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	Comentários sobre: Mubarak se vai, o povo fica! Reflexões em torno dos protestos no Egito e no mundo árabe	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Pobre		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Feb 2011 19:26:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Se identificarmos o proletário com o operário de fábrica (ou pior: com o trabalhador manual) ou com os pobres, não veremos o que é subversivo na condição proletária. O proletariado é a negação desta sociedade. Não é o conjunto dos pobres, mas daqueles que estão desesperados, aqueles que não têm reservas (les sans-réserves em francês, ou senza riserve, em italiano),  que não têm nada a perder senão suas próprias correntes; aqueles que não são nada, não têm nada e que não podem se libertar sem destruir toda a ordem social.

O proletariado é a dissolução da sociedade atual, desta sociedade que o priva de quase todos os seus aspectos positivos. Mas o proletariado é também sua autodestruição. Todas as teorias (burguesa, fascista, stalinista, de esquerda ou “esquerdistas”) que de algum modo glorificam e exaltam o proletariado, reivindicando o papel positivo do proletariado na defesa dos valores e regeneração da sociedade, são contra-revolucionárias. A exaltação do proletariado tornou-se uma das armas mais eficientes e perigosas do capital. A maioria dos proletários tem salários baixos, uma parte trabalha na produção, mas sua emergência como proletariado deriva não de serem produtores mal pagos, mas de serem alienados, de não terem controle sobre suas vidas ou sobre o que fazem para conseguir sobreviver.

Definir o proletariado tem pouco a ver com a sociologia. Sem a possibilidade do comunismo, as teorias do “proletariado” seriam equivalentes à metafísica. Nosso maior argumento é que, toda as vezes em que interferiu autonomamente no curso da sociedade, o proletariado repetidamente agiu como negação da atual ordem de coisas, não ofereceu valores positivos ou papéis, buscou outra coisa.

Sendo produtor de valor, pode destruir o mundo baseado no valor. O proletariado inclui, por exemplo, os desempregados e muitas donas-de-casa, pois o capitalismo utiliza o trabalho desses últimos para incrementar a massa total de mais-valia.

Os burgueses são a classe dominante, mas não porque são ricos. Ser burguês os faz ricos, não o contrário. Eles são a classe dominante porque controlam a economia - os trabalhadores e as máquinas. A propriedade, estritamente falando, é uma forma de poder de classe e aparece em outras variantes do capitalismo.

O proletariado não é a classe operária, mas a classe da crítica do trabalho. É a sempre presente destruição do velho mundo, mas ainda potencialmente, que só se torna atual num momento de tensão social e revolta, quando é compelido pelo capital a ser agente do comunismo. Ele unicamente se torna a subversão da sociedade estabelecida quando se unifica e se auto-organiza, não para ser a classe dominante, como a burguesia o fez, mas para destruir a sociedade de classes. Neste momento, só há um agente: a humanidade. Mas fora de tal período de conflito e do período que o precede, o proletariado é reduzido à condição de elemento do capital, um parafuso dentro de um mecanismo (e é precisamente este aspecto que é glorificado pelo capital, que exalta o operário como parte do sistema social existente).

Embora não isento de obreirismo (reverso do intelectualismo), o revolucionário nem pensa em elogiar a classe operária ou o trabalho manual como felicidade infinita. Ele vê os operários produtivos como uma parte decisiva (mas não exclusiva) porque seu lugar na produção os coloca na melhor situação para revolucioná-la. Somente neste sentido, os proletários (freqüentemente usando gravata) assumem um papel central, pois sua função social lhes permite realizar diferentes tarefas. Mas, com a generalização do desemprego, do trabalho informal, do aumento da escolarização, dos estágios e do trabalho por tempo parcial, da aposentadoria prematura - estranha mistura de bem-estar e opressão, na qual as pessoas passam da miséria assalariada à pobreza assistida, quando a esmola institucional algumas vezes equivale ao mais baixo salário - é cada vez mais difícil distinguir o trabalho do não-trabalho.&quot; Jean Barrot


Povo é massa indistinta que compõe a nação, o conjunto dos eleitores, o conjunto dos indivíduos atomizados arrebanhados pela ideologia nacionalista. No Egito, já se começa a ver aqueles que entre o povo apelam a que se retorne ao trabalho, que se trabalhe muito, e aqueles que insistem nas greves e não se identificam com o discurso patriótico.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Se identificarmos o proletário com o operário de fábrica (ou pior: com o trabalhador manual) ou com os pobres, não veremos o que é subversivo na condição proletária. O proletariado é a negação desta sociedade. Não é o conjunto dos pobres, mas daqueles que estão desesperados, aqueles que não têm reservas (les sans-réserves em francês, ou senza riserve, em italiano),  que não têm nada a perder senão suas próprias correntes; aqueles que não são nada, não têm nada e que não podem se libertar sem destruir toda a ordem social.</p>
<p>O proletariado é a dissolução da sociedade atual, desta sociedade que o priva de quase todos os seus aspectos positivos. Mas o proletariado é também sua autodestruição. Todas as teorias (burguesa, fascista, stalinista, de esquerda ou “esquerdistas”) que de algum modo glorificam e exaltam o proletariado, reivindicando o papel positivo do proletariado na defesa dos valores e regeneração da sociedade, são contra-revolucionárias. A exaltação do proletariado tornou-se uma das armas mais eficientes e perigosas do capital. A maioria dos proletários tem salários baixos, uma parte trabalha na produção, mas sua emergência como proletariado deriva não de serem produtores mal pagos, mas de serem alienados, de não terem controle sobre suas vidas ou sobre o que fazem para conseguir sobreviver.</p>
<p>Definir o proletariado tem pouco a ver com a sociologia. Sem a possibilidade do comunismo, as teorias do “proletariado” seriam equivalentes à metafísica. Nosso maior argumento é que, toda as vezes em que interferiu autonomamente no curso da sociedade, o proletariado repetidamente agiu como negação da atual ordem de coisas, não ofereceu valores positivos ou papéis, buscou outra coisa.</p>
<p>Sendo produtor de valor, pode destruir o mundo baseado no valor. O proletariado inclui, por exemplo, os desempregados e muitas donas-de-casa, pois o capitalismo utiliza o trabalho desses últimos para incrementar a massa total de mais-valia.</p>
<p>Os burgueses são a classe dominante, mas não porque são ricos. Ser burguês os faz ricos, não o contrário. Eles são a classe dominante porque controlam a economia &#8211; os trabalhadores e as máquinas. A propriedade, estritamente falando, é uma forma de poder de classe e aparece em outras variantes do capitalismo.</p>
<p>O proletariado não é a classe operária, mas a classe da crítica do trabalho. É a sempre presente destruição do velho mundo, mas ainda potencialmente, que só se torna atual num momento de tensão social e revolta, quando é compelido pelo capital a ser agente do comunismo. Ele unicamente se torna a subversão da sociedade estabelecida quando se unifica e se auto-organiza, não para ser a classe dominante, como a burguesia o fez, mas para destruir a sociedade de classes. Neste momento, só há um agente: a humanidade. Mas fora de tal período de conflito e do período que o precede, o proletariado é reduzido à condição de elemento do capital, um parafuso dentro de um mecanismo (e é precisamente este aspecto que é glorificado pelo capital, que exalta o operário como parte do sistema social existente).</p>
<p>Embora não isento de obreirismo (reverso do intelectualismo), o revolucionário nem pensa em elogiar a classe operária ou o trabalho manual como felicidade infinita. Ele vê os operários produtivos como uma parte decisiva (mas não exclusiva) porque seu lugar na produção os coloca na melhor situação para revolucioná-la. Somente neste sentido, os proletários (freqüentemente usando gravata) assumem um papel central, pois sua função social lhes permite realizar diferentes tarefas. Mas, com a generalização do desemprego, do trabalho informal, do aumento da escolarização, dos estágios e do trabalho por tempo parcial, da aposentadoria prematura &#8211; estranha mistura de bem-estar e opressão, na qual as pessoas passam da miséria assalariada à pobreza assistida, quando a esmola institucional algumas vezes equivale ao mais baixo salário &#8211; é cada vez mais difícil distinguir o trabalho do não-trabalho.&#8221; Jean Barrot</p>
<p>Povo é massa indistinta que compõe a nação, o conjunto dos eleitores, o conjunto dos indivíduos atomizados arrebanhados pela ideologia nacionalista. No Egito, já se começa a ver aqueles que entre o povo apelam a que se retorne ao trabalho, que se trabalhe muito, e aqueles que insistem nas greves e não se identificam com o discurso patriótico.</p>
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		Por: Astolfo Jr.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/02/35635/#comment-19569</link>

		<dc:creator><![CDATA[Astolfo Jr.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Feb 2011 14:48:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Juliana,
Um gerente vive do trabalho? Então ele é proletário? E o burguês que diz trabalhar adoidado para conseguir auferir seu lucro, também ele não vive do trabalho? Com esse critério meio vago, todo mundo que vive do trabalho, alheio ou próprio, vira proletário.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Juliana,<br />
Um gerente vive do trabalho? Então ele é proletário? E o burguês que diz trabalhar adoidado para conseguir auferir seu lucro, também ele não vive do trabalho? Com esse critério meio vago, todo mundo que vive do trabalho, alheio ou próprio, vira proletário.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Juliana Rosa		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/02/35635/#comment-19529</link>

		<dc:creator><![CDATA[Juliana Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Feb 2011 22:48:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Classe-que-vive-do-trabalho de Ricardo Antunes é um conceito mais apropriado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Classe-que-vive-do-trabalho de Ricardo Antunes é um conceito mais apropriado.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pobre		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/02/35635/#comment-19521</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Feb 2011 16:36:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como por aqui se define classe à vontade do freguês, para por exemplo, redefinir o nacionalismo como luta de classes, não espanta que se ponha proletariado entre aspas e se fale em povo sem vergonha nenhuma.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como por aqui se define classe à vontade do freguês, para por exemplo, redefinir o nacionalismo como luta de classes, não espanta que se ponha proletariado entre aspas e se fale em povo sem vergonha nenhuma.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: alexandre		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/02/35635/#comment-19519</link>

		<dc:creator><![CDATA[alexandre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Feb 2011 15:52:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mas quem é o &quot;proletariado&quot; senão o povo?!?!?!]]></description>
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		<title>
		Por: Rico		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/02/35635/#comment-19518</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rico]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Feb 2011 15:25:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O texto peca por falar somente povo de tal o tal pais. O conceito de proletariado é esquecido, mesmo quando se fala de internacionalismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto peca por falar somente povo de tal o tal pais. O conceito de proletariado é esquecido, mesmo quando se fala de internacionalismo.</p>
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