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	Comentários sobre: Negros tempos (4)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Aldina Duarte		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43625/#comment-44985</link>

		<dc:creator><![CDATA[Aldina Duarte]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Oct 2011 00:01:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Obrigada, João Bernardo. Eu acredito que o conhecimento e o respeito para com o próximo é precisamente partilhar com honestidade as nossas convicções, não ser indiferente a ninguém. Porém, há algum tempo que noto que as palavras vão perdendo sentido, algumas morrem porque exigem pensamentos e reflexões mais profundos. O empobrecimento da língua é um sintoma de definhamento da nossa inteligência e da nossa sensibilidade. Restam os formalismos pouco rigorosos, ou vazios de todo: discutir é zangar, pensar é chatear, sentir é asnear.
Aprender com quem sabe é sempre um prazer intransponível. A autoria, no caso destes textos é irrelevante, mas ser confundida com alguém que pensa e escreve com a paixão, a sabedoria e a humanidade do João Bernardo torna o meu sono de hoje bem mais descansado. Fiquei muito curiosa em saber mais sobre os códigos morais do sec. XIX em geral, e vou saber. Até sempre. Aldina Duarte.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigada, João Bernardo. Eu acredito que o conhecimento e o respeito para com o próximo é precisamente partilhar com honestidade as nossas convicções, não ser indiferente a ninguém. Porém, há algum tempo que noto que as palavras vão perdendo sentido, algumas morrem porque exigem pensamentos e reflexões mais profundos. O empobrecimento da língua é um sintoma de definhamento da nossa inteligência e da nossa sensibilidade. Restam os formalismos pouco rigorosos, ou vazios de todo: discutir é zangar, pensar é chatear, sentir é asnear.<br />
Aprender com quem sabe é sempre um prazer intransponível. A autoria, no caso destes textos é irrelevante, mas ser confundida com alguém que pensa e escreve com a paixão, a sabedoria e a humanidade do João Bernardo torna o meu sono de hoje bem mais descansado. Fiquei muito curiosa em saber mais sobre os códigos morais do sec. XIX em geral, e vou saber. Até sempre. Aldina Duarte.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Roberta		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43625/#comment-44436</link>

		<dc:creator><![CDATA[Roberta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 15:14:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[gente, quem é esse joao bernado? ser mais sectário impossível. Tirado do século XIX. já imagino ´´líder´´ (sem massas) macho autoritário.essa esquerda arrogante é foda, por pouco nao fusila quem opinou aqui. fui, esse bate-papo de aberto nao tem em nada, nossa, e o tamanho da resposta dele, ou vc nao é o autor do texto nao, relaxa, vai gastar o seu tempo nas ruas lutando e nao aqui massacrando, intelectual é de internet é foda também.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>gente, quem é esse joao bernado? ser mais sectário impossível. Tirado do século XIX. já imagino ´´líder´´ (sem massas) macho autoritário.essa esquerda arrogante é foda, por pouco nao fusila quem opinou aqui. fui, esse bate-papo de aberto nao tem em nada, nossa, e o tamanho da resposta dele, ou vc nao é o autor do texto nao, relaxa, vai gastar o seu tempo nas ruas lutando e nao aqui massacrando, intelectual é de internet é foda também.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43625/#comment-44433</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 13:48:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Li não me recordo onde que nos Estados Unidos, no século XIX, havia seitas puritanas que cobriam com pano as pernas das mesas e das cadeiras, porque eram pernas, e o pudor exigia que as pernas estivesses vestidas. Este tipo de puritanismo, com as injustificadas analogias terminológicas que dele decorrem, impera hoje naquele delírio político a que se chama o «politicamente correcto». Os tempos são &lt;em&gt;negros&lt;/em&gt; não por causa da taxa de melanina que exista na pele, mas por causa das trevas. O que não impede os prestidigitadores do dicionário de pretenderem fazer aos &lt;em&gt;negros&lt;/em&gt; tempos o que os seus congéneres puritanos de outrora faziam às pernas dos móveis. Aos &lt;em&gt;negros&lt;/em&gt; tempos não se opõem «tempos brancos», expressão que não existe nem é empregue, a não ser no norte da Rúsia, nas &lt;em&gt;noites brancas&lt;/em&gt;, aqueles longos dias de sol que se prolongam pela noite dentro. Aos &lt;em&gt;negros&lt;/em&gt; tempos opõe-se os tempos &lt;em&gt;luminosos&lt;/em&gt;, porque é essa a referência, às trevas, aos ciclos do dia e da noite, da acção e do sono, da vida e da morte.
Denunciar as confusões verbais do «politicamente correcto» no plano lógico é fácil, porque elas são sustentadas não pela lógica mas pela hipocrisia moral do puritanismo. E, se a polémica nesse plano é fácil, ela falha o alvo também, porque o objectivo do «politicamente correcto» é outro e consiste em sustentar o multiculturalismo, as políticas identitárias e toda essa panóplia de teses e reivindicações que, através da conversão do cultural em biológico e através da tentativa de eternização das diferenças, beira o racismo e aquilo que eu tenho classificado como fascismo pós-fascista.
É assim que um dos comentadores salta da Aldina Duarte, nascida e criada no proletariado e excelente intérprete de um tipo de canção de raízes proletárias, para o passado escravista do reino de Portugal. E o que tem Aldina e o que temos nós a ver com isso? Será que os modos de produção passados entram nos genes? Se assim fosse, que catástrofe para os africanos, num continente onde proliferaram os reinos escravistas. E é precisamente a isto que levam o «politicamente correcto» e as políticas identitárias, à conversão do histórico em racial. A redução do dicionário aos termos autorizados tem esta consequência, entre todas a mais nefasta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Li não me recordo onde que nos Estados Unidos, no século XIX, havia seitas puritanas que cobriam com pano as pernas das mesas e das cadeiras, porque eram pernas, e o pudor exigia que as pernas estivesses vestidas. Este tipo de puritanismo, com as injustificadas analogias terminológicas que dele decorrem, impera hoje naquele delírio político a que se chama o «politicamente correcto». Os tempos são <em>negros</em> não por causa da taxa de melanina que exista na pele, mas por causa das trevas. O que não impede os prestidigitadores do dicionário de pretenderem fazer aos <em>negros</em> tempos o que os seus congéneres puritanos de outrora faziam às pernas dos móveis. Aos <em>negros</em> tempos não se opõem «tempos brancos», expressão que não existe nem é empregue, a não ser no norte da Rúsia, nas <em>noites brancas</em>, aqueles longos dias de sol que se prolongam pela noite dentro. Aos <em>negros</em> tempos opõe-se os tempos <em>luminosos</em>, porque é essa a referência, às trevas, aos ciclos do dia e da noite, da acção e do sono, da vida e da morte.<br />
Denunciar as confusões verbais do «politicamente correcto» no plano lógico é fácil, porque elas são sustentadas não pela lógica mas pela hipocrisia moral do puritanismo. E, se a polémica nesse plano é fácil, ela falha o alvo também, porque o objectivo do «politicamente correcto» é outro e consiste em sustentar o multiculturalismo, as políticas identitárias e toda essa panóplia de teses e reivindicações que, através da conversão do cultural em biológico e através da tentativa de eternização das diferenças, beira o racismo e aquilo que eu tenho classificado como fascismo pós-fascista.<br />
É assim que um dos comentadores salta da Aldina Duarte, nascida e criada no proletariado e excelente intérprete de um tipo de canção de raízes proletárias, para o passado escravista do reino de Portugal. E o que tem Aldina e o que temos nós a ver com isso? Será que os modos de produção passados entram nos genes? Se assim fosse, que catástrofe para os africanos, num continente onde proliferaram os reinos escravistas. E é precisamente a isto que levam o «politicamente correcto» e as políticas identitárias, à conversão do histórico em racial. A redução do dicionário aos termos autorizados tem esta consequência, entre todas a mais nefasta.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eduardo Garcia		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43625/#comment-44428</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 12:32:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aldina, sobre a referencia que existe no Brasil sobre a palavra ´´negros´´ talvez nao te interesse tanto as implicacoes aqui desse dado, mas quando vamos ler o seu texto, é isso que a gente pensa... brancos tempos sempre foram brancos tempos pros brancos... Portugal como antigo explorar de escravos deveria repensar muita coisa porque ainda continua se aproveitando dos brancos tempos que ainda existem... mas resistiremos sempre! Axé!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aldina, sobre a referencia que existe no Brasil sobre a palavra ´´negros´´ talvez nao te interesse tanto as implicacoes aqui desse dado, mas quando vamos ler o seu texto, é isso que a gente pensa&#8230; brancos tempos sempre foram brancos tempos pros brancos&#8230; Portugal como antigo explorar de escravos deveria repensar muita coisa porque ainda continua se aproveitando dos brancos tempos que ainda existem&#8230; mas resistiremos sempre! Axé!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43625/#comment-44387</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 17:36:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aldina,
Vejo que o que ocorreu nos comentários ao terceiro artigo se repete neste. Realmente, negros tempos, negríssimos, em que aquilo que passa por esquerda entroniza a hipocrisia ideológica do «politicamente correcto» e, à falta de conseguir mudar a realidade, exorcisma as palavras. Negros tempos, negros como as trevas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aldina,<br />
Vejo que o que ocorreu nos comentários ao terceiro artigo se repete neste. Realmente, negros tempos, negríssimos, em que aquilo que passa por esquerda entroniza a hipocrisia ideológica do «politicamente correcto» e, à falta de conseguir mudar a realidade, exorcisma as palavras. Negros tempos, negros como as trevas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ivana		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43625/#comment-44386</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ivana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 17:08:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E eu que li a chamada na home do site e deduzi que se trataria de alguma questão afrodescendente - mas errar é humano até neste título, q deve ser fruto deste histórico relatado ou melhor da história da humanidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E eu que li a chamada na home do site e deduzi que se trataria de alguma questão afrodescendente &#8211; mas errar é humano até neste título, q deve ser fruto deste histórico relatado ou melhor da história da humanidade.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Aldina Duarte		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43625/#comment-39296</link>

		<dc:creator><![CDATA[Aldina Duarte]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 15:36:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Errar deliberadamente não é erro é perversão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Errar deliberadamente não é erro é perversão.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: afonsomanuelgonçalves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43625/#comment-39145</link>

		<dc:creator><![CDATA[afonsomanuelgonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Aug 2011 17:20:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como vê Aldina errar é de facto humano. Mas já não é, tão humano, errar deliberadamente para que a miséria perdure, como a expolração, a autoridade sobre a contestação à miséria de forma hipócrita e cristã e que se sobreponham ao direito da dignidade humana. Esta &quot;esquerda altruísta&quot; a que está tão sentimentalmente próxima é no fundo tão canalha como aquela que a quis &quot;obrigar&quot; a fazer acreditar que errar NÃO é humano.
No humano, Aldina cabem todos os comportamentos que o mundo animal comporta. Além disso a ignorância e a má fé dos homens e mulheres acrescentam outros que a natureza animal estão longe de proceder. 
Não acrescento mais nada, porque se assim fosse, isso seria pretender que a sua consciência ficasse de acordo com a minha.
Cante com a sua voz e que ela seja o grito estético e libertador que lhe quiser dar.
 Mas fique descansada que não lhe peço nem exijo nada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como vê Aldina errar é de facto humano. Mas já não é, tão humano, errar deliberadamente para que a miséria perdure, como a expolração, a autoridade sobre a contestação à miséria de forma hipócrita e cristã e que se sobreponham ao direito da dignidade humana. Esta &#8220;esquerda altruísta&#8221; a que está tão sentimentalmente próxima é no fundo tão canalha como aquela que a quis &#8220;obrigar&#8221; a fazer acreditar que errar NÃO é humano.<br />
No humano, Aldina cabem todos os comportamentos que o mundo animal comporta. Além disso a ignorância e a má fé dos homens e mulheres acrescentam outros que a natureza animal estão longe de proceder.<br />
Não acrescento mais nada, porque se assim fosse, isso seria pretender que a sua consciência ficasse de acordo com a minha.<br />
Cante com a sua voz e que ela seja o grito estético e libertador que lhe quiser dar.<br />
 Mas fique descansada que não lhe peço nem exijo nada.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Maria Celeste Baeta		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43625/#comment-37157</link>

		<dc:creator><![CDATA[Maria Celeste Baeta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Aug 2011 09:59:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=43625#comment-37157</guid>

					<description><![CDATA[Surpresa, fala em Marvila, o tal bairro pobre, sobretudo habitado por operariado, e que foi o meu habitat em criança e até ao início da adolescência. A memória dos seus &quot;negros tempos&quot; como já assinalei em comentário anterior é muito semelhante à minha. Só como achega, lembro-me, ainda cheia de vergonha pela sua existência, do imenso bairro de lata &quot;bairro chinês&quot; (porque se chamaria assim?), onde centenas e centenas de pessoas viviam em condições quase medievas.
Mas o que pretendo realçar desta vez são as suas alusões finais. A juventude intelectual anti-fascista e o pcp, (único partido organizado) pós 25 de abril, pensaram e agiram na convicção de que estavam a mudar o país, a afastar definitivamente a indecorosa classe dominadora até então, melhorando objectivamente e subjectivamente o modo vivencial da maioria da população. De facto de início assim parecia. É inesquecível a alegria e impetuosidade da ocupação dos bairros, das manifs. para pôr fim à desgraçada guerra colonial, ao fim da DGS, à libertação dos presos, à liberdade de imprensa, às sucessivas greves para melhores salários, direitos e saneamento de administrações coniventes com o fascismo, ocupação de terras,etc., etc.. Mas havia um senão ou mais, esta &quot;vanguarda&quot; pertencia, em grande parte, à burguesia (pequenina, assustadiça, timorata, etc. e tal) e quando  vislumbrou a derrocada da  gigante onda popular, afastou-se, esquecendo (também sabia pouco) do que a história e a própria vida ensina: se não vais ao fim das coisas, não terás a devida recompensa. Ficar a meio é sempre voltar a trás!  
As suas memórias valem mais do que muitos artigos ou livros, pretensamente analíticos sobre os factos descritos. Está de parabéns!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Surpresa, fala em Marvila, o tal bairro pobre, sobretudo habitado por operariado, e que foi o meu habitat em criança e até ao início da adolescência. A memória dos seus &#8220;negros tempos&#8221; como já assinalei em comentário anterior é muito semelhante à minha. Só como achega, lembro-me, ainda cheia de vergonha pela sua existência, do imenso bairro de lata &#8220;bairro chinês&#8221; (porque se chamaria assim?), onde centenas e centenas de pessoas viviam em condições quase medievas.<br />
Mas o que pretendo realçar desta vez são as suas alusões finais. A juventude intelectual anti-fascista e o pcp, (único partido organizado) pós 25 de abril, pensaram e agiram na convicção de que estavam a mudar o país, a afastar definitivamente a indecorosa classe dominadora até então, melhorando objectivamente e subjectivamente o modo vivencial da maioria da população. De facto de início assim parecia. É inesquecível a alegria e impetuosidade da ocupação dos bairros, das manifs. para pôr fim à desgraçada guerra colonial, ao fim da DGS, à libertação dos presos, à liberdade de imprensa, às sucessivas greves para melhores salários, direitos e saneamento de administrações coniventes com o fascismo, ocupação de terras,etc., etc.. Mas havia um senão ou mais, esta &#8220;vanguarda&#8221; pertencia, em grande parte, à burguesia (pequenina, assustadiça, timorata, etc. e tal) e quando  vislumbrou a derrocada da  gigante onda popular, afastou-se, esquecendo (também sabia pouco) do que a história e a própria vida ensina: se não vais ao fim das coisas, não terás a devida recompensa. Ficar a meio é sempre voltar a trás!<br />
As suas memórias valem mais do que muitos artigos ou livros, pretensamente analíticos sobre os factos descritos. Está de parabéns!</p>
]]></content:encoded>
		
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