou uma Grécia? Ou isso diz respeito apenas a Portugal? Qual o “critério” do direito à “não-existência”? E que dizer desse monstro que a Europa criou &#8211; com a sua emigração &#8211; os “States”? Será essa a gente que se entende mais “saudável” para atravessar o futuro? Há uns anos atrás, dizia-se o palavrão “antecipação super estrutural”. E o que é a famigerada “globalização”? Em bom português “treta”, para enganar incautos: basta olhar a Europa atentamente e ver os “países” firmes que nem rochas. A América Latina fez belos estudos sobre isso: Gunder FranK, Ruy Mauro Marini, Theotóneo dos Santos e até – na sua fase de ouro que não a de pechisbeque – Fernando Henrique Cardoso. Marx chamava-lhe (o burguês gosta de mudar o nome às coisas pensando ser essa a boa maneira de mudar a realidade) “internacionalização do capital” e suas “fases”.</p>
<p>Quanto ao “nacionalismo”, se saltar a pergunta “qual a razão para o mundo inteiro andar a falar “inglês”? Que se deve responder a isso? Foi uma decisão “democrática”? Parece que o Imperialismo moderno vem ganhando doces adjectivações. Por mim – não tenho dúvidas &#8211; continuo a preferir a resposta que deu um Ministro do Brasil quando questionaram sobre a “internacionalização da Amazónia”.</p>
<p>Com isto, me vou e até sempre.</p>
<p>Saudações</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/12/33125/#comment-18791</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Jan 2011 10:56:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Que este meu artigo tivesse dado oportunidade ao ensaio sintético e vigoroso de Leonel Clérigo, e já acho que valeu a pena tê-lo escrito. Entre um texto e o outro, o leitor encontrará decerto matéria para reflexão.
Mas note-se que eu não escrevi que Portugal deve deixar de existir. Escrevi que ele já deixou de existir, e quanto mais cedo nos dermos conta disso menos tempo perderemos com disparates e mais atenção prestaremos às coisas fundamentais. E foi no plano cultural, não no das relações sociais de produção, que Portugal deixou de existir. O problema com este tipo de análises é que não dispomos — sejamos optimistas, ainda não dispomos — de uma utensilagem teórica que nos permita estudar a cultura com o mesmo grau de rigor com que estudamos a economia. Por isso a história centrada na cultura limita-se a ser descritiva, mesmo quando tem pretensões de ser outra coisa, e não é explicativa. Pretendi traçar um diagnóstico e não um sistema de causas. Em 1580 Portugal ficou sem capital, e não conseguiu voltar a tê-la depois. Transformou-se numa província, primeiro numa província do Brasil, após 1822 tentou ser a província de um império mal amanhado, e depois do 25 de Novembro de 1975 ficou só uma província, mas de quê? Portugal é hoje um país subcontratado. O modo de produção é o mesmo e as classes sociais são as mesmas, o que mudou foi o lugar do país no interior do modo de produção. Subcontratado.
Ao constatar o falecimento do país não arrepelo os cabelos nem tenho uma visão catastrófica, e escrevo acerca do Portugal contemporâneo com a mesma tranquilidade de espírito com que escrevi acerca dos merovíngios. Nunca apreceei particularmente Portugal, nunca fui patriota, vivi e vivo noutros países e tenho mais apego sentimental a ruas do que a pátrias. Portugal já não existe, mas há algumas ruas de Lisboa que continuam a existir.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que este meu artigo tivesse dado oportunidade ao ensaio sintético e vigoroso de Leonel Clérigo, e já acho que valeu a pena tê-lo escrito. Entre um texto e o outro, o leitor encontrará decerto matéria para reflexão.<br />
Mas note-se que eu não escrevi que Portugal deve deixar de existir. Escrevi que ele já deixou de existir, e quanto mais cedo nos dermos conta disso menos tempo perderemos com disparates e mais atenção prestaremos às coisas fundamentais. E foi no plano cultural, não no das relações sociais de produção, que Portugal deixou de existir. O problema com este tipo de análises é que não dispomos — sejamos optimistas, ainda não dispomos — de uma utensilagem teórica que nos permita estudar a cultura com o mesmo grau de rigor com que estudamos a economia. Por isso a história centrada na cultura limita-se a ser descritiva, mesmo quando tem pretensões de ser outra coisa, e não é explicativa. Pretendi traçar um diagnóstico e não um sistema de causas. Em 1580 Portugal ficou sem capital, e não conseguiu voltar a tê-la depois. Transformou-se numa província, primeiro numa província do Brasil, após 1822 tentou ser a província de um império mal amanhado, e depois do 25 de Novembro de 1975 ficou só uma província, mas de quê? Portugal é hoje um país subcontratado. O modo de produção é o mesmo e as classes sociais são as mesmas, o que mudou foi o lugar do país no interior do modo de produção. Subcontratado.<br />
Ao constatar o falecimento do país não arrepelo os cabelos nem tenho uma visão catastrófica, e escrevo acerca do Portugal contemporâneo com a mesma tranquilidade de espírito com que escrevi acerca dos merovíngios. Nunca apreceei particularmente Portugal, nunca fui patriota, vivi e vivo noutros países e tenho mais apego sentimental a ruas do que a pátrias. Portugal já não existe, mas há algumas ruas de Lisboa que continuam a existir.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: leonel clérigo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/12/33125/#comment-18765</link>

		<dc:creator><![CDATA[leonel clérigo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jan 2011 19:40:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=33125#comment-18765</guid>

					<description><![CDATA[UMA VELHO PROBLEMA A EXIGIR SOLUÇÃO: A DECADÊNCIA DOS POVOS PENINSULARES 

O texto de João Bernardo (JB) é uma boa e oportuna iniciativa: a “luva” que nos manda à cara é um estímulo que merece ser atendido. Oxalá nos reste ainda algum engenho para se poder obter resultados. Por mim, digo desde já, só me interessa o “recuo” ao passado na medida em que “arma” o presente a “perspectivar” o futuro. E vou procurar ser breve e sucinto… na medida do possível.

1 – Primeiro, a questão dos dois “Portugais” separados pelos Filipes. 

Supondo-se que ocorreram - nos 60 anos de domínio dos Filipes – transformações,  resta então saber qual a natureza delas. Assim:

A – Ou houve alteração do Modo de Produção na Formação Social Portuguesa e daí, a ascensão de uma nova classe ao poder que, com seu “programa”, operou essas transformações – chamemos-lhe a Solução Revolucionária; 

B – Ou o Modo de Produção dominante mantém-se mas uma “nova classe” entra em cena alterando as relações de força e de Poder entre as classes, acabando por ser responsável por um conjunto de “reformas” - a Solução Reformista; 

C – Ou ainda: deu-se apenas a adaptação a uma nova conjuntura, continuando no poder a “velha classe dominante ” que não encontrou oposição – a Solução Continuista.

Na minha modesta opinião, as transformações em causa caem na hipótese C e por isso considero que nunca poderiam ter dado origem a um “outro Portugal”. Os “conjurados” são da “velha cepa” saída da “fractura” da dinastia de Avis posterior a D. João II e o “modo de vida” permanece o mesmo. Por isso as transformações que se vão operar vão no sentido de uma adaptação à nova conjuntura saída do “desastre” da Armada Invencível. Isto quer dizer que permanece o poder de classe que ascende com D. Manuel I, prolonga-se pelos Filipes e desemboca nos paspalhões dos Braganças. Ou seja ainda: consuma-se de vez a rota imparável da “decadência dos povos peninsulares”. A ser verdade o dito, Camões parece antever já claramente o filme quando diz no leito de morte: “Ao menos morro com a Pátria”. Portugal vai morrendo aos poucos acompanhando a progressiva e continuada decadência do Império.

É evidente que este processo “interno” só ganha sentido quando o integramos num outro mais vasto: a “dinâmica mercantil” do Báltico, com sua ligação estreita à Mancha e ao eixo Reno-Ródano. Esta dinâmica acabou por exigir uma super estrutura ideológica que fosse expressão dos seus “interesses locais” e não do “internacionalismo” da Igreja do Papa. Chamou-se a isto Reforma. Os Tudores, foram ainda mais longe: concretizaram uma “Igreja Nacional”, “carapaça” com que se revestiu a “nacionalização” dos bens – e perda de poder - da Igreja de Roma em Inglaterra. 

“Espoliado”, viu o Papado neste “movimento” perigosa ofensiva ao seu poder que já vinha aos poucos sendo beliscado. E vai dar início a uma contra-ofensiva – a Contra-Reforma - para desferir o golpe final nos “prevaricadores”. O Concílio de Trento e a criação da Companhia de Jesus - onde estava entre os 7 fundadores o português Simão Rodrigues - é um ponto alto na clarificação desta estratégia. Sob a batuta da Igreja de Roma era necessário “unir tudo o que podia ser unido” e Filipe II era de facto o “mais bem situado” para concretizar a chefia. A Inglaterra “anglicana” precisava dum castigo exemplar.

Mas para Portugal havia um “grave” problema ao entrar nessa Aliança, coisa que o obrigava a um complicado golpe de rins: como “congelar” o “velho” tratado de Windsor com a Inglaterra e participar na Armada Invencível? A solução foi encontrada: o único descendente de D. João II morre num estranho “desastre” nas margens do Tejo e este “feliz acaso” faz a “coroa” mudar de mãos proporcionando um poder crescente aos Jesuítas, os “incondicionais” do Papa. A morte de D. Sebastião -  um “puto” meio louco “fabricado” pelos jesuítas – e a subida ao Trono dum Cardeal Inquisidor-mor – que não podia ter filhos – é das maiores “macacadas” sem nexo que a nossa história já registou. A chegada de Filipe II ao trono de Portugal é assim “racionalmente” difícil de explicar se não a virmos como peça de um plano de largo fôlego com o fim de barrar a “decadência peninsular” e da própria Igreja de Roma. 

O resto da história já é nossa conhecida: a Armada regressou a casa “esmangaritada”, o Papado de Roma perdeu a cartada e os povos da Ibéria iniciam em conjunto a sua irremediável e longa viagem de decadência que ainda hoje podemos apreciar – como dois irmãos gémeos – na presença conjunta na grande irmandade dos PIGS. Quando “duas coisas” são iguais não vejo como uma pode alterar a outra em 180 graus.

2. Em segundo lugar umas observações sobre o 25 de Abril e a “morte” anunciada de Portugal. 

Se entendi bem, JB aconselha a fecharmos a “loja” e pôr os taipais na porta. Não acho a proposta desajeitada. Contudo, julgo que não nos devemos precipitar. O “jogo” ainda não acabou e até há quem diga que ainda mal começou. Vejamos então.

O “movimento liberal” em Portugal que irrompe nos começos do sec. XIX, não se saldou na concretização da “revolução industrial” o que quer dizer que a burguesia liberal portuguesa não cumpriu as tarefas históricas que cumpriram muitas das suas congéneres europeias. 

Esta questão não é nova: cedo se verificou que o peso do “Império” – melhor, as forças de classe que dele viviam mais seus aliados externos dos vários quadrantes –  barrava o caminho à nascente burguesia liberal. E essa persistente “barragem” foi debilitando as vagas de forças burguesas acabando por as fazer capitular e, por fim, integrar a “choldra” duma “colaboração de classes”. O resultado está à vista: gerações sucessivas vêm desde há longo tempo caminhando aos tombos e sem perspectivas de futuro. E o que é pior: parece não se antever solução para isto.

O 25 de Abril parecia trazer consigo alguns propósitos: nos anos que o precederam, as forças anti-capitalistas – empurradas pela luta dos povos coloniais à independência – visionaram uma ideia “desenvolvimentista” e procuraram colocá-lo durante o “fluxo” de Abril na “ordem do dia”. E até mesmo pós 25 de Novembro surgiu por “iniciativa” governamental o “Plano de Médio Prazo” da Dr.ª Manuela Silva que teve a desdita de já nascer morto. Mas confundiu-se os desejos com a realidade: foi “esquecida” a composição classista da sociedade portuguesa da altura e que Portugal era um país predominantemente “pequeno-burguês”. Mas donde vinha este belo “presente”?

O Império – até ao seu desaparecimento – tinha uma função importantíssima: “equilibrar” as graves deficiências da “máquina produtiva” metropolitana. Com este “equilibrismo” é natural que as “classes produtivas” fossem incipientes e as “forças vivas” fossem compostas por gente que circundava as classes rentistas engrossando os “serviços” e a “administração” ou seja: “camadas intermédias”. Essa “tendência” para, com o passar do tempo, ir enxameando o país de pequena-burguesia, foi ganhando “corpo”, acabando por ser encarada como um bem, uma “reserva” duma classe dominante raquítica, um “tampão” às possíveis revoltas da “ralé”. Por isso vamos vê-la doar os seus “préstimos” aos “refluxos” da República e do 25 de Abril. E de Salazar, nem vale a pena passar em revista.

A contra-revolução do 25 de Novembro de 75 de Mário Soares e Sá Carneiro, consumou este belo “presente”: a “tercearização” Cavaquista instituiu o reinado da pequena-burguesia que além do mais servia de “base” à bela “democracia participativa” ao estilo Europa desenvolvida. Este “milagre” do “terciário” só foi possível porque a Comunidade Europeia deu uns dinheiros para obviar os perigos duma Península Comunista sob a “pata de Moscovo” o que fez acreditar a um pais de “saloios” que a Europa poderia ser um bom substituto do Império. Assim, a “máquina produtiva” industrial reduziu-se – com o seu proletariado - e em sua substituição vieram, as “pastelarias”, os “restaurantes”(…) e as “urbanizações”  para “casa própria” que além de fomentarem o “empréstimo à banca” consolidavam a “aspiração a proprietário” que o pequeno-burguês alberga sempre lá bem no fundo do seu coração.

É natural que com este panorama “classista” JB avance que “Portugal não existe”. Efectivamente, com uma classe descabelada, sem propósitos nem projecto e com o peso que tem hoje a pequena-burguesia na formação social portuguesa, “isto” não pode ir a lado nenhum. Falta a Classe que pode empurrar o País para a frente e fazer o que a “nossa” ranhosa burguesia capitalista não fez nem nunca mais fará: já perdeu a sua oportunidade histórica.

Mas há aqui um pequeno problema: dez milhões de almas têm que comer todos os dias e para isso é forçoso haver “produção”. E como faz parte das regras do capital “ninguém dar nada a ninguém”, temos que arregaçar as mangas e voltar a “produzir”. E não há produção sem “trabalho produtivo” e, sob o capitalismo, o trabalho produtivo é “produtor de mais-valia” o que quer dizer que há “exploração” e logo, “luta de classes”. E aí, diz-nos o velho provérbio popular que “quem tem unhas é que toca guitarra”.
E talvez possamos dizer de Portugal e à maneira de Galileu, “No entanto, ele respira…”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>UMA VELHO PROBLEMA A EXIGIR SOLUÇÃO: A DECADÊNCIA DOS POVOS PENINSULARES </p>
<p>O texto de João Bernardo (JB) é uma boa e oportuna iniciativa: a “luva” que nos manda à cara é um estímulo que merece ser atendido. Oxalá nos reste ainda algum engenho para se poder obter resultados. Por mim, digo desde já, só me interessa o “recuo” ao passado na medida em que “arma” o presente a “perspectivar” o futuro. E vou procurar ser breve e sucinto… na medida do possível.</p>
<p>1 – Primeiro, a questão dos dois “Portugais” separados pelos Filipes. </p>
<p>Supondo-se que ocorreram &#8211; nos 60 anos de domínio dos Filipes – transformações,  resta então saber qual a natureza delas. Assim:</p>
<p>A – Ou houve alteração do Modo de Produção na Formação Social Portuguesa e daí, a ascensão de uma nova classe ao poder que, com seu “programa”, operou essas transformações – chamemos-lhe a Solução Revolucionária; </p>
<p>B – Ou o Modo de Produção dominante mantém-se mas uma “nova classe” entra em cena alterando as relações de força e de Poder entre as classes, acabando por ser responsável por um conjunto de “reformas” &#8211; a Solução Reformista; </p>
<p>C – Ou ainda: deu-se apenas a adaptação a uma nova conjuntura, continuando no poder a “velha classe dominante ” que não encontrou oposição – a Solução Continuista.</p>
<p>Na minha modesta opinião, as transformações em causa caem na hipótese C e por isso considero que nunca poderiam ter dado origem a um “outro Portugal”. Os “conjurados” são da “velha cepa” saída da “fractura” da dinastia de Avis posterior a D. João II e o “modo de vida” permanece o mesmo. Por isso as transformações que se vão operar vão no sentido de uma adaptação à nova conjuntura saída do “desastre” da Armada Invencível. Isto quer dizer que permanece o poder de classe que ascende com D. Manuel I, prolonga-se pelos Filipes e desemboca nos paspalhões dos Braganças. Ou seja ainda: consuma-se de vez a rota imparável da “decadência dos povos peninsulares”. A ser verdade o dito, Camões parece antever já claramente o filme quando diz no leito de morte: “Ao menos morro com a Pátria”. Portugal vai morrendo aos poucos acompanhando a progressiva e continuada decadência do Império.</p>
<p>É evidente que este processo “interno” só ganha sentido quando o integramos num outro mais vasto: a “dinâmica mercantil” do Báltico, com sua ligação estreita à Mancha e ao eixo Reno-Ródano. Esta dinâmica acabou por exigir uma super estrutura ideológica que fosse expressão dos seus “interesses locais” e não do “internacionalismo” da Igreja do Papa. Chamou-se a isto Reforma. Os Tudores, foram ainda mais longe: concretizaram uma “Igreja Nacional”, “carapaça” com que se revestiu a “nacionalização” dos bens – e perda de poder &#8211; da Igreja de Roma em Inglaterra. </p>
<p>“Espoliado”, viu o Papado neste “movimento” perigosa ofensiva ao seu poder que já vinha aos poucos sendo beliscado. E vai dar início a uma contra-ofensiva – a Contra-Reforma &#8211; para desferir o golpe final nos “prevaricadores”. O Concílio de Trento e a criação da Companhia de Jesus &#8211; onde estava entre os 7 fundadores o português Simão Rodrigues &#8211; é um ponto alto na clarificação desta estratégia. Sob a batuta da Igreja de Roma era necessário “unir tudo o que podia ser unido” e Filipe II era de facto o “mais bem situado” para concretizar a chefia. A Inglaterra “anglicana” precisava dum castigo exemplar.</p>
<p>Mas para Portugal havia um “grave” problema ao entrar nessa Aliança, coisa que o obrigava a um complicado golpe de rins: como “congelar” o “velho” tratado de Windsor com a Inglaterra e participar na Armada Invencível? A solução foi encontrada: o único descendente de D. João II morre num estranho “desastre” nas margens do Tejo e este “feliz acaso” faz a “coroa” mudar de mãos proporcionando um poder crescente aos Jesuítas, os “incondicionais” do Papa. A morte de D. Sebastião &#8211;  um “puto” meio louco “fabricado” pelos jesuítas – e a subida ao Trono dum Cardeal Inquisidor-mor – que não podia ter filhos – é das maiores “macacadas” sem nexo que a nossa história já registou. A chegada de Filipe II ao trono de Portugal é assim “racionalmente” difícil de explicar se não a virmos como peça de um plano de largo fôlego com o fim de barrar a “decadência peninsular” e da própria Igreja de Roma. </p>
<p>O resto da história já é nossa conhecida: a Armada regressou a casa “esmangaritada”, o Papado de Roma perdeu a cartada e os povos da Ibéria iniciam em conjunto a sua irremediável e longa viagem de decadência que ainda hoje podemos apreciar – como dois irmãos gémeos – na presença conjunta na grande irmandade dos PIGS. Quando “duas coisas” são iguais não vejo como uma pode alterar a outra em 180 graus.</p>
<p>2. Em segundo lugar umas observações sobre o 25 de Abril e a “morte” anunciada de Portugal. </p>
<p>Se entendi bem, JB aconselha a fecharmos a “loja” e pôr os taipais na porta. Não acho a proposta desajeitada. Contudo, julgo que não nos devemos precipitar. O “jogo” ainda não acabou e até há quem diga que ainda mal começou. Vejamos então.</p>
<p>O “movimento liberal” em Portugal que irrompe nos começos do sec. XIX, não se saldou na concretização da “revolução industrial” o que quer dizer que a burguesia liberal portuguesa não cumpriu as tarefas históricas que cumpriram muitas das suas congéneres europeias. </p>
<p>Esta questão não é nova: cedo se verificou que o peso do “Império” – melhor, as forças de classe que dele viviam mais seus aliados externos dos vários quadrantes –  barrava o caminho à nascente burguesia liberal. E essa persistente “barragem” foi debilitando as vagas de forças burguesas acabando por as fazer capitular e, por fim, integrar a “choldra” duma “colaboração de classes”. O resultado está à vista: gerações sucessivas vêm desde há longo tempo caminhando aos tombos e sem perspectivas de futuro. E o que é pior: parece não se antever solução para isto.</p>
<p>O 25 de Abril parecia trazer consigo alguns propósitos: nos anos que o precederam, as forças anti-capitalistas – empurradas pela luta dos povos coloniais à independência – visionaram uma ideia “desenvolvimentista” e procuraram colocá-lo durante o “fluxo” de Abril na “ordem do dia”. E até mesmo pós 25 de Novembro surgiu por “iniciativa” governamental o “Plano de Médio Prazo” da Dr.ª Manuela Silva que teve a desdita de já nascer morto. Mas confundiu-se os desejos com a realidade: foi “esquecida” a composição classista da sociedade portuguesa da altura e que Portugal era um país predominantemente “pequeno-burguês”. Mas donde vinha este belo “presente”?</p>
<p>O Império – até ao seu desaparecimento – tinha uma função importantíssima: “equilibrar” as graves deficiências da “máquina produtiva” metropolitana. Com este “equilibrismo” é natural que as “classes produtivas” fossem incipientes e as “forças vivas” fossem compostas por gente que circundava as classes rentistas engrossando os “serviços” e a “administração” ou seja: “camadas intermédias”. Essa “tendência” para, com o passar do tempo, ir enxameando o país de pequena-burguesia, foi ganhando “corpo”, acabando por ser encarada como um bem, uma “reserva” duma classe dominante raquítica, um “tampão” às possíveis revoltas da “ralé”. Por isso vamos vê-la doar os seus “préstimos” aos “refluxos” da República e do 25 de Abril. E de Salazar, nem vale a pena passar em revista.</p>
<p>A contra-revolução do 25 de Novembro de 75 de Mário Soares e Sá Carneiro, consumou este belo “presente”: a “tercearização” Cavaquista instituiu o reinado da pequena-burguesia que além do mais servia de “base” à bela “democracia participativa” ao estilo Europa desenvolvida. Este “milagre” do “terciário” só foi possível porque a Comunidade Europeia deu uns dinheiros para obviar os perigos duma Península Comunista sob a “pata de Moscovo” o que fez acreditar a um pais de “saloios” que a Europa poderia ser um bom substituto do Império. Assim, a “máquina produtiva” industrial reduziu-se – com o seu proletariado &#8211; e em sua substituição vieram, as “pastelarias”, os “restaurantes”(…) e as “urbanizações”  para “casa própria” que além de fomentarem o “empréstimo à banca” consolidavam a “aspiração a proprietário” que o pequeno-burguês alberga sempre lá bem no fundo do seu coração.</p>
<p>É natural que com este panorama “classista” JB avance que “Portugal não existe”. Efectivamente, com uma classe descabelada, sem propósitos nem projecto e com o peso que tem hoje a pequena-burguesia na formação social portuguesa, “isto” não pode ir a lado nenhum. Falta a Classe que pode empurrar o País para a frente e fazer o que a “nossa” ranhosa burguesia capitalista não fez nem nunca mais fará: já perdeu a sua oportunidade histórica.</p>
<p>Mas há aqui um pequeno problema: dez milhões de almas têm que comer todos os dias e para isso é forçoso haver “produção”. E como faz parte das regras do capital “ninguém dar nada a ninguém”, temos que arregaçar as mangas e voltar a “produzir”. E não há produção sem “trabalho produtivo” e, sob o capitalismo, o trabalho produtivo é “produtor de mais-valia” o que quer dizer que há “exploração” e logo, “luta de classes”. E aí, diz-nos o velho provérbio popular que “quem tem unhas é que toca guitarra”.<br />
E talvez possamos dizer de Portugal e à maneira de Galileu, “No entanto, ele respira…”</p>
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		<title>
		Por: Manuel de Sousa		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/12/33125/#comment-18427</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manuel de Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Jan 2011 20:54:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Concordo em absoluto que um dos problemas dos movimentos anti-capitalistas do século XX e XXI é o «apagamento da memória» que resulta num eterno recomeçar do zero. Se a história tivesse alguma utilidade para a reformulação de uma estratégia anti-capitalista não era possível esquecer que a mudança social radical só se pode dar contra os Estados e numa escala internacional. Já dizia o refrão da «Internacional» e o lema da AIT.

O problema é que o movimento operário e os anti-capitalistas no século XX deixaram-se empurrar para o nacionalismo, mesmo quando os capitalistas se assumiram como «internacionalistas»
e as empresas multinacionais não tem de enfrentar movimentos articulados dos seus assalariados nos diferentes países...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo em absoluto que um dos problemas dos movimentos anti-capitalistas do século XX e XXI é o «apagamento da memória» que resulta num eterno recomeçar do zero. Se a história tivesse alguma utilidade para a reformulação de uma estratégia anti-capitalista não era possível esquecer que a mudança social radical só se pode dar contra os Estados e numa escala internacional. Já dizia o refrão da «Internacional» e o lema da AIT.</p>
<p>O problema é que o movimento operário e os anti-capitalistas no século XX deixaram-se empurrar para o nacionalismo, mesmo quando os capitalistas se assumiram como «internacionalistas»<br />
e as empresas multinacionais não tem de enfrentar movimentos articulados dos seus assalariados nos diferentes países&#8230;</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/12/33125/#comment-18263</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jan 2011 23:20:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Apesar de toda a sua instrução, o leitor que assina José esquece-se de que em Espanha se falam e escrevem oficialmente várias outras línguas além do castelhano. O português continua, aliás, a ser a língua em uso nas numerosas empresas portuguesas controladas por capitais espanhóis.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de toda a sua instrução, o leitor que assina José esquece-se de que em Espanha se falam e escrevem oficialmente várias outras línguas além do castelhano. O português continua, aliás, a ser a língua em uso nas numerosas empresas portuguesas controladas por capitais espanhóis.</p>
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		<title>
		Por: José		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/12/33125/#comment-18261</link>

		<dc:creator><![CDATA[José]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jan 2011 22:57:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Á primeira leitura até parece que o autor tem razão. As elites não prestam e vendem-se a quem dá mais e o povo também desde que o dinheiro corra. Mas há aqui gente que fala português, quer continuar a falar português e se calhar nem consegue aprender a falar castelhano. Aliás nem consegue estudar, nem trabalhar a sério mas insiste em não aprender, em não falar outras línguas e não querer outros modos de vida. Há que respeitar isso não.Eu até falo inglês, françês e um pouco de outras línguas. Eu até estudei, até me especializei, até estou disponível para viajar amanhã para qualquer lugar. Eu tenho grau académico. Mas tenho de aceitar que o porteiro que me dá os bons dias todas as manhãs só queira o seu ordenado, só queira falar português e não queira estudar mais uma linha e que só queira que no fim do mês lhe paguem o ordenadozito a quem tem direito. E de preferência que a folha de vencimentos venha escrita em português e não castelhano. Culpem-se as elites tudo bem. Retórica não obrigado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Á primeira leitura até parece que o autor tem razão. As elites não prestam e vendem-se a quem dá mais e o povo também desde que o dinheiro corra. Mas há aqui gente que fala português, quer continuar a falar português e se calhar nem consegue aprender a falar castelhano. Aliás nem consegue estudar, nem trabalhar a sério mas insiste em não aprender, em não falar outras línguas e não querer outros modos de vida. Há que respeitar isso não.Eu até falo inglês, françês e um pouco de outras línguas. Eu até estudei, até me especializei, até estou disponível para viajar amanhã para qualquer lugar. Eu tenho grau académico. Mas tenho de aceitar que o porteiro que me dá os bons dias todas as manhãs só queira o seu ordenado, só queira falar português e não queira estudar mais uma linha e que só queira que no fim do mês lhe paguem o ordenadozito a quem tem direito. E de preferência que a folha de vencimentos venha escrita em português e não castelhano. Culpem-se as elites tudo bem. Retórica não obrigado.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<item>
		<title>
		Por: Eric		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/12/33125/#comment-17716</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eric]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Dec 2010 20:07:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Admito que possa não ser uma grande contribuição à discussão, mas de manhã mandei o link para uma amiga em Portugal e recebi a seguinte resposta:

a briga vai ser boa... ops... sem trocadilhos... então quer dizer que agora, abertamente, o &quot;Boa&quot; apóia, convicto, a candidatura independente do Alegre... e já postula um diálogo com o Bloco...? e com o PCP?
estou curiosa para saber como chegaremos em Fevereiro... hehehe

obrigada por compartilhar, ainda não tinha chegado o texto!!
um abraço forte,
do exílio-frio,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Admito que possa não ser uma grande contribuição à discussão, mas de manhã mandei o link para uma amiga em Portugal e recebi a seguinte resposta:</p>
<p>a briga vai ser boa&#8230; ops&#8230; sem trocadilhos&#8230; então quer dizer que agora, abertamente, o &#8220;Boa&#8221; apóia, convicto, a candidatura independente do Alegre&#8230; e já postula um diálogo com o Bloco&#8230;? e com o PCP?<br />
estou curiosa para saber como chegaremos em Fevereiro&#8230; hehehe</p>
<p>obrigada por compartilhar, ainda não tinha chegado o texto!!<br />
um abraço forte,<br />
do exílio-frio,</p>
]]></content:encoded>
		
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