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	Comentários sobre: Estado e movimentos sociais	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Júlio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/52448/#comment-56360</link>

		<dc:creator><![CDATA[Júlio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Feb 2012 18:58:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Alberto, em relação a este antigo e sabido embate entre DN do MST e direção de SP, você acha que existem divergências políticas de fundo ou meramente pragmáticas? 

Um abraço,
Júlio]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alberto, em relação a este antigo e sabido embate entre DN do MST e direção de SP, você acha que existem divergências políticas de fundo ou meramente pragmáticas? </p>
<p>Um abraço,<br />
Júlio</p>
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		<title>
		Por: Maria Amélia		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/52448/#comment-55382</link>

		<dc:creator><![CDATA[Maria Amélia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Feb 2012 19:12:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Felipe,

Esta é a primeira vez que vejo uma crítica ao MST que não seja de direita e fiquei bastante contente em tê-la conhecido porque tinha uma imagem completamente ausente de qualquer crítica ao MST. Não sendo do movimento, não tinha o menor conhecimento sobre processos de burocratização e controle dos dirigentes que vêm ocorrendo. Acho importante ter adquirido tais informações e mais importante ainda que a crítica tenha sido feita por pessoas que possuem experiência de luta, se situam no campo anticapitalista. Aposto que você não está averiguando se todas as dissertações sobre o MST fazem críticas deste porte. E se não se incomoda que acadêmicos realizem suas análises penso que também não deveria se incomodar com leituras feitas por gente ligada às lutas sociais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Felipe,</p>
<p>Esta é a primeira vez que vejo uma crítica ao MST que não seja de direita e fiquei bastante contente em tê-la conhecido porque tinha uma imagem completamente ausente de qualquer crítica ao MST. Não sendo do movimento, não tinha o menor conhecimento sobre processos de burocratização e controle dos dirigentes que vêm ocorrendo. Acho importante ter adquirido tais informações e mais importante ainda que a crítica tenha sido feita por pessoas que possuem experiência de luta, se situam no campo anticapitalista. Aposto que você não está averiguando se todas as dissertações sobre o MST fazem críticas deste porte. E se não se incomoda que acadêmicos realizem suas análises penso que também não deveria se incomodar com leituras feitas por gente ligada às lutas sociais.</p>
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		<title>
		Por: Antonio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/52448/#comment-55381</link>

		<dc:creator><![CDATA[Antonio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Feb 2012 18:54:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Maria, se o partido do militante for o PT e se ele for de esquerda, deve mesmo desfiliar de seu partido. Os militantes que não são do PT mas que ficam em sua órbita e sempre votam nele, também devem rever sua posição. Os que possuem atuação autônoma, que são da esquerda revolucionária, devem continuar a lutar por uma sociedade socialista longe dos partidos da ordem.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Maria, se o partido do militante for o PT e se ele for de esquerda, deve mesmo desfiliar de seu partido. Os militantes que não são do PT mas que ficam em sua órbita e sempre votam nele, também devem rever sua posição. Os que possuem atuação autônoma, que são da esquerda revolucionária, devem continuar a lutar por uma sociedade socialista longe dos partidos da ordem.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Rafael V.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/52448/#comment-55209</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rafael V.]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 17:10:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oi Maria, parece que você não leu o texto não? E parece também que você não conhece as pessoas que compõem e comentam neste site. Há muitos militantes presentes aqui. Eles não precisam se &quot;desfiliar&quot; dos movimentos sociais que estão inseridos, por que as críticas aqui realizadas originam-se da própria experiência desses militantes com os movimentos. O que me garante que você também não é uma militante de blogsfera? Seu tom ressentido?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi Maria, parece que você não leu o texto não? E parece também que você não conhece as pessoas que compõem e comentam neste site. Há muitos militantes presentes aqui. Eles não precisam se &#8220;desfiliar&#8221; dos movimentos sociais que estão inseridos, por que as críticas aqui realizadas originam-se da própria experiência desses militantes com os movimentos. O que me garante que você também não é uma militante de blogsfera? Seu tom ressentido?</p>
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		<title>
		Por: Maria		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/52448/#comment-55206</link>

		<dc:creator><![CDATA[Maria]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 16:13:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ok, pessoal! Desfiliem-se de seus partidos, afastem-se de suas tarefas nos movimentos sociais, abandonem suas atividades nos sindicatos. Deixem isso para a direita e venham vocês também para a blogosfera expor as frgilidades e contradições da esquerda atraves de fontes escusas em tom leviano e ressentido.... Essa sim é uma ótima saída...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ok, pessoal! Desfiliem-se de seus partidos, afastem-se de suas tarefas nos movimentos sociais, abandonem suas atividades nos sindicatos. Deixem isso para a direita e venham vocês também para a blogosfera expor as frgilidades e contradições da esquerda atraves de fontes escusas em tom leviano e ressentido&#8230;. Essa sim é uma ótima saída&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: M. Teix.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/52448/#comment-55192</link>

		<dc:creator><![CDATA[M. Teix.]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 13:03:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não poderia deixar de contribuir neste debate fecundo e instigador. Coloco aqui: http://www.ainfos.ca/00/jun/ainfos00206.html um relato da experiência de um coletivo de trabalhadores urbanos e rurais que atuava, ainda que de modo incipiente, no esforço de quebrar as fronteiras corporativas da cultura militante baseada no dualismo urbano-rural. Dai se pode inferir que a crescente adequação do MST à sociedade do espetáculo possui raízes bem mais profundas e não se origina há pouco tempo, como é comum se pensar. Que todos tirem suas próprias conclusões. Para dirrimir desde já qualquer curiosidade quanto a tal coletivo, basta dizer que nasce da união em fins dos anos 80 de ex-militantes do extinto PLP - Partido da Libertação Proletária (fração UOC - Unidade Operária Camponesa e MLC - Movimento Liga Camponesa) com &quot;bases&quot; da Teologia da Libertação, muitos dos quais, posteriormente, se integraram aos esforços da AGP - Ação Global dos Povos, buscando romper com toda tradição partidária e vanguardista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não poderia deixar de contribuir neste debate fecundo e instigador. Coloco aqui: <a href="http://www.ainfos.ca/00/jun/ainfos00206.html" rel="nofollow ugc">http://www.ainfos.ca/00/jun/ainfos00206.html</a> um relato da experiência de um coletivo de trabalhadores urbanos e rurais que atuava, ainda que de modo incipiente, no esforço de quebrar as fronteiras corporativas da cultura militante baseada no dualismo urbano-rural. Dai se pode inferir que a crescente adequação do MST à sociedade do espetáculo possui raízes bem mais profundas e não se origina há pouco tempo, como é comum se pensar. Que todos tirem suas próprias conclusões. Para dirrimir desde já qualquer curiosidade quanto a tal coletivo, basta dizer que nasce da união em fins dos anos 80 de ex-militantes do extinto PLP &#8211; Partido da Libertação Proletária (fração UOC &#8211; Unidade Operária Camponesa e MLC &#8211; Movimento Liga Camponesa) com &#8220;bases&#8221; da Teologia da Libertação, muitos dos quais, posteriormente, se integraram aos esforços da AGP &#8211; Ação Global dos Povos, buscando romper com toda tradição partidária e vanguardista.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rafael		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/52448/#comment-55186</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rafael]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 11:48:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No MST, o &quot;centralismo democrático&quot; tem crescido por imposição das direções. Ou seja, cada vez mais estamos assistindo a uma imposição das direções e a exigência de obediência das bases. E as bases estão crescendo no meio estudantil, principalmente através da Consulta, que está servindo de &quot;tropa de choque&quot; das direções.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No MST, o &#8220;centralismo democrático&#8221; tem crescido por imposição das direções. Ou seja, cada vez mais estamos assistindo a uma imposição das direções e a exigência de obediência das bases. E as bases estão crescendo no meio estudantil, principalmente através da Consulta, que está servindo de &#8220;tropa de choque&#8221; das direções.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alberto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/52448/#comment-55149</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alberto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 00:37:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acho que as desestruturações são diferentes em cada estado, em São Paulo existe uma separação entre a direção Estadual e a Nacional (que passa a maior parte do tempo em São Paulo). A separação é tão absurda que durante os processos de luta da comunidade Lírio dos Vales nos diversos atos que ocorreram, com diversos confrontos com a polícia e o corpo de bombeiros (até proibição do padre de rezar a missa teve) nenhum membro da DN esteve presente nos atos, e grande parte deles estava em São Paulo.
Boa parte das pessoas que tocava este trabalho mais dissonante da Direção Nacional está hoje afastada do movimento, porque teve seus espaços tolhidos pela DN.
 Não existe vazio em política e este espaço foi ocupado por pessoas (universitárias) que há pouco tempo tinham entrado no movimento, indo para direção regional, estadual e até para representação internacional.
Evidente que as bases do movimento apresentam diversas alternativas que em muito diferem das políticas das direções, mas o espaço para estas bases me parece cada vez menor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que as desestruturações são diferentes em cada estado, em São Paulo existe uma separação entre a direção Estadual e a Nacional (que passa a maior parte do tempo em São Paulo). A separação é tão absurda que durante os processos de luta da comunidade Lírio dos Vales nos diversos atos que ocorreram, com diversos confrontos com a polícia e o corpo de bombeiros (até proibição do padre de rezar a missa teve) nenhum membro da DN esteve presente nos atos, e grande parte deles estava em São Paulo.<br />
Boa parte das pessoas que tocava este trabalho mais dissonante da Direção Nacional está hoje afastada do movimento, porque teve seus espaços tolhidos pela DN.<br />
 Não existe vazio em política e este espaço foi ocupado por pessoas (universitárias) que há pouco tempo tinham entrado no movimento, indo para direção regional, estadual e até para representação internacional.<br />
Evidente que as bases do movimento apresentam diversas alternativas que em muito diferem das políticas das direções, mas o espaço para estas bases me parece cada vez menor.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Daniel C.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/52448/#comment-55143</link>

		<dc:creator><![CDATA[Daniel C.]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Feb 2012 23:36:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Felipe, seria interessante que cada militante, de cada local diferente, contasse um pouco da sua experiência. A generalização tem o seu lado interessante, mas claro que é o relato de cada história específica, de cada acontecimento em particular, que vai nos dar uma visão muito melhor do que se passa. 

Eu sou baiano e em pouco momentos tive a oportunidade de vivenciar algo com o MST daqui, além das marchas. Vi muitos assentamentos abandonados da região do recôncavo e vi outros tantos que foram assentados em regiões inóspitas e secas somente para que os governantes e as elites, até então de direita, se deliciassem com o fracasso da reforma agrária. E por isso não credito somente à direção do Movimento tal situação que se encontra hoje os assentamentos do MST, muito menos ao PT. Havia problemas estruturais, falta de tecnologia para produção, organização do trabalho arcaica, desconhecimento de mercado consumidor e dos canais de distribuição, envelhecimento da força de trabalho, nenhuma estratégia gerencial. Ou seja, os assentamentos não conseguiam se transformar em empresas capitalistas, muito menos caminhavam para projetos de uma outra sociedade. E não era caminho para outra sociedade por inúmeros outros motivos que nem vou começar a citar aqui. O que importa é que esta situação desmotivava a todos: os assentados, principalmente a juventude, e os grupos e instituições que tentavam dar um apoio ao Movimento. Obviamente que, para muitos, ingressar no PT seria um caminho para abandonar aquele caos. Seria, portanto, muita ingenuidade ou oportunismo apontar para um ou dois culpados. Os assentamentos foram feitos para não dar certo e se as direções não sabiam como fazer de outra forma, não era porque tinham má vontade, mas porque, assim como todos nós da esquerda, eram ignorantes no que diz respeito a um futuro comunista. Vamos todos aprender fazendo. 

Mas fui também para o V Congresso do MST, em Brasília, em meados de 2007. Era o primeiro ano do Governo Wagner e Valmir Assunção, até então liderança do MST regional e recém-eleito deputado estadual, o mais votado do PT por sinal, tinha assumido a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza do governo do Estado, aquela mesma que faz o repasse dos recursos e dos projetos do Governo Federal destinados aos mais pobres, inclusive o Bolsa Família e todos os projetos assistenciais. Aqui, 4 milhões de pessoas vivem fora das cidades, de um total de 14 milhões. Não sei se há no país algum estado com mais pessoas morando fora das cidades do que o meu, mas com certeza esse número deve expressar alguma coisa. É aqui também onde o MST é maior. Somando isso a todos os outros índices de pobreza que ostentamos, podemos traçar a função estratégica da tal secretaria que foi dada ao MST, através de um deputado eleito pelo PT, por mais que ela não tivesse grandes recursos. Pois bem, fui neste congresso – que de congresso não tinha nada porque nada se deliberava. Ficávamos todos nas arquibancadas do ginásio se emocionando com as místicas apresentadas na quadra central – e lá pude ver algumas coisas que só vieram a me assustar depois, quando aprendi que fazer a crítica é também uma forma de dar apoio. Porém o que me assustou desde lá, para focar naquilo que você questiona, é que nenhuma outra delegação viajou de forma tão confortável como a nossa. Sim, não sou defensor do socialismo da miséria, nem do capitalismo da miséria, e até mesmo não gosto do capitalismo da abundância. Sim, não defendo que os trabalhadores sem-terra viajem em pau de arara para o resto das vidas. Se estou nessa luta é para que todos nós tenhamos uma vida confortável e tranquila. Mas eu não vi os trabalhadores sem-terra do Rio Grande do Sul, que provavelmente fizeram uma viagem muito mais longa do que a nossa de 24 horas, terem as mesmas benesses. E não foram poucos os assentados, das regiões mais longínquas deste país enorme, que chegaram ao congressos exauridos fisicamente devido às condições precárias da viagem. Por que os sem-terra da Bahia, e aqueles que o apoiavam por aqui, tiveram condições melhores? Será que isso não simboliza nada? E se tinham somando apenas seis meses de governo do PT no estado! O que eu quero dizer é que eu duvido que haja neste país algum lugar em que o MST seja tão apêndice do PT e dos governos do PT quanto é aqui na Bahia. E, repito, aqui é onde o MST é maior. O que me indigna mais, entretanto, é que ninguém denuncia, ninguém fala nada a respeito. Mesmo aqueles que foram isolados por fazerem algum tipo de oposição, continuam calados. Por quê? 

Talvez a Bahia seja um caso isolado, e no resto do país o movimento segue a todo vapor. Podemos levar em consideração a famosa frase de um ex-governador que disse: “Pense num absurdo, na Bahia tem precedente” e deixarmos tudo pra lá, porque é caso isolado, um pequeno desvio de milhões. As lideranças, no resto do país, continuam fazendo trabalho de base e há muita esperança nos assentamentos. O PT respeita os limites entre o Partido e o Movimento e as lutas acontecem mesmo contra os governos de esquerda, quando precisam ser feitas. Por outro lado, os governos de esquerda, eleitos com a ajuda do Movimento, devem estar colaborando com a reforma agrária, com a melhoria da situação de vida dos assentados. Não há mais repressão! Estão ajudando a desviar parte deste crescimento apregoado no país para os que antes eram sem-terra, e ajudando aqueles que ainda estão sem o seu terreno a garantirem logo a frente o que desejam. Ou podemos cair na real e perceber que isso aqui é só o prelúdio do futuro, e se desde já não pararmos com esse fetiche ao Movimento, se não tivermos a coragem para denunciar o que se passa, logo o MST da Bahia estará em todo o país. E aí será fácil fazer a denúncia, as criticas e os balanços. Todos nós poderemos dizer que isso era óbvio, que estava escrito nas estrelas. Eu quero é ver se vai aparecer alguém pra dizer que poderia ter feito isto no percurso, ter ajudado a encontrar um desvio desde agora, mas não fez por pura covardia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Felipe, seria interessante que cada militante, de cada local diferente, contasse um pouco da sua experiência. A generalização tem o seu lado interessante, mas claro que é o relato de cada história específica, de cada acontecimento em particular, que vai nos dar uma visão muito melhor do que se passa. </p>
<p>Eu sou baiano e em pouco momentos tive a oportunidade de vivenciar algo com o MST daqui, além das marchas. Vi muitos assentamentos abandonados da região do recôncavo e vi outros tantos que foram assentados em regiões inóspitas e secas somente para que os governantes e as elites, até então de direita, se deliciassem com o fracasso da reforma agrária. E por isso não credito somente à direção do Movimento tal situação que se encontra hoje os assentamentos do MST, muito menos ao PT. Havia problemas estruturais, falta de tecnologia para produção, organização do trabalho arcaica, desconhecimento de mercado consumidor e dos canais de distribuição, envelhecimento da força de trabalho, nenhuma estratégia gerencial. Ou seja, os assentamentos não conseguiam se transformar em empresas capitalistas, muito menos caminhavam para projetos de uma outra sociedade. E não era caminho para outra sociedade por inúmeros outros motivos que nem vou começar a citar aqui. O que importa é que esta situação desmotivava a todos: os assentados, principalmente a juventude, e os grupos e instituições que tentavam dar um apoio ao Movimento. Obviamente que, para muitos, ingressar no PT seria um caminho para abandonar aquele caos. Seria, portanto, muita ingenuidade ou oportunismo apontar para um ou dois culpados. Os assentamentos foram feitos para não dar certo e se as direções não sabiam como fazer de outra forma, não era porque tinham má vontade, mas porque, assim como todos nós da esquerda, eram ignorantes no que diz respeito a um futuro comunista. Vamos todos aprender fazendo. </p>
<p>Mas fui também para o V Congresso do MST, em Brasília, em meados de 2007. Era o primeiro ano do Governo Wagner e Valmir Assunção, até então liderança do MST regional e recém-eleito deputado estadual, o mais votado do PT por sinal, tinha assumido a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza do governo do Estado, aquela mesma que faz o repasse dos recursos e dos projetos do Governo Federal destinados aos mais pobres, inclusive o Bolsa Família e todos os projetos assistenciais. Aqui, 4 milhões de pessoas vivem fora das cidades, de um total de 14 milhões. Não sei se há no país algum estado com mais pessoas morando fora das cidades do que o meu, mas com certeza esse número deve expressar alguma coisa. É aqui também onde o MST é maior. Somando isso a todos os outros índices de pobreza que ostentamos, podemos traçar a função estratégica da tal secretaria que foi dada ao MST, através de um deputado eleito pelo PT, por mais que ela não tivesse grandes recursos. Pois bem, fui neste congresso – que de congresso não tinha nada porque nada se deliberava. Ficávamos todos nas arquibancadas do ginásio se emocionando com as místicas apresentadas na quadra central – e lá pude ver algumas coisas que só vieram a me assustar depois, quando aprendi que fazer a crítica é também uma forma de dar apoio. Porém o que me assustou desde lá, para focar naquilo que você questiona, é que nenhuma outra delegação viajou de forma tão confortável como a nossa. Sim, não sou defensor do socialismo da miséria, nem do capitalismo da miséria, e até mesmo não gosto do capitalismo da abundância. Sim, não defendo que os trabalhadores sem-terra viajem em pau de arara para o resto das vidas. Se estou nessa luta é para que todos nós tenhamos uma vida confortável e tranquila. Mas eu não vi os trabalhadores sem-terra do Rio Grande do Sul, que provavelmente fizeram uma viagem muito mais longa do que a nossa de 24 horas, terem as mesmas benesses. E não foram poucos os assentados, das regiões mais longínquas deste país enorme, que chegaram ao congressos exauridos fisicamente devido às condições precárias da viagem. Por que os sem-terra da Bahia, e aqueles que o apoiavam por aqui, tiveram condições melhores? Será que isso não simboliza nada? E se tinham somando apenas seis meses de governo do PT no estado! O que eu quero dizer é que eu duvido que haja neste país algum lugar em que o MST seja tão apêndice do PT e dos governos do PT quanto é aqui na Bahia. E, repito, aqui é onde o MST é maior. O que me indigna mais, entretanto, é que ninguém denuncia, ninguém fala nada a respeito. Mesmo aqueles que foram isolados por fazerem algum tipo de oposição, continuam calados. Por quê? </p>
<p>Talvez a Bahia seja um caso isolado, e no resto do país o movimento segue a todo vapor. Podemos levar em consideração a famosa frase de um ex-governador que disse: “Pense num absurdo, na Bahia tem precedente” e deixarmos tudo pra lá, porque é caso isolado, um pequeno desvio de milhões. As lideranças, no resto do país, continuam fazendo trabalho de base e há muita esperança nos assentamentos. O PT respeita os limites entre o Partido e o Movimento e as lutas acontecem mesmo contra os governos de esquerda, quando precisam ser feitas. Por outro lado, os governos de esquerda, eleitos com a ajuda do Movimento, devem estar colaborando com a reforma agrária, com a melhoria da situação de vida dos assentados. Não há mais repressão! Estão ajudando a desviar parte deste crescimento apregoado no país para os que antes eram sem-terra, e ajudando aqueles que ainda estão sem o seu terreno a garantirem logo a frente o que desejam. Ou podemos cair na real e perceber que isso aqui é só o prelúdio do futuro, e se desde já não pararmos com esse fetiche ao Movimento, se não tivermos a coragem para denunciar o que se passa, logo o MST da Bahia estará em todo o país. E aí será fácil fazer a denúncia, as criticas e os balanços. Todos nós poderemos dizer que isso era óbvio, que estava escrito nas estrelas. Eu quero é ver se vai aparecer alguém pra dizer que poderia ter feito isto no percurso, ter ajudado a encontrar um desvio desde agora, mas não fez por pura covardia.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Felipe C.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/52448/#comment-55133</link>

		<dc:creator><![CDATA[Felipe C.]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Feb 2012 21:07:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caros companheiros do Passa Palavra, envio abaixo alguns comentários sobre o texto de vocês.

- Primeiramente, em linhas gerais, quero dizer que o artigo está muito bom e contém elementos que evidenciam a relação entre Estado e movimentos sociais que, para os setores mobilizados do Brasil, é o maior problema a ser solucionado. Não se deve esquecer, entretanto, que o maior problema, em termos quantitativos, refere-se aos setores desorganizados.

- Dois aspectos em relação às proposições teóricas utilizadas. Primeiro, achei bastante interessante a utilização do conceito de dominação para a crítica que vocês fazem. Acredito que isso é já um mérito, por sair da lógica economicista de grande parte da esquerda, que tem por eixo central a exploração. É evidente que esse tipo de relação do PT com os movimentos sociais constitui um tipo, um mecanismo de dominação, que está para além da exploração (de acordo com o conceito clássico, relativo à mais-valia da relação proprietário-trabalhador). Segundo, sobre uma questão bastante complexa do poder. Concordo com os aspectos levantados que trazem à tona a questão da legitimidade. Apesar de muitos teóricos do poder falarem isso há anos, parece que a esquerda militante não atentou para o fato. Dizem esses teóricos que um sistema de dominação perdura no tempo muito mais pela capacidade que possui de criar legitimidade desse poder do que pelo simples uso da força. E, a meu ver, é isso que vem fazendo do PT o ator hegemônico desse atual sistema de dominação que foi instituído no Brasil, com sua respectiva estrutura de classes. O projeto de poder do PT no Brasil evidencia a relevância da esfera cultural/ideológica no processo de dominação, em que os dominados acreditam que aquilo que lhes está sendo imposto pelos dominadores é justo, correto. É nisso, a meu ver, que se apoia toda a estratégia de poder do PT, ainda que às vezes seja necessário recorrer à força pura e simples.

- Outra questão importante que creio que esse artigo tende a aprofundar é algo que temos tentado discutir nos movimentos sociais. De que o governo do PT constitui um inimigo diferente dos outros. Ainda que se deva ressaltar, como colocado pelo companheiro Rafael - que o Estado não é um espaço em disputa, mas o instrumento político por essência das classes dominantes servindo, exclusivamente, para a dominação - deve-se notar que cada governo constitui um inimigo de classe distinto. E isso os movimentos sociais ainda não entenderam. Vejamos pelo exemplo do MST; o PT, com seu discurso sedutor acaba atraindo as bases (petistas em sua maioria) e, em termos de resultado, esse governo não oferece nada de diferente dos anteriores. Ver para isso aquela matéria que foi capa da Carta Capital, que demonstrava com números a falta de qualquer evolução significativa nos índices de reforma agrária desde o governo militar. Trata-se, portanto, de buscar compreender as formas de atuação do governo do PT (pois eu acho que isso ainda não está compreendido para a maioria da esquerda combativa) para enfrentá-lo da melhor maneira. Creio que compreender o fenômeno do lulismo e do que tem sido a relação do PT nos processos de dominação é tarefa de primeira ordem para os movimentos sociais. O governo do PT é um inimigo de classe novo e distinto dos outros, e deve ser melhor conhecido para poder ser combatido de maneira adequada.

- Em relação ao MST, não sei se o caso de São Paulo está muito fora da curva, mas não vejo por aqui grande parte do que se coloca nas relações com o PT por parte do movimento em outros estados (Bahia especialmente). Minha dúvida é se as posições colocadas pelo Passa Palavra poderiam ser generalizadas à maioria do Brasil. Deve-se lembrar que não se pode fazer uma leitura dos movimentos de cima para baixo, considerando as posições de suas direções como se fossem posições de todo o movimento. Em várias oportunidades tenho visto nas bases posições bastante distintas daquilo que o movimento realiza em nível nacional ou do que aquilo que pregam suas direções. 

- Um último ponto, de sugestão ao Passa Palavra, é que invista mais em reflexões que possam contribuir com os caminhos a seguir. Pois, não sei se são os textos que leio, mas sinto uma ênfase muito forte na crítica que, se não vem atrelada a propostas construtivas, não agregam muito... Criticar, em certa medida, é muito mais simples que propor. Esse é um incômodo que, além de mim, alguns companheiros também vêm demonstrando, fruto de certa insatisfação em relação às publicações que visam somente as críticas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros companheiros do Passa Palavra, envio abaixo alguns comentários sobre o texto de vocês.</p>
<p>&#8211; Primeiramente, em linhas gerais, quero dizer que o artigo está muito bom e contém elementos que evidenciam a relação entre Estado e movimentos sociais que, para os setores mobilizados do Brasil, é o maior problema a ser solucionado. Não se deve esquecer, entretanto, que o maior problema, em termos quantitativos, refere-se aos setores desorganizados.</p>
<p>&#8211; Dois aspectos em relação às proposições teóricas utilizadas. Primeiro, achei bastante interessante a utilização do conceito de dominação para a crítica que vocês fazem. Acredito que isso é já um mérito, por sair da lógica economicista de grande parte da esquerda, que tem por eixo central a exploração. É evidente que esse tipo de relação do PT com os movimentos sociais constitui um tipo, um mecanismo de dominação, que está para além da exploração (de acordo com o conceito clássico, relativo à mais-valia da relação proprietário-trabalhador). Segundo, sobre uma questão bastante complexa do poder. Concordo com os aspectos levantados que trazem à tona a questão da legitimidade. Apesar de muitos teóricos do poder falarem isso há anos, parece que a esquerda militante não atentou para o fato. Dizem esses teóricos que um sistema de dominação perdura no tempo muito mais pela capacidade que possui de criar legitimidade desse poder do que pelo simples uso da força. E, a meu ver, é isso que vem fazendo do PT o ator hegemônico desse atual sistema de dominação que foi instituído no Brasil, com sua respectiva estrutura de classes. O projeto de poder do PT no Brasil evidencia a relevância da esfera cultural/ideológica no processo de dominação, em que os dominados acreditam que aquilo que lhes está sendo imposto pelos dominadores é justo, correto. É nisso, a meu ver, que se apoia toda a estratégia de poder do PT, ainda que às vezes seja necessário recorrer à força pura e simples.</p>
<p>&#8211; Outra questão importante que creio que esse artigo tende a aprofundar é algo que temos tentado discutir nos movimentos sociais. De que o governo do PT constitui um inimigo diferente dos outros. Ainda que se deva ressaltar, como colocado pelo companheiro Rafael &#8211; que o Estado não é um espaço em disputa, mas o instrumento político por essência das classes dominantes servindo, exclusivamente, para a dominação &#8211; deve-se notar que cada governo constitui um inimigo de classe distinto. E isso os movimentos sociais ainda não entenderam. Vejamos pelo exemplo do MST; o PT, com seu discurso sedutor acaba atraindo as bases (petistas em sua maioria) e, em termos de resultado, esse governo não oferece nada de diferente dos anteriores. Ver para isso aquela matéria que foi capa da Carta Capital, que demonstrava com números a falta de qualquer evolução significativa nos índices de reforma agrária desde o governo militar. Trata-se, portanto, de buscar compreender as formas de atuação do governo do PT (pois eu acho que isso ainda não está compreendido para a maioria da esquerda combativa) para enfrentá-lo da melhor maneira. Creio que compreender o fenômeno do lulismo e do que tem sido a relação do PT nos processos de dominação é tarefa de primeira ordem para os movimentos sociais. O governo do PT é um inimigo de classe novo e distinto dos outros, e deve ser melhor conhecido para poder ser combatido de maneira adequada.</p>
<p>&#8211; Em relação ao MST, não sei se o caso de São Paulo está muito fora da curva, mas não vejo por aqui grande parte do que se coloca nas relações com o PT por parte do movimento em outros estados (Bahia especialmente). Minha dúvida é se as posições colocadas pelo Passa Palavra poderiam ser generalizadas à maioria do Brasil. Deve-se lembrar que não se pode fazer uma leitura dos movimentos de cima para baixo, considerando as posições de suas direções como se fossem posições de todo o movimento. Em várias oportunidades tenho visto nas bases posições bastante distintas daquilo que o movimento realiza em nível nacional ou do que aquilo que pregam suas direções. </p>
<p>&#8211; Um último ponto, de sugestão ao Passa Palavra, é que invista mais em reflexões que possam contribuir com os caminhos a seguir. Pois, não sei se são os textos que leio, mas sinto uma ênfase muito forte na crítica que, se não vem atrelada a propostas construtivas, não agregam muito&#8230; Criticar, em certa medida, é muito mais simples que propor. Esse é um incômodo que, além de mim, alguns companheiros também vêm demonstrando, fruto de certa insatisfação em relação às publicações que visam somente as críticas.</p>
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