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	Comentários sobre: O nacionalismo, a esquerda anticapitalista e o euro (3ª parte)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/60577/#comment-70952</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jun 2012 19:44:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como já disse o que tinha a dizer e o génio do meu comentador parece estar ao nível do divinal, cá ficarei então à espera da sua bíblia. Nela certamente metade das palavras serão &quot;desonestidade&quot; e a outra metade &quot;o autor&quot;, &quot;tempo&quot;, &quot;merecer&quot; e &quot;retorcer&quot;. Será um texto bem pipoca.

Mas gostaria de lhe agradecer as suas tiradas delirantes. Não é fácil encontrar alguém tão pós-modernista na lógica dos seus raciocínios e, ao mesmo tempo, aparentar uma pretensa abordagem racional. Um grande bem haja pelo humor que nos proporcionou.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como já disse o que tinha a dizer e o génio do meu comentador parece estar ao nível do divinal, cá ficarei então à espera da sua bíblia. Nela certamente metade das palavras serão &#8220;desonestidade&#8221; e a outra metade &#8220;o autor&#8221;, &#8220;tempo&#8221;, &#8220;merecer&#8221; e &#8220;retorcer&#8221;. Será um texto bem pipoca.</p>
<p>Mas gostaria de lhe agradecer as suas tiradas delirantes. Não é fácil encontrar alguém tão pós-modernista na lógica dos seus raciocínios e, ao mesmo tempo, aparentar uma pretensa abordagem racional. Um grande bem haja pelo humor que nos proporcionou.</p>
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		<title>
		Por: RF		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/60577/#comment-70949</link>

		<dc:creator><![CDATA[RF]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jun 2012 18:53:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O autor do post gosta de escavar o poço onde se vai enterrando. E já agora, que se fala de escavações, as  suas réplicas, aliás como as suas transcrições, lembram o ditado popular &quot;cada cavadela, cada minhoca&quot;.

1. Quando acusei que, no parágrafo onde refere os “quatro pontos do relatório da Bertelsmann Stiftung”, não tinha entendido que diziam respeito ao país que abandonasse o euro e não ao conjunto desta zona, o autor respondeu-me, no segundo dos seus comentários, que não senhor, que se referia apenas a um país, aliás com a graçola insolente de que «”um país” é, de facto, “um”» e de que, se não estivesse eu a ser desonesto, precisaria « urgentemente de rever o seu conceito de número…» [JVA, 19/6/12, 23:32].

Agora, torna a virar o bico ao prego, e diz que não deturpou coisa nenhuma ao extrapolar para a generalidade da zona euro [JVA, 20/6/12, 15:33]. Das duas uma. Se, por este meio, vem admitir que, no parágrafo dos quatro pontos, afinal já não se referia a “um país”, então nada a fazer com tanta contradição (e incompreensão da fonte que cita). Se, por este meio, vem esclarecer que, no parágrafo seguinte, extrapola para toda a zona euro, então lamento, mas isso nada tem a ver com a minha observação sobre o parágrafo dos quatro pontos, aquele sobre o qual incidiu a minha crítica [que recordo: «De igual modo, os “quatro problemas fundamentais” que seguem não se referem aos “impactos na economia europeia”, mas na economia do país em causa, que abandonasse o euro.»].

Tudo isto não seria demasiado lamentável, se não fossem cortinas de fumo para que a atenção do leitor se desvie da frase – «desvalorização do euro em larga escala» – citada fraudulentamente pelo autor do post (as aspas são dele), para sustentar a sua tese do contágio global, modificando deliberadamente o sentido da frase original do relatório, que diz respeito, não à desvalorização do euro, mas sim à desvalorização da moeda do país que saísse do euro.

2. A resposta sobre os dados da ABE ou da PWC é mais uma ilustração da desonestidade do autor, que venho denunciando, e que o leitor pode, sem grande esforço, confirmar. O que eu digo, desde o início, é que os números das perdas referidos, mais uma vez abusivamente entre aspas, pelo autor do post (para que não haja dúvidas sobre o que se fala: os “«32 mil milhões de euros para a Itália, 27 mil milhões para a banca grega, 19 mil milhões para a francesa, 15 mil milhões para a alemã, 9 mil milhões para a portuguesa, 8,5 mil milhões para a grega, 8 mil milhões para a banca britânica, 7,8 mil milhões para a irlandesa, 5 mil milhões para a espanhola, 4,2 mil milhões para a holandesa e 5 mil milhões de euros adicionais para a restante zona euro”), NÃO SÃO da responsabilidade da ABE.

Eu percebo a dificuldade do autor do post, que não compreendeu nada, em perceber isto. Porque, debaixo do gráfico, donde tirou os números, vem a indicação: «Source: European Banking Authority (EBA)». O que o autor do post não consegue compreender é que uma coisa é a fonte dos dados, que toda a gente concorda e eu digo sempre explicitamente que é a ABE. Outra coisa é os cálculos, as estimativas, a análise que é feita com base neles e é apresentada no gráfico, que é da responsabilidade dos autores do relatório.

Como já expliquei, não podia deixar de ser assim. Porque ao contrário do que, com extrema desonestidade, o autor do post queria fazer passar, isto não é uma análise das “consequências de uma implosão da zona euro”, mas sim uma análise das consequências de um incumprimento ordeiro de alguns países. E, por isso, os pressupostos dessa análise são estabelecidos, não pela ABE (que, repito, é somente a fonte dos dados), mas pelos autores do relatório [«In this scenario Eurozone leaders negotiate a one-off debt restructuring for countries with very high debt – defined in this scenario as debt to GDP ratios greater than 100%.  We assume that there would be a  50% default on Portuguese and Irish sovereign debt and a 25% default on Italian sovereign debt, in addition to the 50% default already announced on Greek debt.» PWC, 2011, p.7].

As perdas apresentadas do gráfico 8 foram calculadas com base nas condições assumidas no relatório. Com outros pressupostos, percentagens diferentes de incumprimento, seriam diferentes.
 
Mas eu, receando que o autor do post não alcançasse facto tão elementar, dei-me ao trabalho de citar, textualmente, uma frase do relatório em que se enfatizava a diferença entre a fonte dos dados (ABE) e a responsabilidade da análise (PWC). Cito de novo, desta vez sem os realces (mas com a referência bem explícita à reestruturação da dívida e não a “implosões do euro”): «We estimate that the debt restructuring could have a total impact of over €800bn in lost wealth in the private sector, which may result in over €100bn lost by banks1», acompanhada da respectiva nota de rodapé: «1 Source: EBA data and PwC analysis».

É evidente, para o que nos importa, que o relevante não é a referência às perdas de 800 mil milhões de euros no sector privado, mas sim a referência às perdas de mais de 100 mil milhões de euros pelos bancos, que é o que se estava a discutir, e que correspondem ao total das perdas discriminadas no gráfico 8. Com a desonestidade intelectual que o caracteriza, o autor do post passa em silêncio o dado relevante do final da frase e agarra-se em desespero ao dado lateral do início, que só veio por acréscimo, por constar da mesma frase e que ninguém evocou. Que é isto senão baixa sofística, senão desonestidade intelectual?

Mas, ao menos, é bom reconhecer que os 800 mil milhões, que não são para aqui chamados, são uma estimativa da PWC. Talvez assim consiga perceber que os mais de 100 mil milhões, da mesma frase, o são também. Talvez consiga. Eu é que não sei se consigo explicar melhor. 

3. Sobre as deturpações em torno de outro relatório, ING 2011, o autor do post consegue exceder-se.

Bem pode vir agora dizer que os dados que apresentou dizem respeito ao gráfico 12 da página 13, que dizem respeito ao cenário da implosão do euro. Na verdade, mesmo na sua última resposta, o autor consegue contradizer-se, porque, numa linha do parágrafo, diz (incorrectamente) que «esses são dados apontados pela ING como dados cumulativos de um cenário de saída do euro entre 2012 e 2016» e noutra, mais abaixo, diz (correctamente) que «os dados (…) referem-se, portanto, ao cenário de uma implosão da zona euro». Mas adiante, recomecemos.

Bem pode vir agora dizer que os dados que apresentou dizem respeito ao gráfico 12 da página 13, relativo ao cenário da implosão do euro.

a) Primeiro, o autor deve achar que os leitores são burros e não poderiam verificar imediatamente que a frase que critiquei diz respeito, não ao cenário de implosão, mas ao cenário de uma saída da Grécia. Cito novamente o próprio autor do post: «Mesmo no cenário menos desastroso mas mais improvável – onde apenas sairia a Grécia do euro – a generalidade dos países do euro registaria quedas do PIB na casa dos 5%». A frase intercalada entre travessões lá está para recordar ao autor que nem todos os dados diziam respeito ao cenário da implosão.

b) Segundo, desmascarando já outra manobra de diversão, não é verdade que o cenário da implosão do euro seja tratado em exclusividade a partir do título “Scenario II: a complete break up of the Eurozone”, da página 10. Este é, na verdade, o subtítulo que encerra uma secção, que começa na p. 9, que se intitula «1. Setting the boundaries» e que trata de dois casos limite, correspondentes às subsecções «1. Scenario I: a ‘stage-managed&#039; exit of Greece» (na p. 9) e a já referida «2. Scenario II: a complete break up of the Eurozone» (na p. 10).
Depois disso, na p. 11, inicia-se uma nova secção, intitulada «2. Assessing the impact», que trata novamente os dois casos, nomeadamente na p. 12 em causa. O autor do post quer fazer passar a ideia de que a partir da p. 10 tudo diria respeito ao cenário da implosão do euro, [«… os dados que forneço neste ponto do texto referem-se, portanto, ao cenário de uma implosão da zona euro conforme vêm ilustrados no ponto do relatório da ING que começa na página 10 com o título “Scenario II: a complete break up of the Eurozone”. »], mas qualquer leitor que se dê ao trabalho de abrir o documento verifica logo que isso é completamente falso.

c) Terceiro, a frase do autor que denunciei: «Mesmo no cenário menos desastroso mas mais improvável – onde apenas sairia a Grécia do euro – a generalidade dos países do euro registaria quedas do PIB na casa dos 5%.»; é uma deturpação evidente da frase original do relatório: «Although in scenario 1, Greek exit, the impact is clearly heaviest in Greece itself, there would be non-trivial effects on the rest of Europe. (…) Other Eurozone countries suffer falls in output of up to 5% (see Figure 10).». Foi para mostrar que as quedas do PIB não seriam, segundo o relatório, na generalidade dos países do euro, na casa dos 5%, que muito a propósito invoquei as tabelas finais.

4. Mas o autor acrescenta que «Eu [ele, o autor] não digo em ponto nenhum do texto que a implosão da zona euro é mais provável do que a saída da Grécia do euro». Eu percebo perfeitamente que o autor gostaria de apagar a frase fatídica, que tão desonestamente deturpou. O leitor que julgue: «Mesmo no cenário menos desastroso mas MAIS IMPROVÀVEL – onde apenas sairia a Grécia do euro – a generalidade dos países do euro registaria quedas do PIB na casa dos 5%» [realce meu]. Como o leitor pode facilmente comprovar, poupando-me a transcrição, nas frases anteriores referia-se ao cenário da implosão do euro (aquele por comparação com o qual a saída da Grécia era mais improvável, isto é, aquele que seria mais provável que a saída da Grécia).

5. Pela sua contumaz desonestidade intelectual, ainda pensei em brindar o autor com mais um exemplo, dos vários que sem esforço detectei, de deliberada deturpações dos textos. Para variar, agora no outro relatório, UBS (2011). Mas estou cansado de tanta desonestidade, de tanta aldrabice, de tanta ignorância e de tanta falta de inteligência (para evitar o adjectivo que se impunha, por respeito para com o site). Deixo, em seguida, como exercício para o leitor, que não tenha mais nada para fazer.

É sabido que o autor do post está interessado em sustentar a tese não só do dramatismo para o país que saísse do euro, mas também dos efeitos de contágio que isso teria em toda a zona euro. Para sustentar este segundo aspecto, não hesita em torcer o texto de relatórios, para obrigá-los a dizer aquilo que não consideraram. Por exemplo:

«Nesse sentido, o relatório da UBS descreve um cenário devastador no caso da saída de um país do euro e no caso de, subsequentemente, esse episódio resultar na implosão da zona euro».

O leitor que descubra, se conseguir, onde é que neste relatório, em que se abordam (e em parte quantificam) os cenários de uma saída unilateral de um país “fraco” (como a Grécia) ou “forte” (como a Alemanha) e, alternativamente, o da completa fragmentação da zona euro, se faz essa ligação, causal e temporal, traduzidas pelas palavras “subsequentemente” e “resultar” do autor, entre os dois cenários.

Eu é que não quero perder mais tempo. O texto não merece. O autor não merece.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O autor do post gosta de escavar o poço onde se vai enterrando. E já agora, que se fala de escavações, as  suas réplicas, aliás como as suas transcrições, lembram o ditado popular &#8220;cada cavadela, cada minhoca&#8221;.</p>
<p>1. Quando acusei que, no parágrafo onde refere os “quatro pontos do relatório da Bertelsmann Stiftung”, não tinha entendido que diziam respeito ao país que abandonasse o euro e não ao conjunto desta zona, o autor respondeu-me, no segundo dos seus comentários, que não senhor, que se referia apenas a um país, aliás com a graçola insolente de que «”um país” é, de facto, “um”» e de que, se não estivesse eu a ser desonesto, precisaria « urgentemente de rever o seu conceito de número…» [JVA, 19/6/12, 23:32].</p>
<p>Agora, torna a virar o bico ao prego, e diz que não deturpou coisa nenhuma ao extrapolar para a generalidade da zona euro [JVA, 20/6/12, 15:33]. Das duas uma. Se, por este meio, vem admitir que, no parágrafo dos quatro pontos, afinal já não se referia a “um país”, então nada a fazer com tanta contradição (e incompreensão da fonte que cita). Se, por este meio, vem esclarecer que, no parágrafo seguinte, extrapola para toda a zona euro, então lamento, mas isso nada tem a ver com a minha observação sobre o parágrafo dos quatro pontos, aquele sobre o qual incidiu a minha crítica [que recordo: «De igual modo, os “quatro problemas fundamentais” que seguem não se referem aos “impactos na economia europeia”, mas na economia do país em causa, que abandonasse o euro.»].</p>
<p>Tudo isto não seria demasiado lamentável, se não fossem cortinas de fumo para que a atenção do leitor se desvie da frase – «desvalorização do euro em larga escala» – citada fraudulentamente pelo autor do post (as aspas são dele), para sustentar a sua tese do contágio global, modificando deliberadamente o sentido da frase original do relatório, que diz respeito, não à desvalorização do euro, mas sim à desvalorização da moeda do país que saísse do euro.</p>
<p>2. A resposta sobre os dados da ABE ou da PWC é mais uma ilustração da desonestidade do autor, que venho denunciando, e que o leitor pode, sem grande esforço, confirmar. O que eu digo, desde o início, é que os números das perdas referidos, mais uma vez abusivamente entre aspas, pelo autor do post (para que não haja dúvidas sobre o que se fala: os “«32 mil milhões de euros para a Itália, 27 mil milhões para a banca grega, 19 mil milhões para a francesa, 15 mil milhões para a alemã, 9 mil milhões para a portuguesa, 8,5 mil milhões para a grega, 8 mil milhões para a banca britânica, 7,8 mil milhões para a irlandesa, 5 mil milhões para a espanhola, 4,2 mil milhões para a holandesa e 5 mil milhões de euros adicionais para a restante zona euro”), NÃO SÃO da responsabilidade da ABE.</p>
<p>Eu percebo a dificuldade do autor do post, que não compreendeu nada, em perceber isto. Porque, debaixo do gráfico, donde tirou os números, vem a indicação: «Source: European Banking Authority (EBA)». O que o autor do post não consegue compreender é que uma coisa é a fonte dos dados, que toda a gente concorda e eu digo sempre explicitamente que é a ABE. Outra coisa é os cálculos, as estimativas, a análise que é feita com base neles e é apresentada no gráfico, que é da responsabilidade dos autores do relatório.</p>
<p>Como já expliquei, não podia deixar de ser assim. Porque ao contrário do que, com extrema desonestidade, o autor do post queria fazer passar, isto não é uma análise das “consequências de uma implosão da zona euro”, mas sim uma análise das consequências de um incumprimento ordeiro de alguns países. E, por isso, os pressupostos dessa análise são estabelecidos, não pela ABE (que, repito, é somente a fonte dos dados), mas pelos autores do relatório [«In this scenario Eurozone leaders negotiate a one-off debt restructuring for countries with very high debt – defined in this scenario as debt to GDP ratios greater than 100%.  We assume that there would be a  50% default on Portuguese and Irish sovereign debt and a 25% default on Italian sovereign debt, in addition to the 50% default already announced on Greek debt.» PWC, 2011, p.7].</p>
<p>As perdas apresentadas do gráfico 8 foram calculadas com base nas condições assumidas no relatório. Com outros pressupostos, percentagens diferentes de incumprimento, seriam diferentes.</p>
<p>Mas eu, receando que o autor do post não alcançasse facto tão elementar, dei-me ao trabalho de citar, textualmente, uma frase do relatório em que se enfatizava a diferença entre a fonte dos dados (ABE) e a responsabilidade da análise (PWC). Cito de novo, desta vez sem os realces (mas com a referência bem explícita à reestruturação da dívida e não a “implosões do euro”): «We estimate that the debt restructuring could have a total impact of over €800bn in lost wealth in the private sector, which may result in over €100bn lost by banks1», acompanhada da respectiva nota de rodapé: «1 Source: EBA data and PwC analysis».</p>
<p>É evidente, para o que nos importa, que o relevante não é a referência às perdas de 800 mil milhões de euros no sector privado, mas sim a referência às perdas de mais de 100 mil milhões de euros pelos bancos, que é o que se estava a discutir, e que correspondem ao total das perdas discriminadas no gráfico 8. Com a desonestidade intelectual que o caracteriza, o autor do post passa em silêncio o dado relevante do final da frase e agarra-se em desespero ao dado lateral do início, que só veio por acréscimo, por constar da mesma frase e que ninguém evocou. Que é isto senão baixa sofística, senão desonestidade intelectual?</p>
<p>Mas, ao menos, é bom reconhecer que os 800 mil milhões, que não são para aqui chamados, são uma estimativa da PWC. Talvez assim consiga perceber que os mais de 100 mil milhões, da mesma frase, o são também. Talvez consiga. Eu é que não sei se consigo explicar melhor. </p>
<p>3. Sobre as deturpações em torno de outro relatório, ING 2011, o autor do post consegue exceder-se.</p>
<p>Bem pode vir agora dizer que os dados que apresentou dizem respeito ao gráfico 12 da página 13, que dizem respeito ao cenário da implosão do euro. Na verdade, mesmo na sua última resposta, o autor consegue contradizer-se, porque, numa linha do parágrafo, diz (incorrectamente) que «esses são dados apontados pela ING como dados cumulativos de um cenário de saída do euro entre 2012 e 2016» e noutra, mais abaixo, diz (correctamente) que «os dados (…) referem-se, portanto, ao cenário de uma implosão da zona euro». Mas adiante, recomecemos.</p>
<p>Bem pode vir agora dizer que os dados que apresentou dizem respeito ao gráfico 12 da página 13, relativo ao cenário da implosão do euro.</p>
<p>a) Primeiro, o autor deve achar que os leitores são burros e não poderiam verificar imediatamente que a frase que critiquei diz respeito, não ao cenário de implosão, mas ao cenário de uma saída da Grécia. Cito novamente o próprio autor do post: «Mesmo no cenário menos desastroso mas mais improvável – onde apenas sairia a Grécia do euro – a generalidade dos países do euro registaria quedas do PIB na casa dos 5%». A frase intercalada entre travessões lá está para recordar ao autor que nem todos os dados diziam respeito ao cenário da implosão.</p>
<p>b) Segundo, desmascarando já outra manobra de diversão, não é verdade que o cenário da implosão do euro seja tratado em exclusividade a partir do título “Scenario II: a complete break up of the Eurozone”, da página 10. Este é, na verdade, o subtítulo que encerra uma secção, que começa na p. 9, que se intitula «1. Setting the boundaries» e que trata de dois casos limite, correspondentes às subsecções «1. Scenario I: a ‘stage-managed&#8217; exit of Greece» (na p. 9) e a já referida «2. Scenario II: a complete break up of the Eurozone» (na p. 10).<br />
Depois disso, na p. 11, inicia-se uma nova secção, intitulada «2. Assessing the impact», que trata novamente os dois casos, nomeadamente na p. 12 em causa. O autor do post quer fazer passar a ideia de que a partir da p. 10 tudo diria respeito ao cenário da implosão do euro, [«… os dados que forneço neste ponto do texto referem-se, portanto, ao cenário de uma implosão da zona euro conforme vêm ilustrados no ponto do relatório da ING que começa na página 10 com o título “Scenario II: a complete break up of the Eurozone”. »], mas qualquer leitor que se dê ao trabalho de abrir o documento verifica logo que isso é completamente falso.</p>
<p>c) Terceiro, a frase do autor que denunciei: «Mesmo no cenário menos desastroso mas mais improvável – onde apenas sairia a Grécia do euro – a generalidade dos países do euro registaria quedas do PIB na casa dos 5%.»; é uma deturpação evidente da frase original do relatório: «Although in scenario 1, Greek exit, the impact is clearly heaviest in Greece itself, there would be non-trivial effects on the rest of Europe. (…) Other Eurozone countries suffer falls in output of up to 5% (see Figure 10).». Foi para mostrar que as quedas do PIB não seriam, segundo o relatório, na generalidade dos países do euro, na casa dos 5%, que muito a propósito invoquei as tabelas finais.</p>
<p>4. Mas o autor acrescenta que «Eu [ele, o autor] não digo em ponto nenhum do texto que a implosão da zona euro é mais provável do que a saída da Grécia do euro». Eu percebo perfeitamente que o autor gostaria de apagar a frase fatídica, que tão desonestamente deturpou. O leitor que julgue: «Mesmo no cenário menos desastroso mas MAIS IMPROVÀVEL – onde apenas sairia a Grécia do euro – a generalidade dos países do euro registaria quedas do PIB na casa dos 5%» [realce meu]. Como o leitor pode facilmente comprovar, poupando-me a transcrição, nas frases anteriores referia-se ao cenário da implosão do euro (aquele por comparação com o qual a saída da Grécia era mais improvável, isto é, aquele que seria mais provável que a saída da Grécia).</p>
<p>5. Pela sua contumaz desonestidade intelectual, ainda pensei em brindar o autor com mais um exemplo, dos vários que sem esforço detectei, de deliberada deturpações dos textos. Para variar, agora no outro relatório, UBS (2011). Mas estou cansado de tanta desonestidade, de tanta aldrabice, de tanta ignorância e de tanta falta de inteligência (para evitar o adjectivo que se impunha, por respeito para com o site). Deixo, em seguida, como exercício para o leitor, que não tenha mais nada para fazer.</p>
<p>É sabido que o autor do post está interessado em sustentar a tese não só do dramatismo para o país que saísse do euro, mas também dos efeitos de contágio que isso teria em toda a zona euro. Para sustentar este segundo aspecto, não hesita em torcer o texto de relatórios, para obrigá-los a dizer aquilo que não consideraram. Por exemplo:</p>
<p>«Nesse sentido, o relatório da UBS descreve um cenário devastador no caso da saída de um país do euro e no caso de, subsequentemente, esse episódio resultar na implosão da zona euro».</p>
<p>O leitor que descubra, se conseguir, onde é que neste relatório, em que se abordam (e em parte quantificam) os cenários de uma saída unilateral de um país “fraco” (como a Grécia) ou “forte” (como a Alemanha) e, alternativamente, o da completa fragmentação da zona euro, se faz essa ligação, causal e temporal, traduzidas pelas palavras “subsequentemente” e “resultar” do autor, entre os dois cenários.</p>
<p>Eu é que não quero perder mais tempo. O texto não merece. O autor não merece.</p>
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		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/60577/#comment-70901</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jun 2012 14:33:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=60577#comment-70901</guid>

					<description><![CDATA[Não vou responder aos insultos do comentador porque só mostram as intenções e a (falta de) seriedade do mesmo. E só servem para baralhar o leitor. Foco-me por isso nas deturpações que tece ao que aqui escrevi.

1- Vejamos o que escrevi. «Do ponto de vista da classe dominante, as referências ao degradar violento das condições económicas de uma Grécia colocada fora do euro referem-se sempre aos efeitos globais que esse sismo económico desencadearia. Segundo o mesmo relatório, «quase imediatamente a seguir haverá especulação em torno das perspectivas de abandono de outras economias mais débeis» (idem). Por outras palavras, a interrogação que ocupará a mente dos investidores financeiros será “que países seguirão?”.»

Este meu parágrafo continua a análise prévia dos tais quatro pontos do relatório da Bertelsmann. A citação do respectivo relatorio é bastante elucidativa: «quase imediatamente a seguir haverá especulação em torno das perspectivas de abandono de outras economias mais débeis» (idem). Portanto, eu não deturpei coisa nenhuma ao extrapolar para a generalidade da zona euro. O comentador só pode estar delirando porque a própria citação do relatório aponta para o contágio da Grécia a outras economias.

2- O comentador fala novamente nos dados da ABE e do relatorio da PWC. Ora, os dados que o comentador utiliza desta vez (os 800 biliões) referem-se naturalmente às estimativas da PWC. Mas a) esses dados dos 800 biliões não são citados por mim) e; b) o que eu cito no artigo são dados da ABE relativos às perdas dos bancos conforme o gráfico 8... Portanto, dados da ABE e não dados da PWC. Não percebo onde está a dificuldade em entender. A não ser que o desejo de projecção de desonestidade intelectual que o comentador me atribui se refira, afinal, ao próprio.

3- O comentador diz ainda o seguinte:

«Aliás, como se percebe olhando para a figura em causa e melhor ainda para as tabelas do final do relatório, apenas se estimam, para Portugal e Itália, em 2012 e 2012, contracções absolutas, respectivamente de -4,8% e -0,9% para o primeiro país e de -2,6% e -0,7% para o segundo. Todos os demais países considerados têm quedas inferiores a -2,1% em 2012 e crescimentos em 2013.»

De facto, é surreal o procedimento deturpador do meu comentador quando ele passa da página 12 do relatório (que eu cito) para as tabelas do final que tratam de aspectos diferentes. De facto, os dados que eu subsequentemente forneço daquele relatório vêm no gráfico 12 da página 13. E esses são dados apontados pela ING como dados cumulativos de um cenário de saída do euro entre 2012 e 2016. Por isso, todos os valores que eu menciono no texto se referem a esse cenário e a esses dados coligidos. Se o comentador fosse honesto poderia fazer o reparo de que eu não mencionei inadvertidamente o período entre 2012 e 2016. Mas isto é apenas um pormenor quando comparado com o linguajar brejeiro do comentador e com a deturpação completa por ele protagonizada. Mas voltando ao que interessa, os dados que forneço neste ponto do texto referem-se, portanto, ao cenário de uma implosão da zona euro conforme vêm ilustrados no ponto do relatório da ING que começa na página 10 com o título &quot;Scenario II: a complete break up of the Eurozone&quot;. Ora, os dados que o comentador cita dizem respeito apenas ao caso de a Grécia sair do euro, mantendo-se a zona euro intacta. O que eu abordo nesta parte do texto é precisamente o cenário mais devastador (a implosão do euro). Nota-se, assim, como o comentador quer manipular o leitor tentando incluir dados de um cenário que eu não estava a avaliar.

Deixo para o fim uma consideração mais de ordem política. Diz o comentador «Desde já esclareça-se que a consideração de que o cenário de uma saída unilateral da Grécia é mais improvável que o “cenário de uma completa implosão do sistema monetário europeu”, referido nas frases anteriores, é uma consideração meramente subjectiva do autor ». Eu não digo em ponto nenhum do texto que a implosão da zona euro é mais provável do que a saída da Grécia do euro. Aliás, o mais provável é a manutenção da Grécia na zona euro. Ora, todo o texto se refere apenas e tão-só a desmascarar o argumento nacionalista de que no caso de uma saída da Grécia do euro ou no caso de uma implosão da zona euro, isso não acarretaria problemas nem consequências económicas. Portanto, o texto destina-se precisamente a demonstrar que a saída da Grécia da zona euro teria consequências devastadoras em toda a zona euro e, uma delas, a mais provável NO CASO DE uma Grexit, seria a implosão da zona euro.

O raciocínio nacionalista de esquerda veicula a tese de que não ocorreriam consequências económicas negativas no caso de uma saída grega do euro ou de um subsequente colapso da zona euro. Ora, o que este texto procura apresentar é precisamente o inverso. E, neste capítulo, aparte naturais diferenças quantitativas entre relatórios e artigos da imprensa burguesa da especialidade (se o comentador conhecer dados de origens proletárias ficaríamos todos agradecidos...), é indesmentível a existência de profundas consequências económicas negativas na zona euro. Consequências essas que seriam pagas pelos trabalhadores como ocorreu, aliás, com a crise económica de 1929 e como ocorre com todas as crises económicas no capitalismo. E é isto que o nacionalismo de esquerda quer omitir de modo a justificar o seu programa político mto avizinhado às teses da nação proletária.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não vou responder aos insultos do comentador porque só mostram as intenções e a (falta de) seriedade do mesmo. E só servem para baralhar o leitor. Foco-me por isso nas deturpações que tece ao que aqui escrevi.</p>
<p>1- Vejamos o que escrevi. «Do ponto de vista da classe dominante, as referências ao degradar violento das condições económicas de uma Grécia colocada fora do euro referem-se sempre aos efeitos globais que esse sismo económico desencadearia. Segundo o mesmo relatório, «quase imediatamente a seguir haverá especulação em torno das perspectivas de abandono de outras economias mais débeis» (idem). Por outras palavras, a interrogação que ocupará a mente dos investidores financeiros será “que países seguirão?”.»</p>
<p>Este meu parágrafo continua a análise prévia dos tais quatro pontos do relatório da Bertelsmann. A citação do respectivo relatorio é bastante elucidativa: «quase imediatamente a seguir haverá especulação em torno das perspectivas de abandono de outras economias mais débeis» (idem). Portanto, eu não deturpei coisa nenhuma ao extrapolar para a generalidade da zona euro. O comentador só pode estar delirando porque a própria citação do relatório aponta para o contágio da Grécia a outras economias.</p>
<p>2- O comentador fala novamente nos dados da ABE e do relatorio da PWC. Ora, os dados que o comentador utiliza desta vez (os 800 biliões) referem-se naturalmente às estimativas da PWC. Mas a) esses dados dos 800 biliões não são citados por mim) e; b) o que eu cito no artigo são dados da ABE relativos às perdas dos bancos conforme o gráfico 8&#8230; Portanto, dados da ABE e não dados da PWC. Não percebo onde está a dificuldade em entender. A não ser que o desejo de projecção de desonestidade intelectual que o comentador me atribui se refira, afinal, ao próprio.</p>
<p>3- O comentador diz ainda o seguinte:</p>
<p>«Aliás, como se percebe olhando para a figura em causa e melhor ainda para as tabelas do final do relatório, apenas se estimam, para Portugal e Itália, em 2012 e 2012, contracções absolutas, respectivamente de -4,8% e -0,9% para o primeiro país e de -2,6% e -0,7% para o segundo. Todos os demais países considerados têm quedas inferiores a -2,1% em 2012 e crescimentos em 2013.»</p>
<p>De facto, é surreal o procedimento deturpador do meu comentador quando ele passa da página 12 do relatório (que eu cito) para as tabelas do final que tratam de aspectos diferentes. De facto, os dados que eu subsequentemente forneço daquele relatório vêm no gráfico 12 da página 13. E esses são dados apontados pela ING como dados cumulativos de um cenário de saída do euro entre 2012 e 2016. Por isso, todos os valores que eu menciono no texto se referem a esse cenário e a esses dados coligidos. Se o comentador fosse honesto poderia fazer o reparo de que eu não mencionei inadvertidamente o período entre 2012 e 2016. Mas isto é apenas um pormenor quando comparado com o linguajar brejeiro do comentador e com a deturpação completa por ele protagonizada. Mas voltando ao que interessa, os dados que forneço neste ponto do texto referem-se, portanto, ao cenário de uma implosão da zona euro conforme vêm ilustrados no ponto do relatório da ING que começa na página 10 com o título &#8220;Scenario II: a complete break up of the Eurozone&#8221;. Ora, os dados que o comentador cita dizem respeito apenas ao caso de a Grécia sair do euro, mantendo-se a zona euro intacta. O que eu abordo nesta parte do texto é precisamente o cenário mais devastador (a implosão do euro). Nota-se, assim, como o comentador quer manipular o leitor tentando incluir dados de um cenário que eu não estava a avaliar.</p>
<p>Deixo para o fim uma consideração mais de ordem política. Diz o comentador «Desde já esclareça-se que a consideração de que o cenário de uma saída unilateral da Grécia é mais improvável que o “cenário de uma completa implosão do sistema monetário europeu”, referido nas frases anteriores, é uma consideração meramente subjectiva do autor ». Eu não digo em ponto nenhum do texto que a implosão da zona euro é mais provável do que a saída da Grécia do euro. Aliás, o mais provável é a manutenção da Grécia na zona euro. Ora, todo o texto se refere apenas e tão-só a desmascarar o argumento nacionalista de que no caso de uma saída da Grécia do euro ou no caso de uma implosão da zona euro, isso não acarretaria problemas nem consequências económicas. Portanto, o texto destina-se precisamente a demonstrar que a saída da Grécia da zona euro teria consequências devastadoras em toda a zona euro e, uma delas, a mais provável NO CASO DE uma Grexit, seria a implosão da zona euro.</p>
<p>O raciocínio nacionalista de esquerda veicula a tese de que não ocorreriam consequências económicas negativas no caso de uma saída grega do euro ou de um subsequente colapso da zona euro. Ora, o que este texto procura apresentar é precisamente o inverso. E, neste capítulo, aparte naturais diferenças quantitativas entre relatórios e artigos da imprensa burguesa da especialidade (se o comentador conhecer dados de origens proletárias ficaríamos todos agradecidos&#8230;), é indesmentível a existência de profundas consequências económicas negativas na zona euro. Consequências essas que seriam pagas pelos trabalhadores como ocorreu, aliás, com a crise económica de 1929 e como ocorre com todas as crises económicas no capitalismo. E é isto que o nacionalismo de esquerda quer omitir de modo a justificar o seu programa político mto avizinhado às teses da nação proletária.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: RF		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/60577/#comment-70857</link>

		<dc:creator><![CDATA[RF]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jun 2012 02:04:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=60577#comment-70857</guid>

					<description><![CDATA[As coisas estão de facto muito claras. A alternativa de que falei não tem sentido. O autor do post não percebe patavina do que fala E [conjunção] é desonesto intelectualmente.

1. Ainda bem que concordamos que “os quatro pontos do relatório da Bertelsmann Stiftung são só para um país”, porque: 

– para quem leia o final do parágrafo imediatamente anterior – “Todos estes estudos exploram cenários expectáveis no caso de uma Grexit e seus REAIS IMPACTOS NA ECONOMIA EUROPEIA [realce meu]. Apesar das suas discrepâncias quantitativas na avaliação dos custos económicos de uma desintegração do euro a curto prazo, o resultado substantivo dessa avaliação é inequívoco.”;

– para quem leia a introdução do próprio parágrafo – “O relatório da Bertelsmann Stiftung, de Novembro do ano passado, apontava para o facto de que uma Grexit não apenas resultaria «numa desvalorização do euro em larga escala» como também acarretaria quatro problemas fundamentais.” –, com a manipulação de citar entre aspas, supostamente textualmente, uma referência à desvalorização da moeda única europeia, e por conseguinte reportando-se à situação de toda a zona euro, quando na verdade se trata da desvalorização apenas da moeda no país em causa;

– e sobretudo para quem não se distraia de que isto era suposto ser um elemento da justificação da tese geral do contágio à zona euro e dos efeitos globais da suposta ruptura de um país ou de alguns países;

pode com toda a legitimidade concluir que o  enunciado, imediatamente seguinte, dos pontos se reportava em geral à situação europeia, particularizando o último, obviamente, até pela transcrição do seu enunciado [«huge technical and legal hurdles would have to be taken into account by the seceding country when abandoning the euro»], dificuldades, técnicas e legais, específicas do país que saísse, aliás mal explicadas pelo autor do post [“ou seja”], porque não se trata aqui de problemas de natureza económica decorrentes da eventual introdução de medidas proteccionistas (mas não quero entrar nos pormenores das más traduções).

Por isso bem pode o autor, desviando a atenção das suas comprovadas falsificações, cuja nova ocultação desde já o classifica, tentar virar o bico ao prego, agarrando-se ao facto de que estava, não apenas no último ponto (como era evidente, não podia deixar de ser e ninguém nega), mas sempre, neste parágrafo, a falar de “um só país”. Aliás, deve ser por isso que no parágrafo seguinte segue a linha de raciocínio – «Do ponto de vista da classe dominante, as referências ao degradar violento das condições económicas de uma Grécia colocada fora do euro referem-se sempre aos efeitos globais que esse sismo económico desencadearia. (…)».

2. O autor do post é melhor respirar fundo antes de insistir nos disparates. Veja-se o caso dos supostos dados da Autoridade Bancária Europeia. Ninguém contesta que a fonte dos dados é a ABE (no meu comentário digo-o explicitamente), aliás já bastante desactualizados. Mas as perdas dos sistemas bancários nacionais com o incumprimento ordeiro de certos Estados-membros (e não com a “implosão do euro”), as percentagens que o autor refere no post para as perdas, não são da ABE. São estimativas dos autores do relatório, como não podia deixar de ser, tanto mais que são estes que definem as condições para essas estimativas (por exemplo, um incumprimento de 50% na dívida pública portuguesa e de 25% na italiana). Mas para quem não percebeu nada, talvez uma segunda tentativa ajude:
«We ESTIMATE [realce meu] that the debt restructuring could have a total impact of over €800bn in lost wealth in the private sector, which may result in over €100bn lost by banks1 / Nota de rodapé: «1 Source: EBA data and PwC ANALYSIS» [realce meu]».

3. Não tenho de facto tempo, nem predisposição, para apresentar todo o tipo de falsificações que o autor do post faz dos relatórios em que se baseia. Mas quero reiterar que há vários outros e graves exemplos, em todos os relatórios citados, que mais uma vez deixo ao cuidado do leitor interessado que tiver a santa paciência de os compulsar.

Como brinde à sua reiterada desonestidade, deixo apenas mais um exemplo.

O autor, reportando-se a outro relatório, ING (2011), afirma «Mesmo no cenário menos desastroso mas mais improvável – onde apenas sairia a Grécia do euro – a generalidade dos países do euro registaria quedas do PIB na casa dos 5%.».

Desde já esclareça-se que a consideração de que o cenário de uma saída unilateral da Grécia é mais improvável que o “cenário de uma completa implosão do sistema monetário europeu”, referido nas frases anteriores, é uma consideração meramente subjectiva do autor (em meu entender tremendamente errada), sem qualquer suporte neste relatório. Mas até aqui está apenas a incompreensão.

A desonestidade intelectual vem quando afirma que, segundo o relatório, no cenário de saída singular da Grécia, “a generalidade dos países do euro registaria quedas do PIB na casa dos 5%”, quando o que se afirma é que outros países do euro sofreriam perdas no máximo de 5% («Other Eurozone countries suffer falls in output of up to 5% (see Figure 10).», ING, 2011, p.12). Aliás, como se percebe olhando para a figura em causa e melhor ainda para as tabelas do final do relatório, apenas se estimam, para Portugal e Itália, em 2012 e 2012, contracções absolutas, respectivamente de -4,8% e -0,9% para o primeiro país e de -2,6% e -0,7% para o segundo. Todos os demais países considerados têm quedas inferiores a -2,1% em 2012 e crescimentos em 2013.

4. Só vale a pena discutir quando há um mínimo de seriedade. Neste texto, as fundamentações são pouco mais do que actos de fé (com a aceitação acrítica de notícias e documentos mal digeridos) e, pior ainda, de alinhavados de deliberadas aldrabices.

Repito. O leitor que se dê ao trabalho encontrará infelizmente abundantes provas do que afirmo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As coisas estão de facto muito claras. A alternativa de que falei não tem sentido. O autor do post não percebe patavina do que fala E [conjunção] é desonesto intelectualmente.</p>
<p>1. Ainda bem que concordamos que “os quatro pontos do relatório da Bertelsmann Stiftung são só para um país”, porque: </p>
<p>– para quem leia o final do parágrafo imediatamente anterior – “Todos estes estudos exploram cenários expectáveis no caso de uma Grexit e seus REAIS IMPACTOS NA ECONOMIA EUROPEIA [realce meu]. Apesar das suas discrepâncias quantitativas na avaliação dos custos económicos de uma desintegração do euro a curto prazo, o resultado substantivo dessa avaliação é inequívoco.”;</p>
<p>– para quem leia a introdução do próprio parágrafo – “O relatório da Bertelsmann Stiftung, de Novembro do ano passado, apontava para o facto de que uma Grexit não apenas resultaria «numa desvalorização do euro em larga escala» como também acarretaria quatro problemas fundamentais.” –, com a manipulação de citar entre aspas, supostamente textualmente, uma referência à desvalorização da moeda única europeia, e por conseguinte reportando-se à situação de toda a zona euro, quando na verdade se trata da desvalorização apenas da moeda no país em causa;</p>
<p>– e sobretudo para quem não se distraia de que isto era suposto ser um elemento da justificação da tese geral do contágio à zona euro e dos efeitos globais da suposta ruptura de um país ou de alguns países;</p>
<p>pode com toda a legitimidade concluir que o  enunciado, imediatamente seguinte, dos pontos se reportava em geral à situação europeia, particularizando o último, obviamente, até pela transcrição do seu enunciado [«huge technical and legal hurdles would have to be taken into account by the seceding country when abandoning the euro»], dificuldades, técnicas e legais, específicas do país que saísse, aliás mal explicadas pelo autor do post [“ou seja”], porque não se trata aqui de problemas de natureza económica decorrentes da eventual introdução de medidas proteccionistas (mas não quero entrar nos pormenores das más traduções).</p>
<p>Por isso bem pode o autor, desviando a atenção das suas comprovadas falsificações, cuja nova ocultação desde já o classifica, tentar virar o bico ao prego, agarrando-se ao facto de que estava, não apenas no último ponto (como era evidente, não podia deixar de ser e ninguém nega), mas sempre, neste parágrafo, a falar de “um só país”. Aliás, deve ser por isso que no parágrafo seguinte segue a linha de raciocínio – «Do ponto de vista da classe dominante, as referências ao degradar violento das condições económicas de uma Grécia colocada fora do euro referem-se sempre aos efeitos globais que esse sismo económico desencadearia. (…)».</p>
<p>2. O autor do post é melhor respirar fundo antes de insistir nos disparates. Veja-se o caso dos supostos dados da Autoridade Bancária Europeia. Ninguém contesta que a fonte dos dados é a ABE (no meu comentário digo-o explicitamente), aliás já bastante desactualizados. Mas as perdas dos sistemas bancários nacionais com o incumprimento ordeiro de certos Estados-membros (e não com a “implosão do euro”), as percentagens que o autor refere no post para as perdas, não são da ABE. São estimativas dos autores do relatório, como não podia deixar de ser, tanto mais que são estes que definem as condições para essas estimativas (por exemplo, um incumprimento de 50% na dívida pública portuguesa e de 25% na italiana). Mas para quem não percebeu nada, talvez uma segunda tentativa ajude:<br />
«We ESTIMATE [realce meu] that the debt restructuring could have a total impact of over €800bn in lost wealth in the private sector, which may result in over €100bn lost by banks1 / Nota de rodapé: «1 Source: EBA data and PwC ANALYSIS» [realce meu]».</p>
<p>3. Não tenho de facto tempo, nem predisposição, para apresentar todo o tipo de falsificações que o autor do post faz dos relatórios em que se baseia. Mas quero reiterar que há vários outros e graves exemplos, em todos os relatórios citados, que mais uma vez deixo ao cuidado do leitor interessado que tiver a santa paciência de os compulsar.</p>
<p>Como brinde à sua reiterada desonestidade, deixo apenas mais um exemplo.</p>
<p>O autor, reportando-se a outro relatório, ING (2011), afirma «Mesmo no cenário menos desastroso mas mais improvável – onde apenas sairia a Grécia do euro – a generalidade dos países do euro registaria quedas do PIB na casa dos 5%.».</p>
<p>Desde já esclareça-se que a consideração de que o cenário de uma saída unilateral da Grécia é mais improvável que o “cenário de uma completa implosão do sistema monetário europeu”, referido nas frases anteriores, é uma consideração meramente subjectiva do autor (em meu entender tremendamente errada), sem qualquer suporte neste relatório. Mas até aqui está apenas a incompreensão.</p>
<p>A desonestidade intelectual vem quando afirma que, segundo o relatório, no cenário de saída singular da Grécia, “a generalidade dos países do euro registaria quedas do PIB na casa dos 5%”, quando o que se afirma é que outros países do euro sofreriam perdas no máximo de 5% («Other Eurozone countries suffer falls in output of up to 5% (see Figure 10).», ING, 2011, p.12). Aliás, como se percebe olhando para a figura em causa e melhor ainda para as tabelas do final do relatório, apenas se estimam, para Portugal e Itália, em 2012 e 2012, contracções absolutas, respectivamente de -4,8% e -0,9% para o primeiro país e de -2,6% e -0,7% para o segundo. Todos os demais países considerados têm quedas inferiores a -2,1% em 2012 e crescimentos em 2013.</p>
<p>4. Só vale a pena discutir quando há um mínimo de seriedade. Neste texto, as fundamentações são pouco mais do que actos de fé (com a aceitação acrítica de notícias e documentos mal digeridos) e, pior ainda, de alinhavados de deliberadas aldrabices.</p>
<p>Repito. O leitor que se dê ao trabalho encontrará infelizmente abundantes provas do que afirmo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/60577/#comment-70845</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jun 2012 22:32:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=60577#comment-70845</guid>

					<description><![CDATA[1) o autor do comentário afirma que os quatro pontos do relatório da Bertelsmann Stiftung são só para um país e que eu teria dito que era para toda a zona euro. Então vejamos o que eu realmente disse e não o que o comentador acima disse: «para um país da zona euro que estava intimamente conectado do ponto de vista económico a esse espaço, se quisesse voltar a desenvolver trocas comerciais, o processo tornar-se-ia moroso e enredado em proteccionismos comerciais». Não sei porquê mas &quot;um país&quot; é, de facto, &quot;um&quot;. Ou o comentador está a incorrer na desonestidade intelectual que me atribui ou precisa urgentemente de rever o seu conceito de número...

2) os dados são da Autoridade Bancária Europeia, conforme vêm expressos no relatório da PWC... Os dados não são da PWC. E a avaliação da PWC acerca dos dados da primeira relacionam-se precisamente com o cenário de uma derrocada na zona euro e quais os efeitos na banca europeia. As coisas são muito claras.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1) o autor do comentário afirma que os quatro pontos do relatório da Bertelsmann Stiftung são só para um país e que eu teria dito que era para toda a zona euro. Então vejamos o que eu realmente disse e não o que o comentador acima disse: «para um país da zona euro que estava intimamente conectado do ponto de vista económico a esse espaço, se quisesse voltar a desenvolver trocas comerciais, o processo tornar-se-ia moroso e enredado em proteccionismos comerciais». Não sei porquê mas &#8220;um país&#8221; é, de facto, &#8220;um&#8221;. Ou o comentador está a incorrer na desonestidade intelectual que me atribui ou precisa urgentemente de rever o seu conceito de número&#8230;</p>
<p>2) os dados são da Autoridade Bancária Europeia, conforme vêm expressos no relatório da PWC&#8230; Os dados não são da PWC. E a avaliação da PWC acerca dos dados da primeira relacionam-se precisamente com o cenário de uma derrocada na zona euro e quais os efeitos na banca europeia. As coisas são muito claras.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/60577/#comment-70835</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jun 2012 21:45:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O comentador anterior tem a vantagem de expor todos os seus não-argumentos a partir do que ele gostaria de ver no meu texto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O comentador anterior tem a vantagem de expor todos os seus não-argumentos a partir do que ele gostaria de ver no meu texto.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: RF		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/60577/#comment-70821</link>

		<dc:creator><![CDATA[RF]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jun 2012 19:21:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=60577#comment-70821</guid>

					<description><![CDATA[Eu gostaria de crer que não se trata de desonestidade intelectual, mas fica difícil.

Argumentar sobre os riscos de contágio, qualquer que seja a sua forma, com base nalgumas poucas notícias de imprensa (quando há tantas outras de sentido simétrico) e sobretudo com estudos e relatórios, aliás muito deficientemente fundamentados, do ano passado, anteriores à experiência do default e reestruturação grega do início deste ano, seria quase risível, se fosse apenas falta de compreensão e precipitação.

No entanto, o que choca mais é a deturpação pelo autor do post dos relatórios em que se baseia. Darei apenas, por falta de tempo e pachorra, dois exemplos, mas o leitor curioso que se dê ao trabalho de examinar as fontes, encontrará outros. 

1º Exemplo. O autor afirma que &quot;O relatório da Bertelsmann Stiftung, de Novembro do ano passado, apontava para o facto de que uma Grexit não apenas resultaria «numa desvalorização do euro em larga escala» como também acarretaria quatro problemas fundamentais&quot;, mas o dito relatório não fala em nenhuma «desvalorização do euro em larga escala», tal como pretensamente citado pelo autor, e sim na desvalorização em larga escala da moeda do país que abandonasse o euro [«... it is reasonable to assume that the external value of the currency of a weak country seceding from the euro zone might fall by up to 60 percent vis-à-vis the “rump euro” bloc. However, large-scale devaluation and the reintroduction of monetary sovereignty will also have negative economic and political (side) effects.», BELKE, Ansgar (2011), p.5].

De igual modo, os &quot;quatro problemas fundamentais&quot; que seguem não se referem aos “impactos na economia europeia”, mas na economia do país em causa, que abandonasse o euro.

2º Exemplo. O autor afirma, referindo-se a outro relatório, que “as consequências de uma implosão da zona euro não se repercutiriam somente ao nível do PIB mas também no sistema bancário. Segundo a Autoridade Bancária Europeia, «a contracção económica seria fortemente sentida nos países com a maior exposição» (PWC, 2011, p.7) aos mecanismos de securitização da dívida”. Mas o dito relatório não se refere neste caso a nenhuma “implosão da zona euro” e sim a uma reestruturação ordeira da dívida dos Estados-membros mais endividados. (“Scenario 2: Orderly defaults”, «The resulting economic contraction would be hardest felt in countries with banks with the greatest exposure to the restructured bonds: Italy, Greece, and Portugal as illustrated in Figure 8.», PWC, 2011, p.7).

A propósito, a estimativa das perdas é da PWC, não da Autoridade Bancária Europeia (que é somente a fonte dos dados). E não se fala de “países com a maior exposição aos mecanismos de securitização da dívida”, mas sim dos países com bancos com maior exposição à dívida reestruturada (neste cenário), o que não é, para quem perceba minimamente o que é a “securitização da dívida”, metida aqui a martelo pelo autor, propriamente a mesma coisa.

Em resumo, se não é desonestidade intelectual, então é forçoso concluir que o autor não percebe patavina do que fala. O leitor, benevolentemente, que decida. Eu cá hesito.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu gostaria de crer que não se trata de desonestidade intelectual, mas fica difícil.</p>
<p>Argumentar sobre os riscos de contágio, qualquer que seja a sua forma, com base nalgumas poucas notícias de imprensa (quando há tantas outras de sentido simétrico) e sobretudo com estudos e relatórios, aliás muito deficientemente fundamentados, do ano passado, anteriores à experiência do default e reestruturação grega do início deste ano, seria quase risível, se fosse apenas falta de compreensão e precipitação.</p>
<p>No entanto, o que choca mais é a deturpação pelo autor do post dos relatórios em que se baseia. Darei apenas, por falta de tempo e pachorra, dois exemplos, mas o leitor curioso que se dê ao trabalho de examinar as fontes, encontrará outros. </p>
<p>1º Exemplo. O autor afirma que &#8220;O relatório da Bertelsmann Stiftung, de Novembro do ano passado, apontava para o facto de que uma Grexit não apenas resultaria «numa desvalorização do euro em larga escala» como também acarretaria quatro problemas fundamentais&#8221;, mas o dito relatório não fala em nenhuma «desvalorização do euro em larga escala», tal como pretensamente citado pelo autor, e sim na desvalorização em larga escala da moeda do país que abandonasse o euro [«&#8230; it is reasonable to assume that the external value of the currency of a weak country seceding from the euro zone might fall by up to 60 percent vis-à-vis the “rump euro” bloc. However, large-scale devaluation and the reintroduction of monetary sovereignty will also have negative economic and political (side) effects.», BELKE, Ansgar (2011), p.5].</p>
<p>De igual modo, os &#8220;quatro problemas fundamentais&#8221; que seguem não se referem aos “impactos na economia europeia”, mas na economia do país em causa, que abandonasse o euro.</p>
<p>2º Exemplo. O autor afirma, referindo-se a outro relatório, que “as consequências de uma implosão da zona euro não se repercutiriam somente ao nível do PIB mas também no sistema bancário. Segundo a Autoridade Bancária Europeia, «a contracção económica seria fortemente sentida nos países com a maior exposição» (PWC, 2011, p.7) aos mecanismos de securitização da dívida”. Mas o dito relatório não se refere neste caso a nenhuma “implosão da zona euro” e sim a uma reestruturação ordeira da dívida dos Estados-membros mais endividados. (“Scenario 2: Orderly defaults”, «The resulting economic contraction would be hardest felt in countries with banks with the greatest exposure to the restructured bonds: Italy, Greece, and Portugal as illustrated in Figure 8.», PWC, 2011, p.7).</p>
<p>A propósito, a estimativa das perdas é da PWC, não da Autoridade Bancária Europeia (que é somente a fonte dos dados). E não se fala de “países com a maior exposição aos mecanismos de securitização da dívida”, mas sim dos países com bancos com maior exposição à dívida reestruturada (neste cenário), o que não é, para quem perceba minimamente o que é a “securitização da dívida”, metida aqui a martelo pelo autor, propriamente a mesma coisa.</p>
<p>Em resumo, se não é desonestidade intelectual, então é forçoso concluir que o autor não percebe patavina do que fala. O leitor, benevolentemente, que decida. Eu cá hesito.</p>
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