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	Comentários sobre: Sociedade urbana e industrial. Uma resposta	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Paulo Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/01/50861/#comment-776824</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Aug 2021 16:42:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ok. Obrigado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ok. Obrigado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Corrigindo o Engano		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/01/50861/#comment-776777</link>

		<dc:creator><![CDATA[Corrigindo o Engano]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Aug 2021 14:09:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Paulo Henrique, peço desculpas, me enganei. 

Na página 10 deste texto, onde se discute a proposta de abolição do dinheiro, há a citação de anarquistas da Catalunha cuja proposta seria: &#039;eliminar metade de Barcelona e a população correspondente seria absorvida pelo campo.&#039; 

Segue link para download: http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/Autores/Bernardo,%20Jo%C3%A3o/o%20dinheiro.pdf

A suposta destruição de máquinas na Espanha dos anos 30 tem por única fonte, portanto, vozes da minha cabeça.

Já a proposta de destruição de máquinas no Brasil do Século XXI pode ser lida aqui (no parágrafo 9): https://lutafob.org/8913/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo Henrique, peço desculpas, me enganei. </p>
<p>Na página 10 deste texto, onde se discute a proposta de abolição do dinheiro, há a citação de anarquistas da Catalunha cuja proposta seria: &#8216;eliminar metade de Barcelona e a população correspondente seria absorvida pelo campo.&#8217; </p>
<p>Segue link para download: <a href="http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/Autores/Bernardo,%20Jo%C3%A3o/o%20dinheiro.pdf" rel="nofollow ugc">http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/Autores/Bernardo,%20Jo%C3%A3o/o%20dinheiro.pdf</a></p>
<p>A suposta destruição de máquinas na Espanha dos anos 30 tem por única fonte, portanto, vozes da minha cabeça.</p>
<p>Já a proposta de destruição de máquinas no Brasil do Século XXI pode ser lida aqui (no parágrafo 9): <a href="https://lutafob.org/8913/" rel="nofollow ugc">https://lutafob.org/8913/</a></p>
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		<title>
		Por: Paulo Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/01/50861/#comment-776589</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Aug 2021 00:37:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Léo, poderia me falar apontar algum texto ou algo do tipo que fale sobre esse ímpeto dos anarquistas espanhóis da década de 1930 em quebrar máquinas? Nunca li nada sobre isso. Na verdade, na própria imprensa anarquistas se falava o contrário disso, e as coletivizações alcançaram um nível superior de mecanização, se comparado com o que havia antes. Poderia me dar indicações? Obrigado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Léo, poderia me falar apontar algum texto ou algo do tipo que fale sobre esse ímpeto dos anarquistas espanhóis da década de 1930 em quebrar máquinas? Nunca li nada sobre isso. Na verdade, na própria imprensa anarquistas se falava o contrário disso, e as coletivizações alcançaram um nível superior de mecanização, se comparado com o que havia antes. Poderia me dar indicações? Obrigado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Léo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/01/50861/#comment-776551</link>

		<dc:creator><![CDATA[Léo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Aug 2021 22:40:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É possível ler em informe da União Popular Anarquista - um organismo político de extrema esquerda brasileiro - de alguns meses atrás a proposta de &#039;destruir as máquinas do agronegócio&#039;. 

Lendo esse texto do JB e algum outro em que falava sobre a proposta de destruição de máquinas agrícolas dos anarquistas espanhóis  nos anos 30, é perceptível que muita coisa permanece igual. Ao menos nos anos 30, os anarquistas ainda não conheciam o regime de Pol Pot no Camboja.
Os anarquistas de hoje já conhecem esse genocídio e continuam a defender as mesmas coisas. O primarismo de alguns programas como este (destruição de tratores e colheitadeiras) só pode nos conduzir a uma grande catástrofe humanitária caso -algum dia - tenham relevância.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É possível ler em informe da União Popular Anarquista &#8211; um organismo político de extrema esquerda brasileiro &#8211; de alguns meses atrás a proposta de &#8216;destruir as máquinas do agronegócio&#8217;. </p>
<p>Lendo esse texto do JB e algum outro em que falava sobre a proposta de destruição de máquinas agrícolas dos anarquistas espanhóis  nos anos 30, é perceptível que muita coisa permanece igual. Ao menos nos anos 30, os anarquistas ainda não conheciam o regime de Pol Pot no Camboja.<br />
Os anarquistas de hoje já conhecem esse genocídio e continuam a defender as mesmas coisas. O primarismo de alguns programas como este (destruição de tratores e colheitadeiras) só pode nos conduzir a uma grande catástrofe humanitária caso -algum dia &#8211; tenham relevância.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Dokonal		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/01/50861/#comment-247459</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dokonal]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Aug 2014 22:11:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sobre a questão do desperdício nas regiões mais desenvolvidas do mundo, um supermercado francês adotou uma prática que muito agradará os preocupados: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,frutas-e-legumes-de-qualidade-mas-longe-do-padrao-de-beleza-imp-,1520921]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre a questão do desperdício nas regiões mais desenvolvidas do mundo, um supermercado francês adotou uma prática que muito agradará os preocupados: <a href="http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,frutas-e-legumes-de-qualidade-mas-longe-do-padrao-de-beleza-imp-,1520921" rel="nofollow ugc">http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,frutas-e-legumes-de-qualidade-mas-longe-do-padrao-de-beleza-imp-,1520921</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Beto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/01/50861/#comment-247445</link>

		<dc:creator><![CDATA[Beto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Aug 2014 20:29:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=50861#comment-247445</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Posso estar enganado, mas continuo pensando que os diferentes graus de desenvolvimento do capitalismo mundo afora não representam um descompasso do sistema, mas ao contrário, representam uma necessária e planejada divisão internacional do trabalho, o que justifica, entre outras coisas, a transnacionalização do capital e a fragmentação dos trabalhadores. Não há um só lugar hoje  em dia, por mais distante e miserável que seja, que o capital internacional (ou o capital apátrida, para ser mais preciso) não se faça presente e dali não tire algum lucro a que preço for. Por isso tanto a produção dita ecológica, como a produção convencional (seja a produção, em ambos os casos, fabril, agropecuária ou de serviços), embora aparentemente contraditórias, estão inseridas na mesma lógica capitalista. Nenhuma das duas, no final da contas negam o capitalismo, sendo que, na prática, o reafirmam e, o pior, distanciam cada vez mais, nós trabalhadores, do nosso ideal de emancipação.

Em relação à concorrência capitalista, as grandes corporações e seus oligopólios confirmam a sua quase inexistência (entre o pequeno e médio capital há uma concorrência real, mas que ao mesmo tempo é avassaladora e que mantém o grande capital). Só para exemplificar, aqui no Brasil o mercado varejista de alimentos é dominado por praticamente duas grandes redes, uma do grupo Cassino e outra do Carrefour, que segundo a mídia econômica tempos atrás, pensou em vender sua participação brasileira ao concorrente (aqui no Brasil representado pelo grupo Pão de Açucar). E quantas são as empresas de telecomunicações, de informática, financeiras, automobilísticas, quimícas, etc, que realmente dominam o mundo?

E, talvez, prosseguindo num possível equívico, continuo a entender que não só o tempo regulamentar de trabalho, como também o tempo de qualificação e atualização profissional, são tempos de trabalho. O tempo livre não foge desta regulamentação e através das tecnolgias que você apontou acabam sendo cada vez mais controlado. Quantos são os trabalhadores que acabaram ficando à disposição do patrão 24 horas por dia graças ao celular e ao computador (muitas vezes sem receber por isso)? Assim, na prática a redução da jornada formal de trabalho, quando há (no Brasil desde os anos 1930 continua sendo de 8 horas diárias, mesmo com toda a ampliação da produção, ou seja, mesmo tendo aumentado em intensidade e complexidade, não diminuiu em extensividade. E assim deve ser em muitos outros países, inclusive naqueles em que houve redução formal da jornada, mas certamente uma redução desproporcional ao aumento da produção) é substituída por outras formas de trabalho quem reproduzem e ampliam o capital em detrimento do trabalhador.

Caro João Bernardo, agradeço mais uma vez pela atenção e pelas indicações de leitura.

Abraços fraternais,

Beto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Posso estar enganado, mas continuo pensando que os diferentes graus de desenvolvimento do capitalismo mundo afora não representam um descompasso do sistema, mas ao contrário, representam uma necessária e planejada divisão internacional do trabalho, o que justifica, entre outras coisas, a transnacionalização do capital e a fragmentação dos trabalhadores. Não há um só lugar hoje  em dia, por mais distante e miserável que seja, que o capital internacional (ou o capital apátrida, para ser mais preciso) não se faça presente e dali não tire algum lucro a que preço for. Por isso tanto a produção dita ecológica, como a produção convencional (seja a produção, em ambos os casos, fabril, agropecuária ou de serviços), embora aparentemente contraditórias, estão inseridas na mesma lógica capitalista. Nenhuma das duas, no final da contas negam o capitalismo, sendo que, na prática, o reafirmam e, o pior, distanciam cada vez mais, nós trabalhadores, do nosso ideal de emancipação.</p>
<p>Em relação à concorrência capitalista, as grandes corporações e seus oligopólios confirmam a sua quase inexistência (entre o pequeno e médio capital há uma concorrência real, mas que ao mesmo tempo é avassaladora e que mantém o grande capital). Só para exemplificar, aqui no Brasil o mercado varejista de alimentos é dominado por praticamente duas grandes redes, uma do grupo Cassino e outra do Carrefour, que segundo a mídia econômica tempos atrás, pensou em vender sua participação brasileira ao concorrente (aqui no Brasil representado pelo grupo Pão de Açucar). E quantas são as empresas de telecomunicações, de informática, financeiras, automobilísticas, quimícas, etc, que realmente dominam o mundo?</p>
<p>E, talvez, prosseguindo num possível equívico, continuo a entender que não só o tempo regulamentar de trabalho, como também o tempo de qualificação e atualização profissional, são tempos de trabalho. O tempo livre não foge desta regulamentação e através das tecnolgias que você apontou acabam sendo cada vez mais controlado. Quantos são os trabalhadores que acabaram ficando à disposição do patrão 24 horas por dia graças ao celular e ao computador (muitas vezes sem receber por isso)? Assim, na prática a redução da jornada formal de trabalho, quando há (no Brasil desde os anos 1930 continua sendo de 8 horas diárias, mesmo com toda a ampliação da produção, ou seja, mesmo tendo aumentado em intensidade e complexidade, não diminuiu em extensividade. E assim deve ser em muitos outros países, inclusive naqueles em que houve redução formal da jornada, mas certamente uma redução desproporcional ao aumento da produção) é substituída por outras formas de trabalho quem reproduzem e ampliam o capital em detrimento do trabalhador.</p>
<p>Caro João Bernardo, agradeço mais uma vez pela atenção e pelas indicações de leitura.</p>
<p>Abraços fraternais,</p>
<p>Beto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/01/50861/#comment-247429</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Aug 2014 18:50:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=50861#comment-247429</guid>

					<description><![CDATA[Caro Beto,

&lt;strong&gt;1.&lt;/strong&gt; Quanto à questão do desperdício no capitalismo.

&lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; Numa perspectiva micro o desperdício tende sempre a ser eliminado pela redução de custos das empresas. Não só as lutas dos trabalhadores pressionam os patrões a aumentar a produtividade como a concorrência entre patrões pressiona cada um deles a fazê-lo também, e a redução ou eliminação do desperdício é um dos aspectos do aumento da produtividade.

&lt;strong&gt;b)&lt;/strong&gt; Numa perspectiva macro pode dizer-se que o capitalismo pressupõe o desperdício, já que a obsolescência planificada pode considerar-se uma forma de desperdício. Além disso, a criação de novos ramos de produção destinados a substituir ramos já existentes faz-se enquanto estes ramos mais antigos continuam em actividade, condenando-se as regiões onde eles estão implantados e as populações que os operam a definhar como uma espécie de zombies.

&lt;strong&gt;c)&lt;/strong&gt; Porém, qualquer análise das características estruturais do capitalismo deve ser feita no contexto da história comparativa, senão arriscamo-nos a considerar como característico aquilo que não o é. Ora, o capitalismo é o primeiro sistema económico que tende a converter tudo em factores de produção. Nesta perspectiva, portanto, muitas coisas e muitas forças que nos sistemas anteriores não tinham qualquer função económica são inseridas pelo capitalismo nos processos produtivos. Ou seja, essas coisas e forças haviam antes sido desperdiçadas.
Acresce o seguinte. Um bom número de sociedades pré-capitalistas regia-se pelo sistema de troca de presentes ou sistema de dádivas ou dom, consoante as terminologias. Era na troca de presentes que se teciam as relações sociais, incluindo as relações de supremacia e de exploração. Ora, a troca de presentes supunha a troca de injúrias, cuja forma superior era a guerra. Assim, o sistema de presentes pressupunha tanto o saque e as razias como o esbanjamento ritual, o potlatch, que constituíam formas colossais de desperdício, sobretudo proporcionalmente às capacidades produtivas dessas sociedades.

&lt;strong&gt;d)&lt;/strong&gt; Levando tudo isto em conta, parece-me que se deve afirmar que uma das características do capitalismo é a redução do desperdício.

&lt;strong&gt;2.&lt;/strong&gt; A respeito da questão específica do desperdício alimentar no capitalismo.

&lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; Quanto mais estreitamente a produção se relacionar com as cadeias de distribuição e com o mercado de consumo final, menor será o desperdício. Ora, é precisamente nos continentes onde predominam a agricultura pré-capitalista e as formas arcaicas de agricultura capitalista que mais devastadoras são as fomes. Em África, geralmente as grandes fomes são ocasionadas não pela falta de alimentos no país mas pela incapacidade das cadeias de distribuição de fazerem chegar os alimentos das regiões com excedentes às regiões com carência. Este é um exemplo extremo de desperdício, suscitado não pelo desenvolvimento do capitalismo mas pelo seu atraso.

&lt;strong&gt;b)&lt;/strong&gt; Você cita um relatório da FAO de 2013, mas fico sem saber de qual se trata, porque nesse ano aquele organismo publicou dois relatórios importantes. Começo por considerar &lt;a href=&quot;http://www.fao.org/docrep/018/i3434e/i3434e.pdf&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;The State of Food Insecurity in the World. The multiple dimensions of food security&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;. Logo no começo (pág. II), este relatório indica que o total de pessoas subalimentadas caiu 17% entre 1990-1992 e 2011-2013. É desta tendência que devemos partir para avaliar o problema, e igualmente decisivo como ponto de partida é o facto, bem conhecido, de que «a grande maioria dos famintos [...] vive nas regiões em desenvolvimento» (pág. 8). Não só a fome crónica não é um elemento estrutural do capitalismo como ela vitima sobretudo as regiões onde o capitalismo é menos desenvolvido. Segundo este relatório (págs. 12-13), a infra-estrutura inadequada e o atraso tecnológico são os principais responsáveis pela dimensão atingida pela fome em África.

&lt;strong&gt;c)&lt;/strong&gt; Mais significativo para a questão que agora nos ocupa é o outro relatório da FAO de 2013, &lt;a href=&quot;http://www.fao.org/docrep/018/i3300e/i3300e.pdf&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;&lt;em&gt;The State of Food and Agriculture 2013&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, onde se lê, na pág. 26: «A maneira mais fundamental como a produção agrícola contribui para a nutrição é tornando a comida mais disponível e barata através do crescimento da produtividade agrícola». Ora, no meu artigo sobre &lt;a href=&quot;http://passapalavra.info/2013/09/83203&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;«A agroecologia e a mais-valia absoluta»&lt;/a&gt; citei a opinião do Inter-Departmental Working Group on Organic Agriculture da FAO sobre a falta de produtividade da agricultura orgânica. Voltando ao referido relatório de 2013, aconselho você e os demais interessados a lerem o que está escrito, nessa mesma pág. 26, sobre os efeitos benéficos da Revolução Verde. Quando eu acuso o programa da agroecologia de ser genocidário não estou a ser polémico a despropósito. Depois, se você ler nesse mesmo relatório as págs. 37-48, verá a confirmação do que escrevi acima sobre os efeitos da insuficiência das cadeias de distribuição nas regiões onde predominam na agricultura o pré-capialismo e as modalidades primitivas de capitalismo. O relatório considera as vantagens gerais resultantes da integração das cadeias de distribuição arcaicas na rede de distribuição capitalista mais avançada, ou seja, as vantagens da subsunção da economia arcaica no capitalismo desenvolvido, precisamente o contrário do que é afirmado pelos ecologistas.

&lt;strong&gt;d)&lt;/strong&gt; A avaliação, que você menciona, de que cerca de 1/3 dos alimentos produzidos para consumo humano são desperdiçados encontra-se originariamente não num relatório da FAO de 2013 mas na pág. 4 de um estudo devido a Jenny Gustavsson &lt;em&gt;et al.&lt;/em&gt;, &lt;a href=&quot;http://www.fao.org/fileadmin/user_upload/suistainability/pdf/Global_Food_Losses_and_Food_Waste.pdf&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;&lt;em&gt;Global Food Losses and Food Waste&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;.
- A este respeito você faz uma comparação com a indústria electrónica que me parece desprovida de validade. Antes de mais, porque a deterioração no armazenamento afecta mais os produtos alimentares do que os artigos fabricados. E ainda porque o &lt;em&gt;just in time&lt;/em&gt; não se aplica à agricultura, o que obriga a prazos de armazenamento maiores.
- Se você ler atentamente as págs. 10-14 daquele estudo verá que o problema é muito mais grave do que pretendem os ecologistas, que tanto gostam de culpabilizar o consumo. É certo que existe um desperdício entre as camadas de rendimentos médios e superiores proocado por deitar para o lixo comida que se deixou deteriorar ou já não se quer. Mas, para comparar com esta atitude, é interessante notar que, depois de considerarem que um dos motivos de desperdício são os critérios mais rigorosos impostos pelos supermercados, incluindo a afixação de prazos de validade, Gustavsson &lt;em&gt;et al.&lt;/em&gt; propõem que os produtos rejeitados sejam vendidos em mercados de menor escopo, ou seja, logicamente, a consumidores com baixos rendimentos. Os ecologistas estão sempre atentos à utilização da pobreza. É certo que, como escrevem Gustavsson &lt;em&gt;et al.&lt;/em&gt; na pág. v, «numa base &lt;em&gt;per capita&lt;/em&gt; são desperdiçados muito mais alimentos no mundo industrializado do que nos países em desenvolvimento», e na pág. 13 concluem que «o desperdício de alimentos ao nível do consumo é mínimo nos países em desenvolvimento». Para chegar a esta conclusão não é preciso ser um grande cientista. Quanto maior a fome, mais lixo se come. Mas este é o problema e não a solução.
- Uma forma muito grave de desperdício resulta da política agrícola adoptada pela União Europeia. Simplificando, para sustentar uma pequena agricultura que não é rentável economicamente mas constitui um &lt;em&gt;lobby&lt;/em&gt; político poderoso na direita e agora entre os ecologistas, um montante elevado de alimentos é comprado pelos Estados e armazenado, não sendo distribuído nem consumido e, portanto, constituindo uma forma de desperdício. Nos Estados Unidos chega-se ao mesmo efeito pagando aos agricultores para não cultivarem, o que constitui outra modalidade de desperdício. O Japão aplica uma política convergente. Ora, estas políticas agrícolas decorrem das mesmas concepções de soberania alimentar que são defendidas no Brasil pelo MST e pela generalidade da extrema-esquerda, incluindo os anarquistas.
- O principal, porém, é que aquele estudo mostra que o desperdício de alimentos será tanto maior quanto menos desenvolvidas estiverem as condições gerais de produção capitalistas. Nomeadamente nos países em desenvolvimento, onde «mais de 40% das perdas alimentares ocorrem nos níveis de pós-colheita e de processamento» (pág. 5), tornam-se patentes as implicações do atraso tecnológico e industrial.

&lt;strong&gt;3.&lt;/strong&gt; Quanto à questão da extensão da jornada de trabalho.

&lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; O capitalismo é um sistema surgido no final do século XVIII e que rapidamente se tornou mundial, portanto é nesta dimensão geográfica e nesta amplitude histórica que o problema da jornada de trabalho deve ser avaliado.

&lt;strong&gt;b)&lt;/strong&gt; As lutas dos trabalhadores surgem sempre com o objectivo de trabalhar menos e ganhar mais, e a única resposta efectiva dos capitalistas consiste no crescimento da produtividade. Em termos muito simplificados, o crescimento da produtividade faz com que, por um lado, a jornada de trabalho diminua em extensão mas aumente em intensidade e complexidade; o crescimento da produtividade leva a uma transformação do trabalho simples em trabalho complexo e deste em trabalho ainda mais complexo e assim sucessivamente. Por outro lado, graças ao aumento da produtividade os bens materiais e os serviços que os trabalhadores consomem, embora sejam mais abundantes, passam a ser produzidos em menos tempo de trabalho, ou seja, têm menos valor.

&lt;strong&gt;c)&lt;/strong&gt; A conjugação destes dois aspectos implica que os trabalhadores, enquanto vêem diminuir os limites horários da jornada de trabalho, vêem aumentar o tempo de trabalho que despendem em termos de trabalho complexo; e, enquanto consomem mais produtos, o valor desses produtos vai sempre sendo menor. O processo de exploração capitalista não diz respeito a coisas mas a tempos. Uma das funções do dinheiro no capitalismo é ocultar aquele desfasamento (defasagem, no Brasil), como bem viu Keynes.

&lt;strong&gt;d)&lt;/strong&gt; O desenvolvimento do capitalismo opera-se mediante o crescimento da produtividade, o que significa a redução dos limites extremos da jornada de trabalho e o aumento da complexidade do trabalho. Ora, quanto mais complexo for o trabalho mais ele exige a qualificação dos trabalhadores. A transformação das universidades de elite em universidades de massa e a conversão da aspiração ao conhecimento em mera instrução técnica constituem um dos elementos decisivos para o processo de qualificação da força de trabalho.

&lt;strong&gt;e)&lt;/strong&gt; O que afirmei naquelas passagens que você invocou foi que o facto de os computadores serem, pela primeira vez na história, um instrumento triplo (produção, fiscalização e lazer) faz com que os trabalhadores, enquanto se divertem e jogam nos mesmos instrumentos em que trabalham, estejam só por isso a aumentar as suas qualificações de trabalho. Aliás, a recente universalização dos computadores pessoais, incluindo os microcomputadores de bolso, que ainda se denominam celulares ou telemóveis, agravou este processo. Portanto, os lazeres deixaram de ser um espaço exterior ao capitalismo e incluíram-se na esfera económica do capitalismo. Mas incluíram-se nesta esfera não directamente enquanto trabalho, mas enquanto formação da força de trabalho.

&lt;strong&gt;f)&lt;/strong&gt; Este modelo de interpretação das novas funções assumidas pelo lazer encontra-se na sequência de um artigo que publiquei em 1985 na &lt;em&gt;Revista de Economia Política&lt;/em&gt;, &lt;a href=&quot;http://www.rep.org.br/PDF/19-5.PDF&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;«O Proletariado como Produtor e como Produto»&lt;/a&gt;. Aperfeiçoei esse modelo noutro artigo publicado em 1989 na &lt;em&gt;Educação em Revista&lt;/em&gt;, da UFMG, &lt;a href=&quot;http://educa.fcc.org.br/pdf/edur/n09/n09a02.pdf&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;«A Produção de Si Mesmo»&lt;/a&gt;. Dei ao modelo uma versão praticamente definitiva nas págs. 90-113 do meu livro &lt;a href=&quot;http://xvm-27-11.ghst.net/IMG/pdf/ECONOMIA_DOS_CONFLITOS_SOCIAIS_-_LIVRO_COMPLETO_EM_PDF_-_JOAO_BERNARDO.pdf&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;&lt;em&gt;Economia dos Conflitos Sociais&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;. Finalmente, expus uma última versão do modelo no livro &lt;em&gt;Estado. A Silenciosa Multiplicação do Poder&lt;/em&gt; (São Paulo: Escrituras, 1998); a obra encontra-se na internet, mas em Word, onde a parte respeitante está nas págs. 19-22. Neste modelo eu aplico o modelo da mais-valia ao ensino enquanto formação da força de trabalho, considerando assim o ciclo económico completo — a produção de trabalhadores mediante trabalhadores. E note-se que, ao incluir desde início o urbanismo entre os elementos desta produção de trabalhadores, eu estava já a abrir o caminho à posterior inclusão dos lazeres nas &lt;em&gt;lan houses&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;cyber cafés&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;shoppings centers&lt;/em&gt;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Beto,</p>
<p><strong>1.</strong> Quanto à questão do desperdício no capitalismo.</p>
<p><strong>a)</strong> Numa perspectiva micro o desperdício tende sempre a ser eliminado pela redução de custos das empresas. Não só as lutas dos trabalhadores pressionam os patrões a aumentar a produtividade como a concorrência entre patrões pressiona cada um deles a fazê-lo também, e a redução ou eliminação do desperdício é um dos aspectos do aumento da produtividade.</p>
<p><strong>b)</strong> Numa perspectiva macro pode dizer-se que o capitalismo pressupõe o desperdício, já que a obsolescência planificada pode considerar-se uma forma de desperdício. Além disso, a criação de novos ramos de produção destinados a substituir ramos já existentes faz-se enquanto estes ramos mais antigos continuam em actividade, condenando-se as regiões onde eles estão implantados e as populações que os operam a definhar como uma espécie de zombies.</p>
<p><strong>c)</strong> Porém, qualquer análise das características estruturais do capitalismo deve ser feita no contexto da história comparativa, senão arriscamo-nos a considerar como característico aquilo que não o é. Ora, o capitalismo é o primeiro sistema económico que tende a converter tudo em factores de produção. Nesta perspectiva, portanto, muitas coisas e muitas forças que nos sistemas anteriores não tinham qualquer função económica são inseridas pelo capitalismo nos processos produtivos. Ou seja, essas coisas e forças haviam antes sido desperdiçadas.<br />
Acresce o seguinte. Um bom número de sociedades pré-capitalistas regia-se pelo sistema de troca de presentes ou sistema de dádivas ou dom, consoante as terminologias. Era na troca de presentes que se teciam as relações sociais, incluindo as relações de supremacia e de exploração. Ora, a troca de presentes supunha a troca de injúrias, cuja forma superior era a guerra. Assim, o sistema de presentes pressupunha tanto o saque e as razias como o esbanjamento ritual, o potlatch, que constituíam formas colossais de desperdício, sobretudo proporcionalmente às capacidades produtivas dessas sociedades.</p>
<p><strong>d)</strong> Levando tudo isto em conta, parece-me que se deve afirmar que uma das características do capitalismo é a redução do desperdício.</p>
<p><strong>2.</strong> A respeito da questão específica do desperdício alimentar no capitalismo.</p>
<p><strong>a)</strong> Quanto mais estreitamente a produção se relacionar com as cadeias de distribuição e com o mercado de consumo final, menor será o desperdício. Ora, é precisamente nos continentes onde predominam a agricultura pré-capitalista e as formas arcaicas de agricultura capitalista que mais devastadoras são as fomes. Em África, geralmente as grandes fomes são ocasionadas não pela falta de alimentos no país mas pela incapacidade das cadeias de distribuição de fazerem chegar os alimentos das regiões com excedentes às regiões com carência. Este é um exemplo extremo de desperdício, suscitado não pelo desenvolvimento do capitalismo mas pelo seu atraso.</p>
<p><strong>b)</strong> Você cita um relatório da FAO de 2013, mas fico sem saber de qual se trata, porque nesse ano aquele organismo publicou dois relatórios importantes. Começo por considerar <a href="http://www.fao.org/docrep/018/i3434e/i3434e.pdf" rel="nofollow"><em></em><em>The State of Food Insecurity in the World. The multiple dimensions of food security</em></a>. Logo no começo (pág. II), este relatório indica que o total de pessoas subalimentadas caiu 17% entre 1990-1992 e 2011-2013. É desta tendência que devemos partir para avaliar o problema, e igualmente decisivo como ponto de partida é o facto, bem conhecido, de que «a grande maioria dos famintos [&#8230;] vive nas regiões em desenvolvimento» (pág. 8). Não só a fome crónica não é um elemento estrutural do capitalismo como ela vitima sobretudo as regiões onde o capitalismo é menos desenvolvido. Segundo este relatório (págs. 12-13), a infra-estrutura inadequada e o atraso tecnológico são os principais responsáveis pela dimensão atingida pela fome em África.</p>
<p><strong>c)</strong> Mais significativo para a questão que agora nos ocupa é o outro relatório da FAO de 2013, <a href="http://www.fao.org/docrep/018/i3300e/i3300e.pdf" rel="nofollow"><em>The State of Food and Agriculture 2013</em></a>, onde se lê, na pág. 26: «A maneira mais fundamental como a produção agrícola contribui para a nutrição é tornando a comida mais disponível e barata através do crescimento da produtividade agrícola». Ora, no meu artigo sobre <a href="http://passapalavra.info/2013/09/83203" rel="nofollow">«A agroecologia e a mais-valia absoluta»</a> citei a opinião do Inter-Departmental Working Group on Organic Agriculture da FAO sobre a falta de produtividade da agricultura orgânica. Voltando ao referido relatório de 2013, aconselho você e os demais interessados a lerem o que está escrito, nessa mesma pág. 26, sobre os efeitos benéficos da Revolução Verde. Quando eu acuso o programa da agroecologia de ser genocidário não estou a ser polémico a despropósito. Depois, se você ler nesse mesmo relatório as págs. 37-48, verá a confirmação do que escrevi acima sobre os efeitos da insuficiência das cadeias de distribuição nas regiões onde predominam na agricultura o pré-capialismo e as modalidades primitivas de capitalismo. O relatório considera as vantagens gerais resultantes da integração das cadeias de distribuição arcaicas na rede de distribuição capitalista mais avançada, ou seja, as vantagens da subsunção da economia arcaica no capitalismo desenvolvido, precisamente o contrário do que é afirmado pelos ecologistas.</p>
<p><strong>d)</strong> A avaliação, que você menciona, de que cerca de 1/3 dos alimentos produzidos para consumo humano são desperdiçados encontra-se originariamente não num relatório da FAO de 2013 mas na pág. 4 de um estudo devido a Jenny Gustavsson <em>et al.</em>, <a href="http://www.fao.org/fileadmin/user_upload/suistainability/pdf/Global_Food_Losses_and_Food_Waste.pdf" rel="nofollow"><em>Global Food Losses and Food Waste</em></a>.<br />
&#8211; A este respeito você faz uma comparação com a indústria electrónica que me parece desprovida de validade. Antes de mais, porque a deterioração no armazenamento afecta mais os produtos alimentares do que os artigos fabricados. E ainda porque o <em>just in time</em> não se aplica à agricultura, o que obriga a prazos de armazenamento maiores.<br />
&#8211; Se você ler atentamente as págs. 10-14 daquele estudo verá que o problema é muito mais grave do que pretendem os ecologistas, que tanto gostam de culpabilizar o consumo. É certo que existe um desperdício entre as camadas de rendimentos médios e superiores proocado por deitar para o lixo comida que se deixou deteriorar ou já não se quer. Mas, para comparar com esta atitude, é interessante notar que, depois de considerarem que um dos motivos de desperdício são os critérios mais rigorosos impostos pelos supermercados, incluindo a afixação de prazos de validade, Gustavsson <em>et al.</em> propõem que os produtos rejeitados sejam vendidos em mercados de menor escopo, ou seja, logicamente, a consumidores com baixos rendimentos. Os ecologistas estão sempre atentos à utilização da pobreza. É certo que, como escrevem Gustavsson <em>et al.</em> na pág. v, «numa base <em>per capita</em> são desperdiçados muito mais alimentos no mundo industrializado do que nos países em desenvolvimento», e na pág. 13 concluem que «o desperdício de alimentos ao nível do consumo é mínimo nos países em desenvolvimento». Para chegar a esta conclusão não é preciso ser um grande cientista. Quanto maior a fome, mais lixo se come. Mas este é o problema e não a solução.<br />
&#8211; Uma forma muito grave de desperdício resulta da política agrícola adoptada pela União Europeia. Simplificando, para sustentar uma pequena agricultura que não é rentável economicamente mas constitui um <em>lobby</em> político poderoso na direita e agora entre os ecologistas, um montante elevado de alimentos é comprado pelos Estados e armazenado, não sendo distribuído nem consumido e, portanto, constituindo uma forma de desperdício. Nos Estados Unidos chega-se ao mesmo efeito pagando aos agricultores para não cultivarem, o que constitui outra modalidade de desperdício. O Japão aplica uma política convergente. Ora, estas políticas agrícolas decorrem das mesmas concepções de soberania alimentar que são defendidas no Brasil pelo MST e pela generalidade da extrema-esquerda, incluindo os anarquistas.<br />
&#8211; O principal, porém, é que aquele estudo mostra que o desperdício de alimentos será tanto maior quanto menos desenvolvidas estiverem as condições gerais de produção capitalistas. Nomeadamente nos países em desenvolvimento, onde «mais de 40% das perdas alimentares ocorrem nos níveis de pós-colheita e de processamento» (pág. 5), tornam-se patentes as implicações do atraso tecnológico e industrial.</p>
<p><strong>3.</strong> Quanto à questão da extensão da jornada de trabalho.</p>
<p><strong>a)</strong> O capitalismo é um sistema surgido no final do século XVIII e que rapidamente se tornou mundial, portanto é nesta dimensão geográfica e nesta amplitude histórica que o problema da jornada de trabalho deve ser avaliado.</p>
<p><strong>b)</strong> As lutas dos trabalhadores surgem sempre com o objectivo de trabalhar menos e ganhar mais, e a única resposta efectiva dos capitalistas consiste no crescimento da produtividade. Em termos muito simplificados, o crescimento da produtividade faz com que, por um lado, a jornada de trabalho diminua em extensão mas aumente em intensidade e complexidade; o crescimento da produtividade leva a uma transformação do trabalho simples em trabalho complexo e deste em trabalho ainda mais complexo e assim sucessivamente. Por outro lado, graças ao aumento da produtividade os bens materiais e os serviços que os trabalhadores consomem, embora sejam mais abundantes, passam a ser produzidos em menos tempo de trabalho, ou seja, têm menos valor.</p>
<p><strong>c)</strong> A conjugação destes dois aspectos implica que os trabalhadores, enquanto vêem diminuir os limites horários da jornada de trabalho, vêem aumentar o tempo de trabalho que despendem em termos de trabalho complexo; e, enquanto consomem mais produtos, o valor desses produtos vai sempre sendo menor. O processo de exploração capitalista não diz respeito a coisas mas a tempos. Uma das funções do dinheiro no capitalismo é ocultar aquele desfasamento (defasagem, no Brasil), como bem viu Keynes.</p>
<p><strong>d)</strong> O desenvolvimento do capitalismo opera-se mediante o crescimento da produtividade, o que significa a redução dos limites extremos da jornada de trabalho e o aumento da complexidade do trabalho. Ora, quanto mais complexo for o trabalho mais ele exige a qualificação dos trabalhadores. A transformação das universidades de elite em universidades de massa e a conversão da aspiração ao conhecimento em mera instrução técnica constituem um dos elementos decisivos para o processo de qualificação da força de trabalho.</p>
<p><strong>e)</strong> O que afirmei naquelas passagens que você invocou foi que o facto de os computadores serem, pela primeira vez na história, um instrumento triplo (produção, fiscalização e lazer) faz com que os trabalhadores, enquanto se divertem e jogam nos mesmos instrumentos em que trabalham, estejam só por isso a aumentar as suas qualificações de trabalho. Aliás, a recente universalização dos computadores pessoais, incluindo os microcomputadores de bolso, que ainda se denominam celulares ou telemóveis, agravou este processo. Portanto, os lazeres deixaram de ser um espaço exterior ao capitalismo e incluíram-se na esfera económica do capitalismo. Mas incluíram-se nesta esfera não directamente enquanto trabalho, mas enquanto formação da força de trabalho.</p>
<p><strong>f)</strong> Este modelo de interpretação das novas funções assumidas pelo lazer encontra-se na sequência de um artigo que publiquei em 1985 na <em>Revista de Economia Política</em>, <a href="http://www.rep.org.br/PDF/19-5.PDF" rel="nofollow">«O Proletariado como Produtor e como Produto»</a>. Aperfeiçoei esse modelo noutro artigo publicado em 1989 na <em>Educação em Revista</em>, da UFMG, <a href="http://educa.fcc.org.br/pdf/edur/n09/n09a02.pdf" rel="nofollow">«A Produção de Si Mesmo»</a>. Dei ao modelo uma versão praticamente definitiva nas págs. 90-113 do meu livro <a href="http://xvm-27-11.ghst.net/IMG/pdf/ECONOMIA_DOS_CONFLITOS_SOCIAIS_-_LIVRO_COMPLETO_EM_PDF_-_JOAO_BERNARDO.pdf" rel="nofollow"><em>Economia dos Conflitos Sociais</em></a>. Finalmente, expus uma última versão do modelo no livro <em>Estado. A Silenciosa Multiplicação do Poder</em> (São Paulo: Escrituras, 1998); a obra encontra-se na internet, mas em Word, onde a parte respeitante está nas págs. 19-22. Neste modelo eu aplico o modelo da mais-valia ao ensino enquanto formação da força de trabalho, considerando assim o ciclo económico completo — a produção de trabalhadores mediante trabalhadores. E note-se que, ao incluir desde início o urbanismo entre os elementos desta produção de trabalhadores, eu estava já a abrir o caminho à posterior inclusão dos lazeres nas <em>lan houses</em>, <em>cyber cafés</em> e <em>shoppings centers</em>.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Beto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/01/50861/#comment-247003</link>

		<dc:creator><![CDATA[Beto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Aug 2014 22:53:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=50861#comment-247003</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

li o artigo que você recomendou. A dúvida de minha parte não é em relação à produção “orgânica”. Mas à produção propriamente dita “capitalista” (entendo que tanto uma como outra forma de produção fazem parte do mesmo sistema capitalista, muito embora o movimento ecológico conteste esta condição e não perceba que ao invés de negá-lo, ele o reafirma). Se a agroecologia “peca” pela improdutividade e pela sobre-exploração da mão-de-obra humana, a agropecuária intensiva e voltada exclusivamente para o lucro não “peca” pelo desperdício? Segundo relatório da FAO (2013),  1/3 de todo alimento produzido no mundo é desperdiçado, e o dado mais importante:  54% do desperdício de comida no mundo ocorre na fase inicial da produção –na manipulação, após a colheita e na armazenagem (não se vê essa taxa de desperdício, por exemplo, na indústria de eletrônicos).  É isso que me leva a concluir que a miséria, numa de suas formas, a fome, é estrutural. 

Ainda no mesmo relatório da FAO, quase 2 bilhões de seres humanos no mundo vivem com insuficiência de vitaminais e sais minerais essenciais para uma boa saúde e, por outro lado, quase um bilhão e meio de pessoas sofrem de obesidade. Fazendo uma analogia com o Passa Palavra: “As catástrofes pouco têm de natural, mas muito da lógica do capital. O modelo de desenvolvimento implementado, ao ter por único norte o lucro de qualquer forma possível, tira proveito das destruições do planeta, seja como desgraça ou nas conseqüências delas” do mesmo modo,  “catástrofes” como, por exemplo, a fome ou a obesidade, se inserem dentro desta mesma lógica capitalista. 

Embora eu não seja um “ecológico”, não posso me dizer um “intensivista” (é essa a designação?), e venho estudando para formar minha opinião. Mas fiquei bem curioso com os seguintes dados no texto indicado para leitura em relação à soja : Soja: Produtividade dos estabelecimentos familiares (A) em quilogramas por hectare 2 365 / Produtividade dos estabelecimentos não familiares (B) em quilogramas por hectare 2651.  A dúvida é a seguinte: por mais que a mão-de-obra humana seja extensivamente (e exaustivamente) explorada na agricultura familiar, por que na agricultura intensiva, utilizadora dos recursos tecnológicos e científicos moderníssimos e, não podemos esquecer,  bastante caros, a diferença de produção, analisando proporcianalmente, é tão pequena, sendo que a soja é um dos carros chefes da produção agrícola a nível mundial? Neste sentido, fico de pleno acordo com sua afirmação: «é realmente preciso que o ramo das commodities tenha atingido um elevadíssimo grau de produtividade para ser mundialmente competitivo em tais condições de transporte», mas entendo que as “condições de laboração brutais” se dão, “intensivamente”, tanto no campo como na cidade, sendo que o elevadíssimo grau de produtividade da agropecuária intensiva (assim como também da indústria) só pode se realizar em face a essa dupla brutalidade (citadina e campesina), concomitantemente.

Já em relação ao aumento da  jornada de trabalho  foi uma leitura que fiz, que pode ter sido equivocada, do seu livro Transnacionalização do Capital e Fragmentação do Trabalho (excelentíssimo livro, assim como Capitalismo Sindical, livros que eu indico como de “cabiceira”):

 “Ao tempo gasto na empresa continua vulgarmente a chamar-se tempo de trabalho e, ao restante, ócio. Mas, na realidade, tornaram-se ambos tempo de trabalho e distinguem-se apenas pelo objecto deste trabalho que, dentro da empresa, é algo exterior à pessoa e, fora da empresa, é o próprio trabalhador”. 

Por isso eu chamei de o tempo gasto na empresa como “formal” e de “informal” o restante do tempo que também acaba sendo tempo de trabalho, portanto, jornada de trabalho (formal e informal). Assim eu entendo que os aproximadamente os 18 anos que passamos estudando, mais o 35 anos trabalhando, mais sei lá quantos anos nos transportes (e, inclusive, o tempo que passamos &quot;descansando&quot;, para &quot;repor&quot; as forças para o trabalho e, sem querer fazer apologia a um passado idílico, segundo Marc Boyer em &quot;Histório do Turismo de Massa, p.90, &quot; na sociedade pré industrial o tempo destinado aos feriados, festas, festas litúrgicas, os domingos, as grandes manifestações - Feiras, Quermesses, Festas Votivas - tem-se perto  de cento e cinquenta dias), são tempo de trabalho. 

Se é fato que “o agravamento da exploração se fez  através do aumento da intensidade e da complexidade do trabalho”, isso não significa, obrigatoriamente, redução da jornada, uma vez que, desde 1932 (tempo de um fascismo Getulista...) a jornada diária, ao menos no Brasil, continua sendo de 8 horas. E mesmo nas reduções de jornadas em outros países, a jornada de trabalho reduziu-se numa proporção muitíssimo menor do que o aumento da intensidade e da complexidade do trabalho e, principalmente, do aumento da produção. 

Aproveitando o ensejo, solicito, se possível, indicações de leitura sobre o material que você escreveu sobre Getúlio Vargas.

Agradeço imensamente sua atenção e a oportunidade de dialogar e aprender.

Abraços fraternais,

Beto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>li o artigo que você recomendou. A dúvida de minha parte não é em relação à produção “orgânica”. Mas à produção propriamente dita “capitalista” (entendo que tanto uma como outra forma de produção fazem parte do mesmo sistema capitalista, muito embora o movimento ecológico conteste esta condição e não perceba que ao invés de negá-lo, ele o reafirma). Se a agroecologia “peca” pela improdutividade e pela sobre-exploração da mão-de-obra humana, a agropecuária intensiva e voltada exclusivamente para o lucro não “peca” pelo desperdício? Segundo relatório da FAO (2013),  1/3 de todo alimento produzido no mundo é desperdiçado, e o dado mais importante:  54% do desperdício de comida no mundo ocorre na fase inicial da produção –na manipulação, após a colheita e na armazenagem (não se vê essa taxa de desperdício, por exemplo, na indústria de eletrônicos).  É isso que me leva a concluir que a miséria, numa de suas formas, a fome, é estrutural. </p>
<p>Ainda no mesmo relatório da FAO, quase 2 bilhões de seres humanos no mundo vivem com insuficiência de vitaminais e sais minerais essenciais para uma boa saúde e, por outro lado, quase um bilhão e meio de pessoas sofrem de obesidade. Fazendo uma analogia com o Passa Palavra: “As catástrofes pouco têm de natural, mas muito da lógica do capital. O modelo de desenvolvimento implementado, ao ter por único norte o lucro de qualquer forma possível, tira proveito das destruições do planeta, seja como desgraça ou nas conseqüências delas” do mesmo modo,  “catástrofes” como, por exemplo, a fome ou a obesidade, se inserem dentro desta mesma lógica capitalista. </p>
<p>Embora eu não seja um “ecológico”, não posso me dizer um “intensivista” (é essa a designação?), e venho estudando para formar minha opinião. Mas fiquei bem curioso com os seguintes dados no texto indicado para leitura em relação à soja : Soja: Produtividade dos estabelecimentos familiares (A) em quilogramas por hectare 2 365 / Produtividade dos estabelecimentos não familiares (B) em quilogramas por hectare 2651.  A dúvida é a seguinte: por mais que a mão-de-obra humana seja extensivamente (e exaustivamente) explorada na agricultura familiar, por que na agricultura intensiva, utilizadora dos recursos tecnológicos e científicos moderníssimos e, não podemos esquecer,  bastante caros, a diferença de produção, analisando proporcianalmente, é tão pequena, sendo que a soja é um dos carros chefes da produção agrícola a nível mundial? Neste sentido, fico de pleno acordo com sua afirmação: «é realmente preciso que o ramo das commodities tenha atingido um elevadíssimo grau de produtividade para ser mundialmente competitivo em tais condições de transporte», mas entendo que as “condições de laboração brutais” se dão, “intensivamente”, tanto no campo como na cidade, sendo que o elevadíssimo grau de produtividade da agropecuária intensiva (assim como também da indústria) só pode se realizar em face a essa dupla brutalidade (citadina e campesina), concomitantemente.</p>
<p>Já em relação ao aumento da  jornada de trabalho  foi uma leitura que fiz, que pode ter sido equivocada, do seu livro Transnacionalização do Capital e Fragmentação do Trabalho (excelentíssimo livro, assim como Capitalismo Sindical, livros que eu indico como de “cabiceira”):</p>
<p> “Ao tempo gasto na empresa continua vulgarmente a chamar-se tempo de trabalho e, ao restante, ócio. Mas, na realidade, tornaram-se ambos tempo de trabalho e distinguem-se apenas pelo objecto deste trabalho que, dentro da empresa, é algo exterior à pessoa e, fora da empresa, é o próprio trabalhador”. </p>
<p>Por isso eu chamei de o tempo gasto na empresa como “formal” e de “informal” o restante do tempo que também acaba sendo tempo de trabalho, portanto, jornada de trabalho (formal e informal). Assim eu entendo que os aproximadamente os 18 anos que passamos estudando, mais o 35 anos trabalhando, mais sei lá quantos anos nos transportes (e, inclusive, o tempo que passamos &#8220;descansando&#8221;, para &#8220;repor&#8221; as forças para o trabalho e, sem querer fazer apologia a um passado idílico, segundo Marc Boyer em &#8220;Histório do Turismo de Massa, p.90, &#8221; na sociedade pré industrial o tempo destinado aos feriados, festas, festas litúrgicas, os domingos, as grandes manifestações &#8211; Feiras, Quermesses, Festas Votivas &#8211; tem-se perto  de cento e cinquenta dias), são tempo de trabalho. </p>
<p>Se é fato que “o agravamento da exploração se fez  através do aumento da intensidade e da complexidade do trabalho”, isso não significa, obrigatoriamente, redução da jornada, uma vez que, desde 1932 (tempo de um fascismo Getulista&#8230;) a jornada diária, ao menos no Brasil, continua sendo de 8 horas. E mesmo nas reduções de jornadas em outros países, a jornada de trabalho reduziu-se numa proporção muitíssimo menor do que o aumento da intensidade e da complexidade do trabalho e, principalmente, do aumento da produção. </p>
<p>Aproveitando o ensejo, solicito, se possível, indicações de leitura sobre o material que você escreveu sobre Getúlio Vargas.</p>
<p>Agradeço imensamente sua atenção e a oportunidade de dialogar e aprender.</p>
<p>Abraços fraternais,</p>
<p>Beto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/01/50861/#comment-246895</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Aug 2014 08:06:33 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=50861#comment-246895</guid>

					<description><![CDATA[Caro Beto,
Antigamente, antes da generalização das máquinas de calcular, as contas faziam-se à mão. E há menos tempo ainda era necessário gastar dias em bibliotecas para encontrar dados estatísticos. Hoje as contas fazem-se num ápice e as estatísticas encontram-se facilmente na internet. Por isso lhe sugiro o seguinte:
- Procure as estatísticas referentes à fome no mundo e às carências alimentares e observe a sua evolução nas últimas décadas. Verá então que um modo de produção que requer o aumento da produtividade da força de trabalho e a expansão do mercado não pressupõe a fome como elemento estrutural. Pelo contrário, a fome foi um elemento estrutural dos modos de produção pré-capitalistas.
- Procure as estatísticas referentes à percentagem da produção agrícola mundial destinada à alimentação dos animais e referentes à percentagem da população que come animais. E reflicta que a domesticação de animais — destinados, entre outros fins, para alimento — e a agricultura fizeram parte de um conjunto único, a que Virgil Gordon Childe chamou &lt;em&gt;revolução neolítica&lt;/em&gt;. O capitalismo situa-se numa linhagem histórica.
- Procure as estatísticas sobre a esperança média de vida no capitalismo, comparada com os modos de produção anteriores, e sobre a evolução da esperança média de vida nas últimas décadas. Verifique também quais eram, nos modos de produção pré-capitalistas, as doenças provocadas pela fome nas classes populares e as doenças provocadas pela abundância nas classes dominantes, e veja se existiam remédios para essas doenças.
- Consulte as estatísticas sobre a evolução da jornada de trabalho. Será que o número de horas aumentou? Será que o agravamento da exploração se fez através do aumento dos limites da jornada de trabalho ou através do aumento da intensidade e da complexidade do trabalho? É toda a questão do que na terminologia marxista se denomina &lt;em&gt;trabalho simples&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;trabalho complexo&lt;/em&gt;.
Finalmente, &lt;em&gt;agrotóxico&lt;/em&gt; é um perfeito exemplo de conceito demagógico, começando por pressupor exactamente aquilo que deveria demonstrar. Para ser mais rápido, peço-lhe que leia &lt;a href=&quot;http://passapalavra.info/2013/09/83203&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;este artigo&lt;/a&gt;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Beto,<br />
Antigamente, antes da generalização das máquinas de calcular, as contas faziam-se à mão. E há menos tempo ainda era necessário gastar dias em bibliotecas para encontrar dados estatísticos. Hoje as contas fazem-se num ápice e as estatísticas encontram-se facilmente na internet. Por isso lhe sugiro o seguinte:<br />
&#8211; Procure as estatísticas referentes à fome no mundo e às carências alimentares e observe a sua evolução nas últimas décadas. Verá então que um modo de produção que requer o aumento da produtividade da força de trabalho e a expansão do mercado não pressupõe a fome como elemento estrutural. Pelo contrário, a fome foi um elemento estrutural dos modos de produção pré-capitalistas.<br />
&#8211; Procure as estatísticas referentes à percentagem da produção agrícola mundial destinada à alimentação dos animais e referentes à percentagem da população que come animais. E reflicta que a domesticação de animais — destinados, entre outros fins, para alimento — e a agricultura fizeram parte de um conjunto único, a que Virgil Gordon Childe chamou <em>revolução neolítica</em>. O capitalismo situa-se numa linhagem histórica.<br />
&#8211; Procure as estatísticas sobre a esperança média de vida no capitalismo, comparada com os modos de produção anteriores, e sobre a evolução da esperança média de vida nas últimas décadas. Verifique também quais eram, nos modos de produção pré-capitalistas, as doenças provocadas pela fome nas classes populares e as doenças provocadas pela abundância nas classes dominantes, e veja se existiam remédios para essas doenças.<br />
&#8211; Consulte as estatísticas sobre a evolução da jornada de trabalho. Será que o número de horas aumentou? Será que o agravamento da exploração se fez através do aumento dos limites da jornada de trabalho ou através do aumento da intensidade e da complexidade do trabalho? É toda a questão do que na terminologia marxista se denomina <em>trabalho simples</em> e <em>trabalho complexo</em>.<br />
Finalmente, <em>agrotóxico</em> é um perfeito exemplo de conceito demagógico, começando por pressupor exactamente aquilo que deveria demonstrar. Para ser mais rápido, peço-lhe que leia <a href="http://passapalavra.info/2013/09/83203" rel="nofollow">este artigo</a>.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Beto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/01/50861/#comment-246537</link>

		<dc:creator><![CDATA[Beto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Aug 2014 19:11:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=50861#comment-246537</guid>

					<description><![CDATA[Continuando (enviei sem querer antes de terminar a postagem)

Há também que se lembrar que a contestação dos trabalhadores, num mundo de empregos cada vez mais precarizados (creio que para o trabalhador a precarização das relações trabalhistas e do trabalho em si são quase tão nocivas quanto o desemprego) e tutelado ou orientado, muitas vezes, por um sindicalismo cada vez mais capitalista (não é à toa que hoje em dia os sindicatos são hoje os maiores vendedores de planos de saúde) e cooptado, também será dificicultada ou inexistente.  

Enfim, se o capitalismo da abundância tem o condão de liberar o ser humano das necessidades impostas pela natureza, essa mesma abundância impõe a necessidade cada vez maior de trabalho, ou, pelo menos,  de uma jornada de trabalho cada vez maior, seja ela formal (dentro da empresa) ou informal (tempo despendido para a capacitação à jornada formal de trabalho), ou ambas concomitantemente, o que significa, sempre, oportunidade de ampliação da reprodução e acumulação de capital e, portanto, um distanciamento cada vez maior da possibilidade de emancipação da classe trabalhadora.

Obrigado pela atenção,

Abraços fraternais,

Beto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando (enviei sem querer antes de terminar a postagem)</p>
<p>Há também que se lembrar que a contestação dos trabalhadores, num mundo de empregos cada vez mais precarizados (creio que para o trabalhador a precarização das relações trabalhistas e do trabalho em si são quase tão nocivas quanto o desemprego) e tutelado ou orientado, muitas vezes, por um sindicalismo cada vez mais capitalista (não é à toa que hoje em dia os sindicatos são hoje os maiores vendedores de planos de saúde) e cooptado, também será dificicultada ou inexistente.  </p>
<p>Enfim, se o capitalismo da abundância tem o condão de liberar o ser humano das necessidades impostas pela natureza, essa mesma abundância impõe a necessidade cada vez maior de trabalho, ou, pelo menos,  de uma jornada de trabalho cada vez maior, seja ela formal (dentro da empresa) ou informal (tempo despendido para a capacitação à jornada formal de trabalho), ou ambas concomitantemente, o que significa, sempre, oportunidade de ampliação da reprodução e acumulação de capital e, portanto, um distanciamento cada vez maior da possibilidade de emancipação da classe trabalhadora.</p>
<p>Obrigado pela atenção,</p>
<p>Abraços fraternais,</p>
<p>Beto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
