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	Comentários sobre: As raízes ideológicas do Brasil Potência: 1) a política da «nação proletária»	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Breno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38251/#comment-312589</link>

		<dc:creator><![CDATA[Breno]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Jan 2017 18:13:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá,
O PP poderia indicar os textos a respeito do Marini a que fez menção nesta seção de comentários?

att.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá,<br />
O PP poderia indicar os textos a respeito do Marini a que fez menção nesta seção de comentários?</p>
<p>att.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38251/#comment-25053</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 May 2011 20:44:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Para mim uma passagem no último comentário do Matheus que mostra bem como está havendo em parte um diálogo de surdos é este aqui: 

&quot;sim, há, no nacionalismo de um Brizola, muito de socialismo reformista. Ele não foi presidente da Internacional Socialista e advogou claramente um programa social-reformista?&quot;

Havia no nacionalismo de Hitler muito de socialismo reformista também.

Sempre comentei com amigos de esquerda que o PDT, embora fizesse aliança eleitoral em geral com os chamados partidos de &#039;esquerda&#039;, para mim tinha ideologicamente um pé na extrema-direita (o que não quer dizer que seus candidatos ou militandes sejam de extrema-direita, longe disso!). O PDT é propriamente o partido que se pode chamar de nacional-socialista, sem base em movimnentos sociais, que nasceu &#039;por cima&#039;. Descendente direto do getulismo, e como Brizola gostava de enfatizar, a verdadeira continuação do PTB de Getúlio Vargas. Não preciso aqui indicar a proximidade da política e ideologia getulista com o fascismo que emergiu mundo afora naquelas décadas. Já é praticamente um lugar-comum.

20 anos atrás, quando eu estava na faculdade, havia um colega de turma que era declaradamente simpatizante de Hitler. Não era um &#039;porra-louca&#039;, ganguista, nem nada do tipo. Era um nazista lúcido. Achava correta várias concepções nazistas. Tão lúcido que até então ele era eleitor do Brizola e do PDT, pois para quem compreendia as concepções fascistas, era onde ele as encontrava de forma mais clara entre todos os partidos. Deixou de ser eleitor do PDT após Brizola apoiar o Collor na época do impeachment. Advinhem para quem ele voltou seu voto? Mostrando coerência e lucidez, como sempre, passou a ser eleitor do Enéas/PRONA.

Escrevo tudo isso para dizer que Matheus parece que não consegue focar no principal dos artigos, e ver o que há de fascismo dentro do que se considera esquerda e de concepções muito bem aceitas em grande parte da esquerda.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para mim uma passagem no último comentário do Matheus que mostra bem como está havendo em parte um diálogo de surdos é este aqui: </p>
<p>&#8220;sim, há, no nacionalismo de um Brizola, muito de socialismo reformista. Ele não foi presidente da Internacional Socialista e advogou claramente um programa social-reformista?&#8221;</p>
<p>Havia no nacionalismo de Hitler muito de socialismo reformista também.</p>
<p>Sempre comentei com amigos de esquerda que o PDT, embora fizesse aliança eleitoral em geral com os chamados partidos de &#8216;esquerda&#8217;, para mim tinha ideologicamente um pé na extrema-direita (o que não quer dizer que seus candidatos ou militandes sejam de extrema-direita, longe disso!). O PDT é propriamente o partido que se pode chamar de nacional-socialista, sem base em movimnentos sociais, que nasceu &#8216;por cima&#8217;. Descendente direto do getulismo, e como Brizola gostava de enfatizar, a verdadeira continuação do PTB de Getúlio Vargas. Não preciso aqui indicar a proximidade da política e ideologia getulista com o fascismo que emergiu mundo afora naquelas décadas. Já é praticamente um lugar-comum.</p>
<p>20 anos atrás, quando eu estava na faculdade, havia um colega de turma que era declaradamente simpatizante de Hitler. Não era um &#8216;porra-louca&#8217;, ganguista, nem nada do tipo. Era um nazista lúcido. Achava correta várias concepções nazistas. Tão lúcido que até então ele era eleitor do Brizola e do PDT, pois para quem compreendia as concepções fascistas, era onde ele as encontrava de forma mais clara entre todos os partidos. Deixou de ser eleitor do PDT após Brizola apoiar o Collor na época do impeachment. Advinhem para quem ele voltou seu voto? Mostrando coerência e lucidez, como sempre, passou a ser eleitor do Enéas/PRONA.</p>
<p>Escrevo tudo isso para dizer que Matheus parece que não consegue focar no principal dos artigos, e ver o que há de fascismo dentro do que se considera esquerda e de concepções muito bem aceitas em grande parte da esquerda.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo Araújo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38251/#comment-25045</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 May 2011 19:35:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu fico impressionado com o fato de os defensores da orientação nacionalista de esquerda não perceberem que ao criticarem a suposta possibilidade única do capitalismo atual, chamado &quot;neoliberalismo&quot;, estão eles a pensarem alternativas possíveis no quadro do próprio capitalismo, onde se continua a extração de mais-valia. Um estudo superficial da história do capitalismo já demostraria que a tese da suposta unicidade do &quot;neoliberalismo&quot; é falha desde antes de nascer. Porque então se focar tanto nisto? Porque tanta cegueira? Será que há falta de exemplos onde o capitalismo permanece, mesmo se alterando suas orientações gerais? O único capitalismo que pode existir é o capitalismo liberal? O corporativismo então corresponde a uma vitória dos trabalhadores?!? Deveriam considerar com mais acuidade o fato de a crítica econômica capitalista de extrema-direita se focar justamente na sua orientação liberal.

Não interessa diretamente a anticapitalistas a melhora pontual nos termos de troca entre as nações, porque mantida a exploração capitalista, mesmo que em nível nacional, se continua a proceder a exploração de classes. O que interessa a anticapitalistas é arrancar melhorias, que interessam muito mais pelo potencial aglutinador e formativo vindos com o processo de luta. As melhorias, partindo desta perspectiva, são mais meios do que fins. Embora tudo que se proceda no campo das orientações do capitalismo altere a vida de todos, não é um espaço onde o anticapitalismo tem chances de sobreviver, pela obvia contradição entre práticas opostas. Como pode um anticapitalista sustentar sua prática anticapitalista na direção de uma instituição capitalista qualquer?! A cobra vai comer o próprio rabo? 
E pior: na história sempre que se evocou o nacionalismo, se procedeu a uma união de classes distintas em torno de objetivos supraclassistas - o famoso bem estar da nação, que tudo comporta -, tornando ainda mais eficientes os mecanismos de recuperação das lutas dos trabalhadores. O estudo da revolução de 1930 e seu desdobramento deveria dizer mais para os que reinvindicam o nacionalismo enquanto orientação das lutas.
E como isto ocorreu aqui, na europa e em outros cantos? Os trabalhadores ao agirem consoante aos interesses das nações, tendo algumas melhorias com conseqüências dúbias, ampliam a capacidade de exploração do seu trabalho na exata medida em que se desarticulam as solidariedades propriamente anticapitalistas.
O chamado populismo Varguista pode ser compreendido dentro deste quadro, onde com o apoio do proletariado há uma intensificação de práticas capitalistas no Brasil.
E o que começou anticapitalismo por parte da esquerda termina se tornando um capitalismo mais forte (e consequentemente mais autoritário).

Os trabalhadores forçam o capitalismo a se modificar por estarem unidos, fortes e a ele se oporem. Solidariedade é uma palavra-chave. No atual estado de coisas esta oposição é fragmentada, mas a evolução destas lutas dispersas vai criando uma solidariedade e uma cultura entre lutadores que tende a crescer na medida em que as lutas evoluem. 

No fundo no fundo, trata-se de qual realidade social iremos construir, se é a realidade de um capitalismo nacional, ou se é a realidade anticapitalista internacional.
Afirmar isto  - e aqui me parece estar uma das principais distorções que é raiz de muito dos erros posteriores - não significa negar a existência de práticas revolucionárias dentro dos movimentos nacionais. Mas as questões partindo do ponto nacionalista se empobrecem, pois se fecham no quem pode manipular melhor as demandas do movimento supraclassistas, os capitalistas ou os anticapitalistas (supondo-se que esta questão esteja em aberto)? Sem falar que só de pensar nestes termos já temos a formação de um caráter que tem um alto potencial corrosivo para as lutas. Além disto, qual é a implicação do fechamento da luta de classes nas fronteiras de uma nação? Qual é o meio de superar o sectarismo próprio do nacionalismo com o fim de promover o internacionalismo anticapitalista?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu fico impressionado com o fato de os defensores da orientação nacionalista de esquerda não perceberem que ao criticarem a suposta possibilidade única do capitalismo atual, chamado &#8220;neoliberalismo&#8221;, estão eles a pensarem alternativas possíveis no quadro do próprio capitalismo, onde se continua a extração de mais-valia. Um estudo superficial da história do capitalismo já demostraria que a tese da suposta unicidade do &#8220;neoliberalismo&#8221; é falha desde antes de nascer. Porque então se focar tanto nisto? Porque tanta cegueira? Será que há falta de exemplos onde o capitalismo permanece, mesmo se alterando suas orientações gerais? O único capitalismo que pode existir é o capitalismo liberal? O corporativismo então corresponde a uma vitória dos trabalhadores?!? Deveriam considerar com mais acuidade o fato de a crítica econômica capitalista de extrema-direita se focar justamente na sua orientação liberal.</p>
<p>Não interessa diretamente a anticapitalistas a melhora pontual nos termos de troca entre as nações, porque mantida a exploração capitalista, mesmo que em nível nacional, se continua a proceder a exploração de classes. O que interessa a anticapitalistas é arrancar melhorias, que interessam muito mais pelo potencial aglutinador e formativo vindos com o processo de luta. As melhorias, partindo desta perspectiva, são mais meios do que fins. Embora tudo que se proceda no campo das orientações do capitalismo altere a vida de todos, não é um espaço onde o anticapitalismo tem chances de sobreviver, pela obvia contradição entre práticas opostas. Como pode um anticapitalista sustentar sua prática anticapitalista na direção de uma instituição capitalista qualquer?! A cobra vai comer o próprio rabo?<br />
E pior: na história sempre que se evocou o nacionalismo, se procedeu a uma união de classes distintas em torno de objetivos supraclassistas &#8211; o famoso bem estar da nação, que tudo comporta -, tornando ainda mais eficientes os mecanismos de recuperação das lutas dos trabalhadores. O estudo da revolução de 1930 e seu desdobramento deveria dizer mais para os que reinvindicam o nacionalismo enquanto orientação das lutas.<br />
E como isto ocorreu aqui, na europa e em outros cantos? Os trabalhadores ao agirem consoante aos interesses das nações, tendo algumas melhorias com conseqüências dúbias, ampliam a capacidade de exploração do seu trabalho na exata medida em que se desarticulam as solidariedades propriamente anticapitalistas.<br />
O chamado populismo Varguista pode ser compreendido dentro deste quadro, onde com o apoio do proletariado há uma intensificação de práticas capitalistas no Brasil.<br />
E o que começou anticapitalismo por parte da esquerda termina se tornando um capitalismo mais forte (e consequentemente mais autoritário).</p>
<p>Os trabalhadores forçam o capitalismo a se modificar por estarem unidos, fortes e a ele se oporem. Solidariedade é uma palavra-chave. No atual estado de coisas esta oposição é fragmentada, mas a evolução destas lutas dispersas vai criando uma solidariedade e uma cultura entre lutadores que tende a crescer na medida em que as lutas evoluem. </p>
<p>No fundo no fundo, trata-se de qual realidade social iremos construir, se é a realidade de um capitalismo nacional, ou se é a realidade anticapitalista internacional.<br />
Afirmar isto  &#8211; e aqui me parece estar uma das principais distorções que é raiz de muito dos erros posteriores &#8211; não significa negar a existência de práticas revolucionárias dentro dos movimentos nacionais. Mas as questões partindo do ponto nacionalista se empobrecem, pois se fecham no quem pode manipular melhor as demandas do movimento supraclassistas, os capitalistas ou os anticapitalistas (supondo-se que esta questão esteja em aberto)? Sem falar que só de pensar nestes termos já temos a formação de um caráter que tem um alto potencial corrosivo para as lutas. Além disto, qual é a implicação do fechamento da luta de classes nas fronteiras de uma nação? Qual é o meio de superar o sectarismo próprio do nacionalismo com o fim de promover o internacionalismo anticapitalista?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Matheus		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38251/#comment-25017</link>

		<dc:creator><![CDATA[Matheus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 May 2011 15:41:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[*Corrigindo:
Por outro lado, os regimes mais próximos do fascismo que existiram na América Latina, as ditaduras militares nos anos 1960-70-80, não eram pró-imperialistas, francamente aliadas dos EUA e não podiam nem queriam recorrer a qualquer mobilização popular? (e não foram estes golpes e regimes que Klaus Barbie, um carrasco nazista que se escondeu na Bolívia, apoiou, chegando a ensinar-lhes técnicas de tortura e organizar esquadrões da morte?)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>*Corrigindo:<br />
Por outro lado, os regimes mais próximos do fascismo que existiram na América Latina, as ditaduras militares nos anos 1960-70-80, não eram pró-imperialistas, francamente aliadas dos EUA e não podiam nem queriam recorrer a qualquer mobilização popular? (e não foram estes golpes e regimes que Klaus Barbie, um carrasco nazista que se escondeu na Bolívia, apoiou, chegando a ensinar-lhes técnicas de tortura e organizar esquadrões da morte?)</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Matheus		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38251/#comment-25016</link>

		<dc:creator><![CDATA[Matheus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 May 2011 15:33:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Já encontrei teses quase que EXATAMENTE iguais às do João Bernardo no livro Império, escrito por Michael Hardt e Antonio Negri, que li há anos atráz. Já tinha, portanto, alguma reflexão sobre o assunto, também amparadas nas severas crítica ao livro de Negri.
Negri e Hardt argumentam a mesma coisa que João Bernardo: que nacionalismo, mesmo o revolucionário, é invariavelmente reacionário e autoritário, que o Estado é uma teia opressora de poderes, que o nacionalismo se torna ainda pior quando se encontra com as formas de movimento popular.
São Negri e Hardt &quot;socialistas libertários&quot;? Longe disso. Slávoj Zizek chamou-os, sarcásticamente, de &quot;liberal-comunistas&quot;, e já li críticos comparando-os a Kautsky e Bernstein. Qual é o motivo para tanta polêmica? Simples: Negri e Hardt se servem, embora de maneira metafórica e analógica, totalmente retirada do contexto científico ou histórico-político original, de uma terminologia marxista-revolucionária para defender que a &quot;nova ordem global&quot;, o capitalismo multinacional, é inevitável e, mais que isso, desejável, pois nos integraria a uma aldeia global. Eles recomendam que a esquerda, ao invéz de se opôr aos processos de desnacionalização, privatização e desregulamentação da economia, deveria se alegrar com eles e se limitar a &quot;ser criativa&quot; em relação ao admirável mundo novo. Garantem eles que mesmo a guerra não é mais administrada por Estados-nação, mas sim por &quot;redes globais descentralizadas de poder&quot;. Além de inútil, o intervencionismo estatal, segundo eles, é daninho, e (aqui entra a argumentação idêntica à do João Bernardo) ele é exclusivamente opressor, mesmo quando se usam as forças do Estado nacional para se resistir ao imperialismo e ao colonialismo. Seria apenas uma troca de opressores extrangeiros por nacionais, uma &quot;dádiva envenenada&quot;. Todos os movimentos de libertação nacional estariam enquadrados nesta teoria dos dois demônios aplicada às relações internacionais, e, agora, seriam invariavelmente fundamentalistas e nostálgicos.
Qual é a alternativa de Negri? Bem, ele faz tudo para não deixar claro, mas esta pegação contra as reivindicações econômicamente nacionalizantes da esquerda e uma apologia da renda mínima (o livro foi escrito quase dez anos antes da ascenção de Lula) no final sugerem o que ele têm em mente: uma política neoliberal assistencialista, que mantenha a política de globalização econômica e contra-reformas sociais, para falar junto com Bourdieu, mas criando alguns instrumentos de atenuação dos efeitos mais brutais desta política. É a mesma ideologia de George Soros e Bill Gates: o capitalismo neoliberal é a única alternativa, mas podemos remediar os males que ele gera.
Tudo isso rendee à Negri convites para a participação do Fórum Econômico de Davos e em outras reuniões da oligarquia financeira mundial, além de notas elogiosas na mass media.
O João Bernardo não nega a existência do imperialismo, é claro, mas em compensação cai no mesmo tipo de caricatura grotesca dos movimentos de libertação nacional (que é uma forma de combatê-los), e esconde a realidade fundamental de que o capitalismo dos países periféricos é dependente, sendo a sua burguesia, portanto, perfeitamente associada ao capital extrangeiro, e não apenas econômicamente. Frequentemente as elites nacionais da América Latina nutrem um ódio racista e elitista contra as camadas populares pobres e mestiças, a quem culpam pelo subdesenvolvimento, justificando, assim, uma prática política oligárquica que evita a mobilização popular que diferencia o fascismo do reacionarismo anterior. Uma prática política fascista no sentido clássico, portanto, encontra sérias limitações, embora a &quot;personalidade autoritária&quot;, tal como analisada por Theodor W. Adorno, seja muito comum, assim como a influência ideológica de ideólogos, líderes e políticos fascistas.
E o ponto principal é: sim, há, no nacionalismo de um Brizola, muito de socialismo reformista. Ele não foi presidente da Internacional Socialista e advogou claramente um programa social-reformista? Do mesmo modo, um socialista revolucionário, como José Carlos Mariátegui, não possuía elementos de um nacionalismo indigenista? Por outro lado, os regimes mais próximos do fascismo que existiram na América Latina, as ditaduras militares nos anos 1960-70-80, não eram pró-imperialistas, francamente aliadas dos EUA e não podiam nem queriam recorrer a qualquer mobilização popular (e não foram estes golpes e regimes que Klaus Barbie, um carrasco nazista que se escondeu na Bolívia, apoiou, chegando a ensinar-lhes técnicas de tortura e organizar esquadrões da morte?).
Meu argumento principal é que essa oposição dogmática entre &quot;nacionalismo&quot; e &quot;classismo&quot; é falsa em se tratando de sociedades pós-coloniais, onde movimentos democrático-populares autônomos (operários, camponeses, indígenas, anti-racistas, ecológicos, etc.) são imediatamente anti-imperialistas. Como diriam os sociólogos históricos estadunidenes, the context matters.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já encontrei teses quase que EXATAMENTE iguais às do João Bernardo no livro Império, escrito por Michael Hardt e Antonio Negri, que li há anos atráz. Já tinha, portanto, alguma reflexão sobre o assunto, também amparadas nas severas crítica ao livro de Negri.<br />
Negri e Hardt argumentam a mesma coisa que João Bernardo: que nacionalismo, mesmo o revolucionário, é invariavelmente reacionário e autoritário, que o Estado é uma teia opressora de poderes, que o nacionalismo se torna ainda pior quando se encontra com as formas de movimento popular.<br />
São Negri e Hardt &#8220;socialistas libertários&#8221;? Longe disso. Slávoj Zizek chamou-os, sarcásticamente, de &#8220;liberal-comunistas&#8221;, e já li críticos comparando-os a Kautsky e Bernstein. Qual é o motivo para tanta polêmica? Simples: Negri e Hardt se servem, embora de maneira metafórica e analógica, totalmente retirada do contexto científico ou histórico-político original, de uma terminologia marxista-revolucionária para defender que a &#8220;nova ordem global&#8221;, o capitalismo multinacional, é inevitável e, mais que isso, desejável, pois nos integraria a uma aldeia global. Eles recomendam que a esquerda, ao invéz de se opôr aos processos de desnacionalização, privatização e desregulamentação da economia, deveria se alegrar com eles e se limitar a &#8220;ser criativa&#8221; em relação ao admirável mundo novo. Garantem eles que mesmo a guerra não é mais administrada por Estados-nação, mas sim por &#8220;redes globais descentralizadas de poder&#8221;. Além de inútil, o intervencionismo estatal, segundo eles, é daninho, e (aqui entra a argumentação idêntica à do João Bernardo) ele é exclusivamente opressor, mesmo quando se usam as forças do Estado nacional para se resistir ao imperialismo e ao colonialismo. Seria apenas uma troca de opressores extrangeiros por nacionais, uma &#8220;dádiva envenenada&#8221;. Todos os movimentos de libertação nacional estariam enquadrados nesta teoria dos dois demônios aplicada às relações internacionais, e, agora, seriam invariavelmente fundamentalistas e nostálgicos.<br />
Qual é a alternativa de Negri? Bem, ele faz tudo para não deixar claro, mas esta pegação contra as reivindicações econômicamente nacionalizantes da esquerda e uma apologia da renda mínima (o livro foi escrito quase dez anos antes da ascenção de Lula) no final sugerem o que ele têm em mente: uma política neoliberal assistencialista, que mantenha a política de globalização econômica e contra-reformas sociais, para falar junto com Bourdieu, mas criando alguns instrumentos de atenuação dos efeitos mais brutais desta política. É a mesma ideologia de George Soros e Bill Gates: o capitalismo neoliberal é a única alternativa, mas podemos remediar os males que ele gera.<br />
Tudo isso rendee à Negri convites para a participação do Fórum Econômico de Davos e em outras reuniões da oligarquia financeira mundial, além de notas elogiosas na mass media.<br />
O João Bernardo não nega a existência do imperialismo, é claro, mas em compensação cai no mesmo tipo de caricatura grotesca dos movimentos de libertação nacional (que é uma forma de combatê-los), e esconde a realidade fundamental de que o capitalismo dos países periféricos é dependente, sendo a sua burguesia, portanto, perfeitamente associada ao capital extrangeiro, e não apenas econômicamente. Frequentemente as elites nacionais da América Latina nutrem um ódio racista e elitista contra as camadas populares pobres e mestiças, a quem culpam pelo subdesenvolvimento, justificando, assim, uma prática política oligárquica que evita a mobilização popular que diferencia o fascismo do reacionarismo anterior. Uma prática política fascista no sentido clássico, portanto, encontra sérias limitações, embora a &#8220;personalidade autoritária&#8221;, tal como analisada por Theodor W. Adorno, seja muito comum, assim como a influência ideológica de ideólogos, líderes e políticos fascistas.<br />
E o ponto principal é: sim, há, no nacionalismo de um Brizola, muito de socialismo reformista. Ele não foi presidente da Internacional Socialista e advogou claramente um programa social-reformista? Do mesmo modo, um socialista revolucionário, como José Carlos Mariátegui, não possuía elementos de um nacionalismo indigenista? Por outro lado, os regimes mais próximos do fascismo que existiram na América Latina, as ditaduras militares nos anos 1960-70-80, não eram pró-imperialistas, francamente aliadas dos EUA e não podiam nem queriam recorrer a qualquer mobilização popular (e não foram estes golpes e regimes que Klaus Barbie, um carrasco nazista que se escondeu na Bolívia, apoiou, chegando a ensinar-lhes técnicas de tortura e organizar esquadrões da morte?).<br />
Meu argumento principal é que essa oposição dogmática entre &#8220;nacionalismo&#8221; e &#8220;classismo&#8221; é falsa em se tratando de sociedades pós-coloniais, onde movimentos democrático-populares autônomos (operários, camponeses, indígenas, anti-racistas, ecológicos, etc.) são imediatamente anti-imperialistas. Como diriam os sociólogos históricos estadunidenes, the context matters.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38251/#comment-23745</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Apr 2011 02:37:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[(Este comentário deveria estar aqui, e não no &quot;Nunca antes...&quot;. Errei de janela ao publicá-lo.)

Pergunto ao Matheus se notou que o artigo é divido em &lt;em&gt;partes&lt;/em&gt;, e que esta é a &lt;em&gt;primeira&lt;/em&gt;, pois sua crítica, além de querer impor métodos ao autor, antevê o que sequer foi publicado. E se percebeu que este artigo é parte de uma &lt;em&gt;série&lt;/em&gt;, que contem (e conterá) diversos artigos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Este comentário deveria estar aqui, e não no &#8220;Nunca antes&#8230;&#8221;. Errei de janela ao publicá-lo.)</p>
<p>Pergunto ao Matheus se notou que o artigo é divido em <em>partes</em>, e que esta é a <em>primeira</em>, pois sua crítica, além de querer impor métodos ao autor, antevê o que sequer foi publicado. E se percebeu que este artigo é parte de uma <em>série</em>, que contem (e conterá) diversos artigos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38251/#comment-23731</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 22:23:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Matheus,

Divirjo da sua interpretação do texto sobre ter posto ou não a origem do anti-imperialismo brasileiro na idéia de &#039;nação proletária&#039;. Mas como já apontei, o que importa é no texto e para discussão a meu ver é outra coisa: &quot;o discurso nacionalista e anti-imperialista bastante presente em grande parte da esquerda brasileira (e não só brasileira), possuiu ou não possui elementos que levam a uma concepção fascista? Basta ver a defesa que pessoas influentes na esquerda possuem em relação a regimes e estadistas de países que eles consideram anti-imperialistas, deixando em segundo, terceiro ou nenhum plano a movimentação da classes trabalhadoras nesses países como parâmetro para nortear suas opiniões. &quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Matheus,</p>
<p>Divirjo da sua interpretação do texto sobre ter posto ou não a origem do anti-imperialismo brasileiro na idéia de &#8216;nação proletária&#8217;. Mas como já apontei, o que importa é no texto e para discussão a meu ver é outra coisa: &#8220;o discurso nacionalista e anti-imperialista bastante presente em grande parte da esquerda brasileira (e não só brasileira), possuiu ou não possui elementos que levam a uma concepção fascista? Basta ver a defesa que pessoas influentes na esquerda possuem em relação a regimes e estadistas de países que eles consideram anti-imperialistas, deixando em segundo, terceiro ou nenhum plano a movimentação da classes trabalhadoras nesses países como parâmetro para nortear suas opiniões. &#8220;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38251/#comment-23696</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 12:24:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=38251#comment-23696</guid>

					<description><![CDATA[Gustavo,
O autor de um artigo tem sobre os comentadores a apreciável vantagem de ter sido ele a escrever o artigo, portanto acho que o autor não deve abusar dos comentários. Mas como você me fez uma pergunta, tenho de responder. Na minha opinião, sempre que o nacionalismo permeia o movimento operário, o fascismo não anda longe. Não é o nacionalismo conservador que é fascista. Fascista é o nacionalismo que adquiriu a dinâmica do movimento operário. Foi esta a operação que Corradini conseguiu abrindo o seu Partido Nacionalista à aliança com os sindicalistas revolucionários, e que Mussolini prosseguiu depois com os &lt;em&gt;fasci di combattimento&lt;/em&gt;, e que D’Annunzio instalou, pela primeira vez na história, em Fiume. O conceito de «nação proletária» — que, repito, foi e é o conceito fundamental de todo o fascismo — reúne terminologicamente essas duas componentes sociais, o nacionalismo e o movimento operário. Mas depois de 1945 só os bandos de lunáticos ousam proclamar-se como fascistas. O que desde então tem proliferado é um fascismo sem nome, precisamente por isso muito mais difícil de identificar. E que reluta em ser identificado.
De qualquer modo, vendo o debate, acho que este artigo contribuiu para que várias posições se afirmassem de maneira clara. O objectivo era este. E ainda a procissão vai no adro...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gustavo,<br />
O autor de um artigo tem sobre os comentadores a apreciável vantagem de ter sido ele a escrever o artigo, portanto acho que o autor não deve abusar dos comentários. Mas como você me fez uma pergunta, tenho de responder. Na minha opinião, sempre que o nacionalismo permeia o movimento operário, o fascismo não anda longe. Não é o nacionalismo conservador que é fascista. Fascista é o nacionalismo que adquiriu a dinâmica do movimento operário. Foi esta a operação que Corradini conseguiu abrindo o seu Partido Nacionalista à aliança com os sindicalistas revolucionários, e que Mussolini prosseguiu depois com os <em>fasci di combattimento</em>, e que D’Annunzio instalou, pela primeira vez na história, em Fiume. O conceito de «nação proletária» — que, repito, foi e é o conceito fundamental de todo o fascismo — reúne terminologicamente essas duas componentes sociais, o nacionalismo e o movimento operário. Mas depois de 1945 só os bandos de lunáticos ousam proclamar-se como fascistas. O que desde então tem proliferado é um fascismo sem nome, precisamente por isso muito mais difícil de identificar. E que reluta em ser identificado.<br />
De qualquer modo, vendo o debate, acho que este artigo contribuiu para que várias posições se afirmassem de maneira clara. O objectivo era este. E ainda a procissão vai no adro&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38251/#comment-23652</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 04:22:29 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=38251#comment-23652</guid>

					<description><![CDATA[João Bernardo, 
Há alguns meses tive uma discussão com amigos sobre temas parecidos com os que você nos brinda nesse artigo.
A grosso modo, a discussão se dividiu entre os &quot;nacionalistas&quot; e os &quot;classistas&quot;.

Os classistas dizem que o nacionalismo e o foco no Estado-nação escamoteiam o foco principal que seriam as lutas de classes. E, segundo, dizem que apostar no Estado nacional (que seria o lugar da silenciosa multiplicação do poder, expressão sua!) seria uma auto-condenação ao fascismo. Eu concordo com essas preocupações e acho que elas podem mesmo levar a resultados desastrosos, mas, de forma alguma, consigo abandonar o nacionalismo.

Eu sei que a questão é muito mais complexa, mas me parece que você faz uma relação automática (o Matheus falou em dogmatismo) entre nacionalismo e fascismo. Ou seja, todo nacionalismo é o gérmem do fascismo? Você não enxerga diferença alguma entre nacionalismos e nacionalismos? O nacionalismo é algo do qual a esquerda deve se livrar? Na falta de uma expressão melhor, o que você acha da possibilidade de um nacionalismo revolucionário? Sendo que este nacionalismo revolucionário tem por objetivo se opor às nações hegemônicas, mas claro, não esquecerá dos conflitos internos e da também necessária oposição à burguesia interna (no caso, as empresas brasileiras que se fortalecem e se transnacionalizam).

Concordo em muito com o que o Matheus vem escrevendo e acho que são muitos os exemplos históricos em que o nacionalismo resultou em importantes movimentos de contestação e de luta por uma sociedade anti/pós capitalista.

Para mim a nação é ainda um mote aglutinador de lutas, pois os povos submetidos e subjugados possuem uma identificação com seu território (seu espaço de resistência), no sentido de protegê-lo e fazê-lo prosperar. Isso por acaso significa que automática e necessariamente um esforço nacionalista desaguará em fascismos?

Do mesmo modo, o Estado nacional pode desempenhar funções e praticar políticas sócio-econômicas que contribuam com o fortalecimento da democracia e da organização popular. 
Do mesmo modo, os Estados nacionais existem e não estão completamente submetidos às empresas transnacionais, tendo dessa forma, força para se opor às nações centrais e propor o novo. Tanto é que os governos dos países centrais se escandalizam com qualquer eleição em que o candidato mesmo sendo de centro-esquerda tenha chances de vitória. O imperialismo vê aí seus interesses ameaçados, ainda que parcialmente, e conclama toda a direita a iniciar uma campanha difamatória e golpista.

Talvez eu seja um dos &quot;veneradores de santos&quot; e/ou esteja ainda preso ao &quot;Estado restrito&quot;, mas acho que tanto os esforços classistas como os esforços da nação e do nacionalismo são capazes de frutificar experiências libertárias.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo,<br />
Há alguns meses tive uma discussão com amigos sobre temas parecidos com os que você nos brinda nesse artigo.<br />
A grosso modo, a discussão se dividiu entre os &#8220;nacionalistas&#8221; e os &#8220;classistas&#8221;.</p>
<p>Os classistas dizem que o nacionalismo e o foco no Estado-nação escamoteiam o foco principal que seriam as lutas de classes. E, segundo, dizem que apostar no Estado nacional (que seria o lugar da silenciosa multiplicação do poder, expressão sua!) seria uma auto-condenação ao fascismo. Eu concordo com essas preocupações e acho que elas podem mesmo levar a resultados desastrosos, mas, de forma alguma, consigo abandonar o nacionalismo.</p>
<p>Eu sei que a questão é muito mais complexa, mas me parece que você faz uma relação automática (o Matheus falou em dogmatismo) entre nacionalismo e fascismo. Ou seja, todo nacionalismo é o gérmem do fascismo? Você não enxerga diferença alguma entre nacionalismos e nacionalismos? O nacionalismo é algo do qual a esquerda deve se livrar? Na falta de uma expressão melhor, o que você acha da possibilidade de um nacionalismo revolucionário? Sendo que este nacionalismo revolucionário tem por objetivo se opor às nações hegemônicas, mas claro, não esquecerá dos conflitos internos e da também necessária oposição à burguesia interna (no caso, as empresas brasileiras que se fortalecem e se transnacionalizam).</p>
<p>Concordo em muito com o que o Matheus vem escrevendo e acho que são muitos os exemplos históricos em que o nacionalismo resultou em importantes movimentos de contestação e de luta por uma sociedade anti/pós capitalista.</p>
<p>Para mim a nação é ainda um mote aglutinador de lutas, pois os povos submetidos e subjugados possuem uma identificação com seu território (seu espaço de resistência), no sentido de protegê-lo e fazê-lo prosperar. Isso por acaso significa que automática e necessariamente um esforço nacionalista desaguará em fascismos?</p>
<p>Do mesmo modo, o Estado nacional pode desempenhar funções e praticar políticas sócio-econômicas que contribuam com o fortalecimento da democracia e da organização popular.<br />
Do mesmo modo, os Estados nacionais existem e não estão completamente submetidos às empresas transnacionais, tendo dessa forma, força para se opor às nações centrais e propor o novo. Tanto é que os governos dos países centrais se escandalizam com qualquer eleição em que o candidato mesmo sendo de centro-esquerda tenha chances de vitória. O imperialismo vê aí seus interesses ameaçados, ainda que parcialmente, e conclama toda a direita a iniciar uma campanha difamatória e golpista.</p>
<p>Talvez eu seja um dos &#8220;veneradores de santos&#8221; e/ou esteja ainda preso ao &#8220;Estado restrito&#8221;, mas acho que tanto os esforços classistas como os esforços da nação e do nacionalismo são capazes de frutificar experiências libertárias.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Xavier		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38251/#comment-23637</link>

		<dc:creator><![CDATA[Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 02:15:38 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=38251#comment-23637</guid>

					<description><![CDATA[Olá,

Reproduzo abaixo a reportagem, mesmo que um pouco extensa, publicada por esses dias. 

De um &quot;doutorado marxista contra o colonialismo e o imperialismo&quot; ao papel de ditador da Costa do Marfim realmente não existe uma linha única e necessária. Cabe ressaltar, no entanto, que os argumentos apresentados pelo texto João Bernardo são fundamentais sim para que nós possamos perceber a relevância de um debate acerca dos aspectos ideológicos do nacionalismo na dita &quot;esquerda anti-imperialista&quot;.

Fica a dica.


***


13/4/2011
 

Em 1979, o &quot;estudante&quot; Gbagbo apresentava sua tese marxista
 
“Talvez a qualidade dominante seja a personalidade. O candidato refletiu muito, tem uma opinião precisa e como um todo a emite com firmeza”. O “candidato” em questão se chamava Laurent Gbagbo. Era 22 de junho de 1979 na Universidade Paris 8-Jussieu, e uma banca examinadora de três historiadores saudou dessa forma a tese de doutorado apresentada por esse estudante já com 34 anos, intitulada “As causas socioeconômicas da política marfinense (1940-1960)”.

A reportagem é de Philippe Bernard, publicada pelo Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 13-04-2011.

Catherine Coquery-Vidrovitch, André Nouschi e Jean-Pierre Raison não sabiam que estavam atribuindo a menção “muito bom” ao futuro mau perdedor das eleições presidenciais marfinenses de 2010. Eles se contentaram em lamentar “um tom um tanto polêmico” que “por vezes prejudicou a qualidade do conjunto”. E observaram que a defesa foi seguida por “uma discussão interessante e animada, onde o candidato demonstrou grandes qualidades de exposição e de ‘orador’”. Foi um “acontecimento militante”, lembraria em 2003 o presidente marfinense.

Em 1979, o doutorando Gbagbo há muito já não era um estudante como os outros. Professor de História no liceu clássico de Abidjan desde 1970, impregnado de marxismo e opositor ao partido único do presidente Houphouët-Boigny, ele foi detido várias vezes por “ensino subversivo”.

“Burguesia rural”

Depois de sua tese ele voltou a Abidjan e fundou de forma clandestina a futura Frente Popular Marfinense (FPI), mas teve de se exilar novamente em Paris em 1982, acusado de coordenar um “complô de professores”. Foi em Paris que ele se hospedou, durante cinco anos, no apartamento de dois cômodos em Ivry-sur-Seine (departamento de Val-de-Marne) de Guy Labertit, professor de espanhol, futuro “Sr. África” do Partido Socialista e desde então defensor indefectível do camarada Laurent.

Sua pesquisa universitária de 1979, consultada pelo “Le Monde”, mencionava a base ideológica da FPI anterior à derrapagem xenófoba que a dominou duas décadas mais tarde. Os últimos brilhos de uma Costa do Marfim colonial são analisados ali por meio de uma retórica marxista que, através da evolução das estruturas agrícolas e comerciais, visa denunciar em Houphouët-Boigny o perpetuador da submissão ao imperialismo francês.

O primeiro presidente marfinense, que foi ministro da Quarta República Francesa, é apresentado por Gbagbo como “o representante de uma burguesia rural [marfinense] que não tem interesse em romper com a ordem colonial, pois precisa disso para escoar seus produtos agrícolas que não têm mercado interno”.

O Partido Democrático da Costa do Marfim (PDCI) de Houphouët, “ao pactuar com o ocupante [francês] e ao adotar as palavras de ordem colaboracionistas, permitiu a segunda pacificação e instaurou um ambiente político propício à exploração econômica de tipo neocolonial”, diz a tese. Já o ensino dispensado pelos franceses “permite que a administração colonial pratique em uma ampla escala o genocídio cultural que antecede o confisco do pensamento dos povos submissos”.

Uma vez no poder, Gbagbo ali se manteve, impregnado de referências históricas. Em 2004, quando o socialista francês Henri Emmanuelli lhe sugeriu para acalmar os “patriotas”, jovens que ele incitou contra a França e seus soldados, ele respondeu: “Meu caro Henri, por acaso seus sans-culottes eram cavalheiros?”. Há alguns dias, sitiado em Abidjan dentro de sua residência fortificada, era ainda com o “julgamento da História” que ele contava.

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&#038;Itemid=18&#038;task=detalhe&#038;id=42377]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá,</p>
<p>Reproduzo abaixo a reportagem, mesmo que um pouco extensa, publicada por esses dias. </p>
<p>De um &#8220;doutorado marxista contra o colonialismo e o imperialismo&#8221; ao papel de ditador da Costa do Marfim realmente não existe uma linha única e necessária. Cabe ressaltar, no entanto, que os argumentos apresentados pelo texto João Bernardo são fundamentais sim para que nós possamos perceber a relevância de um debate acerca dos aspectos ideológicos do nacionalismo na dita &#8220;esquerda anti-imperialista&#8221;.</p>
<p>Fica a dica.</p>
<p>***</p>
<p>13/4/2011</p>
<p>Em 1979, o &#8220;estudante&#8221; Gbagbo apresentava sua tese marxista</p>
<p>“Talvez a qualidade dominante seja a personalidade. O candidato refletiu muito, tem uma opinião precisa e como um todo a emite com firmeza”. O “candidato” em questão se chamava Laurent Gbagbo. Era 22 de junho de 1979 na Universidade Paris 8-Jussieu, e uma banca examinadora de três historiadores saudou dessa forma a tese de doutorado apresentada por esse estudante já com 34 anos, intitulada “As causas socioeconômicas da política marfinense (1940-1960)”.</p>
<p>A reportagem é de Philippe Bernard, publicada pelo Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 13-04-2011.</p>
<p>Catherine Coquery-Vidrovitch, André Nouschi e Jean-Pierre Raison não sabiam que estavam atribuindo a menção “muito bom” ao futuro mau perdedor das eleições presidenciais marfinenses de 2010. Eles se contentaram em lamentar “um tom um tanto polêmico” que “por vezes prejudicou a qualidade do conjunto”. E observaram que a defesa foi seguida por “uma discussão interessante e animada, onde o candidato demonstrou grandes qualidades de exposição e de ‘orador’”. Foi um “acontecimento militante”, lembraria em 2003 o presidente marfinense.</p>
<p>Em 1979, o doutorando Gbagbo há muito já não era um estudante como os outros. Professor de História no liceu clássico de Abidjan desde 1970, impregnado de marxismo e opositor ao partido único do presidente Houphouët-Boigny, ele foi detido várias vezes por “ensino subversivo”.</p>
<p>“Burguesia rural”</p>
<p>Depois de sua tese ele voltou a Abidjan e fundou de forma clandestina a futura Frente Popular Marfinense (FPI), mas teve de se exilar novamente em Paris em 1982, acusado de coordenar um “complô de professores”. Foi em Paris que ele se hospedou, durante cinco anos, no apartamento de dois cômodos em Ivry-sur-Seine (departamento de Val-de-Marne) de Guy Labertit, professor de espanhol, futuro “Sr. África” do Partido Socialista e desde então defensor indefectível do camarada Laurent.</p>
<p>Sua pesquisa universitária de 1979, consultada pelo “Le Monde”, mencionava a base ideológica da FPI anterior à derrapagem xenófoba que a dominou duas décadas mais tarde. Os últimos brilhos de uma Costa do Marfim colonial são analisados ali por meio de uma retórica marxista que, através da evolução das estruturas agrícolas e comerciais, visa denunciar em Houphouët-Boigny o perpetuador da submissão ao imperialismo francês.</p>
<p>O primeiro presidente marfinense, que foi ministro da Quarta República Francesa, é apresentado por Gbagbo como “o representante de uma burguesia rural [marfinense] que não tem interesse em romper com a ordem colonial, pois precisa disso para escoar seus produtos agrícolas que não têm mercado interno”.</p>
<p>O Partido Democrático da Costa do Marfim (PDCI) de Houphouët, “ao pactuar com o ocupante [francês] e ao adotar as palavras de ordem colaboracionistas, permitiu a segunda pacificação e instaurou um ambiente político propício à exploração econômica de tipo neocolonial”, diz a tese. Já o ensino dispensado pelos franceses “permite que a administração colonial pratique em uma ampla escala o genocídio cultural que antecede o confisco do pensamento dos povos submissos”.</p>
<p>Uma vez no poder, Gbagbo ali se manteve, impregnado de referências históricas. Em 2004, quando o socialista francês Henri Emmanuelli lhe sugeriu para acalmar os “patriotas”, jovens que ele incitou contra a França e seus soldados, ele respondeu: “Meu caro Henri, por acaso seus sans-culottes eram cavalheiros?”. Há alguns dias, sitiado em Abidjan dentro de sua residência fortificada, era ainda com o “julgamento da História” que ele contava.</p>
<p><a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&#038;Itemid=18&#038;task=detalhe&#038;id=42377" rel="nofollow ugc">http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&#038;Itemid=18&#038;task=detalhe&#038;id=42377</a></p>
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