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	Comentários sobre: As raízes ideológicas do Brasil Potência: 2) a economia da «nação proletária»	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38257/#comment-25952</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 May 2011 15:29:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Matheus, repito aqui as perguntas que lhe fiz nos comentários a outro artigo:

a) Qual sua posição sobre as afirmações de economistas a respeito do mercado interno brasileiro, que, para eles, teria sido uma, senão a principal, tábua de salvação do país durante a crise de 2008 (que só afetou diretamente o país por três meses)?
b) Qual sua posição a respeito da afirmação da Royal Society, de que o Brasil é “potência emergente” no campo científico, mencionada comentários acima inclusive com endereçamento para o relatório completo?
c) Qual sua posição a respeito do papel do BNDES e dos fundos de pensão (PREVI, PETROS etc.) como motores da economia brasileira — e, portanto, de sua expansão para outros países menos industrializados?
d) Qual sua posição sobre as investidas de transnacionais de origem brasileira sobre economias africanas, onde disputam mercado com empresas chinesas?
e) Na sua opinião, a finada Área de Livre Comércio das Américas era uma imposição dos EUA ou um tratado multilateral de comércio?
f) Na sua opinião, “colonização” e “imperialismo” são termos sinônimos? Do contrário, o que os diferencia?
g) Qual a sua opinião sobre o conceito de socialismo tal como definido no 3º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT)?
h) Qual a sua opinião sobre o tamanho do parque industrial do Brasil comparado com aqueles dos demais países da América do Norte, Central e do Sul?

A estas, adiciono uma nova: você conhece as posições de Marx sobre o livre-câmbio?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Matheus, repito aqui as perguntas que lhe fiz nos comentários a outro artigo:</p>
<p>a) Qual sua posição sobre as afirmações de economistas a respeito do mercado interno brasileiro, que, para eles, teria sido uma, senão a principal, tábua de salvação do país durante a crise de 2008 (que só afetou diretamente o país por três meses)?<br />
b) Qual sua posição a respeito da afirmação da Royal Society, de que o Brasil é “potência emergente” no campo científico, mencionada comentários acima inclusive com endereçamento para o relatório completo?<br />
c) Qual sua posição a respeito do papel do BNDES e dos fundos de pensão (PREVI, PETROS etc.) como motores da economia brasileira — e, portanto, de sua expansão para outros países menos industrializados?<br />
d) Qual sua posição sobre as investidas de transnacionais de origem brasileira sobre economias africanas, onde disputam mercado com empresas chinesas?<br />
e) Na sua opinião, a finada Área de Livre Comércio das Américas era uma imposição dos EUA ou um tratado multilateral de comércio?<br />
f) Na sua opinião, “colonização” e “imperialismo” são termos sinônimos? Do contrário, o que os diferencia?<br />
g) Qual a sua opinião sobre o conceito de socialismo tal como definido no 3º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT)?<br />
h) Qual a sua opinião sobre o tamanho do parque industrial do Brasil comparado com aqueles dos demais países da América do Norte, Central e do Sul?</p>
<p>A estas, adiciono uma nova: você conhece as posições de Marx sobre o livre-câmbio?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: bruno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38257/#comment-25928</link>

		<dc:creator><![CDATA[bruno]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 May 2011 23:08:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Apenas vou voltando a ler as discussoes suscitadas pelo artigo de abertura desta série. É incrível como se pode aprender num espaco como esse. Carlos Soares, comparto o mesmo drama que voce...estaremos com nossas bússolas desorientadas? Em muitos pontos creio que as observacoes do Matheus e JB se complementam, mas ainda preciso sistematizar as ideias. Sugiro ao coletivo PassaPalavra um texto único que sistematize os debates travados aqui sobre o &quot;Brasil-potencia&quot;. Seria de grande utilidade para esclarecer muitos pontos relacionados ao debate classe x nacao.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apenas vou voltando a ler as discussoes suscitadas pelo artigo de abertura desta série. É incrível como se pode aprender num espaco como esse. Carlos Soares, comparto o mesmo drama que voce&#8230;estaremos com nossas bússolas desorientadas? Em muitos pontos creio que as observacoes do Matheus e JB se complementam, mas ainda preciso sistematizar as ideias. Sugiro ao coletivo PassaPalavra um texto único que sistematize os debates travados aqui sobre o &#8220;Brasil-potencia&#8221;. Seria de grande utilidade para esclarecer muitos pontos relacionados ao debate classe x nacao.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38257/#comment-25087</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 May 2011 01:03:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Carlos Soares,
Tenho escrito e falado muito acerca do fascismo e em lado nenhum pretendi que exista qualquer correspondência automática entre nacionalismo e fascismo. Na minha opinião, o risco do fascismo só começa — e sublinho começa — quando o nacionalismo penetra no movimento operário; ou, simetricamente, quando o movimento operário faz ecoar os seus temas na direita conservadora. É exclusivamente disto que se trata. E é por isso que o nacionalismo é muitíssimo mais perigoso na esquerda do que na direita.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carlos Soares,<br />
Tenho escrito e falado muito acerca do fascismo e em lado nenhum pretendi que exista qualquer correspondência automática entre nacionalismo e fascismo. Na minha opinião, o risco do fascismo só começa — e sublinho começa — quando o nacionalismo penetra no movimento operário; ou, simetricamente, quando o movimento operário faz ecoar os seus temas na direita conservadora. É exclusivamente disto que se trata. E é por isso que o nacionalismo é muitíssimo mais perigoso na esquerda do que na direita.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Carlos Soares		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38257/#comment-25077</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 May 2011 23:57:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=38257#comment-25077</guid>

					<description><![CDATA[Aproveito para divulgar revista e artigo. Ainda não li, mas pode ajudar em nosso debate:

Título do artigo: &quot;Honestamente contraditória: uma visão latino-americana do fascismo&quot; - Fabrizio Rigout.

Endereço:

http://periodicos.incubadora.ufsc.br/index.php/emdebate/article/view/644/712]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aproveito para divulgar revista e artigo. Ainda não li, mas pode ajudar em nosso debate:</p>
<p>Título do artigo: &#8220;Honestamente contraditória: uma visão latino-americana do fascismo&#8221; &#8211; Fabrizio Rigout.</p>
<p>Endereço:</p>
<p><a href="http://periodicos.incubadora.ufsc.br/index.php/emdebate/article/view/644/712" rel="nofollow ugc">http://periodicos.incubadora.ufsc.br/index.php/emdebate/article/view/644/712</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Carlos Soares		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38257/#comment-25076</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 May 2011 23:53:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Leio os artigos do João Bernardo e concordo, aprendo muito; agora leio os comentários e algumas das críticas do Matheus e também concordo. 
O que será que se passa comigo? Sou um incoerente? Um eclético sem rumo? 

Sinceramente, reconheço o perigo de transpor para a nação a luta de classes; mas também vejo que existem nacionalismos e nacionalismos e não vejo automatismos entre nacionalismo e fascismo. Para mim, nem sempre o nacionalismo é acompanhado de perto do fascismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leio os artigos do João Bernardo e concordo, aprendo muito; agora leio os comentários e algumas das críticas do Matheus e também concordo.<br />
O que será que se passa comigo? Sou um incoerente? Um eclético sem rumo? </p>
<p>Sinceramente, reconheço o perigo de transpor para a nação a luta de classes; mas também vejo que existem nacionalismos e nacionalismos e não vejo automatismos entre nacionalismo e fascismo. Para mim, nem sempre o nacionalismo é acompanhado de perto do fascismo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38257/#comment-25049</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 May 2011 20:12:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=38257#comment-25049</guid>

					<description><![CDATA[Embora eu tivesse prevenido que não iria perder mais tempo com Matheus, não resisto a observar que no seu nacionalismo aflito e aflitivo ele parece um personagem inventado por mim, para ilustrar o principal eixo de raciocínio destes dois artigos, o da génese e das implicações de um dado tipo de nacionalismo terceiro-mundista. Escreve Matheus no seu último comentário: «Muitos supostos exemplos de imperialismo dados aqui são na verdade exemplos de qualquer política externa mínimamente independente». Pois é. É exactamente isso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Embora eu tivesse prevenido que não iria perder mais tempo com Matheus, não resisto a observar que no seu nacionalismo aflito e aflitivo ele parece um personagem inventado por mim, para ilustrar o principal eixo de raciocínio destes dois artigos, o da génese e das implicações de um dado tipo de nacionalismo terceiro-mundista. Escreve Matheus no seu último comentário: «Muitos supostos exemplos de imperialismo dados aqui são na verdade exemplos de qualquer política externa mínimamente independente». Pois é. É exactamente isso.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Matheus		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38257/#comment-25008</link>

		<dc:creator><![CDATA[Matheus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 May 2011 14:22:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como assim eu &quot;distorço&quot; o que tu escrevestes? O tema não eram &quot;as raízes ideológicas do Brasil potência&quot;? Então, nada mais óbvio que a objeção de que a pesquisa deveria começar pela análise da história intelectual brasileira, para depois determinar se a origem é exógena ou endógena, e, mesmo se a origem for exógena, estudar como se deu a recepção destas idéias no contexto histórico-geográfico. Até fiz sugestões por onde começar: &quot;Brasil Potência&quot;, &quot;Brasil Grande&quot;, &quot;Brasil, ame-o ou deixe-o&quot;. Pesquise a origem destas expressões exatas, e verão que elas nada têm a ver com &quot;nação proletária&quot;, e muito menos com o nacionalismo revolucionário. Sugeri algumas linhas, levantei estas objeções, e a resposta que eu recebi é que na próxima parte teriam respostas. E não tiveram. A segunda parte de &quot;as raízes ideológicas do Brasil potência&quot; insiste no mesmo erro, que se resumem em uma dedução das seguintes hipóteses, todas infundadas:
1) a ideologia do Brasil potência se fundamenta em uma noção de &quot;nação proletária&quot;.
2) a ideologia do Brasil potência foi importada da Europa (de Corradini, Manoilescu e dos fascistas japoneses).
3) a ideologia do Brasil potência foi criada pela centro-esquerda brasileira, em especial o CEPAL.
4) a ideologia do Brasil potência era, teórica e práticamente, um &quot;imperialismo anti-imperialista&quot; (um oxímorom, enfim).
Lendo Oliveira Viana, Joaquim Nabuco, Caio Prado Júnior, Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda, Nelson Werneck Sodré, Raymundo Faoro, Celso Furtado, Ruy Mauro Marini, José Carlos Mariátegui,Florestan Fernandes, Atílio Borón e Darcy Ribeiro, confesso que nunca achei os postulados do que o João Bernardo chama de &quot;tese da nação proletária&quot;: negação da luta de classes no interior das sociedades periféricas da economia-mundo capitalista; redução de todas as contradições sociais ao conflito nacional vs. imperialismo; intervênção baseada em um nacionalismo econômico corporativista e tendendo ao expansionismo, de estilo fascista; e, finalmente, o ponto mais caricaturesco da tese, o &quot;se fazer de coitadinho&quot;. Por outro lado, a verdadeira ideologia do Brasil potência, propagandeada e aplicada pela ditadura civil-militar, também se mantém distante da &quot;tese da nação proletária&quot;, que, pelo meu conhecimento histórico, não era muito importante nem mesmo Europa da qual se originou. A ideologia do Brasil potência propunha uma sociedade brasileira hierarquizada, cristã e capitalista, alinhada aos EUA contra o &quot;perigo vermelho&quot;, embora exercendo uma influência continental decisiva na América do Sul (e, num futuro distante, no mundo). Seu método de ação, aliás, era mais o golpismo e o governo tecnocrático que a mobilização popular dos ditadores fascistas.
Se o alvo seria a política externa do governo Lula, por que recorrer à retórica do &quot;Brasil potência&quot;, da ditadura militar? Muitos supostos exemplos de imperialismo dados aqui são na verdade exemplos de qualquer política externa mínimamente independente. O subimperialismo brasileiro não exclui a dependência econômica ou a articulação com os EUA. Na verdade, NECESSITA do aval estadunidense (e agora chinês e europeu) para exercer uma influência regional que, diga-se passagem, é muito limitada pela Argentina e pela Venezuela. Quando Evo Moralez nacionalizou as empresas brasileiras de petróleo e gás na Bolívia, a reação no Brasil não foi acusar o presidente boliviano de agente de Washingtom: pelo contrário, a acusação foi de &quot;coitadismo&quot;.
O governo Lula realmente possui suas ambições subimperialistas de influência internacional, mas nada próximo de uma nação proletária. A comparação mais acertada (já que o JB parece ter dificuldades em falar de algo sem comparar com a história européia) é o social-imperialismo de Kautsky e Bernstein. Uma espécie de &quot;social-subimperialismo&quot;, que, novamente, sugere antes uma ideologia de reconciliação das classes antagônicas sob uma democracia liberal. Nada de &quot;nação proletária&quot;: o &quot;Brasil potência&quot; pós-ditatorial é um Brasil liberal.
Mas, diante disso, é lícito afirmar que a campanha contra a ALCA foi reacionária? A reivindicação de controle sobre o mercado de capitais e sobre as remessas de lucros das multinacionais, ou pela nacionalização dos recursos naturais e setores estratégicos é apenas pregação de &quot;fascistas terceiro-mundistas&quot;. Deveríamos, portanto, deixar os EUA implantarem a ALCA, e a economia brasileira completamente vulnerável a ataques especulativos, remessas de lucros, destruição e exploração ambiental, e desindustrialização via desnacionalização e privatização da economia? O EZLN, p.ex, seria apenas um movimento fascista terceiro-mundista, por se opôr ao Nafta?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como assim eu &#8220;distorço&#8221; o que tu escrevestes? O tema não eram &#8220;as raízes ideológicas do Brasil potência&#8221;? Então, nada mais óbvio que a objeção de que a pesquisa deveria começar pela análise da história intelectual brasileira, para depois determinar se a origem é exógena ou endógena, e, mesmo se a origem for exógena, estudar como se deu a recepção destas idéias no contexto histórico-geográfico. Até fiz sugestões por onde começar: &#8220;Brasil Potência&#8221;, &#8220;Brasil Grande&#8221;, &#8220;Brasil, ame-o ou deixe-o&#8221;. Pesquise a origem destas expressões exatas, e verão que elas nada têm a ver com &#8220;nação proletária&#8221;, e muito menos com o nacionalismo revolucionário. Sugeri algumas linhas, levantei estas objeções, e a resposta que eu recebi é que na próxima parte teriam respostas. E não tiveram. A segunda parte de &#8220;as raízes ideológicas do Brasil potência&#8221; insiste no mesmo erro, que se resumem em uma dedução das seguintes hipóteses, todas infundadas:<br />
1) a ideologia do Brasil potência se fundamenta em uma noção de &#8220;nação proletária&#8221;.<br />
2) a ideologia do Brasil potência foi importada da Europa (de Corradini, Manoilescu e dos fascistas japoneses).<br />
3) a ideologia do Brasil potência foi criada pela centro-esquerda brasileira, em especial o CEPAL.<br />
4) a ideologia do Brasil potência era, teórica e práticamente, um &#8220;imperialismo anti-imperialista&#8221; (um oxímorom, enfim).<br />
Lendo Oliveira Viana, Joaquim Nabuco, Caio Prado Júnior, Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda, Nelson Werneck Sodré, Raymundo Faoro, Celso Furtado, Ruy Mauro Marini, José Carlos Mariátegui,Florestan Fernandes, Atílio Borón e Darcy Ribeiro, confesso que nunca achei os postulados do que o João Bernardo chama de &#8220;tese da nação proletária&#8221;: negação da luta de classes no interior das sociedades periféricas da economia-mundo capitalista; redução de todas as contradições sociais ao conflito nacional vs. imperialismo; intervênção baseada em um nacionalismo econômico corporativista e tendendo ao expansionismo, de estilo fascista; e, finalmente, o ponto mais caricaturesco da tese, o &#8220;se fazer de coitadinho&#8221;. Por outro lado, a verdadeira ideologia do Brasil potência, propagandeada e aplicada pela ditadura civil-militar, também se mantém distante da &#8220;tese da nação proletária&#8221;, que, pelo meu conhecimento histórico, não era muito importante nem mesmo Europa da qual se originou. A ideologia do Brasil potência propunha uma sociedade brasileira hierarquizada, cristã e capitalista, alinhada aos EUA contra o &#8220;perigo vermelho&#8221;, embora exercendo uma influência continental decisiva na América do Sul (e, num futuro distante, no mundo). Seu método de ação, aliás, era mais o golpismo e o governo tecnocrático que a mobilização popular dos ditadores fascistas.<br />
Se o alvo seria a política externa do governo Lula, por que recorrer à retórica do &#8220;Brasil potência&#8221;, da ditadura militar? Muitos supostos exemplos de imperialismo dados aqui são na verdade exemplos de qualquer política externa mínimamente independente. O subimperialismo brasileiro não exclui a dependência econômica ou a articulação com os EUA. Na verdade, NECESSITA do aval estadunidense (e agora chinês e europeu) para exercer uma influência regional que, diga-se passagem, é muito limitada pela Argentina e pela Venezuela. Quando Evo Moralez nacionalizou as empresas brasileiras de petróleo e gás na Bolívia, a reação no Brasil não foi acusar o presidente boliviano de agente de Washingtom: pelo contrário, a acusação foi de &#8220;coitadismo&#8221;.<br />
O governo Lula realmente possui suas ambições subimperialistas de influência internacional, mas nada próximo de uma nação proletária. A comparação mais acertada (já que o JB parece ter dificuldades em falar de algo sem comparar com a história européia) é o social-imperialismo de Kautsky e Bernstein. Uma espécie de &#8220;social-subimperialismo&#8221;, que, novamente, sugere antes uma ideologia de reconciliação das classes antagônicas sob uma democracia liberal. Nada de &#8220;nação proletária&#8221;: o &#8220;Brasil potência&#8221; pós-ditatorial é um Brasil liberal.<br />
Mas, diante disso, é lícito afirmar que a campanha contra a ALCA foi reacionária? A reivindicação de controle sobre o mercado de capitais e sobre as remessas de lucros das multinacionais, ou pela nacionalização dos recursos naturais e setores estratégicos é apenas pregação de &#8220;fascistas terceiro-mundistas&#8221;. Deveríamos, portanto, deixar os EUA implantarem a ALCA, e a economia brasileira completamente vulnerável a ataques especulativos, remessas de lucros, destruição e exploração ambiental, e desindustrialização via desnacionalização e privatização da economia? O EZLN, p.ex, seria apenas um movimento fascista terceiro-mundista, por se opôr ao Nafta?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38257/#comment-24702</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Apr 2011 13:16:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os leitores têm de um lado estes meus dois artigos. Do outro lado têm os comentários de Matheus, que não só distorcem o que eu escrevi como ainda me atribuem ideias que não tenho nem jamais tive nem se encontram em nenhum livro ou artigo assinado por mim. Com Matheus não vou perder mais tempo. Quanto aos leitores, basta-lhes ler e comparar, se tiverem paciência para isso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os leitores têm de um lado estes meus dois artigos. Do outro lado têm os comentários de Matheus, que não só distorcem o que eu escrevi como ainda me atribuem ideias que não tenho nem jamais tive nem se encontram em nenhum livro ou artigo assinado por mim. Com Matheus não vou perder mais tempo. Quanto aos leitores, basta-lhes ler e comparar, se tiverem paciência para isso.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Matheus		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38257/#comment-24655</link>

		<dc:creator><![CDATA[Matheus]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Apr 2011 06:17:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu achei que não seria necessário repetir as críticas que eu fiz antes, mas estou vendo que é imprescindível fazer uma boa observação teórico-metodológica:
As &quot;raízes ideológicas do Brasil potência&quot; seriam quais?
1) Segundo o JB, seriam apenas uma importação do fascismo europeu e japonês, que nos leva a nos fazermos de coitadinhos. Engraçado, já vi propagandistas racistas fazerem a mesma crítica ao movimento anti-racista: que eles teriam, em relação a etnias oprimidas, a mesma tese de supremacia racial, seria, portanto, um &quot;racismo invertido&quot; que se fundamenta em que os negros, judeus, ciganos, etc. &quot;se fazem de coitadinhos&quot;. Não deixa de ser engraçado que um pregador da &quot;white supremacy&quot; acuse os outros de serem supremacistas. Também é engraçado que alguém que acuse os intelectuais do Terceiro Mundo de &quot;se fazerem de coitadinhos&quot; comece negando a eles qualquer iniciativa intelectual, criatividade teórica ou contato com a realidade histórico-social, reduzindo-os a &quot;importadores de idéias&quot;.
2) Não deixa de ser estranho que um artigo sobre a ideologia do Brasil potência se limite a comentar textos e discursos de autores e políticos romenos, italianos, japoneses, etc., enquanto que os latino-americanos merecem no máximo algumas alusões. Dizer, &quot;ah, eu citeio Mario Pedrosa&quot;, &quot;eu mencionei o CEPAL&quot;, significa nada, quando se dedica 4/5 do texto ao comentário de Manoilescu ou Corradini, sob o pretexto de que &quot;Vargas PARECE QUE LEU o primeiro&quot;. Uma frase não é uma análise de conteúdo. Se o alvo eram as teses &quot;desenvolvimentistas&quot;, deverias começar pela análise dos próprios economistas, sociólogos e políticos desenvolvimentistas. E já existem trabalhos científicos que analisam isso. Sabia que existem livros de história da economia política, da sociologia e do pensamento político brasileiros? E neles o que é exposto não é apenas a relativa originalidade deste pensamento, mas também a sua heterogeneidade. Não adianta ficar reclamando que alguém citou o Marini, sob a acusação de que ele seria &quot;um ou outro teórico marxista da dependência&quot;. Mesmo entre Roberto Simonsen e Celso Furtado, entre este e FHC, entre FHC e Marini e Theotonio dos Santos, existem divergências gritantes, inclusive em relação à ação política. Marini é um intransigente revolucionário, Furtado era um reformista , Simonsen era conservador e defendia o projeto que acabou por ser o vencedor, a &quot;modernização conservadora&quot;.
3) Pelo visto, a interpretação da história do pensamento, que necessita tanto da contextualização quando da análise interna dos textos, é substituída pela ANALOGIA com Corradini ou Manoilescu, de onde se lança a acusação de que os nacionalistas de esquerda seriam apenas...fascistas? Fascistas se fazendo de coitadinhos, incapazes de criar análises e programas sociológico-econômicos originais, reduzidos à importação de idéias! O pior é que quando tenta comentar o texto em si mesmo, o resultado não é melhor, como mostra a confusão entre a super-exploração do trabalho, em Marini, com a mais-valia absoluta. Alguém que lê isso, e que já leu Marini, é tentado a pensar que o comentário é feito de segunda mão, sem a leitura direta do texto.
4) Finalmente, a tese da importação de idéias e as acusações de &quot;coitadismo&quot; e de &quot;fascismo&quot; se complementa com outra, o dedutivismo: toda a ação da esquerda brasileira não passaria de uma aplicação mecânica do &quot;conceito&quot; de &quot;nação proletária&quot;. Os trabalhos de Caio Prado Júnior, Roberto Simonsen, Raymundo Faoro, Celso Furtado, Ruy Mauro Marini, Theotonio dos Santos, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Jacob Gorender, Paul Singer, Atílio Borón, Raul Pebrish, Léon Pomer, etc. não passariam de fascistas plagiadores que apoiavam políticos fascistas! Sem sequer lê-los, já é possível excecrá-los e decretar a fogueira para as suas obras! COMO A DIEITA BRASILEIRA CONCORDA COM ISSO! Mais um artigo destes, e talvez sejas convidado para escrever para a Veja!
5) O que se perde de vista, em termos práticos, é a conexão entre um anti-imperialismo consequente e um movimento proletário autônomo. Dizer que o anti-imperialismo invariavelmente é fascista, baseado na idéia de &quot;nação proletária&quot; e o escambau, perde de vista: a) a mesma acusação poderia ser feita ao antifascismo, contra o qual alguém de má-fé  poderia dizer que é apenas a inversão simétrica do fascismo, e que serve para ocultar a luta e classes, e Bordiga, conhecido &quot;comunista conselhista&quot;, levantou esta tese, antecipando-se a Le Pen ao dizer que o holocausto é apenas um detalhe na história; b) não existe &quot;o anti-imperialismo que é um &quot;nacionalismo ressentido, fascista, se fazendo de coitadinho e importando idéias por ser incapaz de produzi-las por si mesmo&quot;, existem anti-imperialismos, assim como existem divergências profundas entre os teóricos da dependência, que não se resumem a &quot;Marini contra o resto&quot;, e alguns deles podem, sim, ter elementos progressistas, que são óbvios demais em Furtado, ou revolucionários, como se pode ver em Marini, contanto que se dê ao trabalho de lê-lo. O problema é opôr, abstratamente, o anti-imperialismo ao movimento autônomo dos trabalhadores, esquecendo (ao contrário de Rosa Luxemburg, Lênin, Trotsky, Gramsci) que, em sociedade &quot;periféricas&quot;, de &quot;terceiro mundo&quot; ou &quot;dependentes&quot;, a luta do proletariado é imediatamente anti-imperialista. Ou será que a &quot;lei do desenvolvimento desigual e combinado&quot;, cuja influência no Brasil não foi pouca, é a &quot;prova&quot; de que Trotsky também era fascista?
7) Resumindo: o problema do artigo é se resumir a uma falácia da origem (diga-me de onde vens, que te direito o que és), sem provas concludentes, da qual se &quot;deduz&quot; uma acusação, de que nacionalismo=fascismo=anti-imperialismo, coisa sem pé nem cabeça, e que não surpreenderia ler em editoriais da Veja ou nos artigos do Instituto Milenium, mas que é no mínimo uma curiosidade quando encontrado em um texto de quem se diz marxista, mas que esquece com tanta facilidade os princípios fundamentais do método marxista.
Também foi engraçado o comentário sobre Gramsci. Esquecido? Pegue os livros de Eagleton, Jameson, Arrighi, Wallerstein, Burawoy, Losurdo, etc. para ver o quanto &quot;esquecido&quot; ele está. Depois, acusar Gramsci de &quot;semi-fascista&quot; também é engraçado. Já li os artigos dele sobre o fascismo no Ordine Nuovo, não me lembro de ter lido nada disso, mas, para quem acha que onde há as palavras &quot;pátria&quot;, &quot;povo/popular&quot; e &quot;nacional&quot;, é fácil enxergar fascismo até mesmo em Robespierre, Rousseau, Saint-Just, Marx, Engels. John Stuart Mill, filósofo, economista e ADMINISTRADOR COLONIAL britânico, por sua vez, ficaria à salvo de qualquer conexão com o fascismo, afinal, ao invéz de denunciar a exploração do Estado e da burguesia britânicas sobre o povo (ui!) indiano, ele justificava o domínio colonial, argumentando que os povos (ui!) submetidos ao colonialismo eram infantis e bárbaros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu achei que não seria necessário repetir as críticas que eu fiz antes, mas estou vendo que é imprescindível fazer uma boa observação teórico-metodológica:<br />
As &#8220;raízes ideológicas do Brasil potência&#8221; seriam quais?<br />
1) Segundo o JB, seriam apenas uma importação do fascismo europeu e japonês, que nos leva a nos fazermos de coitadinhos. Engraçado, já vi propagandistas racistas fazerem a mesma crítica ao movimento anti-racista: que eles teriam, em relação a etnias oprimidas, a mesma tese de supremacia racial, seria, portanto, um &#8220;racismo invertido&#8221; que se fundamenta em que os negros, judeus, ciganos, etc. &#8220;se fazem de coitadinhos&#8221;. Não deixa de ser engraçado que um pregador da &#8220;white supremacy&#8221; acuse os outros de serem supremacistas. Também é engraçado que alguém que acuse os intelectuais do Terceiro Mundo de &#8220;se fazerem de coitadinhos&#8221; comece negando a eles qualquer iniciativa intelectual, criatividade teórica ou contato com a realidade histórico-social, reduzindo-os a &#8220;importadores de idéias&#8221;.<br />
2) Não deixa de ser estranho que um artigo sobre a ideologia do Brasil potência se limite a comentar textos e discursos de autores e políticos romenos, italianos, japoneses, etc., enquanto que os latino-americanos merecem no máximo algumas alusões. Dizer, &#8220;ah, eu citeio Mario Pedrosa&#8221;, &#8220;eu mencionei o CEPAL&#8221;, significa nada, quando se dedica 4/5 do texto ao comentário de Manoilescu ou Corradini, sob o pretexto de que &#8220;Vargas PARECE QUE LEU o primeiro&#8221;. Uma frase não é uma análise de conteúdo. Se o alvo eram as teses &#8220;desenvolvimentistas&#8221;, deverias começar pela análise dos próprios economistas, sociólogos e políticos desenvolvimentistas. E já existem trabalhos científicos que analisam isso. Sabia que existem livros de história da economia política, da sociologia e do pensamento político brasileiros? E neles o que é exposto não é apenas a relativa originalidade deste pensamento, mas também a sua heterogeneidade. Não adianta ficar reclamando que alguém citou o Marini, sob a acusação de que ele seria &#8220;um ou outro teórico marxista da dependência&#8221;. Mesmo entre Roberto Simonsen e Celso Furtado, entre este e FHC, entre FHC e Marini e Theotonio dos Santos, existem divergências gritantes, inclusive em relação à ação política. Marini é um intransigente revolucionário, Furtado era um reformista , Simonsen era conservador e defendia o projeto que acabou por ser o vencedor, a &#8220;modernização conservadora&#8221;.<br />
3) Pelo visto, a interpretação da história do pensamento, que necessita tanto da contextualização quando da análise interna dos textos, é substituída pela ANALOGIA com Corradini ou Manoilescu, de onde se lança a acusação de que os nacionalistas de esquerda seriam apenas&#8230;fascistas? Fascistas se fazendo de coitadinhos, incapazes de criar análises e programas sociológico-econômicos originais, reduzidos à importação de idéias! O pior é que quando tenta comentar o texto em si mesmo, o resultado não é melhor, como mostra a confusão entre a super-exploração do trabalho, em Marini, com a mais-valia absoluta. Alguém que lê isso, e que já leu Marini, é tentado a pensar que o comentário é feito de segunda mão, sem a leitura direta do texto.<br />
4) Finalmente, a tese da importação de idéias e as acusações de &#8220;coitadismo&#8221; e de &#8220;fascismo&#8221; se complementa com outra, o dedutivismo: toda a ação da esquerda brasileira não passaria de uma aplicação mecânica do &#8220;conceito&#8221; de &#8220;nação proletária&#8221;. Os trabalhos de Caio Prado Júnior, Roberto Simonsen, Raymundo Faoro, Celso Furtado, Ruy Mauro Marini, Theotonio dos Santos, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Jacob Gorender, Paul Singer, Atílio Borón, Raul Pebrish, Léon Pomer, etc. não passariam de fascistas plagiadores que apoiavam políticos fascistas! Sem sequer lê-los, já é possível excecrá-los e decretar a fogueira para as suas obras! COMO A DIEITA BRASILEIRA CONCORDA COM ISSO! Mais um artigo destes, e talvez sejas convidado para escrever para a Veja!<br />
5) O que se perde de vista, em termos práticos, é a conexão entre um anti-imperialismo consequente e um movimento proletário autônomo. Dizer que o anti-imperialismo invariavelmente é fascista, baseado na idéia de &#8220;nação proletária&#8221; e o escambau, perde de vista: a) a mesma acusação poderia ser feita ao antifascismo, contra o qual alguém de má-fé  poderia dizer que é apenas a inversão simétrica do fascismo, e que serve para ocultar a luta e classes, e Bordiga, conhecido &#8220;comunista conselhista&#8221;, levantou esta tese, antecipando-se a Le Pen ao dizer que o holocausto é apenas um detalhe na história; b) não existe &#8220;o anti-imperialismo que é um &#8220;nacionalismo ressentido, fascista, se fazendo de coitadinho e importando idéias por ser incapaz de produzi-las por si mesmo&#8221;, existem anti-imperialismos, assim como existem divergências profundas entre os teóricos da dependência, que não se resumem a &#8220;Marini contra o resto&#8221;, e alguns deles podem, sim, ter elementos progressistas, que são óbvios demais em Furtado, ou revolucionários, como se pode ver em Marini, contanto que se dê ao trabalho de lê-lo. O problema é opôr, abstratamente, o anti-imperialismo ao movimento autônomo dos trabalhadores, esquecendo (ao contrário de Rosa Luxemburg, Lênin, Trotsky, Gramsci) que, em sociedade &#8220;periféricas&#8221;, de &#8220;terceiro mundo&#8221; ou &#8220;dependentes&#8221;, a luta do proletariado é imediatamente anti-imperialista. Ou será que a &#8220;lei do desenvolvimento desigual e combinado&#8221;, cuja influência no Brasil não foi pouca, é a &#8220;prova&#8221; de que Trotsky também era fascista?<br />
7) Resumindo: o problema do artigo é se resumir a uma falácia da origem (diga-me de onde vens, que te direito o que és), sem provas concludentes, da qual se &#8220;deduz&#8221; uma acusação, de que nacionalismo=fascismo=anti-imperialismo, coisa sem pé nem cabeça, e que não surpreenderia ler em editoriais da Veja ou nos artigos do Instituto Milenium, mas que é no mínimo uma curiosidade quando encontrado em um texto de quem se diz marxista, mas que esquece com tanta facilidade os princípios fundamentais do método marxista.<br />
Também foi engraçado o comentário sobre Gramsci. Esquecido? Pegue os livros de Eagleton, Jameson, Arrighi, Wallerstein, Burawoy, Losurdo, etc. para ver o quanto &#8220;esquecido&#8221; ele está. Depois, acusar Gramsci de &#8220;semi-fascista&#8221; também é engraçado. Já li os artigos dele sobre o fascismo no Ordine Nuovo, não me lembro de ter lido nada disso, mas, para quem acha que onde há as palavras &#8220;pátria&#8221;, &#8220;povo/popular&#8221; e &#8220;nacional&#8221;, é fácil enxergar fascismo até mesmo em Robespierre, Rousseau, Saint-Just, Marx, Engels. John Stuart Mill, filósofo, economista e ADMINISTRADOR COLONIAL britânico, por sua vez, ficaria à salvo de qualquer conexão com o fascismo, afinal, ao invéz de denunciar a exploração do Estado e da burguesia britânicas sobre o povo (ui!) indiano, ele justificava o domínio colonial, argumentando que os povos (ui!) submetidos ao colonialismo eram infantis e bárbaros.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38257/#comment-24430</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Apr 2011 12:30:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Honório,
A autodeterminação nacional tem deixado os povos independentes muito pouco autodeterminados, pois passaram a ser dominados por novas elites. Olhe o que se passou em África, e o que antes se passou na América Latina. Por isso, na minha opinião a luta pela auto-organização ocorre fundamentalmente nas relações de trabalho.
Quanto a Gramsci, se a importância de um pensador dependesse de não cometer ziguezagues políticos, ninguém se salvava. A realidade é muito complicada, e quem quer actuar fora dos caminhos já feitos não encontra precedentes e guia-se como? Quem sabe os erros que cada um de nós está a cometer hoje? Acho que devemos analisar criticamente as figuras revolucionárias do passado, mas não as culpabilizar. No caso de Gramsci, note que eu não mencionei uma tentativa de aproximação ao fascismo, mas a uma parte do fascismo que ele considerava susceptível de ser absorvida pelo processo revolucionário. A realidade mostrou que as coisas caminharam de outro modo. O que me incomoda não é o facto de ele ter tido uma percepção errada, porque a teve quando os acontecimentos estavam em curso. O que me incomoda é o facto de, passadas décadas, as pessoas recortarem os personagens do passado à medida das suas devoções, transformando figuras contraditórias em modelitos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Honório,<br />
A autodeterminação nacional tem deixado os povos independentes muito pouco autodeterminados, pois passaram a ser dominados por novas elites. Olhe o que se passou em África, e o que antes se passou na América Latina. Por isso, na minha opinião a luta pela auto-organização ocorre fundamentalmente nas relações de trabalho.<br />
Quanto a Gramsci, se a importância de um pensador dependesse de não cometer ziguezagues políticos, ninguém se salvava. A realidade é muito complicada, e quem quer actuar fora dos caminhos já feitos não encontra precedentes e guia-se como? Quem sabe os erros que cada um de nós está a cometer hoje? Acho que devemos analisar criticamente as figuras revolucionárias do passado, mas não as culpabilizar. No caso de Gramsci, note que eu não mencionei uma tentativa de aproximação ao fascismo, mas a uma parte do fascismo que ele considerava susceptível de ser absorvida pelo processo revolucionário. A realidade mostrou que as coisas caminharam de outro modo. O que me incomoda não é o facto de ele ter tido uma percepção errada, porque a teve quando os acontecimentos estavam em curso. O que me incomoda é o facto de, passadas décadas, as pessoas recortarem os personagens do passado à medida das suas devoções, transformando figuras contraditórias em modelitos.</p>
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