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	Comentários sobre: Intelectuais orgânicos?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/53056/#comment-954676</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jun 2024 19:21:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[espetáculo mercantil ou dinheiro como linguagem : epílogo de uma longa marcha, da crítica da economia política para a apologia da crematistica despotica]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>espetáculo mercantil ou dinheiro como linguagem : epílogo de uma longa marcha, da crítica da economia política para a apologia da crematistica despotica</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/53056/#comment-954393</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jun 2024 18:18:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Francisco Gonzaga,

Émile Benveniste interessou-me muito não só pelas suas perspectivas de abordagem da linguística, mas ainda por ser um linguista que escrevia para historiadores, aplicando os métodos próprios da linguística na resolução de problemas historiográficos, nomeadamente em &lt;em&gt;Le Vocabulaire des institutions indo-européennes&lt;/em&gt;. Do mesmo modo, e pelos mesmos motivos, sou influenciado por Jean Pierre Faye, especialmente o seu &lt;em&gt;Langages totalitaires&lt;/em&gt;, que considero como uma das quatro melhores obras de História que alguma vez foram escritas.

Da linguística passa-se facilmente a Althusser, e sem dúvida a influência que o seu pensamento exerceu sobre mim foi, e continua a ser, grande, nomeadamente no aspecto que você refere, a noção de que um autor escreve uma obra para silenciar o núcleo interno contraditório dessa obra. Assim, a função da crítica — da crítica aos outros ou a si mesmo — será desvendar esse ponto vazio. Toda a arquitectura do &lt;em&gt;Marx Crítico de Marx&lt;/em&gt; decorre desta concepção, tal como foi ela que presidiu a &lt;em&gt;A Sociedade Burguesa de Um e Outro Lado do Espelho&lt;/em&gt;. A noção de ponto-vazio e dos silêncios que o encobrem está também subjacente ao &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt;, por vezes até de maneira flagrante, especialmente no capítulo sobre a tripla guerra civil em Espanha, onde procuro elucidar os motivos de uma ausência. E eu, que evito reler-me a mim próprio, tive de o fazer no recente ensaio &lt;em&gt;Sobre o dinheiro&lt;/em&gt;, para detectar como ao longo de anos procurara iludir um problema e, assim, atribuir agora a esse problema o lugar central.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Francisco Gonzaga,</p>
<p>Émile Benveniste interessou-me muito não só pelas suas perspectivas de abordagem da linguística, mas ainda por ser um linguista que escrevia para historiadores, aplicando os métodos próprios da linguística na resolução de problemas historiográficos, nomeadamente em <em>Le Vocabulaire des institutions indo-européennes</em>. Do mesmo modo, e pelos mesmos motivos, sou influenciado por Jean Pierre Faye, especialmente o seu <em>Langages totalitaires</em>, que considero como uma das quatro melhores obras de História que alguma vez foram escritas.</p>
<p>Da linguística passa-se facilmente a Althusser, e sem dúvida a influência que o seu pensamento exerceu sobre mim foi, e continua a ser, grande, nomeadamente no aspecto que você refere, a noção de que um autor escreve uma obra para silenciar o núcleo interno contraditório dessa obra. Assim, a função da crítica — da crítica aos outros ou a si mesmo — será desvendar esse ponto vazio. Toda a arquitectura do <em>Marx Crítico de Marx</em> decorre desta concepção, tal como foi ela que presidiu a <em>A Sociedade Burguesa de Um e Outro Lado do Espelho</em>. A noção de ponto-vazio e dos silêncios que o encobrem está também subjacente ao <em>Labirintos do Fascismo</em>, por vezes até de maneira flagrante, especialmente no capítulo sobre a tripla guerra civil em Espanha, onde procuro elucidar os motivos de uma ausência. E eu, que evito reler-me a mim próprio, tive de o fazer no recente ensaio <em>Sobre o dinheiro</em>, para detectar como ao longo de anos procurara iludir um problema e, assim, atribuir agora a esse problema o lugar central.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Francisco Gonzaga		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/53056/#comment-954348</link>

		<dc:creator><![CDATA[Francisco Gonzaga]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jun 2024 13:42:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Quando você menciona &quot;estruturalismo de viés linguístico na análise de grandes edifícios ideológicos individuais&quot;, a quais linguistas e teorias você está se referindo? Benveniste e sua Teoria da Enunciação estão entre eles?

Além disso, ao se referir ao &quot;ponto vazio&quot;, você me faz lembrar dos &quot;silêncios&quot; conforme colocados por Althusser, especialmente em Ler o Capital. Pode-se afirmar que certos métodos de Althusser ainda influenciam suas análises atualmente?

Por fim, em sua nova série de artigos Sobre o Dinheiro, percebi que você revisita suas obras anteriores, especialmente a partir dos &quot;silêncios&quot; sobre o tema. Portanto, reiterando a pergunta anterior, a análise desses silêncios foi influenciada por Althusser?

Saudações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Quando você menciona &#8220;estruturalismo de viés linguístico na análise de grandes edifícios ideológicos individuais&#8221;, a quais linguistas e teorias você está se referindo? Benveniste e sua Teoria da Enunciação estão entre eles?</p>
<p>Além disso, ao se referir ao &#8220;ponto vazio&#8221;, você me faz lembrar dos &#8220;silêncios&#8221; conforme colocados por Althusser, especialmente em Ler o Capital. Pode-se afirmar que certos métodos de Althusser ainda influenciam suas análises atualmente?</p>
<p>Por fim, em sua nova série de artigos Sobre o Dinheiro, percebi que você revisita suas obras anteriores, especialmente a partir dos &#8220;silêncios&#8221; sobre o tema. Portanto, reiterando a pergunta anterior, a análise desses silêncios foi influenciada por Althusser?</p>
<p>Saudações.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: É cada uma..		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/53056/#comment-751965</link>

		<dc:creator><![CDATA[É cada uma..]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 19:03:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E esse prédio aqui, amigão?

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Palace_II
Caiu por que não tinha engenheiro?

E esse outro aqui?
https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2020/01/30/dois-engenheiros-e-um-pedreiro-sao-indiciados-pelo-desabamento-do-edificio-andrea-em-fortaleza.ghtml

Faz assim: denuncia o JB ao CREA, colega.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E esse prédio aqui, amigão?</p>
<p><a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Palace_II" rel="nofollow ugc">https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Palace_II</a><br />
Caiu por que não tinha engenheiro?</p>
<p>E esse outro aqui?<br />
<a href="https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2020/01/30/dois-engenheiros-e-um-pedreiro-sao-indiciados-pelo-desabamento-do-edificio-andrea-em-fortaleza.ghtml" rel="nofollow ugc">https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2020/01/30/dois-engenheiros-e-um-pedreiro-sao-indiciados-pelo-desabamento-do-edificio-andrea-em-fortaleza.ghtml</a></p>
<p>Faz assim: denuncia o JB ao CREA, colega.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Respondendo uma questão lateral		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/53056/#comment-751884</link>

		<dc:creator><![CDATA[Respondendo uma questão lateral]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 15:07:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=53056#comment-751884</guid>

					<description><![CDATA[Pedro,
Informe-se. O prédio foi uma construção familiar, não de milícias, e o próprio dono disse que não contratou arquiteto ou engenheiro. Aliás, a falta do recurso a profissionais técnicos e padrões de qualidade é uma característica das obras realizadas pelos milicianos, como na tragédia da Muzema há alguns anos. O intuito do meu comentário foi ressaltar a importância desses profissionais nas construções, algo que a meu ver foi ignorado na questão levantada pelo João Bernardo, que também demonstrou desconhecer o que diz a legislação brasileira sobre os protocolos a serem seguidos na construção civil.
É um problema social que a grande maioria das construções no país sejam realizadas sem os protocolos técnicos adequados, e tragédias assim tendem continuar ocorrendo enquanto perdurar esse cenário.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pedro,<br />
Informe-se. O prédio foi uma construção familiar, não de milícias, e o próprio dono disse que não contratou arquiteto ou engenheiro. Aliás, a falta do recurso a profissionais técnicos e padrões de qualidade é uma característica das obras realizadas pelos milicianos, como na tragédia da Muzema há alguns anos. O intuito do meu comentário foi ressaltar a importância desses profissionais nas construções, algo que a meu ver foi ignorado na questão levantada pelo João Bernardo, que também demonstrou desconhecer o que diz a legislação brasileira sobre os protocolos a serem seguidos na construção civil.<br />
É um problema social que a grande maioria das construções no país sejam realizadas sem os protocolos técnicos adequados, e tragédias assim tendem continuar ocorrendo enquanto perdurar esse cenário.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: um adendo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/53056/#comment-751855</link>

		<dc:creator><![CDATA[um adendo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 13:43:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Além de erguê-los, de mantê-los em pé, outro desafio se coloca: como retomar o controle desses espaços, não perante o Estado, mas perante às milícias que as controlam? Eduardo Paes afirmou ontem que [https://www.mixvale.com.br/2021/06/03/milicia-nao-constroi-mais-porcaria-nenhuma-no-rio-diz-paes-apos-predio-desabar/]: &quot;Comigo, milícia não vai construir mais porcaria nenhuma nessa cidade. Estamos demolindo permanentemente, e a gente tem o desafio de cuidar do passivo&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Além de erguê-los, de mantê-los em pé, outro desafio se coloca: como retomar o controle desses espaços, não perante o Estado, mas perante às milícias que as controlam? Eduardo Paes afirmou ontem que [https://www.mixvale.com.br/2021/06/03/milicia-nao-constroi-mais-porcaria-nenhuma-no-rio-diz-paes-apos-predio-desabar/]: &#8220;Comigo, milícia não vai construir mais porcaria nenhuma nessa cidade. Estamos demolindo permanentemente, e a gente tem o desafio de cuidar do passivo&#8221;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pedro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/53056/#comment-751854</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pedro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 13:41:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Respondendo uma questão lateral, creio que o comentário do JB se insere no contexto da autogestão nas lutas sociais. Uma coisa são os próprios trabalhadores reunirem seus conhecimentos técnicos em um modelo de autogestão e construírem suas moradias.

Outra coisa muito diferente é o da notícia veiculada por ti: prédios construídos por grupos de milicianos no Rio de Janeiro, comumente envolvidos com extorsão de moradores, roubo de terras, trafico de drogas, etc. Quais as relações de trabalho desenvolvidas nessas obras? Quem garante que não havia um engenheiro orientando informalmente essas construções?

A vontade de atacar e de criticar é bem grande por vezes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Respondendo uma questão lateral, creio que o comentário do JB se insere no contexto da autogestão nas lutas sociais. Uma coisa são os próprios trabalhadores reunirem seus conhecimentos técnicos em um modelo de autogestão e construírem suas moradias.</p>
<p>Outra coisa muito diferente é o da notícia veiculada por ti: prédios construídos por grupos de milicianos no Rio de Janeiro, comumente envolvidos com extorsão de moradores, roubo de terras, trafico de drogas, etc. Quais as relações de trabalho desenvolvidas nessas obras? Quem garante que não havia um engenheiro orientando informalmente essas construções?</p>
<p>A vontade de atacar e de criticar é bem grande por vezes.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Respondendo uma questão lateral		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/53056/#comment-751647</link>

		<dc:creator><![CDATA[Respondendo uma questão lateral]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 02:39:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=53056#comment-751647</guid>

					<description><![CDATA[Hoje, ao ver a notícia sobre o desabamento de um prédio em Rio das Pedras, na cidade do Rio de Janeiro, me lembrei do questionamento de João Bernardo:

“Pense no seguinte. As ocupações de sem-tecto reunem muitos trabalhadores da construção civil, que colocando as suas especialidades em conjunto seriam perfeitamente capazes de erguer casas para as pessoas da ocupação. No entanto, o movimento reivindica subsídios governamentais para pagar casas que hão-de ser construídas sob a direcção de engenheiros e arquitectos. Porquê? Será que isto não corresponde a uma forma de autoridade exercida por pessoas com curso superior sobre outras que não o têm?”

Lendo &lt;a href=&quot;https://extra.globo.com/noticias/rio/predio-que-caiu-em-rio-das-pedras-nao-teve-construtora-engenheiro-ou-arquiteto-diz-testemunha-25046223.html&quot; rel=&quot;nofollow ugc&quot;&gt;uma das matérias&lt;/a&gt; sobre o caso de hoje, fica claro o porquê:

“Um autônomo, que morou no Rio das Pedras e que chegou a trabalhar como pedreiro para o comerciante Genivan Gomes Macedo, contou que o prédio que desabou, na madrugada desta quinta-feira, começou a ser construído há cerca de 15 anos, tendo tido o quarto pavimento finalizado há aproximadamente oito. Em depoimento (…) ele afirmou que nenhuma construtora foi contratada tampouco a obra teve acompanhamento de um engenheiro ou um arquiteto.”

É que não basta erguer prédios ou casas, também é necessário fazer com que permaneçam em pé.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, ao ver a notícia sobre o desabamento de um prédio em Rio das Pedras, na cidade do Rio de Janeiro, me lembrei do questionamento de João Bernardo:</p>
<p>“Pense no seguinte. As ocupações de sem-tecto reunem muitos trabalhadores da construção civil, que colocando as suas especialidades em conjunto seriam perfeitamente capazes de erguer casas para as pessoas da ocupação. No entanto, o movimento reivindica subsídios governamentais para pagar casas que hão-de ser construídas sob a direcção de engenheiros e arquitectos. Porquê? Será que isto não corresponde a uma forma de autoridade exercida por pessoas com curso superior sobre outras que não o têm?”</p>
<p>Lendo <a href="https://extra.globo.com/noticias/rio/predio-que-caiu-em-rio-das-pedras-nao-teve-construtora-engenheiro-ou-arquiteto-diz-testemunha-25046223.html" rel="nofollow ugc">uma das matérias</a> sobre o caso de hoje, fica claro o porquê:</p>
<p>“Um autônomo, que morou no Rio das Pedras e que chegou a trabalhar como pedreiro para o comerciante Genivan Gomes Macedo, contou que o prédio que desabou, na madrugada desta quinta-feira, começou a ser construído há cerca de 15 anos, tendo tido o quarto pavimento finalizado há aproximadamente oito. Em depoimento (…) ele afirmou que nenhuma construtora foi contratada tampouco a obra teve acompanhamento de um engenheiro ou um arquiteto.”</p>
<p>É que não basta erguer prédios ou casas, também é necessário fazer com que permaneçam em pé.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/53056/#comment-713114</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Jan 2021 22:20:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=53056#comment-713114</guid>

					<description><![CDATA[Caro Irado,

Você coloca-me a questão dos «possíveis limites de uma atitude metodológica pragmática» e evoca a divisão, que eu proponho, entre técnicas e sistemas tecnológicos. Aliás, essa divisão sim, é cem por cento estruturalista. Mas dou um exemplo de que eu muito gosto, o do fogo. A domesticação do fogo foi uma das primeiras tecnologias materiais de que as sociedades humanas dispuseram, e ainda no século XIX havia povos que praticamente se reduziam a essa tecnologia. Esses povos dispunham de tecnologias sociais sofisticadas, mas agora estou a referir apenas as materiais. Ora, para estes povos o fogo não era uma técnica, era um sistema tecnológico, porque se encontrava no centro de rituais e devoções e de toda a vida espiritual. Depois o fogo laicizou-se e em seguida banalizou-se. Temos aqui um exemplo flagrante de um sistema tecnológico que foi neutralizado e apropriado como técnica por outros sistemas tecnológicos muito diferentes.

Vejamos agora outra faceta da questão, a do «grau de incoerência epistemológica» e de «antagonismo entre dogmatismo e eclectismo». No período entre as duas revoluções russas, de 1905 e de 1917, Lenin dedicou-se a estudos filosóficos, como é bem sabido, dos quais resultaram, entre outros textos, o &lt;em&gt;Materialismo e Empiriocriticismo&lt;/em&gt;. Um dos objectivos dele era minar a vasta base de apoio de que Bogdanov dispunha entre os bolchevistas, mas para isso podia ter escolhido outras formas de abordagem filosófica, e não aquela que adoptou. Ora, ao criticar a filosofia de Ernst Mach, Lenin criticou também tudo aquilo que considerava as consequências científicas dessa filosofia, e com que resultados? Numa época que vai desde a experiência de Michelson-Morley e dos trabalhos de Poincaré e de Lorentz, que culmina com a inauguração da física quântica na passagem do século, que se amplia definitivamente com os três artigos de Einstein de 1905, para culminar em 1913 com o modelo atómico de Niels Bohr, em suma, durante essa época colossal o revolucionário Lenin ficou inteiramente cego para toda a revolução científica que ocorria em seu redor. Foi o mesmo tipo de cegueira que levou Stalin, mais tarde, a apoiar Lysenko.

Agora, outra faceta ainda. Quando Heisenberg propôs o princípio da incerteza, ele era um jovem de extrema-direita que, enquanto estudante, havia auxiliado os corpos franco na repressão à revolução dos conselhos em Munique. Depois, inseriu-se sem atritos no Terceiro Reich e na esfera ideológica do nacional-socialismo — embora não da Física Ariana — tanto mais que o indeterminismo da física quântica fora apresentado pelos fascistas como uma confirmação do irracionalismo filosófico. Outro grande físico, Pascual Jordan, foi um membro activo das milícias nacional-socialistas e continuou depois da guerra a defender as posições políticas da extrema-direita, o que decerto constituiu o motivo para que não lhe concedessem o Prémio Nobel. Ora, sem a teoria da incerteza nós os dois não estaríamos aqui a debater por intermédio de computadores e da internet.

O grande risco é o de tomar uma filosofia ou uma metodologia como um &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt;, e de pretender deduzir o que é ou não aceitável cientificamente. Uma metodologia, para mim, é uma hipótese de trabalho, e a investigação empírica, laboratorial ou mediante observação e documentos, obrigará a corrigir a metodologia ou a pô-la de lado, num permanente vaivém.

A resposta está longa, termino propondo-lhe uma experiência. Agarre aí num rapaz e numa moça bem de esquerda, materialistas-dialécticos, e pergunte-lhes o que entendem por materialismo. Aposto que a resposta remete para o iluminismo do século XVIII. Dois séculos perdidos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Irado,</p>
<p>Você coloca-me a questão dos «possíveis limites de uma atitude metodológica pragmática» e evoca a divisão, que eu proponho, entre técnicas e sistemas tecnológicos. Aliás, essa divisão sim, é cem por cento estruturalista. Mas dou um exemplo de que eu muito gosto, o do fogo. A domesticação do fogo foi uma das primeiras tecnologias materiais de que as sociedades humanas dispuseram, e ainda no século XIX havia povos que praticamente se reduziam a essa tecnologia. Esses povos dispunham de tecnologias sociais sofisticadas, mas agora estou a referir apenas as materiais. Ora, para estes povos o fogo não era uma técnica, era um sistema tecnológico, porque se encontrava no centro de rituais e devoções e de toda a vida espiritual. Depois o fogo laicizou-se e em seguida banalizou-se. Temos aqui um exemplo flagrante de um sistema tecnológico que foi neutralizado e apropriado como técnica por outros sistemas tecnológicos muito diferentes.</p>
<p>Vejamos agora outra faceta da questão, a do «grau de incoerência epistemológica» e de «antagonismo entre dogmatismo e eclectismo». No período entre as duas revoluções russas, de 1905 e de 1917, Lenin dedicou-se a estudos filosóficos, como é bem sabido, dos quais resultaram, entre outros textos, o <em>Materialismo e Empiriocriticismo</em>. Um dos objectivos dele era minar a vasta base de apoio de que Bogdanov dispunha entre os bolchevistas, mas para isso podia ter escolhido outras formas de abordagem filosófica, e não aquela que adoptou. Ora, ao criticar a filosofia de Ernst Mach, Lenin criticou também tudo aquilo que considerava as consequências científicas dessa filosofia, e com que resultados? Numa época que vai desde a experiência de Michelson-Morley e dos trabalhos de Poincaré e de Lorentz, que culmina com a inauguração da física quântica na passagem do século, que se amplia definitivamente com os três artigos de Einstein de 1905, para culminar em 1913 com o modelo atómico de Niels Bohr, em suma, durante essa época colossal o revolucionário Lenin ficou inteiramente cego para toda a revolução científica que ocorria em seu redor. Foi o mesmo tipo de cegueira que levou Stalin, mais tarde, a apoiar Lysenko.</p>
<p>Agora, outra faceta ainda. Quando Heisenberg propôs o princípio da incerteza, ele era um jovem de extrema-direita que, enquanto estudante, havia auxiliado os corpos franco na repressão à revolução dos conselhos em Munique. Depois, inseriu-se sem atritos no Terceiro Reich e na esfera ideológica do nacional-socialismo — embora não da Física Ariana — tanto mais que o indeterminismo da física quântica fora apresentado pelos fascistas como uma confirmação do irracionalismo filosófico. Outro grande físico, Pascual Jordan, foi um membro activo das milícias nacional-socialistas e continuou depois da guerra a defender as posições políticas da extrema-direita, o que decerto constituiu o motivo para que não lhe concedessem o Prémio Nobel. Ora, sem a teoria da incerteza nós os dois não estaríamos aqui a debater por intermédio de computadores e da internet.</p>
<p>O grande risco é o de tomar uma filosofia ou uma metodologia como um <em>a priori</em>, e de pretender deduzir o que é ou não aceitável cientificamente. Uma metodologia, para mim, é uma hipótese de trabalho, e a investigação empírica, laboratorial ou mediante observação e documentos, obrigará a corrigir a metodologia ou a pô-la de lado, num permanente vaivém.</p>
<p>A resposta está longa, termino propondo-lhe uma experiência. Agarre aí num rapaz e numa moça bem de esquerda, materialistas-dialécticos, e pergunte-lhes o que entendem por materialismo. Aposto que a resposta remete para o iluminismo do século XVIII. Dois séculos perdidos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/02/53056/#comment-712911</link>

		<dc:creator><![CDATA[irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jan 2021 23:59:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=53056#comment-712911</guid>

					<description><![CDATA[Caro JB, seu comentário sanou uma parte das minhas dúvidas, acerca do seu posicionamento geral em relação ao estruturalismo. Mas, se houver algo mais a ser dito sobre a localização dessa questão da dupla função dos intelectuais no estruturalismo, ou como abordas essa questão a partir do estruturalismo, eu agradeço.

No entanto, sua resposta me trouxe outras indagações... concordo com a parcial (ou mesmo total) esterilidade de se seguir um único autor, como nos casos citados, até porque trata-se de uma atitude acadêmica que tenta transformar autores individualizados em correntes políticas, fazendo o caminho inverso ao das lutas. Ainda que um Trotski, por exemplo, tenha gerado uma corrente dita trotskista, isto se deu a partir de processos concretos de luta, envolvendo teoria e prática deste militante-intelectual (independente dos resultados políticos questionáveis...). Na academia tenta se forjar linhas políticas a partir da canonização de intelectuais, muitas vezes, sem relevância real nas lutas sociais ou, pior, ignorando totalmente suas práticas políticas. Enfim, a minha questão é sobre os possíveis limites de uma atitude metodológica pragmática, na medida em que os diferentes métodos têm bases teórico-epistemológicas, e também políticas, muitas vezes antagônicas. Neste sentido, poderíamos comparar uma concepção teórico-metodológica com um martelo, por exemplo? Um martelo apresenta uma &quot;neutralidade&quot; que nos permite fazer dele o que quisermos, dentro de suas possibilidades materiais, mas a junção de diferentes métodos (a depender de quais) não pode nos levar a resultados pouco sólidos científica e politicamente, considerando-se o grau de incoerência epistemológica que apresentem entre si? Quais os limites e possibilidades colocados pelo antagonismo entre dogmatismo e ecletismo? Conheço sua discussão (também estruturalista) sobre a possibilidade de se apropriar de uma técnica tomada isoladamente em diferentes sistemas tecnológicos, estes determinados pelos modos de produção. Mas, os métodos estão mais para as &quot;técnicas&quot; ou mais para os &quot;sistemas tecnológicos&quot;, portanto, não neutros e socialmente determinados?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro JB, seu comentário sanou uma parte das minhas dúvidas, acerca do seu posicionamento geral em relação ao estruturalismo. Mas, se houver algo mais a ser dito sobre a localização dessa questão da dupla função dos intelectuais no estruturalismo, ou como abordas essa questão a partir do estruturalismo, eu agradeço.</p>
<p>No entanto, sua resposta me trouxe outras indagações&#8230; concordo com a parcial (ou mesmo total) esterilidade de se seguir um único autor, como nos casos citados, até porque trata-se de uma atitude acadêmica que tenta transformar autores individualizados em correntes políticas, fazendo o caminho inverso ao das lutas. Ainda que um Trotski, por exemplo, tenha gerado uma corrente dita trotskista, isto se deu a partir de processos concretos de luta, envolvendo teoria e prática deste militante-intelectual (independente dos resultados políticos questionáveis&#8230;). Na academia tenta se forjar linhas políticas a partir da canonização de intelectuais, muitas vezes, sem relevância real nas lutas sociais ou, pior, ignorando totalmente suas práticas políticas. Enfim, a minha questão é sobre os possíveis limites de uma atitude metodológica pragmática, na medida em que os diferentes métodos têm bases teórico-epistemológicas, e também políticas, muitas vezes antagônicas. Neste sentido, poderíamos comparar uma concepção teórico-metodológica com um martelo, por exemplo? Um martelo apresenta uma &#8220;neutralidade&#8221; que nos permite fazer dele o que quisermos, dentro de suas possibilidades materiais, mas a junção de diferentes métodos (a depender de quais) não pode nos levar a resultados pouco sólidos científica e politicamente, considerando-se o grau de incoerência epistemológica que apresentem entre si? Quais os limites e possibilidades colocados pelo antagonismo entre dogmatismo e ecletismo? Conheço sua discussão (também estruturalista) sobre a possibilidade de se apropriar de uma técnica tomada isoladamente em diferentes sistemas tecnológicos, estes determinados pelos modos de produção. Mas, os métodos estão mais para as &#8220;técnicas&#8221; ou mais para os &#8220;sistemas tecnológicos&#8221;, portanto, não neutros e socialmente determinados?</p>
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