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	Comentários sobre: Brasil hoje e amanhã: 3) infra-estruturas	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Gilberto		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gilberto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Aug 2019 20:16:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Agradeço novamente suas orientações e indicações. 
Ficaremos, todos nós certamente, no aguardo de seus novos artigos e do livro do Pablo Polese. 

Saudações, 
Gilberto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Agradeço novamente suas orientações e indicações.<br />
Ficaremos, todos nós certamente, no aguardo de seus novos artigos e do livro do Pablo Polese. </p>
<p>Saudações,<br />
Gilberto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43784/#comment-468641</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Aug 2019 14:00:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Gilberto,

Desde há bastantes anos que apresento um modelo em que os ciclos de mais-valia relativa pressupõem a assimilação de formas de organização social criadas pelos trabalhadores ou, pelo menos, difundidas entre os trabalhadores, e que o capitalismo instrumentaliza em seu benefício. Como você sabe, analisei este processo no &lt;em&gt;Economia dos Conflitos Sociais&lt;/em&gt;, e Luc Boltanski e Ève Chiapello estudaram um caso desta dialéctica de assimilação e recuperação em &lt;em&gt;Le nouvel esprit du capitalisme&lt;/em&gt; ([Paris]: Gallimard, 1999), sobretudo nas págs. 241-290. Sucede o mesmo com os identitarismos, que estão hoje completamente instrumentalizados pelas empresas mais modernas e inovadoras, integrados nos mecanismos da mais-valia relativa.

Comecei a publicar neste site uma série de artigos com o título geral &lt;em&gt;Anticapitalismo. Anti o quê?&lt;/em&gt;, e hei-de referir a instrumentalização do identitarismo pelo capital no terceiro artigo, previsto para o dia 4 de Setembro. Se você for para a fogueira, iremos juntos.

Mas esta questão está especialmente bem estudada num livro de Pablo Polese, a ser publicado dentro de poucos meses. Pablo Polese recorre a uma grande quantidade de factos, dados, estatísticas e relatórios de administrações de empresas, mostrando como os identitarismos são usados para estimular o processo de mais-valia relativa e aumentar os lucros do capital. Outro a ir para a fogueira, se é que já lá não está.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Gilberto,</p>
<p>Desde há bastantes anos que apresento um modelo em que os ciclos de mais-valia relativa pressupõem a assimilação de formas de organização social criadas pelos trabalhadores ou, pelo menos, difundidas entre os trabalhadores, e que o capitalismo instrumentaliza em seu benefício. Como você sabe, analisei este processo no <em>Economia dos Conflitos Sociais</em>, e Luc Boltanski e Ève Chiapello estudaram um caso desta dialéctica de assimilação e recuperação em <em>Le nouvel esprit du capitalisme</em> ([Paris]: Gallimard, 1999), sobretudo nas págs. 241-290. Sucede o mesmo com os identitarismos, que estão hoje completamente instrumentalizados pelas empresas mais modernas e inovadoras, integrados nos mecanismos da mais-valia relativa.</p>
<p>Comecei a publicar neste site uma série de artigos com o título geral <em>Anticapitalismo. Anti o quê?</em>, e hei-de referir a instrumentalização do identitarismo pelo capital no terceiro artigo, previsto para o dia 4 de Setembro. Se você for para a fogueira, iremos juntos.</p>
<p>Mas esta questão está especialmente bem estudada num livro de Pablo Polese, a ser publicado dentro de poucos meses. Pablo Polese recorre a uma grande quantidade de factos, dados, estatísticas e relatórios de administrações de empresas, mostrando como os identitarismos são usados para estimular o processo de mais-valia relativa e aumentar os lucros do capital. Outro a ir para a fogueira, se é que já lá não está.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Gilberto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43784/#comment-468448</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gilberto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 21:25:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Agradeço imensamente sua resposta. E peço sua licença, mais uma vez, para levantar uma outra questão.

Um dos meus motivos da tentativa de compreender as CGP é justamente para entender o identitarismo. 

Segundo o site G1: 

&quot;A Prefeitura de São Paulo afirmou nesta sexta-feira (28) que a 23ª edição da Parada LGBT movimentou R$ 403 milhões na economia da cidade. O evento aconteceu no último domingo (23) e reuniu 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista, segundo os organizadores&quot; (https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/06/29/23a-parada-lgbt-movimentou-r-403-milhoes-em-sao-paulo-diz-prefeitura.ghtml).

Mas este exemplo (dentre tantos milhares de outros possíveis), que poderíamos situar no campo daquele tempo livre apropriado pelo capital para a reprodução do trabalhador (o que não exclui, simbólica e literalmente, a produção do trabalhador...), demonstra apenas uma ínfima parte de um processo muito mais complexo, não se reduzindo, portanto, apenas ao campo do consumo.

Em um site de uma faculdade identitária lê-se: 

&quot;Um dos maiores agentes de transformação é o empresariado, o qual, através da redefinição das suas práticas e da sua cultura organizacional, voltando-as para as urgentes necessidades sociais, pode protagonizar, com impressionante velocidade, desde que sensível e atento a tais demandas, a promoção do respeito a todas as pessoas, considerando os segmentos da população que se encontram em situação de vulnerabilidade, desigualdade e exclusão, como a população negra. O sucesso e a sustentabilidade dos negócios dependem não apenas de produtividade e competitividade, mas também, e cada vez mais, do compromisso social da empresa com seus públicos de interesse. A Iniciativa Empresarial pela Igualdade, representa uma plataforma de articulação entre empresas comprometidas em buscar um desempenho ainda mais significativo na abordagem do tema, bem como assegurar vantagem competitiva, constituindo-se em um espaço de diálogo do empresariado brasileiro em torno dos seus compromissos com a inclusão, promoção e valorização da diversidade étnico-racial.&quot;(http://www.zumbidospalmares.edu.br/diversidade-empregabilidade-e-empreendedorismo/).

Se meias palavras bastam para explicar, palavras inteiras como as acima postas explicam a inteireza da utilidade do identitarismo...

Trouxe estes dois exemplos para fazer uma pergunta daquelas que levam à fogueira:

Se Considerarmos o toyotismo como sendo, antes de mais nada, uma “técnica social de dominação” (conforme RAGO, Luzia Margareth; MOREIRA, Eduardo FP. O que é taylorismo. Brasiliense, 1993, p. 25) e que esta técnica social de dominação se caracteriza, numa síntese muito breve, pela acumulação flexível do capital, poderíamos dizer que os identitarismos surgem quase que concomitante ao início da implementação generalizada do toyotismo ( aprox. 1960/1970, observando-se, inclusive, alguma correlação entre  movimentos tipos hippies, feministas, negros, etc...) e se desenvolvem e se integram ao sistema toyotista? Em outras palavras, a flexibilização social dos identitarismos não se tornou um elemento chave na acumulação flexível do capital? 

Bom, se for para ser queimado... que eu queime no esclarecimento, não na ignorância...

João Bernardo, muito grato por sua atenção e esclarecimentos!

Gilberto.

&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;

Esclarecimento:

Na passagem de meu comentário “Se Considerarmos o toyotismo como sendo, antes de mais nada, uma “técnica social de dominação” (conforme RAGO, Luzia Margareth; MOREIRA, Eduardo FP. O que é taylorismo. Brasiliense, 1993, p. 25)” apenas a expressão “técnica social de dominação” é de autoria dos referidos autores, que utilizaram a mesma em referência ao taylorismo e não ao toyotismo, embora eu entenda tal relação (toyotismo/ “técnica social de dominação”) possível.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Agradeço imensamente sua resposta. E peço sua licença, mais uma vez, para levantar uma outra questão.</p>
<p>Um dos meus motivos da tentativa de compreender as CGP é justamente para entender o identitarismo. </p>
<p>Segundo o site G1: </p>
<p>&#8220;A Prefeitura de São Paulo afirmou nesta sexta-feira (28) que a 23ª edição da Parada LGBT movimentou R$ 403 milhões na economia da cidade. O evento aconteceu no último domingo (23) e reuniu 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista, segundo os organizadores&#8221; (<a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/06/29/23a-parada-lgbt-movimentou-r-403-milhoes-em-sao-paulo-diz-prefeitura.ghtml" rel="nofollow ugc">https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/06/29/23a-parada-lgbt-movimentou-r-403-milhoes-em-sao-paulo-diz-prefeitura.ghtml</a>).</p>
<p>Mas este exemplo (dentre tantos milhares de outros possíveis), que poderíamos situar no campo daquele tempo livre apropriado pelo capital para a reprodução do trabalhador (o que não exclui, simbólica e literalmente, a produção do trabalhador&#8230;), demonstra apenas uma ínfima parte de um processo muito mais complexo, não se reduzindo, portanto, apenas ao campo do consumo.</p>
<p>Em um site de uma faculdade identitária lê-se: </p>
<p>&#8220;Um dos maiores agentes de transformação é o empresariado, o qual, através da redefinição das suas práticas e da sua cultura organizacional, voltando-as para as urgentes necessidades sociais, pode protagonizar, com impressionante velocidade, desde que sensível e atento a tais demandas, a promoção do respeito a todas as pessoas, considerando os segmentos da população que se encontram em situação de vulnerabilidade, desigualdade e exclusão, como a população negra. O sucesso e a sustentabilidade dos negócios dependem não apenas de produtividade e competitividade, mas também, e cada vez mais, do compromisso social da empresa com seus públicos de interesse. A Iniciativa Empresarial pela Igualdade, representa uma plataforma de articulação entre empresas comprometidas em buscar um desempenho ainda mais significativo na abordagem do tema, bem como assegurar vantagem competitiva, constituindo-se em um espaço de diálogo do empresariado brasileiro em torno dos seus compromissos com a inclusão, promoção e valorização da diversidade étnico-racial.&#8221;(<a href="http://www.zumbidospalmares.edu.br/diversidade-empregabilidade-e-empreendedorismo/" rel="nofollow ugc">http://www.zumbidospalmares.edu.br/diversidade-empregabilidade-e-empreendedorismo/</a>).</p>
<p>Se meias palavras bastam para explicar, palavras inteiras como as acima postas explicam a inteireza da utilidade do identitarismo&#8230;</p>
<p>Trouxe estes dois exemplos para fazer uma pergunta daquelas que levam à fogueira:</p>
<p>Se Considerarmos o toyotismo como sendo, antes de mais nada, uma “técnica social de dominação” (conforme RAGO, Luzia Margareth; MOREIRA, Eduardo FP. O que é taylorismo. Brasiliense, 1993, p. 25) e que esta técnica social de dominação se caracteriza, numa síntese muito breve, pela acumulação flexível do capital, poderíamos dizer que os identitarismos surgem quase que concomitante ao início da implementação generalizada do toyotismo ( aprox. 1960/1970, observando-se, inclusive, alguma correlação entre  movimentos tipos hippies, feministas, negros, etc&#8230;) e se desenvolvem e se integram ao sistema toyotista? Em outras palavras, a flexibilização social dos identitarismos não se tornou um elemento chave na acumulação flexível do capital? </p>
<p>Bom, se for para ser queimado&#8230; que eu queime no esclarecimento, não na ignorância&#8230;</p>
<p>João Bernardo, muito grato por sua atenção e esclarecimentos!</p>
<p>Gilberto.</p>
<p><strong>*</strong></p>
<p>Esclarecimento:</p>
<p>Na passagem de meu comentário “Se Considerarmos o toyotismo como sendo, antes de mais nada, uma “técnica social de dominação” (conforme RAGO, Luzia Margareth; MOREIRA, Eduardo FP. O que é taylorismo. Brasiliense, 1993, p. 25)” apenas a expressão “técnica social de dominação” é de autoria dos referidos autores, que utilizaram a mesma em referência ao taylorismo e não ao toyotismo, embora eu entenda tal relação (toyotismo/ “técnica social de dominação”) possível.</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43784/#comment-468380</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 16:08:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Gilberto,

A minha resposta fica talvez facilitada se eu contextualizar o problema. Quando preparava um livro publicado em 1977, &lt;em&gt;Marx Crítico de Marx&lt;/em&gt; (Porto: Afrontamento, 3 vols.), dei-me conta de que um dos aspectos centrais da minha crítica a &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt; incidia na forma como era apresentada a transformação dos valores em preços. Esta transformação foi desde cedo objecto de várias críticas, começando pelas de Böhm-Bawerk e de Bortkiewicz, e posteriormente os marxistas preferiram esquecer-se da questão em vez de tentar resolvê-la, o que seria impossível no modelo marxista clássico. Aliás, a tese defendida hoje em alguns meios marxistas, de que ocorreria uma baixa real e efectiva da taxa de lucro, recorre ingenuamente a dados formulados em termos de preços como se eles representassem valores.

Em &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt; Marx concebeu o que eu denominei como «modelo a uma só empresa», limitando-se à relação entre os trabalhadores de uma empresa e o patrão dessa empresa, e apresentou a globalidade do capitalismo como uma multiplicação ilimitada dessa relação. O beco sem saída a que Marx chegou quando tentou transformar os valores em preços resulta desse modelo a uma só empresa. Para ultrapassar o impasse, eu propus um modelo, que continuo hoje a usar, em que a globalidade dos trabalhadores se relaciona com a globalidade dos capitalistas. Assim, a mais-valia é produzida conjuntamente por todos os trabalhadores e apropriada em bloco por todos os capitalistas. É a partir daqui que se coloca o problema da distribuição desigual da mais-valia entre os capitalistas, e a transformação dos valores em preços ocorre nessa distribuição desigual.

Note-se, de passagem, que neste meu modelo a questão da desigualdade centro / periferia não diz respeito às relações de exploração entre trabalhadores e capitalistas, mas apenas às relações intercapitalistas. É esta a fundamentação económica de toda a minha crítica ao nacionalismo e, portanto, ao sucedâneo actual do nacionalismo, que é o identitarismo.

Mas, para não me afastar da questão colocada por Gilberto, uma das formas como se processa a distribuição desigual da mais-valia entre os capitalistas decorre das diferentes relações estabelecidas entre cada empresa e as várias condições gerais de produção. As relações entre o Estado Amplo e o Estado Restrito, entre o económico e o político, bem como a chamada corrupção, tudo isto decorre da competição entre os capitalistas para o estabelecimento de relações mais favoráveis com as condições gerais de produção.

Nesta perspectiva, as chamadas privatizações consistem na passagem da propriedade de um grupo de capitalistas (gestores nomeados directa ou indirectamente pelo governo) para outro grupo de capitalistas, o que diz apenas respeito às relações intercapitalistas. Na realidade, as privatizações ocorrem devido à necessidade de abrir as empresas aos capitais estrangeiros e às inovações tecnológicas que essa abertura acarreta, o que é uma condição indispensável para não perder a capacidade concorrencial numa época marcada pela transnacionalização do capital.

Quanto à reforma da previdência, ela resulta da necessidade sentida pelo capitalismo brasileiro de reestruturar um sector restrito da classe trabalhadora no Brasil, beneficiária do velho sistema, dentro de uma reestruturação geral da classe trabalhadora, aumentando-lhe a mobilidade, de forma a adequá-la à uberização do trabalho. Este é um processo que diz respeito às relações entre a globalidade dos capitalistas e a globalidade dos trabalhadores, e que certamente exigirá a adequação de algumas condições gerais de produção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Gilberto,</p>
<p>A minha resposta fica talvez facilitada se eu contextualizar o problema. Quando preparava um livro publicado em 1977, <em>Marx Crítico de Marx</em> (Porto: Afrontamento, 3 vols.), dei-me conta de que um dos aspectos centrais da minha crítica a <em>O Capital</em> incidia na forma como era apresentada a transformação dos valores em preços. Esta transformação foi desde cedo objecto de várias críticas, começando pelas de Böhm-Bawerk e de Bortkiewicz, e posteriormente os marxistas preferiram esquecer-se da questão em vez de tentar resolvê-la, o que seria impossível no modelo marxista clássico. Aliás, a tese defendida hoje em alguns meios marxistas, de que ocorreria uma baixa real e efectiva da taxa de lucro, recorre ingenuamente a dados formulados em termos de preços como se eles representassem valores.</p>
<p>Em <em>O Capital</em> Marx concebeu o que eu denominei como «modelo a uma só empresa», limitando-se à relação entre os trabalhadores de uma empresa e o patrão dessa empresa, e apresentou a globalidade do capitalismo como uma multiplicação ilimitada dessa relação. O beco sem saída a que Marx chegou quando tentou transformar os valores em preços resulta desse modelo a uma só empresa. Para ultrapassar o impasse, eu propus um modelo, que continuo hoje a usar, em que a globalidade dos trabalhadores se relaciona com a globalidade dos capitalistas. Assim, a mais-valia é produzida conjuntamente por todos os trabalhadores e apropriada em bloco por todos os capitalistas. É a partir daqui que se coloca o problema da distribuição desigual da mais-valia entre os capitalistas, e a transformação dos valores em preços ocorre nessa distribuição desigual.</p>
<p>Note-se, de passagem, que neste meu modelo a questão da desigualdade centro / periferia não diz respeito às relações de exploração entre trabalhadores e capitalistas, mas apenas às relações intercapitalistas. É esta a fundamentação económica de toda a minha crítica ao nacionalismo e, portanto, ao sucedâneo actual do nacionalismo, que é o identitarismo.</p>
<p>Mas, para não me afastar da questão colocada por Gilberto, uma das formas como se processa a distribuição desigual da mais-valia entre os capitalistas decorre das diferentes relações estabelecidas entre cada empresa e as várias condições gerais de produção. As relações entre o Estado Amplo e o Estado Restrito, entre o económico e o político, bem como a chamada corrupção, tudo isto decorre da competição entre os capitalistas para o estabelecimento de relações mais favoráveis com as condições gerais de produção.</p>
<p>Nesta perspectiva, as chamadas privatizações consistem na passagem da propriedade de um grupo de capitalistas (gestores nomeados directa ou indirectamente pelo governo) para outro grupo de capitalistas, o que diz apenas respeito às relações intercapitalistas. Na realidade, as privatizações ocorrem devido à necessidade de abrir as empresas aos capitais estrangeiros e às inovações tecnológicas que essa abertura acarreta, o que é uma condição indispensável para não perder a capacidade concorrencial numa época marcada pela transnacionalização do capital.</p>
<p>Quanto à reforma da previdência, ela resulta da necessidade sentida pelo capitalismo brasileiro de reestruturar um sector restrito da classe trabalhadora no Brasil, beneficiária do velho sistema, dentro de uma reestruturação geral da classe trabalhadora, aumentando-lhe a mobilidade, de forma a adequá-la à uberização do trabalho. Este é um processo que diz respeito às relações entre a globalidade dos capitalistas e a globalidade dos trabalhadores, e que certamente exigirá a adequação de algumas condições gerais de produção.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gilberto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43784/#comment-467977</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gilberto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Aug 2019 22:33:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Venho tentando compreender as condições gerais da produção (CGP). Estudando sua obra &quot;Economia dos Conflitos Sociais&quot; encontra-se  a seguinte passagem: &quot;(...) As CGP não se limitam ao que geralmente se denomina “infra-estruturas”, mas cobrem todo o campo da tecnologia; que defino como aquele em que as relações sociais de produção se articulam com a sua realização material. As técnicas são esta realização estritamente material e na tecnologia concebe-se a articulação das técnicas com a sociedade&quot; (p.157, ed. Cortez) Mais a frente (p.232): &quot;Para mantê-las e, em tantos casos, para criá-las, o Estado R cobra impostos entre a generalidade dos capitalistas&quot;.

Embora eu entenda que, de fato,  cada capitalista ou grupo capitalista se aproveite em graus variados das CGP, os recursos viriam não da &quot;generalidade dos capitalistas&quot;, mas da generalidade dos trabalhadores pela extração de mais-valia, posto que todos os impostos, taxas e afins &quot;pagos&quot; pelos capitalistas são repassados no custo de suas mercadorias (qualquer manual de contabilidade de custos inclui nos custo de produção e venda os impostos e taxas), sejam elas bens ou serviços, ao verdadeiro consumidor final, a classe trabalhadora, que é o única nessa &quot;relação social de produção&quot; que não tem como repassar nem os custos da CGP a outros (nem os custos da sua própria produção e reprodução). Peço que me corrija se eu estiver equivocado em minhas interpretações. 

Diante do exposto, como compreender as relações sociais de produção das CGP no &quot;Brasil hoje e amanhã&quot; de 2011 e o de 2019, especialmente com as reformas trabalhistas, previdênciárias e a desestatização?

Grato pela atenção,

Gilberto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Venho tentando compreender as condições gerais da produção (CGP). Estudando sua obra &#8220;Economia dos Conflitos Sociais&#8221; encontra-se  a seguinte passagem: &#8220;(&#8230;) As CGP não se limitam ao que geralmente se denomina “infra-estruturas”, mas cobrem todo o campo da tecnologia; que defino como aquele em que as relações sociais de produção se articulam com a sua realização material. As técnicas são esta realização estritamente material e na tecnologia concebe-se a articulação das técnicas com a sociedade&#8221; (p.157, ed. Cortez) Mais a frente (p.232): &#8220;Para mantê-las e, em tantos casos, para criá-las, o Estado R cobra impostos entre a generalidade dos capitalistas&#8221;.</p>
<p>Embora eu entenda que, de fato,  cada capitalista ou grupo capitalista se aproveite em graus variados das CGP, os recursos viriam não da &#8220;generalidade dos capitalistas&#8221;, mas da generalidade dos trabalhadores pela extração de mais-valia, posto que todos os impostos, taxas e afins &#8220;pagos&#8221; pelos capitalistas são repassados no custo de suas mercadorias (qualquer manual de contabilidade de custos inclui nos custo de produção e venda os impostos e taxas), sejam elas bens ou serviços, ao verdadeiro consumidor final, a classe trabalhadora, que é o única nessa &#8220;relação social de produção&#8221; que não tem como repassar nem os custos da CGP a outros (nem os custos da sua própria produção e reprodução). Peço que me corrija se eu estiver equivocado em minhas interpretações. </p>
<p>Diante do exposto, como compreender as relações sociais de produção das CGP no &#8220;Brasil hoje e amanhã&#8221; de 2011 e o de 2019, especialmente com as reformas trabalhistas, previdênciárias e a desestatização?</p>
<p>Grato pela atenção,</p>
<p>Gilberto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43784/#comment-44267</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Oct 2011 15:19:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=43784#comment-44267</guid>

					<description><![CDATA[Me parece que as críticas à IIRSA podem ser encontradas nestes dois links:

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/03/488112.shtml
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/03/488133.shtml]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me parece que as críticas à IIRSA podem ser encontradas nestes dois links:</p>
<p><a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/03/488112.shtml" rel="nofollow ugc">http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/03/488112.shtml</a><br />
<a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/03/488133.shtml" rel="nofollow ugc">http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/03/488133.shtml</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43784/#comment-40339</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2011 09:28:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=43784#comment-40339</guid>

					<description><![CDATA[Giancarlo,
Eu não acompanhei o ELAOPA, por isso não lhe sei responder. Talvez haja leitores que possam dar resposta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Giancarlo,<br />
Eu não acompanhei o ELAOPA, por isso não lhe sei responder. Talvez haja leitores que possam dar resposta.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Giancarlo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/08/43784/#comment-40236</link>

		<dc:creator><![CDATA[Giancarlo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Aug 2011 18:57:50 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=43784#comment-40236</guid>

					<description><![CDATA[Pelo que tenho lido por aí o João Bernardo é de longe o autor que melhor analisa o movimento do capital, tanto dentro das fronteiras brasileiras quanto à nível global (até porque tal separação é impossível). Não é de se duvidar que os grandes empresários estejam lendo tais artigos, tais como devem ler O Capital de Marx. 
Como dito anteriormente por JB, tais artigos servem, ao menos, para enterrar alguns defuntos que ainda respiram na &quot;esquerda&quot;, pricipalmente os que não conseguem superar a crítica ao capital de um ponto de vista nacionalista.
A defesa da nacionalização (o mesmo que estatização), passou a ser um romantismo reacionário, que não observa o movimento do capital na atualidade. Não se trata de defender o movimento do capital e tentar tornar o Brasil ou ao menos algumas empresas e empresários brasileiros na vanguarda do capitalismo (isto é uma preocupação que eles próprios devem ter, cumprindo o seu papel), mas de, partindo da análise do movimento do capital, pensar a sua negação, o movimento operário e a sua dinâmica, que há de ser, portanto, autogestinária. Parafraseando e atualizando Marx, ou o movimento operário é autogestionário ou não é nada.
Uma pergunta: JB e demais, o que acham da crítica do ELAOPA ao IIRSA? 
Aguardo as críticas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo que tenho lido por aí o João Bernardo é de longe o autor que melhor analisa o movimento do capital, tanto dentro das fronteiras brasileiras quanto à nível global (até porque tal separação é impossível). Não é de se duvidar que os grandes empresários estejam lendo tais artigos, tais como devem ler O Capital de Marx.<br />
Como dito anteriormente por JB, tais artigos servem, ao menos, para enterrar alguns defuntos que ainda respiram na &#8220;esquerda&#8221;, pricipalmente os que não conseguem superar a crítica ao capital de um ponto de vista nacionalista.<br />
A defesa da nacionalização (o mesmo que estatização), passou a ser um romantismo reacionário, que não observa o movimento do capital na atualidade. Não se trata de defender o movimento do capital e tentar tornar o Brasil ou ao menos algumas empresas e empresários brasileiros na vanguarda do capitalismo (isto é uma preocupação que eles próprios devem ter, cumprindo o seu papel), mas de, partindo da análise do movimento do capital, pensar a sua negação, o movimento operário e a sua dinâmica, que há de ser, portanto, autogestinária. Parafraseando e atualizando Marx, ou o movimento operário é autogestionário ou não é nada.<br />
Uma pergunta: JB e demais, o que acham da crítica do ELAOPA ao IIRSA?<br />
Aguardo as críticas&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
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