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	Comentários sobre: Ação direta e luta institucional: complementaridade ou antítese? (1ª parte)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Marcelo Lopes de Souza		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/04/56901/#comment-65505</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Lopes de Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 May 2012 14:28:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Cara Talitha:

Lamento por só poder dialogar com você agora; uma viagem e algumas atribulações me dificultaram as coisas. Em todo o caso, agradeço por seu interesse  -  e aqui vão algumas respostas, infelizmente limitadas devido ao pouco espaço, às suas perguntas:

1) Em uma época em que dizemos que tudo é &quot;complexo&quot; (termo com o qual, muitas vezes, nos esquivamos de uma caracterização mais apurada de como é a realidade), pode parecer banal, mas quero frisar que, sem dúvida, o assunto do meu artigo (cuja segunda parte foi publicada há alguns dias) é, de fato, muito complexo. Não por acaso, toco, na última seção da segunda parte, extensamente nesse tema. Não é fácil ver/estabelecer fronteiras claras, e acho quase impossível (ou muito arriscado) querer fazer isso aprioristicamente. Qual é o &quot;limite&quot; entre uma defesa &quot;imprudente&quot; e outra &quot;cautelosa&quot; da luta institucional? Ora, alguns critérios podem e devem ser discutidos, e tenho tentado fazê-lo; mas, a rigor, as avaliações variarão de acordo com as circunstâncias concretas, mesmo que os princípios sejam os mesmo  -  pelo simples fato de que estamos a lidar com uma realidade riquíssima de elementos, dialética por excelência. E é claro que, se se aceitar que não é possível, simplesmente, pretender &quot;ignorar&quot; o Estado, precisamos adquirir ou treinar todo um conjunto de habilidades, inclusive para debater certos assuntos (e para evitarmos sermos derrotados no plano da argumentação &quot;[pseudo]técnica&quot;). Contudo, se, para isso, adotarmos a forma-partido, já teremos ultrapassado um limiar decisivo, e estaremos não toureando a besta, mas sim no seu interior  -  como parte integral dela, a despeito de nossas ilusões em contrário. Interessantemente, se há conjunturas favoráveis/&quot;participacionistas&quot; etc. mesmo no âmbito do Estado, é porque há partidos que, ao menos em alguns momentos de suas histórias, são mais permeáveis às pressões populares, ao diálogo etc. etc. Minha tese é a de que precisamos aproveitar brechas desse tipo (e várias outras, às vezes derivadas, justamente, dessas: por exemplo, brechas legais), mas mantendo, ao mesmo tempo, uma distância muito prudente. Como deixo ainda mais claro na segunda parte do artigo, a via partidária é, em última análise, uma quimera. E você tem razão: nesse ponto, como em outros, qualquer pensamento libertário apresentará uma certa afinidade essencial com o anarquismo clássico. As diferenças serão, em última instância, menos importantes que as semelhanças e convergências.

2) Quanto às ONGs: ora, por que as ONGs seriam a única alternativa ao Estado?... As ONGs (que, aliás, são muito mais dependentes do Estado que seus membros e simpatizantes gostariam  -  de fato, muitas tornaram-se ou já nasceram como meros apêndices estatais), efetivamente, não apenas não são organizações de movimentos sociais como, cada vez mais, se apresentam como aquilo que a presente conjuntura histórica condiciona que elas sejam: entidades de assessoria povoadas por indivíduos e valores de classe média, que representam a &quot;terceirização&quot; de funções de Estado em meio ao (relativo e parcial) triunfo da agenda neoliberal. Sem dúvida, há ONGs e ONGs; mas, no geral, creio que têm sido antes parte do problema que da solução. Aquilo em que eu tenho apostado é em organizações de movimentos emancipatórios radicais  -  não em ONGs.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cara Talitha:</p>
<p>Lamento por só poder dialogar com você agora; uma viagem e algumas atribulações me dificultaram as coisas. Em todo o caso, agradeço por seu interesse  &#8211;  e aqui vão algumas respostas, infelizmente limitadas devido ao pouco espaço, às suas perguntas:</p>
<p>1) Em uma época em que dizemos que tudo é &#8220;complexo&#8221; (termo com o qual, muitas vezes, nos esquivamos de uma caracterização mais apurada de como é a realidade), pode parecer banal, mas quero frisar que, sem dúvida, o assunto do meu artigo (cuja segunda parte foi publicada há alguns dias) é, de fato, muito complexo. Não por acaso, toco, na última seção da segunda parte, extensamente nesse tema. Não é fácil ver/estabelecer fronteiras claras, e acho quase impossível (ou muito arriscado) querer fazer isso aprioristicamente. Qual é o &#8220;limite&#8221; entre uma defesa &#8220;imprudente&#8221; e outra &#8220;cautelosa&#8221; da luta institucional? Ora, alguns critérios podem e devem ser discutidos, e tenho tentado fazê-lo; mas, a rigor, as avaliações variarão de acordo com as circunstâncias concretas, mesmo que os princípios sejam os mesmo  &#8211;  pelo simples fato de que estamos a lidar com uma realidade riquíssima de elementos, dialética por excelência. E é claro que, se se aceitar que não é possível, simplesmente, pretender &#8220;ignorar&#8221; o Estado, precisamos adquirir ou treinar todo um conjunto de habilidades, inclusive para debater certos assuntos (e para evitarmos sermos derrotados no plano da argumentação &#8220;[pseudo]técnica&#8221;). Contudo, se, para isso, adotarmos a forma-partido, já teremos ultrapassado um limiar decisivo, e estaremos não toureando a besta, mas sim no seu interior  &#8211;  como parte integral dela, a despeito de nossas ilusões em contrário. Interessantemente, se há conjunturas favoráveis/&#8221;participacionistas&#8221; etc. mesmo no âmbito do Estado, é porque há partidos que, ao menos em alguns momentos de suas histórias, são mais permeáveis às pressões populares, ao diálogo etc. etc. Minha tese é a de que precisamos aproveitar brechas desse tipo (e várias outras, às vezes derivadas, justamente, dessas: por exemplo, brechas legais), mas mantendo, ao mesmo tempo, uma distância muito prudente. Como deixo ainda mais claro na segunda parte do artigo, a via partidária é, em última análise, uma quimera. E você tem razão: nesse ponto, como em outros, qualquer pensamento libertário apresentará uma certa afinidade essencial com o anarquismo clássico. As diferenças serão, em última instância, menos importantes que as semelhanças e convergências.</p>
<p>2) Quanto às ONGs: ora, por que as ONGs seriam a única alternativa ao Estado?&#8230; As ONGs (que, aliás, são muito mais dependentes do Estado que seus membros e simpatizantes gostariam  &#8211;  de fato, muitas tornaram-se ou já nasceram como meros apêndices estatais), efetivamente, não apenas não são organizações de movimentos sociais como, cada vez mais, se apresentam como aquilo que a presente conjuntura histórica condiciona que elas sejam: entidades de assessoria povoadas por indivíduos e valores de classe média, que representam a &#8220;terceirização&#8221; de funções de Estado em meio ao (relativo e parcial) triunfo da agenda neoliberal. Sem dúvida, há ONGs e ONGs; mas, no geral, creio que têm sido antes parte do problema que da solução. Aquilo em que eu tenho apostado é em organizações de movimentos emancipatórios radicais  &#8211;  não em ONGs.</p>
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		<title>
		Por: Talitha		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/04/56901/#comment-64297</link>

		<dc:creator><![CDATA[Talitha]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 May 2012 14:29:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gostei bastante de várias coisas do texto, porque trata com sensibilidade e sinceridade alguns problemas que costumam ser deixados de lado quando se debate a relação com o Estado. Agora, gostaria de fazer duas ponderações, ambas sobre o mesmo tema. Marcelo ressalva a necessidade do não partidarismo em várias passagens, sempre de passagem. 
(E refere-se por diversas vezes à distinção entre a relação cautelosa e a imprudente com a luta institucional. Apesar de não desenvolver explicitamente este argumento, e talvez por não apresentar nenhum limite claro que sirva para discernir uma coisa da outra, o texto parece nos levar a associar o não partidarismo ao desejado limite.) 
Já conhecendo os argumentos que fixam o não partidarismo como um item do rol das práticas inaceitáveis, não peço para que você os repita aqui, mas apenas ressalvo que, ao repeti-los, creio que sua argumentação chegaria bem perto do que você chama de anarquistas clássicos.  
Então, eu fico com apenas duas coisas na cabeça: para se ter diálogo, fraco ou forte, mais fácil ou mais difícil com o Estado, é necessário garantir que lá estejam pessoas que ao menos se disponham a falar minha língua, por assim dizer. Ou seja, há no Estado, esse campo de forças que você mencionou bem, pessoas e forças de orientação política totalitária assumida, e para que estes não suprimam toda e qualquer interlocução eu tenho que reconhecer que é legítimo que alguém ao menos um pouco mais próximo assuma esta tarefa. Que não se pode delegar plenos poderes a ninguém, nem confiar cegamente, é fácil compreender. O que eu ainda não entendo é como não ser partidário num campo de forças estabelecido. 
A outra coisa que me incomoda bastante talvez fique meio descolada do debate conceitual, ou seja, alguém poderia objetar que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Mas eu tenho a impressão muito séria de que à renúncia ao partidarismo corresponde um crescimento enorme da militância terceirizada, das ongs, que se não se deixam cooptar pelo Estado nos mesmos moldes é porque já nasceram cooptadas pelo capital. Ou seja, este discurso também me parece favorecer, no final das contas, uma forma bem dura de cooptação. Enfim. 
Em todo caso, como disse, compartilho muito das pautas que você levanta em seu texto, e gostei bastante dele.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei bastante de várias coisas do texto, porque trata com sensibilidade e sinceridade alguns problemas que costumam ser deixados de lado quando se debate a relação com o Estado. Agora, gostaria de fazer duas ponderações, ambas sobre o mesmo tema. Marcelo ressalva a necessidade do não partidarismo em várias passagens, sempre de passagem.<br />
(E refere-se por diversas vezes à distinção entre a relação cautelosa e a imprudente com a luta institucional. Apesar de não desenvolver explicitamente este argumento, e talvez por não apresentar nenhum limite claro que sirva para discernir uma coisa da outra, o texto parece nos levar a associar o não partidarismo ao desejado limite.)<br />
Já conhecendo os argumentos que fixam o não partidarismo como um item do rol das práticas inaceitáveis, não peço para que você os repita aqui, mas apenas ressalvo que, ao repeti-los, creio que sua argumentação chegaria bem perto do que você chama de anarquistas clássicos.<br />
Então, eu fico com apenas duas coisas na cabeça: para se ter diálogo, fraco ou forte, mais fácil ou mais difícil com o Estado, é necessário garantir que lá estejam pessoas que ao menos se disponham a falar minha língua, por assim dizer. Ou seja, há no Estado, esse campo de forças que você mencionou bem, pessoas e forças de orientação política totalitária assumida, e para que estes não suprimam toda e qualquer interlocução eu tenho que reconhecer que é legítimo que alguém ao menos um pouco mais próximo assuma esta tarefa. Que não se pode delegar plenos poderes a ninguém, nem confiar cegamente, é fácil compreender. O que eu ainda não entendo é como não ser partidário num campo de forças estabelecido.<br />
A outra coisa que me incomoda bastante talvez fique meio descolada do debate conceitual, ou seja, alguém poderia objetar que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Mas eu tenho a impressão muito séria de que à renúncia ao partidarismo corresponde um crescimento enorme da militância terceirizada, das ongs, que se não se deixam cooptar pelo Estado nos mesmos moldes é porque já nasceram cooptadas pelo capital. Ou seja, este discurso também me parece favorecer, no final das contas, uma forma bem dura de cooptação. Enfim.<br />
Em todo caso, como disse, compartilho muito das pautas que você levanta em seu texto, e gostei bastante dele.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/04/56901/#comment-64136</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Apr 2012 22:06:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=56901#comment-64136</guid>

					<description><![CDATA[O autor, como muitos outros críticos, parece não ter compreendido, de forma alguma, o conceito de &quot;Estado Socialista&quot;, ou melhor, de ditadura do proletariado, de Marx. Mesmo porque o identifica com a prática dos leninistas perante os movimentos sociais, coisas que são muito diferentes. A noção de ditadura do proletariado não é uma ambiguidade em Marx: pelo contrário, é a resposta vislumbrada corretamente pelo autor para a resolução das contradições sociais no capitalismo. Só uma visão muito ingênua do socialismo para não permitir enxergar que, no momento em que a classe operário se insurge, ela deve tomar em suas mãos os recursos materiais da sociedade que passa a governar e voltá-los violentamente, autoritariamente, totalitariamente contra os contrarrevolucionários. Para responder ao poder totalitário do capital ela deve fazer uso de medidas totalitárias, autogestionárias (porque se trata da ditadura de uma classe e não de uma vanguarda, uma burocracia etc.). A luta contra o capitalismo é uma guerra civil, no sentido literal. Qualquer socialista consciente sabe que sangue é nela derramado, para o bem ou para o mal. Feitas tais reservas, trata-se de um excelente texto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O autor, como muitos outros críticos, parece não ter compreendido, de forma alguma, o conceito de &#8220;Estado Socialista&#8221;, ou melhor, de ditadura do proletariado, de Marx. Mesmo porque o identifica com a prática dos leninistas perante os movimentos sociais, coisas que são muito diferentes. A noção de ditadura do proletariado não é uma ambiguidade em Marx: pelo contrário, é a resposta vislumbrada corretamente pelo autor para a resolução das contradições sociais no capitalismo. Só uma visão muito ingênua do socialismo para não permitir enxergar que, no momento em que a classe operário se insurge, ela deve tomar em suas mãos os recursos materiais da sociedade que passa a governar e voltá-los violentamente, autoritariamente, totalitariamente contra os contrarrevolucionários. Para responder ao poder totalitário do capital ela deve fazer uso de medidas totalitárias, autogestionárias (porque se trata da ditadura de uma classe e não de uma vanguarda, uma burocracia etc.). A luta contra o capitalismo é uma guerra civil, no sentido literal. Qualquer socialista consciente sabe que sangue é nela derramado, para o bem ou para o mal. Feitas tais reservas, trata-se de um excelente texto.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: matias		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/04/56901/#comment-64001</link>

		<dc:creator><![CDATA[matias]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Apr 2012 13:52:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=56901#comment-64001</guid>

					<description><![CDATA[Sobre esse trecho:
&quot;não se deve esquecer que, estruturalmente, o Estado não serve à liberdade, mas sim à sua restrição e, em situações-limite, à sua supressão.&quot;
Penso que o estado, idealmente, é composto por um conjunto de regras, serviços, pessoas, que num acordo entre a população como um todo assumem tal tarefa. 
Parece contraditório, mas acredito que a restrição a liberdade é também uma forma de afirmá-la. Um exemplo: Se todos são &#039;obrigados&#039; a dirigir à direita, todos têm ao mesmo tempo essa liberdade. Coletividades organizadas têm forças que podem com o tempo também mudar um estado, acredito muito nisso vendo a história de alguns Países.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre esse trecho:<br />
&#8220;não se deve esquecer que, estruturalmente, o Estado não serve à liberdade, mas sim à sua restrição e, em situações-limite, à sua supressão.&#8221;<br />
Penso que o estado, idealmente, é composto por um conjunto de regras, serviços, pessoas, que num acordo entre a população como um todo assumem tal tarefa.<br />
Parece contraditório, mas acredito que a restrição a liberdade é também uma forma de afirmá-la. Um exemplo: Se todos são &#8216;obrigados&#8217; a dirigir à direita, todos têm ao mesmo tempo essa liberdade. Coletividades organizadas têm forças que podem com o tempo também mudar um estado, acredito muito nisso vendo a história de alguns Países.</p>
]]></content:encoded>
		
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