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	Comentários sobre: Linha Vermelha	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/05/57548/#comment-70227</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jun 2012 10:32:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acho que a discussão do filme &quot;Linha vermelha&quot; (LV) neste texto parte do pressuposto seguinte: «o cineasta consegue mostrar que foi manipulado o espaço e o tempo para fazer passar uma mensagem política». Admito perfeitamente que, por exemplo, a ideia de ocupação da casa do duque de Lafões possa ter vindo do Harlan na altura. Creio, contudo, que o pressuposto a que aludi é um tanto ou quanto ingénuo. Não há acção social sem transformação. Para um lado ou para o outro. Esse pressuposto lembra-me sempre um dos argumentos que o político português direitista Pacheco Pereira mais usa para criticar o &quot;comunismo&quot;: ser uma operação de engenharia social. O que vou dizer pode parecer demasiado escandaloso, mas não há sociedade sem &quot;engenharia social&quot;.

Ora, quando se fala neste texto no uso do «espaço e o tempo para fazer passar uma mensagem política» acho o argumento de uma imensa ingenuidade. Que eu saiba, a classe trabalhadora sempre que se mobilizou manipulou (e bem e ainda bem) o espaço e o tempo para passar uma mensagem política e para tentar construir novas relações sociais. O que na direita é horror pela transformação da matéria bruta da sociedade (e que chamam depreciativamente de engenharia social) é para certa esquerda uma ingenuidade pensar que os movimentos sociais e as mobilizações da classe trabalhadora apenas servem para pressionar o poder ou para reivindicar seja o que for. Efectivamente, toda a acção colectiva da classe trabalhadora está virada (ou deveria estar) contra os mecanismos da exploração capitalista o que implica manipular palavras, símbolos e, claro está, acima de tudo, as relações sociais.

Por conseguinte, se é verdade que o autor deste texto identificou mto correctamente o pressuposto de base do filme &quot;Linha Vermelha&quot;, tb não deixa de ser verdade que a aceitação desse pressuposto constitui uma forma de deixar intactas as relações de exploração, pois alinha na tese da intocabilidade das relações sociais. Pena foi que não se tivesse discutido o filme do Harlan a partir da relação entre a vanguarda e as massas no contexto da ocupação. Claro que essa relação está ali subentendida, mas sempre na perspectiva da manipulação político-simbólica do Harlan relativamente às massas esquecendo que o dinamismo ou a inércia social e política dependem sempre das massas. Recorrendo ao mesmo exemplo que dei acima, se o Harlan &quot;manipulou&quot; a ocupação da casa do duque é porque, das duas uma, as massas concordavam com esse processo, ou porque o dinamismo inerente à mobilização colectiva já se estaria a desvanecer e a vanguarda (personificada aqui no Harlan) já teria poder decisório independente sobre essas mesmas massas. A meu ver, isto teria sido mto mais interessante e relevante do que a tese um tanto ou quanto pós-moderna do José Filipe Costa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que a discussão do filme &#8220;Linha vermelha&#8221; (LV) neste texto parte do pressuposto seguinte: «o cineasta consegue mostrar que foi manipulado o espaço e o tempo para fazer passar uma mensagem política». Admito perfeitamente que, por exemplo, a ideia de ocupação da casa do duque de Lafões possa ter vindo do Harlan na altura. Creio, contudo, que o pressuposto a que aludi é um tanto ou quanto ingénuo. Não há acção social sem transformação. Para um lado ou para o outro. Esse pressuposto lembra-me sempre um dos argumentos que o político português direitista Pacheco Pereira mais usa para criticar o &#8220;comunismo&#8221;: ser uma operação de engenharia social. O que vou dizer pode parecer demasiado escandaloso, mas não há sociedade sem &#8220;engenharia social&#8221;.</p>
<p>Ora, quando se fala neste texto no uso do «espaço e o tempo para fazer passar uma mensagem política» acho o argumento de uma imensa ingenuidade. Que eu saiba, a classe trabalhadora sempre que se mobilizou manipulou (e bem e ainda bem) o espaço e o tempo para passar uma mensagem política e para tentar construir novas relações sociais. O que na direita é horror pela transformação da matéria bruta da sociedade (e que chamam depreciativamente de engenharia social) é para certa esquerda uma ingenuidade pensar que os movimentos sociais e as mobilizações da classe trabalhadora apenas servem para pressionar o poder ou para reivindicar seja o que for. Efectivamente, toda a acção colectiva da classe trabalhadora está virada (ou deveria estar) contra os mecanismos da exploração capitalista o que implica manipular palavras, símbolos e, claro está, acima de tudo, as relações sociais.</p>
<p>Por conseguinte, se é verdade que o autor deste texto identificou mto correctamente o pressuposto de base do filme &#8220;Linha Vermelha&#8221;, tb não deixa de ser verdade que a aceitação desse pressuposto constitui uma forma de deixar intactas as relações de exploração, pois alinha na tese da intocabilidade das relações sociais. Pena foi que não se tivesse discutido o filme do Harlan a partir da relação entre a vanguarda e as massas no contexto da ocupação. Claro que essa relação está ali subentendida, mas sempre na perspectiva da manipulação político-simbólica do Harlan relativamente às massas esquecendo que o dinamismo ou a inércia social e política dependem sempre das massas. Recorrendo ao mesmo exemplo que dei acima, se o Harlan &#8220;manipulou&#8221; a ocupação da casa do duque é porque, das duas uma, as massas concordavam com esse processo, ou porque o dinamismo inerente à mobilização colectiva já se estaria a desvanecer e a vanguarda (personificada aqui no Harlan) já teria poder decisório independente sobre essas mesmas massas. A meu ver, isto teria sido mto mais interessante e relevante do que a tese um tanto ou quanto pós-moderna do José Filipe Costa.</p>
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