<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: O reino da empregabilidade: capital humano e empresas de trabalho temporário. 3) O hard e soft	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2011/07/42689/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2011/07/42689/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Sun, 18 Jul 2021 22:09:35 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: José Nuno Matos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/07/42689/#comment-34444</link>

		<dc:creator><![CDATA[José Nuno Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 09:12:20 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=42689#comment-34444</guid>

					<description><![CDATA[Caro João,
A questão do tempo será sempre pertinente. Melhor, é ainda mais pertinente. Agora, será difícil, na minha opinião, analisar hoje o mundo do trabalho como se a relação entre x produção= y tempo de trabalho fosse absolutamente linear. 

Obviamente que os esforços de Taylor e de outros reformadores da organização científica do trabalho não foram infalíveis, dada a resistência oferecida pelo operário através da abstenção e da sabotagem. Porém, e recuperando a comparação do operário da linha de montagem com o publicitário, no último será tanto mais difícil alcançar a definição de uma fórmula exacta x=y. 

Concordo contigo no que respeita às longas horas de formação do trabalhador qualificado. Mudando de exemplo, do publicitário para o «relações públicas», podemos verificar como a sua “formação profissional” passa por todo um processo de auto-produção. Da participação em cursos e workshops aos almoços onde procurará alargar a sua rede de contactos. As horas gastas neste processo podem, obviamente, ser encaradas como tempo de trabalho. Contudo, mesmo o próprio trabalhador dificilmente conseguirá, ao fim do mês, contabilizar o número de horas de trabalho. Muitas vezes, porque as mesmas coincidiram com episódios da sua vida quotidiana (o jantar com o superior hierárquico será trabalho ou lazer?).
Já o operário, com o horário das 9 às 5, podia facilmente fazer essas contas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João,<br />
A questão do tempo será sempre pertinente. Melhor, é ainda mais pertinente. Agora, será difícil, na minha opinião, analisar hoje o mundo do trabalho como se a relação entre x produção= y tempo de trabalho fosse absolutamente linear. </p>
<p>Obviamente que os esforços de Taylor e de outros reformadores da organização científica do trabalho não foram infalíveis, dada a resistência oferecida pelo operário através da abstenção e da sabotagem. Porém, e recuperando a comparação do operário da linha de montagem com o publicitário, no último será tanto mais difícil alcançar a definição de uma fórmula exacta x=y. </p>
<p>Concordo contigo no que respeita às longas horas de formação do trabalhador qualificado. Mudando de exemplo, do publicitário para o «relações públicas», podemos verificar como a sua “formação profissional” passa por todo um processo de auto-produção. Da participação em cursos e workshops aos almoços onde procurará alargar a sua rede de contactos. As horas gastas neste processo podem, obviamente, ser encaradas como tempo de trabalho. Contudo, mesmo o próprio trabalhador dificilmente conseguirá, ao fim do mês, contabilizar o número de horas de trabalho. Muitas vezes, porque as mesmas coincidiram com episódios da sua vida quotidiana (o jantar com o superior hierárquico será trabalho ou lazer?).<br />
Já o operário, com o horário das 9 às 5, podia facilmente fazer essas contas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: jmb		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/07/42689/#comment-34261</link>

		<dc:creator><![CDATA[jmb]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 09:40:30 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=42689#comment-34261</guid>

					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2011/07/42689/#comment-34251&quot;&gt;João Bernardo&lt;/a&gt;.

Esta explicação do João Bernardo, de que já tomara conhecimento pelo seu livro &lt;em&gt;Economia dos Conflitos Sociais&lt;/em&gt;, lembra-me sempre uma cena do filme &lt;em&gt;Montparnasse 19&lt;/em&gt; (1958), do francês Jacques Becker, que conta a vida do pintor Modigliani (1884-1920), sempre mergulhado na pobreza e no vício do álcool e outras drogas. Nessa cena, um amigo consegue levar ao atelier dele um ricaço estadunidense, tipicamente bruto e de charuto na boca, para lhe comprar um quadro. Não me lembro das palavras exactas do diálogo porque vi o filme há já muitos anos. Mas a conversa é mais ou menos a seguinte: &quot;Quanto é que você quer por este quadro?&quot;, aponta o ricaço. Modigliani dá-lhe um preço alto, para aí 100 dólares. O homem, surpreendido, reage: &quot;Tanto?! Mas você pintou este quadro em quanto tempo? Uma ou duas horas, não?&quot;, e Modigliani responde: &quot;Está enganado. Para pintar este quadro gastei mais de trinta anos&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2011/07/42689/#comment-34251">João Bernardo</a>.</p>
<p>Esta explicação do João Bernardo, de que já tomara conhecimento pelo seu livro <em>Economia dos Conflitos Sociais</em>, lembra-me sempre uma cena do filme <em>Montparnasse 19</em> (1958), do francês Jacques Becker, que conta a vida do pintor Modigliani (1884-1920), sempre mergulhado na pobreza e no vício do álcool e outras drogas. Nessa cena, um amigo consegue levar ao atelier dele um ricaço estadunidense, tipicamente bruto e de charuto na boca, para lhe comprar um quadro. Não me lembro das palavras exactas do diálogo porque vi o filme há já muitos anos. Mas a conversa é mais ou menos a seguinte: &#8220;Quanto é que você quer por este quadro?&#8221;, aponta o ricaço. Modigliani dá-lhe um preço alto, para aí 100 dólares. O homem, surpreendido, reage: &#8220;Tanto?! Mas você pintou este quadro em quanto tempo? Uma ou duas horas, não?&#8221;, e Modigliani responde: &#8220;Está enganado. Para pintar este quadro gastei mais de trinta anos&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/07/42689/#comment-34251</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 08:27:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=42689#comment-34251</guid>

					<description><![CDATA[José Nuno,
Ao longo do artigo parece-me haver uma certa confusão no que diz respeito ao conceito de tempo de trabalho. Ou talvez a confusão seja de outros, de quem usa o conceito de forma simplista, como se se tratasse de um horário de combóios, porque eu estou de acordo com as tuas conclusões. De qualquer modo, penso que cabe aqui um comentário.
Na noção marxista de tempo de trabalho, pelo menos tal como eu a tenho utilizado, o relógio é um padrão remoto. Quando se menciona o trabalho qualificado ou o trabalho complexo ou o trabalho intensivo, tomando como termo de comparação o trabalho simples, está a admitir-se que no período definido por uma hora de relógio existem diferentes profundidades temporais. O que em termos marxistas se denomina mais-valia relativa consiste na capacidade de levar o trabalhador a laborar um número crescente de horas de trabalho simples no interior do período definido por uma hora de relógio.
É certo que Marx, reflectindo sobre a produção industrial da sua época, assumia que o trabalho proletário, ainda que susceptível de multiplicar os trabalhos simples, era todo ele homogeneizável. Por isso o argumento de Pareto, ao escrever que não se podiam comparar o artista e o caçador de toupeiras, era não pertinente, além de impertinente.
Mas hoje, contrariamente ao que sucedia na época de Marx, as profissões liberais desapareceram e os seus processos de trabalho foram proletarizados, o que significa que a grande parte desses profissionais foi convertida em trabalhadores explorados, produtores de mais-valia, e um pequena parte se converteu em gestores capitalistas. Em vez de transformarem o processo temporal do trabalho proletarizado, essas novas profissões passaram a obedecer a este processo.
E chegamos assim aos cinco minutos do publicitário, que tu dás como exemplo. Este tipo de profissional precisa de longos períodos para a formação e a maturação das ideias, que irrompem então em poucos minutos. Trata-se de mais uma categoria a acrescentar às que enunciei acima, de trabalho qualificado, etc. Os cinco minutos de explosão criativa do publicitário devem ser entendidos na média formada pelo resto da sua actividade profissional e por comparação com o termo de referência último, o trabalho simples.
A homogeneização &lt;em&gt;a posteriori&lt;/em&gt; de um tempo de trabalho inicialmente heterogéneo não constitui nenhum jogo de conceitos. Esta homogeneização limita-se a reflectir o que é realizado na prática pelo sistema de gestão capitalista. Na Rússia, nos primeiros anos do regime bolchevista, houve um grupo de pesquisadores que tentou determinar de maneira quantitativamente rigorosa o grau em que cada tipo de trabalho era múltiplo do trabalho simples, através de medições da fadiga biológica e psicológica. Mas as autoridades rapidamente puseram termo a essas pesquisas incómodas. Os empresários e administradores satisfazem-se com uma mensuração indirecta, através dos factores de produtividade, comparando níveis de crescimento. E fazem-no tanto para os processos de trabalho baseados em acções repetitivas como para processos aparentemente heterogéneos, como o dos publicitários. E deste modo, no plano da tomada de decisões, os empresários e administradores criam uma instância prática em que o trabalho heterogéneo é convertido em homogéneo. É assim que a prática empresarial cria o quadro em que o conceito de tempo de trabalho é, e continua a ser, pertinente. É a gestão capitalista que conduz a homogeneizar o trabalho heterogéneo. Portanto, dispensar o conceito de tempo de trabalho conduz a reflectir a realidade capitalista como se ela fosse pré-capitalista.
Este meu comentário limita-se a ser uma tentativa de esclarecimento e não constitui nenhuma crítica às conclusões do teu artigo, com as quais, como disse, estou de acordo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>José Nuno,<br />
Ao longo do artigo parece-me haver uma certa confusão no que diz respeito ao conceito de tempo de trabalho. Ou talvez a confusão seja de outros, de quem usa o conceito de forma simplista, como se se tratasse de um horário de combóios, porque eu estou de acordo com as tuas conclusões. De qualquer modo, penso que cabe aqui um comentário.<br />
Na noção marxista de tempo de trabalho, pelo menos tal como eu a tenho utilizado, o relógio é um padrão remoto. Quando se menciona o trabalho qualificado ou o trabalho complexo ou o trabalho intensivo, tomando como termo de comparação o trabalho simples, está a admitir-se que no período definido por uma hora de relógio existem diferentes profundidades temporais. O que em termos marxistas se denomina mais-valia relativa consiste na capacidade de levar o trabalhador a laborar um número crescente de horas de trabalho simples no interior do período definido por uma hora de relógio.<br />
É certo que Marx, reflectindo sobre a produção industrial da sua época, assumia que o trabalho proletário, ainda que susceptível de multiplicar os trabalhos simples, era todo ele homogeneizável. Por isso o argumento de Pareto, ao escrever que não se podiam comparar o artista e o caçador de toupeiras, era não pertinente, além de impertinente.<br />
Mas hoje, contrariamente ao que sucedia na época de Marx, as profissões liberais desapareceram e os seus processos de trabalho foram proletarizados, o que significa que a grande parte desses profissionais foi convertida em trabalhadores explorados, produtores de mais-valia, e um pequena parte se converteu em gestores capitalistas. Em vez de transformarem o processo temporal do trabalho proletarizado, essas novas profissões passaram a obedecer a este processo.<br />
E chegamos assim aos cinco minutos do publicitário, que tu dás como exemplo. Este tipo de profissional precisa de longos períodos para a formação e a maturação das ideias, que irrompem então em poucos minutos. Trata-se de mais uma categoria a acrescentar às que enunciei acima, de trabalho qualificado, etc. Os cinco minutos de explosão criativa do publicitário devem ser entendidos na média formada pelo resto da sua actividade profissional e por comparação com o termo de referência último, o trabalho simples.<br />
A homogeneização <em>a posteriori</em> de um tempo de trabalho inicialmente heterogéneo não constitui nenhum jogo de conceitos. Esta homogeneização limita-se a reflectir o que é realizado na prática pelo sistema de gestão capitalista. Na Rússia, nos primeiros anos do regime bolchevista, houve um grupo de pesquisadores que tentou determinar de maneira quantitativamente rigorosa o grau em que cada tipo de trabalho era múltiplo do trabalho simples, através de medições da fadiga biológica e psicológica. Mas as autoridades rapidamente puseram termo a essas pesquisas incómodas. Os empresários e administradores satisfazem-se com uma mensuração indirecta, através dos factores de produtividade, comparando níveis de crescimento. E fazem-no tanto para os processos de trabalho baseados em acções repetitivas como para processos aparentemente heterogéneos, como o dos publicitários. E deste modo, no plano da tomada de decisões, os empresários e administradores criam uma instância prática em que o trabalho heterogéneo é convertido em homogéneo. É assim que a prática empresarial cria o quadro em que o conceito de tempo de trabalho é, e continua a ser, pertinente. É a gestão capitalista que conduz a homogeneizar o trabalho heterogéneo. Portanto, dispensar o conceito de tempo de trabalho conduz a reflectir a realidade capitalista como se ela fosse pré-capitalista.<br />
Este meu comentário limita-se a ser uma tentativa de esclarecimento e não constitui nenhuma crítica às conclusões do teu artigo, com as quais, como disse, estou de acordo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
