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	Comentários sobre: O que sobrou para os intelectuais?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: thiago		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49023/#comment-48706</link>

		<dc:creator><![CDATA[thiago]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 17:34:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Texto muito bom! 

uma observação: as igrejas não perderam o poder que o texto diz ter perdido. É flagrante o poder que as neo-pentencostais têm alcançado no Brasil. É verdade que as pessoas podm ter acesso a informação muito mais facilmente que no passado. Mas não há um nexo ncessário entre informação e religião. Religião tem a ver com &quot;sentido existencial&quot; da própria vida. Assim, é pouco decisivo se há mta ou pouca informação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto muito bom! </p>
<p>uma observação: as igrejas não perderam o poder que o texto diz ter perdido. É flagrante o poder que as neo-pentencostais têm alcançado no Brasil. É verdade que as pessoas podm ter acesso a informação muito mais facilmente que no passado. Mas não há um nexo ncessário entre informação e religião. Religião tem a ver com &#8220;sentido existencial&#8221; da própria vida. Assim, é pouco decisivo se há mta ou pouca informação.</p>
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		<title>
		Por: carlos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49023/#comment-48501</link>

		<dc:creator><![CDATA[carlos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 01:19:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Apesar de alguns intelectuais em certos momentos históricos terem assumidos papéis políticos relevantes, creio que jamais houve um momento em que a classe intelectual militou politicamente, sobretudo como classe educadora do povo. Quando isso acontece mais parece mais um evento ocasional - tal como o caso brasileiro , onde tivemos um intelectual na presidência da república (estou falando de FHC).
Creio que a grande questão é que as pessoas não querem se politizar, essa é a verdade. Ninguem se interessa por Hegel, por Marx, por ciências sociais, por filosoia, e também não costuma interessar a ninguem a militância pura e simples; diante de circunstâncias minimamente estáveis, as pessoas se acomodam. Não falo nem em circunstâncias favoráveis, basta que elas seja estáveis, ainda que não tão boas. As pessoas só aderem à revoluções e grandes movimentos políticos quando são retiradas de seu estado de comodidade. Para se tirar a comodidade das pessoas, o único meio eficaz me parece ser fazê-las sentir na pele, seja a fome, a dor, o cárcere, etc., contudo, ninguem se propõe a defender essa bandeira; é o velho dilema da esquerda; as pessoas só vão se mexer se sentirem na pele, mas não podemos defender que a sociedade se deteriore para que elas saiam do estado de comodidade.
Por outro lado, é muito comum que os intelectuais não sejam levados a sério no que diz respeito às questões políticas fundamentais de um país, e eles merecem. Se fala muita besteira por aí; apesar do excesso de boa vontade, existe também um excesso de alienação e de falta de senso. Isso não ocorre só no campo da política, mas sim em todos os ramos da vida prática.
Concordamos, contudo, no que diz respeito a imensa falta de criatividade dos teóricos brasileiros; talvez ainda precisemos de uma tradição intelectual mais sólida, e esse é o tipo de coisa que se faz também por números; nossas universidades são fraquíssimas, e mesmo dentre os alunos das boas universidades, muitos são maus alunos, essa é a verdade; some-se a isso a tradição analítica na qual somos treinados. O resultado final é um país que continua dependente intelectualmente, mas que não nos impediu de produzir alguns gênios, principalmente no campo da literatura.
Voltando ao centro do debate; realmente a questão do espaço de debate público precisa ser melhor trabalhada em nosso país. Se os espaços públicos são uma das mais importantes instâncias de uma democracia, é evidente que a infantilização que vem acometendo os debates políticos brasileiros é mais séria do que se imagina. Eu particularmente não mais compartilho dessa idéia de &quot;instâncias comunicativas&quot; possibilitadoras da democratização; sou mais cético a respeito disso, mas reconheço a seriedade e sobriedade desse posicionamento e os problemas que temos na práxis política brasileira nesse nível.
Por fim, e para concluir, creio que um dos grandes problemas dos projetos políticos da esquerda foi exatamente buscar erigir Estados baseando-se em idéias, análises e diagnósticos estruturais. O projeto capitalista, por seu turno, foi se amadurecendo com o tempo, com as práticas sociais; o comércio desde a idade média vinha se organizando, até o ponto em que as forças sociais culminaram em determinados eventos que enfim possibilitaram a formação de um novo modelo de sociedade. Se por um lado a falta de planejamento e racionalidade teórica da sociedade capitalista foi algo a ser criticado pela esquerda clássica, por outro, a racionalidade puramente teórica demonstrou-se claramente problemática em termos de sua aplicação prática.
Enfim; em termos gerais, não acho que seja de fato um bom negócio deixar o ouro na mão desses malucos excêntricos que chamamos intelectuais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de alguns intelectuais em certos momentos históricos terem assumidos papéis políticos relevantes, creio que jamais houve um momento em que a classe intelectual militou politicamente, sobretudo como classe educadora do povo. Quando isso acontece mais parece mais um evento ocasional &#8211; tal como o caso brasileiro , onde tivemos um intelectual na presidência da república (estou falando de FHC).<br />
Creio que a grande questão é que as pessoas não querem se politizar, essa é a verdade. Ninguem se interessa por Hegel, por Marx, por ciências sociais, por filosoia, e também não costuma interessar a ninguem a militância pura e simples; diante de circunstâncias minimamente estáveis, as pessoas se acomodam. Não falo nem em circunstâncias favoráveis, basta que elas seja estáveis, ainda que não tão boas. As pessoas só aderem à revoluções e grandes movimentos políticos quando são retiradas de seu estado de comodidade. Para se tirar a comodidade das pessoas, o único meio eficaz me parece ser fazê-las sentir na pele, seja a fome, a dor, o cárcere, etc., contudo, ninguem se propõe a defender essa bandeira; é o velho dilema da esquerda; as pessoas só vão se mexer se sentirem na pele, mas não podemos defender que a sociedade se deteriore para que elas saiam do estado de comodidade.<br />
Por outro lado, é muito comum que os intelectuais não sejam levados a sério no que diz respeito às questões políticas fundamentais de um país, e eles merecem. Se fala muita besteira por aí; apesar do excesso de boa vontade, existe também um excesso de alienação e de falta de senso. Isso não ocorre só no campo da política, mas sim em todos os ramos da vida prática.<br />
Concordamos, contudo, no que diz respeito a imensa falta de criatividade dos teóricos brasileiros; talvez ainda precisemos de uma tradição intelectual mais sólida, e esse é o tipo de coisa que se faz também por números; nossas universidades são fraquíssimas, e mesmo dentre os alunos das boas universidades, muitos são maus alunos, essa é a verdade; some-se a isso a tradição analítica na qual somos treinados. O resultado final é um país que continua dependente intelectualmente, mas que não nos impediu de produzir alguns gênios, principalmente no campo da literatura.<br />
Voltando ao centro do debate; realmente a questão do espaço de debate público precisa ser melhor trabalhada em nosso país. Se os espaços públicos são uma das mais importantes instâncias de uma democracia, é evidente que a infantilização que vem acometendo os debates políticos brasileiros é mais séria do que se imagina. Eu particularmente não mais compartilho dessa idéia de &#8220;instâncias comunicativas&#8221; possibilitadoras da democratização; sou mais cético a respeito disso, mas reconheço a seriedade e sobriedade desse posicionamento e os problemas que temos na práxis política brasileira nesse nível.<br />
Por fim, e para concluir, creio que um dos grandes problemas dos projetos políticos da esquerda foi exatamente buscar erigir Estados baseando-se em idéias, análises e diagnósticos estruturais. O projeto capitalista, por seu turno, foi se amadurecendo com o tempo, com as práticas sociais; o comércio desde a idade média vinha se organizando, até o ponto em que as forças sociais culminaram em determinados eventos que enfim possibilitaram a formação de um novo modelo de sociedade. Se por um lado a falta de planejamento e racionalidade teórica da sociedade capitalista foi algo a ser criticado pela esquerda clássica, por outro, a racionalidade puramente teórica demonstrou-se claramente problemática em termos de sua aplicação prática.<br />
Enfim; em termos gerais, não acho que seja de fato um bom negócio deixar o ouro na mão desses malucos excêntricos que chamamos intelectuais.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Carla		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49023/#comment-48102</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carla]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 16:55:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[De fato. O pensamento que é produzido na universidade nem mesmo com as lutas internas se conecta. Os intelectuais de esquerda da universidade conseguem ver os trabalhadores do mundo todo, menos os que estão dentro da própria academia. 

Embora proletarizados - hoje um professor é um trabalhador como qualquer outro - os profissionais da educação não gostam de se ver como iguais aos demais. Mesmo a peãozada da educação pública, que lecionam até em meio a fezes e sob jornadas do século XIX, gostam de se ver com qualquer coisa de especial, de diferente com relação aos demais. Assim, a tendência para os proletários do saber é de não se misturarem, não se conectarem, não participarem das lutas, greves, protestos. Ficam isolados. Tentando ostentar um estatuto que não possuem mais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De fato. O pensamento que é produzido na universidade nem mesmo com as lutas internas se conecta. Os intelectuais de esquerda da universidade conseguem ver os trabalhadores do mundo todo, menos os que estão dentro da própria academia. </p>
<p>Embora proletarizados &#8211; hoje um professor é um trabalhador como qualquer outro &#8211; os profissionais da educação não gostam de se ver como iguais aos demais. Mesmo a peãozada da educação pública, que lecionam até em meio a fezes e sob jornadas do século XIX, gostam de se ver com qualquer coisa de especial, de diferente com relação aos demais. Assim, a tendência para os proletários do saber é de não se misturarem, não se conectarem, não participarem das lutas, greves, protestos. Ficam isolados. Tentando ostentar um estatuto que não possuem mais.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Giancarlo Sanguinetti		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49023/#comment-48021</link>

		<dc:creator><![CDATA[Giancarlo Sanguinetti]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 17:53:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Que a mercantilização, burocratização e oligopolização (este último relativizado pelo advento da internet) dos meios de comunicação tenha ocorrido é fácil de se perceber. Com isto, os intelectuais autônomos (defensores dos interesses das classes exploradas e grupos oprimidos) hoje encontram situações difíceis. Isto não significa que já não encontrassem antes.
Mas não podemos esquecer que o papel dos ideólogos (qui no sentido neutro, de articuladores e organizadores do pensamento e do interesse de determinadas classes sociais) tenham a desempenhar. Os sites, grandes revistas, etc, não &quot;desenvolvem&quot; uma ideologia própria, mas sim reproduzem e divulgam os &quot;grandes&quot; intelectuais do capital. O trabalho sério de refletir a realidade para nela intervir (para manter ou transformar), continua necessário, disto, os capitalistas e anticapitalistas sabem muito bem...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que a mercantilização, burocratização e oligopolização (este último relativizado pelo advento da internet) dos meios de comunicação tenha ocorrido é fácil de se perceber. Com isto, os intelectuais autônomos (defensores dos interesses das classes exploradas e grupos oprimidos) hoje encontram situações difíceis. Isto não significa que já não encontrassem antes.<br />
Mas não podemos esquecer que o papel dos ideólogos (qui no sentido neutro, de articuladores e organizadores do pensamento e do interesse de determinadas classes sociais) tenham a desempenhar. Os sites, grandes revistas, etc, não &#8220;desenvolvem&#8221; uma ideologia própria, mas sim reproduzem e divulgam os &#8220;grandes&#8221; intelectuais do capital. O trabalho sério de refletir a realidade para nela intervir (para manter ou transformar), continua necessário, disto, os capitalistas e anticapitalistas sabem muito bem&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Livre Pensador - Mozambique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49023/#comment-47893</link>

		<dc:creator><![CDATA[Livre Pensador - Mozambique]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 07:34:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=49023#comment-47893</guid>

					<description><![CDATA[A sua visao coincide com a minha. Com o agravante de, aqui, quando se deseja fazer um exercicio intelectual recomenda-se o anonimato enquanto nao chega a idade da reforma...

Por isso e que sou um &quot;LIVRE&quot; pensador. Penso anonimamente. E pela minha propria cabeca.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A sua visao coincide com a minha. Com o agravante de, aqui, quando se deseja fazer um exercicio intelectual recomenda-se o anonimato enquanto nao chega a idade da reforma&#8230;</p>
<p>Por isso e que sou um &#8220;LIVRE&#8221; pensador. Penso anonimamente. E pela minha propria cabeca.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ronan		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49023/#comment-47865</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ronan]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 23:57:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Evandro,

publiquei o texto com a absoluta convicção de que é limitado, apenas com o interesse dar uma leitura inicial para um debate. Cito apenas como exemplo. 

A primeira vez que me veio um raciocínio sobre a questão foi quando lí que Proudhon chegou a vender 60 mil exemplares de jornal militante, e isso no século XIX! Hoje, entretanto, há tanta gente que sabe ler e paradoxalmente ocupa suas cabeças com as novelas, filmes de entretenimento tolo, horóscopo, fofocas sobre a vida do jogador X, episódios do jogo clássico do ano 1970...

Quem são essas pessoas? Éramos nós - comecei a ler somente aos 17 anos. São nossos parentes, amigos e colegas de trabalho. O brasileiro tem ai uma média de quase 6 horas de TV dia. E se acaso perdeu a novela, basta pegar o trem ou o ônibus e logo as 6 da manhã ficará informado sobre quem beijou quem. 

Os 90% que não leem deixam de lutar? De forma alguma! Ao contrário, grossa parte dos movimentos sociais mais impactantes de toda a história foram e são formados por tantos que não se enquadram no ideal iluminista ou militante do esclarecido que pela razão altera seu comportamento. As pessoas desenvolvem formas de crítica que vão desde as observações sobre a vida cotidiana, passam pelo rap, pela religião. São críticas sem o acabamento disciplinado e metodologicamente preocupado que certos setores têm como regra. E vemos os motoristas e cobradores de uma empresa de Campinas fazer greve não por salário - interesse individual - mas em solidariedade a colegas demitidos. 

Pense comigo: quem são os grandes autores de nossa geração? Vamos tentar citar 10 grandes nomes que possuam ai 30 anos. Grandes referências críticas na educação, na economia, na política, na filosofia. Não temos ninguém! A realidade social de hoje não produz mais intelectuais, grandes pensadores do humano, e é por isso que ainda estamos lendo autores do século XIX, XX ou mesmo de antes. E não produz porque aquele tipo de pensador que vemos em Marx, em Weber, é difícil de ser produzido em universidades que segmentaram a tal o pensamento que pessoas passam a vida inteira estudando e fazendo carreira a respeito de um único livro, que pode ser do Gramsci ou do Machado de Assis. 

Dos poucos intelectuais que restaram, os da espécie passada, pouco chega ao povo, que se blinda com a TV e com o Shopping. Os jornais e revistas pasteurizam aqueles que contratam ou já contratam pensadores pasteurizados. Na universidade, é carreira, pesquisa para empresa e Estado, visando verbas. Quem quiser estudar as terceirizações dentro da própria universidade, a exploração de trabalho não pago de alunos, a socialização em clientelas que estrutura o funcionamento da universidade, desde a possibilidade de ser contratado por panelinhas que controlam departamentos até a possibilidade de ter uma livraria dentro da faculdade, as formas de punição, enfim, dificilmente terá apoio. A universidade aceita a existência de grupos críticos, desde que não afetem as coisas e se limitem a grupos de estudo, seminários e publicação de revista. Nada de apoiar greve de funcionários. Assim, a UNICAMP possui bom bloco de pesquisadores marxistas cujos cafés são servidos por terceirizadas que ganham salário mínmo. O pensador que a universidade realmente nutre e exporta é o que pesquisa violência e dá subsídios para a polícia militar, ou que vai dedurar militantes travestindo-se de jornalista.

Diante de tudo isso, os poucos que restam, ou o saber que é útil de forma crítica depende dos espaços de discussão e de formação que são criados pelas lutas. Cursinhos populares, blogs (velhos fanzines), sites, grupos de estudo, posses, movimentos forma o espaço onde se dá uma dimensão crítica a certos saberes, a certos pesquisadores. Pense no movimento passe livre e como ele resgatou e dá outro valor ao conhecimento acumulado pelo engenheiro Lúcio Gregori. Revalidar um saber, divulgar, colocar em debate. Do mesmo modo, uma coisa é estudar a questão feminina e ser resgatado por promotores e delegadas. Outra é um dia estar na cabeça de domésticas que lutam contra a servidão imposta pela classe média, de esquerda ou de direita.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Evandro,</p>
<p>publiquei o texto com a absoluta convicção de que é limitado, apenas com o interesse dar uma leitura inicial para um debate. Cito apenas como exemplo. </p>
<p>A primeira vez que me veio um raciocínio sobre a questão foi quando lí que Proudhon chegou a vender 60 mil exemplares de jornal militante, e isso no século XIX! Hoje, entretanto, há tanta gente que sabe ler e paradoxalmente ocupa suas cabeças com as novelas, filmes de entretenimento tolo, horóscopo, fofocas sobre a vida do jogador X, episódios do jogo clássico do ano 1970&#8230;</p>
<p>Quem são essas pessoas? Éramos nós &#8211; comecei a ler somente aos 17 anos. São nossos parentes, amigos e colegas de trabalho. O brasileiro tem ai uma média de quase 6 horas de TV dia. E se acaso perdeu a novela, basta pegar o trem ou o ônibus e logo as 6 da manhã ficará informado sobre quem beijou quem. </p>
<p>Os 90% que não leem deixam de lutar? De forma alguma! Ao contrário, grossa parte dos movimentos sociais mais impactantes de toda a história foram e são formados por tantos que não se enquadram no ideal iluminista ou militante do esclarecido que pela razão altera seu comportamento. As pessoas desenvolvem formas de crítica que vão desde as observações sobre a vida cotidiana, passam pelo rap, pela religião. São críticas sem o acabamento disciplinado e metodologicamente preocupado que certos setores têm como regra. E vemos os motoristas e cobradores de uma empresa de Campinas fazer greve não por salário &#8211; interesse individual &#8211; mas em solidariedade a colegas demitidos. </p>
<p>Pense comigo: quem são os grandes autores de nossa geração? Vamos tentar citar 10 grandes nomes que possuam ai 30 anos. Grandes referências críticas na educação, na economia, na política, na filosofia. Não temos ninguém! A realidade social de hoje não produz mais intelectuais, grandes pensadores do humano, e é por isso que ainda estamos lendo autores do século XIX, XX ou mesmo de antes. E não produz porque aquele tipo de pensador que vemos em Marx, em Weber, é difícil de ser produzido em universidades que segmentaram a tal o pensamento que pessoas passam a vida inteira estudando e fazendo carreira a respeito de um único livro, que pode ser do Gramsci ou do Machado de Assis. </p>
<p>Dos poucos intelectuais que restaram, os da espécie passada, pouco chega ao povo, que se blinda com a TV e com o Shopping. Os jornais e revistas pasteurizam aqueles que contratam ou já contratam pensadores pasteurizados. Na universidade, é carreira, pesquisa para empresa e Estado, visando verbas. Quem quiser estudar as terceirizações dentro da própria universidade, a exploração de trabalho não pago de alunos, a socialização em clientelas que estrutura o funcionamento da universidade, desde a possibilidade de ser contratado por panelinhas que controlam departamentos até a possibilidade de ter uma livraria dentro da faculdade, as formas de punição, enfim, dificilmente terá apoio. A universidade aceita a existência de grupos críticos, desde que não afetem as coisas e se limitem a grupos de estudo, seminários e publicação de revista. Nada de apoiar greve de funcionários. Assim, a UNICAMP possui bom bloco de pesquisadores marxistas cujos cafés são servidos por terceirizadas que ganham salário mínmo. O pensador que a universidade realmente nutre e exporta é o que pesquisa violência e dá subsídios para a polícia militar, ou que vai dedurar militantes travestindo-se de jornalista.</p>
<p>Diante de tudo isso, os poucos que restam, ou o saber que é útil de forma crítica depende dos espaços de discussão e de formação que são criados pelas lutas. Cursinhos populares, blogs (velhos fanzines), sites, grupos de estudo, posses, movimentos forma o espaço onde se dá uma dimensão crítica a certos saberes, a certos pesquisadores. Pense no movimento passe livre e como ele resgatou e dá outro valor ao conhecimento acumulado pelo engenheiro Lúcio Gregori. Revalidar um saber, divulgar, colocar em debate. Do mesmo modo, uma coisa é estudar a questão feminina e ser resgatado por promotores e delegadas. Outra é um dia estar na cabeça de domésticas que lutam contra a servidão imposta pela classe média, de esquerda ou de direita.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Evandro Castagna		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49023/#comment-47853</link>

		<dc:creator><![CDATA[Evandro Castagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 20:31:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tem o Opinião Socialista!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tem o Opinião Socialista!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: fontinatti		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49023/#comment-47828</link>

		<dc:creator><![CDATA[fontinatti]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 11:10:28 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=49023#comment-47828</guid>

					<description><![CDATA[Pior que é.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pior que é.</p>
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			</item>
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