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	Comentários sobre: Mais-valia e Cesare Battisti	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Matheus		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/03/37908/#comment-349261</link>

		<dc:creator><![CDATA[Matheus]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Nov 2018 12:49:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bolsonaro ao vice primeiro-ministro italiano: se eu vencer, vou extraditar Battisti!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bolsonaro ao vice primeiro-ministro italiano: se eu vencer, vou extraditar Battisti!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/03/37908/#comment-22674</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Mar 2011 12:07:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A questão da distinção entre trabalho produtivo e improdutivo tem raízes muito profundas na história das ideias económicas, pelo menos desde os fisiocratas. Por outro lado, numerosas polémicas se travaram em torno do assunto na primeira metade do século XX, tanto por parte daqueles que defendiam uma noção de objectividade científica como por parte dos que defendiam que as teorias económicas expressavam directamente interesses sociais. Hoje, que o modo de produção capitalista se expandiu a todo o mundo e abarcou a prática totalidade das profissões, a distinção entre quem é e quem não é trabalhador produtivo, ou seja, entre quem produz mais-valia e quem não a produz, é fundamental para traçar uma linha de demarcação entre as camadas mais qualificadas da classe trabalhadora e as camadas inferiores da classe dos gestores. Assim, é compreensível que aqueles que têm um pé num lado e outro pé no outro tenham interesse em obnubilar essa linha de demarcação. Convém aos gestores a confusão com a classe trabalhadora, para a poderem mobilizar em seu apoio. E a história tem mostrado, sem nenhuma excepção, que a confusão entre gestores e trabalhadores é sempre proveitosa para os gestores e é sempre funesta para os trabalhadores. É isto que está implicado na distinção entre trabalho produtivo e improdutivo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A questão da distinção entre trabalho produtivo e improdutivo tem raízes muito profundas na história das ideias económicas, pelo menos desde os fisiocratas. Por outro lado, numerosas polémicas se travaram em torno do assunto na primeira metade do século XX, tanto por parte daqueles que defendiam uma noção de objectividade científica como por parte dos que defendiam que as teorias económicas expressavam directamente interesses sociais. Hoje, que o modo de produção capitalista se expandiu a todo o mundo e abarcou a prática totalidade das profissões, a distinção entre quem é e quem não é trabalhador produtivo, ou seja, entre quem produz mais-valia e quem não a produz, é fundamental para traçar uma linha de demarcação entre as camadas mais qualificadas da classe trabalhadora e as camadas inferiores da classe dos gestores. Assim, é compreensível que aqueles que têm um pé num lado e outro pé no outro tenham interesse em obnubilar essa linha de demarcação. Convém aos gestores a confusão com a classe trabalhadora, para a poderem mobilizar em seu apoio. E a história tem mostrado, sem nenhuma excepção, que a confusão entre gestores e trabalhadores é sempre proveitosa para os gestores e é sempre funesta para os trabalhadores. É isto que está implicado na distinção entre trabalho produtivo e improdutivo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/03/37908/#comment-22646</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 22:27:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Manolo, evidentemente não tiro sua razão nos apontamentos que você fez sobre os motivos de não haver mobilização suficiente para soltar Battisti. E claro, pelo artigo parece que basta que haja o tal sujeito político para que um preso político se veja livre. Tem a tal da correlação de forças também... Sacco e Vanzetti foram condenados, e tantos outros, e mesmo em épocas de forte movimento social.

Sobre exemplos de &quot;relações de exloração sem relação de mando&quot;, há os mais óbvios, ligados às empresas que comercializam suas ações na Nasdaq, mas para ficar num exemplo que se encontra no livro Democracia Totalitária, do João Bernardo (e aponto esse exemplo porque suponho que o João Bernardo não compartilha a visão que exponho aqui, tornando assim o exemplo acima de suspeita): o consumidor que é posto no processo produtivo da empresa (e do controle de qualidade em específico) através do feedback que ele dá à empresa. Não há relação de subordinação, de mando, ou de controle do tempo e dos ritmos do trabalho (porque nem de trabalho propriamente se trata), em geral, entre o empresário e o consumidor. Há mais-valia aí? E para que serve chegar a uma conclusão se há ou se não há?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo, evidentemente não tiro sua razão nos apontamentos que você fez sobre os motivos de não haver mobilização suficiente para soltar Battisti. E claro, pelo artigo parece que basta que haja o tal sujeito político para que um preso político se veja livre. Tem a tal da correlação de forças também&#8230; Sacco e Vanzetti foram condenados, e tantos outros, e mesmo em épocas de forte movimento social.</p>
<p>Sobre exemplos de &#8220;relações de exloração sem relação de mando&#8221;, há os mais óbvios, ligados às empresas que comercializam suas ações na Nasdaq, mas para ficar num exemplo que se encontra no livro Democracia Totalitária, do João Bernardo (e aponto esse exemplo porque suponho que o João Bernardo não compartilha a visão que exponho aqui, tornando assim o exemplo acima de suspeita): o consumidor que é posto no processo produtivo da empresa (e do controle de qualidade em específico) através do feedback que ele dá à empresa. Não há relação de subordinação, de mando, ou de controle do tempo e dos ritmos do trabalho (porque nem de trabalho propriamente se trata), em geral, entre o empresário e o consumidor. Há mais-valia aí? E para que serve chegar a uma conclusão se há ou se não há?</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/03/37908/#comment-22604</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 03:56:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gostaria de conhecer estes exemplos de &quot;relação de exploração econômica sem relação de mando&quot; para ver se são os mesmos em que pensei.

Quanto ao objetivo do artigo, ele sempre esteve claro, ao menos para mim. Só penso que chegamos ao mesmo ponto -- a crítica à incapacidade da esquerda em libertar Battisti -- por meios diferentes. O &quot;desvio teórico&quot; feito até agora apenas expressa estas diferenças, embora em aspectos secundários.

Nâo creio que a questão seja de &quot;ausência de um sujeito político&quot; como a conclusão de seu artigo dá a entender. Afinal, estes sujeitos políticos a quem nomeamos a nosso bel-prazer existem -- do contrário não os nomearíamos -- e são autônomos também para escolher suas lutas. 

Explico, retomando o exemplo de meu comentário anterior e ampliando-o. Os cortadores de cana da zona da mata de Alagoas, os sem-teto de Salvador, os &quot;hiperprecários&quot; do Rio de Janeiro, os trabalhadores das obras do PAC na Amazônia -- em suma, os sujeitos políticos que estão aí, e em luta -- podem mesmo ter conhecimento da situação do Battisti, mas não vêem conexão entre ela e suas próprias lutas. Além do desconhecimento -- que seu artigo, e um outro do Pablo Ortellado que li há algum tempo, ajudam a dissipar -- há a distorção de fatos, a produção da imagem de um Battisti &quot;terrorista e assassino&quot; etc.

Aí é onde vejo o problema. Você pode argumentar que as perspectivas teóricas da esquerda não permitem ver a importância da perseguição internacional e prisão de Battisti, mas o que vejo, usando seus próprios argumentos -- com os quais concordo -- é um problema não apenas nas teorias que a esquerda emprega, mas também, e mais profundamente, na percepção que têm do caso Battisti os sujeitos políticos aparentemente mais próximos daquelas lutas que Battisti travou em sua juventude. É este o nó a ser cortado. Agora, &lt;em&gt;como?&lt;/em&gt;, não me pergunte...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de conhecer estes exemplos de &#8220;relação de exploração econômica sem relação de mando&#8221; para ver se são os mesmos em que pensei.</p>
<p>Quanto ao objetivo do artigo, ele sempre esteve claro, ao menos para mim. Só penso que chegamos ao mesmo ponto &#8212; a crítica à incapacidade da esquerda em libertar Battisti &#8212; por meios diferentes. O &#8220;desvio teórico&#8221; feito até agora apenas expressa estas diferenças, embora em aspectos secundários.</p>
<p>Nâo creio que a questão seja de &#8220;ausência de um sujeito político&#8221; como a conclusão de seu artigo dá a entender. Afinal, estes sujeitos políticos a quem nomeamos a nosso bel-prazer existem &#8212; do contrário não os nomearíamos &#8212; e são autônomos também para escolher suas lutas. </p>
<p>Explico, retomando o exemplo de meu comentário anterior e ampliando-o. Os cortadores de cana da zona da mata de Alagoas, os sem-teto de Salvador, os &#8220;hiperprecários&#8221; do Rio de Janeiro, os trabalhadores das obras do PAC na Amazônia &#8212; em suma, os sujeitos políticos que estão aí, e em luta &#8212; podem mesmo ter conhecimento da situação do Battisti, mas não vêem conexão entre ela e suas próprias lutas. Além do desconhecimento &#8212; que seu artigo, e um outro do Pablo Ortellado que li há algum tempo, ajudam a dissipar &#8212; há a distorção de fatos, a produção da imagem de um Battisti &#8220;terrorista e assassino&#8221; etc.</p>
<p>Aí é onde vejo o problema. Você pode argumentar que as perspectivas teóricas da esquerda não permitem ver a importância da perseguição internacional e prisão de Battisti, mas o que vejo, usando seus próprios argumentos &#8212; com os quais concordo &#8212; é um problema não apenas nas teorias que a esquerda emprega, mas também, e mais profundamente, na percepção que têm do caso Battisti os sujeitos políticos aparentemente mais próximos daquelas lutas que Battisti travou em sua juventude. É este o nó a ser cortado. Agora, <em>como?</em>, não me pergunte&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/03/37908/#comment-22588</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Mar 2011 23:05:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Só para completar, é bom frisar que o o objetivo do artigo é lembrar mais uma vez que Cesare Battisti está preso e buscar algo de origem comum entre a incapacidade de libertar Cesare Battisti e nossa (da esquerda, dos anticapitalistas)incapacidade ou prisão teórica.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só para completar, é bom frisar que o o objetivo do artigo é lembrar mais uma vez que Cesare Battisti está preso e buscar algo de origem comum entre a incapacidade de libertar Cesare Battisti e nossa (da esquerda, dos anticapitalistas)incapacidade ou prisão teórica.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/03/37908/#comment-22586</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Mar 2011 22:23:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Manolo,

O que eu disse ou quis dizer resumidamente no meu comentário ao Eduardo é que o conceito de mais-valia está ligado a uma relação de mando/subordinação (nunca disse que toda relação de mando/subordinação implicasse em mais-valia) antes de estar ligado a uma relação econômica de exploração (pelo menos é essa minha leitura e análise do conceito do Marx). E é esse o limite do conceito marxiano. Pois se fosse diferente o conceito teria que dar conta de qualquer relação de exploração econômica nos marcos do capitalismo, mesmo que não houvesse uma relação de mando, o que não ocorre (exemplos eu dou em outro comentário, se for necessário)
Seguindo a mesma lógica que você utilizou para criticar o conceito de precariado e hiperprecariado, a mais-valia também encontra seu limite num contexto, que é dado por uma relação de mando/subordinação. Conceito criado para dar conta do trabalho assalariado, empregado pelo capitalista. Fora disso, ele encontra o seu limite, embora a exploração econômica não se dê, nos marcos do capitalismo hoje em dia, apenas sobre o trabalho assalariado (seja terceirizado tornado &quot;autônomo&quot;).  Ela não se dá nem mesmo apenas sobre o que se considera &quot;trabalho&quot;.

O meu único objetivo em apontar o limite do conceito de mais-valia ou de qualquer outro usado na crítica da economia política é, como levantei no artigo, salientar que o que importa não é tanto os conceitos em si, mas a função que eles tinham e podem ter (para um movimento - o sujeito político).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo,</p>
<p>O que eu disse ou quis dizer resumidamente no meu comentário ao Eduardo é que o conceito de mais-valia está ligado a uma relação de mando/subordinação (nunca disse que toda relação de mando/subordinação implicasse em mais-valia) antes de estar ligado a uma relação econômica de exploração (pelo menos é essa minha leitura e análise do conceito do Marx). E é esse o limite do conceito marxiano. Pois se fosse diferente o conceito teria que dar conta de qualquer relação de exploração econômica nos marcos do capitalismo, mesmo que não houvesse uma relação de mando, o que não ocorre (exemplos eu dou em outro comentário, se for necessário)<br />
Seguindo a mesma lógica que você utilizou para criticar o conceito de precariado e hiperprecariado, a mais-valia também encontra seu limite num contexto, que é dado por uma relação de mando/subordinação. Conceito criado para dar conta do trabalho assalariado, empregado pelo capitalista. Fora disso, ele encontra o seu limite, embora a exploração econômica não se dê, nos marcos do capitalismo hoje em dia, apenas sobre o trabalho assalariado (seja terceirizado tornado &#8220;autônomo&#8221;).  Ela não se dá nem mesmo apenas sobre o que se considera &#8220;trabalho&#8221;.</p>
<p>O meu único objetivo em apontar o limite do conceito de mais-valia ou de qualquer outro usado na crítica da economia política é, como levantei no artigo, salientar que o que importa não é tanto os conceitos em si, mas a função que eles tinham e podem ter (para um movimento &#8211; o sujeito político).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/03/37908/#comment-22546</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Mar 2011 10:58:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Calma, Eduardo, eu sequer havia lido seus comentários até agora...

Na verdade, quando se fala em precariado, isto me lembra que a definição clássica de proletariado é &quot;a classe que não dispõe de nada além de sua prole&quot;, submetido a condições de superexploração e instabilidade no trabalho, pago com salários absurdamente baixos para trabalhar jornadas extensas etc.. Hoje, a esta mesma classe costuma se chamar de precariado, e o foco da definição sai de suas condições de vida e posses para suas relações de trabalho. Ora, mesmo quando se encontram nas baias de um call center (arquétipo de trabalho precário), um jovem com diploma universitário (ou superior incompleto) termina tendo um leque de alternativas laborais bem mais amplo a buscar quando for demitido que um jovem com ensino médio incompleto. Mesmo compreendendo que esta nova classificação tenta dar conta de novas realidades do mundo do trabalho na Europa (em especial na Itália, onde surge o conceito), seu uso aqui pede tantas adaptações (por exemplo, a divisão entre &quot;precariado&quot; e &quot;hiperprecariado&quot;) que termina fazendo-o perder sua força analítica.

Mas, noves fora estas observações, tendo a concordar com sua análise.

Quanto ao artigo, gostei bastante da contextualização histórica do movimento italiano, bem detalhada dentro dos limites de tamanho deste artigo. Mas pergunto: quando retornar à Zona da Mata de Alagoas nestes meses, posso dizer aos cortadores de cana que eles não existem? Porque o núcleo da mais-valia não é somente a relação mando/subordinação, ou do contrário -- usando uma situação extrema -- uma mãe extrairia mais-valia de uma criança a cada vez em que a mandasse limpar a bunda; trata-se da conjunção entre esta relação mando/subordinação e uma relação de exploração econômica. E na medida em que há exploração econômica -- não creio, e sei que o autor também não, que o surgimento disto que está sendo chamado de &quot;precariado&quot; represente o fim da exploração -- a mais-valia se sustenta não apenas enquanto conceito analítico, mas também como expressão de uma relação entre classes, tal como a existente entre os cortadores de cana e seus patrões.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Calma, Eduardo, eu sequer havia lido seus comentários até agora&#8230;</p>
<p>Na verdade, quando se fala em precariado, isto me lembra que a definição clássica de proletariado é &#8220;a classe que não dispõe de nada além de sua prole&#8221;, submetido a condições de superexploração e instabilidade no trabalho, pago com salários absurdamente baixos para trabalhar jornadas extensas etc.. Hoje, a esta mesma classe costuma se chamar de precariado, e o foco da definição sai de suas condições de vida e posses para suas relações de trabalho. Ora, mesmo quando se encontram nas baias de um call center (arquétipo de trabalho precário), um jovem com diploma universitário (ou superior incompleto) termina tendo um leque de alternativas laborais bem mais amplo a buscar quando for demitido que um jovem com ensino médio incompleto. Mesmo compreendendo que esta nova classificação tenta dar conta de novas realidades do mundo do trabalho na Europa (em especial na Itália, onde surge o conceito), seu uso aqui pede tantas adaptações (por exemplo, a divisão entre &#8220;precariado&#8221; e &#8220;hiperprecariado&#8221;) que termina fazendo-o perder sua força analítica.</p>
<p>Mas, noves fora estas observações, tendo a concordar com sua análise.</p>
<p>Quanto ao artigo, gostei bastante da contextualização histórica do movimento italiano, bem detalhada dentro dos limites de tamanho deste artigo. Mas pergunto: quando retornar à Zona da Mata de Alagoas nestes meses, posso dizer aos cortadores de cana que eles não existem? Porque o núcleo da mais-valia não é somente a relação mando/subordinação, ou do contrário &#8212; usando uma situação extrema &#8212; uma mãe extrairia mais-valia de uma criança a cada vez em que a mandasse limpar a bunda; trata-se da conjunção entre esta relação mando/subordinação e uma relação de exploração econômica. E na medida em que há exploração econômica &#8212; não creio, e sei que o autor também não, que o surgimento disto que está sendo chamado de &#8220;precariado&#8221; represente o fim da exploração &#8212; a mais-valia se sustenta não apenas enquanto conceito analítico, mas também como expressão de uma relação entre classes, tal como a existente entre os cortadores de cana e seus patrões.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/03/37908/#comment-22438</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Mar 2011 19:46:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eduardo, concordo com sua leitura da situação do &quot;proletariado&quot; no Brasil no momento: os grupos que se mobilizam e os limites enfrentados.

Não tenho prática em análise de conjuntura. Deixo para alguém se empenhar nisso...

A &quot;mais-valia difusa&quot; (uma &quot;mais-valia&quot; que não é nem absoluta nem relativa) é para mim um anticonceito. Acho que serve apenas para mostrar os limites do conceito do Marx, ou que ele era antes de um conceito econômico, um conceito político, relativo a uma relação de mando e subordinação.
A questão que surge pra mim discutindo trabalho produtivo e esses conceitos da crítica da economia política é se será através de categorias econômicas que hoje os grupos sociais que lutam encontrarão sua legitimidade política, a legitimidade para terem poder político, isto é, poder de decisão e gestão. O movimento operário e o socialismo herdou da burguesia a idéia de que ser produtivo deveria ser pré-requisito para ter poder, ou até mesmo para ser cidadão. Hoje talvez faça mais sentido, e seja melhor invertermos isso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eduardo, concordo com sua leitura da situação do &#8220;proletariado&#8221; no Brasil no momento: os grupos que se mobilizam e os limites enfrentados.</p>
<p>Não tenho prática em análise de conjuntura. Deixo para alguém se empenhar nisso&#8230;</p>
<p>A &#8220;mais-valia difusa&#8221; (uma &#8220;mais-valia&#8221; que não é nem absoluta nem relativa) é para mim um anticonceito. Acho que serve apenas para mostrar os limites do conceito do Marx, ou que ele era antes de um conceito econômico, um conceito político, relativo a uma relação de mando e subordinação.<br />
A questão que surge pra mim discutindo trabalho produtivo e esses conceitos da crítica da economia política é se será através de categorias econômicas que hoje os grupos sociais que lutam encontrarão sua legitimidade política, a legitimidade para terem poder político, isto é, poder de decisão e gestão. O movimento operário e o socialismo herdou da burguesia a idéia de que ser produtivo deveria ser pré-requisito para ter poder, ou até mesmo para ser cidadão. Hoje talvez faça mais sentido, e seja melhor invertermos isso.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eduardo Tomazine Teixeira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/03/37908/#comment-22427</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Mar 2011 16:16:39 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=37908#comment-22427</guid>

					<description><![CDATA[Parabéns pelo artigo, com essa excelente contextualização das lutas da qual participou o Cesare na Itália e com todas as referências aos autores que intervieram nelas. O documento que você postou ao final, de sua autoria, também me parece muito interessante. Tentarei lê-lo assim que me sobrar um tempinho.

Como o artigo começa por articular a condição do Cesare aos limites da esquerda no Brasil, arriscaria fazer aqui uma &quot;cartografia&quot; (não exaustiva, ok Manolo?) dessa esquerda. Limitarei-me também aos movimentos sociais, deixando de lado os partidos e as grandes centrais sindicais. 

Temos, hoje, um movimento operário controlado por grandes burocracias sindicais (ou cobiçados por outras mais esquerdistas) e que poderá se mobilizar, eventualmente, em algumas lutas reivindicatórias pontuais, como por um aumento de salário mínimo de 10%, ao invés de 4,5%. É claro que uma mudança de conjuntura econômica nacional para pior tenderia a radicalizar essa fração da classe trabalhadora, mas esse cenário me parece pouco provável para os próximos anos.  

De outro lado, o setor mais organizado da esquerda são os hiperprecários no campo e grupos identitários específicos mobilizados em torno do controle do território, os quais esbarram em certos limites, como a incapacidade de mobilização do assalariado rural e a desestruturação dos movimentos sociais nas cidades.

O hiperprecariado urbano tenta se organizar, principalmente através de ocupações de terrenos e edifícios ociosos e da resistência à remoções de favelas e loteamentos irregulares e à expoliação dos trabalhadores informais aqui e ali, mas enfrenta a violência da cidade, as limitações do solo urbano em comparação ao solo rural como fonte de rendimentos e a desarticulação de seus apoiadores provenientes da juventude precária como importantes limites. No mais, algumas das mais importantes organizações dos movimentos do hiperprecariado urbano já começam a ceder à tutela da burocracia partidária-sindical - o que não significa que todas serão, mas indica uma debilidade destes movimentos.

Os jovens precários urbanos (como eu e parte considerável dos leitores do PassaPalavra), com exceção daqueles mobilizados em torno do movimento pelo passe livre e de pré-vestibulares para negros e carentes, têm encontrado, em geral, um ambiente de engajamento político junto aos movimentos protagonizados pelos hiperprecários, mas, é preciso admitir, temos sido incapazes de formular um projeto político revolucionário capaz de estruturar organismos de autorepresentação política consistentes. Acho que as discussões sobre a &quot;mais-valia difusa&quot; que você tem se interessado, sobre o &quot;capital imaterial&quot; e coisas que tais são fundamentais para a formulação desse projeto político. Enfim, tentar entender as contradições da nossa jovem classe média proletarizada, bem como a dos proletários recentemente promovidos à classe média(-baixa) é indispensável. Acho que, antes de mais nada, urge uma boa e bem diversificada análise de conjuntura... Poderíamos lançar o desafio por aqui, não?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parabéns pelo artigo, com essa excelente contextualização das lutas da qual participou o Cesare na Itália e com todas as referências aos autores que intervieram nelas. O documento que você postou ao final, de sua autoria, também me parece muito interessante. Tentarei lê-lo assim que me sobrar um tempinho.</p>
<p>Como o artigo começa por articular a condição do Cesare aos limites da esquerda no Brasil, arriscaria fazer aqui uma &#8220;cartografia&#8221; (não exaustiva, ok Manolo?) dessa esquerda. Limitarei-me também aos movimentos sociais, deixando de lado os partidos e as grandes centrais sindicais. </p>
<p>Temos, hoje, um movimento operário controlado por grandes burocracias sindicais (ou cobiçados por outras mais esquerdistas) e que poderá se mobilizar, eventualmente, em algumas lutas reivindicatórias pontuais, como por um aumento de salário mínimo de 10%, ao invés de 4,5%. É claro que uma mudança de conjuntura econômica nacional para pior tenderia a radicalizar essa fração da classe trabalhadora, mas esse cenário me parece pouco provável para os próximos anos.  </p>
<p>De outro lado, o setor mais organizado da esquerda são os hiperprecários no campo e grupos identitários específicos mobilizados em torno do controle do território, os quais esbarram em certos limites, como a incapacidade de mobilização do assalariado rural e a desestruturação dos movimentos sociais nas cidades.</p>
<p>O hiperprecariado urbano tenta se organizar, principalmente através de ocupações de terrenos e edifícios ociosos e da resistência à remoções de favelas e loteamentos irregulares e à expoliação dos trabalhadores informais aqui e ali, mas enfrenta a violência da cidade, as limitações do solo urbano em comparação ao solo rural como fonte de rendimentos e a desarticulação de seus apoiadores provenientes da juventude precária como importantes limites. No mais, algumas das mais importantes organizações dos movimentos do hiperprecariado urbano já começam a ceder à tutela da burocracia partidária-sindical &#8211; o que não significa que todas serão, mas indica uma debilidade destes movimentos.</p>
<p>Os jovens precários urbanos (como eu e parte considerável dos leitores do PassaPalavra), com exceção daqueles mobilizados em torno do movimento pelo passe livre e de pré-vestibulares para negros e carentes, têm encontrado, em geral, um ambiente de engajamento político junto aos movimentos protagonizados pelos hiperprecários, mas, é preciso admitir, temos sido incapazes de formular um projeto político revolucionário capaz de estruturar organismos de autorepresentação política consistentes. Acho que as discussões sobre a &#8220;mais-valia difusa&#8221; que você tem se interessado, sobre o &#8220;capital imaterial&#8221; e coisas que tais são fundamentais para a formulação desse projeto político. Enfim, tentar entender as contradições da nossa jovem classe média proletarizada, bem como a dos proletários recentemente promovidos à classe média(-baixa) é indispensável. Acho que, antes de mais nada, urge uma boa e bem diversificada análise de conjuntura&#8230; Poderíamos lançar o desafio por aqui, não?</p>
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