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	Comentários sobre: MST e agroecologia: uma mutação decisiva. 2) 1995-2012	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-377630</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Jan 2019 10:10:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Gabriel,

A obtenção de crédito bancário por uma luta ou um movimento social pode dever-se a dois processos, opostos na sua génese, embora eventualmente convirjam nos resultados:
1) Através de pressões decorrentes da luta. É possível observar os vaivéns deste jogo de forças, por exemplo, durante a revolução portuguesa de 1974-1975, quando as empresas ocupadas e autogeridas, tanto industriais como agrícolas, se esforçavam por obter créditos de um sistema bancário que nessa época era controlado por um sindicato dominado pelo Partido Comunista, defensor das nacionalizações e avesso às ocupações com autogestão. Você encontra elementos para a compreensão deste confronto no jornal Combate: https://www.marxists.org/portugues/tematica/jornais/combate/index.htm .Trata-se, porém, de uma situação precária, porque ou o processo revolucionário avança, e então o sistema financeiro muda de características e as suas instituições são reestruturadas, ou recua, e neste caso a dependência relativamente ao crédito constitui um dos mais importantes instrumentos de recuperação e assimilação das lutas pelo capitalismo.
2) Através da integração dos movimentos coordenadores da luta na base política do governo. Deste modo as pressões são imediatamente assimiladas pelo sistema capitalista, tanto no plano político como no económico. Foi o que sucedeu no Brasil em 2003-2016 com o MST e depois com o MTST. No caso do MST, o mais relevante, o elevado grau de integração política pode avaliar-se ao vermos que a empresária agro-pecuária Kátia Abreu foi ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no segundo governo de Dilma Rousseff, enquanto o MST continuava a pertencer à base de apoio desse governo. E o elevado grau de integração económica do MST no capitalismo avalia-se pela sua conversão numa empresa, ou numa constelação de empresas, como o Passa Palavra analisou na série de artigos MST S.A.: http://passapalavra.info/2013/04/97506/ 

Quanto à sua segunda questão, em meu entender a dialéctica luta → recuperação → assimilação nunca apresenta a forma de um círculo vicioso, mas sempre de uma espiral. Uma nova vaga de lutas constitui para os capitalistas um desafio, colocando-lhes novos problemas e obrigando-os a reestruturarem-se. Por sua vez, a recuperação de uma luta e a sua assimilação pelos empresários representa um desafio para os trabalhadores, que têm de responder à nova situação com novos tipos de luta. E assim sucessivamente, enquanto houver capitalismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Gabriel,</p>
<p>A obtenção de crédito bancário por uma luta ou um movimento social pode dever-se a dois processos, opostos na sua génese, embora eventualmente convirjam nos resultados:<br />
1) Através de pressões decorrentes da luta. É possível observar os vaivéns deste jogo de forças, por exemplo, durante a revolução portuguesa de 1974-1975, quando as empresas ocupadas e autogeridas, tanto industriais como agrícolas, se esforçavam por obter créditos de um sistema bancário que nessa época era controlado por um sindicato dominado pelo Partido Comunista, defensor das nacionalizações e avesso às ocupações com autogestão. Você encontra elementos para a compreensão deste confronto no jornal Combate: <a href="https://www.marxists.org/portugues/tematica/jornais/combate/index.htm" rel="nofollow ugc">https://www.marxists.org/portugues/tematica/jornais/combate/index.htm</a> .Trata-se, porém, de uma situação precária, porque ou o processo revolucionário avança, e então o sistema financeiro muda de características e as suas instituições são reestruturadas, ou recua, e neste caso a dependência relativamente ao crédito constitui um dos mais importantes instrumentos de recuperação e assimilação das lutas pelo capitalismo.<br />
2) Através da integração dos movimentos coordenadores da luta na base política do governo. Deste modo as pressões são imediatamente assimiladas pelo sistema capitalista, tanto no plano político como no económico. Foi o que sucedeu no Brasil em 2003-2016 com o MST e depois com o MTST. No caso do MST, o mais relevante, o elevado grau de integração política pode avaliar-se ao vermos que a empresária agro-pecuária Kátia Abreu foi ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no segundo governo de Dilma Rousseff, enquanto o MST continuava a pertencer à base de apoio desse governo. E o elevado grau de integração económica do MST no capitalismo avalia-se pela sua conversão numa empresa, ou numa constelação de empresas, como o Passa Palavra analisou na série de artigos MST S.A.: <a href="http://passapalavra.info/2013/04/97506/" rel="ugc">http://passapalavra.info/2013/04/97506/</a> </p>
<p>Quanto à sua segunda questão, em meu entender a dialéctica luta → recuperação → assimilação nunca apresenta a forma de um círculo vicioso, mas sempre de uma espiral. Uma nova vaga de lutas constitui para os capitalistas um desafio, colocando-lhes novos problemas e obrigando-os a reestruturarem-se. Por sua vez, a recuperação de uma luta e a sua assimilação pelos empresários representa um desafio para os trabalhadores, que têm de responder à nova situação com novos tipos de luta. E assim sucessivamente, enquanto houver capitalismo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-374980</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Dec 2018 12:12:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não há pressa. Agradeço a consideração o João e a vocês pelo recado passado.

Abraços]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não há pressa. Agradeço a consideração o João e a vocês pelo recado passado.</p>
<p>Abraços</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Passa Palavra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-374516</link>

		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Dec 2018 11:27:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-374095&quot;&gt;Gabriel Silva&lt;/a&gt;.

Caro Gabriel,

João Bernardo comunicou ao Passa Palavra que está impossibilitado de responder e assim que puder o fará.

Atenciosamente,
Passa Palavra]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-374095">Gabriel Silva</a>.</p>
<p>Caro Gabriel,</p>
<p>João Bernardo comunicou ao Passa Palavra que está impossibilitado de responder e assim que puder o fará.</p>
<p>Atenciosamente,<br />
Passa Palavra</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-374095</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Dec 2018 16:37:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=54051#comment-374095</guid>

					<description><![CDATA[Caro João

Considerando o que você fala no parágrafo sobre a contradição entre o sucesso e prolongamento das lutas e a necessidade de crédito, junto com os comentários acerca da conversão das vanguardas em instituições repressivas, à esquerda ou direita, você fala em mitigar os problemas causados. 
No que se refere ao crédito, que formas seriam essas de mitigar esse problema? 
Tendo em vista essa relação complexa entre as bases e a vanguarda (tanto nos movimentos rurais como nos urbanos). 
E ainda, a captura e a burocratização dos movimentos, como você bem disse, se da em todos os lugares e à qualquer época. Esse processo significa a redução da massa total de pessoas com a predisposição ideológica a (re)integrar um movimento semelhante. Historicamente falando, vê-se a recuperação da capacidade desses movimentos de agregar novamente número suficiente de adeptos para se articular efetivamente?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João</p>
<p>Considerando o que você fala no parágrafo sobre a contradição entre o sucesso e prolongamento das lutas e a necessidade de crédito, junto com os comentários acerca da conversão das vanguardas em instituições repressivas, à esquerda ou direita, você fala em mitigar os problemas causados.<br />
No que se refere ao crédito, que formas seriam essas de mitigar esse problema?<br />
Tendo em vista essa relação complexa entre as bases e a vanguarda (tanto nos movimentos rurais como nos urbanos).<br />
E ainda, a captura e a burocratização dos movimentos, como você bem disse, se da em todos os lugares e à qualquer época. Esse processo significa a redução da massa total de pessoas com a predisposição ideológica a (re)integrar um movimento semelhante. Historicamente falando, vê-se a recuperação da capacidade desses movimentos de agregar novamente número suficiente de adeptos para se articular efetivamente?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-61142</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Apr 2012 10:51:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=54051#comment-61142</guid>

					<description><![CDATA[Quando me referia a uma &quot;vitória&quot; dos brancos estava a falar num sentido figurado. Ou seja, a razia na classe operária que fez a revolução permitiu precisamente o que falaste no final do teu comentário: «um novo operariado, um novo campesinato e uma nova classe dos gestores». Em suma, apenas quis enfatizar o papel da guerra civil na liquidação das bases que tentaram edificar novas relações sociais de produção, facto que me parece decisivo para se compreender a evolução subsequente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando me referia a uma &#8220;vitória&#8221; dos brancos estava a falar num sentido figurado. Ou seja, a razia na classe operária que fez a revolução permitiu precisamente o que falaste no final do teu comentário: «um novo operariado, um novo campesinato e uma nova classe dos gestores». Em suma, apenas quis enfatizar o papel da guerra civil na liquidação das bases que tentaram edificar novas relações sociais de produção, facto que me parece decisivo para se compreender a evolução subsequente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-61068</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Apr 2012 00:44:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=54051#comment-61068</guid>

					<description><![CDATA[Caro Valente de Aguiar,
Não creio que os brancos tivessem ganho o que quer que seja. Perderam as fortunas e os empregos, dispersaram-se pelo exílio e politicamente deram muito má conta de si. Eu vejo as coisas desta maneira:
O proletariado industrial soviético reconstituiu-se sobre novas bases durante os anos da NEP, até que o regime chegou a uma crise económica que se arriscava a ser fatal se não tivesse uma solução muito rápida. Foi então que o &lt;em&gt;bureau&lt;/em&gt; político staliniano iniciou os planos quinquenais e procedeu a uma industrialização veloz e extensiva. Mas para isso o proletariado existente não era suficiente, tornava-se necessária a utilização maciça de mão-de-obra vinda do campo, e isto só poderia ocorrer se as terras fossem colectivizadas e a agricultura fosse industrializada. Assim, ao mesmo tempo Stalin criou uma nova classe operária, recém-extraída dos campos, e um novo campesinato, formado por camponeses convertidos em operários da agricultura. Ora, Stalin não dispunha do número de tecnocratas necessário para organizar e dirigir este empreendimento, e para isso teve de fazer apelo aos trotskistas. Alguns saíram directamente da cadeia para irem ocupar postos de alta responsabilidade nos ministérios económicos. Foi fundamentalmente por este motivo, e não por causa da repressão, que Trotsky perdeu completamente a sua base de apoio na União Soviética. O velho operariado, aquele que ainda existisse, não tinha nenhuma simpatia por um Trotsky que fora o campeão do autoritarismo político e do centralismo extremo na gestão das empresas. A base política de Trotsky era fundamentalmente composta pela tecnocracia económica, e esta considerou que Stalin estava, embora à sua maneira rude, a realizar na prática o programa trotskista. Por mais que Mandel tivesse querido fugir com o rabo à seringa, a colectivização que o &lt;em&gt;bureau&lt;/em&gt; político staliniano realizou nos campos constituiu a aplicação da tese da «acumulação socialista primitiva» defendida por Preobrazhensky. Mas é claro que Stalin, que já de si não era propenso a confiar em ninguém, não tinha a menor confiança na tecnocracia vinda do trotskismo e que à última hora aderira ao seu programa. Por isso, durante o primeiro plano quinquenal Stalin procedeu à formação acelerada de engenheiros extraídos directamente do operariado. Quando teve o número suficiente destes novos tecnocratas deu início aos grandes expurgos, de que os processos de Moscovo constituíram a faceta mais aparatosa. Liquidou assim a antiga tecnocracia trotskista e subtituiu-a por uma nova tecnocracia oriunda do meio operário. Não conheço na história uma operação de engenharia social comparável. Em dez anos estava criado um novo operariado, um novo campesinato e uma nova classe dos gestores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Valente de Aguiar,<br />
Não creio que os brancos tivessem ganho o que quer que seja. Perderam as fortunas e os empregos, dispersaram-se pelo exílio e politicamente deram muito má conta de si. Eu vejo as coisas desta maneira:<br />
O proletariado industrial soviético reconstituiu-se sobre novas bases durante os anos da NEP, até que o regime chegou a uma crise económica que se arriscava a ser fatal se não tivesse uma solução muito rápida. Foi então que o <em>bureau</em> político staliniano iniciou os planos quinquenais e procedeu a uma industrialização veloz e extensiva. Mas para isso o proletariado existente não era suficiente, tornava-se necessária a utilização maciça de mão-de-obra vinda do campo, e isto só poderia ocorrer se as terras fossem colectivizadas e a agricultura fosse industrializada. Assim, ao mesmo tempo Stalin criou uma nova classe operária, recém-extraída dos campos, e um novo campesinato, formado por camponeses convertidos em operários da agricultura. Ora, Stalin não dispunha do número de tecnocratas necessário para organizar e dirigir este empreendimento, e para isso teve de fazer apelo aos trotskistas. Alguns saíram directamente da cadeia para irem ocupar postos de alta responsabilidade nos ministérios económicos. Foi fundamentalmente por este motivo, e não por causa da repressão, que Trotsky perdeu completamente a sua base de apoio na União Soviética. O velho operariado, aquele que ainda existisse, não tinha nenhuma simpatia por um Trotsky que fora o campeão do autoritarismo político e do centralismo extremo na gestão das empresas. A base política de Trotsky era fundamentalmente composta pela tecnocracia económica, e esta considerou que Stalin estava, embora à sua maneira rude, a realizar na prática o programa trotskista. Por mais que Mandel tivesse querido fugir com o rabo à seringa, a colectivização que o <em>bureau</em> político staliniano realizou nos campos constituiu a aplicação da tese da «acumulação socialista primitiva» defendida por Preobrazhensky. Mas é claro que Stalin, que já de si não era propenso a confiar em ninguém, não tinha a menor confiança na tecnocracia vinda do trotskismo e que à última hora aderira ao seu programa. Por isso, durante o primeiro plano quinquenal Stalin procedeu à formação acelerada de engenheiros extraídos directamente do operariado. Quando teve o número suficiente destes novos tecnocratas deu início aos grandes expurgos, de que os processos de Moscovo constituíram a faceta mais aparatosa. Liquidou assim a antiga tecnocracia trotskista e subtituiu-a por uma nova tecnocracia oriunda do meio operário. Não conheço na história uma operação de engenharia social comparável. Em dez anos estava criado um novo operariado, um novo campesinato e uma nova classe dos gestores.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-61065</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Apr 2012 23:23:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=54051#comment-61065</guid>

					<description><![CDATA[Sim, é verdade que parte significativa do proletariado russo se desintegrou com a guerra civil. Poderemos então dizer, de um modo um tanto ou quanto simplista, que tendo sido derrotados no plano militar, os brancos conseguiram, contudo, vencer no plano social na medida em que o proletariado que tinha feito a revolução acabou engolido no meio da convulsão e, por conseguinte, acabou por se ver exangue perante a burocratização subsequente à guerra civil?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sim, é verdade que parte significativa do proletariado russo se desintegrou com a guerra civil. Poderemos então dizer, de um modo um tanto ou quanto simplista, que tendo sido derrotados no plano militar, os brancos conseguiram, contudo, vencer no plano social na medida em que o proletariado que tinha feito a revolução acabou engolido no meio da convulsão e, por conseguinte, acabou por se ver exangue perante a burocratização subsequente à guerra civil?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-61037</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Apr 2012 15:33:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=54051#comment-61037</guid>

					<description><![CDATA[Caro Valente de Aguiar,
Tens toda a razão. Eu enunciei como geral uma regra que se aplica apenas aos períodos de normalidade, entendida como prevalecimento da ordem reinante. Nos períodos de ruptura revolucionária passa-se exactamente o contrário, e as vanguardas da situação anterior têm de correr muito se não quiserem ficar ultrapassadas pela nova dinâmica. Foi o que sucedeu em Portugal em 1974 e 1975. Talvez possa propor a seguinte definição: passa-se da ordem à revolução quando as vanguardas já existentes são ultrapassadas pelo radicalismo das bases. Surgem então novas vanguardas, mas o que sucede depois já é outra história. Desenvolver mais a questão seria tratar do problema da conversão das vanguardas em novas elites e, mediante este processo, do reabastecimento das classes dominantes.
O caso da Revolução Cultural chinesa, que citas, é especialmente interessante porque Mao Tsé-tung ousou desencadear um movimento de massas contra aquela burocracia do Partido e do Estado que lhe era desfavorável. Mas o movimento converteu-se numa revolução contra toda a velha classe mandarinal e procurou aplicar na prática os princípios da Comuna de Paris, para impedir o ressurgimento de uma burocracia. Foi então que Mao teve de convocar o exército como derradeiro bastião da ordem e Lin Piao enquadrou militarmente a Revolução Cultural pondo os jovens a desfilar com o livrinho que nem soldados na parada.
No caso da Rússia, Lenin, que era um excelente dialéctico, o melhor dialéctico prático que eu conheço no marxismo, inverteu completamente a sua posição quando regressou do exílio. Na última conferência que fez antes de regressar, perante as Juventudes Socialistas suíças, ele defendeu o ponto de vista tradicional dos bolchevistas sobre o carácter da revolução russa. Em seguida, com outros exilados que as autoridades alemãs deixaram regressar à Rússia, ele viajou no combóio selado, portanto sem contactos com o exterior. Os únicos contactos que teve foi na viagem de combóio da Finlândia para Petrogrado. E, quando chegou a Petrogrado, tinha alterado a sua perspectiva e fez um discurso que deixou a direcção bolochevista perplexa. Se a memória não me falha, no comité de Petrogrado só o jovem Molotov defendera posições idênticas às que Lenin começou a defender. Vieram então as Teses de Abril e tudo o que se seguiu. Com essa alteração de perspectiva política Lenin conseguiu manter-se na vanguarda nessa época em que todas as massas estavam em ebulição. Um feito politicamente notável.
Mas é necessário não esquecer que aquele proletariado se desintegrou durante a guerra civil. Dissolveu-se socialmente. A paralização da indústria e a fome nas cidades levaram ao desaparecimento da maioria do proletariado industrial tradicional que teve de regressar aos campos para sobreviver. Segundo E. H. Carr, entre 1913 e 1917 o número de assalariados na indústria subira 15%, mas desceu 17% de 1917 para 1918, desceu 41% de 1918 para 1920-1921 e 16% desta última data até 1921-1922. Em suma, o número de assalariados industriais em 1921-1922 correspondia a 41% do que havia sido em 1917. Segundo Alec Nove a descida teria sido ainda mais rápida e o número de operários em 1920 corresponderia a 46% do que fora em 1917. Talvez mais grave fosse o esvaziamento das grandes cidades, que rompeu os tecidos de relacionamento social. Sempre segundo Carr, desde 1917 até ao Outono de 1920 o número dos habitantes de quarenta capitais de província diminuiu 33% e o número de habitantes de cinquenta outras grandes cidades reduziu-se 16%. Quanto maior era a cidade, mais acentuado era o declínio. Em três anos, Petrogrado perdeu 57,5% da sua população e Moscovo, 44,5%. Recordando a situação de Petrogrado em 1919, Victor Serge escreveu que num ano a cidade perdeu 77% dos habitantes. Pasternak, no &lt;em&gt;Doutor Zhivago&lt;/em&gt;, retrata bem este processo.
Acho que isto explica o paradoxo que apontas no teu comentário. Foi essa transformação profunda da classe trabalhadora russa que permitiu a Lenin e a Trotsky aplicarem sem peias o autoritarismo político e o centralismo na gestão económica, derrubarem a tendência de Chliapnikov e massacrarem os insurrectos de Kronstadt. Ciliga, que pelo menos nesta matéria é um autor insuspeito, mostra que a classe trabalhadora durante a NEP era completamente diferente daquela que havia feito a revolução.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Valente de Aguiar,<br />
Tens toda a razão. Eu enunciei como geral uma regra que se aplica apenas aos períodos de normalidade, entendida como prevalecimento da ordem reinante. Nos períodos de ruptura revolucionária passa-se exactamente o contrário, e as vanguardas da situação anterior têm de correr muito se não quiserem ficar ultrapassadas pela nova dinâmica. Foi o que sucedeu em Portugal em 1974 e 1975. Talvez possa propor a seguinte definição: passa-se da ordem à revolução quando as vanguardas já existentes são ultrapassadas pelo radicalismo das bases. Surgem então novas vanguardas, mas o que sucede depois já é outra história. Desenvolver mais a questão seria tratar do problema da conversão das vanguardas em novas elites e, mediante este processo, do reabastecimento das classes dominantes.<br />
O caso da Revolução Cultural chinesa, que citas, é especialmente interessante porque Mao Tsé-tung ousou desencadear um movimento de massas contra aquela burocracia do Partido e do Estado que lhe era desfavorável. Mas o movimento converteu-se numa revolução contra toda a velha classe mandarinal e procurou aplicar na prática os princípios da Comuna de Paris, para impedir o ressurgimento de uma burocracia. Foi então que Mao teve de convocar o exército como derradeiro bastião da ordem e Lin Piao enquadrou militarmente a Revolução Cultural pondo os jovens a desfilar com o livrinho que nem soldados na parada.<br />
No caso da Rússia, Lenin, que era um excelente dialéctico, o melhor dialéctico prático que eu conheço no marxismo, inverteu completamente a sua posição quando regressou do exílio. Na última conferência que fez antes de regressar, perante as Juventudes Socialistas suíças, ele defendeu o ponto de vista tradicional dos bolchevistas sobre o carácter da revolução russa. Em seguida, com outros exilados que as autoridades alemãs deixaram regressar à Rússia, ele viajou no combóio selado, portanto sem contactos com o exterior. Os únicos contactos que teve foi na viagem de combóio da Finlândia para Petrogrado. E, quando chegou a Petrogrado, tinha alterado a sua perspectiva e fez um discurso que deixou a direcção bolochevista perplexa. Se a memória não me falha, no comité de Petrogrado só o jovem Molotov defendera posições idênticas às que Lenin começou a defender. Vieram então as Teses de Abril e tudo o que se seguiu. Com essa alteração de perspectiva política Lenin conseguiu manter-se na vanguarda nessa época em que todas as massas estavam em ebulição. Um feito politicamente notável.<br />
Mas é necessário não esquecer que aquele proletariado se desintegrou durante a guerra civil. Dissolveu-se socialmente. A paralização da indústria e a fome nas cidades levaram ao desaparecimento da maioria do proletariado industrial tradicional que teve de regressar aos campos para sobreviver. Segundo E. H. Carr, entre 1913 e 1917 o número de assalariados na indústria subira 15%, mas desceu 17% de 1917 para 1918, desceu 41% de 1918 para 1920-1921 e 16% desta última data até 1921-1922. Em suma, o número de assalariados industriais em 1921-1922 correspondia a 41% do que havia sido em 1917. Segundo Alec Nove a descida teria sido ainda mais rápida e o número de operários em 1920 corresponderia a 46% do que fora em 1917. Talvez mais grave fosse o esvaziamento das grandes cidades, que rompeu os tecidos de relacionamento social. Sempre segundo Carr, desde 1917 até ao Outono de 1920 o número dos habitantes de quarenta capitais de província diminuiu 33% e o número de habitantes de cinquenta outras grandes cidades reduziu-se 16%. Quanto maior era a cidade, mais acentuado era o declínio. Em três anos, Petrogrado perdeu 57,5% da sua população e Moscovo, 44,5%. Recordando a situação de Petrogrado em 1919, Victor Serge escreveu que num ano a cidade perdeu 77% dos habitantes. Pasternak, no <em>Doutor Zhivago</em>, retrata bem este processo.<br />
Acho que isto explica o paradoxo que apontas no teu comentário. Foi essa transformação profunda da classe trabalhadora russa que permitiu a Lenin e a Trotsky aplicarem sem peias o autoritarismo político e o centralismo na gestão económica, derrubarem a tendência de Chliapnikov e massacrarem os insurrectos de Kronstadt. Ciliga, que pelo menos nesta matéria é um autor insuspeito, mostra que a classe trabalhadora durante a NEP era completamente diferente daquela que havia feito a revolução.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-60979</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Apr 2012 22:24:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=54051#comment-60979</guid>

					<description><![CDATA[Caro João,

de acordo com a tua resposta. Apenas uma breve observação para discussão. Não achas que, entre muitos outros exemplos possíveis, o caso que retratas no teu livro &quot;Para uma teoria do modo de produção comunista&quot; sobre a Revolução Cultural não é um possível exemplo das massas estarem à esquerda da vanguarda? Concordo com a tua observação sobre o MST e as bases do movimento, mas será que, nos casos em que as bases consubstanciam fortes dinâmicas de desenvolvimento e de tentativa de edificação de novas relações de produção, não se assiste a uma viragem à direita das vanguardas, precisamente para evitar que ocorra a superação das relações sociais que produzem os capitalistas e os gestores? Repara, não estou a tentar fazer prevalecer um qualquer ponto de vista mas, pelo contrário, tenho mais dúvidas do que certezas e tento compreender melhor como se desenvolvem estas dinâmicas.

Outro exemplo será o caso da Revolução Russa onde a dinâmica dos sovietes tinha uma força extraordinária e que, entre outras medidas, a introdução do gestor único nomeado pelo Estado central subverteu toda a democracia de base. Podemos invocar que, se tal aconteceu e se não levantou demasiadas ondas na maioria dos comités de fábrica (pelo menos que eu conheça) é porque ideologicamente o proletariado industrial não teria, eventualmente, a consciência política plena de tais medidas. Até porque essas medidas vinham da organização de vanguarda mais espantosa que o mundo tinha visto até então e que tinha tido um papel relevante no derrube do czarismo. Contudo, será que a prática das bases não estaria à esquerda da (prática da) vanguarda? Refiro-me aqui aos processos revolucionários e não relativamente às lutas fora desses períodos.
abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João,</p>
<p>de acordo com a tua resposta. Apenas uma breve observação para discussão. Não achas que, entre muitos outros exemplos possíveis, o caso que retratas no teu livro &#8220;Para uma teoria do modo de produção comunista&#8221; sobre a Revolução Cultural não é um possível exemplo das massas estarem à esquerda da vanguarda? Concordo com a tua observação sobre o MST e as bases do movimento, mas será que, nos casos em que as bases consubstanciam fortes dinâmicas de desenvolvimento e de tentativa de edificação de novas relações de produção, não se assiste a uma viragem à direita das vanguardas, precisamente para evitar que ocorra a superação das relações sociais que produzem os capitalistas e os gestores? Repara, não estou a tentar fazer prevalecer um qualquer ponto de vista mas, pelo contrário, tenho mais dúvidas do que certezas e tento compreender melhor como se desenvolvem estas dinâmicas.</p>
<p>Outro exemplo será o caso da Revolução Russa onde a dinâmica dos sovietes tinha uma força extraordinária e que, entre outras medidas, a introdução do gestor único nomeado pelo Estado central subverteu toda a democracia de base. Podemos invocar que, se tal aconteceu e se não levantou demasiadas ondas na maioria dos comités de fábrica (pelo menos que eu conheça) é porque ideologicamente o proletariado industrial não teria, eventualmente, a consciência política plena de tais medidas. Até porque essas medidas vinham da organização de vanguarda mais espantosa que o mundo tinha visto até então e que tinha tido um papel relevante no derrube do czarismo. Contudo, será que a prática das bases não estaria à esquerda da (prática da) vanguarda? Refiro-me aqui aos processos revolucionários e não relativamente às lutas fora desses períodos.<br />
abraço</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/03/54051/#comment-60596</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Mar 2012 22:31:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Milho convencional rende 93% a mais que o transgênico em SC

da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/milho-transgenico-rende-93-menos-que-o-convencional-em-sc.html]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Milho convencional rende 93% a mais que o transgênico em SC</p>
<p>da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia</p>
<p><a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/milho-transgenico-rende-93-menos-que-o-convencional-em-sc.html" rel="nofollow ugc">http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/milho-transgenico-rende-93-menos-que-o-convencional-em-sc.html</a></p>
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