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	Comentários sobre: O nacionalismo, a esquerda anticapitalista e o euro (1ª parte)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Heloisa Flores		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/59652/#comment-70945</link>

		<dc:creator><![CDATA[Heloisa Flores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jun 2012 18:00:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=59652#comment-70945</guid>

					<description><![CDATA[Não deixo de concordar com você. Não sei se devo comentar aqui sobre o texto que você publicou sobre Syriza e KKE no site 5dias.net, mas gostaria de deixar minha observação pelo o que acomopanhei das eleições: eu não não me lembro do KKE se expressando &quot;pela Grécia contra a Alemanha&quot;. Até porque isso não é típico de um partido comunista, a um comunista o inimigo não é uma nação, e sim o capitalismo/imperialismo, e a luta não é pela nação, mas pelos trabalhadores... Se isso aconteceu, aí eu seria obrigada a concordar contigo em relação ao &#039;nacionalismo de esquerda.&#039;.


Mas confesso que ainda devo ler as duas outras partes deste artigo para, quem sabe, compreender melhor seu ponto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não deixo de concordar com você. Não sei se devo comentar aqui sobre o texto que você publicou sobre Syriza e KKE no site 5dias.net, mas gostaria de deixar minha observação pelo o que acomopanhei das eleições: eu não não me lembro do KKE se expressando &#8220;pela Grécia contra a Alemanha&#8221;. Até porque isso não é típico de um partido comunista, a um comunista o inimigo não é uma nação, e sim o capitalismo/imperialismo, e a luta não é pela nação, mas pelos trabalhadores&#8230; Se isso aconteceu, aí eu seria obrigada a concordar contigo em relação ao &#8216;nacionalismo de esquerda.&#8217;.</p>
<p>Mas confesso que ainda devo ler as duas outras partes deste artigo para, quem sabe, compreender melhor seu ponto.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/59652/#comment-70848</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jun 2012 23:03:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=59652#comment-70848</guid>

					<description><![CDATA[«existe a necessidade em “proteger” a nação pela necessidade de se proteger os direitos dos trabalhadores desta nação, que estão sendo atacados mais austeramente».

Eu não tenho nada contra os direitos dos trabalhadores de cada país. Bem pelo contrário. O que não confundo são os direitos circunstanciais num país com o objectivo de internacionalizar as lutas e de que só a partir do plano internacional(ista) é possível, por um lado, forjar a solidariedade de classe por cima de todas outras divisões ideológicas (nacionalismo, racismo, divisão entre trabalhadores precários e trabalhadores efectivos, divisão entre trabalhadores empregados e trabalhadores desempregados, etc.) e, por outro lado, todas as ondas revolucionárias (1917-23; 1968-75) operaram sempre numa via transnacional.

«Não vejo como acatar as medidas de austeridade e continuar na proposta da burguesia possa ser muito mais vantajoso à classe trabalhadora do que garantir os direitos desta classe em si, “protegendo” sua nação.»

A luta contra as medidas de austeridade não tem de estar ligada à saída do euro. Afirmar o contrário é colocar variáveis geoestratégicas à frente da luta contra a exploração. Por outro lado, como diz um amigo meu, quando o nacionalismo ronda e penetra a classe trabalhadora o fascismo não costuma andar por muito longe.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«existe a necessidade em “proteger” a nação pela necessidade de se proteger os direitos dos trabalhadores desta nação, que estão sendo atacados mais austeramente».</p>
<p>Eu não tenho nada contra os direitos dos trabalhadores de cada país. Bem pelo contrário. O que não confundo são os direitos circunstanciais num país com o objectivo de internacionalizar as lutas e de que só a partir do plano internacional(ista) é possível, por um lado, forjar a solidariedade de classe por cima de todas outras divisões ideológicas (nacionalismo, racismo, divisão entre trabalhadores precários e trabalhadores efectivos, divisão entre trabalhadores empregados e trabalhadores desempregados, etc.) e, por outro lado, todas as ondas revolucionárias (1917-23; 1968-75) operaram sempre numa via transnacional.</p>
<p>«Não vejo como acatar as medidas de austeridade e continuar na proposta da burguesia possa ser muito mais vantajoso à classe trabalhadora do que garantir os direitos desta classe em si, “protegendo” sua nação.»</p>
<p>A luta contra as medidas de austeridade não tem de estar ligada à saída do euro. Afirmar o contrário é colocar variáveis geoestratégicas à frente da luta contra a exploração. Por outro lado, como diz um amigo meu, quando o nacionalismo ronda e penetra a classe trabalhadora o fascismo não costuma andar por muito longe.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Heloisa Flores		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/59652/#comment-70791</link>

		<dc:creator><![CDATA[Heloisa Flores]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jun 2012 16:24:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Mas eles partilham um fundo comum: a centralidade da nação (seja lá o que isso for para cada abordagem nacionalista) em relação às classes, como se trabalhadores e patrões pudessem viver em comunhão eterna dentro de um mesmo espaço geográfico&quot;.

Discordo, existe a necessidade em &quot;proteger&quot; a nação pela necessidade de se proteger os direitos dos trabalhadores desta nação, que estão sendo atacados mais austeramente. No caso, os gregos. Não discordo dos comunistas e não acho que isso vá interfir no internacionalismo dos mesmos. 

Não vejo como acatar as medidas de austeridade e continuar na proposta da burguesia possa ser muito mais vantajoso à classe trabalhadora do que garantir os direitos desta classe em si, &quot;protegendo&quot; sua nação. A nação, aliás, fica bem à margem nessa história. Até porque para os interesses da burguesia grega, proteger a nação significa continuar no Euro.

Perdão, mas me parece um sectarismo ingênuo, até.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Mas eles partilham um fundo comum: a centralidade da nação (seja lá o que isso for para cada abordagem nacionalista) em relação às classes, como se trabalhadores e patrões pudessem viver em comunhão eterna dentro de um mesmo espaço geográfico&#8221;.</p>
<p>Discordo, existe a necessidade em &#8220;proteger&#8221; a nação pela necessidade de se proteger os direitos dos trabalhadores desta nação, que estão sendo atacados mais austeramente. No caso, os gregos. Não discordo dos comunistas e não acho que isso vá interfir no internacionalismo dos mesmos. </p>
<p>Não vejo como acatar as medidas de austeridade e continuar na proposta da burguesia possa ser muito mais vantajoso à classe trabalhadora do que garantir os direitos desta classe em si, &#8220;protegendo&#8221; sua nação. A nação, aliás, fica bem à margem nessa história. Até porque para os interesses da burguesia grega, proteger a nação significa continuar no Euro.</p>
<p>Perdão, mas me parece um sectarismo ingênuo, até.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcelo Negrão		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/59652/#comment-69641</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Negrão]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jun 2012 22:14:15 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=59652#comment-69641</guid>

					<description><![CDATA[João Valente,

O caso grego é bastante dificil juestamente pela postura adotada pela UE (vou aguardar a terceira parte deste artigo para tecer mais comentarios). Mas como ja dito, a postura intransigente da doutrina conservadora adotada por Bruxelas, Paris, Berlim e Roma não permitem aos gregos levar a frente e sem trauma uma ruptura com o Euro.

Quanto ao fato de assimilar a Grécia ao Rio Grande do Norte, é um tanto comparar os incomparaveis, uma vez que toda relação entre politica fiscal, monetaria, de financiamento publico, além da trajetoria particular do &quot;choque&quot; pela entrada na Euro zona não permitem fazer esse paralelo.

Se tivesse que mal-comparar a Grécia com outro ente territorial, utilizaria o Equador e sua economia dolarizada dos anos &#039;90. Mas isso não é de fato o mais importante.

Finalmente, atribuo ao comércio de titulos muito mais um papel de indicador econômico num determinado contexto, do que exatamente o papel de responsavel por grandes mudanças - muito longe disso, na verdade. Mas fato é que, na atual conjuntura mesmo amparado pelo BCE, a Grécia é simbolo de grande desconfiança. Até porquê a propria Europa gera desconfiança no atual cenario. Uma moratoria grega hoje seja talvez o que o pais precisa justamente para ter tempo em organizar a sua economia. E além do mais, para acabar de vez com a desconfiança do capitalista: ele vai ter a certeza de que o pais quebrou e que à diante um novo tempo se abre - certamente sombrio no inicio (mas sombrio ele ja é hoje, sem perspectivas de melhora!).

Vou aguardar as proximas partes do artigo.

Sds]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Valente,</p>
<p>O caso grego é bastante dificil juestamente pela postura adotada pela UE (vou aguardar a terceira parte deste artigo para tecer mais comentarios). Mas como ja dito, a postura intransigente da doutrina conservadora adotada por Bruxelas, Paris, Berlim e Roma não permitem aos gregos levar a frente e sem trauma uma ruptura com o Euro.</p>
<p>Quanto ao fato de assimilar a Grécia ao Rio Grande do Norte, é um tanto comparar os incomparaveis, uma vez que toda relação entre politica fiscal, monetaria, de financiamento publico, além da trajetoria particular do &#8220;choque&#8221; pela entrada na Euro zona não permitem fazer esse paralelo.</p>
<p>Se tivesse que mal-comparar a Grécia com outro ente territorial, utilizaria o Equador e sua economia dolarizada dos anos &#8217;90. Mas isso não é de fato o mais importante.</p>
<p>Finalmente, atribuo ao comércio de titulos muito mais um papel de indicador econômico num determinado contexto, do que exatamente o papel de responsavel por grandes mudanças &#8211; muito longe disso, na verdade. Mas fato é que, na atual conjuntura mesmo amparado pelo BCE, a Grécia é simbolo de grande desconfiança. Até porquê a propria Europa gera desconfiança no atual cenario. Uma moratoria grega hoje seja talvez o que o pais precisa justamente para ter tempo em organizar a sua economia. E além do mais, para acabar de vez com a desconfiança do capitalista: ele vai ter a certeza de que o pais quebrou e que à diante um novo tempo se abre &#8211; certamente sombrio no inicio (mas sombrio ele ja é hoje, sem perspectivas de melhora!).</p>
<p>Vou aguardar as proximas partes do artigo.</p>
<p>Sds</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/59652/#comment-69570</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jun 2012 13:47:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Marcelo,

«uma coisa é o nacionalismo como projeto de politica interna e outro como um projeto de politica externa».

Não é possível pensar uma componente como separável da outra. Nem sequer vou aos casos extremos dos fascismos italiano, alemão, etc. onde a política interna de coesão nacional (e de desenvolvimentismo económico intramuros) articula-se perfeitamente com os desígnios de expansão dos negócios (militares e/ou económicos) das suas classes dominantes.

Creio que você tenta aplicar em demasia os postulados desenvolvimentistas que têm permitido um desenvolvimento e um crescimento económico no Brasil ao caso de um país como a Grécia. E não se tratam, de maneira nenhuma, de casos idênticos. Do mesmo jeito que você dificilmente poderia advogar a saída de um estado como o Rio Grande do Norte do espaço nacional e económico brasileiro, a Grécia encontra-se na mesma situação de inserção económica, repito económica e não política, na zona euro. Que politicamente a Grécia ainda seja um estado nacional, isso não significa que o mesmo ocorra no plano económico. Aliás, é deste desfasamento que decorre muita da incapacidade da UE em resolver a actual crise económica europeia.

Por outro lado, creio que você tem demasiadas esperanças na compra de títulos da dívida pública grega. Formalmente eu concordo consigo. Mas só no plano formal. Porque no plano concreto, capitalista investe em produtos ou soluções que tenham alguma viabilidade e lucratividade possível. No caso de uma saída grega, de contrário, ocorreria uma sangria enorme de capitais o que tornaria ainda mais impossível a reconstrução de um aparelho industrial moderno, qualificado e capaz de competir internacionalmente. Em segundo lugar, o estado grego ver-se-ia confrontado com represálias de acordos comerciais mto fortes da parte dos outros países da zona euro. Aquela visão um tanto ou quanto delicodoce com que alguns comentadores (de esquerda ou de direita) procuram apresentar a possibilidade de a Grécia exportar azeite e vinho para a Alemanha, França, etc. esbarra com o facto incontornável e assumido (vd. 3ª parte deste artigo a publicar em breve) de que a UE ripostaria com forte proteccionismo económico a qualquer tipo de exportações gregas. Em terceiro lugar, e como disse em comentário anterior, se os juros que a burguesia hoje coloca aos títulos da dívida pública grega já são elevadíssimos (e o valor desses títulos está simultaneamente salvaguardado pelos CDS&#039;s - uma espécie de apólice de seguros do valor desses títulos - e pelo capital injectado pelo BCE, etc.), então sem toda essa rectaguarda e com uma economia devastada porque o capitalista compraria títulos da dívida pública massivamente se ele sabe de antemão que as possibilidades de pagamento do estado grego são diminutas. Você pode obstar a isso que o Estado grego pode emitir moeda. contudo, o volume dos meios de pagamento nunca pode ser demasiadamente superior ao volume de mais-valia acumulada sob a forma monetária sob pena de a inflação disparar. Ora, de que serviria ao Estado grego emitir títulos da dívida pública à custa de uma inflação que colocaria em causa a própria sobrevivência política do regime? sobrevivência política de um regime democrático que tanto poderia desembocar em mobilizações de trabalhadores como poderia dar origem a experiências de recorte fascista de modo a colocar &quot;tudo na ordem&quot;. Ora, em qualquer um dos cenários, o capitalismo liberal conforme o conhecemos não poderia sobreviver. No primeiro caso, se a classe trabalhadora conseguisse internacionalizar o seu protesto e conseguisse modificar as relações de produção, então nenhuma forma de capitalismo seria possível. No segundo caso, os gestores e os políticos fascistas salvariam o capitalismo com novas roupagens, conforme o fizeram no passado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcelo,</p>
<p>«uma coisa é o nacionalismo como projeto de politica interna e outro como um projeto de politica externa».</p>
<p>Não é possível pensar uma componente como separável da outra. Nem sequer vou aos casos extremos dos fascismos italiano, alemão, etc. onde a política interna de coesão nacional (e de desenvolvimentismo económico intramuros) articula-se perfeitamente com os desígnios de expansão dos negócios (militares e/ou económicos) das suas classes dominantes.</p>
<p>Creio que você tenta aplicar em demasia os postulados desenvolvimentistas que têm permitido um desenvolvimento e um crescimento económico no Brasil ao caso de um país como a Grécia. E não se tratam, de maneira nenhuma, de casos idênticos. Do mesmo jeito que você dificilmente poderia advogar a saída de um estado como o Rio Grande do Norte do espaço nacional e económico brasileiro, a Grécia encontra-se na mesma situação de inserção económica, repito económica e não política, na zona euro. Que politicamente a Grécia ainda seja um estado nacional, isso não significa que o mesmo ocorra no plano económico. Aliás, é deste desfasamento que decorre muita da incapacidade da UE em resolver a actual crise económica europeia.</p>
<p>Por outro lado, creio que você tem demasiadas esperanças na compra de títulos da dívida pública grega. Formalmente eu concordo consigo. Mas só no plano formal. Porque no plano concreto, capitalista investe em produtos ou soluções que tenham alguma viabilidade e lucratividade possível. No caso de uma saída grega, de contrário, ocorreria uma sangria enorme de capitais o que tornaria ainda mais impossível a reconstrução de um aparelho industrial moderno, qualificado e capaz de competir internacionalmente. Em segundo lugar, o estado grego ver-se-ia confrontado com represálias de acordos comerciais mto fortes da parte dos outros países da zona euro. Aquela visão um tanto ou quanto delicodoce com que alguns comentadores (de esquerda ou de direita) procuram apresentar a possibilidade de a Grécia exportar azeite e vinho para a Alemanha, França, etc. esbarra com o facto incontornável e assumido (vd. 3ª parte deste artigo a publicar em breve) de que a UE ripostaria com forte proteccionismo económico a qualquer tipo de exportações gregas. Em terceiro lugar, e como disse em comentário anterior, se os juros que a burguesia hoje coloca aos títulos da dívida pública grega já são elevadíssimos (e o valor desses títulos está simultaneamente salvaguardado pelos CDS&#8217;s &#8211; uma espécie de apólice de seguros do valor desses títulos &#8211; e pelo capital injectado pelo BCE, etc.), então sem toda essa rectaguarda e com uma economia devastada porque o capitalista compraria títulos da dívida pública massivamente se ele sabe de antemão que as possibilidades de pagamento do estado grego são diminutas. Você pode obstar a isso que o Estado grego pode emitir moeda. contudo, o volume dos meios de pagamento nunca pode ser demasiadamente superior ao volume de mais-valia acumulada sob a forma monetária sob pena de a inflação disparar. Ora, de que serviria ao Estado grego emitir títulos da dívida pública à custa de uma inflação que colocaria em causa a própria sobrevivência política do regime? sobrevivência política de um regime democrático que tanto poderia desembocar em mobilizações de trabalhadores como poderia dar origem a experiências de recorte fascista de modo a colocar &#8220;tudo na ordem&#8221;. Ora, em qualquer um dos cenários, o capitalismo liberal conforme o conhecemos não poderia sobreviver. No primeiro caso, se a classe trabalhadora conseguisse internacionalizar o seu protesto e conseguisse modificar as relações de produção, então nenhuma forma de capitalismo seria possível. No segundo caso, os gestores e os políticos fascistas salvariam o capitalismo com novas roupagens, conforme o fizeram no passado.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcelo Negrão		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/59652/#comment-69441</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Negrão]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jun 2012 22:42:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=59652#comment-69441</guid>

					<description><![CDATA[João Valente,

Vamos por partes então.

Acho que uma questão fundamental da minha discordia, reside no fato da compreensão do nacionalismo como projeto de afirmação dos interesses sociais e econômicos de um pais.

Aqui parto do principio que, uma coisa é o nacionalismo como projeto de politica interna e outro como um projeto de politica externa. No primeiro caso, junto-me aos seus argumentos face a pluralidade econômica, social e cultural. No segundo, de forma pragmatica, junto-me a esquerda desenvolvimentista. Para manter o foco da discussão, eu creio que esse é, na verdade, o entendimento mais difundido de nacionalismo pela esquerda, mas sem ignorar o fato de que a esquerda e bem mais plural (ou fragmentada) do que a direita. O que abre margem para outros entendimentos sobre o assunto.

É por isso que, boa parte da esquerda reivindica um discurso de natureza nacionalista não para tratar do assuntos internos. Mas para orientar as relações exteriores do pais. Em outras palavras, o nacionalismo em matéria de politica externa serve sobretudo como uma estratégia no cenario global para reivindicar a soberania de um Estado-nação, face aos interesses transversais de diversos setores econômicos, sobretudo o mercado financeiro (mercado de ações e grandes empresas assim como os bancos), mas também face a disputa por espaço nas disputas politicas entre Estados. 

Para melhorar ainda o que quero dizer, o discurso nacionalista em matéria de politica externa é a afirmação da importância do territorio no processo produtivo econômico. Uma vez que as estruturas produtivas têm migrado de forma rapida entre paises. A afirmação de um projeto nacional tem por objetivo impor regras que coloquem o interesse do territorio acima da volatilidade com que o capital cruza as fronteiras (capital esse que tem lastro na economia real, como a remessa oriunda dos ganhos na venda de produtos e serviçosde, ou lucros e dividendos ou mesmo de juros advindos dessa mesma economia real – quando não, fruto de processo especulativo).

Posto essa diferença entre o nacionalismo reivindicado pela esquerda, e aquele reivindicado pela extrema-direita, vamos ao caso da Grécia.

Essa afirmação dos interesses nacionais face aos interesses privados na esfera internacional, não é de forma alguma incoerente com a afirmação de um projeto de integração regional, como a UE nesse caso. Na pratica, ao mesmo tempo que um chefe de Estado e sua &#039;entourage&#039; colocam em pratica uma politica de desenvolvimento territorial, nada o impede de negociar termos de facilitação de trocas entre as nações do bloco (trocas econômicas e de circulação de trabalhadores).

Mas no caso da Grécia, foi a troca de uma moeda desvalorizada, que mantinha uma certa competitividade, que levou o pais a bancarrota.

Mas a crise grega e a consequente saida do Euro, podem trazer beneficios similares aqueles paises que tinham cambio dolarizado nos anos &#039;80 e &#039;90 e tiveram que desindexar suas moedas – muitas vezes acompanhado de moratoria – como o Equador e a Argentina.

Com uma moeda desvalorizada (a volta do Dracma), a Grécia vai poder voltar a emitir titulos da divida publica, inicialmente a juros elevados (para que se tornem atraentes), ao mesmo tempo que vai voltar a reinvestir na industria. 

Achar que a Grécia não conseguiria vender titulos proprios (em Dracma) por uma boa remuneração é subestimar o sistema capitalista. O dinheiro não aceita desaforo. Quem pagar melhor, leva. Em outras palavras : um capitalista, entre investir seu dinheiro à juros ou na « economia real », ele vai ficar com aquele que oferecer a melhor recompensa.

Como você disse, a banca tem que girar. Esses juros têm que ser lastreados na « economia real ». Mas com toda a perda de poder de compra das familias gregas nos ultimos anos, aliado à toda retração econômica de uma forma mais ampla, o potencial de crescimento da Grécia é grande. Uma vez retomada sua condição vital de competitividade econômica, o cambio desvalorizado, o investimento estatal vai ser fundamental para recuperação do mercado industrial e de serviços do pais, mas sobretudo de turismo.

E se a Europa não estivesse tão cega no seu fundamentalismo de direita, certamente poderia usar esse dinheiro do pacote de ajuda aos gregos, para ajudar a recuperar a economia sem o Euro e com o Dracma. Seria muito mais util e inteligente.

Pois hoje, a condição da Grécia como membro da zona do Euro não se justifica. Não ha mais o que fazer. Cedo ou tarde, com menos ou mais traumas, ela vai ser obrigada a sair. E depois de sair, à exemplo dos paises que tinham cambio dolarizado nos anos &#039;80, vai levar alguns poucos anos « organizando a casa » e voltar a crescer. Desenvolvendo a industria e comprando e vendendo titulos da divida publica, como fazem todos os outros paises inseridos perifericamente ou centralmente no sistema capitalista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Valente,</p>
<p>Vamos por partes então.</p>
<p>Acho que uma questão fundamental da minha discordia, reside no fato da compreensão do nacionalismo como projeto de afirmação dos interesses sociais e econômicos de um pais.</p>
<p>Aqui parto do principio que, uma coisa é o nacionalismo como projeto de politica interna e outro como um projeto de politica externa. No primeiro caso, junto-me aos seus argumentos face a pluralidade econômica, social e cultural. No segundo, de forma pragmatica, junto-me a esquerda desenvolvimentista. Para manter o foco da discussão, eu creio que esse é, na verdade, o entendimento mais difundido de nacionalismo pela esquerda, mas sem ignorar o fato de que a esquerda e bem mais plural (ou fragmentada) do que a direita. O que abre margem para outros entendimentos sobre o assunto.</p>
<p>É por isso que, boa parte da esquerda reivindica um discurso de natureza nacionalista não para tratar do assuntos internos. Mas para orientar as relações exteriores do pais. Em outras palavras, o nacionalismo em matéria de politica externa serve sobretudo como uma estratégia no cenario global para reivindicar a soberania de um Estado-nação, face aos interesses transversais de diversos setores econômicos, sobretudo o mercado financeiro (mercado de ações e grandes empresas assim como os bancos), mas também face a disputa por espaço nas disputas politicas entre Estados. </p>
<p>Para melhorar ainda o que quero dizer, o discurso nacionalista em matéria de politica externa é a afirmação da importância do territorio no processo produtivo econômico. Uma vez que as estruturas produtivas têm migrado de forma rapida entre paises. A afirmação de um projeto nacional tem por objetivo impor regras que coloquem o interesse do territorio acima da volatilidade com que o capital cruza as fronteiras (capital esse que tem lastro na economia real, como a remessa oriunda dos ganhos na venda de produtos e serviçosde, ou lucros e dividendos ou mesmo de juros advindos dessa mesma economia real – quando não, fruto de processo especulativo).</p>
<p>Posto essa diferença entre o nacionalismo reivindicado pela esquerda, e aquele reivindicado pela extrema-direita, vamos ao caso da Grécia.</p>
<p>Essa afirmação dos interesses nacionais face aos interesses privados na esfera internacional, não é de forma alguma incoerente com a afirmação de um projeto de integração regional, como a UE nesse caso. Na pratica, ao mesmo tempo que um chefe de Estado e sua &#8216;entourage&#8217; colocam em pratica uma politica de desenvolvimento territorial, nada o impede de negociar termos de facilitação de trocas entre as nações do bloco (trocas econômicas e de circulação de trabalhadores).</p>
<p>Mas no caso da Grécia, foi a troca de uma moeda desvalorizada, que mantinha uma certa competitividade, que levou o pais a bancarrota.</p>
<p>Mas a crise grega e a consequente saida do Euro, podem trazer beneficios similares aqueles paises que tinham cambio dolarizado nos anos &#8217;80 e &#8217;90 e tiveram que desindexar suas moedas – muitas vezes acompanhado de moratoria – como o Equador e a Argentina.</p>
<p>Com uma moeda desvalorizada (a volta do Dracma), a Grécia vai poder voltar a emitir titulos da divida publica, inicialmente a juros elevados (para que se tornem atraentes), ao mesmo tempo que vai voltar a reinvestir na industria. </p>
<p>Achar que a Grécia não conseguiria vender titulos proprios (em Dracma) por uma boa remuneração é subestimar o sistema capitalista. O dinheiro não aceita desaforo. Quem pagar melhor, leva. Em outras palavras : um capitalista, entre investir seu dinheiro à juros ou na « economia real », ele vai ficar com aquele que oferecer a melhor recompensa.</p>
<p>Como você disse, a banca tem que girar. Esses juros têm que ser lastreados na « economia real ». Mas com toda a perda de poder de compra das familias gregas nos ultimos anos, aliado à toda retração econômica de uma forma mais ampla, o potencial de crescimento da Grécia é grande. Uma vez retomada sua condição vital de competitividade econômica, o cambio desvalorizado, o investimento estatal vai ser fundamental para recuperação do mercado industrial e de serviços do pais, mas sobretudo de turismo.</p>
<p>E se a Europa não estivesse tão cega no seu fundamentalismo de direita, certamente poderia usar esse dinheiro do pacote de ajuda aos gregos, para ajudar a recuperar a economia sem o Euro e com o Dracma. Seria muito mais util e inteligente.</p>
<p>Pois hoje, a condição da Grécia como membro da zona do Euro não se justifica. Não ha mais o que fazer. Cedo ou tarde, com menos ou mais traumas, ela vai ser obrigada a sair. E depois de sair, à exemplo dos paises que tinham cambio dolarizado nos anos &#8217;80, vai levar alguns poucos anos « organizando a casa » e voltar a crescer. Desenvolvendo a industria e comprando e vendendo titulos da divida publica, como fazem todos os outros paises inseridos perifericamente ou centralmente no sistema capitalista.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/59652/#comment-68855</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jun 2012 16:55:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=59652#comment-68855</guid>

					<description><![CDATA[Marcelo,

«O texto não leva em conta que o endividamento através de titulos nacionais voltaria a ser uma opção à Grécia. Venda desses titulos à bancos europeus, norte-americanos ou emergentes.»

Mas então como se conseguiria a &quot;autonomia nacional&quot;, o grande argumento do nacionalismo? Noutro plano, porque os bancos europeus ou outros comprariam títulos de um país que iria falir? Ou seja, onde o Estado grego teria capital para pagar o empréstimo? Se o Estado grego na actual situação (e que está aparado pelo BCE) já paga taxas de juro elevadíssimas, imaginemos numa situação que sabe que não terá qualquer cobertura financeira de credores internacionais (FMI, BCE, etc.).

«QUEM iria apostar e financiar a Grécio e Portugal? A resposta, num contexto de liberal desenvolvimentismo é: o capitalista, que vive de juros e precisa guardar parte do seu dinheiro fora do mercado de ações. Como ocorre em todo o mundo.»

Claro que nunca deixariam de existir investimentos capitalistas se Portugal ou a Grécia saíssem do euro. Enquanto houver capitalismo... Mas indo ao concreto da sua questão. 1) o capitalista não vive do juro, mas do lucro. O próprio juro é uma componente da mais-valia. Esquecer esta conexão equivale a esquecer a ligação entre o que alguns economistas e organizações chamam de &quot;economia real&quot; (a esfera da produção) e a &quot;economia de casino&quot;. 2) não sei se percebi completamente a questão que coloca no final da sua frase mas onde o capital &quot;guarda&quot; o seu dinheiro?? O entesouramento no capitalismo é um procedimento claramente secundário porque a mecânica do sistema é precisamente centralizar massas de capital-dinheiro (proveniente da realização da mais-valia) e depois aplicá-lo em diversos investimentos que elevem essa massa inicial de capital. 3) claro que os capitalistas investiriam em Portugal ou na Grécia. Se houvesse condições de terem um retorno... A questão fundamental é que uma saída do euro levaria a uma tão elevada fuga de capitais e a medidas proteccionistas de outros países que uma reconstrução do aparelho produtivo é quase impossível. Já para não falar que mais abaixo você coloca um país com um desenvolvimento capitalista auto-centrado como o Brasil com dois países cada um do tamanho da Paraíba. Nem é só o tamanho e o volume de recursos mas a própria inserção das economias daqueles países na economia europeia. Considerar aqueles dois pequenos países como entidades económicas nacionais é um erro fundamental em toda esta problemática. Na verdade, como as duas partes seguintes do artigo procurarão mostrar, Portugal e Grécia são duas componentes da economia da zona euro e não simplesmente dois estados ou duas economias com relações internacionais. A economia capitalista deve ser vista nas últimas décadas no nível transnacional.

«o texto fez afirmações baseadas na “certeza” do autor, mas sem lastro argumentativo convincente».

Como disse imediatamente acima, as duas partes seguintes constituem a análise factual fundamental do artigo. Se tivesse esperado pelas partes seguintes certamente concordaria que esta sua frase - essa desarticulação não foi suprimida pela instituição do Euro – «pelo contrario, agravou-se através de outros pontos da economia, como a desindustrialização da Grécia». Neste ponto em específico só não percebo a ligação entre a Grécia e as eurobonds, que é algo que ainda nem sequer existe... A não ser que esteja a referir-se aos títulos da dívida pública grega.

Sobre as suas questões sobre a natureza do nacionalismo... Claro que o nacionalismo fascista não é igual ao nacionalismo de esquerda que eu critico neste texto... Mas eles partilham um fundo comum: a centralidade da nação (seja lá o que isso for para cada abordagem nacionalista) em relação às classes, como se trabalhadores e patrões pudessem viver em comunhão eterna dentro de um mesmo espaço geográfico, cultural, político, administrativo, whatever... Que o fascismo é nacionalista não me surpreende nem me apoquenta que exista esta ligação. O problema é que muita da esquerda (sobretudo a que se reclama do anticapitalismo) prefere a &quot;salvação nacional&quot; à luta internacional da classe trabalhadora. E acaba por ser este espaço comum que permite o fascismo retirar dividendos dos contributos que a esquerda nacionalista dá para a inserção dos trabalhadores na nação... A esquerda se quer contribuir para a emancipação da classe trabalhadora tem de colocar toda a sua acção em torno das relações de exploração e nunca em torno da nação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcelo,</p>
<p>«O texto não leva em conta que o endividamento através de titulos nacionais voltaria a ser uma opção à Grécia. Venda desses titulos à bancos europeus, norte-americanos ou emergentes.»</p>
<p>Mas então como se conseguiria a &#8220;autonomia nacional&#8221;, o grande argumento do nacionalismo? Noutro plano, porque os bancos europeus ou outros comprariam títulos de um país que iria falir? Ou seja, onde o Estado grego teria capital para pagar o empréstimo? Se o Estado grego na actual situação (e que está aparado pelo BCE) já paga taxas de juro elevadíssimas, imaginemos numa situação que sabe que não terá qualquer cobertura financeira de credores internacionais (FMI, BCE, etc.).</p>
<p>«QUEM iria apostar e financiar a Grécio e Portugal? A resposta, num contexto de liberal desenvolvimentismo é: o capitalista, que vive de juros e precisa guardar parte do seu dinheiro fora do mercado de ações. Como ocorre em todo o mundo.»</p>
<p>Claro que nunca deixariam de existir investimentos capitalistas se Portugal ou a Grécia saíssem do euro. Enquanto houver capitalismo&#8230; Mas indo ao concreto da sua questão. 1) o capitalista não vive do juro, mas do lucro. O próprio juro é uma componente da mais-valia. Esquecer esta conexão equivale a esquecer a ligação entre o que alguns economistas e organizações chamam de &#8220;economia real&#8221; (a esfera da produção) e a &#8220;economia de casino&#8221;. 2) não sei se percebi completamente a questão que coloca no final da sua frase mas onde o capital &#8220;guarda&#8221; o seu dinheiro?? O entesouramento no capitalismo é um procedimento claramente secundário porque a mecânica do sistema é precisamente centralizar massas de capital-dinheiro (proveniente da realização da mais-valia) e depois aplicá-lo em diversos investimentos que elevem essa massa inicial de capital. 3) claro que os capitalistas investiriam em Portugal ou na Grécia. Se houvesse condições de terem um retorno&#8230; A questão fundamental é que uma saída do euro levaria a uma tão elevada fuga de capitais e a medidas proteccionistas de outros países que uma reconstrução do aparelho produtivo é quase impossível. Já para não falar que mais abaixo você coloca um país com um desenvolvimento capitalista auto-centrado como o Brasil com dois países cada um do tamanho da Paraíba. Nem é só o tamanho e o volume de recursos mas a própria inserção das economias daqueles países na economia europeia. Considerar aqueles dois pequenos países como entidades económicas nacionais é um erro fundamental em toda esta problemática. Na verdade, como as duas partes seguintes do artigo procurarão mostrar, Portugal e Grécia são duas componentes da economia da zona euro e não simplesmente dois estados ou duas economias com relações internacionais. A economia capitalista deve ser vista nas últimas décadas no nível transnacional.</p>
<p>«o texto fez afirmações baseadas na “certeza” do autor, mas sem lastro argumentativo convincente».</p>
<p>Como disse imediatamente acima, as duas partes seguintes constituem a análise factual fundamental do artigo. Se tivesse esperado pelas partes seguintes certamente concordaria que esta sua frase &#8211; essa desarticulação não foi suprimida pela instituição do Euro – «pelo contrario, agravou-se através de outros pontos da economia, como a desindustrialização da Grécia». Neste ponto em específico só não percebo a ligação entre a Grécia e as eurobonds, que é algo que ainda nem sequer existe&#8230; A não ser que esteja a referir-se aos títulos da dívida pública grega.</p>
<p>Sobre as suas questões sobre a natureza do nacionalismo&#8230; Claro que o nacionalismo fascista não é igual ao nacionalismo de esquerda que eu critico neste texto&#8230; Mas eles partilham um fundo comum: a centralidade da nação (seja lá o que isso for para cada abordagem nacionalista) em relação às classes, como se trabalhadores e patrões pudessem viver em comunhão eterna dentro de um mesmo espaço geográfico, cultural, político, administrativo, whatever&#8230; Que o fascismo é nacionalista não me surpreende nem me apoquenta que exista esta ligação. O problema é que muita da esquerda (sobretudo a que se reclama do anticapitalismo) prefere a &#8220;salvação nacional&#8221; à luta internacional da classe trabalhadora. E acaba por ser este espaço comum que permite o fascismo retirar dividendos dos contributos que a esquerda nacionalista dá para a inserção dos trabalhadores na nação&#8230; A esquerda se quer contribuir para a emancipação da classe trabalhadora tem de colocar toda a sua acção em torno das relações de exploração e nunca em torno da nação.</p>
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		<title>
		Por: Marcelo Negrão		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/59652/#comment-68692</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Negrão]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jun 2012 17:46:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O texto não leva em conta que o endividamento através de titulos nacionais voltaria a ser uma opção à Grécia. Venda desses titulos à bancos europeus, norte-americanos ou emergentes.

Quando pergunta: QUEM iria apostar e financiar a Grécio e Portugal? A resposta, num contexto de liberal desenvolvimentismo é: o capitalista, que vive de juros e precisa guardar parte do seu dinheiro fora do mercado de ações. Como ocorre em todo o mundo.

A taxa seria maior e cairia, certamente, ao longo do tempo. Como o Brasil faz hoje, a Grécia faria a gestão de sua propria divida. Alavancaria, de imediato, sua industria do turismo com um câmbio desvalorizado. E no médio e longo prazo, retomaria investimento produtivo. Não no horizonte de completar a industrialização do pais em 1 década, mas de acompanhar os paises emergentes.

Em certos momentos, o texto fez afirmações baseadas na &quot;certeza&quot; do autor, mas sem lastro argumentativo convincente, como por ex.:

&quot;(...)Com a saída do euro, dizem, a moeda nacional desvalorizaria, o que, para efeitos de competitividade, facilitaria as exportações, logo, relançar-se-ia a economia. Este é, de modo muito simples e sucinto, o argumento central dos defensores da saída (logo que possível) do euro. Todavia, este raciocínio parte do ponto de chegada e inverte os termos da equação. É inquestionável que a cotação do euro dificulta as exportações desses países. Mas quando as moedas nacionais imperavam não se pode dizer que a performance económica desses países fosse propriamente melhor ou sequer diferente do ponto de vista qualitativo. A montante desta questão está a organização do aparelho produtivo. E, a este propósito, qualquer observador de esquerda facilmente constata a sua desarticulação profunda dos anos 80 em diante e a inexistência de uma aposta em sectores tecnologicamente avançados.(...)&quot;

Até a instituição do Euro, o cambio desvalorizado era a plataforma que viabilizou a industrialização pos-guerra européia em 9 de cada 10 paises, incluindo a França. Apesar de efetivamente ter havido uma desarticulação no continente. Mas essa desarticulação não foi suprimida pela instituição do Euro - pelo contrario, agravou-se através de outros pontos da economia, como a desindustrialização da Grécia e sua dependencia dos euro-bonds para financiar sua economia.

Mas acho, sobretudo, que o texto peca por uma definição parcial de nacionalismo, levando em conta apenas sua face mais européia, que remonta ao facismo.

O nacionalismo moderado, presente na direita francesa pos-guerra, assim como em governos de esquerda liberal desenvolvimentistas, como Argentina e Brasil nos dias presentes, é uma face do nacionalismo &quot;saudavel&quot;. Eh uma face do nacionalismo que prima pelos interesses nacionais face à uma proposta neoliberal, emblematizada pela busca de austeridade na Europa.

Esse nacionalismo moderado não pode, de forma alguma ser confundido com o nacionalismo facista.

Finalmente, o que pode parecer solução para Europa, é se inspirar desse nacionalismo moderado, na verdade, do Liberal Desenvolvimentismo, que outrora era revindicado pela direita e hoje pela esquerda, para construir uma Europa articulada. Mas isso ja é um assunto mais longo, que nao cabe nesse comentario.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto não leva em conta que o endividamento através de titulos nacionais voltaria a ser uma opção à Grécia. Venda desses titulos à bancos europeus, norte-americanos ou emergentes.</p>
<p>Quando pergunta: QUEM iria apostar e financiar a Grécio e Portugal? A resposta, num contexto de liberal desenvolvimentismo é: o capitalista, que vive de juros e precisa guardar parte do seu dinheiro fora do mercado de ações. Como ocorre em todo o mundo.</p>
<p>A taxa seria maior e cairia, certamente, ao longo do tempo. Como o Brasil faz hoje, a Grécia faria a gestão de sua propria divida. Alavancaria, de imediato, sua industria do turismo com um câmbio desvalorizado. E no médio e longo prazo, retomaria investimento produtivo. Não no horizonte de completar a industrialização do pais em 1 década, mas de acompanhar os paises emergentes.</p>
<p>Em certos momentos, o texto fez afirmações baseadas na &#8220;certeza&#8221; do autor, mas sem lastro argumentativo convincente, como por ex.:</p>
<p>&#8220;(&#8230;)Com a saída do euro, dizem, a moeda nacional desvalorizaria, o que, para efeitos de competitividade, facilitaria as exportações, logo, relançar-se-ia a economia. Este é, de modo muito simples e sucinto, o argumento central dos defensores da saída (logo que possível) do euro. Todavia, este raciocínio parte do ponto de chegada e inverte os termos da equação. É inquestionável que a cotação do euro dificulta as exportações desses países. Mas quando as moedas nacionais imperavam não se pode dizer que a performance económica desses países fosse propriamente melhor ou sequer diferente do ponto de vista qualitativo. A montante desta questão está a organização do aparelho produtivo. E, a este propósito, qualquer observador de esquerda facilmente constata a sua desarticulação profunda dos anos 80 em diante e a inexistência de uma aposta em sectores tecnologicamente avançados.(&#8230;)&#8221;</p>
<p>Até a instituição do Euro, o cambio desvalorizado era a plataforma que viabilizou a industrialização pos-guerra européia em 9 de cada 10 paises, incluindo a França. Apesar de efetivamente ter havido uma desarticulação no continente. Mas essa desarticulação não foi suprimida pela instituição do Euro &#8211; pelo contrario, agravou-se através de outros pontos da economia, como a desindustrialização da Grécia e sua dependencia dos euro-bonds para financiar sua economia.</p>
<p>Mas acho, sobretudo, que o texto peca por uma definição parcial de nacionalismo, levando em conta apenas sua face mais européia, que remonta ao facismo.</p>
<p>O nacionalismo moderado, presente na direita francesa pos-guerra, assim como em governos de esquerda liberal desenvolvimentistas, como Argentina e Brasil nos dias presentes, é uma face do nacionalismo &#8220;saudavel&#8221;. Eh uma face do nacionalismo que prima pelos interesses nacionais face à uma proposta neoliberal, emblematizada pela busca de austeridade na Europa.</p>
<p>Esse nacionalismo moderado não pode, de forma alguma ser confundido com o nacionalismo facista.</p>
<p>Finalmente, o que pode parecer solução para Europa, é se inspirar desse nacionalismo moderado, na verdade, do Liberal Desenvolvimentismo, que outrora era revindicado pela direita e hoje pela esquerda, para construir uma Europa articulada. Mas isso ja é um assunto mais longo, que nao cabe nesse comentario.</p>
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		<title>
		Por: Jefferson Rodrigues Barbosa		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/59652/#comment-68418</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jefferson Rodrigues Barbosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Jun 2012 13:16:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Texto pontual. Na expectativa dos sequentes.
abs
J.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto pontual. Na expectativa dos sequentes.<br />
abs<br />
J.</p>
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