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	Comentários sobre: Brasil hoje e amanhã: 4) ensino e Pesquisa e Desenvolvimento	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43889/#comment-238591</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Jun 2014 20:38:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Outra pra parte 7 e 8:

http://brazilafrica.com/noticias/o-potencial-da-africa-para-a-bionergia/

Não me surpreenderia a nada se a &quot;Capes África&quot; venha a abrir um Mestrado em &quot;Bioenergia&quot;...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outra pra parte 7 e 8:</p>
<p><a href="http://brazilafrica.com/noticias/o-potencial-da-africa-para-a-bionergia/" rel="nofollow ugc">http://brazilafrica.com/noticias/o-potencial-da-africa-para-a-bionergia/</a></p>
<p>Não me surpreenderia a nada se a &#8220;Capes África&#8221; venha a abrir um Mestrado em &#8220;Bioenergia&#8221;&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43889/#comment-233719</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2014 17:25:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pablo,
Com efeito, essa notícia relaciona-se mais directamente com a 7ª e a 8ª partes. Enquanto isto, há dias, em &lt;em&gt;The Economist&lt;/em&gt; de 24 de Maio, li que a Vale está a construir uma ferrovia desde a Beira, em Moçambique, até ao Malawi. Mas a esquerda brasileira continua a identificar imperialismo com Estados Unidos, o que lhe permite fechar os olhos à expansão imperialista do capitalismo brasileiro na América Latina e em África. E quando afirmam que a economia do Brasil na última dúzia de anos regressou a um estado semicolonial, já nem se trata de fechar os olhos, mas de arrancá-los. Aliás, a expansão do imperialismo brasileiro em África não se limita ao plano económico e está a lançar profundas raízes sociais, de que é um exemplo a notícia que você indicou. Na mesma perspectiva, também é interessante observar a política de concessão de bolsas de graduação e pós-graduação a estudantes oriundos dos países africanos de língua portuguesa, o que leva ao estreitamento das relações entre as elites destes países e as classes dominantes brasileiras, consolidando as vias de penetração do imperialismo brasileiro. Compreende-se como é importante para a expansão deste imperialismo em África a aplicação da política de cotas no Itamaraty. Outro dia li um texto de uma figura do movimento negro brasileiro aplaudindo a expansão brasileira em África e dizendo que o Brasil reencontrava assim as suas verdadeiras raízes. As novas elites surgem já providas da sua autolegitimação ideológica.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pablo,<br />
Com efeito, essa notícia relaciona-se mais directamente com a 7ª e a 8ª partes. Enquanto isto, há dias, em <em>The Economist</em> de 24 de Maio, li que a Vale está a construir uma ferrovia desde a Beira, em Moçambique, até ao Malawi. Mas a esquerda brasileira continua a identificar imperialismo com Estados Unidos, o que lhe permite fechar os olhos à expansão imperialista do capitalismo brasileiro na América Latina e em África. E quando afirmam que a economia do Brasil na última dúzia de anos regressou a um estado semicolonial, já nem se trata de fechar os olhos, mas de arrancá-los. Aliás, a expansão do imperialismo brasileiro em África não se limita ao plano económico e está a lançar profundas raízes sociais, de que é um exemplo a notícia que você indicou. Na mesma perspectiva, também é interessante observar a política de concessão de bolsas de graduação e pós-graduação a estudantes oriundos dos países africanos de língua portuguesa, o que leva ao estreitamento das relações entre as elites destes países e as classes dominantes brasileiras, consolidando as vias de penetração do imperialismo brasileiro. Compreende-se como é importante para a expansão deste imperialismo em África a aplicação da política de cotas no Itamaraty. Outro dia li um texto de uma figura do movimento negro brasileiro aplaudindo a expansão brasileira em África e dizendo que o Brasil reencontrava assim as suas verdadeiras raízes. As novas elites surgem já providas da sua autolegitimação ideológica.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43889/#comment-233385</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 May 2014 18:50:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Uma notícia que poderia ser postada na parte 7 e 8...

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=93433]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma notícia que poderia ser postada na parte 7 e 8&#8230;</p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=93433" rel="nofollow ugc">http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=93433</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: iraldo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43889/#comment-41985</link>

		<dc:creator><![CDATA[iraldo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Sep 2011 23:46:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Rodrigo, sou professor de um Instituto Federal de Educação Tecnológica e me identifiquei com a sua questão; &quot;fiquei com uma dúvida: desempenhariam ali preferencialmente a função de trabalhadores de mais-valia relativa, ou gestores de escalão inferior?&quot;.

O que tenho percebido nesta minha ainda curta experiência docente é que, os atuais tecnólogos de formação superior, podem se encaminhar para qquer um destes caminhos. Vai depender de como forem absorvidos pelo mercado de trabalho. A sua formação é de fato ambígua, talvez por esta fase de transição que a educação tecnológica está vivendo, entrando com mais força aos ciclos de mais-valia relativa. O ensino por &quot;competências&quot; tenta equalizar as necessidades do mercado com a oferta de força de trabalho qualificada, numa tentativa de racionalizar a distribuição da força de trabalho, um verdadeiro sonho durkheimeano de &quot;solidariedade orgânica&quot;. Na realidade, é a busca toyotista de aproximação entre oferta e demanda aplicada à educação.

Mas, é preciso observar a força com que certos conteúdos gestoriais vêm entrando nas grades curriculares: gestão, empreendedorismo, marketing, logística, etc. Esta questão para mim é uma das mais nefastas, pois está trazendo para o seio da formação da classe trabalhadora a ideologia do empreendedorismo. Vejo jovens trabalhadores com os olhos brilhando diante da possibilidade de &quot;criar seu próprio negócio&quot;, &quot;ser seu próprio chefe&quot;, &quot;ser bem sucedido&quot;, etc. A possibilidade de mobilidade social sempre foi um ótimo apaziguador de contradições sociais, principalmente quando existem casos reais &quot;de sucesso&quot; para inspirar tais anseios. Uma ideologia sem uma base material não é nada. Se os &quot;ghetos de qualificação&quot; citados por João Bernardo podem criar um fosso entre os trabalhadores, e concordo plenamente com isso, o empreendedorismo também. Lógico que se trata de uma estratégia de dinamização da Economia, mas, para mim, também é uma forma de ampliar a fragmentação dos trabalhadores.

E, para os temerosos das privatizações, não se preocupem, com a implementação de sistemas toyotizados de gestão nas Instituições de Ensino, isso talvez nem seja necessário. Benchmarking, Qualidade Total, Ensino por Competências, etc., são só alguns dos conceitos que estão tomando conta da &quot;linguagem&quot; acadêmica. Enquanto isso, os espaços onde se poderiam abordar conteúdos que tentem romper com essa &quot;pedagogia&quot; pragmática e individualista, vão sendo minados e retirados dos currículos. Afinal, conhecer o conceito de mais-valia, por exemplo, não é uma &quot;competência&quot; necessária para adentrar ao mercado de trabalho, nem vai garantir o seu sucesso nos negócios, então, por que abordá-lo? E isso é muitas vezes dito por estudantes, o que atesta a eficácia do problema exposto acima.

Saudações!

Iraldo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rodrigo, sou professor de um Instituto Federal de Educação Tecnológica e me identifiquei com a sua questão; &#8220;fiquei com uma dúvida: desempenhariam ali preferencialmente a função de trabalhadores de mais-valia relativa, ou gestores de escalão inferior?&#8221;.</p>
<p>O que tenho percebido nesta minha ainda curta experiência docente é que, os atuais tecnólogos de formação superior, podem se encaminhar para qquer um destes caminhos. Vai depender de como forem absorvidos pelo mercado de trabalho. A sua formação é de fato ambígua, talvez por esta fase de transição que a educação tecnológica está vivendo, entrando com mais força aos ciclos de mais-valia relativa. O ensino por &#8220;competências&#8221; tenta equalizar as necessidades do mercado com a oferta de força de trabalho qualificada, numa tentativa de racionalizar a distribuição da força de trabalho, um verdadeiro sonho durkheimeano de &#8220;solidariedade orgânica&#8221;. Na realidade, é a busca toyotista de aproximação entre oferta e demanda aplicada à educação.</p>
<p>Mas, é preciso observar a força com que certos conteúdos gestoriais vêm entrando nas grades curriculares: gestão, empreendedorismo, marketing, logística, etc. Esta questão para mim é uma das mais nefastas, pois está trazendo para o seio da formação da classe trabalhadora a ideologia do empreendedorismo. Vejo jovens trabalhadores com os olhos brilhando diante da possibilidade de &#8220;criar seu próprio negócio&#8221;, &#8220;ser seu próprio chefe&#8221;, &#8220;ser bem sucedido&#8221;, etc. A possibilidade de mobilidade social sempre foi um ótimo apaziguador de contradições sociais, principalmente quando existem casos reais &#8220;de sucesso&#8221; para inspirar tais anseios. Uma ideologia sem uma base material não é nada. Se os &#8220;ghetos de qualificação&#8221; citados por João Bernardo podem criar um fosso entre os trabalhadores, e concordo plenamente com isso, o empreendedorismo também. Lógico que se trata de uma estratégia de dinamização da Economia, mas, para mim, também é uma forma de ampliar a fragmentação dos trabalhadores.</p>
<p>E, para os temerosos das privatizações, não se preocupem, com a implementação de sistemas toyotizados de gestão nas Instituições de Ensino, isso talvez nem seja necessário. Benchmarking, Qualidade Total, Ensino por Competências, etc., são só alguns dos conceitos que estão tomando conta da &#8220;linguagem&#8221; acadêmica. Enquanto isso, os espaços onde se poderiam abordar conteúdos que tentem romper com essa &#8220;pedagogia&#8221; pragmática e individualista, vão sendo minados e retirados dos currículos. Afinal, conhecer o conceito de mais-valia, por exemplo, não é uma &#8220;competência&#8221; necessária para adentrar ao mercado de trabalho, nem vai garantir o seu sucesso nos negócios, então, por que abordá-lo? E isso é muitas vezes dito por estudantes, o que atesta a eficácia do problema exposto acima.</p>
<p>Saudações!</p>
<p>Iraldo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Xavier		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43889/#comment-41262</link>

		<dc:creator><![CDATA[Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 23:51:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá,

Para as pessoas que estão acompanhando essa série de artigos - e querem uma contextualização mais detalhada do sistema TEO da Odebrecht citado pelo Rodrigo Araújo em seu comentário - fica a sugestão para que leiam o artigo &quot;Odebrecht e a luta social&quot; (de João Bernardo): http://passapalavra.info/?p=41170

Realmente muito interessante esses pontos relatados pelo comentário do Rodrigo - gostei muito de saber um pouco mais sobre a genealogia do sistema Sesc-Senai (tão importante para o desenvolvimento do capitalismo brasileiro).

Abraços.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá,</p>
<p>Para as pessoas que estão acompanhando essa série de artigos &#8211; e querem uma contextualização mais detalhada do sistema TEO da Odebrecht citado pelo Rodrigo Araújo em seu comentário &#8211; fica a sugestão para que leiam o artigo &#8220;Odebrecht e a luta social&#8221; (de João Bernardo): <a href="http://passapalavra.info/?p=41170" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=41170</a></p>
<p>Realmente muito interessante esses pontos relatados pelo comentário do Rodrigo &#8211; gostei muito de saber um pouco mais sobre a genealogia do sistema Sesc-Senai (tão importante para o desenvolvimento do capitalismo brasileiro).</p>
<p>Abraços.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ronan		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43889/#comment-41258</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ronan]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 23:38:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Isto deixa as coisas mais sinistras ainda. Há uma pressão dos governos por aumento da produtividade do ensino, mas sem que se aumentem os investimentos. É lembrar do seu texto sobre as infra-estruturas e imaginar que as escolas não possuem internet e parte delas chega a não ter luz elétrica. Mesmo trabalhando na oitava economia do Estado de São Paulo, numa cidade com 1 bilhão de arrecadação-ano, foi-me recusado 40 cópias sulfite faz umas três semanas. Imagine o resto!

Eu simplesmente não vejo de lado algum o Estado assumindo essa questão, é ver o futuro. Entretanto, inúmeras são já as faculdades que oferecem cursos de português, línguas e matemática de formar a sanar as deficiências trazidas pelos alu nos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isto deixa as coisas mais sinistras ainda. Há uma pressão dos governos por aumento da produtividade do ensino, mas sem que se aumentem os investimentos. É lembrar do seu texto sobre as infra-estruturas e imaginar que as escolas não possuem internet e parte delas chega a não ter luz elétrica. Mesmo trabalhando na oitava economia do Estado de São Paulo, numa cidade com 1 bilhão de arrecadação-ano, foi-me recusado 40 cópias sulfite faz umas três semanas. Imagine o resto!</p>
<p>Eu simplesmente não vejo de lado algum o Estado assumindo essa questão, é ver o futuro. Entretanto, inúmeras são já as faculdades que oferecem cursos de português, línguas e matemática de formar a sanar as deficiências trazidas pelos alu nos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo Araújo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43889/#comment-41252</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 22:37:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=43889#comment-41252</guid>

					<description><![CDATA[A respeito do final do artigo, estive em Campinas justamente pesquisando o arquivo de Roberto Mange, engenheiro suíço, naturalizado brasileiro, é uma das mentes por trás da criação do SENAI e que ficou conhecido pela literatura industrial como “o semeador de escolas”. Além disso, ele está envolvido na criação de diversas instituições responsáveis pela organização científica do trabalho, tanto na administração pública com a criação do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público), quanto privado com o IDORT (Instituto de Organização Racional do Trabalho), juntamente com outros engenheiros, além da figura de Roberto Simonsen. Na historiografia, porém, existe um debate sobre suas filiações teóricas, se Mange era taylorista, ou se tinha uma vinculação maior com a psicotécnica de origem alemã. Ainda não tive tempo de analisar os dados que recolhi (os diversos cadernos e artigos dele), mas parece que ele trabalhou nas duas áreas. O problema é que o autor que fala de um Mange não taylorista quer desvincular sua obra no SENAI da exploração do trabalho, pois segundo ele a preocupação de Mange não ia somente de encontro à formação profissional, mas somava-se a uma formação técnica mais ampla. No meio desta documentação encontrei vários artigos de jornais onde Mange parece fazer um apelo aos industriais para que contratassem técnicos, que seriam o elo intermediário entre os peões e os gerentes e engenheiros das empresas (existe inclusive uma ilustração de uma corrente, onde do lado esquerdo estão os “pões” no meio os “técnicos” e na ponta direita os “gerentes e engenheiros”). Vou precisar estudar mais sobre a função dos técnicos neste momento, mas de início fiquei com uma dúvida: desempenhariam ali preferencialmente a função de trabalhadores de mais-valia relativa, ou gestores de escalão inferior? De qualquer forma parece um bom espaço para esta discussão. Mas falei isto tudo porque Mange tinha uma verdadeira aversão a todo o trabalho que não fosse executado exatamente da forma como prescreviam os engenheiros, sendo que isto tinha a função de acabar com os laços de solidariedade tradicionais entre os trabalhadores. Algo que foi especialmente importante para desenvolver o capitalismo nas décadas de 20, 30 e 40. Neste momento, parecia ser mais importante para o capitalismo prescindir do conhecimento dos trabalhadores, vindo da experiência no trabalho, que engolirem um eventual processo revolucionário. Do ponto de vista político esta foi uma das funções do SENAI. Situação completamente diferente da Odebrecht e o seu sistema TEO, onde nesta jogada parecem os capitalistas ganharem muitas vezes: incorporam os conhecimentos dos trabalhadores locais, formando uma tecnologia de produção mais avançada; formam força de trabalho para si e para o mercado de trabalho local “de graça”; e ainda ganham simpatias junto a população e governo. Apesar disso, está lá o SENAI novamente. Muito interessante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A respeito do final do artigo, estive em Campinas justamente pesquisando o arquivo de Roberto Mange, engenheiro suíço, naturalizado brasileiro, é uma das mentes por trás da criação do SENAI e que ficou conhecido pela literatura industrial como “o semeador de escolas”. Além disso, ele está envolvido na criação de diversas instituições responsáveis pela organização científica do trabalho, tanto na administração pública com a criação do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público), quanto privado com o IDORT (Instituto de Organização Racional do Trabalho), juntamente com outros engenheiros, além da figura de Roberto Simonsen. Na historiografia, porém, existe um debate sobre suas filiações teóricas, se Mange era taylorista, ou se tinha uma vinculação maior com a psicotécnica de origem alemã. Ainda não tive tempo de analisar os dados que recolhi (os diversos cadernos e artigos dele), mas parece que ele trabalhou nas duas áreas. O problema é que o autor que fala de um Mange não taylorista quer desvincular sua obra no SENAI da exploração do trabalho, pois segundo ele a preocupação de Mange não ia somente de encontro à formação profissional, mas somava-se a uma formação técnica mais ampla. No meio desta documentação encontrei vários artigos de jornais onde Mange parece fazer um apelo aos industriais para que contratassem técnicos, que seriam o elo intermediário entre os peões e os gerentes e engenheiros das empresas (existe inclusive uma ilustração de uma corrente, onde do lado esquerdo estão os “pões” no meio os “técnicos” e na ponta direita os “gerentes e engenheiros”). Vou precisar estudar mais sobre a função dos técnicos neste momento, mas de início fiquei com uma dúvida: desempenhariam ali preferencialmente a função de trabalhadores de mais-valia relativa, ou gestores de escalão inferior? De qualquer forma parece um bom espaço para esta discussão. Mas falei isto tudo porque Mange tinha uma verdadeira aversão a todo o trabalho que não fosse executado exatamente da forma como prescreviam os engenheiros, sendo que isto tinha a função de acabar com os laços de solidariedade tradicionais entre os trabalhadores. Algo que foi especialmente importante para desenvolver o capitalismo nas décadas de 20, 30 e 40. Neste momento, parecia ser mais importante para o capitalismo prescindir do conhecimento dos trabalhadores, vindo da experiência no trabalho, que engolirem um eventual processo revolucionário. Do ponto de vista político esta foi uma das funções do SENAI. Situação completamente diferente da Odebrecht e o seu sistema TEO, onde nesta jogada parecem os capitalistas ganharem muitas vezes: incorporam os conhecimentos dos trabalhadores locais, formando uma tecnologia de produção mais avançada; formam força de trabalho para si e para o mercado de trabalho local “de graça”; e ainda ganham simpatias junto a população e governo. Apesar disso, está lá o SENAI novamente. Muito interessante.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43889/#comment-41248</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 21:58:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ronan,
Quanto ao ensino fundamental, creio que as estatísticas no começo do artigo mostram a diferença de situações entre o Brasil e a China.
Quanto aos segundo e terceiro parágrafos do seu comentário, chamo a atenção para a seguinte passagem do meu artigo: «o facto de o país contar com todo o leque de mão-de-obra, desde a não qualificada e mal paga até à muito qualificada e relativamente bem paga, dá-lhe possibilidades competitivas no mercado mundial. Trata-se de um caminho estreito, de uma linha de equilíbrio difícil entre, de um lado, antagonismos que se paralisam e, de outro lado, contradições que se harmonizam». Veremos como — ou se — o capitalismo brasileiro conseguirá superar esse obstáculo.
Quanto à sua última pergunta, creio que o final do meu artigo já indica que, na minha opinião, sem a intervenção activa do Estado o ensino fundamental não poderá melhorar. O grande problema, todavia, é que o capitalismo conseguiu produzir artigos industriais em massa com excelente qualidade, mas nunca consegiu produzir um ensino em massa com boa qualidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ronan,<br />
Quanto ao ensino fundamental, creio que as estatísticas no começo do artigo mostram a diferença de situações entre o Brasil e a China.<br />
Quanto aos segundo e terceiro parágrafos do seu comentário, chamo a atenção para a seguinte passagem do meu artigo: «o facto de o país contar com todo o leque de mão-de-obra, desde a não qualificada e mal paga até à muito qualificada e relativamente bem paga, dá-lhe possibilidades competitivas no mercado mundial. Trata-se de um caminho estreito, de uma linha de equilíbrio difícil entre, de um lado, antagonismos que se paralisam e, de outro lado, contradições que se harmonizam». Veremos como — ou se — o capitalismo brasileiro conseguirá superar esse obstáculo.<br />
Quanto à sua última pergunta, creio que o final do meu artigo já indica que, na minha opinião, sem a intervenção activa do Estado o ensino fundamental não poderá melhorar. O grande problema, todavia, é que o capitalismo conseguiu produzir artigos industriais em massa com excelente qualidade, mas nunca consegiu produzir um ensino em massa com boa qualidade.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ronan		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43889/#comment-41119</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ronan]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Sep 2011 15:31:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=43889#comment-41119</guid>

					<description><![CDATA[João,
Alguns dos países que despontam no cenário atual possuem esta mesma característica. Ao lado de um ensino superior mais estruturado e eficiente aliam uma população carente de formação ou precariamente formada e, entretanto, conseguem se desenvolver. Me parece ser o caso da China, da Índia, como é do Brasil. Os Estados Unidos, até porque se beneficiam da chamada fuga de talentos, alia um ensino superior de qualidade ao lado de uma população que não se interessa em estudar, no geral, havendo um ensino básico cheio de problemas. 

O interessante nesta discussão é pensar que o Brasil pôde se constituir como um novo país depois de Vargas mesmo tendo como base uma população basicamente analfabeta e pessimamente qualificada, incluindo ai os imigrantes. É o mesmo com China, com Índia e outros países mais. Uma vasta economia precarizada tem servido para alojar esta mão de obra desqualificada ao ponto de ser maior o desemprego entre quem possui o ensino médio completo do que entre quem não possui. Até certo ponto, a força física, a coragem e as formações que se adquire na família, no próprio trabalho ou na vida contam mais do que o que é oferecido nas escolas. 

O que eu tenho acompanhado é uma atitude de recusa ao saber ofertado na escola e depois os alunos fazem algum cursinho para viver, aprendem consertar um chuveiro, operar uma máquina e vão seguir a vida. Ou acabam aprendendo algo na família, no trabalho ou com os colegas. Isso pode ir desde aprender a roubar carros ou aprender a decorar com gesso. A parte que vai para as universidades é pequena, daí que o ensino médio conte mais como período de vivências e diversões. 

Da parte do governo, há pressões para aumentar a produtividade do ensino. No entanto, o querem fazer sem maiores investimentos, sem aumentar gastos. E assim a escola ofertada não consegue ser algo de diferente no meio de baixa qualificação em que vivem os alunos, ela é parte mesmo desta desqualificação. Mas o que queria perguntar é: se as escolas não apresentam um norte diferente, até onde o país poderá continuar a crescer nesta base ou serão as empresas que terão que assumir a dianteira na qualificação da força de trabalho?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,<br />
Alguns dos países que despontam no cenário atual possuem esta mesma característica. Ao lado de um ensino superior mais estruturado e eficiente aliam uma população carente de formação ou precariamente formada e, entretanto, conseguem se desenvolver. Me parece ser o caso da China, da Índia, como é do Brasil. Os Estados Unidos, até porque se beneficiam da chamada fuga de talentos, alia um ensino superior de qualidade ao lado de uma população que não se interessa em estudar, no geral, havendo um ensino básico cheio de problemas. </p>
<p>O interessante nesta discussão é pensar que o Brasil pôde se constituir como um novo país depois de Vargas mesmo tendo como base uma população basicamente analfabeta e pessimamente qualificada, incluindo ai os imigrantes. É o mesmo com China, com Índia e outros países mais. Uma vasta economia precarizada tem servido para alojar esta mão de obra desqualificada ao ponto de ser maior o desemprego entre quem possui o ensino médio completo do que entre quem não possui. Até certo ponto, a força física, a coragem e as formações que se adquire na família, no próprio trabalho ou na vida contam mais do que o que é oferecido nas escolas. </p>
<p>O que eu tenho acompanhado é uma atitude de recusa ao saber ofertado na escola e depois os alunos fazem algum cursinho para viver, aprendem consertar um chuveiro, operar uma máquina e vão seguir a vida. Ou acabam aprendendo algo na família, no trabalho ou com os colegas. Isso pode ir desde aprender a roubar carros ou aprender a decorar com gesso. A parte que vai para as universidades é pequena, daí que o ensino médio conte mais como período de vivências e diversões. </p>
<p>Da parte do governo, há pressões para aumentar a produtividade do ensino. No entanto, o querem fazer sem maiores investimentos, sem aumentar gastos. E assim a escola ofertada não consegue ser algo de diferente no meio de baixa qualificação em que vivem os alunos, ela é parte mesmo desta desqualificação. Mas o que queria perguntar é: se as escolas não apresentam um norte diferente, até onde o país poderá continuar a crescer nesta base ou serão as empresas que terão que assumir a dianteira na qualificação da força de trabalho?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ronan		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43889/#comment-40991</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ronan]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Sep 2011 17:23:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=43889#comment-40991</guid>

					<description><![CDATA[Um texto do dia 1 de setembro de 2011 - Folha de São Paulo - que se relaciona com o assunto. 

SILVIO MEIRA

A sala de aula, desconectada

Não podemos ignorar, no processo de aprendizado escolar, as tecnologias de informação e comunicação

TRINTA ANOS depois do primeiro PC, só 7% dos coordenadores pedagógicos das escolas brasileiras acreditam que seus professores sabem preparar uma apresentação em PowerPoint. Há 15 anos na era das redes, só 20% dos professores dizem estar na web, a partir da escola, quase todos os dias.
Tal estado de coisas só não é mais preocupante porque 69% dos professores com menos de 30 anos revelam estar na rede a partir de casa, todo dia ou quase, realizando atividades associadas ao seu papel na escola.
Os dados são da pesquisa sobre as TICs (tecnologias da informação e comunicação) nas escolas, empresas e domicílios, publicada pelo CGI.br (Comitê Gestor da Internet brasileira) -ver o link bit.ly/ra829Z.
Você poderia dizer que o papel dos professores, na escola, é &quot;dar aulas&quot;. Mas não, não é. O principal papel dos professores, em todos os níveis, é conduzir processos de criação de oportunidades de aprendizado. E isso pode ser feito de muitas formas, entre as quais a aula.
Mas a aula à qual estamos acostumados -normalmente a explanação de um texto conhecido, quando não a repetição pura e simples, na escola, do material que os alunos poderiam ter lido em casa para discutir em sala- já deveria ter sido proibida há décadas.
Talvez &quot;proibida&quot; seja muito forte neste contexto. Mas você já imaginou a quantidade de tempo e de gente que se perde, mundo afora, ouvindo o professor recitar, e muitas vezes mal, um texto que poderia ser lido antes da aula, especialmente pelos maiores, para um debate em sala?
Será que o processo de aprendizado mudaria significativamente se todos os professores soubessem preparar e realizar uma apresentação em PowerPoint, talvez resultado de terem mais acesso à internet na escola? Não necessariamente, até porque o domínio da tecnologia para expressar o conteúdo não significa domínio do conteúdo.
E estamos cansados de saber que um dos maiores problemas dos professores dos primeiros níveis de ensino é sua formação, em cursos de pedagogia que, se têm pouco a ver com as necessidades reais das escolas, estão quase sempre abaixo da crítica no que tange à qualidade de seu próprio processo educacional.
Ainda por cima, de que adiantaria preparar uma apresentação computacional, gráfica e interativa, se apenas 4% das salas de aula têm um PC para apresentá-la?
Ocorre que as tecnologias de informação e comunicação não podem mais ser ignoradas no processo de aprendizado, até porque são parte da linguagem dos aprendizes.
Internet, redes sociais, jogos digitais, smartphones não são uma raridade exótica na realidade dos alunos. Mais de 85% das residências têm celular, 35% têm computador, 31% estão ligadas à internet.
A sala de aula, coitada, está desconectada. Entre os 44% dos brasileiros que usam computadores com alguma frequência, 50% sabem usar uma planilha e manipular som e imagem e, surpreendentemente, 18% têm alguma competência em programação. Aí é que a escola, os professores e a sala de aula ficaram, em termos de competências em TICs, muito atrás da média da população.
O que quer dizer, também e auspiciosamente, que as oportunidades de aprendizado pularam o muro da escola e foram para a rua, onde estão situadas, do ponto de vista das TICs, mais competências do que no sistema educacional.
Isso é bom, porque indica que pessoas e empresas não estão dependendo só da escola e de sua dinâmica para aprender, o que realmente deveria ser o caso em uma sociedade &quot;em rede&quot;, de informação e conhecimento.
Mas quer dizer também que a escola é quase irrelevante para o aprendizado de um vasto conjunto de fundamentos e de técnicas que são essenciais no trabalho e na vida de qualquer um, hoje e no futuro, qualquer futuro.
O estudo do CGI.br aponta problemas antigos, crônicos e diagnosticados há anos, que já poderiam ter sido tratados de múltiplas formas, se o sistema educacional tivesse a prioridade que deveria ter em um país que, se no passado era &quot;do futuro&quot;, quer, no presente, estar &quot;no futuro&quot;. 

SILVIO MEIRA, 55, fundador do www.portodigital.org e cientista-chefe do www.cesar.org.br, escreve a cada quatro semanas nesta coluna. 

@srlm]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um texto do dia 1 de setembro de 2011 &#8211; Folha de São Paulo &#8211; que se relaciona com o assunto. </p>
<p>SILVIO MEIRA</p>
<p>A sala de aula, desconectada</p>
<p>Não podemos ignorar, no processo de aprendizado escolar, as tecnologias de informação e comunicação</p>
<p>TRINTA ANOS depois do primeiro PC, só 7% dos coordenadores pedagógicos das escolas brasileiras acreditam que seus professores sabem preparar uma apresentação em PowerPoint. Há 15 anos na era das redes, só 20% dos professores dizem estar na web, a partir da escola, quase todos os dias.<br />
Tal estado de coisas só não é mais preocupante porque 69% dos professores com menos de 30 anos revelam estar na rede a partir de casa, todo dia ou quase, realizando atividades associadas ao seu papel na escola.<br />
Os dados são da pesquisa sobre as TICs (tecnologias da informação e comunicação) nas escolas, empresas e domicílios, publicada pelo CGI.br (Comitê Gestor da Internet brasileira) -ver o link bit.ly/ra829Z.<br />
Você poderia dizer que o papel dos professores, na escola, é &#8220;dar aulas&#8221;. Mas não, não é. O principal papel dos professores, em todos os níveis, é conduzir processos de criação de oportunidades de aprendizado. E isso pode ser feito de muitas formas, entre as quais a aula.<br />
Mas a aula à qual estamos acostumados -normalmente a explanação de um texto conhecido, quando não a repetição pura e simples, na escola, do material que os alunos poderiam ter lido em casa para discutir em sala- já deveria ter sido proibida há décadas.<br />
Talvez &#8220;proibida&#8221; seja muito forte neste contexto. Mas você já imaginou a quantidade de tempo e de gente que se perde, mundo afora, ouvindo o professor recitar, e muitas vezes mal, um texto que poderia ser lido antes da aula, especialmente pelos maiores, para um debate em sala?<br />
Será que o processo de aprendizado mudaria significativamente se todos os professores soubessem preparar e realizar uma apresentação em PowerPoint, talvez resultado de terem mais acesso à internet na escola? Não necessariamente, até porque o domínio da tecnologia para expressar o conteúdo não significa domínio do conteúdo.<br />
E estamos cansados de saber que um dos maiores problemas dos professores dos primeiros níveis de ensino é sua formação, em cursos de pedagogia que, se têm pouco a ver com as necessidades reais das escolas, estão quase sempre abaixo da crítica no que tange à qualidade de seu próprio processo educacional.<br />
Ainda por cima, de que adiantaria preparar uma apresentação computacional, gráfica e interativa, se apenas 4% das salas de aula têm um PC para apresentá-la?<br />
Ocorre que as tecnologias de informação e comunicação não podem mais ser ignoradas no processo de aprendizado, até porque são parte da linguagem dos aprendizes.<br />
Internet, redes sociais, jogos digitais, smartphones não são uma raridade exótica na realidade dos alunos. Mais de 85% das residências têm celular, 35% têm computador, 31% estão ligadas à internet.<br />
A sala de aula, coitada, está desconectada. Entre os 44% dos brasileiros que usam computadores com alguma frequência, 50% sabem usar uma planilha e manipular som e imagem e, surpreendentemente, 18% têm alguma competência em programação. Aí é que a escola, os professores e a sala de aula ficaram, em termos de competências em TICs, muito atrás da média da população.<br />
O que quer dizer, também e auspiciosamente, que as oportunidades de aprendizado pularam o muro da escola e foram para a rua, onde estão situadas, do ponto de vista das TICs, mais competências do que no sistema educacional.<br />
Isso é bom, porque indica que pessoas e empresas não estão dependendo só da escola e de sua dinâmica para aprender, o que realmente deveria ser o caso em uma sociedade &#8220;em rede&#8221;, de informação e conhecimento.<br />
Mas quer dizer também que a escola é quase irrelevante para o aprendizado de um vasto conjunto de fundamentos e de técnicas que são essenciais no trabalho e na vida de qualquer um, hoje e no futuro, qualquer futuro.<br />
O estudo do CGI.br aponta problemas antigos, crônicos e diagnosticados há anos, que já poderiam ter sido tratados de múltiplas formas, se o sistema educacional tivesse a prioridade que deveria ter em um país que, se no passado era &#8220;do futuro&#8221;, quer, no presente, estar &#8220;no futuro&#8221;. </p>
<p>SILVIO MEIRA, 55, fundador do <a href="http://www.portodigital.org" rel="nofollow ugc">http://www.portodigital.org</a> e cientista-chefe do <a href="http://www.cesar.org.br" rel="nofollow ugc">http://www.cesar.org.br</a>, escreve a cada quatro semanas nesta coluna. </p>
<p>@srlm</p>
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