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	Comentários sobre: O navio: uma metáfora sobre o nosso tempo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Felipe da Costa Franco		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49321/#comment-49143</link>

		<dc:creator><![CDATA[Felipe da Costa Franco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 07:58:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gostei bastante da metáfora também.
Me chamou atenção, um pouco a par da questão do conteúdo, que achei muito bom e não tenho muito a acrescentar, a forma de metáfora do texto.
Costumo pensar bastante na questão pedagógica do ensino de Geografia, pois sou professor desta disciplina. E lá pelas tantas, lendo algumas coisas, me veio a questão das metáforas como um recurso pedagógico de elucidação do discurso. Ou seja, colocar um elemento análogo para tornar pedagógico ao entendimento do outro a quem se quer comunicar.
O Gustavo questionou a eficácia da racionalidade como um discurso mobilizador, não é?
Participei de uma aula certa vez em que falamos de um povo indígena do Norte do Brasil, os Yanomâmis se não me engano e salvo algum erro de digitação.
Questionei se naquela sociedade constituída por eles haviam embates estruturais sobre as &quot;regras do jogo&quot; da sua sociedade, como a &quot;luta de classes&quot; e a visão de linearidade Histórica, e se dava para fazer alguma analogia entre a sociedade branca/ocidental/cristã e a sociedade deles.
O relator de sua convivência com o povo Yanomâmi disse que era difícil, pois a explicação do mundo para eles não tinha nada a ver com a nossa. Não existe História para eles. Existem mitos.
Um mito pode ser o da existência da Arara, pois um certo dia dois irmãos subiram foram colher frutas mas só um deles era leve o suficiente para subir. Ele comia e distribuía para seu irmão no solo até que começou a comer sozinho. O irmão, que tinha poder espiritual maior disse: faça-se a Arara, que come e não divide com ninguém. A Arara se fez.
Esse mito pode ser considerado uma metáfora? E se for pode-se dizer que é errada essa explicação?
Existem muitas explicações para o mundo. Mas o que talvez o Marcelo tentou fazer é colocar que por mais que tudo seja um juízo de valor, tem coisas que são completamente incoerentes e que não podemos deixar que a retórica que emana dos conservadores passe como a única verdade sobre o mundo. Ou seja, tem coisas que podem ser facilmente desconstruídas, pois temos muitos elementos empíricos e discursivos para defendê-lo, e se isso puder ser usado nas salas de aula, nos espaços de debate político, melhor.
Diante da pergunta se a História pode ser explicada por um discurso lógico/racional/científicodigo: a pergunta que devemos fazer é menos essa, mas o quanto o discurso racional/científico pode nos ajudar a construirmos a sociedade que sonhamos e buscamos. Acho então que a apropriação do discurso científico é vantajosa por ser uma metáfora que nos permite traduzir a nossa maneira a realidade, mas ao mesmo tempo permite criarmos novas metáforas, que nos podem servir para dialogar e nos mobilizarmos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei bastante da metáfora também.<br />
Me chamou atenção, um pouco a par da questão do conteúdo, que achei muito bom e não tenho muito a acrescentar, a forma de metáfora do texto.<br />
Costumo pensar bastante na questão pedagógica do ensino de Geografia, pois sou professor desta disciplina. E lá pelas tantas, lendo algumas coisas, me veio a questão das metáforas como um recurso pedagógico de elucidação do discurso. Ou seja, colocar um elemento análogo para tornar pedagógico ao entendimento do outro a quem se quer comunicar.<br />
O Gustavo questionou a eficácia da racionalidade como um discurso mobilizador, não é?<br />
Participei de uma aula certa vez em que falamos de um povo indígena do Norte do Brasil, os Yanomâmis se não me engano e salvo algum erro de digitação.<br />
Questionei se naquela sociedade constituída por eles haviam embates estruturais sobre as &#8220;regras do jogo&#8221; da sua sociedade, como a &#8220;luta de classes&#8221; e a visão de linearidade Histórica, e se dava para fazer alguma analogia entre a sociedade branca/ocidental/cristã e a sociedade deles.<br />
O relator de sua convivência com o povo Yanomâmi disse que era difícil, pois a explicação do mundo para eles não tinha nada a ver com a nossa. Não existe História para eles. Existem mitos.<br />
Um mito pode ser o da existência da Arara, pois um certo dia dois irmãos subiram foram colher frutas mas só um deles era leve o suficiente para subir. Ele comia e distribuía para seu irmão no solo até que começou a comer sozinho. O irmão, que tinha poder espiritual maior disse: faça-se a Arara, que come e não divide com ninguém. A Arara se fez.<br />
Esse mito pode ser considerado uma metáfora? E se for pode-se dizer que é errada essa explicação?<br />
Existem muitas explicações para o mundo. Mas o que talvez o Marcelo tentou fazer é colocar que por mais que tudo seja um juízo de valor, tem coisas que são completamente incoerentes e que não podemos deixar que a retórica que emana dos conservadores passe como a única verdade sobre o mundo. Ou seja, tem coisas que podem ser facilmente desconstruídas, pois temos muitos elementos empíricos e discursivos para defendê-lo, e se isso puder ser usado nas salas de aula, nos espaços de debate político, melhor.<br />
Diante da pergunta se a História pode ser explicada por um discurso lógico/racional/científicodigo: a pergunta que devemos fazer é menos essa, mas o quanto o discurso racional/científico pode nos ajudar a construirmos a sociedade que sonhamos e buscamos. Acho então que a apropriação do discurso científico é vantajosa por ser uma metáfora que nos permite traduzir a nossa maneira a realidade, mas ao mesmo tempo permite criarmos novas metáforas, que nos podem servir para dialogar e nos mobilizarmos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Xavier		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49321/#comment-48585</link>

		<dc:creator><![CDATA[Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 18:45:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá,

Comentando novamente, acabo de encontrar o seguinte trecho no livro &quot;O enigma do capital - e as crises do capitalismo&quot;, de David Harvey:

“Ao longo dos últimos quarenta anos os quadros institucionais organizados de tal resistência à descivilização do capital foram destruídos, deixando para trás uma estranha mistura de velhas e novas instituições, que tem dificuldades em articular uma oposição coesa e um programa alternativo coerente. Esta é uma situação que prenuncia uma situação de dificuldades tanto para o capital quanto para o povo. Isso leva a uma política de après moi le déluge, em que os ricos fantasiam que podem flutuar com segurança em suas arcas bem armadas e bem aprovisionadas (é isso o que a aquisição de terras globais significa?), deixando o resto de nós com o dilúvio. Mas o rico não pode ter a esperança de flutuar sobre o mundo que o capital fez porque agora literalmente não há lugar algum para se esconder”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá,</p>
<p>Comentando novamente, acabo de encontrar o seguinte trecho no livro &#8220;O enigma do capital &#8211; e as crises do capitalismo&#8221;, de David Harvey:</p>
<p>“Ao longo dos últimos quarenta anos os quadros institucionais organizados de tal resistência à descivilização do capital foram destruídos, deixando para trás uma estranha mistura de velhas e novas instituições, que tem dificuldades em articular uma oposição coesa e um programa alternativo coerente. Esta é uma situação que prenuncia uma situação de dificuldades tanto para o capital quanto para o povo. Isso leva a uma política de après moi le déluge, em que os ricos fantasiam que podem flutuar com segurança em suas arcas bem armadas e bem aprovisionadas (é isso o que a aquisição de terras globais significa?), deixando o resto de nós com o dilúvio. Mas o rico não pode ter a esperança de flutuar sobre o mundo que o capital fez porque agora literalmente não há lugar algum para se esconder”.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Xavier		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49321/#comment-48484</link>

		<dc:creator><![CDATA[Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 23:48:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá,

Cito o trecho final, para depois propor um breve exercício para o Marcelo e todos nós que estamos acompanhando e participando desse debate aqui no Passa Palavra:

“Como se vê, a recusa peremptória em se conceder, pelo menos, um quinhão de racionalidade e mesmo de realismo ao debate sobre alternativas se assenta, ela mesma, em um solo de fé quase religiosa, mais do que de lógica ou de ciência. Que não se venha, por conseguinte, acusar de inútil, tola ou ingênua a reflexão em torno de um outro mundo que, por enquanto, ainda não se demonstrou ser impossível”.

Concordo com as questões apresentadas no texto e todos os argumentos desenvolvidos pelo Marcelo. Cabe dizer, com efeito, que o comentário de Eduardo Tomazine nos aponta um caminho interessante para seguirmos esse debate e continuarmos utilizando essa bela metáfora (de forte conteúdo pedagógico):

“Ora, no meu entendimento, o navio alternativo é real porque já existe, em parte, dentro do Titanic capitalista. Os bucaneiros estão lá dentro, sem hierarquia nem chefe e desenvolvendo sistemas de navegação livres, sem os quais, provavelmente, o navio já teria arrebentado o casco num iceberg. Trata-se de generalizar a ideia da superioridade destes sistemas e arranjos colaborativos “bucaneiros” sobre a pesada e lenta hierarquia da nossa atual Marinha Mercante”.

Desse modo, assim entendo, nossa tarefa é justamente contribuir, criticamente e de forma aliada, para fortalecer e publicizar (como o Passa Palavra sempre fez) concretamente essas outras lutas que arranham o casco do navio atual - e, além disso, seguir viagem com os piratas, bucaneiros e coletivos que estão construindo esse outro navio alternativo.

Abraços para todos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá,</p>
<p>Cito o trecho final, para depois propor um breve exercício para o Marcelo e todos nós que estamos acompanhando e participando desse debate aqui no Passa Palavra:</p>
<p>“Como se vê, a recusa peremptória em se conceder, pelo menos, um quinhão de racionalidade e mesmo de realismo ao debate sobre alternativas se assenta, ela mesma, em um solo de fé quase religiosa, mais do que de lógica ou de ciência. Que não se venha, por conseguinte, acusar de inútil, tola ou ingênua a reflexão em torno de um outro mundo que, por enquanto, ainda não se demonstrou ser impossível”.</p>
<p>Concordo com as questões apresentadas no texto e todos os argumentos desenvolvidos pelo Marcelo. Cabe dizer, com efeito, que o comentário de Eduardo Tomazine nos aponta um caminho interessante para seguirmos esse debate e continuarmos utilizando essa bela metáfora (de forte conteúdo pedagógico):</p>
<p>“Ora, no meu entendimento, o navio alternativo é real porque já existe, em parte, dentro do Titanic capitalista. Os bucaneiros estão lá dentro, sem hierarquia nem chefe e desenvolvendo sistemas de navegação livres, sem os quais, provavelmente, o navio já teria arrebentado o casco num iceberg. Trata-se de generalizar a ideia da superioridade destes sistemas e arranjos colaborativos “bucaneiros” sobre a pesada e lenta hierarquia da nossa atual Marinha Mercante”.</p>
<p>Desse modo, assim entendo, nossa tarefa é justamente contribuir, criticamente e de forma aliada, para fortalecer e publicizar (como o Passa Palavra sempre fez) concretamente essas outras lutas que arranham o casco do navio atual &#8211; e, além disso, seguir viagem com os piratas, bucaneiros e coletivos que estão construindo esse outro navio alternativo.</p>
<p>Abraços para todos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: afonsomanuelgonçalves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49321/#comment-48311</link>

		<dc:creator><![CDATA[afonsomanuelgonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 18:40:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Eduardo Tomazine, as considerações que faço sobre o actual estado da esquerda intelectual são genéricas e não atingem ninguém em particular, até porque como diz muito bem eu não conheço pesssoalmente alguém a que possa dirigir esta crítica nesses termos. Se ela peca por desfaçatez e está carecida de inteligência é um problema que me ultrapassa e que eu saiba ainda não tem remédio.
Ora, o que eu viso é uma perspectiva analítica do que foi a 2ª metade do séc XX e os resultados que a generalidade do esforço intelectual realizado pela esquerda alcançou e se a análise não corresponde aos factos só tenho que reconhecer que estou enganado e corrigir a reflexão; mais nada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Eduardo Tomazine, as considerações que faço sobre o actual estado da esquerda intelectual são genéricas e não atingem ninguém em particular, até porque como diz muito bem eu não conheço pesssoalmente alguém a que possa dirigir esta crítica nesses termos. Se ela peca por desfaçatez e está carecida de inteligência é um problema que me ultrapassa e que eu saiba ainda não tem remédio.<br />
Ora, o que eu viso é uma perspectiva analítica do que foi a 2ª metade do séc XX e os resultados que a generalidade do esforço intelectual realizado pela esquerda alcançou e se a análise não corresponde aos factos só tenho que reconhecer que estou enganado e corrigir a reflexão; mais nada.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49321/#comment-48310</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 18:39:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ainda continuo achando que não precisamos de Aristóteles ou Russel para fazer uma &quot;avaliação empírica&quot; e constatar a &quot;falsidade&quot; da &quot;proposição&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda continuo achando que não precisamos de Aristóteles ou Russel para fazer uma &#8220;avaliação empírica&#8221; e constatar a &#8220;falsidade&#8221; da &#8220;proposição&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eduardo Tomazine		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49321/#comment-48306</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 17:38:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Gustavo: estamos de acordo que a nossa luta é, entre outras coisas, para instaurar instituições as mais democráticas possíveis, como conselhos de trabalhadores, conselhos de bairro, confederações etc. etc.? Caso sim, estamos igualmente de acordo que o domínio da democracia é o da disputa racional de ideias, do domínio do lógico, mesmo que a emoção esteja sempre presente em um proferimento discursivo? Se estamos de acordo, então reflita a respeito disto: as ideias são formuladas invariavelmente por proposições linguisticas, dotadas de elementos que podem se contradizer, serem falaciosos, faltarem com precisão ou extrapolarem o grau de precisão de uma determinada matéria, não é verdade? Quando alguém diz: &quot;O Bolsa família torna os trabalhadores uns vagabundos&quot;, então podemos, por meio de uma averiguação empírica, constatar ou não isso, e, caso o refutemos, diremos que esta proposição é falsa. Não porque ela nos deixa apenas indignados, mas porque ela é, em termos racionais, falsa. Pois bem, isso remete à lógica, e isto não é uma abstração vazia, mas está inextricavelmente ligado ao domínio da ética e da política. Aristóteles pensou sobre isso, Marx leu muito Aristóteles, Rosa Luxemburgo leu a ambos, Gramsci leu todos eles, e por isso todos escreveram coisas que são até hoje pertinentes ao domínio da ação política, concordemos ou não - o que deveria remeter a discussões racionais.

A propósito, mesmo as explicações históricas às quais você faz alusão necessitam de consistência lógica, abstrações e debates epistemológicos. Veja, por exemplo, as diferenças entre estruturalistas e historicistas (um Althusser e um Lukács), ambos materialistas históricos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Gustavo: estamos de acordo que a nossa luta é, entre outras coisas, para instaurar instituições as mais democráticas possíveis, como conselhos de trabalhadores, conselhos de bairro, confederações etc. etc.? Caso sim, estamos igualmente de acordo que o domínio da democracia é o da disputa racional de ideias, do domínio do lógico, mesmo que a emoção esteja sempre presente em um proferimento discursivo? Se estamos de acordo, então reflita a respeito disto: as ideias são formuladas invariavelmente por proposições linguisticas, dotadas de elementos que podem se contradizer, serem falaciosos, faltarem com precisão ou extrapolarem o grau de precisão de uma determinada matéria, não é verdade? Quando alguém diz: &#8220;O Bolsa família torna os trabalhadores uns vagabundos&#8221;, então podemos, por meio de uma averiguação empírica, constatar ou não isso, e, caso o refutemos, diremos que esta proposição é falsa. Não porque ela nos deixa apenas indignados, mas porque ela é, em termos racionais, falsa. Pois bem, isso remete à lógica, e isto não é uma abstração vazia, mas está inextricavelmente ligado ao domínio da ética e da política. Aristóteles pensou sobre isso, Marx leu muito Aristóteles, Rosa Luxemburgo leu a ambos, Gramsci leu todos eles, e por isso todos escreveram coisas que são até hoje pertinentes ao domínio da ação política, concordemos ou não &#8211; o que deveria remeter a discussões racionais.</p>
<p>A propósito, mesmo as explicações históricas às quais você faz alusão necessitam de consistência lógica, abstrações e debates epistemológicos. Veja, por exemplo, as diferenças entre estruturalistas e historicistas (um Althusser e um Lukács), ambos materialistas históricos&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49321/#comment-48299</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 16:30:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ou então Brecht

&quot;Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis &quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ou então Brecht</p>
<p>&#8220;Há homens que lutam um dia, e são bons;<br />
Há outros que lutam um ano, e são melhores;<br />
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;<br />
Porém há os que lutam toda a vida<br />
Estes são os imprescindíveis &#8220;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eduardo Tomazine		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49321/#comment-48293</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Tomazine]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 15:43:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A desfaçatez de certos comentadores chega a níveis estratosféricos, como é o caso deste afonsomanuelgonçalves. Presumem a ociosidade de pessoas as quais nunca tiveram contato ou cuja biografia nunca procuraram conhecer para se inteirarem de suas trajetórias ou saber das suas vinculações ou não com as lutas. De todo modo, seria o fim da picada se agora fosse necessário acrescentarem-se notas biográficas dos autores de um site eminentemente político, como se as ideias contidas nos textos precisassem de uma chancela de autoridade para serem pertinentes ou equivocadas. O argumento da autoridade se impõe à autoridade do argumento às mentes débeis.

Parece-me pertinente reproduzir aqui a citação de Schiller, que se encontra atualmente na seção &quot;Citando...&quot; deste Passa Palavra, lá no alto, à direita: &quot;Contra a estupidez, os próprios deuses lutam em vão.&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A desfaçatez de certos comentadores chega a níveis estratosféricos, como é o caso deste afonsomanuelgonçalves. Presumem a ociosidade de pessoas as quais nunca tiveram contato ou cuja biografia nunca procuraram conhecer para se inteirarem de suas trajetórias ou saber das suas vinculações ou não com as lutas. De todo modo, seria o fim da picada se agora fosse necessário acrescentarem-se notas biográficas dos autores de um site eminentemente político, como se as ideias contidas nos textos precisassem de uma chancela de autoridade para serem pertinentes ou equivocadas. O argumento da autoridade se impõe à autoridade do argumento às mentes débeis.</p>
<p>Parece-me pertinente reproduzir aqui a citação de Schiller, que se encontra atualmente na seção &#8220;Citando&#8230;&#8221; deste Passa Palavra, lá no alto, à direita: &#8220;Contra a estupidez, os próprios deuses lutam em vão.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49321/#comment-48287</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 14:58:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=49321#comment-48287</guid>

					<description><![CDATA[Caro Eduardo, de fato a minha frase foi péssima, especialmente porque dá margem, senão mesmo se presta unicamente, à interpretação que você deu, à naturalização das condições existentes, &quot;as coisas são assim porque sempre foram e sempre serão&quot;. Acabou ficando como mais um exemplo, vá lá, &quot;uma pérola&quot; para o que o autor diz no item 1.

O que na verdade tento, com dificuldade, apontar, é que os &quot;limites lógicos essenciais do pensamento conservador&quot; podem ser, na verdade, limites lógicos do próprio pensamento racional, como você mesmo reconhece, e que, portanto, não seriam prerrogativa apenas do pensamento conservador, mas de qualquer pensamento racional.

Daí eu continuar não vendo muito sentido na tentativa de recorrer ao pensamento lógico racional, a Aristóteles, a Russel, para denunciar os limites do pensamento conservador (que pensamento? que limites?), já que eles forçosamente também apontarão limites do pensamento progressista ou qualquer outra linha de pensamento que se queira defender. 

É claro que a desigualdade é explicada por razões históricas, mas isto não me parece ter muito a ver com a razão lógica, com Russel, a ponto de gerar um artigo.

A História, me parece, não é feita pela Razão, mas por lutas (entre razões, que não serão desmontadas pela Razão, mas por lutas)

Afinal, me parece que o autor está preocupado em tornar algo inteligível, como ele mesmo diz no texto, portanto, em pensar, de alguma forma, a respeito da formação (e não é este um dos principais objetivos do Passa Palavra, a começar pelo próprio nome?)

Fico com a impressão que remeter a um lugar de pureza racional e lógica é um caminho que recalca e se distancia da realidade, mesmo quando revestida das melhores intenções, e que acaba por ser um substituto do mesmo calibre da religião.

Mas, se está funcionando enquanto método de formação - e isso vocês é que têm que dizer - então me calo.

Mas por alguns artigos anteriores, parece que há uma certa crise nesse processo de formação, gerando um certo desânimo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Eduardo, de fato a minha frase foi péssima, especialmente porque dá margem, senão mesmo se presta unicamente, à interpretação que você deu, à naturalização das condições existentes, &#8220;as coisas são assim porque sempre foram e sempre serão&#8221;. Acabou ficando como mais um exemplo, vá lá, &#8220;uma pérola&#8221; para o que o autor diz no item 1.</p>
<p>O que na verdade tento, com dificuldade, apontar, é que os &#8220;limites lógicos essenciais do pensamento conservador&#8221; podem ser, na verdade, limites lógicos do próprio pensamento racional, como você mesmo reconhece, e que, portanto, não seriam prerrogativa apenas do pensamento conservador, mas de qualquer pensamento racional.</p>
<p>Daí eu continuar não vendo muito sentido na tentativa de recorrer ao pensamento lógico racional, a Aristóteles, a Russel, para denunciar os limites do pensamento conservador (que pensamento? que limites?), já que eles forçosamente também apontarão limites do pensamento progressista ou qualquer outra linha de pensamento que se queira defender. </p>
<p>É claro que a desigualdade é explicada por razões históricas, mas isto não me parece ter muito a ver com a razão lógica, com Russel, a ponto de gerar um artigo.</p>
<p>A História, me parece, não é feita pela Razão, mas por lutas (entre razões, que não serão desmontadas pela Razão, mas por lutas)</p>
<p>Afinal, me parece que o autor está preocupado em tornar algo inteligível, como ele mesmo diz no texto, portanto, em pensar, de alguma forma, a respeito da formação (e não é este um dos principais objetivos do Passa Palavra, a começar pelo próprio nome?)</p>
<p>Fico com a impressão que remeter a um lugar de pureza racional e lógica é um caminho que recalca e se distancia da realidade, mesmo quando revestida das melhores intenções, e que acaba por ser um substituto do mesmo calibre da religião.</p>
<p>Mas, se está funcionando enquanto método de formação &#8211; e isso vocês é que têm que dizer &#8211; então me calo.</p>
<p>Mas por alguns artigos anteriores, parece que há uma certa crise nesse processo de formação, gerando um certo desânimo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: afonsomanuelgonçalves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/11/49321/#comment-48284</link>

		<dc:creator><![CDATA[afonsomanuelgonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 14:35:45 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=49321#comment-48284</guid>

					<description><![CDATA[Temos neste naufrágio colectivo os conservadores empedernidos e os intelectuias de esquerda esclarecidos. Os conservadores são metaforicamente os ratos e os intelectuais esclarecidos de &quot;esquerda&quot; os comandantes do navio.
Os intelectuias de esquerda sabem tudo e são muito expeditos na sua análise científica, os conservadores, membros da classe dominante, os empedernidos que não sabem nada.
O navio afunda-se, os intelectuias que não pertencem à classe dominante, (geralmente oriundos da pequena burguesia rafeira e arrogante) afundam-se também na voragem do mar revolto.
Enfim, este é o grande espectáculo, o maior circo do mundo que a pequena burguesia criou a partir da 2ª metade do séc. XX.
Os trabalhadores arrastados por esta ignomínia social destes académicos ociosos e inúteis terão o seu infortúnio desmesurado nas águas profundas do oceano em fúria.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Temos neste naufrágio colectivo os conservadores empedernidos e os intelectuias de esquerda esclarecidos. Os conservadores são metaforicamente os ratos e os intelectuais esclarecidos de &#8220;esquerda&#8221; os comandantes do navio.<br />
Os intelectuias de esquerda sabem tudo e são muito expeditos na sua análise científica, os conservadores, membros da classe dominante, os empedernidos que não sabem nada.<br />
O navio afunda-se, os intelectuias que não pertencem à classe dominante, (geralmente oriundos da pequena burguesia rafeira e arrogante) afundam-se também na voragem do mar revolto.<br />
Enfim, este é o grande espectáculo, o maior circo do mundo que a pequena burguesia criou a partir da 2ª metade do séc. XX.<br />
Os trabalhadores arrastados por esta ignomínia social destes académicos ociosos e inúteis terão o seu infortúnio desmesurado nas águas profundas do oceano em fúria.</p>
]]></content:encoded>
		
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