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	Comentários sobre: Domingo na Marcha (4ª parte)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Eric		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/07/42227/#comment-31597</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eric]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2011 02:02:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sem querer tomar o tempo de vcs, mas no site que mencionei http://empreendedorescriativos.com.br/ tem entre outros este vídeo, que merece ser assistido. 

CPBR11 - STARTUP Capitalistas sociais

http://www.youtube.com/watch?v=Nf67nyKYWCM&#038;feature=player_embedded

Uploaded by campusparty on Jan 18, 2011

CPBR11 - STARTUP Capitalistas sociais

Discutir o tema economia Criativa e Empreendedorismo Criativo. Esses temas se referem às atividades de criatividade nas habilidades individuais e no talento de inovação. Com intenção de quebrar o paradigma que a criatividade é somente para a arte, serão abordados aspectos que demonstram que criatividade é algo intrínseco ao empreendedorismo e na economia global.

Participantes:

Adolfo Menezes Melito: Presidente do Instituto da Economia Criativa e Presidente do Conselho de Economia Criativa da Fecomercio-SP
Marcelo Rosenbaum - Criativo do quadro&quot; Lar Doce Lar&quot;, do programa Caldeirão do Huck.
Gil Giardelli - Ceo Gaia Creative, empresa de comunicação especializada em redes sociais.
Dra Valéria Brandini - Antropóloga especialista em multimeios.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sem querer tomar o tempo de vcs, mas no site que mencionei <a href="http://empreendedorescriativos.com.br/" rel="nofollow ugc">http://empreendedorescriativos.com.br/</a> tem entre outros este vídeo, que merece ser assistido. </p>
<p>CPBR11 &#8211; STARTUP Capitalistas sociais</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Nf67nyKYWCM&#038;feature=player_embedded" rel="nofollow ugc">http://www.youtube.com/watch?v=Nf67nyKYWCM&#038;feature=player_embedded</a></p>
<p>Uploaded by campusparty on Jan 18, 2011</p>
<p>CPBR11 &#8211; STARTUP Capitalistas sociais</p>
<p>Discutir o tema economia Criativa e Empreendedorismo Criativo. Esses temas se referem às atividades de criatividade nas habilidades individuais e no talento de inovação. Com intenção de quebrar o paradigma que a criatividade é somente para a arte, serão abordados aspectos que demonstram que criatividade é algo intrínseco ao empreendedorismo e na economia global.</p>
<p>Participantes:</p>
<p>Adolfo Menezes Melito: Presidente do Instituto da Economia Criativa e Presidente do Conselho de Economia Criativa da Fecomercio-SP<br />
Marcelo Rosenbaum &#8211; Criativo do quadro&#8221; Lar Doce Lar&#8221;, do programa Caldeirão do Huck.<br />
Gil Giardelli &#8211; Ceo Gaia Creative, empresa de comunicação especializada em redes sociais.<br />
Dra Valéria Brandini &#8211; Antropóloga especialista em multimeios.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eric		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/07/42227/#comment-31565</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eric]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2011 23:32:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não sei se interessa, talvez chovendo no molhado, mas acabo de tirar do spam de minha caixa postal http://empreendedorescriativos.com.br/. Bem banana....

Realização: Cemec http://redecemec.com.br/
Parceria: Santander http://www.santander.com.br/


Brjs, Eric]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei se interessa, talvez chovendo no molhado, mas acabo de tirar do spam de minha caixa postal <a href="http://empreendedorescriativos.com.br/" rel="nofollow ugc">http://empreendedorescriativos.com.br/</a>. Bem banana&#8230;.</p>
<p>Realização: Cemec <a href="http://redecemec.com.br/" rel="nofollow ugc">http://redecemec.com.br/</a><br />
Parceria: Santander <a href="http://www.santander.com.br/" rel="nofollow ugc">http://www.santander.com.br/</a></p>
<p>Brjs, Eric</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas Gordon		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/07/42227/#comment-31311</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas Gordon]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2011 01:23:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bruno Cava,
que tal ler o resto do site?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bruno Cava,<br />
que tal ler o resto do site?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcelo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/07/42227/#comment-31282</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jul 2011 23:04:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=42227#comment-31282</guid>

					<description><![CDATA[Bruno Cava,

a alternativa é financiar o Facção Central.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bruno Cava,</p>
<p>a alternativa é financiar o Facção Central.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Bruno Cava		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/07/42227/#comment-31017</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bruno Cava]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jul 2011 16:12:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=42227#comment-31017</guid>

					<description><![CDATA[Prezados,

De http://www.quadradodosloucos.com.br/1691/dormindo-na-marcha-3/, compartilho:

Cada vez mais fica clara a referência teória do Passa Palavra. Em 1987, o teórico marxista e capo militante João Bernardo escreveu Capital, Sindicatos, Gestores (1987). Nesse livro, expõe a sua teoria dos gestores — burocratas do estado ou gerentes/executivos de empresas. Os gestores não integram a classe proletária, servem como altos funcionários do capital e são centrais para a cooptação do movimento operário. Em síntese, “A partir do momento em que são os gestores que comandam incontestadamente o capitalismo, é o antagonismo entre eles e a classe operária que passa para primeiro plano.” (p. 9).

No Brasil, o sociólogo do trabalho Ricardo Antunes, fundador e intelectual orgânico do PSOL, em Adeus ao trabalho? (2008, 15ª ed.), entre outros, compartilha de tese semelhante, tomando por objeto de estudo o sindicalismo: “Uma tendência crescente de burocratização e institucionalização das entidades sindicais, que se distanciam dos movimentos sociais autônomos”, com consequente “distanciamento cada vez maior de ações anticapitalistas e perda da radicalidade social” e “incapacidade para desenvolver e desencadear uma ação para além do capital” (p. 70). Logo a seguir, em nota de fim de capítulo, elogia João Bernardo, que “levou ao limite esta crítica, mostrando, não sem boa dose de razão, que os sindicatos tornaram-se também grandes empresas capitalistas, atuando, enquanto tal, sob uma lógica que em nada difere das empresas privadas. (p. 75)

Essa matriz é então utilizada para identificar uma lógica de gestão empresarial capitalista, seja no coletivo Fora do Eixo, no Instituto Overmundo, na Casa da Cultura Digital e, generalizando, no amplo e heterogêneo espectro de grupos e coletivos organizados ao redor de editais e programas do ministério da cultura no governo Lula, com Gilberto Gil (2003-08) e Juca Ferreira (2009-10).

Na ótica do Passa Palavra, tais grupos não passam de “ativismo empresarial”, sob o ponto de vista do trabalho. Disfarçam-se de inovação, militância 2.0 e discurso revolucionário para fazer o mais do mesmo: a exploração capitalista do trabalho. Assim, cooptam energias rebeldes da juventude, usurpam as bandeiras da esquerda e agem como colaboracionistas para o desenvolvimento de um novo capitalismo de redes e fluxos. A disputa entre esses movimentos político-culturais 2.0, de um lado, e a indústria cultural, ECAD, IIPA, SECULT-PT e medalhões, do outro, não vai além de uma briga interna ao capital, entre os exploradores fordistas e os pós-fordistas. Sim, é o novo contra o velho, porém todos inteiramente atrelados à lógica do capital e sua mercantilização da cultura. O Overmundo, o Fora do Eixo, o Creative Commons, a Casa da Cultura Digital, os Pontos de Cultura em geral, tudo isso não é anticapitalista o bastante, apesar da propaganda. Falta tensão dialética, falta luta de classe, falta rancor. Basta analisar a dinâmica produtiva do Tecnobrega, para ali perceber a formação de uma indústria desigual, da divisão social e de um regime de acumulação. Se esse é o “novo modelo de negócios”, nada mais capitalista, logo injusto.

Na realidade, para o Passa Palavra, todas essas iniciativas sob crítica são ainda outra vez capitalismo — um capitalismo mais profundo e abrangente. Não admira o rapper Emicida vender a sua contracultura e atitude irresignada e se tornar o garoto-propaganda do Banco Itaú. Nem tantos slogans de “responsabilidade social” ou “consciência ambiental” na publicidade empresarial. Starts with you! O capitalismo cognitivo, enfim, não vende produtos, mas mundos em que esses produtos existem. Isso já se conhecia desde as sofisticadas propagandas de cigarro nos anos 1980/90, em que todo um modo de vida modernoso era engendrado para cada marca.

Assim como a geléia geral da contracultura dos anos 1960 terminou reapropriada pela ordem capitalista, o pós-modernismo se integrou inteiramente ao fetichismo da mercadoria na sociedade de consumo. Daí o rancor dos textos, quando os novos gestores e empresários, e o Fora do Eixo em especial, tentam capitalizar simbolicamente em cima das marchas das liberdades. Pior do que isso, agora os gestores não fazem mais nada, limitando-se a capturar o ciclo produtivo de fora, chamando-o malandramente de “externalidade positiva”. Nada mais vampiresco. Eis a origem da necessidade de denunciá-los, de expô-los como traidores da classe, colaboracionistas em pele de cordeiro.

Afinal, vocês, ativistas 2.0, não passam de acadêmicos new age deslumbrados e empresários da novidade-que-veio-dar-à-praia, em qualquer caso distantes da verdadeira revolta que move os oprimidos e alimenta o motor das rupturas históricas. Então, a certa altura, o Passa Palavra mostra o muque, cospe no chão e se proclama mais militante: “Não há teoria que não seja reflexão sobre lutas concretas, reais, vividas, sentidas na pele e narradas por aqueles que lutam, enquanto lutam. E é o que temos feito.”

A análise é pertinente, bem estruturada, marxista e parte de premissas indisputáveis. Mas onde está o erro? o tremendo desvio de perspectiva? nas conclusões?

É claro que o mercado engorda os olhos para o manancial de novos movimentos político-culturais. É evidente que as suas engrenagens buscarão reapropriar-se e alimentar-se dos novos modos de produzir e organizar, transformando-os em mercadorias e imagens e espetáculo. O carnaval, o tropicalismo, o samba, o funk, o hip hop, a cultura hacker, o compartilhamento, as redes produtivas de cultura, os fluxos de afetos e desejos da geração, tudo isso é óbvio que se tentará tirar da circulação comum, privatizar, pôr um preço e atrapalhar, quiçá criminalizar o uso livre. É assim mesmo que funciona a Grande Máquina: canibalizando o trabalho vivo, o trabalho social combinado, tudo o que os homens produzem e se produzem e se valorizam, nesse processo de constituição do mundo.

Os autores do Passa Palavra insistem na luta de classe. Ora, isso é reconhecer, em primeiro lugar, que a relação social mediada pelas coisas possui dois pólos. Que, onde há exploração e explorado, também há resistência e sujeito político. Que, se o capitalismo tanto se interessa por certos processos de produção e valoração, é porque ali há trabalho e riqueza. Porque sem isso, sem o trabalho vivo, sem a potência de vida dos homens, o capital não é capaz de produzir nada. Então menos do que recuar e torcer o nariz para esses movimentos tão produtivos (eureca, o capitalismo já percebeu isso!), é preciso mergulhar neles. Pessimismo na razão, otimismo na ação. Faz-se urgente mergulhar com todo o senso crítico e toda a revolta rancorosa nunca-ressentida da geração.

O tropicalismo, a contracultura, ora, a Revolução Russa tiveram seus momentos de lutas inovadoras, seus devires libertários e comunistas. Toda revolução são muitas revoluções. Se depois foram neutralizados, mastigados, deformados, se depois passaram a falar em nome disso tudo para outros propósitos, como de fato passaram, ora, isso foi depois. Não dá pra julgar a revolução pelo futuro da revolução. Seria a suma injúria. Existe toda uma memória militante, muito além da história que ficou, onde faíscas e lampejos podem ressignificar o presente e, uma vez mais, efetuarem-se no sentido da libertação. Porque, acredito, ninguém é ingênuo para sustentar que a virada digital resolva os problemas do estado, dos partidos e dos patrões, como se sovietes e internet conduzisse ao fim da história.

Vale escutar o coletivo EduFactory: “Acolher a radical inovação da forma-rede significa, antes de tudo, assumi-la como um campo de batalha, continuamente atravessado por diferenciais de potência e por linhas de força antagonistas, pela produção do comum e pelas tentativas de capturá-lo.  E evitar toda e qualquer teleologia ingênua que termine por ler a intelectualização do trabalho como desmaterialização das relações sociais e o fim das experiências de luta. A rede é, ao contrário, uma estrutura hierárquica, e que a horizontalidade não é nada além de uma relação de força que é posta em questão. As práticas de subtração e autonomia, por um lado, e os processos de captura e de subsunção, por outro, constituem o ponto de tensão imanente à cooperação social.”

Portanto, identificar e esquadrinhar as estratégias da reconfiguração capitalista, do fordismo ao pós-fordismo, é fundamental. Nisso, o Passa Palavra acerta. Forte no diagnóstico, mas por enquanto insuficiente em como resistir. Deve-se passar, agora, ao segundo estágio. O que fazer. Como imergir nesse movimento, sem medo ou ressentimento, e contribuir para dar-lhe um sentido libertador? Como caçar o capitalismo de dentro, já que a relação social é antagonista? Porque se há trabalho vivo ali, habemus proletariado. Quem são os aliados e parceiros nessa luta? Como entrelaçar-se com eles, dialogicamente, ajudar a “sistematizar seus anseios e construir uma pauta que movimente todos numa direção comum“?

Decerto jamais com conclusões peremptórias, que apontam o dedo ao diferente para acusar-lhe de inimigo ou traidor de classe. A crítica constrói quando explora as condições de possibilidade da superação do que existe. E não como dialética puramente negativa, que tende ao diletantismo e à paralisia prática. Não há como contornar, em todo esse formidável esforço do Passa Palavra, certo tom sectário e até mesmo auto-indulgente. O que, aliás, o MinC com Gil e Juca menos adotou, uma vez ocupado pelos movimentos sociais que fazem a luta do trabalho e por dentro dele.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezados,</p>
<p>De <a href="http://www.quadradodosloucos.com.br/1691/dormindo-na-marcha-3/" rel="nofollow ugc">http://www.quadradodosloucos.com.br/1691/dormindo-na-marcha-3/</a>, compartilho:</p>
<p>Cada vez mais fica clara a referência teória do Passa Palavra. Em 1987, o teórico marxista e capo militante João Bernardo escreveu Capital, Sindicatos, Gestores (1987). Nesse livro, expõe a sua teoria dos gestores — burocratas do estado ou gerentes/executivos de empresas. Os gestores não integram a classe proletária, servem como altos funcionários do capital e são centrais para a cooptação do movimento operário. Em síntese, “A partir do momento em que são os gestores que comandam incontestadamente o capitalismo, é o antagonismo entre eles e a classe operária que passa para primeiro plano.” (p. 9).</p>
<p>No Brasil, o sociólogo do trabalho Ricardo Antunes, fundador e intelectual orgânico do PSOL, em Adeus ao trabalho? (2008, 15ª ed.), entre outros, compartilha de tese semelhante, tomando por objeto de estudo o sindicalismo: “Uma tendência crescente de burocratização e institucionalização das entidades sindicais, que se distanciam dos movimentos sociais autônomos”, com consequente “distanciamento cada vez maior de ações anticapitalistas e perda da radicalidade social” e “incapacidade para desenvolver e desencadear uma ação para além do capital” (p. 70). Logo a seguir, em nota de fim de capítulo, elogia João Bernardo, que “levou ao limite esta crítica, mostrando, não sem boa dose de razão, que os sindicatos tornaram-se também grandes empresas capitalistas, atuando, enquanto tal, sob uma lógica que em nada difere das empresas privadas. (p. 75)</p>
<p>Essa matriz é então utilizada para identificar uma lógica de gestão empresarial capitalista, seja no coletivo Fora do Eixo, no Instituto Overmundo, na Casa da Cultura Digital e, generalizando, no amplo e heterogêneo espectro de grupos e coletivos organizados ao redor de editais e programas do ministério da cultura no governo Lula, com Gilberto Gil (2003-08) e Juca Ferreira (2009-10).</p>
<p>Na ótica do Passa Palavra, tais grupos não passam de “ativismo empresarial”, sob o ponto de vista do trabalho. Disfarçam-se de inovação, militância 2.0 e discurso revolucionário para fazer o mais do mesmo: a exploração capitalista do trabalho. Assim, cooptam energias rebeldes da juventude, usurpam as bandeiras da esquerda e agem como colaboracionistas para o desenvolvimento de um novo capitalismo de redes e fluxos. A disputa entre esses movimentos político-culturais 2.0, de um lado, e a indústria cultural, ECAD, IIPA, SECULT-PT e medalhões, do outro, não vai além de uma briga interna ao capital, entre os exploradores fordistas e os pós-fordistas. Sim, é o novo contra o velho, porém todos inteiramente atrelados à lógica do capital e sua mercantilização da cultura. O Overmundo, o Fora do Eixo, o Creative Commons, a Casa da Cultura Digital, os Pontos de Cultura em geral, tudo isso não é anticapitalista o bastante, apesar da propaganda. Falta tensão dialética, falta luta de classe, falta rancor. Basta analisar a dinâmica produtiva do Tecnobrega, para ali perceber a formação de uma indústria desigual, da divisão social e de um regime de acumulação. Se esse é o “novo modelo de negócios”, nada mais capitalista, logo injusto.</p>
<p>Na realidade, para o Passa Palavra, todas essas iniciativas sob crítica são ainda outra vez capitalismo — um capitalismo mais profundo e abrangente. Não admira o rapper Emicida vender a sua contracultura e atitude irresignada e se tornar o garoto-propaganda do Banco Itaú. Nem tantos slogans de “responsabilidade social” ou “consciência ambiental” na publicidade empresarial. Starts with you! O capitalismo cognitivo, enfim, não vende produtos, mas mundos em que esses produtos existem. Isso já se conhecia desde as sofisticadas propagandas de cigarro nos anos 1980/90, em que todo um modo de vida modernoso era engendrado para cada marca.</p>
<p>Assim como a geléia geral da contracultura dos anos 1960 terminou reapropriada pela ordem capitalista, o pós-modernismo se integrou inteiramente ao fetichismo da mercadoria na sociedade de consumo. Daí o rancor dos textos, quando os novos gestores e empresários, e o Fora do Eixo em especial, tentam capitalizar simbolicamente em cima das marchas das liberdades. Pior do que isso, agora os gestores não fazem mais nada, limitando-se a capturar o ciclo produtivo de fora, chamando-o malandramente de “externalidade positiva”. Nada mais vampiresco. Eis a origem da necessidade de denunciá-los, de expô-los como traidores da classe, colaboracionistas em pele de cordeiro.</p>
<p>Afinal, vocês, ativistas 2.0, não passam de acadêmicos new age deslumbrados e empresários da novidade-que-veio-dar-à-praia, em qualquer caso distantes da verdadeira revolta que move os oprimidos e alimenta o motor das rupturas históricas. Então, a certa altura, o Passa Palavra mostra o muque, cospe no chão e se proclama mais militante: “Não há teoria que não seja reflexão sobre lutas concretas, reais, vividas, sentidas na pele e narradas por aqueles que lutam, enquanto lutam. E é o que temos feito.”</p>
<p>A análise é pertinente, bem estruturada, marxista e parte de premissas indisputáveis. Mas onde está o erro? o tremendo desvio de perspectiva? nas conclusões?</p>
<p>É claro que o mercado engorda os olhos para o manancial de novos movimentos político-culturais. É evidente que as suas engrenagens buscarão reapropriar-se e alimentar-se dos novos modos de produzir e organizar, transformando-os em mercadorias e imagens e espetáculo. O carnaval, o tropicalismo, o samba, o funk, o hip hop, a cultura hacker, o compartilhamento, as redes produtivas de cultura, os fluxos de afetos e desejos da geração, tudo isso é óbvio que se tentará tirar da circulação comum, privatizar, pôr um preço e atrapalhar, quiçá criminalizar o uso livre. É assim mesmo que funciona a Grande Máquina: canibalizando o trabalho vivo, o trabalho social combinado, tudo o que os homens produzem e se produzem e se valorizam, nesse processo de constituição do mundo.</p>
<p>Os autores do Passa Palavra insistem na luta de classe. Ora, isso é reconhecer, em primeiro lugar, que a relação social mediada pelas coisas possui dois pólos. Que, onde há exploração e explorado, também há resistência e sujeito político. Que, se o capitalismo tanto se interessa por certos processos de produção e valoração, é porque ali há trabalho e riqueza. Porque sem isso, sem o trabalho vivo, sem a potência de vida dos homens, o capital não é capaz de produzir nada. Então menos do que recuar e torcer o nariz para esses movimentos tão produtivos (eureca, o capitalismo já percebeu isso!), é preciso mergulhar neles. Pessimismo na razão, otimismo na ação. Faz-se urgente mergulhar com todo o senso crítico e toda a revolta rancorosa nunca-ressentida da geração.</p>
<p>O tropicalismo, a contracultura, ora, a Revolução Russa tiveram seus momentos de lutas inovadoras, seus devires libertários e comunistas. Toda revolução são muitas revoluções. Se depois foram neutralizados, mastigados, deformados, se depois passaram a falar em nome disso tudo para outros propósitos, como de fato passaram, ora, isso foi depois. Não dá pra julgar a revolução pelo futuro da revolução. Seria a suma injúria. Existe toda uma memória militante, muito além da história que ficou, onde faíscas e lampejos podem ressignificar o presente e, uma vez mais, efetuarem-se no sentido da libertação. Porque, acredito, ninguém é ingênuo para sustentar que a virada digital resolva os problemas do estado, dos partidos e dos patrões, como se sovietes e internet conduzisse ao fim da história.</p>
<p>Vale escutar o coletivo EduFactory: “Acolher a radical inovação da forma-rede significa, antes de tudo, assumi-la como um campo de batalha, continuamente atravessado por diferenciais de potência e por linhas de força antagonistas, pela produção do comum e pelas tentativas de capturá-lo.  E evitar toda e qualquer teleologia ingênua que termine por ler a intelectualização do trabalho como desmaterialização das relações sociais e o fim das experiências de luta. A rede é, ao contrário, uma estrutura hierárquica, e que a horizontalidade não é nada além de uma relação de força que é posta em questão. As práticas de subtração e autonomia, por um lado, e os processos de captura e de subsunção, por outro, constituem o ponto de tensão imanente à cooperação social.”</p>
<p>Portanto, identificar e esquadrinhar as estratégias da reconfiguração capitalista, do fordismo ao pós-fordismo, é fundamental. Nisso, o Passa Palavra acerta. Forte no diagnóstico, mas por enquanto insuficiente em como resistir. Deve-se passar, agora, ao segundo estágio. O que fazer. Como imergir nesse movimento, sem medo ou ressentimento, e contribuir para dar-lhe um sentido libertador? Como caçar o capitalismo de dentro, já que a relação social é antagonista? Porque se há trabalho vivo ali, habemus proletariado. Quem são os aliados e parceiros nessa luta? Como entrelaçar-se com eles, dialogicamente, ajudar a “sistematizar seus anseios e construir uma pauta que movimente todos numa direção comum“?</p>
<p>Decerto jamais com conclusões peremptórias, que apontam o dedo ao diferente para acusar-lhe de inimigo ou traidor de classe. A crítica constrói quando explora as condições de possibilidade da superação do que existe. E não como dialética puramente negativa, que tende ao diletantismo e à paralisia prática. Não há como contornar, em todo esse formidável esforço do Passa Palavra, certo tom sectário e até mesmo auto-indulgente. O que, aliás, o MinC com Gil e Juca menos adotou, uma vez ocupado pelos movimentos sociais que fazem a luta do trabalho e por dentro dele.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: fabricio kc		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/07/42227/#comment-30944</link>

		<dc:creator><![CDATA[fabricio kc]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jul 2011 02:51:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=42227#comment-30944</guid>

					<description><![CDATA[O Passa Palavra acende uma perigosa, fundamental e necessária faísca nas dsicussões sobre políticas públicas culturais, ativismo e lutas sociais! - esse barril de pólvora. E o faz na hora certa, com precisão e com propriedade!

Neste artigo exclusivamente, sinto que o relato sobre a trajetória de Cláudio Prado e suas relações com o Ministério acaba soando como elogioso, embora faça a ressalva de que o pensamento por ele defendido (junto com seus interesses) estava inebriado de falta de &quot;olhar para trás&quot;, de sacar a história (e as lições que hoje já deveríamos ter assimilado). 

Prado realmente hackeou o Estado, e não obstante qualquer interesse mais obscuro, os resultados das políticas de Cultura Digital não são desprezíveis - embora não representem solução alguma para que vê no capitalismo a raiz essencial do problema humano conteporaneo - ao contrário, hackeando-o, o fortalecem e o renovam...

Enfim, creio que o Passa Palavra, sendo radical (como deveríamos ser todos nós: radicais - com raiz e que vai até a raiz das coisas) assume a luta frontal e sem concessões contra um sistema assumidamente perverso. - Assim, ou somos contra o capitalismo, ou somos necessariamente a favor dele. Quem não ajunta, espalha! - E na era da informação, precisamnete quando é mais fácil sacar como o sistema funciona em seus mais secretos (ou ocultados) porões - nesta era, deve ser impossível não reagir com radicalismo e decisão. Conhecer a perversidade exige uma posição: ou somos contra, ou a favor.

Nisso o Passa palavra está de parabens: pergunta - qual a nossa posição?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Passa Palavra acende uma perigosa, fundamental e necessária faísca nas dsicussões sobre políticas públicas culturais, ativismo e lutas sociais! &#8211; esse barril de pólvora. E o faz na hora certa, com precisão e com propriedade!</p>
<p>Neste artigo exclusivamente, sinto que o relato sobre a trajetória de Cláudio Prado e suas relações com o Ministério acaba soando como elogioso, embora faça a ressalva de que o pensamento por ele defendido (junto com seus interesses) estava inebriado de falta de &#8220;olhar para trás&#8221;, de sacar a história (e as lições que hoje já deveríamos ter assimilado). </p>
<p>Prado realmente hackeou o Estado, e não obstante qualquer interesse mais obscuro, os resultados das políticas de Cultura Digital não são desprezíveis &#8211; embora não representem solução alguma para que vê no capitalismo a raiz essencial do problema humano conteporaneo &#8211; ao contrário, hackeando-o, o fortalecem e o renovam&#8230;</p>
<p>Enfim, creio que o Passa Palavra, sendo radical (como deveríamos ser todos nós: radicais &#8211; com raiz e que vai até a raiz das coisas) assume a luta frontal e sem concessões contra um sistema assumidamente perverso. &#8211; Assim, ou somos contra o capitalismo, ou somos necessariamente a favor dele. Quem não ajunta, espalha! &#8211; E na era da informação, precisamnete quando é mais fácil sacar como o sistema funciona em seus mais secretos (ou ocultados) porões &#8211; nesta era, deve ser impossível não reagir com radicalismo e decisão. Conhecer a perversidade exige uma posição: ou somos contra, ou a favor.</p>
<p>Nisso o Passa palavra está de parabens: pergunta &#8211; qual a nossa posição?</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Pedro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/07/42227/#comment-30730</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pedro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jul 2011 20:03:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esse Hermano Vianna não é um dos principais ideólogos e roteiristas dos programas Central da Periferia ( http://www.overmundo.com.br/download_banco/central-da-periferia-texto-de-divulgacao ) e Esquenta! ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquenta! ) da Rede Globo de Televisão???

Não era ele que também estava por trás daquele projeto do &quot;Blog de R$ 1,3 Milhões&quot;, aprovado pelo MINC/Rouanet, para publicação de poesias recitadas por Maria Bethânia ( http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/03/18/hermano-vianna-colunista-comenta-polemica-envolvendo-blog-de-maria-bethania-924039639.asp )???

Qual a novidade, e qual o caráter libertador deste tipo de proposta? Quem realmente tá ganhando com isso?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse Hermano Vianna não é um dos principais ideólogos e roteiristas dos programas Central da Periferia ( <a href="http://www.overmundo.com.br/download_banco/central-da-periferia-texto-de-divulgacao" rel="nofollow ugc">http://www.overmundo.com.br/download_banco/central-da-periferia-texto-de-divulgacao</a> ) e Esquenta! ( <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquenta" rel="nofollow ugc">http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquenta</a>! ) da Rede Globo de Televisão???</p>
<p>Não era ele que também estava por trás daquele projeto do &#8220;Blog de R$ 1,3 Milhões&#8221;, aprovado pelo MINC/Rouanet, para publicação de poesias recitadas por Maria Bethânia ( <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/03/18/hermano-vianna-colunista-comenta-polemica-envolvendo-blog-de-maria-bethania-924039639.asp" rel="nofollow ugc">http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/03/18/hermano-vianna-colunista-comenta-polemica-envolvendo-blog-de-maria-bethania-924039639.asp</a> )???</p>
<p>Qual a novidade, e qual o caráter libertador deste tipo de proposta? Quem realmente tá ganhando com isso?</p>
]]></content:encoded>
		
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		<item>
		<title>
		Por: Tales Pinto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/07/42227/#comment-30722</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tales Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jul 2011 18:56:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Toda essa discussão sobre os negócios culturais me faz lembrar uma cena do filme &quot;O Príncipe&quot; (2002), de Ugo Giorgetti, em que um empresário da cultura tenta mostrar ao seu amigo, recém retornado da França, as &quot;maravilhas&quot; desse nascente filão de mercado no Brasil.

A cena pode ser vista aqui: http://www.youtube.com/watch?v=rxT1aASJO48 ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toda essa discussão sobre os negócios culturais me faz lembrar uma cena do filme &#8220;O Príncipe&#8221; (2002), de Ugo Giorgetti, em que um empresário da cultura tenta mostrar ao seu amigo, recém retornado da França, as &#8220;maravilhas&#8221; desse nascente filão de mercado no Brasil.</p>
<p>A cena pode ser vista aqui: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=rxT1aASJO48" rel="nofollow ugc">http://www.youtube.com/watch?v=rxT1aASJO48</a> </p>
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