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	Comentários sobre: Dilemas da liberdade. 1) Uma incipiente nova ordem da sociedade	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Paulo Luiz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/52020/#comment-84019</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Luiz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Oct 2012 17:16:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernado
Obrigado. Pensava que uma delas seria &quot;O Outono da Idade Média&quot; de Huizinga e passou-me pela cabeça Perry Anderson também. Gostei no entanto da indicação, pois de Marc Bloch só conheço a Apologia, e nunca li nada de JP Faye. Vou atrás.
Abraço,
Paulo Luiz]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernado<br />
Obrigado. Pensava que uma delas seria &#8220;O Outono da Idade Média&#8221; de Huizinga e passou-me pela cabeça Perry Anderson também. Gostei no entanto da indicação, pois de Marc Bloch só conheço a Apologia, e nunca li nada de JP Faye. Vou atrás.<br />
Abraço,<br />
Paulo Luiz</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/52020/#comment-83917</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Oct 2012 21:15:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Paulo Luiz,
Deixei a frase em suspenso para ver se algum leitor me fazia a pergunta, e depois de todo este tempo foi você o primeiro, o que lhe agradeço. No artigo mencionei a obra de Carlyle, para a qual só encontro um paralelo, tanto na majestosa construção como no gesto soberano com que selecciona os factos ilustrativos da estrutura — os filmes do cineasta Luchino Visconti. As outras duas obras são:
- Marc Bloch, &lt;em&gt;Les Caractères Originaux de l&#039;Histoire Rurale Française&lt;/em&gt;, (2ª ed. póstuma, org. por Robert Marie Dauvergne), 2 vols., Paris: Armand Colin, 1952-1956.
- Jean Pierre Faye, &lt;em&gt;Langages Totalitaires. Critique de la Raison – l’Économie – Narrative&lt;/em&gt; (ed. corr.), Paris: Hermann, 1980.
Já agora, uma explicação. Considero Marc Bloch como um enorme historiador por duas razões. Porque conseguia somar a imaginação ao rigor no estabelecimento dos factos. E porque usou para o estudo do regime senhorial as descobertas feitas pela antropologia no estudo de sociedades de tradição não europeia, o que ampliou muito as perspectivas. Nos termos de Marc Bloch não pode haver história que não seja história comparada, exactamente o contrário do que sucede hoje com os multiculturalistas, que se esforçam por singularizar cada fenómeno e destroem assim qualquer tecido conjunto. Além disso, Bloch foi um homem corajoso, bastante alheio à política durante uma Terceira República que era a República dos Professores, para empregar a expressão de Thibaudet, mas militou na política quando isso se tornou necessário e perigoso, e pagou com a vida. Neste plano só encontro o nome de outro historiador, Emanuel Ringelblum.
Passando ao terceiro historiador evocado, Jean Pierre Faye propôs a tese de que a história é inseparável das formas da sua narração e foi com este modelo que pesquisou e escreveu sobre a formação do pensamento de extrema-direita alemão durante a República de Weimar. Invocando Roman Jakobson, que considerava que um mesmo processo de dupla articulação presidira tanto ao aparecimento da linguagem como à produção de utensílios, Faye considera que a linguagem não flutua no plano das ideias, mas constitui a própria articulação das relações sociais, tanto reais como imaginárias. Para Faye as relações sociais de produção e de troca devem ser definidas como relações de linguagem, estabelecidas na forma activa da narração. Aquele livro renovou inteiramente a forma como passei a abordar o estudo da cultura.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo Luiz,<br />
Deixei a frase em suspenso para ver se algum leitor me fazia a pergunta, e depois de todo este tempo foi você o primeiro, o que lhe agradeço. No artigo mencionei a obra de Carlyle, para a qual só encontro um paralelo, tanto na majestosa construção como no gesto soberano com que selecciona os factos ilustrativos da estrutura — os filmes do cineasta Luchino Visconti. As outras duas obras são:<br />
&#8211; Marc Bloch, <em>Les Caractères Originaux de l&#8217;Histoire Rurale Française</em>, (2ª ed. póstuma, org. por Robert Marie Dauvergne), 2 vols., Paris: Armand Colin, 1952-1956.<br />
&#8211; Jean Pierre Faye, <em>Langages Totalitaires. Critique de la Raison – l’Économie – Narrative</em> (ed. corr.), Paris: Hermann, 1980.<br />
Já agora, uma explicação. Considero Marc Bloch como um enorme historiador por duas razões. Porque conseguia somar a imaginação ao rigor no estabelecimento dos factos. E porque usou para o estudo do regime senhorial as descobertas feitas pela antropologia no estudo de sociedades de tradição não europeia, o que ampliou muito as perspectivas. Nos termos de Marc Bloch não pode haver história que não seja história comparada, exactamente o contrário do que sucede hoje com os multiculturalistas, que se esforçam por singularizar cada fenómeno e destroem assim qualquer tecido conjunto. Além disso, Bloch foi um homem corajoso, bastante alheio à política durante uma Terceira República que era a República dos Professores, para empregar a expressão de Thibaudet, mas militou na política quando isso se tornou necessário e perigoso, e pagou com a vida. Neste plano só encontro o nome de outro historiador, Emanuel Ringelblum.<br />
Passando ao terceiro historiador evocado, Jean Pierre Faye propôs a tese de que a história é inseparável das formas da sua narração e foi com este modelo que pesquisou e escreveu sobre a formação do pensamento de extrema-direita alemão durante a República de Weimar. Invocando Roman Jakobson, que considerava que um mesmo processo de dupla articulação presidira tanto ao aparecimento da linguagem como à produção de utensílios, Faye considera que a linguagem não flutua no plano das ideias, mas constitui a própria articulação das relações sociais, tanto reais como imaginárias. Para Faye as relações sociais de produção e de troca devem ser definidas como relações de linguagem, estabelecidas na forma activa da narração. Aquele livro renovou inteiramente a forma como passei a abordar o estudo da cultura.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo Luiz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/52020/#comment-83912</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Luiz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Oct 2012 20:33:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Prezado João Bernardo
Gostaria de saber quais são, na sua opinião, além da História da Revolução Francesa, as outras duas obras-primas de toda a historiografia? (Sei que apareço aqui com atraso, mas a curiosidade, somada à admiração, me impele a lhe perguntar isto.)
Abraço,
Paulo Luiz]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezado João Bernardo<br />
Gostaria de saber quais são, na sua opinião, além da História da Revolução Francesa, as outras duas obras-primas de toda a historiografia? (Sei que apareço aqui com atraso, mas a curiosidade, somada à admiração, me impele a lhe perguntar isto.)<br />
Abraço,<br />
Paulo Luiz</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Amanda		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/52020/#comment-74042</link>

		<dc:creator><![CDATA[Amanda]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Jul 2012 13:23:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Joao, 

Eu ia mesmo citar a glorificacao da assassina de Marat, mas deixei a bola para outros chutarem.


O seu artigo tambem pecou pelo titulo inadequado. Deveria se chamar algo como: os aspectos fascistas do feminismo de gestoras, que eu chamo feminismo das patroas.  

O fascismo que.se gesta hoje e verde, antitabagista, feminista e cria seus exercitos nos fundos das academias, centros de condicionamento fisico.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Joao, </p>
<p>Eu ia mesmo citar a glorificacao da assassina de Marat, mas deixei a bola para outros chutarem.</p>
<p>O seu artigo tambem pecou pelo titulo inadequado. Deveria se chamar algo como: os aspectos fascistas do feminismo de gestoras, que eu chamo feminismo das patroas.  </p>
<p>O fascismo que.se gesta hoje e verde, antitabagista, feminista e cria seus exercitos nos fundos das academias, centros de condicionamento fisico.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/52020/#comment-74031</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Jul 2012 09:47:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fagner Enrique,
Uma revolução nunca resulta da acção de uma única classe social ou de um único grupo social, homegeneamente considerados. Resulta da acção de fracções de classes sociais, ainda que, percentualmente, uma dessas classes possa inclinar-se mais para um lado ou para o outro. Por isso as revoluções são sempre processos contraditórios e no seu interior digladiam-se correntes antagónicas. Daí o &lt;em&gt;dilemas&lt;/em&gt; no título desta série de artigos. Você apresenta para as perspectivas revolucionárias contemporâneas uma dicotomia que corresponde àquela que é colocada pela maior parte das pessoas, e é aí que reside a meu ver o problema principal. Enquanto as lutas se restringirem ao interior das empresas, o risco de se limitarem aos interesses imediatos estará sempre presente. Mas o risco não é menor quando se projecta a ocupação de praças públicas, reclamando contra o poder político exercido pelas grandes empresas e esquecendo deliberadamente a exploração económica. Aliás, o risco é mais grave ainda, porque geralmente essas ocupações de ruas e praças por massas de &lt;em&gt;indignados&lt;/em&gt; têm como alvo o capital financeiro, considerado &lt;em&gt;especulativo&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;parasitário&lt;/em&gt;, responsável por uma &lt;em&gt;economia de casino&lt;/em&gt;, por oposição a outro capital, considerado &lt;em&gt;produtivo&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;responsável&lt;/em&gt;. Ora, esta divisão do capital em &lt;em&gt;especulativo&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;produtivo&lt;/em&gt; surgiu no começo do século XX e esteve estreitamente ligada à génese e ao desenvolvimento do fascismo. Se você ou mais alguém estiver interessado em aprofundar esta questão, aconselho as obras de Zeev Sternhell. Quando vejo este tipo de movimentos ser animado por pessoas que, ao mesmo tempo, estão muito próximas de uma ecologia fascizante, quando não mesmo fascista, receio que o futuro imediato seja sombrio. Neste momento, em Portugal, um grupo de &lt;em&gt;indignados&lt;/em&gt; faz circular um projecto de manifesto preparatório de uma manifestação a convocar para um dos próximos meses em que escreve «a corrupção grassa enquanto as pequenas e médias empresas definham sobre os lucros e chantagens das grandes corporações e bancos», eu pergunto-me se eles alguma vez terão lido os capítulos económicos do &lt;em&gt;Mein Kampf&lt;/em&gt;. Se não, seria bom que lessem, para as opções ficarem claras.
Amanda,
Nessa mesma perspectiva, é interessante verificar que Charlotte Corday, a assassina de Marat, é glorificada por várias feministas. Mas escuso de epilogar a este respeito porque há meia dúzia de anos publiquei na revista &lt;em&gt;Novos Rumos&lt;/em&gt; o artigo «Considerações inoportunas e politicamente incorretas sobre uma quesão dos nossos dias», que se encontra em vários lugares na internet. Lá digo o que penso acerca dessa gente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fagner Enrique,<br />
Uma revolução nunca resulta da acção de uma única classe social ou de um único grupo social, homegeneamente considerados. Resulta da acção de fracções de classes sociais, ainda que, percentualmente, uma dessas classes possa inclinar-se mais para um lado ou para o outro. Por isso as revoluções são sempre processos contraditórios e no seu interior digladiam-se correntes antagónicas. Daí o <em>dilemas</em> no título desta série de artigos. Você apresenta para as perspectivas revolucionárias contemporâneas uma dicotomia que corresponde àquela que é colocada pela maior parte das pessoas, e é aí que reside a meu ver o problema principal. Enquanto as lutas se restringirem ao interior das empresas, o risco de se limitarem aos interesses imediatos estará sempre presente. Mas o risco não é menor quando se projecta a ocupação de praças públicas, reclamando contra o poder político exercido pelas grandes empresas e esquecendo deliberadamente a exploração económica. Aliás, o risco é mais grave ainda, porque geralmente essas ocupações de ruas e praças por massas de <em>indignados</em> têm como alvo o capital financeiro, considerado <em>especulativo</em> e <em>parasitário</em>, responsável por uma <em>economia de casino</em>, por oposição a outro capital, considerado <em>produtivo</em> e <em>responsável</em>. Ora, esta divisão do capital em <em>especulativo</em> e <em>produtivo</em> surgiu no começo do século XX e esteve estreitamente ligada à génese e ao desenvolvimento do fascismo. Se você ou mais alguém estiver interessado em aprofundar esta questão, aconselho as obras de Zeev Sternhell. Quando vejo este tipo de movimentos ser animado por pessoas que, ao mesmo tempo, estão muito próximas de uma ecologia fascizante, quando não mesmo fascista, receio que o futuro imediato seja sombrio. Neste momento, em Portugal, um grupo de <em>indignados</em> faz circular um projecto de manifesto preparatório de uma manifestação a convocar para um dos próximos meses em que escreve «a corrupção grassa enquanto as pequenas e médias empresas definham sobre os lucros e chantagens das grandes corporações e bancos», eu pergunto-me se eles alguma vez terão lido os capítulos económicos do <em>Mein Kampf</em>. Se não, seria bom que lessem, para as opções ficarem claras.<br />
Amanda,<br />
Nessa mesma perspectiva, é interessante verificar que Charlotte Corday, a assassina de Marat, é glorificada por várias feministas. Mas escuso de epilogar a este respeito porque há meia dúzia de anos publiquei na revista <em>Novos Rumos</em> o artigo «Considerações inoportunas e politicamente incorretas sobre uma quesão dos nossos dias», que se encontra em vários lugares na internet. Lá digo o que penso acerca dessa gente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Amanda		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/52020/#comment-73997</link>

		<dc:creator><![CDATA[Amanda]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Jul 2012 02:47:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nos blogs feministas, o fechamento dos clubes femininos não é posto no quadro do fechamento geral dos clubes populares. Para elas, houve somente uma guinada violenta dos homens contra as mulheres. 

Segue um trecho: 

&quot;Ela morre guilhotinada em Paris, no dia 3 de novembro de 1793. Antes ela afirmaria: &quot;A mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve ter igualmente o direito de subir à tribuna.&quot; Nesse ano, as associações de mulheres são proibidas na França&quot;

o que foi uma ação contra a organização do povo é transformado pela historiografia vulgar feminista em ação somente contra a organização das mulheres. E esses textos são muito difundidos. É a novilíngua!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos blogs feministas, o fechamento dos clubes femininos não é posto no quadro do fechamento geral dos clubes populares. Para elas, houve somente uma guinada violenta dos homens contra as mulheres. </p>
<p>Segue um trecho: </p>
<p>&#8220;Ela morre guilhotinada em Paris, no dia 3 de novembro de 1793. Antes ela afirmaria: &#8220;A mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve ter igualmente o direito de subir à tribuna.&#8221; Nesse ano, as associações de mulheres são proibidas na França&#8221;</p>
<p>o que foi uma ação contra a organização do povo é transformado pela historiografia vulgar feminista em ação somente contra a organização das mulheres. E esses textos são muito difundidos. É a novilíngua!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/52020/#comment-73973</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Jul 2012 22:02:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=52020#comment-73973</guid>

					<description><![CDATA[João Bernardo, levando adiante a reflexão deste brilhante texto sobre os impasses entre a &quot;democratização&quot; da sociedade &quot;pelo alto&quot; e a tentativa de as classes subalternas de estender a democratização a outras esferas da sociedade, sobretudo a econômica, coloco a seguinte questão: nas sociedades em que se procederam as chamadas &quot;revoluções burguesas&quot;, a referida &quot;democratização&quot; tinha em vista garantir a participação dos proprietários, que não tinham tinham ascendência aristocrática, mas que eram oriundos do chamado Terceiro Estado, no sistema de poder. Diante disso, podemos concluir que o motor do grande movimento democrático de massas, que foi a Revolução Francesa, foi a necessidade de a burguesia conquistar representação política no seio de uma sociedade até então marcadamente aristocrática, necessidade esta que ativou forças sociais cujo objetivo, desde o início, era manter na passividade. Porém, nas condições atuais, em que a burguesia têm assegurada sua representação no sistema de poder; em que os trabalhadores têm suas formas de organização tradicionais legalizadas e incorporadas a esse sistema de poder; em que as organizações autônomas do proletariado, e suas isoladas manifestações de radicalidade, tem sofrido inúmeras derrotas... nestas condições, qual seria o cerne de novos grandes movimentos de transformação social? Um movimento desta qualidade, a seu ver, começaria privilegiadamente no interior das empresas? Ou teria sua expressão inicial em grandes movimentos de massa (como, por exemplo, o Occupy Wall Street) cujo cerne é o combate à influência das grandes corporações no atual sistema de poder? A luta seria, diretamente, pelo socialismo, isto é, pela apropriação, por parte do proletariado, do processo produtivo? Ou uma luta pela &quot;democratização&quot; da sociedade, entendida como uma confrontação ao crescente poder das corporações, à crescente &quot;privatização&quot; do poder político, antes atribuído ao Estado, no sentido tradicional do termo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo, levando adiante a reflexão deste brilhante texto sobre os impasses entre a &#8220;democratização&#8221; da sociedade &#8220;pelo alto&#8221; e a tentativa de as classes subalternas de estender a democratização a outras esferas da sociedade, sobretudo a econômica, coloco a seguinte questão: nas sociedades em que se procederam as chamadas &#8220;revoluções burguesas&#8221;, a referida &#8220;democratização&#8221; tinha em vista garantir a participação dos proprietários, que não tinham tinham ascendência aristocrática, mas que eram oriundos do chamado Terceiro Estado, no sistema de poder. Diante disso, podemos concluir que o motor do grande movimento democrático de massas, que foi a Revolução Francesa, foi a necessidade de a burguesia conquistar representação política no seio de uma sociedade até então marcadamente aristocrática, necessidade esta que ativou forças sociais cujo objetivo, desde o início, era manter na passividade. Porém, nas condições atuais, em que a burguesia têm assegurada sua representação no sistema de poder; em que os trabalhadores têm suas formas de organização tradicionais legalizadas e incorporadas a esse sistema de poder; em que as organizações autônomas do proletariado, e suas isoladas manifestações de radicalidade, tem sofrido inúmeras derrotas&#8230; nestas condições, qual seria o cerne de novos grandes movimentos de transformação social? Um movimento desta qualidade, a seu ver, começaria privilegiadamente no interior das empresas? Ou teria sua expressão inicial em grandes movimentos de massa (como, por exemplo, o Occupy Wall Street) cujo cerne é o combate à influência das grandes corporações no atual sistema de poder? A luta seria, diretamente, pelo socialismo, isto é, pela apropriação, por parte do proletariado, do processo produtivo? Ou uma luta pela &#8220;democratização&#8221; da sociedade, entendida como uma confrontação ao crescente poder das corporações, à crescente &#8220;privatização&#8221; do poder político, antes atribuído ao Estado, no sentido tradicional do termo?</p>
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