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	Comentários sobre: A Comuna de Paris para além dos mitos	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Fernandes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/05/39835/#comment-427070</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Apr 2019 19:44:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Queria trazer uma contribuição ao debate, sobre a Comuna de Paris. Em 20 de Julho de 1870, Marx envia uma carta à Engels na qual diz: &quot;A França merece uma boa surra. Se os prussianos vencerem, a centralização do poder de estado será compensada pela centralização da classe operária alemã. A predominância alemã iria então alterar o centro de gravidade do movimento operário europeu do ocidente da França para a Alemanha, e você precisa somente comparar o desenvolvimento dos dois países de 1866 até o presente para compreender que a classe trabalhadora alemã é superior à francesa tanto em teoria [o lassallianismo e o marxismo] como também em organização. Sua predominância sobre a França em um palco internacional significaria também a predominância de nossa teoria sobre aquela de Proudhon, etc.&quot; (MARX e ENGELS, 2010 [Volume 44] pp. 3-4 apud SILVA, 2017, p. 152) disponível apenas em inglês, no site https://www.marxists.org/archive/marx/works/1870/letters/70_07_20.htm.

Algo muito diferente de A Guerra Civil na França. Após a Conferência de Londres em 1871 e em 1872 ele articula o golpe na AIT com a cisão no Congresso de Haia de 1872 pela inclusão da necessidade de organização de partidos operários como orientação política e a expulsão de Bakunin e Guillaume. 

&quot;Resolução Sobre os Estatutos

A seguir ao parágrafo 7 dos Estatutos deve ser incluído o seguinte parágrafo, que resume a resolução IX da Conferência de Londres (Setembro de 1871)[N210].

Art. 7a. — Na sua luta contra o poder colectivo das classes possidentes, o proletariado só pode agir como classe constituindo-se a si próprio em partido político distinto, oposto a todos os antigos partidos formados pelas classes possidentes.

Esta constituição do proletariado em partido político é indispensável para assegurar o triunfo da Revolução social e do seu objectivo supremo: a abolição das classes.

A coalizão das forças operárias, já obtida pela luta económica, deve servir também de alavanca nas mãos desta classe, na sua luta contra o poder político dos seus exploradores.

Servindo-se sempre os senhores da terra e do capital dos seus privilegios políticos para defender e perpetuar os seus monopólios económicos e subjugar o trabalho, a conquista do poder político torna-se o grande dever do proletariado.

Aprovado por 29 votos contra 5; 8 abstenções.&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queria trazer uma contribuição ao debate, sobre a Comuna de Paris. Em 20 de Julho de 1870, Marx envia uma carta à Engels na qual diz: &#8220;A França merece uma boa surra. Se os prussianos vencerem, a centralização do poder de estado será compensada pela centralização da classe operária alemã. A predominância alemã iria então alterar o centro de gravidade do movimento operário europeu do ocidente da França para a Alemanha, e você precisa somente comparar o desenvolvimento dos dois países de 1866 até o presente para compreender que a classe trabalhadora alemã é superior à francesa tanto em teoria [o lassallianismo e o marxismo] como também em organização. Sua predominância sobre a França em um palco internacional significaria também a predominância de nossa teoria sobre aquela de Proudhon, etc.&#8221; (MARX e ENGELS, 2010 [Volume 44] pp. 3-4 apud SILVA, 2017, p. 152) disponível apenas em inglês, no site <a href="https://www.marxists.org/archive/marx/works/1870/letters/70_07_20.htm" rel="nofollow ugc">https://www.marxists.org/archive/marx/works/1870/letters/70_07_20.htm</a>.</p>
<p>Algo muito diferente de A Guerra Civil na França. Após a Conferência de Londres em 1871 e em 1872 ele articula o golpe na AIT com a cisão no Congresso de Haia de 1872 pela inclusão da necessidade de organização de partidos operários como orientação política e a expulsão de Bakunin e Guillaume. </p>
<p>&#8220;Resolução Sobre os Estatutos</p>
<p>A seguir ao parágrafo 7 dos Estatutos deve ser incluído o seguinte parágrafo, que resume a resolução IX da Conferência de Londres (Setembro de 1871)[N210].</p>
<p>Art. 7a. — Na sua luta contra o poder colectivo das classes possidentes, o proletariado só pode agir como classe constituindo-se a si próprio em partido político distinto, oposto a todos os antigos partidos formados pelas classes possidentes.</p>
<p>Esta constituição do proletariado em partido político é indispensável para assegurar o triunfo da Revolução social e do seu objectivo supremo: a abolição das classes.</p>
<p>A coalizão das forças operárias, já obtida pela luta económica, deve servir também de alavanca nas mãos desta classe, na sua luta contra o poder político dos seus exploradores.</p>
<p>Servindo-se sempre os senhores da terra e do capital dos seus privilegios políticos para defender e perpetuar os seus monopólios económicos e subjugar o trabalho, a conquista do poder político torna-se o grande dever do proletariado.</p>
<p>Aprovado por 29 votos contra 5; 8 abstenções.&#8221;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/05/39835/#comment-286882</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2015 13:32:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O livro de Rosdolsky pode ser baixado aqui: 

https://www.scribd.com/doc/258060797/Rodolsky-Roman-Friedrich-Engels-y-El-Problema-de-Los-Pueblos-Sin-Historia

Há ainda, para acrescentar à lista, o livro Secret Diplomatic History of The Eighteenth Century, também de Marx, o qual teve de ser editado pela Eleanor Marx para &quot;amenizar&quot; algumas passagens &quot;impublicáveis&quot;. Este pode ser baixado aqui: 

https://mecollectedworks.files.wordpress.com/2014/04/marx-engels-collected-works-volume-15_-ka-karl-marx.pdf

Quanto à Carta de 1865, fui conferi-la e acabei fazendo uma rápida tradução do trecho em questão, que compartilho:

O que você diz sobre os debates na Câmara prussiana? De qualquer forma, as revelações sobre o sistema judicial, etc., seguindo em rápida sucessão foram esplêndidas. O mesmo quando ao golpe óbvio que os homens da Associação Nacional da Grande-Prússia receberam, como foi mostrado particularmente nos debates sobre a Polônia.
Ad vocem [Quanto à] Polónia, eu estava mais interessado em ler o trabalho de Elias Regnault (o mesmo que escreveu o &quot;história dos Principados danubienses&quot;), &quot;A Questão Européia, falsamente chamada de A Questão Polonesa&quot;. Eu vejo a partir dele que o dogma da Lapinski de que os grão-russos são eslavos não tem sido defendida por razões linguísticas, históricas e etnográficas em toda a seriedade por Monsieur Duchinski (de Kiev, Professor em Paris); ele afirma que os moscovitas reais, ou seja, os habitantes do antigo GRÃO DUCADO DE Moscou, eram em sua maior parte mongóis ou finlandeses etc., como foi o caso nas partes da Rússia situada mais a leste e em suas partes do sudeste. Eu vejo com ele em todos os eventos que o caso tem preocupado seriamente o gabinete São Petersburgo (uma vez que certamente poria fim ao Panslavismo). Todos os estudiosos russos foram chamados a dar respostas e refutações, e estas acabaram por ser terrivelmente fracas. A pureza do Grande dialeto Russo e sua ligação com a Igreja Eslava parece prestar neste debate mais apoio para a visão polonesa que à moscovita. Durante a última insurreição polonesa Duchinski foi premiado pelo Governo Nacional por suas &quot;descobertas&quot;. Tem sido igualmente demonstrado geologica e hidrograficamente que há uma grande diferença &quot;Asiática&quot; a leste do rio Dnieper, em comparação com o que se encontra ao oeste dele, e que (como já Murchison defendia) os Urais de forma alguma constituem uma linha divisória. Resultado obtido por Duchinski: Rússia é um nome usurpado pelos moscovitas. Eles não são eslavos; eles não pertencem em todo à RAÇA indo-germânica, eles são des intrus* (os intrusos) que devem ser repelidos de volta (be chased back across) para o outro lado do rio Dnieper, etc. Panslavism no sentido russo é uma invenção de gabinete, etc.
Eu desejo que Duchinski esteja certo e que EM TODOS OS EVENTOS essa visão prevaleceria entre os eslavos. Por outro lado, ele afirma que alguns dos povos na Turquia, como os búlgaros, por exemplo, que haviam sido previamente considerados como eslavos, são não-eslavos.
Salut.
seu
K. M
(Está no volume 42 do MECW, página 164, e pode ser acessada também aqui: https://marxists.anu.edu.au/archive/marx/works/1865/letters/65_06_24.htm).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O livro de Rosdolsky pode ser baixado aqui: </p>
<p><a href="https://www.scribd.com/doc/258060797/Rodolsky-Roman-Friedrich-Engels-y-El-Problema-de-Los-Pueblos-Sin-Historia" rel="nofollow ugc">https://www.scribd.com/doc/258060797/Rodolsky-Roman-Friedrich-Engels-y-El-Problema-de-Los-Pueblos-Sin-Historia</a></p>
<p>Há ainda, para acrescentar à lista, o livro Secret Diplomatic History of The Eighteenth Century, também de Marx, o qual teve de ser editado pela Eleanor Marx para &#8220;amenizar&#8221; algumas passagens &#8220;impublicáveis&#8221;. Este pode ser baixado aqui: </p>
<p><a href="https://mecollectedworks.files.wordpress.com/2014/04/marx-engels-collected-works-volume-15_-ka-karl-marx.pdf" rel="nofollow ugc">https://mecollectedworks.files.wordpress.com/2014/04/marx-engels-collected-works-volume-15_-ka-karl-marx.pdf</a></p>
<p>Quanto à Carta de 1865, fui conferi-la e acabei fazendo uma rápida tradução do trecho em questão, que compartilho:</p>
<p>O que você diz sobre os debates na Câmara prussiana? De qualquer forma, as revelações sobre o sistema judicial, etc., seguindo em rápida sucessão foram esplêndidas. O mesmo quando ao golpe óbvio que os homens da Associação Nacional da Grande-Prússia receberam, como foi mostrado particularmente nos debates sobre a Polônia.<br />
Ad vocem [Quanto à] Polónia, eu estava mais interessado em ler o trabalho de Elias Regnault (o mesmo que escreveu o &#8220;história dos Principados danubienses&#8221;), &#8220;A Questão Européia, falsamente chamada de A Questão Polonesa&#8221;. Eu vejo a partir dele que o dogma da Lapinski de que os grão-russos são eslavos não tem sido defendida por razões linguísticas, históricas e etnográficas em toda a seriedade por Monsieur Duchinski (de Kiev, Professor em Paris); ele afirma que os moscovitas reais, ou seja, os habitantes do antigo GRÃO DUCADO DE Moscou, eram em sua maior parte mongóis ou finlandeses etc., como foi o caso nas partes da Rússia situada mais a leste e em suas partes do sudeste. Eu vejo com ele em todos os eventos que o caso tem preocupado seriamente o gabinete São Petersburgo (uma vez que certamente poria fim ao Panslavismo). Todos os estudiosos russos foram chamados a dar respostas e refutações, e estas acabaram por ser terrivelmente fracas. A pureza do Grande dialeto Russo e sua ligação com a Igreja Eslava parece prestar neste debate mais apoio para a visão polonesa que à moscovita. Durante a última insurreição polonesa Duchinski foi premiado pelo Governo Nacional por suas &#8220;descobertas&#8221;. Tem sido igualmente demonstrado geologica e hidrograficamente que há uma grande diferença &#8220;Asiática&#8221; a leste do rio Dnieper, em comparação com o que se encontra ao oeste dele, e que (como já Murchison defendia) os Urais de forma alguma constituem uma linha divisória. Resultado obtido por Duchinski: Rússia é um nome usurpado pelos moscovitas. Eles não são eslavos; eles não pertencem em todo à RAÇA indo-germânica, eles são des intrus* (os intrusos) que devem ser repelidos de volta (be chased back across) para o outro lado do rio Dnieper, etc. Panslavism no sentido russo é uma invenção de gabinete, etc.<br />
Eu desejo que Duchinski esteja certo e que EM TODOS OS EVENTOS essa visão prevaleceria entre os eslavos. Por outro lado, ele afirma que alguns dos povos na Turquia, como os búlgaros, por exemplo, que haviam sido previamente considerados como eslavos, são não-eslavos.<br />
Salut.<br />
seu<br />
K. M<br />
(Está no volume 42 do MECW, página 164, e pode ser acessada também aqui: <a href="https://marxists.anu.edu.au/archive/marx/works/1865/letters/65_06_24.htm" rel="nofollow ugc">https://marxists.anu.edu.au/archive/marx/works/1865/letters/65_06_24.htm</a>).</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/05/39835/#comment-286870</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2015 10:56:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro leitor,
O antieslavismo de Marx e Engels está abundantemente documentado:
Paul W. BLACKSTOCK e Bert F. HOSELITZ (orgs), &lt;em&gt;The Russian Menace to Europe, by Karl Marx and Friedrich Engels&lt;/em&gt;, Glencoe: The Free Press, 1952.
Roger DANGEVILLE (org.), &lt;em&gt;Marx et Engels. Écrits Militaires. Violence et Constitution des États Européens Modernes&lt;/em&gt;, Paris: L’Herne, 1970.
Roman ROSDOLSKY, &lt;em&gt;Friedrich Engels y el Problema de los Pueblos “Sin HistoriaC. La Questión de las Nacionalidades en la Revolución de 1848-1849 a la Luz de la “Neue Rheinische Zeitung”&lt;/em&gt;, México: Pasado y Presente, 1980.
A carta citada encontra-se mencionada em: 
Léon POLIAKOV, &lt;em&gt;Le Mythe Aryen. Essai sur les Sources du Racisme et des Nationalismes&lt;/em&gt;, Paris: Calmann-Lévy, 1971, pág. 252.
É necessário ter em conta que posteriormente a opinião de Marx e Engels sobre a sociedade camponesa eslava alterou-se. Ver os manuscritos de Marx de 1881 (nunca enviados) de uma resposta a Vera Zassulitch e o prefácio de Marx e Engels à edição russa de 1882 do &lt;em&gt;Manifesto Comunista&lt;/em&gt;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro leitor,<br />
O antieslavismo de Marx e Engels está abundantemente documentado:<br />
Paul W. BLACKSTOCK e Bert F. HOSELITZ (orgs), <em>The Russian Menace to Europe, by Karl Marx and Friedrich Engels</em>, Glencoe: The Free Press, 1952.<br />
Roger DANGEVILLE (org.), <em>Marx et Engels. Écrits Militaires. Violence et Constitution des États Européens Modernes</em>, Paris: L’Herne, 1970.<br />
Roman ROSDOLSKY, <em>Friedrich Engels y el Problema de los Pueblos “Sin HistoriaC. La Questión de las Nacionalidades en la Revolución de 1848-1849 a la Luz de la “Neue Rheinische Zeitung”</em>, México: Pasado y Presente, 1980.<br />
A carta citada encontra-se mencionada em:<br />
Léon POLIAKOV, <em>Le Mythe Aryen. Essai sur les Sources du Racisme et des Nationalismes</em>, Paris: Calmann-Lévy, 1971, pág. 252.<br />
É necessário ter em conta que posteriormente a opinião de Marx e Engels sobre a sociedade camponesa eslava alterou-se. Ver os manuscritos de Marx de 1881 (nunca enviados) de uma resposta a Vera Zassulitch e o prefácio de Marx e Engels à edição russa de 1882 do <em>Manifesto Comunista</em>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Comunismo anti-autoritário		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/05/39835/#comment-286860</link>

		<dc:creator><![CDATA[Comunismo anti-autoritário]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2015 08:45:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=39835#comment-286860</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernado, na sua resposta aos questionamentos do Danilo Nakamura que polemiza questionando o suposto anti-eslavismo de Marx, você cita um trecho de uma carta deste a Engels datada do ano de 1865 a respeito da constituição da raça russa, onde Marx afirma(na citação de seu comentário) que os russos não pertenciam a raça eslava, mas sim a raça mongol e, por isso, deveriam ser banidos para o oriente. Não tive acesso a essa correspondência, e longe de questionar a veracidade de suas informações, mas lendo recentemente as cartas de Marx a Kugelmann, escritas cinco anos depois da carta para Engels, precisamente a carta de 17 de fevereiro de 1870, ele afirma a herança do elemento mongol-tártaro na sociedade russa, um pouco diferente da de 1865. A polêmica se dá com Duchinski, um polonês, que com grande erudição tentou provar que a raça russa &quot;não é eslava e sim mongol&quot;. Contrariando as afirmações do polonês, Marx expressa-se: &quot;Não obstante, sua posição não é correta. Não é o campesinato russo, mas a nobreza russa, que é fortemente impregnada de elementos mongol-tártaros.&quot; E a comuna rural tão presente na sociedade russa como em tempos remotos entre os alemães, fazendo-se as alterações necessárias, são de origem hindu. Enfim, o elemento &quot;mongol&quot;, bárbaro e reacionário da sociedade russa, provem das classes privilegiadas, não da totalidade do povo russo. O suposto &quot;anti-eslavismo&quot; de Marx, identificando o russo como mongol, não seria o anti-aristocratismo do revolucionário alemão? As questões sobre raça não estaria ligado ao tema das classes possuidoras de terra e exploradora do campesinato russo? O campesinato russo pertence ao barbarismo &quot;eslavo-mongol&quot; tão desprezado por Marx? O que acha disso? A citação encontra-se em: MARX, Karl. O 18 Brumário e Cartas a Kugelmann.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.(página 274)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernado, na sua resposta aos questionamentos do Danilo Nakamura que polemiza questionando o suposto anti-eslavismo de Marx, você cita um trecho de uma carta deste a Engels datada do ano de 1865 a respeito da constituição da raça russa, onde Marx afirma(na citação de seu comentário) que os russos não pertenciam a raça eslava, mas sim a raça mongol e, por isso, deveriam ser banidos para o oriente. Não tive acesso a essa correspondência, e longe de questionar a veracidade de suas informações, mas lendo recentemente as cartas de Marx a Kugelmann, escritas cinco anos depois da carta para Engels, precisamente a carta de 17 de fevereiro de 1870, ele afirma a herança do elemento mongol-tártaro na sociedade russa, um pouco diferente da de 1865. A polêmica se dá com Duchinski, um polonês, que com grande erudição tentou provar que a raça russa &#8220;não é eslava e sim mongol&#8221;. Contrariando as afirmações do polonês, Marx expressa-se: &#8220;Não obstante, sua posição não é correta. Não é o campesinato russo, mas a nobreza russa, que é fortemente impregnada de elementos mongol-tártaros.&#8221; E a comuna rural tão presente na sociedade russa como em tempos remotos entre os alemães, fazendo-se as alterações necessárias, são de origem hindu. Enfim, o elemento &#8220;mongol&#8221;, bárbaro e reacionário da sociedade russa, provem das classes privilegiadas, não da totalidade do povo russo. O suposto &#8220;anti-eslavismo&#8221; de Marx, identificando o russo como mongol, não seria o anti-aristocratismo do revolucionário alemão? As questões sobre raça não estaria ligado ao tema das classes possuidoras de terra e exploradora do campesinato russo? O campesinato russo pertence ao barbarismo &#8220;eslavo-mongol&#8221; tão desprezado por Marx? O que acha disso? A citação encontra-se em: MARX, Karl. O 18 Brumário e Cartas a Kugelmann.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.(página 274)</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/05/39835/#comment-27262</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jun 2011 17:35:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando escrevi que Bakunin acertou de onde surgiria o &quot;nazismo&quot;, não quis dizer que bakunin disse que ele surgiria de Marx e Engels, mas sim na Alemanha.
Por toda a história social e cultural da Alemanha, com a servidão voluntária e devoção aos &#039;príncipes&#039; e autocratas de seu povo, ele apontava por isso a Alemanha como o país que mais ameaçava a liberdade do mundo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando escrevi que Bakunin acertou de onde surgiria o &#8220;nazismo&#8221;, não quis dizer que bakunin disse que ele surgiria de Marx e Engels, mas sim na Alemanha.<br />
Por toda a história social e cultural da Alemanha, com a servidão voluntária e devoção aos &#8216;príncipes&#8217; e autocratas de seu povo, ele apontava por isso a Alemanha como o país que mais ameaçava a liberdade do mundo&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/05/39835/#comment-26449</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2011 01:18:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=39835#comment-26449</guid>

					<description><![CDATA[O tom petulante destes dois comentários, talvez tão extensos como o artigo, é por si só elucidativo, sobretudo quando se conhece a capacidade do comentador  — ou pelo menos de quem assina os comentários  — para, noutras oportunidades, defender confusões e se apegar a elas de maneira lastimável.
Considerar que Marx e Engels «defendiam um socialismo libertário» só pode ser afirmado por quem ignora a luta que os comunistas antiautoritários, como Varlin e os seus amigos, conduziram contra o marxismo a partir das secções francesa e belga da AIT. As ignorâncias nestes dois comentários são muitas, mas vou aqui restringir-me à principal, que diz respeito ao assunto do artigo.
O antieslavismo de Marx e de Engels está amplamente documentado em duas obras que citei nas referências deste artigo, a organizada por Dangeville e a organizada por Blackstock e Hoselitz. A questão foi também minuciosamente analisada por Roman Rosdolsky, marxista e estudioso de &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt;, numa obra disponível em língua espanhola: &lt;em&gt;Friedrich Engels y el Problema de los Pueblos “Sin Historia”. La Questión de las Nacionalidades en la Revolución de 1848-1849 a la Luz de la “Neue Rheinische Zeitung”&lt;/em&gt;, México: Pasado y Presente, 1980. O que eu penso acerca da questão pode ser lido em &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo. Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta&lt;/em&gt;, Porto: Afrontamento, 2003, especialmente nas págs. 357-386. É neste livro que procedo a uma análise amplamente documentada.
O antieslavismo de Marx e de Engels só não abarcava os polacos, considerados como a ponta de lança do germanismo em terras eslavas. Esse antieslavismo exprimia-se em público de uma maneira tal que uma das filhas de Marx, depois da morte do pai, ao lhe reeditar uma das obras, &lt;em&gt;História Diplomática Secreta do Século XVIII&lt;/em&gt;, se sentiu obrigada a suprimir-lhe um parágrafo, para lhe atenuar o tom. E é este o estudo sobre a diplomacia russa que o autor dos comentários invoca como uma das provas de que Marx não seria antieslavista. Trata-se de um curioso livro, que todos os marxistas deviam ler. Althusser referiu-se uma vez a essa obra com perplexidade e laivos de desprezo. Stalin, seguindo talvez o exemplo da filha de Marx, proibiu em 1934 um livro inteiro de Engels, &lt;em&gt;A Política Externa do Czarismo Russo&lt;/em&gt;. Também vale a pena ler esta obra de Engels e a argumentação de Stalin. Em privado o furor anti-russo de Marx exprimia-se ainda mais despudoradamente. Em 24 de Junho de 1865, depois de ter lido num livro que os russos afinal seriam de origem mongol, ele escreveu numa carta para Engels: «Eles não são eslavos, em suma, não pertencem à raça indo-germânica, são intrusos que é necessário repelir para além do Dniepre!». Este primor encontra-se em Léon Poliakov, &lt;em&gt;Le Mythe Aryen. Essai sur les Sources du Racisme et des Nationalismes&lt;/em&gt;, Paris: Calmann-Lévy, 1971, pág. 252.
A primeira vez que Marx abandonou o seu antieslavismo e considerou de maneira sistemática a possibilidade do desenvolvimento de um movimento revolucionário especificamente russo e camponês foi nos vários rascunhos de uma carta para Vera Zassulitch. Mas a breve missiva que acabou por enviar não corresponde aos rascunhos, que só foram descobertos e publicados depois da morte de Marx. Assim, a primeira vez que Marx e Engels abandonaram publicamente o antieslavismo que os caracterizara foi em 1882, no prefácio que escreveram para uma nova edição russa do Manifesto.
Mas os traços ideológicos e práticos do nacionalismo de Marx e de Engels perduraram, com efeitos muitíssimo funestos, na II Internacional, aquando das discussões sobre o colonialismo. Acerca do assunto remeto igualmente para o meu &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt;, págs. 386-390. E foi ainda a posição tomada por Marx e sobretudo por Engels perante a hostilidade manifestada pelos marxistas alemães contra a política de guerra prussiana frente aos franceses que levou Lukács a criticar «o comportamento de revolucionários importantes, como Johann Jacoby e Wilhelm Liebknecht, relativamente ao aspecto nacional das guerras de Bismarck que, apesar de tudo, levaram ao estabelecimento da unidade alemã». Com este «apesar de tudo» ficaram pudicamente ocultados os antagonismos de classe inerentes à maneira como fora instaurada a unificação da Alemanha e Lukács sentiu-se em terreno politicamente seguro para atacar o «moralismo provinciano» de Liebknecht e para censurar os seus continuadores na esquerda alemã pelo facto de não terem sabido usar «as armas de uma ideologia verdadeiramente patriótica». Esta passagem encontra-se em &lt;em&gt;Le Roman Historique&lt;/em&gt;, Paris: Payot, 1965, págs. 314-315. Hábil e dúctil como sempre, Lukács soube explorar o filão do antieslavismo de Engels em abono do patriotismo que Stalin, e Zinoviev antes dele, haviam transformado na versão dialéctica do internacionalismo.
São os fios desta meada que poucos marxistas gostam hoje de deslindar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O tom petulante destes dois comentários, talvez tão extensos como o artigo, é por si só elucidativo, sobretudo quando se conhece a capacidade do comentador  — ou pelo menos de quem assina os comentários  — para, noutras oportunidades, defender confusões e se apegar a elas de maneira lastimável.<br />
Considerar que Marx e Engels «defendiam um socialismo libertário» só pode ser afirmado por quem ignora a luta que os comunistas antiautoritários, como Varlin e os seus amigos, conduziram contra o marxismo a partir das secções francesa e belga da AIT. As ignorâncias nestes dois comentários são muitas, mas vou aqui restringir-me à principal, que diz respeito ao assunto do artigo.<br />
O antieslavismo de Marx e de Engels está amplamente documentado em duas obras que citei nas referências deste artigo, a organizada por Dangeville e a organizada por Blackstock e Hoselitz. A questão foi também minuciosamente analisada por Roman Rosdolsky, marxista e estudioso de <em>O Capital</em>, numa obra disponível em língua espanhola: <em>Friedrich Engels y el Problema de los Pueblos “Sin Historia”. La Questión de las Nacionalidades en la Revolución de 1848-1849 a la Luz de la “Neue Rheinische Zeitung”</em>, México: Pasado y Presente, 1980. O que eu penso acerca da questão pode ser lido em <em>Labirintos do Fascismo. Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta</em>, Porto: Afrontamento, 2003, especialmente nas págs. 357-386. É neste livro que procedo a uma análise amplamente documentada.<br />
O antieslavismo de Marx e de Engels só não abarcava os polacos, considerados como a ponta de lança do germanismo em terras eslavas. Esse antieslavismo exprimia-se em público de uma maneira tal que uma das filhas de Marx, depois da morte do pai, ao lhe reeditar uma das obras, <em>História Diplomática Secreta do Século XVIII</em>, se sentiu obrigada a suprimir-lhe um parágrafo, para lhe atenuar o tom. E é este o estudo sobre a diplomacia russa que o autor dos comentários invoca como uma das provas de que Marx não seria antieslavista. Trata-se de um curioso livro, que todos os marxistas deviam ler. Althusser referiu-se uma vez a essa obra com perplexidade e laivos de desprezo. Stalin, seguindo talvez o exemplo da filha de Marx, proibiu em 1934 um livro inteiro de Engels, <em>A Política Externa do Czarismo Russo</em>. Também vale a pena ler esta obra de Engels e a argumentação de Stalin. Em privado o furor anti-russo de Marx exprimia-se ainda mais despudoradamente. Em 24 de Junho de 1865, depois de ter lido num livro que os russos afinal seriam de origem mongol, ele escreveu numa carta para Engels: «Eles não são eslavos, em suma, não pertencem à raça indo-germânica, são intrusos que é necessário repelir para além do Dniepre!». Este primor encontra-se em Léon Poliakov, <em>Le Mythe Aryen. Essai sur les Sources du Racisme et des Nationalismes</em>, Paris: Calmann-Lévy, 1971, pág. 252.<br />
A primeira vez que Marx abandonou o seu antieslavismo e considerou de maneira sistemática a possibilidade do desenvolvimento de um movimento revolucionário especificamente russo e camponês foi nos vários rascunhos de uma carta para Vera Zassulitch. Mas a breve missiva que acabou por enviar não corresponde aos rascunhos, que só foram descobertos e publicados depois da morte de Marx. Assim, a primeira vez que Marx e Engels abandonaram publicamente o antieslavismo que os caracterizara foi em 1882, no prefácio que escreveram para uma nova edição russa do Manifesto.<br />
Mas os traços ideológicos e práticos do nacionalismo de Marx e de Engels perduraram, com efeitos muitíssimo funestos, na II Internacional, aquando das discussões sobre o colonialismo. Acerca do assunto remeto igualmente para o meu <em>Labirintos do Fascismo</em>, págs. 386-390. E foi ainda a posição tomada por Marx e sobretudo por Engels perante a hostilidade manifestada pelos marxistas alemães contra a política de guerra prussiana frente aos franceses que levou Lukács a criticar «o comportamento de revolucionários importantes, como Johann Jacoby e Wilhelm Liebknecht, relativamente ao aspecto nacional das guerras de Bismarck que, apesar de tudo, levaram ao estabelecimento da unidade alemã». Com este «apesar de tudo» ficaram pudicamente ocultados os antagonismos de classe inerentes à maneira como fora instaurada a unificação da Alemanha e Lukács sentiu-se em terreno politicamente seguro para atacar o «moralismo provinciano» de Liebknecht e para censurar os seus continuadores na esquerda alemã pelo facto de não terem sabido usar «as armas de uma ideologia verdadeiramente patriótica». Esta passagem encontra-se em <em>Le Roman Historique</em>, Paris: Payot, 1965, págs. 314-315. Hábil e dúctil como sempre, Lukács soube explorar o filão do antieslavismo de Engels em abono do patriotismo que Stalin, e Zinoviev antes dele, haviam transformado na versão dialéctica do internacionalismo.<br />
São os fios desta meada que poucos marxistas gostam hoje de deslindar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Danilo Chaves Nakamura		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/05/39835/#comment-26445</link>

		<dc:creator><![CDATA[Danilo Chaves Nakamura]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 May 2011 23:53:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=39835#comment-26445</guid>

					<description><![CDATA[Segunda parte:

Destacar frases “exemplares” para confirmar uma tese também não parece ser um bom percurso para fazermos uma análise crítica da esquerda e desmistificarmos a história. É preciso contextualizá-las numa conjuntura muito mais ampla. Um bom exercício seria o de confrontar os escritos da época, com a historiografia atual. 

Sobre a Comuna, Marx fez críticas, mas em nenhum momento desrespeitou as pessoas que morreram lutando diretamente a favor dela (tampouco se colocou acima delas). Tomar e controlar as instituições burguesas da França, não significava “planificar a economia” ou criar um novo aparelho repressivo. Marx deixa muito claro sua opinião sobre isso: “A classe dos trabalhadores não pode simplesmente tomar em seu poder a máquina do Estado já pronta e acioná-la em benefícios de seus próprios interesses”.

Opiniões - sobre o alcance do movimento proclamadas no calor da hora - devem ser entendidas como algo histórico. Dúvidas e possíveis erros de análises eram inevitáveis.

Outro absurdo, agora escrito por um comentador do site, que possivelmente se apóia nas análises do João Bernardo sobre o marxismo e o nacionalismo (Marx e Engels abrindo o caminho para o desenvolvimento do nazismo). Em direção contrária a tal absurdo, podemos ver nos textos sobre a Alemanha, principalmente de Engels, um acento na necessidade política de se estabelecer antes de tudo as condições burguesas na economia e na política. Ao mesmo tempo, porém, encontramos aí a idéia de que na Alemanha o liberalismo econômico não coincide com liberalismo político, ou seja, que a instauração do capitalismo não caminha paralelamente com a restauração política. Tais afirmações podem nos ajudar a entender o fascismo alemão (ou seja, a partir da idéia da miséria alemã. E não numa defesa cega pela nação alemã). 

Os xingamentos por mais numerosos e abomináveis que sejam não são capazes de confirmar uma teoria (essa também é a posição de M. Löwy no seu livro sobre o marxismo e o nacionalismo). Aliás, é sempre bom lembrar que tais xingamentos também tiveram como alvo os países ocidentais, ou se quiserem, os grandes estados desenvolvidos. Dolf Ohler, importante estudioso das revoluções de 1848, nos demonstra como após as grandes derrotas, os derrotados (e não vencedores, como quer um leitor do site) recorrem a uma espécie de “bestialização” do inimigo. Dá diversos exemplos de artistas e intelectuais ofendendo setores da sociedade: Fourier, Proudhon, Baudelaire, Victor Hugo, Tocqueville, Marx, Engels e muitos outros. No caso de Marx/Engels, o ataque aos russos deve ser entendido em conjunto com seus estudos sobre a diplomacia russa e sobre o lugar que a Rússia ocupava no concerto das nações. Posição da contra-revolução, pelo menos desde o Congresso de Viena.

Enfim, Marx/Engels anti-eslavistas? Nacionalistas? Autoritário? Se analisarmos todo o percurso intelectual dos dois, veremos que Marx e Engels participaram de uma intensa troca intelectual e política com os russos e poloneses desde suas juventudes. Foram importantes para os russos no interior da AIT. Veremos também que para eles não bastava à emancipação nacional (essa poderia servir para uma superação do Antigo Regime, mas nunca foi confundida como uma emancipação em si mesma). E por fim, Marx e Engels defendiam um socialismo libertário e por isso criticavam lideranças partidárias e intelectuais filantropos. E também respeitavam e buscavam entender a lógica das lutas particulares (ver opiniões sobre a Rússia).

Para quem tiver tempo, segue abaixo uma breve cronologia da vida de Marx e Engels demonstrando esses pontos (lembrando que isso são apenas informações necessárias para uma boa analise desmistificadora da história):

- Marx e Engels mantinham contato com militantes russos desde a década de 40 do século XIX.
- Anualmente discursavam a favor da Polônia (nos aniversários da insurreição polonesa de 1830).
- Em 1855, Engels reconhece que o pan-eslavismo não tende somente para independência nacional. E que ele tem diversas formas, por assim dizer, democrático e socialista.
- Num artigo sobre a Sardenha, Marx acusa a burguesia confundir emancipação nacional com emancipação social.
- Em 1858, Marx escreve para Engels: “Diante da virada otimista que o comercio mundial assume atualmente (...), é pelo menos um consolo que a revolução tenha começado na Rússia”. (está pensando na movimentação dos servos). Mais a frente: “Para nós, a difícil questão é a seguinte: a revolução no continente é iminente e tornará imediatamente caráter socialista; não será ela necessariamente esmagada nesse pequeno espaço, visto que em terreno muito mais vasto o movimento da sociedade burguesa ainda é ascendente?”
- Em 1860, diz Marx: “O que se passa hoje no mundo é, a meu ver, de um lado, o movimento dos escravos na América, desencadeado pela morte de Brown, e, de outro, o mesmo movimento na Rússia”.
- Em abril de 1860, o jornalista liberal russo Sazanov, fala dos cursos de economia política na Rússia baseados no pensamento de Marx.
- Em 1861, Marx diz a Lassale que suas opiniões sobre a Rússia são baseadas em estudos sobre a diplomacia russa. “(...) odiar e compreender são duas coisas bem diferentes”.
- Em 1863, Marx novamente olhando para Polônia assume sobre a Revolução européia: “Há que esperar que desta vez a lava escorra do Leste para o Oeste, e não ao revés (...)”.
- Em 1866 escreve: “A liderança não é jamais uma coisa agradável, nem uma coisa que eu ambicione. Tenho sempre diante dos olhos teu pai dizendo a respeito (...) o tropeiro é sempre odiado pelos asnos”.
- Em dezembro de 1868 uma anedota. Diz Bakunin para Marx: “Eu faço hoje o que você começou a fazer há mais de vinte anos (...). Minha pátria, agora, é a Internacional, da qual você é um dos principais fundadores. Veja então, caro amigo, que sou seu discípulo, e tenho orgulho de ser”.
- Em março de 1869, Lafargue informa Marx que Blanqui o estima muito. E que ficou entusiasmado com o Anti-proudhon de Marx.
- Marx estuda russo para ler “A situação da classe operária na Rússia” de Flévoroski. Em 1870 diz para Engels: “É o livro mais importante que apareceu desde o teu trabalho sobre a Situação da classe trabalhadora”.
- Assume que a revolução social na Rússia é eminente.
- Em abril de 1870, um grupo de russos pede a Marx que os represente no Conselho Geral.
- Em junho, recebe a visita de Hermann Lopatin, revolucionário russo, que informa sobre o destino de Tchernychevski, exilado na Sibéria. E conta sobre o bakuninista Netchaiev que assassinou um de seus próprios partidários.
- Lopatin informa que Bakunin espalha que Marx seria um agente de Bismarck.
- Em 1870, Marx se encontra - com freqüência - com Tomanovskaia que traz informações sobre a seção russa da AIT e discute sobre a comuna russa (muito antes da Vera Zassoulich!).
Em 1872 Marx pede que Danielson mande notícias sobre Tchernychevski, para despertar simpatias a seu favor no Ocidente.
- Em 1873 lê vários livros russos. E acompanha o debate entre Tchernychevski e Bieliaiev a respeito do desenvolvimento histórico russo.
- Em 1874, recebe visita de Lavrov, revolucionário russo e editor da revista Vperiod!
- Em 1875, Engels discute numa série de textos com Tkatchev. Escreve a questão social da Rússia.
- Marx diz em 1875: “Engels e eu, quando entramos pela primeira vez na sociedade secreta dos comunistas, nós o fizemos sob a condição de que os estatutos descartassem  tudo aquilo que pudesse favorecer a fé na autoridade”.
- Marx se encontra periodicamente com o historiador russo Maxim Kovaleski.
- Ainda em 1875, Lavrov convida Marx para falar para poloneses.
- Em 1877 vários escritos sobre a Guerra russo-turca. Novamente afirma: “A revolução começa no leste”.
- Marx discute com Mikhailovski sobre o capítulo “a assim chamada acumulação primitiva” de O Capital.
- Em 1878 escreve como as ambições do Império Russo poderiam causar uma guerra européia.
- Em 1879 escreve vários artigos sobre a Rússia. 
- Em setembro de 1879, Engels a pedido de Marx, escreve um texto criticando as lideranças social-democratas que menosprezam a auto-organização da classe operária: “Quanto a nós, por todo nosso passado, só nos resta um caminho. Assinalamos, há quase quarenta anos, a luta de classes como o motor mais decisivo da história, e designamos a luta social entre a burguesia e o proletariado como a grande alavanca da revolução social moderna (...). Nós formulamos, quando da criação da Internacional, a divisa de nosso combate: A emancipação da classe operária será obra da própria classe operária. Não podemos, por conseqüência, trilhar uma rota comum com gente que declara abertamente que os operários são demasiado incultos para se libertar sozinhos e que devem ser libertados pelo alto, isto é, por pequenos e grandes burgueses filantropos”.
- Em 1880, libera a Danielson todas as suas anotações sobre a economia na Rússia. 
- Em novembro, Marx elogia os terroristas russos que “arriscam sua pele”, enquanto que “o partido, chamado da propaganda” reside em Genebra e se opõe a toda ação política e revolucionária, acreditando que “a Rússia, através de um salto mortal, alcançará o milênio anarco-comunista-ateísta”. 
- Partido Narodnaia Volia presta homenagens a obra de Marx.
- Em dezembro, o narodnik Morozov visita Marx e explica a cisão do partido terra e liberdade na luta contra o czar.
- Em 1881, Marx faz leituras sobre a Rússia (Skrebitski, Golovatchov, Skaldin, Danielson, Janson e outros). Troca inúmeras cartas com Danielson e Vera sobre as comunas russas.
- Em abril, comenta sobre os terroristas russos novamente: “São pessoas de capacidade extraordinária, sem pose melodramática, simplesmente, concretos, heróicos. Ulular e agir são duas coisas completamente inconciliáveis. O comitê executivo de Petersburgo, cuja ação é tão enérgica, publica manifestos de uma moderação refinada. Bem distante da maneira colegial dos Most e de outros tagarelas infantis, que pregam o tiranicídio como uma teoria e uma panacéia. Ao contrário, eles se esforçam por mostrar à Europa que seu método de ação é especificamente russo, historicamente inevitável, sobre o qual é vão moralizar – a favor ou contra – como seria em relação a um tremor de terras em Chios”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segunda parte:</p>
<p>Destacar frases “exemplares” para confirmar uma tese também não parece ser um bom percurso para fazermos uma análise crítica da esquerda e desmistificarmos a história. É preciso contextualizá-las numa conjuntura muito mais ampla. Um bom exercício seria o de confrontar os escritos da época, com a historiografia atual. </p>
<p>Sobre a Comuna, Marx fez críticas, mas em nenhum momento desrespeitou as pessoas que morreram lutando diretamente a favor dela (tampouco se colocou acima delas). Tomar e controlar as instituições burguesas da França, não significava “planificar a economia” ou criar um novo aparelho repressivo. Marx deixa muito claro sua opinião sobre isso: “A classe dos trabalhadores não pode simplesmente tomar em seu poder a máquina do Estado já pronta e acioná-la em benefícios de seus próprios interesses”.</p>
<p>Opiniões &#8211; sobre o alcance do movimento proclamadas no calor da hora &#8211; devem ser entendidas como algo histórico. Dúvidas e possíveis erros de análises eram inevitáveis.</p>
<p>Outro absurdo, agora escrito por um comentador do site, que possivelmente se apóia nas análises do João Bernardo sobre o marxismo e o nacionalismo (Marx e Engels abrindo o caminho para o desenvolvimento do nazismo). Em direção contrária a tal absurdo, podemos ver nos textos sobre a Alemanha, principalmente de Engels, um acento na necessidade política de se estabelecer antes de tudo as condições burguesas na economia e na política. Ao mesmo tempo, porém, encontramos aí a idéia de que na Alemanha o liberalismo econômico não coincide com liberalismo político, ou seja, que a instauração do capitalismo não caminha paralelamente com a restauração política. Tais afirmações podem nos ajudar a entender o fascismo alemão (ou seja, a partir da idéia da miséria alemã. E não numa defesa cega pela nação alemã). </p>
<p>Os xingamentos por mais numerosos e abomináveis que sejam não são capazes de confirmar uma teoria (essa também é a posição de M. Löwy no seu livro sobre o marxismo e o nacionalismo). Aliás, é sempre bom lembrar que tais xingamentos também tiveram como alvo os países ocidentais, ou se quiserem, os grandes estados desenvolvidos. Dolf Ohler, importante estudioso das revoluções de 1848, nos demonstra como após as grandes derrotas, os derrotados (e não vencedores, como quer um leitor do site) recorrem a uma espécie de “bestialização” do inimigo. Dá diversos exemplos de artistas e intelectuais ofendendo setores da sociedade: Fourier, Proudhon, Baudelaire, Victor Hugo, Tocqueville, Marx, Engels e muitos outros. No caso de Marx/Engels, o ataque aos russos deve ser entendido em conjunto com seus estudos sobre a diplomacia russa e sobre o lugar que a Rússia ocupava no concerto das nações. Posição da contra-revolução, pelo menos desde o Congresso de Viena.</p>
<p>Enfim, Marx/Engels anti-eslavistas? Nacionalistas? Autoritário? Se analisarmos todo o percurso intelectual dos dois, veremos que Marx e Engels participaram de uma intensa troca intelectual e política com os russos e poloneses desde suas juventudes. Foram importantes para os russos no interior da AIT. Veremos também que para eles não bastava à emancipação nacional (essa poderia servir para uma superação do Antigo Regime, mas nunca foi confundida como uma emancipação em si mesma). E por fim, Marx e Engels defendiam um socialismo libertário e por isso criticavam lideranças partidárias e intelectuais filantropos. E também respeitavam e buscavam entender a lógica das lutas particulares (ver opiniões sobre a Rússia).</p>
<p>Para quem tiver tempo, segue abaixo uma breve cronologia da vida de Marx e Engels demonstrando esses pontos (lembrando que isso são apenas informações necessárias para uma boa analise desmistificadora da história):</p>
<p>&#8211; Marx e Engels mantinham contato com militantes russos desde a década de 40 do século XIX.<br />
&#8211; Anualmente discursavam a favor da Polônia (nos aniversários da insurreição polonesa de 1830).<br />
&#8211; Em 1855, Engels reconhece que o pan-eslavismo não tende somente para independência nacional. E que ele tem diversas formas, por assim dizer, democrático e socialista.<br />
&#8211; Num artigo sobre a Sardenha, Marx acusa a burguesia confundir emancipação nacional com emancipação social.<br />
&#8211; Em 1858, Marx escreve para Engels: “Diante da virada otimista que o comercio mundial assume atualmente (&#8230;), é pelo menos um consolo que a revolução tenha começado na Rússia”. (está pensando na movimentação dos servos). Mais a frente: “Para nós, a difícil questão é a seguinte: a revolução no continente é iminente e tornará imediatamente caráter socialista; não será ela necessariamente esmagada nesse pequeno espaço, visto que em terreno muito mais vasto o movimento da sociedade burguesa ainda é ascendente?”<br />
&#8211; Em 1860, diz Marx: “O que se passa hoje no mundo é, a meu ver, de um lado, o movimento dos escravos na América, desencadeado pela morte de Brown, e, de outro, o mesmo movimento na Rússia”.<br />
&#8211; Em abril de 1860, o jornalista liberal russo Sazanov, fala dos cursos de economia política na Rússia baseados no pensamento de Marx.<br />
&#8211; Em 1861, Marx diz a Lassale que suas opiniões sobre a Rússia são baseadas em estudos sobre a diplomacia russa. “(&#8230;) odiar e compreender são duas coisas bem diferentes”.<br />
&#8211; Em 1863, Marx novamente olhando para Polônia assume sobre a Revolução européia: “Há que esperar que desta vez a lava escorra do Leste para o Oeste, e não ao revés (&#8230;)”.<br />
&#8211; Em 1866 escreve: “A liderança não é jamais uma coisa agradável, nem uma coisa que eu ambicione. Tenho sempre diante dos olhos teu pai dizendo a respeito (&#8230;) o tropeiro é sempre odiado pelos asnos”.<br />
&#8211; Em dezembro de 1868 uma anedota. Diz Bakunin para Marx: “Eu faço hoje o que você começou a fazer há mais de vinte anos (&#8230;). Minha pátria, agora, é a Internacional, da qual você é um dos principais fundadores. Veja então, caro amigo, que sou seu discípulo, e tenho orgulho de ser”.<br />
&#8211; Em março de 1869, Lafargue informa Marx que Blanqui o estima muito. E que ficou entusiasmado com o Anti-proudhon de Marx.<br />
&#8211; Marx estuda russo para ler “A situação da classe operária na Rússia” de Flévoroski. Em 1870 diz para Engels: “É o livro mais importante que apareceu desde o teu trabalho sobre a Situação da classe trabalhadora”.<br />
&#8211; Assume que a revolução social na Rússia é eminente.<br />
&#8211; Em abril de 1870, um grupo de russos pede a Marx que os represente no Conselho Geral.<br />
&#8211; Em junho, recebe a visita de Hermann Lopatin, revolucionário russo, que informa sobre o destino de Tchernychevski, exilado na Sibéria. E conta sobre o bakuninista Netchaiev que assassinou um de seus próprios partidários.<br />
&#8211; Lopatin informa que Bakunin espalha que Marx seria um agente de Bismarck.<br />
&#8211; Em 1870, Marx se encontra &#8211; com freqüência &#8211; com Tomanovskaia que traz informações sobre a seção russa da AIT e discute sobre a comuna russa (muito antes da Vera Zassoulich!).<br />
Em 1872 Marx pede que Danielson mande notícias sobre Tchernychevski, para despertar simpatias a seu favor no Ocidente.<br />
&#8211; Em 1873 lê vários livros russos. E acompanha o debate entre Tchernychevski e Bieliaiev a respeito do desenvolvimento histórico russo.<br />
&#8211; Em 1874, recebe visita de Lavrov, revolucionário russo e editor da revista Vperiod!<br />
&#8211; Em 1875, Engels discute numa série de textos com Tkatchev. Escreve a questão social da Rússia.<br />
&#8211; Marx diz em 1875: “Engels e eu, quando entramos pela primeira vez na sociedade secreta dos comunistas, nós o fizemos sob a condição de que os estatutos descartassem  tudo aquilo que pudesse favorecer a fé na autoridade”.<br />
&#8211; Marx se encontra periodicamente com o historiador russo Maxim Kovaleski.<br />
&#8211; Ainda em 1875, Lavrov convida Marx para falar para poloneses.<br />
&#8211; Em 1877 vários escritos sobre a Guerra russo-turca. Novamente afirma: “A revolução começa no leste”.<br />
&#8211; Marx discute com Mikhailovski sobre o capítulo “a assim chamada acumulação primitiva” de O Capital.<br />
&#8211; Em 1878 escreve como as ambições do Império Russo poderiam causar uma guerra européia.<br />
&#8211; Em 1879 escreve vários artigos sobre a Rússia.<br />
&#8211; Em setembro de 1879, Engels a pedido de Marx, escreve um texto criticando as lideranças social-democratas que menosprezam a auto-organização da classe operária: “Quanto a nós, por todo nosso passado, só nos resta um caminho. Assinalamos, há quase quarenta anos, a luta de classes como o motor mais decisivo da história, e designamos a luta social entre a burguesia e o proletariado como a grande alavanca da revolução social moderna (&#8230;). Nós formulamos, quando da criação da Internacional, a divisa de nosso combate: A emancipação da classe operária será obra da própria classe operária. Não podemos, por conseqüência, trilhar uma rota comum com gente que declara abertamente que os operários são demasiado incultos para se libertar sozinhos e que devem ser libertados pelo alto, isto é, por pequenos e grandes burgueses filantropos”.<br />
&#8211; Em 1880, libera a Danielson todas as suas anotações sobre a economia na Rússia.<br />
&#8211; Em novembro, Marx elogia os terroristas russos que “arriscam sua pele”, enquanto que “o partido, chamado da propaganda” reside em Genebra e se opõe a toda ação política e revolucionária, acreditando que “a Rússia, através de um salto mortal, alcançará o milênio anarco-comunista-ateísta”.<br />
&#8211; Partido Narodnaia Volia presta homenagens a obra de Marx.<br />
&#8211; Em dezembro, o narodnik Morozov visita Marx e explica a cisão do partido terra e liberdade na luta contra o czar.<br />
&#8211; Em 1881, Marx faz leituras sobre a Rússia (Skrebitski, Golovatchov, Skaldin, Danielson, Janson e outros). Troca inúmeras cartas com Danielson e Vera sobre as comunas russas.<br />
&#8211; Em abril, comenta sobre os terroristas russos novamente: “São pessoas de capacidade extraordinária, sem pose melodramática, simplesmente, concretos, heróicos. Ulular e agir são duas coisas completamente inconciliáveis. O comitê executivo de Petersburgo, cuja ação é tão enérgica, publica manifestos de uma moderação refinada. Bem distante da maneira colegial dos Most e de outros tagarelas infantis, que pregam o tiranicídio como uma teoria e uma panacéia. Ao contrário, eles se esforçam por mostrar à Europa que seu método de ação é especificamente russo, historicamente inevitável, sobre o qual é vão moralizar – a favor ou contra – como seria em relação a um tremor de terras em Chios”.</p>
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		<title>
		Por: Danilo Chaves Nakamura		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/05/39835/#comment-26444</link>

		<dc:creator><![CDATA[Danilo Chaves Nakamura]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 May 2011 23:52:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Primeira parte das minhas discordâncias.

Procuro ler os textos políticos de Marx e Engels dum ponto de vista completamente diferente do autor e, principalmente, dos três sujeitos que comentaram. 

Como sempre afirmaram Marx e Engels, suas análises históricas buscavam chamar a atenção da classe trabalhadora sobre a realidade do(s) capitalismo(s) particular. Assim, os escritos políticos – a meu ver – devem ser tomados como testemunhos singulares dos esforços despendidos por Marx e Engels para desenvolver teorias que levam em conta os dados concretos, revelam, igualmente, o quanto eles estão preocupados em desvendar “as correntes profundas da sociedade moderna”. E em mostrar que elas constituem um elemento geral que se revela nas particularidades individuais da “superfície da sociedade”.

Como bem destacou o teórico alemão Eike Henning, podemos ver nos textos políticos de Marx e Engels os seguintes complexos de temas:
•	Análise do Estado e análise das classes (as quais são apresentadas sem levar em conta, de modo geral, análises conjunturais independentes);
•	Informação da classe operária na forma de crítica: 1) às formas primitivas da política do Estado social; caracterizada ironicamente como “doçura do regime da burguesia”; 2) à tentativa burguesa de “colocar uma parte dos proletários contra a outra”; 3) à divisão da classe dos trabalhadores de acordo com diferenças étnicas; 4) à posição sindical; 5) à posição anarquista; 6) ao papel da pequena burguesia no que diz respeito ao proletariado.
•	Análise da burguesia, isto é, das frações do capital, das suas variadas intenções políticas, bem como das institucionalizações do direito do Estado, e análise dos efeitos da industrialização e do liberalismo político.
•	Análise da política internacional, com o intuito de conhecer as condições e perspectivas da política mundial e externa que possam vir a ser úteis para uma revolução socialista.

Todos esses pontos culminam na intenção de compreender do modo mais abrangente possível as estratégias das classes sociais e as formas da política. E neste processo a discussão de estratégias políticas é ligada à análise das formas políticas. É por isso que os escritos políticos são essencialmente contra a atitude daqueles que, ao discutirem a tática e a estratégia da classe operária, menosprezam as formas políticas concretas do Estado particular.

Uma análise que busca desmistificar a história e que procura fazer uma crítica interna da experiência histórica da esquerda, deveria ter mais atenção com o material que analisa. Como dizia Marx: “(...) é preciso ter cuidado não só com os princípios, mas também com os detalhes...!”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primeira parte das minhas discordâncias.</p>
<p>Procuro ler os textos políticos de Marx e Engels dum ponto de vista completamente diferente do autor e, principalmente, dos três sujeitos que comentaram. </p>
<p>Como sempre afirmaram Marx e Engels, suas análises históricas buscavam chamar a atenção da classe trabalhadora sobre a realidade do(s) capitalismo(s) particular. Assim, os escritos políticos – a meu ver – devem ser tomados como testemunhos singulares dos esforços despendidos por Marx e Engels para desenvolver teorias que levam em conta os dados concretos, revelam, igualmente, o quanto eles estão preocupados em desvendar “as correntes profundas da sociedade moderna”. E em mostrar que elas constituem um elemento geral que se revela nas particularidades individuais da “superfície da sociedade”.</p>
<p>Como bem destacou o teórico alemão Eike Henning, podemos ver nos textos políticos de Marx e Engels os seguintes complexos de temas:<br />
•	Análise do Estado e análise das classes (as quais são apresentadas sem levar em conta, de modo geral, análises conjunturais independentes);<br />
•	Informação da classe operária na forma de crítica: 1) às formas primitivas da política do Estado social; caracterizada ironicamente como “doçura do regime da burguesia”; 2) à tentativa burguesa de “colocar uma parte dos proletários contra a outra”; 3) à divisão da classe dos trabalhadores de acordo com diferenças étnicas; 4) à posição sindical; 5) à posição anarquista; 6) ao papel da pequena burguesia no que diz respeito ao proletariado.<br />
•	Análise da burguesia, isto é, das frações do capital, das suas variadas intenções políticas, bem como das institucionalizações do direito do Estado, e análise dos efeitos da industrialização e do liberalismo político.<br />
•	Análise da política internacional, com o intuito de conhecer as condições e perspectivas da política mundial e externa que possam vir a ser úteis para uma revolução socialista.</p>
<p>Todos esses pontos culminam na intenção de compreender do modo mais abrangente possível as estratégias das classes sociais e as formas da política. E neste processo a discussão de estratégias políticas é ligada à análise das formas políticas. É por isso que os escritos políticos são essencialmente contra a atitude daqueles que, ao discutirem a tática e a estratégia da classe operária, menosprezam as formas políticas concretas do Estado particular.</p>
<p>Uma análise que busca desmistificar a história e que procura fazer uma crítica interna da experiência histórica da esquerda, deveria ter mais atenção com o material que analisa. Como dizia Marx: “(&#8230;) é preciso ter cuidado não só com os princípios, mas também com os detalhes&#8230;!”</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eduardo A. S. Cunha		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/05/39835/#comment-26355</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo A. S. Cunha]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 May 2011 01:19:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Boa reflexão, gostei muito sobretudo dos pontos a respeito dos mitos e da escrita da História pelos &quot;vencedores&quot; (Engels escrevendo sobre a Comuna). Tive a possibilidade de ver a exposição do João Bernardo ao vivo no dia 23/05, com todo o sarcasmo e as provocações bem colocadas. Seria muito bom se essa reflexão fosse publicada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Boa reflexão, gostei muito sobretudo dos pontos a respeito dos mitos e da escrita da História pelos &#8220;vencedores&#8221; (Engels escrevendo sobre a Comuna). Tive a possibilidade de ver a exposição do João Bernardo ao vivo no dia 23/05, com todo o sarcasmo e as provocações bem colocadas. Seria muito bom se essa reflexão fosse publicada.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/05/39835/#comment-26316</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 May 2011 01:39:49 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=39835#comment-26316</guid>

					<description><![CDATA[Discordo de uma certa generalização no comentário do Henrique.
Quanto ao MST, por exemplo, acho que pelo contrário de se colocarem numa situação de pioneirismo, se colocam em continuidade numa luta pela terra de décadas e séculos. Não vejo tentativa de apagar lutas passadas, pelo contrário. Muita mais há a tentativa de mostrar que lutas, como a do Contestado por exemplo, eram em torno da questão da terra, entre um povo expulso e multinacionais e latifundiários.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Discordo de uma certa generalização no comentário do Henrique.<br />
Quanto ao MST, por exemplo, acho que pelo contrário de se colocarem numa situação de pioneirismo, se colocam em continuidade numa luta pela terra de décadas e séculos. Não vejo tentativa de apagar lutas passadas, pelo contrário. Muita mais há a tentativa de mostrar que lutas, como a do Contestado por exemplo, eram em torno da questão da terra, entre um povo expulso e multinacionais e latifundiários.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
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