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	Comentários sobre: Brasil hoje e amanhã: 5) capitalismo burocrático	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: dokonal		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43953/#comment-43501</link>

		<dc:creator><![CDATA[dokonal]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Sep 2011 21:17:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como caso concreto de capitalismo burocrático é interessante ler as matérias: &quot;Lobistas de fábricas monitoraram medidas&quot; e &quot;Mantega causa &#039;desconforto&#039; em ministros&quot;, que saíram hoje na página A5 do Valor Econômico (disponíveis aqui: http://www.valor.com.br/brasil/1010278/lobistas-de-fabricas-monitoraram-medidas e aqui: http://www.valor.com.br/brasil/1010298/mantega-causa-desconforto-em-ministros).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como caso concreto de capitalismo burocrático é interessante ler as matérias: &#8220;Lobistas de fábricas monitoraram medidas&#8221; e &#8220;Mantega causa &#8216;desconforto&#8217; em ministros&#8221;, que saíram hoje na página A5 do Valor Econômico (disponíveis aqui: <a href="http://www.valor.com.br/brasil/1010278/lobistas-de-fabricas-monitoraram-medidas" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/brasil/1010278/lobistas-de-fabricas-monitoraram-medidas</a> e aqui: <a href="http://www.valor.com.br/brasil/1010298/mantega-causa-desconforto-em-ministros" rel="nofollow ugc">http://www.valor.com.br/brasil/1010298/mantega-causa-desconforto-em-ministros</a>).</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: iraldo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43953/#comment-43182</link>

		<dc:creator><![CDATA[iraldo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Sep 2011 22:38:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tenho chegado atrasado aos debates...

Sobre a questão da burocracia sindical, gostaria de relatar uma situação bastante elucidativa sobre a atuação dos sindicatos. Estamos em meio a uma greve bem confusa aqui no IFSC, onde o SINASEFE está &quot;à frente&quot;. Enquanto eu lia um boletim no mural da greve, me deparei com uma informação absurda, de que apenas os sindicalizados votariam nas assembléias de greve. Fiquei muito irritado e tirei satisfações com uma dirigente da entidade. Ao invés de responder o porquê daquilo, ficou me perguntando por queeu não me sindicalizava, que era meu &quot;dever&quot;. Tive que explicar algo que jamais pensei que fosse fazer, que greve era uma ação própria da cetegoria, que o sindicato jamais poderia substituir esta, ou marginalizar os não sindicalizados. A mesma ainda deu a entender que, se houvesse algum tipo de perseguição a um grevista não sindicalizado, o sindicato nada poderia fazer, portanto se eu queria fazer greve que me sindicalizasse. Mas, eis que surge a grande questão: enfim ela confessa que tudo isso ocorre porque no fundo eles querem aproveitar para &quot;fortalecer o sindicato&quot;. Ou seja, o trabalhador deve se sindicalizar para ser &quot;protegido&quot; pelo sindicato. Ao invés de fortalecer a luta, apoiando a iniciativa de não sindicalizados, fragmentam a mesma, em nome do &quot;fortalecimento&quot; da máquina, a única forma de luta do trabalhador, segundo a dirigente. Bem, sobre o direito de voto nas assembléias, a mesma afirmou que apesar de sair aquilo no boletim, o Sinasefe de fato não cobra carteirinha na hora... Que bom... alguns servidores inclusive salientam o caráter &quot;democrático&quot; dessa medida. Essa perspectiva autoritária é reproduzida pela categoria, pois ouvi coisas do tipo, &quot;quem é sindicalizado é obrigado a fazer greve&quot;, ou &quot;quem não é sindicalizado não tem direito à fazer greve&quot;. Em &quot;Transnacionalização do capital&quot;, do João Bernardo, tem alguas passagens  elucidativas sobre o exemplo descrito. Acho que não preciso responder por que não sou sindicalizado...

Saudações!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho chegado atrasado aos debates&#8230;</p>
<p>Sobre a questão da burocracia sindical, gostaria de relatar uma situação bastante elucidativa sobre a atuação dos sindicatos. Estamos em meio a uma greve bem confusa aqui no IFSC, onde o SINASEFE está &#8220;à frente&#8221;. Enquanto eu lia um boletim no mural da greve, me deparei com uma informação absurda, de que apenas os sindicalizados votariam nas assembléias de greve. Fiquei muito irritado e tirei satisfações com uma dirigente da entidade. Ao invés de responder o porquê daquilo, ficou me perguntando por queeu não me sindicalizava, que era meu &#8220;dever&#8221;. Tive que explicar algo que jamais pensei que fosse fazer, que greve era uma ação própria da cetegoria, que o sindicato jamais poderia substituir esta, ou marginalizar os não sindicalizados. A mesma ainda deu a entender que, se houvesse algum tipo de perseguição a um grevista não sindicalizado, o sindicato nada poderia fazer, portanto se eu queria fazer greve que me sindicalizasse. Mas, eis que surge a grande questão: enfim ela confessa que tudo isso ocorre porque no fundo eles querem aproveitar para &#8220;fortalecer o sindicato&#8221;. Ou seja, o trabalhador deve se sindicalizar para ser &#8220;protegido&#8221; pelo sindicato. Ao invés de fortalecer a luta, apoiando a iniciativa de não sindicalizados, fragmentam a mesma, em nome do &#8220;fortalecimento&#8221; da máquina, a única forma de luta do trabalhador, segundo a dirigente. Bem, sobre o direito de voto nas assembléias, a mesma afirmou que apesar de sair aquilo no boletim, o Sinasefe de fato não cobra carteirinha na hora&#8230; Que bom&#8230; alguns servidores inclusive salientam o caráter &#8220;democrático&#8221; dessa medida. Essa perspectiva autoritária é reproduzida pela categoria, pois ouvi coisas do tipo, &#8220;quem é sindicalizado é obrigado a fazer greve&#8221;, ou &#8220;quem não é sindicalizado não tem direito à fazer greve&#8221;. Em &#8220;Transnacionalização do capital&#8221;, do João Bernardo, tem alguas passagens  elucidativas sobre o exemplo descrito. Acho que não preciso responder por que não sou sindicalizado&#8230;</p>
<p>Saudações!</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Alex		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43953/#comment-42934</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alex]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 19:13:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quanto ao comentário do João Bernardo sobre a possibilidade de que o governo Dilma dê um passo a mais na integração dos movimentos sociais ao governo, na figura de Gilberto Carvalho, é curioso que seja este ministro a anunciar as conquistas da jornada de luta da Via Campesina (e a discursar o quanto o governo Dilma, através da luta e da pressão dos movimentos sociais, está ao lado destes), em vídeo (editado) de mais de 7 minutos, publicado não numa página governamental, como da Secretaria-Geral da Presidência, mas na própria página do MST: http://www.mst.org.br/video/Conquistas-da-Jornada-de-Lutas-da-Via-Campesina]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quanto ao comentário do João Bernardo sobre a possibilidade de que o governo Dilma dê um passo a mais na integração dos movimentos sociais ao governo, na figura de Gilberto Carvalho, é curioso que seja este ministro a anunciar as conquistas da jornada de luta da Via Campesina (e a discursar o quanto o governo Dilma, através da luta e da pressão dos movimentos sociais, está ao lado destes), em vídeo (editado) de mais de 7 minutos, publicado não numa página governamental, como da Secretaria-Geral da Presidência, mas na própria página do MST: <a href="http://www.mst.org.br/video/Conquistas-da-Jornada-de-Lutas-da-Via-Campesina" rel="nofollow ugc">http://www.mst.org.br/video/Conquistas-da-Jornada-de-Lutas-da-Via-Campesina</a></p>
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		<item>
		<title>
		Por: Ronan		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43953/#comment-42610</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ronan]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Sep 2011 23:45:47 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=43953#comment-42610</guid>

					<description><![CDATA[A propósito do esclarecedor exemplo posto pelo João Bernardo na sequência da boa pergunta do Paulo gostaria de citar um caso caso particular de aplicação desta regra geral. 

Quem não conhece as penitenciárias internamente, o seu cotidiano, julga que elas são administradas pelo Estado, enquanto corpo de gestores externos que comandam toda a estrutura. No entanto, ao menos em São Paulo, que conheço, as unidades penitenciárias já desde um bom tempo passaram a incluir sistematicamente reuniões mensais entre os chefes dos presos, ás vezes quinzenais ou conforme a necessidade, e os demais diretores da unidade. Muitas vezes, ocorre de participarem destas reuniões o juiz ou juíza responsável pela unidade e até delegados, além de chefes de empresas que usam mão-de-obra carcerária. É uma prática informal, não sendo documentada, relatada em atas, nem mesmo virando notícia de jornais. Assim, a administração da unidade penal, desde os trabalhos burocráticos, passando por conflitos laborais, questão de higiene, segurança, alimentação, códigos morais dos presos, tratamento das visitas, tudo, acaba sendo, na prática, decidido neste conselho informal de gestão penitenciária. 

Ocorre mesmo de grandes chefes do crime participarem de reuniões com altas autoridades, como é mais conhecido a respeito dos ataques de 2006. Estas reuniões acabam gerando toda uma normatização informal e extra legal de gestão das unidades. A mais conhecida é a divisão das unidades por facções, algo imposto pelos &quot;gestores&quot; criminais. E se destes conselhos informais acaba resultado uma aceitação pacífica de regras estatais por parte dos presos, também o Estado e os agentes penitenciários são obrigados a cumprir regras impostas pelos presos. Exemplo: não atravessar o pavilhão na hora da entrega da alimentação, não usar dados xingamentos como &quot;filho da puta&quot;, &quot;dedo-duro&quot;, não espancar presos sem motivo legal ou moral aceito, separar homossexuais em celas específicas, colocar uma fita vermelha que identifique as marmitas que os presos homossexuais usam, liberar privilégios para os chefes (visitas fora do dia, atendimento privilegiado em tantas coisas). 

Comparando esta prática de gestão participativa informal que ocorre dentro dos presídios e o que se passa no âmbito educacional, onde não há reuniões sistemáticas entre docentes, tecnocracas e alunos, vê-se como a escola está atrasada com relação às penitenciárias. A gestão dos presídios, enquanto tecnologia social, é mais sofisticada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A propósito do esclarecedor exemplo posto pelo João Bernardo na sequência da boa pergunta do Paulo gostaria de citar um caso caso particular de aplicação desta regra geral. </p>
<p>Quem não conhece as penitenciárias internamente, o seu cotidiano, julga que elas são administradas pelo Estado, enquanto corpo de gestores externos que comandam toda a estrutura. No entanto, ao menos em São Paulo, que conheço, as unidades penitenciárias já desde um bom tempo passaram a incluir sistematicamente reuniões mensais entre os chefes dos presos, ás vezes quinzenais ou conforme a necessidade, e os demais diretores da unidade. Muitas vezes, ocorre de participarem destas reuniões o juiz ou juíza responsável pela unidade e até delegados, além de chefes de empresas que usam mão-de-obra carcerária. É uma prática informal, não sendo documentada, relatada em atas, nem mesmo virando notícia de jornais. Assim, a administração da unidade penal, desde os trabalhos burocráticos, passando por conflitos laborais, questão de higiene, segurança, alimentação, códigos morais dos presos, tratamento das visitas, tudo, acaba sendo, na prática, decidido neste conselho informal de gestão penitenciária. </p>
<p>Ocorre mesmo de grandes chefes do crime participarem de reuniões com altas autoridades, como é mais conhecido a respeito dos ataques de 2006. Estas reuniões acabam gerando toda uma normatização informal e extra legal de gestão das unidades. A mais conhecida é a divisão das unidades por facções, algo imposto pelos &#8220;gestores&#8221; criminais. E se destes conselhos informais acaba resultado uma aceitação pacífica de regras estatais por parte dos presos, também o Estado e os agentes penitenciários são obrigados a cumprir regras impostas pelos presos. Exemplo: não atravessar o pavilhão na hora da entrega da alimentação, não usar dados xingamentos como &#8220;filho da puta&#8221;, &#8220;dedo-duro&#8221;, não espancar presos sem motivo legal ou moral aceito, separar homossexuais em celas específicas, colocar uma fita vermelha que identifique as marmitas que os presos homossexuais usam, liberar privilégios para os chefes (visitas fora do dia, atendimento privilegiado em tantas coisas). </p>
<p>Comparando esta prática de gestão participativa informal que ocorre dentro dos presídios e o que se passa no âmbito educacional, onde não há reuniões sistemáticas entre docentes, tecnocracas e alunos, vê-se como a escola está atrasada com relação às penitenciárias. A gestão dos presídios, enquanto tecnologia social, é mais sofisticada.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43953/#comment-42525</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Sep 2011 10:18:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Paulo,
Se, para simplificar, admitirmos a existência de dois canais institucionais, um que leva do governo para as empresas e outro das empresas para o governo, penso que o primeiro foi reforçado no Brasil desde o fascismo de Getúlio Vargas até ao autoritarismo do regime militar. Com Fernando Henrique Cardoso reforçou-se o segundo canal e é nesta perspectiva que entendo as Agências que você citou. Os governos do PT reequilibraram a situação, continuando a atribuir importância ao segundo canal mas dando de novo relevo ao primeiro canal e sobretudo modernizando-o. Em resultado de tudo isto, a principal base do Estado não se encontra hoje nas instituições governamentais, mas naquela faixa de instituições em que público e privado se confundem e em que existe um permanente vaivém de métodos e pessoas. Em boa medida as noções de &lt;em&gt;público&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;privado&lt;/em&gt; deixaram de ser satisfatórias.
Aproveitando para responder aos dois outros comentários, é neste sentido objectivo, e não pejorativo, que eu emprego o termo &lt;em&gt;burocracia&lt;/em&gt;.
Mas existe uma grande lacuna na análise que faço do capitalismo burocrático no Brasil, que é a questão dos sindicatos. Inicialmente tinha pensado incluí-la, mas depois desisti, devido à extensão tomada pela série. Talvez não tivesse sido uma decisão acertada. Um dos factores de renovação mais importantes trazidos pelos governos Lula foi a introdução dos sindicatos na área governamental, algo que não sucedia no Brasil desde o regime fascista de Getúlio Vargas. Só que agora os sindicatos já não se limitam a regular o mercado de trabalho e se converteram em investidores capitalistas e em detentores de enormes fundos financeiros. Remeto aqui para o livro que escrevi juntamente com Luciano Pereira, &lt;em&gt;Capitalismo Sindical&lt;/em&gt; (São Paulo: Xamã, 2008). Tanto através do seu aparelho de enquadramento da classe trabalhadora como através do capital financeiro que detêm, os sindicatos são uma componente muito importante do actual capitalismo burocrático brasileiro.
Nesta perspectiva é possível que o governo Dilma dê um passo em frente e procure integrar também os movimentos sociais na área governamental. Devemos estar atentos à actuação de Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, e articulador das relações com as ONGs e com os movimentos sociais. Quem não prestar atenção a estes contactos e relacionamentos, por enquanto muitíssimo discretos, pode deparar com grandes surpresas num futuro próximo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Paulo,<br />
Se, para simplificar, admitirmos a existência de dois canais institucionais, um que leva do governo para as empresas e outro das empresas para o governo, penso que o primeiro foi reforçado no Brasil desde o fascismo de Getúlio Vargas até ao autoritarismo do regime militar. Com Fernando Henrique Cardoso reforçou-se o segundo canal e é nesta perspectiva que entendo as Agências que você citou. Os governos do PT reequilibraram a situação, continuando a atribuir importância ao segundo canal mas dando de novo relevo ao primeiro canal e sobretudo modernizando-o. Em resultado de tudo isto, a principal base do Estado não se encontra hoje nas instituições governamentais, mas naquela faixa de instituições em que público e privado se confundem e em que existe um permanente vaivém de métodos e pessoas. Em boa medida as noções de <em>público</em> e <em>privado</em> deixaram de ser satisfatórias.<br />
Aproveitando para responder aos dois outros comentários, é neste sentido objectivo, e não pejorativo, que eu emprego o termo <em>burocracia</em>.<br />
Mas existe uma grande lacuna na análise que faço do capitalismo burocrático no Brasil, que é a questão dos sindicatos. Inicialmente tinha pensado incluí-la, mas depois desisti, devido à extensão tomada pela série. Talvez não tivesse sido uma decisão acertada. Um dos factores de renovação mais importantes trazidos pelos governos Lula foi a introdução dos sindicatos na área governamental, algo que não sucedia no Brasil desde o regime fascista de Getúlio Vargas. Só que agora os sindicatos já não se limitam a regular o mercado de trabalho e se converteram em investidores capitalistas e em detentores de enormes fundos financeiros. Remeto aqui para o livro que escrevi juntamente com Luciano Pereira, <em>Capitalismo Sindical</em> (São Paulo: Xamã, 2008). Tanto através do seu aparelho de enquadramento da classe trabalhadora como através do capital financeiro que detêm, os sindicatos são uma componente muito importante do actual capitalismo burocrático brasileiro.<br />
Nesta perspectiva é possível que o governo Dilma dê um passo em frente e procure integrar também os movimentos sociais na área governamental. Devemos estar atentos à actuação de Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, e articulador das relações com as ONGs e com os movimentos sociais. Quem não prestar atenção a estes contactos e relacionamentos, por enquanto muitíssimo discretos, pode deparar com grandes surpresas num futuro próximo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43953/#comment-42472</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Sep 2011 02:21:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernado
Gostaria de entender melhor por que razção diz, no começo do texto, que o &quot;capitalismo burocrático&quot; ou &quot;Estado privatizado&quot; teria sido &quot;posta em causa no Brasil durante os governos de [...] Fernando Henrique Cardoso&quot; mas &quot;regressou nos governos do PT&quot;?
Embora o BNDES se tenha feito mais atuante no governo Lula, foi no governo FHC, o acadêmico que criticava os &quot;anéis burocráticos&quot;, e apesar das privatizações de empresas estatais então promovidas, que foram criadas as inúmeras &quot;agências&quot; nos mais diversos setores da economia (Anatel, Aneel, Anac, ANS etc.), abrindo amplo espaço para a atuação dos gestores das empresas privadas e privatizadas. Como nunca antes, passaram a compartilhar com os gestores estatais a regulamentação (e fiscalização...) desses mesmos setores em que atuam as empresas que integram. O espaço aberto a essa parceria, aliás legalmente aberto, passou a ser exercido numa escala que não existia no CMN e nas demais &quot;autarquias&quot; que tradicionalmente se encarregaram do dia-a-dia da intervenção do Estado brasileiro na economia.
Abraços,
Paulo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernado<br />
Gostaria de entender melhor por que razção diz, no começo do texto, que o &#8220;capitalismo burocrático&#8221; ou &#8220;Estado privatizado&#8221; teria sido &#8220;posta em causa no Brasil durante os governos de [&#8230;] Fernando Henrique Cardoso&#8221; mas &#8220;regressou nos governos do PT&#8221;?<br />
Embora o BNDES se tenha feito mais atuante no governo Lula, foi no governo FHC, o acadêmico que criticava os &#8220;anéis burocráticos&#8221;, e apesar das privatizações de empresas estatais então promovidas, que foram criadas as inúmeras &#8220;agências&#8221; nos mais diversos setores da economia (Anatel, Aneel, Anac, ANS etc.), abrindo amplo espaço para a atuação dos gestores das empresas privadas e privatizadas. Como nunca antes, passaram a compartilhar com os gestores estatais a regulamentação (e fiscalização&#8230;) desses mesmos setores em que atuam as empresas que integram. O espaço aberto a essa parceria, aliás legalmente aberto, passou a ser exercido numa escala que não existia no CMN e nas demais &#8220;autarquias&#8221; que tradicionalmente se encarregaram do dia-a-dia da intervenção do Estado brasileiro na economia.<br />
Abraços,<br />
Paulo</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ronan		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43953/#comment-42053</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ronan]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2011 14:37:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=43953#comment-42053</guid>

					<description><![CDATA[Lendo o comentário anterior, realmente se o autor tivesse usado &quot;Estado privatizado&quot; como título soaria mais adequado para nós brasileiros. 

Quem quiser acompanhar hoje uma cidade sendo destruída pelo capital poderia estudar o que se passa em Jundiaí. Os antigos bairros operários, os velhos prédios históricos, os velhos monumentos tudo está sendo deitado abaixo para dar lugar a prédios cujos apartamentos ficam em torno de 1 milhão ou mais. Devido a proximidade de Jundiaí com São Paulo, as construtoras transformaram a cidade de forma prática, embora informal, em um condomínio residencial para a classe A e B paulistana que tem migrado para lá. Jundiaí é a cidade com maior quantidade de lançamentos imobiliários no Estado hoje. Com a chegada dos ricos e da classe média alta, o jundiaiense foi empurrado para as cidades vizinhas, para os cantos ou para as favelas. E mesmo com tanta gente pobre necessitando de moradia, eis que o governador anuncia a construção de uma linha de trem exclusiva entre Jundiaí e São Paulo, sem paradas, fazendo a ligação em 25 minutos. Esta linha se destina a atender justamente a esta parcela de classe média que embora more em Jundiaí, trabalha em São Paulo, estuda em São Paulo, possui vida cultural em São Paulo. Enfim, é um flagrante investimento estatal de alto valor para atender exclusivamente o setor imobiliário de Jundiaí. E fico a imaginar as reuniões entre construtoras e governo que deram origem a tal empreitada. Enquanto isso, 4 pessoas morreram soterradas na favela do São Camilo no início do ano.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lendo o comentário anterior, realmente se o autor tivesse usado &#8220;Estado privatizado&#8221; como título soaria mais adequado para nós brasileiros. </p>
<p>Quem quiser acompanhar hoje uma cidade sendo destruída pelo capital poderia estudar o que se passa em Jundiaí. Os antigos bairros operários, os velhos prédios históricos, os velhos monumentos tudo está sendo deitado abaixo para dar lugar a prédios cujos apartamentos ficam em torno de 1 milhão ou mais. Devido a proximidade de Jundiaí com São Paulo, as construtoras transformaram a cidade de forma prática, embora informal, em um condomínio residencial para a classe A e B paulistana que tem migrado para lá. Jundiaí é a cidade com maior quantidade de lançamentos imobiliários no Estado hoje. Com a chegada dos ricos e da classe média alta, o jundiaiense foi empurrado para as cidades vizinhas, para os cantos ou para as favelas. E mesmo com tanta gente pobre necessitando de moradia, eis que o governador anuncia a construção de uma linha de trem exclusiva entre Jundiaí e São Paulo, sem paradas, fazendo a ligação em 25 minutos. Esta linha se destina a atender justamente a esta parcela de classe média que embora more em Jundiaí, trabalha em São Paulo, estuda em São Paulo, possui vida cultural em São Paulo. Enfim, é um flagrante investimento estatal de alto valor para atender exclusivamente o setor imobiliário de Jundiaí. E fico a imaginar as reuniões entre construtoras e governo que deram origem a tal empreitada. Enquanto isso, 4 pessoas morreram soterradas na favela do São Camilo no início do ano.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/09/43953/#comment-41987</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Sep 2011 23:56:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=43953#comment-41987</guid>

					<description><![CDATA[De um lado o importante papel do Estado para o desenvolvimento econômico. Uma participação tão grande que se poderia dizer que Vargas criou um novo país. De outro a participação ativa e fusão do empresariado no Estado, mediante órgãos, conselhos e outros mais. O texto é bastante contundente. Entretanto, ao menos aqui no Brasil, o uso de &quot;capitalismo burocrático&quot; soa estranho. Isso porque a mentalidade geral está acostumada a associar algo burocrático a algo ineficiente, cheio de rituais, regras, morosidade e outros. Já a definição do Estado como uma parceria público-privada deixa tudo bem claro. 

No campo da educação não é diferente. Os donos das redes privadas de educação possuem representatividade e/ou participação nos conselhos municipais, estaduais e nacional de educação. Ao mesmo tempo, antigos secretários de educação e tecnocratas vão trabalhar nas redes privadas como consultores ou são administradores das redes privadas que viram secretários de educação, ou são as redes privadas a produzir apostilas usadas pelos municípios e, de todo modo, o baile entre os grupos de pesquisa das universidades estatais e as editoras e empresas educacionais é grande.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De um lado o importante papel do Estado para o desenvolvimento econômico. Uma participação tão grande que se poderia dizer que Vargas criou um novo país. De outro a participação ativa e fusão do empresariado no Estado, mediante órgãos, conselhos e outros mais. O texto é bastante contundente. Entretanto, ao menos aqui no Brasil, o uso de &#8220;capitalismo burocrático&#8221; soa estranho. Isso porque a mentalidade geral está acostumada a associar algo burocrático a algo ineficiente, cheio de rituais, regras, morosidade e outros. Já a definição do Estado como uma parceria público-privada deixa tudo bem claro. </p>
<p>No campo da educação não é diferente. Os donos das redes privadas de educação possuem representatividade e/ou participação nos conselhos municipais, estaduais e nacional de educação. Ao mesmo tempo, antigos secretários de educação e tecnocratas vão trabalhar nas redes privadas como consultores ou são administradores das redes privadas que viram secretários de educação, ou são as redes privadas a produzir apostilas usadas pelos municípios e, de todo modo, o baile entre os grupos de pesquisa das universidades estatais e as editoras e empresas educacionais é grande.</p>
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