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	Comentários sobre: Da necessidade da revolução política para a mudança histórica na teoria marxista da política	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/61338/#comment-905182</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Sep 2023 20:19:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Excelente artigo, inclusive pelo que dele se possa discordar.
11 depois, em meio a uma crise climática sem precedentes, o que mudou? O que se confirmou?
Quais os exemplos concretos atuais? 
• os limites do EZPL.
• os Curdos no olho da tormenta. 
• as insurreições abortadas antes de se parir um processo revolucionário.
• as micro e nano experiências como embrião de outras relações sociais.
Como fazer a Revolução no séc. XXI?
https://m.youtube.com/watch?v=1JdquvCjcXo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Excelente artigo, inclusive pelo que dele se possa discordar.<br />
11 depois, em meio a uma crise climática sem precedentes, o que mudou? O que se confirmou?<br />
Quais os exemplos concretos atuais?<br />
• os limites do EZPL.<br />
• os Curdos no olho da tormenta.<br />
• as insurreições abortadas antes de se parir um processo revolucionário.<br />
• as micro e nano experiências como embrião de outras relações sociais.<br />
Como fazer a Revolução no séc. XXI?<br />
<a href="https://m.youtube.com/watch?v=1JdquvCjcXo" rel="nofollow ugc">https://m.youtube.com/watch?v=1JdquvCjcXo</a></p>
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		<title>
		Por: Paulo Piza		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/61338/#comment-905155</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Piza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Sep 2023 14:07:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Boa lembrança essa do Przeworski! Ainda tenho comigo um livrinho dele editado pela Cia das Letras, de que guardei este trecho:
“Defrontados com uma crise econômica, ameaçados com a perda de apoio eleitoral, preocupados com a possibilidade de uma contra-revolução fascista, os socialdemocratas abandonam o projeto de transição ou ao menos ficam à espera de tempos mais auspiciosos. Encontram coragem para explicar aos trabalhadores que é melhor ser explorado do que criar uma situação que contém riscos que podem se virar contra eles. Recusam-se a empenhar seu futuro numa piora da crise. Dispõem-se ao compromisso, e a defenderem-no perante os trabalhadores. A questão que permanece é saber se existe um caminho de escapar à alternativa traçada por Olof Palme: ‘retornar a Stálin e Lenin ou tomar o rumo da tradição social-democrata’.”
O fascismo, como sintetizou J. Bernarso, é uma revolta dentro da ordem, para preservar o poder economico. Ou o Estado mira a ordem democratica, ou só nos restará retornar a Lenin.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Boa lembrança essa do Przeworski! Ainda tenho comigo um livrinho dele editado pela Cia das Letras, de que guardei este trecho:<br />
“Defrontados com uma crise econômica, ameaçados com a perda de apoio eleitoral, preocupados com a possibilidade de uma contra-revolução fascista, os socialdemocratas abandonam o projeto de transição ou ao menos ficam à espera de tempos mais auspiciosos. Encontram coragem para explicar aos trabalhadores que é melhor ser explorado do que criar uma situação que contém riscos que podem se virar contra eles. Recusam-se a empenhar seu futuro numa piora da crise. Dispõem-se ao compromisso, e a defenderem-no perante os trabalhadores. A questão que permanece é saber se existe um caminho de escapar à alternativa traçada por Olof Palme: ‘retornar a Stálin e Lenin ou tomar o rumo da tradição social-democrata’.”<br />
O fascismo, como sintetizou J. Bernarso, é uma revolta dentro da ordem, para preservar o poder economico. Ou o Estado mira a ordem democratica, ou só nos restará retornar a Lenin.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Talitha		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/61338/#comment-72354</link>

		<dc:creator><![CDATA[Talitha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jul 2012 18:15:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Valente, 

Concordo contigo sobre o processo ser muito mais vasto, mas acho, talvez com Rodrigo, se é que o compreendi, que a crítica ao Estado tem sido limitante porque em tempos de raciocínio dogmático, espremido entre a falta de conhecimento das bases do que se pensa e o medo de ridículo que faz com que estejamos o tempo inteiro em busca do mestre ideal a ser seguido, um dos dogmas seja ficar bem distante de uma certa parte do aparato estatal (a atuação na universidade, não sei bem com qual pretexto, recebe licença poética). 
Então, um dos únicos bloqueios que de vez em quando a gente consegue furar fica também obstruído por conta da coerência com o pensamento de alguns mestres que ainda estamos nos esforçando por compreender. 

Sobre o estudo da economia burguesa, a conversa me fez pensar (não pela primeira vez, no caso das discussões que acompanho aqui) em Milton Santos e nos grupos de pesquisa relacionados a ele. Que lêem Saint-Simon, assinam a gazeta mercantil (acho que o financial times não, mas não tenho certeza), teorizam sobre a  territorialização das normas através das firmas, mas ao mesmo tempo dizem que não podemos nos prender a discussões orçamentárias, que o ser humano tem que ser o eixo das propostas, que é necessário rever a natureza da civilização. Me parece muito coerente, de verdade. Eu só queria entender COMO compreender as minúcias do sistema de crédito e da territorialidade das normas que ele produz vai me ajudar a trazer o ser humano para o eixo das preocupações. 

E ok, agora estão ali em cima citando Bakunin (e não mais Lênin). Seria interessante dizer de que se trata a revolução, afinal de contas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Valente, </p>
<p>Concordo contigo sobre o processo ser muito mais vasto, mas acho, talvez com Rodrigo, se é que o compreendi, que a crítica ao Estado tem sido limitante porque em tempos de raciocínio dogmático, espremido entre a falta de conhecimento das bases do que se pensa e o medo de ridículo que faz com que estejamos o tempo inteiro em busca do mestre ideal a ser seguido, um dos dogmas seja ficar bem distante de uma certa parte do aparato estatal (a atuação na universidade, não sei bem com qual pretexto, recebe licença poética).<br />
Então, um dos únicos bloqueios que de vez em quando a gente consegue furar fica também obstruído por conta da coerência com o pensamento de alguns mestres que ainda estamos nos esforçando por compreender. </p>
<p>Sobre o estudo da economia burguesa, a conversa me fez pensar (não pela primeira vez, no caso das discussões que acompanho aqui) em Milton Santos e nos grupos de pesquisa relacionados a ele. Que lêem Saint-Simon, assinam a gazeta mercantil (acho que o financial times não, mas não tenho certeza), teorizam sobre a  territorialização das normas através das firmas, mas ao mesmo tempo dizem que não podemos nos prender a discussões orçamentárias, que o ser humano tem que ser o eixo das propostas, que é necessário rever a natureza da civilização. Me parece muito coerente, de verdade. Eu só queria entender COMO compreender as minúcias do sistema de crédito e da territorialidade das normas que ele produz vai me ajudar a trazer o ser humano para o eixo das preocupações. </p>
<p>E ok, agora estão ali em cima citando Bakunin (e não mais Lênin). Seria interessante dizer de que se trata a revolução, afinal de contas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/61338/#comment-72350</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jul 2012 16:25:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No comentário do Rodrigo Gonçalves ele diz a certa altura que as teses de Wallerstein, Holloway e Negri «não dão prioridade à luta política ou à conquista do Estado para a mudança radical na sociedade». Eu até posso concordar em termos genéricos com esta caracterização (igualmente mto genérica). O problema é que a elaboração do autor cheira a demasiada colagem entre a luta pela mudança radical da sociedade e a conquista do Estado... Ora, se eu acho importante a tomada do poder de Estado, considero que isso é só um aspecto num processo muito mais vasto de uma profunda transformação social, de uma transformação das relações sociais. Espantoso como grande parte da esquerda de hoje pouco reflecte sobre a natureza das relações de trabalho e da exploração e como trata as empresas (a instituição mais totalitária da contemporaneidade) de modo completamente displicente...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No comentário do Rodrigo Gonçalves ele diz a certa altura que as teses de Wallerstein, Holloway e Negri «não dão prioridade à luta política ou à conquista do Estado para a mudança radical na sociedade». Eu até posso concordar em termos genéricos com esta caracterização (igualmente mto genérica). O problema é que a elaboração do autor cheira a demasiada colagem entre a luta pela mudança radical da sociedade e a conquista do Estado&#8230; Ora, se eu acho importante a tomada do poder de Estado, considero que isso é só um aspecto num processo muito mais vasto de uma profunda transformação social, de uma transformação das relações sociais. Espantoso como grande parte da esquerda de hoje pouco reflecte sobre a natureza das relações de trabalho e da exploração e como trata as empresas (a instituição mais totalitária da contemporaneidade) de modo completamente displicente&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo Vinicius		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/61338/#comment-72278</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Vinicius]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Jul 2012 19:38:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não vou entrar no mérito da leitura que se faz do Holloway e do Negri (Wallerstein eu muito pouco conheço para opinar). Quanto a isso apenas afirmo que principalmente a leitura do Holloway está bastante equivocada (para Holloway, não tomar o poder não tem nada a ver com o poder estar ou não difuso, não é uma questão contextual, mas de natureza do poder, ou melhor, do poder-sobre, nos termos dele).

Mas no que importa, a questão que se coloca é tomar o poder do Estado ou não tomar o poder do Estado. E quanto a isso o artigo em nada inova. Foi basicamente essa questão que dividiu o socialismo entre &#039;libertários&#039; e &#039;estatistas&#039;, e depois em marxistas e anarquistas.

Há algumas questões que os marxistas nunca me responderam ou nunca encontrei uma resposta vinda de um marxista (ou seja, há uns 20 anos). Se é a estrutura (economia) que determina a superestrutura (todo o resto), logicamente a fonte de poder na sociedade está na economia, e a burguesia é a classe dominante exatamente pelo seu poder econômico. Então se para mudar o mundo é necessário tomar o poder, por conseqüência lógica, deve-se tomar antes de mais nada o poder econômico. Afinal, seria o econômico que determinaria o político e não o contrário (nesse aspecto os anarquistas sempre foram mais marxistas que os marxistas).
Os marxistas seriam assim mais conseqüêntes para tentar mudar o mundo tomando o poder se, ao invés de tomarem o poder do estado, tentassem tomar o poder das empresas, se colocando no lugar dos seus gestores ou proprietários.
Para descermos ao chão do empírico, os zapatistas por exemplo mudaram o &quot;mundo&quot; tomando algum poder (estatal)? Não. Mudaram seu &quot;mundo&quot; tomando o poder econômico, os meios de produção. E a partir dessa tomada dos meios de produção que fundaram seus organismos políticos de autogoverno. (sobre isso: http://passapalavra.info/?p=2280 ).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não vou entrar no mérito da leitura que se faz do Holloway e do Negri (Wallerstein eu muito pouco conheço para opinar). Quanto a isso apenas afirmo que principalmente a leitura do Holloway está bastante equivocada (para Holloway, não tomar o poder não tem nada a ver com o poder estar ou não difuso, não é uma questão contextual, mas de natureza do poder, ou melhor, do poder-sobre, nos termos dele).</p>
<p>Mas no que importa, a questão que se coloca é tomar o poder do Estado ou não tomar o poder do Estado. E quanto a isso o artigo em nada inova. Foi basicamente essa questão que dividiu o socialismo entre &#8216;libertários&#8217; e &#8216;estatistas&#8217;, e depois em marxistas e anarquistas.</p>
<p>Há algumas questões que os marxistas nunca me responderam ou nunca encontrei uma resposta vinda de um marxista (ou seja, há uns 20 anos). Se é a estrutura (economia) que determina a superestrutura (todo o resto), logicamente a fonte de poder na sociedade está na economia, e a burguesia é a classe dominante exatamente pelo seu poder econômico. Então se para mudar o mundo é necessário tomar o poder, por conseqüência lógica, deve-se tomar antes de mais nada o poder econômico. Afinal, seria o econômico que determinaria o político e não o contrário (nesse aspecto os anarquistas sempre foram mais marxistas que os marxistas).<br />
Os marxistas seriam assim mais conseqüêntes para tentar mudar o mundo tomando o poder se, ao invés de tomarem o poder do estado, tentassem tomar o poder das empresas, se colocando no lugar dos seus gestores ou proprietários.<br />
Para descermos ao chão do empírico, os zapatistas por exemplo mudaram o &#8220;mundo&#8221; tomando algum poder (estatal)? Não. Mudaram seu &#8220;mundo&#8221; tomando o poder econômico, os meios de produção. E a partir dessa tomada dos meios de produção que fundaram seus organismos políticos de autogoverno. (sobre isso: <a href="http://passapalavra.info/?p=2280" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=2280</a> ).</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/61338/#comment-72271</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Jul 2012 18:29:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Rodrigo Santaella,
Tentando responder-lhe rapidamente, você comete o erro comum na esquerda dogmática de rejeitar os argumentos e as análises que venham da direita ou da tecnocracia. Isto a propósito das suas referências desprezivas à periodização da internacionalização do capital feita por Sam Palmisano, que aliás é licenciado em História, o que é raro para um tecnocrata. Um excelente dialéctico chamado Lenin jamais cometeu o erro de pôr de lado a literatura económica oriunda do capitalismo, como você poderá verificar se um dia ler algumas das inúmeras análises económicas que ele escreveu.
Se você estudar a literatura técnica sobre a organização das grandes companhias verificará como hoje, na fase da transnacionalização — diferente da fase da multinacionalização — a diferença entre matriz e filiais se dilui. É este o ponto central do § 3 do meu artigo sobre &lt;em&gt;A Geopolítica das Companhias Transnacionais&lt;/em&gt;. O número crescente de alunos oriundos dos BRICs, sobretudo da China e da Índia, que se formam nos principais institutos de gestão, é essencial para essa diluição da diferença entre matrizes e filiais, para a constituição de uma pluralidade de pólos directivos e para a constituição de importantíssimos centros de pesquisa e desenvolvimento em países emergentes.
Aparentemente você não se deu conta de que o fulcro daquele meu artigo é o § 4, onde trato da conversão do comércio entre nações em comércio no interior das companhias transnacionais. Se reflectir sobre o assunto talvez perceba as suas implicações.
Você esclarece que o seu artigo resulta de um trabalho que fez para uma disciplina de mestrado. Então tem bastante tempo à sua frente para aprofundar a análise sobre o funcionamento das empresas transnacionais. Se o fizer, poderá constatar alguns factos decisivos. Mas para isso precisa de acompanhar regularmente a literatura especializada, como &lt;em&gt;The Economist&lt;/em&gt; ou o &lt;em&gt;Financial Times&lt;/em&gt;. Também há bons livros sobre o assunto, que infelizmente são lidos nos cursos de gestão e não nos departamentos de marxismo. É pena que sem essa base de conhecimento você, neste seu trabalho no curso de mestrado, se tivesse abalançado a criticar tão ligeiramente autores como os três que citou.
Mas se um dia você quiser saber qual é a verdadeira origem das teses que insistem muito mais no carácter soberano do poder empresarial do que nos governos nacionais, leia Saint-Simon. Foi ele o primeiro grande teórico do poder empresarial. Depois estude a importância dos saint-simonianos para o desenvolvimento das instutuições bancárias e para a formação de um imperialismo moderno, no Egipto por exemplo, e poderá então ver que mesmo no século XIX era por vezes difícil dizer se eram as grandes companhias a depender dos Estados ou os Estados a depender das grandes companhias.
O penúltimo parágrafo do seu comentário ilustra a minha acusação de as suas ideias serem peças de museu condenadas à irrelevância. Elas poderão ter aplicação em regiões devastadas ou naquelas em que a mais-valia absoluta constitui o único sistema de exploração. Mas não são essas situações que representam a tendência de desenvolvimento do capitalismo. Será que você já pensou por que motivo Karl Marx usou como base empírica para escrever &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt; a situação da Grã-Bretanha e não a da Valáquia, por exemplo? Se reflectir sobre isto, talvez você chegue a conclusões interessantes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rodrigo Santaella,<br />
Tentando responder-lhe rapidamente, você comete o erro comum na esquerda dogmática de rejeitar os argumentos e as análises que venham da direita ou da tecnocracia. Isto a propósito das suas referências desprezivas à periodização da internacionalização do capital feita por Sam Palmisano, que aliás é licenciado em História, o que é raro para um tecnocrata. Um excelente dialéctico chamado Lenin jamais cometeu o erro de pôr de lado a literatura económica oriunda do capitalismo, como você poderá verificar se um dia ler algumas das inúmeras análises económicas que ele escreveu.<br />
Se você estudar a literatura técnica sobre a organização das grandes companhias verificará como hoje, na fase da transnacionalização — diferente da fase da multinacionalização — a diferença entre matriz e filiais se dilui. É este o ponto central do § 3 do meu artigo sobre <em>A Geopolítica das Companhias Transnacionais</em>. O número crescente de alunos oriundos dos BRICs, sobretudo da China e da Índia, que se formam nos principais institutos de gestão, é essencial para essa diluição da diferença entre matrizes e filiais, para a constituição de uma pluralidade de pólos directivos e para a constituição de importantíssimos centros de pesquisa e desenvolvimento em países emergentes.<br />
Aparentemente você não se deu conta de que o fulcro daquele meu artigo é o § 4, onde trato da conversão do comércio entre nações em comércio no interior das companhias transnacionais. Se reflectir sobre o assunto talvez perceba as suas implicações.<br />
Você esclarece que o seu artigo resulta de um trabalho que fez para uma disciplina de mestrado. Então tem bastante tempo à sua frente para aprofundar a análise sobre o funcionamento das empresas transnacionais. Se o fizer, poderá constatar alguns factos decisivos. Mas para isso precisa de acompanhar regularmente a literatura especializada, como <em>The Economist</em> ou o <em>Financial Times</em>. Também há bons livros sobre o assunto, que infelizmente são lidos nos cursos de gestão e não nos departamentos de marxismo. É pena que sem essa base de conhecimento você, neste seu trabalho no curso de mestrado, se tivesse abalançado a criticar tão ligeiramente autores como os três que citou.<br />
Mas se um dia você quiser saber qual é a verdadeira origem das teses que insistem muito mais no carácter soberano do poder empresarial do que nos governos nacionais, leia Saint-Simon. Foi ele o primeiro grande teórico do poder empresarial. Depois estude a importância dos saint-simonianos para o desenvolvimento das instutuições bancárias e para a formação de um imperialismo moderno, no Egipto por exemplo, e poderá então ver que mesmo no século XIX era por vezes difícil dizer se eram as grandes companhias a depender dos Estados ou os Estados a depender das grandes companhias.<br />
O penúltimo parágrafo do seu comentário ilustra a minha acusação de as suas ideias serem peças de museu condenadas à irrelevância. Elas poderão ter aplicação em regiões devastadas ou naquelas em que a mais-valia absoluta constitui o único sistema de exploração. Mas não são essas situações que representam a tendência de desenvolvimento do capitalismo. Será que você já pensou por que motivo Karl Marx usou como base empírica para escrever <em>O Capital</em> a situação da Grã-Bretanha e não a da Valáquia, por exemplo? Se reflectir sobre isto, talvez você chegue a conclusões interessantes.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo Santaella		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/61338/#comment-72267</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Santaella]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Jul 2012 17:03:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo, primeiro obrigado pelo comentário, acredito que podemos fomentar um ótimo debate a partir das suas considerações, e acho realmente que precisamos fazer e refazer a discussão acerca do papel do Estado, principalmente no âmbito da esquerda, que imagino que compartilhemos.

Gostaria de fazer algumas considerações.

Primeiro, você afirma que colocar as soluções de Negri, Holloway e Wallerstein &quot;num mesmo saco&quot; é um erro. Concordo que são produções teóricas absolutamente diferentes, mas como você mesmo disse, coincidem num ponto-chave. Utilizando as suas palavras, eles coincidem em acreditar que &quot;o poder se tornou pluricentrado e que as grandes empresas passaram a assumir-se explicitamente como centros de poder político&quot;. Em consequência disso, não dão prioridade à luta política ou à conquista do Estado para a mudança radical na sociedade. Por tratar-se de um trabalho final de uma disciplina de mestrado, não pude aprofundar o pensamento de cada um e as inúmeras diferenças de percurso que os levam a esse resultado comum. Entretanto, como você mesmo afirmou, há um ponto comum, compartilhado inclusive por você, na perspectiva dos três. É justamente com esse ponto comum que busco polemizar.

Segundo, cito Chomsky, como você pode perceber, em referência a uma pesquisa empírica de Winfried Ruigrock e Rob van Tulder, não referenciado em suas preferência políticas ou teóricas. Cito Chomsky, neste debate, para ilustrar a persistência da importância do Estado mesmo num cenário transnacionalizado com dados de uma pesquisa empírica, e não em suas teorizações sobre economia.

Terceiro, sobre a transnacionalização e seu artigo, discordo de diversos aspectos, cito apenas alguns. Você utiliza do argumento do maior executivo da IBM para afirmar que as bases estatais das empresas são cada vez menores. Ora, é sabido que é da ideologia neoliberal omitir a importância da intervenção do estado para o sistema. No frigir dos ovos, todas as grandes corporações têm bases nacionais, são vinculadas juridicamente a algum Estado nacional e articulam com esses Estados suas políticas de investimento, regras, etc. Não é o caso de negar as grandes corporações como centros de poder, mas sim de ter clareza de que onde se encontram todos esses lugares de poder, onde são forjadas as regras básicas através das quais eles funcionam, é o Estado.  

Ora, afirmar que a nacionalidade dos gestores significa o fim do predomínio do homem branco e que isso seria reflexo de uma descentralização do poder, como você dá a entender metaforicamente em seu artigo, beira o absurdo. Os gestores &quot;estrangeiros&quot;, de países periféricos, apesar de existirem e de se multiplicarem, são em sua enorme maioria formados em centros educacionais norte-americanos ou europeus. São em geral os &quot;melhores&quot;, que se destacam em seus países, ganham suas bolsas em Harvard ou onde quer que seja, e depois são recrutados para servir justamente - ora, que coincidência - as grandes corporações com base nos Estados Unidos. Pode ter se tornado mais difícil perceber o papel do Estado Nacional na articulação do poder da classe dominante atual, mas desconsiderá-lo como sendo de fundamental importância é, no mínimo, um erro. A existência de pesquisa nas filiais das grandes corporações (e ora, se são &quot;filiais&quot; é porque existe um centro, não?) tampouco significa um poder difundido mundialmente e não hierarquizado.

Por fim, sobre a noção de poder utilizada. Veja bem, não nego a existência de diversas formas de poder, que vão desde a esfera privada da vida, passando pelo âmbito informacional, chegando até os grandes centros políticos de tomadas de decisão. Ou seja, a noção de poder que utilizo não ignora a existência de mecanismos importantes como o &quot;google&quot; e o &quot;facebook&quot;. A questão, a meu ver, é que como mostrou-se recentemente no caso das leis de liberdade de uso da internet nos Estados Unidos, os Estados-Nacionais centrais regulam, de acordo com seus interesses (que estão obviamente vinculados ao dessas empresas) as formas de funcionamento desses mecanismos. Se te parece arcaico afirmar que o Estado segue tendo importância central na organização do poder mundial, me parece absolutamente absurdo acreditar que o Facebook ou o Google são mecanismos de poder mais importantes e mais eficientes que o Estado. 

Pergunte, depois, às famílias extirpadas de suas casas no Pinheirinho, às removidas de seus lares por conta de construções da Copa do Mundo, aos negros assassinados diariamente nos morros do Rio de Janeiro, ou mesmo aos milhares que são &quot;assassinados indiretamente&quot; nas prisões brasileiras sobre quem é mais importante para a vida deles, o google ou o Estado. Perguntemos aos afegãos, aos iraquianos, o que eles pensam sobre a existência ou não de um Estado imperialista no mundo. O poder, para eles, aparece em forma de bombas, de soldados e de aviões, não desde a tela de um computador.

É justamente esse o ponto central do meu argumento. Existem novos mecanismos, existem novas questões e o poder é muito mais complexo do que a simples dominação de uma classe sobre outras. Agora desconsiderar o papel do Estado e a existência de uma dominação de classe em nome de um poder difuso, virtual, informacional, sem materialidade e sem sede territorial é, talvez mais do que nunca, um absurdo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo, primeiro obrigado pelo comentário, acredito que podemos fomentar um ótimo debate a partir das suas considerações, e acho realmente que precisamos fazer e refazer a discussão acerca do papel do Estado, principalmente no âmbito da esquerda, que imagino que compartilhemos.</p>
<p>Gostaria de fazer algumas considerações.</p>
<p>Primeiro, você afirma que colocar as soluções de Negri, Holloway e Wallerstein &#8220;num mesmo saco&#8221; é um erro. Concordo que são produções teóricas absolutamente diferentes, mas como você mesmo disse, coincidem num ponto-chave. Utilizando as suas palavras, eles coincidem em acreditar que &#8220;o poder se tornou pluricentrado e que as grandes empresas passaram a assumir-se explicitamente como centros de poder político&#8221;. Em consequência disso, não dão prioridade à luta política ou à conquista do Estado para a mudança radical na sociedade. Por tratar-se de um trabalho final de uma disciplina de mestrado, não pude aprofundar o pensamento de cada um e as inúmeras diferenças de percurso que os levam a esse resultado comum. Entretanto, como você mesmo afirmou, há um ponto comum, compartilhado inclusive por você, na perspectiva dos três. É justamente com esse ponto comum que busco polemizar.</p>
<p>Segundo, cito Chomsky, como você pode perceber, em referência a uma pesquisa empírica de Winfried Ruigrock e Rob van Tulder, não referenciado em suas preferência políticas ou teóricas. Cito Chomsky, neste debate, para ilustrar a persistência da importância do Estado mesmo num cenário transnacionalizado com dados de uma pesquisa empírica, e não em suas teorizações sobre economia.</p>
<p>Terceiro, sobre a transnacionalização e seu artigo, discordo de diversos aspectos, cito apenas alguns. Você utiliza do argumento do maior executivo da IBM para afirmar que as bases estatais das empresas são cada vez menores. Ora, é sabido que é da ideologia neoliberal omitir a importância da intervenção do estado para o sistema. No frigir dos ovos, todas as grandes corporações têm bases nacionais, são vinculadas juridicamente a algum Estado nacional e articulam com esses Estados suas políticas de investimento, regras, etc. Não é o caso de negar as grandes corporações como centros de poder, mas sim de ter clareza de que onde se encontram todos esses lugares de poder, onde são forjadas as regras básicas através das quais eles funcionam, é o Estado.  </p>
<p>Ora, afirmar que a nacionalidade dos gestores significa o fim do predomínio do homem branco e que isso seria reflexo de uma descentralização do poder, como você dá a entender metaforicamente em seu artigo, beira o absurdo. Os gestores &#8220;estrangeiros&#8221;, de países periféricos, apesar de existirem e de se multiplicarem, são em sua enorme maioria formados em centros educacionais norte-americanos ou europeus. São em geral os &#8220;melhores&#8221;, que se destacam em seus países, ganham suas bolsas em Harvard ou onde quer que seja, e depois são recrutados para servir justamente &#8211; ora, que coincidência &#8211; as grandes corporações com base nos Estados Unidos. Pode ter se tornado mais difícil perceber o papel do Estado Nacional na articulação do poder da classe dominante atual, mas desconsiderá-lo como sendo de fundamental importância é, no mínimo, um erro. A existência de pesquisa nas filiais das grandes corporações (e ora, se são &#8220;filiais&#8221; é porque existe um centro, não?) tampouco significa um poder difundido mundialmente e não hierarquizado.</p>
<p>Por fim, sobre a noção de poder utilizada. Veja bem, não nego a existência de diversas formas de poder, que vão desde a esfera privada da vida, passando pelo âmbito informacional, chegando até os grandes centros políticos de tomadas de decisão. Ou seja, a noção de poder que utilizo não ignora a existência de mecanismos importantes como o &#8220;google&#8221; e o &#8220;facebook&#8221;. A questão, a meu ver, é que como mostrou-se recentemente no caso das leis de liberdade de uso da internet nos Estados Unidos, os Estados-Nacionais centrais regulam, de acordo com seus interesses (que estão obviamente vinculados ao dessas empresas) as formas de funcionamento desses mecanismos. Se te parece arcaico afirmar que o Estado segue tendo importância central na organização do poder mundial, me parece absolutamente absurdo acreditar que o Facebook ou o Google são mecanismos de poder mais importantes e mais eficientes que o Estado. </p>
<p>Pergunte, depois, às famílias extirpadas de suas casas no Pinheirinho, às removidas de seus lares por conta de construções da Copa do Mundo, aos negros assassinados diariamente nos morros do Rio de Janeiro, ou mesmo aos milhares que são &#8220;assassinados indiretamente&#8221; nas prisões brasileiras sobre quem é mais importante para a vida deles, o google ou o Estado. Perguntemos aos afegãos, aos iraquianos, o que eles pensam sobre a existência ou não de um Estado imperialista no mundo. O poder, para eles, aparece em forma de bombas, de soldados e de aviões, não desde a tela de um computador.</p>
<p>É justamente esse o ponto central do meu argumento. Existem novos mecanismos, existem novas questões e o poder é muito mais complexo do que a simples dominação de uma classe sobre outras. Agora desconsiderar o papel do Estado e a existência de uma dominação de classe em nome de um poder difuso, virtual, informacional, sem materialidade e sem sede territorial é, talvez mais do que nunca, um absurdo.</p>
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		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/07/61338/#comment-72246</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Jul 2012 09:08:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Rodrigo Santaella Gonçalves não se limita a rejeitar as soluções políticas propostas por Holloway, por Negri e por Wallerstein. Aliás, são soluções tão distintas que recusá-las a todas é meter demasiadas coisas no mesmo saco. O mais grave é que Santaella Gonçalves recusa o diagnóstico da realidade feito por aqueles três autores e por muitos mais — que nas últimas décadas o poder se tornou pluricentrado e que as grandes empresas passaram a assumir-se explicitamente como centros de poder político, ou seja, aquilo a que eu, pelo menos desde 1985, tenho vindo a chamar Estado Amplo. Deste modo, Santaella Gonçalves ignora as alterações mais decisivas operadas pela transnacionalização do capital e cita Chomsky em abono da tese de que as grandes companhias transnacionais continuariam dependentes do poder político dos países onde se localizam as suas sedes. Chomsky é geralmente considerado um anarquista, mas a única coisa de anarquismo que eu encontro nele é a ignorância da economia. Em abono daquela tese Santaella Gonçalves poderia, ao menos, ter invocado Robert Gilpin, que tem outro conhecimento, realmente profundo, do processo de transnacionalização. Mas não me parece que teses desse tipo dêem conta da realidade em que vivemos, pelos motivos que procurei explicar no artigo &lt;em&gt;A Geopolítica das Companhias Transnacionais&lt;/em&gt;, publicado neste site (http://passapalavra.info/?p=39343 ). A própria noção de &lt;em&gt;poder&lt;/em&gt; usada por Santaella Gonçalves é arcaica e ignora que o Google e o Facebook, para citar apenas estes, constituem mecanismos de recolha de informação e, em consequência, de exercício do poder muito superiores — e muito mais perigosos, porque mais discretos — aos exercidos pelos Estados nacionais.
Artigos deste tipo condenam o marxismo, e os próprios autores, a serem peças de museu. E condenam-nos à irrelevância prática, o que, sendo merecido, é um final feliz.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rodrigo Santaella Gonçalves não se limita a rejeitar as soluções políticas propostas por Holloway, por Negri e por Wallerstein. Aliás, são soluções tão distintas que recusá-las a todas é meter demasiadas coisas no mesmo saco. O mais grave é que Santaella Gonçalves recusa o diagnóstico da realidade feito por aqueles três autores e por muitos mais — que nas últimas décadas o poder se tornou pluricentrado e que as grandes empresas passaram a assumir-se explicitamente como centros de poder político, ou seja, aquilo a que eu, pelo menos desde 1985, tenho vindo a chamar Estado Amplo. Deste modo, Santaella Gonçalves ignora as alterações mais decisivas operadas pela transnacionalização do capital e cita Chomsky em abono da tese de que as grandes companhias transnacionais continuariam dependentes do poder político dos países onde se localizam as suas sedes. Chomsky é geralmente considerado um anarquista, mas a única coisa de anarquismo que eu encontro nele é a ignorância da economia. Em abono daquela tese Santaella Gonçalves poderia, ao menos, ter invocado Robert Gilpin, que tem outro conhecimento, realmente profundo, do processo de transnacionalização. Mas não me parece que teses desse tipo dêem conta da realidade em que vivemos, pelos motivos que procurei explicar no artigo <em>A Geopolítica das Companhias Transnacionais</em>, publicado neste site (<a href="http://passapalavra.info/?p=39343" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=39343</a> ). A própria noção de <em>poder</em> usada por Santaella Gonçalves é arcaica e ignora que o Google e o Facebook, para citar apenas estes, constituem mecanismos de recolha de informação e, em consequência, de exercício do poder muito superiores — e muito mais perigosos, porque mais discretos — aos exercidos pelos Estados nacionais.<br />
Artigos deste tipo condenam o marxismo, e os próprios autores, a serem peças de museu. E condenam-nos à irrelevância prática, o que, sendo merecido, é um final feliz.</p>
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