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	Comentários sobre: Teses sobre a Revolta do Buzu &#8211; 3ª Parte	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Luis Antonio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/46881/#comment-52702</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luis Antonio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 23:53:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Só para comentar que neste mesmo período em Feira de Santana 5 mil estudantes tomaram as ruas também contra o almento da passagem, com confrontos com a polícia e ocupação da Prefeitura Municipal, mobilizações que duraram varias semana...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só para comentar que neste mesmo período em Feira de Santana 5 mil estudantes tomaram as ruas também contra o almento da passagem, com confrontos com a polícia e ocupação da Prefeitura Municipal, mobilizações que duraram varias semana&#8230;</p>
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		<title>
		Por: Abílio Bandeira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/46881/#comment-46275</link>

		<dc:creator><![CDATA[Abílio Bandeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Nov 2011 16:36:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bala!

Eu estava em 2003, estudava na Escola de Engenharia Elétrica da Bahia.

Acredito que precisamos de muitos espaços de formação política que dialogue com o ensino secundarista. Foi algo que senti falta em 2003, quando era 1º ano do ensino médio.

Apesar de procurar estar informado, me sentia perdido, sendo guiado pela massa, mas não como um boi numa manada, e sim como um pato em seu bando. Eu acreditava em quem estava me guiando, pois sabia que era um igual.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bala!</p>
<p>Eu estava em 2003, estudava na Escola de Engenharia Elétrica da Bahia.</p>
<p>Acredito que precisamos de muitos espaços de formação política que dialogue com o ensino secundarista. Foi algo que senti falta em 2003, quando era 1º ano do ensino médio.</p>
<p>Apesar de procurar estar informado, me sentia perdido, sendo guiado pela massa, mas não como um boi numa manada, e sim como um pato em seu bando. Eu acreditava em quem estava me guiando, pois sabia que era um igual.</p>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/46881/#comment-44840</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 16:53:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Peço desculpas por abusar do espaço dos comentários, que, afinal, são destinados a leitores, não a autores. É que este texto mexe com coisas importantes demais não apenas para mim, mas para toda uma geração de pessoas que viveu exatamente isto que está dito nas três partes deste ensaio, e muito mais.

Lá em 2003, naquelas semanas de luta, pela primeira vez na vida dezenas de milhares de jovens olharam para uma cidade inteira e disseram, na prática: &quot;é nossa!&quot; Minto. Na verdade não disseram. Ninguém disse. Sentimos isso, ao invés de dizer. Sentimos isso quando, no meio da rua paralisada, a gente se juntava com gente que nunca havíamos visto na vida para, literalmente, fazer o que a gente queria. Passávamos os dias, as semanas, não nos importando com mais nada além de tentar forçar a passagem a baixar. No final, uma só frase, já citada, resumiu tudo: &quot;Infelizmente está se desfazendo, mas eu quero continuar indo para a rua&quot;. Um não-sei-o-quê muito forte nos empurrava para diante, mesmo contra as condições mais adversas.

Um exemplo disso, puxado da memória. No final, já sob o lock-out docente imposto pela Secretaria de Educação, milhares de meninos e meninas continuavam a ir às ruas fardados, como se quisessem afirmar-se estudantes mesmo quando tudo lhes dizia que não adiantava mais disfarçar as coisas. E a polícia dispersava qualquer grupo com mais de três pessoas fardadas. Num destes últimos dias, a PM desceu a porrada em quem quer que estivesse na entrada da Estação da Lapa. Mais particularmente, deram uma rasteira numa menina que filmava tudo, espancaram-na até que ela soltasse a câmera. Ela protegia a câmera com o corpo, aguentando os chutes e cassetetes, até que começaram a bater na cabeça dela e puxar-lhe os cabelos (um policial arrancou tufos inteiros de uma só vez) e ela soltou a câmera, que foi dada a um cara qualquer, quem sabe um policial à paisana, que saiu andando, lépido e fagueiro, sorrindo com seu brinquedo novo, enquanto a polícia ameaçava quem quer que tentasse correr atrás dele. Depois, largaram-na. Fui até ela para ver se estava bem, ela levantou. Nem chorava. Perguntou o que é que ia fazer agora, eu e mais dois que também haviam sido espancados a levamos para fazer um exame de corpo de delito, mas o IML dependia da guia expedida pela delegacia. Enquanto retornávamos ao complexo de delegacias dos Barris, já havia um grupo grande na porta da delegacia protestando enquanto outros registravam queixa. Ela registrou a dela, depois foi entrevistada pelo Carlos Pronzado (ela aparece no vídeo &quot;Revolta do Buzu&quot;) e saímos da delegacia. Enquanto nos preocupávamos com a segurança dela -- vai saber se não tinha algum policial de tocaia pra &quot;tirar satisfação&quot; -- ela perguntou, serena: &quot;se eles pensam que vou ficar em casa... ah, se pensam... eles vão ver só, amanhã estou de volta...&quot;

Não tiro mais coisas da memória porque tudo o que eu próprio poderia dizer está dito, e já há muito tempo, no longo editorial do Centro de Mídia Independente (que pode ser acessado &lt;a href=&quot;http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/09/262484.shtml&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;clicando aqui&lt;/a&gt;) que sistematizou tudo o que lá se publicado à época. De certa forma, e guardadas as devidas proporções, foi o &quot;nosso Facebook&quot; de então. Se escrevo este comentário é porque foi sob a inspiração de tudo isto que vivi que, dentre outras coisas, escrevi outro artigo (que pode ser lido clicando &lt;a href=&quot;http://passapalavra.info/?p=44683&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;) na tentativa de fazer um balanço rapidíssimo de uma série de manifestações iniciadas e inspiradas pela própria Revolta do Buzu. E é sob a mesma inspiração que vejo as tentativas de imitar, em Salvador, a nova onda de mobilizações de ocupação de praças e ruas que rolam pelo mundo afora.

Ainda é cedo para dizer no que vai dar tudo isto. Mas é fato que as ocupações de praças estão hoje acendendo a imaginação das pessoas mais conectadas com tudo isto, tal como, lá atrás, e por motivos diferentes, o fizeram o levante zapatista -- sim, sou velho o suficiente para ter visto notícia do levante no Jornal Nacional -- e os Dias de Ação Global (inspiração direta para muitos de nós na Revolta do Buzu). Mas será que aqueles influenciados por este &quot;novo entusiasmo&quot; não estão mais preocupados com a &lt;em&gt;forma&lt;/em&gt; da manifestação que com seu &lt;em&gt;conteúdo&lt;/em&gt;? Ou seja, não estariam buscando trazer para Salvador uma forma de se manifestar que, aparentemente, é abrangente, aberta, democrática, igualitária etc. (no limite da capacidade de cada um de acessar a internet), mas cujos conteúdos são tão pouco atrativos para a população que somente alguns poucos corajosos se dispõem a participar? O que seria preciso agregar a elas para que este &quot;novo entusiasmo&quot; saia de sua própria impotência?

Não tenho respostas. Nem acho que uma pessoa só possa dá-las. Talvez analisar a história da Revolta do Buzu, balanços críticos da experiência da Ação Global dos Povos (como o que pode ser acessado clicando &lt;a href=&quot;http://passapalavra.info/?p=42773&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;) e coisas semelhantes ajude a abrir os caminhos. Mas que falta algo a este &quot;novo entusiasmo&quot;, ah, isto falta, e falta &lt;em&gt;muito&lt;/em&gt;...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Peço desculpas por abusar do espaço dos comentários, que, afinal, são destinados a leitores, não a autores. É que este texto mexe com coisas importantes demais não apenas para mim, mas para toda uma geração de pessoas que viveu exatamente isto que está dito nas três partes deste ensaio, e muito mais.</p>
<p>Lá em 2003, naquelas semanas de luta, pela primeira vez na vida dezenas de milhares de jovens olharam para uma cidade inteira e disseram, na prática: &#8220;é nossa!&#8221; Minto. Na verdade não disseram. Ninguém disse. Sentimos isso, ao invés de dizer. Sentimos isso quando, no meio da rua paralisada, a gente se juntava com gente que nunca havíamos visto na vida para, literalmente, fazer o que a gente queria. Passávamos os dias, as semanas, não nos importando com mais nada além de tentar forçar a passagem a baixar. No final, uma só frase, já citada, resumiu tudo: &#8220;Infelizmente está se desfazendo, mas eu quero continuar indo para a rua&#8221;. Um não-sei-o-quê muito forte nos empurrava para diante, mesmo contra as condições mais adversas.</p>
<p>Um exemplo disso, puxado da memória. No final, já sob o lock-out docente imposto pela Secretaria de Educação, milhares de meninos e meninas continuavam a ir às ruas fardados, como se quisessem afirmar-se estudantes mesmo quando tudo lhes dizia que não adiantava mais disfarçar as coisas. E a polícia dispersava qualquer grupo com mais de três pessoas fardadas. Num destes últimos dias, a PM desceu a porrada em quem quer que estivesse na entrada da Estação da Lapa. Mais particularmente, deram uma rasteira numa menina que filmava tudo, espancaram-na até que ela soltasse a câmera. Ela protegia a câmera com o corpo, aguentando os chutes e cassetetes, até que começaram a bater na cabeça dela e puxar-lhe os cabelos (um policial arrancou tufos inteiros de uma só vez) e ela soltou a câmera, que foi dada a um cara qualquer, quem sabe um policial à paisana, que saiu andando, lépido e fagueiro, sorrindo com seu brinquedo novo, enquanto a polícia ameaçava quem quer que tentasse correr atrás dele. Depois, largaram-na. Fui até ela para ver se estava bem, ela levantou. Nem chorava. Perguntou o que é que ia fazer agora, eu e mais dois que também haviam sido espancados a levamos para fazer um exame de corpo de delito, mas o IML dependia da guia expedida pela delegacia. Enquanto retornávamos ao complexo de delegacias dos Barris, já havia um grupo grande na porta da delegacia protestando enquanto outros registravam queixa. Ela registrou a dela, depois foi entrevistada pelo Carlos Pronzado (ela aparece no vídeo &#8220;Revolta do Buzu&#8221;) e saímos da delegacia. Enquanto nos preocupávamos com a segurança dela &#8212; vai saber se não tinha algum policial de tocaia pra &#8220;tirar satisfação&#8221; &#8212; ela perguntou, serena: &#8220;se eles pensam que vou ficar em casa&#8230; ah, se pensam&#8230; eles vão ver só, amanhã estou de volta&#8230;&#8221;</p>
<p>Não tiro mais coisas da memória porque tudo o que eu próprio poderia dizer está dito, e já há muito tempo, no longo editorial do Centro de Mídia Independente (que pode ser acessado <a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/09/262484.shtml" rel="nofollow">clicando aqui</a>) que sistematizou tudo o que lá se publicado à época. De certa forma, e guardadas as devidas proporções, foi o &#8220;nosso Facebook&#8221; de então. Se escrevo este comentário é porque foi sob a inspiração de tudo isto que vivi que, dentre outras coisas, escrevi outro artigo (que pode ser lido clicando <a href="http://passapalavra.info/?p=44683" rel="nofollow">aqui</a>) na tentativa de fazer um balanço rapidíssimo de uma série de manifestações iniciadas e inspiradas pela própria Revolta do Buzu. E é sob a mesma inspiração que vejo as tentativas de imitar, em Salvador, a nova onda de mobilizações de ocupação de praças e ruas que rolam pelo mundo afora.</p>
<p>Ainda é cedo para dizer no que vai dar tudo isto. Mas é fato que as ocupações de praças estão hoje acendendo a imaginação das pessoas mais conectadas com tudo isto, tal como, lá atrás, e por motivos diferentes, o fizeram o levante zapatista &#8212; sim, sou velho o suficiente para ter visto notícia do levante no Jornal Nacional &#8212; e os Dias de Ação Global (inspiração direta para muitos de nós na Revolta do Buzu). Mas será que aqueles influenciados por este &#8220;novo entusiasmo&#8221; não estão mais preocupados com a <em>forma</em> da manifestação que com seu <em>conteúdo</em>? Ou seja, não estariam buscando trazer para Salvador uma forma de se manifestar que, aparentemente, é abrangente, aberta, democrática, igualitária etc. (no limite da capacidade de cada um de acessar a internet), mas cujos conteúdos são tão pouco atrativos para a população que somente alguns poucos corajosos se dispõem a participar? O que seria preciso agregar a elas para que este &#8220;novo entusiasmo&#8221; saia de sua própria impotência?</p>
<p>Não tenho respostas. Nem acho que uma pessoa só possa dá-las. Talvez analisar a história da Revolta do Buzu, balanços críticos da experiência da Ação Global dos Povos (como o que pode ser acessado clicando <a href="http://passapalavra.info/?p=42773" rel="nofollow">aqui</a>) e coisas semelhantes ajude a abrir os caminhos. Mas que falta algo a este &#8220;novo entusiasmo&#8221;, ah, isto falta, e falta <em>muito</em>&#8230;</p>
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