<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Sobre o 15 de Outubro: democratização, &#8220;indignação&#8221;, partidos, etc.	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2011/10/47481/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2011/10/47481/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Sun, 17 Oct 2021 21:41:23 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Wagner Pyter (MovPop)		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/47481/#comment-46123</link>

		<dc:creator><![CDATA[Wagner Pyter (MovPop)]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 11:33:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=47481#comment-46123</guid>

					<description><![CDATA[concordo com a questão de grupos de trabalhos dominarem as ocupações.. mas qual seria a solução/ &#039;brigadas populares&#039;, aleatorias? ou a cultura digital desenvolver ferramentas de autogestão para que se tenha um governo eletronico na democacia digital?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>concordo com a questão de grupos de trabalhos dominarem as ocupações.. mas qual seria a solução/ &#8216;brigadas populares&#8217;, aleatorias? ou a cultura digital desenvolver ferramentas de autogestão para que se tenha um governo eletronico na democacia digital?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: afonsomanuelgonçalves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/47481/#comment-45894</link>

		<dc:creator><![CDATA[afonsomanuelgonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 17:05:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=47481#comment-45894</guid>

					<description><![CDATA[Caro Miguel Serras Pereira, tenho realmente alguma dificuldade em detectar no movimento alguma matéria substantiva da qual se possa tirar lições inovadoras de protesto contra a &quot;democracia virtual&quot; que ele pretende em parte revelar exigindo para o efeito Democracia real já! Mas não estou em desacordo consigo em nenhum aspecto da análise que faz do movimento. Se lhe parece isso, é porque decorre de um mal entendido do qual me sinto responsável.

Caro Eduardo, agradeço a rectificação acerca das causas deste protesto à escala mundial. Sobre os expedientes práticos que presenciou, não me posso pronunciar dado que não fui testemunha directa desses exemplos, embora gostasse de saber em concreto os termos exactos desses expedientes tão originais.
Sobre Stalin apenas posso esclarecer que não me pode ser estranho o facto de reconhecer o seu contributo enquanto chefe de Estado na luta e na derrota infligida ao nazismo e ainda  desenvolvimento em todos os domínios que a URSS conheceu nos anos 30 e 40 do séc.XX e que após a sua morte degeneraram num triste cenário de que fala Brecht em 1963 na cidade de Berlim.  
Acrescento, também, que não sou fiel dewoto de ninguém nem faço profissão de fé em relação a qualquer dirigente do movimento comunista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Miguel Serras Pereira, tenho realmente alguma dificuldade em detectar no movimento alguma matéria substantiva da qual se possa tirar lições inovadoras de protesto contra a &#8220;democracia virtual&#8221; que ele pretende em parte revelar exigindo para o efeito Democracia real já! Mas não estou em desacordo consigo em nenhum aspecto da análise que faz do movimento. Se lhe parece isso, é porque decorre de um mal entendido do qual me sinto responsável.</p>
<p>Caro Eduardo, agradeço a rectificação acerca das causas deste protesto à escala mundial. Sobre os expedientes práticos que presenciou, não me posso pronunciar dado que não fui testemunha directa desses exemplos, embora gostasse de saber em concreto os termos exactos desses expedientes tão originais.<br />
Sobre Stalin apenas posso esclarecer que não me pode ser estranho o facto de reconhecer o seu contributo enquanto chefe de Estado na luta e na derrota infligida ao nazismo e ainda  desenvolvimento em todos os domínios que a URSS conheceu nos anos 30 e 40 do séc.XX e que após a sua morte degeneraram num triste cenário de que fala Brecht em 1963 na cidade de Berlim.<br />
Acrescento, também, que não sou fiel dewoto de ninguém nem faço profissão de fé em relação a qualquer dirigente do movimento comunista.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eduardo Tomazine		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/47481/#comment-45891</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 15:54:57 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=47481#comment-45891</guid>

					<description><![CDATA[Caro Afonso: este fenômeno social não emerge das novas tecnologias da informação, mas da crise generalizada do binômio capitalismo-&quot;democracia&quot; representativa. Quando me referi aos expedientes práticos para contornar a burocracia, fiz menção àqueles que tenho presenciado nas assembleias e grupos de trabalho &quot;concretos&quot; das ocupações do Rio e de São Paulo, e não pela Internet. Finalmente, é facilmente compreensível o desapreço por tais expedientes da parte de um apologista de Stalin. Deixo a provocação final para mostrar o quão absurda é a presunção de apologias alheias para desqualificar uma argumentação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Afonso: este fenômeno social não emerge das novas tecnologias da informação, mas da crise generalizada do binômio capitalismo-&#8220;democracia&#8221; representativa. Quando me referi aos expedientes práticos para contornar a burocracia, fiz menção àqueles que tenho presenciado nas assembleias e grupos de trabalho &#8220;concretos&#8221; das ocupações do Rio e de São Paulo, e não pela Internet. Finalmente, é facilmente compreensível o desapreço por tais expedientes da parte de um apologista de Stalin. Deixo a provocação final para mostrar o quão absurda é a presunção de apologias alheias para desqualificar uma argumentação.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Miguel Serras Pereira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/47481/#comment-45888</link>

		<dc:creator><![CDATA[Miguel Serras Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 14:29:52 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=47481#comment-45888</guid>

					<description><![CDATA[Caro Afonso Manuel Gonçalves,

mas o que eu tentei dizer, e creio ter mostrado de uma maneira ou de outra, é justamente que uma das fraquezas - pelo menos até mais ver - do movimento é ignorar ou descurar gravemente a questão de um modo ou regime alternativo de organização das acções e da luta. Não se escapa à burocratização, à corrupção ou à hierarquia fugindo mentalmente delas, ou recalcando a existência do problema, agindo, em suma, como se a organização inevitável da acção não importasse. Isso só pode abrir caminho às manobras de que falava o Joãõ Bernardo e, posteriormente, à restauração ou, vá lá, reciclagem das anteriores formas de chefia, direcção hierárquica, mistificação, redução e submissão do pensamento. 
Sendo assim, resta-me concluir que ou V. me leu mal, ou que sou eu que não estou a compreender bem o que quer V. dizer.

msp]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Afonso Manuel Gonçalves,</p>
<p>mas o que eu tentei dizer, e creio ter mostrado de uma maneira ou de outra, é justamente que uma das fraquezas &#8211; pelo menos até mais ver &#8211; do movimento é ignorar ou descurar gravemente a questão de um modo ou regime alternativo de organização das acções e da luta. Não se escapa à burocratização, à corrupção ou à hierarquia fugindo mentalmente delas, ou recalcando a existência do problema, agindo, em suma, como se a organização inevitável da acção não importasse. Isso só pode abrir caminho às manobras de que falava o Joãõ Bernardo e, posteriormente, à restauração ou, vá lá, reciclagem das anteriores formas de chefia, direcção hierárquica, mistificação, redução e submissão do pensamento.<br />
Sendo assim, resta-me concluir que ou V. me leu mal, ou que sou eu que não estou a compreender bem o que quer V. dizer.</p>
<p>msp</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: afonsomanuelgonçalves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/47481/#comment-45872</link>

		<dc:creator><![CDATA[afonsomanuelgonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 11:09:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=47481#comment-45872</guid>

					<description><![CDATA[De uma laranja amarga é quase impossível extraír açúcar, e o mesmo se verifica que sobre algo sem substância se torna quase impossível dizer alguma coisa de palpável. Por isso, embora os esforços dos apologistas de Bernstein sobre o valor dos novimentos, verifica-se que esse esforço ciclópico se reduz a uma grande insignificância analítica e conclusiva. Concluír, por exemplo, que um dos méritos deste fenómeno social que emerge das novas tecnologias de comunicação, foi o de «desenvolver expedientes práticos para contornar a burocracia» é no fundo estar a dizer que a montanha pariu um rato. Haverá, certamente,alguma coisa sobre este fenómenmo ou epifenómeno social que mereça reflexão mas para ter alguma utilidade, julgo eu,só será possível noutro contexto crítico.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De uma laranja amarga é quase impossível extraír açúcar, e o mesmo se verifica que sobre algo sem substância se torna quase impossível dizer alguma coisa de palpável. Por isso, embora os esforços dos apologistas de Bernstein sobre o valor dos novimentos, verifica-se que esse esforço ciclópico se reduz a uma grande insignificância analítica e conclusiva. Concluír, por exemplo, que um dos méritos deste fenómeno social que emerge das novas tecnologias de comunicação, foi o de «desenvolver expedientes práticos para contornar a burocracia» é no fundo estar a dizer que a montanha pariu um rato. Haverá, certamente,alguma coisa sobre este fenómenmo ou epifenómeno social que mereça reflexão mas para ter alguma utilidade, julgo eu,só será possível noutro contexto crítico.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eduardo Tomazine		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/47481/#comment-45831</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 21:04:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=47481#comment-45831</guid>

					<description><![CDATA[Caros João e Miguel: primeiramente, eu subscrevo a análise e as proposições que o autor expõe no texto. Quando fiz aquela crítica aos &quot;críticos à distância&quot;, tinha em mente muitos companheiros de esquerda que têm considerado o movimento como alheio a si mesmos, esforçando-se por decretar previamente seu fracasso sem empenhar um esforço semelhante para ajudar a construí-lo - diferentemente do que faz o autor com esse debate. De todo modo, mesmo concordando com o João Bernardo no que se refere à existência de uma liderança tácita (ou pouco explícita, ou mesmo dissimulada) a direcionar o movimento, insisto em diferenciá-la de uma direção formal, e ainda mais de uma burocracia. 

Com efeito, não posso falar pelo que se passa em Portugal, mas tenho acompanhado de perto a ocupação da praça da Cinelândia, no Rio de Janeiro, e lendo e ouvindo notícias sobre a sua correlata em São Paulo. Em ambas, os grupos de trabalho - inclusive os de comunicação social - são abertos à participação de quem ali desejar trabalhar. Parece-me, portanto, que o movimento nas bandas daqui está sendo efetivamente democrático, embora ainda haja uma forte tendência a deliberar apenas à base do consenso e a confundir o recurso ao voto com a &quot;democracia&quot; representativa, o que pode acabar por dificultar resoluções mais objetivas e chafurdar o movimento no peso das tarefas quotidianas da sua auto-manutenção.

Pelo que se vê até o atual momento, creio que as maiores conquistas do atual movimento são duas: 1) questionar - em uma escala maior e com um público socialmente mais diverso do que o movimento anti-globalização de há uma década - o sistema político-econômico (ao passo que antes a ênfase estava no econômico); 2) desenvolver expedientes práticos para contornar a burocracia. Acredito que essa maré de protestos, mesmo que entre em refluxo em breve, tende a subir ainda muito mais daqui para a frente, e será preciso não jogar fora o que se vai desenvolvendo agora sob o argumento de que teria fracassado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros João e Miguel: primeiramente, eu subscrevo a análise e as proposições que o autor expõe no texto. Quando fiz aquela crítica aos &#8220;críticos à distância&#8221;, tinha em mente muitos companheiros de esquerda que têm considerado o movimento como alheio a si mesmos, esforçando-se por decretar previamente seu fracasso sem empenhar um esforço semelhante para ajudar a construí-lo &#8211; diferentemente do que faz o autor com esse debate. De todo modo, mesmo concordando com o João Bernardo no que se refere à existência de uma liderança tácita (ou pouco explícita, ou mesmo dissimulada) a direcionar o movimento, insisto em diferenciá-la de uma direção formal, e ainda mais de uma burocracia. </p>
<p>Com efeito, não posso falar pelo que se passa em Portugal, mas tenho acompanhado de perto a ocupação da praça da Cinelândia, no Rio de Janeiro, e lendo e ouvindo notícias sobre a sua correlata em São Paulo. Em ambas, os grupos de trabalho &#8211; inclusive os de comunicação social &#8211; são abertos à participação de quem ali desejar trabalhar. Parece-me, portanto, que o movimento nas bandas daqui está sendo efetivamente democrático, embora ainda haja uma forte tendência a deliberar apenas à base do consenso e a confundir o recurso ao voto com a &#8220;democracia&#8221; representativa, o que pode acabar por dificultar resoluções mais objetivas e chafurdar o movimento no peso das tarefas quotidianas da sua auto-manutenção.</p>
<p>Pelo que se vê até o atual momento, creio que as maiores conquistas do atual movimento são duas: 1) questionar &#8211; em uma escala maior e com um público socialmente mais diverso do que o movimento anti-globalização de há uma década &#8211; o sistema político-econômico (ao passo que antes a ênfase estava no econômico); 2) desenvolver expedientes práticos para contornar a burocracia. Acredito que essa maré de protestos, mesmo que entre em refluxo em breve, tende a subir ainda muito mais daqui para a frente, e será preciso não jogar fora o que se vai desenvolvendo agora sob o argumento de que teria fracassado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paola Santos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/47481/#comment-45826</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paola Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 20:39:19 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=47481#comment-45826</guid>

					<description><![CDATA[&quot;Construido dia-a-dia&quot;.As pessoas estão (re)aprendendo a se indignar e a se &quot;organizar&quot;. Após tanto tempo entregues a acomodações e incomodações que o próprio sistema que nos leva a indignar gerou.Estamos vendo toda a falencia &quot;emocional&quot; finaceira e moral que se impregou em todo esse processo. É de se entender que saiam ás ruas levando essa dita &quot;emoçao&quot;.Pois a maioria das pessoas que estavam ali com idéias diferentes sobre o que as levou para as ruas, algo que lhes é comum é a indignaçao, a mudança.Isso já é o ponto inicial da luta, o porvir é consequencia do que se (trans)formará a partir daí. O povo sai de casa, de suas televisoes, salas de jantar, se une e ocupam as ruas que também é de gentes que já vive nas ruas. E assim a reinvidicaçao é uma só. &quot;O povo&quot; é agente da sua própria história, quer retomar as rédeas dela. Agora, é construir, passo a passo.Como, de que forma...também faz parte dessa construçao.Muito bom encontrar também aqui, meios para discutir e refletir sobre tais construçoes. abraço a todos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Construido dia-a-dia&#8221;.As pessoas estão (re)aprendendo a se indignar e a se &#8220;organizar&#8221;. Após tanto tempo entregues a acomodações e incomodações que o próprio sistema que nos leva a indignar gerou.Estamos vendo toda a falencia &#8220;emocional&#8221; finaceira e moral que se impregou em todo esse processo. É de se entender que saiam ás ruas levando essa dita &#8220;emoçao&#8221;.Pois a maioria das pessoas que estavam ali com idéias diferentes sobre o que as levou para as ruas, algo que lhes é comum é a indignaçao, a mudança.Isso já é o ponto inicial da luta, o porvir é consequencia do que se (trans)formará a partir daí. O povo sai de casa, de suas televisoes, salas de jantar, se une e ocupam as ruas que também é de gentes que já vive nas ruas. E assim a reinvidicaçao é uma só. &#8220;O povo&#8221; é agente da sua própria história, quer retomar as rédeas dela. Agora, é construir, passo a passo.Como, de que forma&#8230;também faz parte dessa construçao.Muito bom encontrar também aqui, meios para discutir e refletir sobre tais construçoes. abraço a todos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Miguel Serras Pereira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/47481/#comment-45804</link>

		<dc:creator><![CDATA[Miguel Serras Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 16:12:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=47481#comment-45804</guid>

					<description><![CDATA[Bem, agradeço ao João Bernardo a achega, e acrescento apenas o seguinte, para desfazer quaisquer equívocos que subsistam.

A minha ideia é justamente que nem a organização nem a &quot;consciência&quot; podem vir do &quot;exterior&quot; quando o fim que nos propomos é promover a participação igualitária e responsável de todos nas deliberações e decisões que os vinculam. Mas isso não significa que a organização e o tipo de reflexão activa a que acima me referi sejam dispensáveis - ou que baste recusar a direcção e a burocracia para conseguirmos uma organização alternativa que garanta a autonomia colectiva e individual. A pura e simples &quot;balda&quot; ou a recusa meramente &quot;indignada&quot; dos efeitos da dominação hierárquica, bem como a ausência de uma auto-organização capaz de assegurar os objectivos e tarefas cuja necessidade seja reconhecida, só pode abrir caminho e facilitar as manobras que o João Bernardo evoca aos aspirantes a titulares da nova direcção e/ou a detentores da consciência dos trabalhadores e cidadãos comuns.

Creio que tudo isto já decorria do texto que escrevi. Mas gostaria que ficasse claro, pelo que prefiro repeti-lo noutros termos a deixar dúvidas ou dar margem a equívocos.

msp]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem, agradeço ao João Bernardo a achega, e acrescento apenas o seguinte, para desfazer quaisquer equívocos que subsistam.</p>
<p>A minha ideia é justamente que nem a organização nem a &#8220;consciência&#8221; podem vir do &#8220;exterior&#8221; quando o fim que nos propomos é promover a participação igualitária e responsável de todos nas deliberações e decisões que os vinculam. Mas isso não significa que a organização e o tipo de reflexão activa a que acima me referi sejam dispensáveis &#8211; ou que baste recusar a direcção e a burocracia para conseguirmos uma organização alternativa que garanta a autonomia colectiva e individual. A pura e simples &#8220;balda&#8221; ou a recusa meramente &#8220;indignada&#8221; dos efeitos da dominação hierárquica, bem como a ausência de uma auto-organização capaz de assegurar os objectivos e tarefas cuja necessidade seja reconhecida, só pode abrir caminho e facilitar as manobras que o João Bernardo evoca aos aspirantes a titulares da nova direcção e/ou a detentores da consciência dos trabalhadores e cidadãos comuns.</p>
<p>Creio que tudo isto já decorria do texto que escrevi. Mas gostaria que ficasse claro, pelo que prefiro repeti-lo noutros termos a deixar dúvidas ou dar margem a equívocos.</p>
<p>msp</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/47481/#comment-45785</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 12:50:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=47481#comment-45785</guid>

					<description><![CDATA[Caro Eduardo Tomazine,
Você escreve que «uma das características deste movimento é o seu não-aparelhamento por qualquer direção ou burocracia». Poderá ser verdade nalguns casos, mas receio que não o seja na maior parte. Uma greve ou qualquer outro tipo de contestação nos lugares de trabalho mobiliza pessoas que já se conhecem e estão unidas por múltiplas relações de solidariedade. As manifestações de 15 de Outubro, porém, ou as ocupações de espaços públicos, juntaram uma esmagadora maioria de pessoas que não se conheciam e não estavam unidas por nenhumas relações, havendo no interior dessa massa um pequeno número de membros de grupúsculos políticos, estreitamente enquadrados pela respectiva disciplina. Ora, quem tenha experiência destas coisas sabe que quatro ou cinco pessoas disciplinadas e com relações sólidas entre elas podem dominar por dentro uma massa de pessoas fragmentadas, impondo-lhes os temas de debate e fazendo-se eleger para as comissões politicamente mais rentáveis, especialmente as de relações públicas e de comunicação social. Talvez seja por isto que certas pessoas defendem com tanto empenho a participação nas redes virtuais, porque sabem que eles mais meia dúzia de amigos reais podem controlar os milhares de virtuais. Não basta que um movimento se apresente como descentralizado e não hierárquico para o ser no seu funcionamento real. É nesta perspectiva que eu atribuo uma grande importância ao artigo do Miguel Serras Pereira, que observou com muita agudeza a situação em Portugal e em alguns outros países, a qual você conhece, para empregar as suas palavras, «de longe, de longe».]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Eduardo Tomazine,<br />
Você escreve que «uma das características deste movimento é o seu não-aparelhamento por qualquer direção ou burocracia». Poderá ser verdade nalguns casos, mas receio que não o seja na maior parte. Uma greve ou qualquer outro tipo de contestação nos lugares de trabalho mobiliza pessoas que já se conhecem e estão unidas por múltiplas relações de solidariedade. As manifestações de 15 de Outubro, porém, ou as ocupações de espaços públicos, juntaram uma esmagadora maioria de pessoas que não se conheciam e não estavam unidas por nenhumas relações, havendo no interior dessa massa um pequeno número de membros de grupúsculos políticos, estreitamente enquadrados pela respectiva disciplina. Ora, quem tenha experiência destas coisas sabe que quatro ou cinco pessoas disciplinadas e com relações sólidas entre elas podem dominar por dentro uma massa de pessoas fragmentadas, impondo-lhes os temas de debate e fazendo-se eleger para as comissões politicamente mais rentáveis, especialmente as de relações públicas e de comunicação social. Talvez seja por isto que certas pessoas defendem com tanto empenho a participação nas redes virtuais, porque sabem que eles mais meia dúzia de amigos reais podem controlar os milhares de virtuais. Não basta que um movimento se apresente como descentralizado e não hierárquico para o ser no seu funcionamento real. É nesta perspectiva que eu atribuo uma grande importância ao artigo do Miguel Serras Pereira, que observou com muita agudeza a situação em Portugal e em alguns outros países, a qual você conhece, para empregar as suas palavras, «de longe, de longe».</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Miguel Serras Pereira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/47481/#comment-45767</link>

		<dc:creator><![CDATA[Miguel Serras Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 07:24:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=47481#comment-45767</guid>

					<description><![CDATA[Resposta a duas questões que me são postas
.
 1. Na minha perspectiva, não há &quot;igualização política&quot; sem igualização democrática dos salários e rendimentos, por um lado, e sem igualização democrática das relações de poder na esfera da &quot;economia&quot; (tanto ao nível macro como ao nível das diferentes unidades ou empresas).

2. Para que o movimento adquira poder, transforme as relações de poder existentes, necessita de, mais tarde ou mais cedo, mas em tempo útil, de pôr essa questão a si próprio e de a discutir enquanto prossegue a luta. Podemos não lhe chamar &quot;pensamento&quot;, mas o que se exige aqui é uma reflexão e exercício da imaginação inseparáveis da acção por parte dos seus protagonistas (antecipando a acção em curso sob a forma de proposta, seguindo-a sob a forma de explicitação/avaliação dos resultados, acompanhando-a sempre). Não vejo como assumir a questão do poder e da organização igualitária de um seu exercício regular alternativo sem esta reflexão/imaginação que não é mais afinal do que a reflexividade imanente a toda a acção deliberada, assim dotada de sentido, e que pretenda tomar consciência, dar conta e razão, de si própria.  

miguel serras pereira]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Resposta a duas questões que me são postas<br />
.<br />
 1. Na minha perspectiva, não há &#8220;igualização política&#8221; sem igualização democrática dos salários e rendimentos, por um lado, e sem igualização democrática das relações de poder na esfera da &#8220;economia&#8221; (tanto ao nível macro como ao nível das diferentes unidades ou empresas).</p>
<p>2. Para que o movimento adquira poder, transforme as relações de poder existentes, necessita de, mais tarde ou mais cedo, mas em tempo útil, de pôr essa questão a si próprio e de a discutir enquanto prossegue a luta. Podemos não lhe chamar &#8220;pensamento&#8221;, mas o que se exige aqui é uma reflexão e exercício da imaginação inseparáveis da acção por parte dos seus protagonistas (antecipando a acção em curso sob a forma de proposta, seguindo-a sob a forma de explicitação/avaliação dos resultados, acompanhando-a sempre). Não vejo como assumir a questão do poder e da organização igualitária de um seu exercício regular alternativo sem esta reflexão/imaginação que não é mais afinal do que a reflexividade imanente a toda a acção deliberada, assim dotada de sentido, e que pretenda tomar consciência, dar conta e razão, de si própria.  </p>
<p>miguel serras pereira</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
