<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Conservadorismo nacional e qualidade estética: Tropa de Elite I e a formação do cinema brasileiro contemporâneo de entretenimento (2ª parte)	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2012/08/63223/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2012/08/63223/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Mon, 19 Nov 2018 04:40:21 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Lucas Gordon		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/08/63223/#comment-78345</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas Gordon]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Sep 2012 02:50:41 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=63223#comment-78345</guid>

					<description><![CDATA[Estou gostando bastante da série, acho ela um esforço muito rico de se analisar o filme. Talvez por um pouco de birra com a psicanálise, mas achei que sobrou aí alguns conceitos, acho que convém mais para esse tipo de texto tentar usar os argumentos numa chave menos hermética como a da psicanálise, ainda que isso dificulte algumas passagens.

Eu talvez saia um pouco do mérito do conteúdo do filme, que é mais o que está sendo analizado, mas me parece que o filme, assim como 99% do que passa nas salas de cinema comerciais, é conservador. Não apenas por sua estética, mas por sua produção e divulgação. Se pensarmos o conceito ampliado de audiovisual, num mundo com câmeras de filmas em celulares, compartilhamento massivo de vídeos via internet, as novas possibilidades de produções de baixo custo, tendo tudo isso e mais em mente, a idéia de qualquer mega-produção, produzida com dinheiro de mega-empresários e na forma de um investimento de capital (muito mais do que uma divulgação ideológica), organizada de forma altamente especializada e hierarquizada como são os sets de filmagem do cinema de hoje, não há conteúdo estético que passe por cima de toda essa reprodução material de um certo tipo de organização social.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou gostando bastante da série, acho ela um esforço muito rico de se analisar o filme. Talvez por um pouco de birra com a psicanálise, mas achei que sobrou aí alguns conceitos, acho que convém mais para esse tipo de texto tentar usar os argumentos numa chave menos hermética como a da psicanálise, ainda que isso dificulte algumas passagens.</p>
<p>Eu talvez saia um pouco do mérito do conteúdo do filme, que é mais o que está sendo analizado, mas me parece que o filme, assim como 99% do que passa nas salas de cinema comerciais, é conservador. Não apenas por sua estética, mas por sua produção e divulgação. Se pensarmos o conceito ampliado de audiovisual, num mundo com câmeras de filmas em celulares, compartilhamento massivo de vídeos via internet, as novas possibilidades de produções de baixo custo, tendo tudo isso e mais em mente, a idéia de qualquer mega-produção, produzida com dinheiro de mega-empresários e na forma de um investimento de capital (muito mais do que uma divulgação ideológica), organizada de forma altamente especializada e hierarquizada como são os sets de filmagem do cinema de hoje, não há conteúdo estético que passe por cima de toda essa reprodução material de um certo tipo de organização social.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Acauam Oliveira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/08/63223/#comment-78273</link>

		<dc:creator><![CDATA[Acauam Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Sep 2012 18:43:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=63223#comment-78273</guid>

					<description><![CDATA[Desculpe Damastor, mas não entendi se vc quis dizer que o artigo apóia a &quot;marginalidade&quot;, ou faz apologia do crime ou coisa assim... então não irei tecer comentários.

Zé, eu acho que o Taiguara já respondeu bem a sua colocação. Mas eu concordo com o seu enunciado de que não seja um filme facista, embora por razões diferentes das suas. Eu acredito que o conservadorismo do filme é, propriamente, nacional, e não tem ligações diretas com o facismo enquanto evento histórico. O nosso conservadorismo é de outro tipo, e chamar de nazista por vezes encobre especificidades importantes que mais obscurece do que esclarece os eventos. 

Só como um argumento a mais, lembro das críticas que o Zizek faz ao filme Munique, do Spilberg. Os defensores do filme também lançavam um argumento parecido com o seu, de que o filme não era conservador (ou seja, politicamente engajado em uma postura conservadora) porque os soldados israelenses eram mostrados como  dotados de complexidade psicológica, podendo ser bons ou maus, frequentemente embaralhando essa oposição de forma mais humana (e assim marcando uma posição estética, aquém ou além do mero político). Mas é justamente nessa humanização que se encontra o movimento ideológico mais profundo: enquanto os assassinos israelenses são retratados de maneira &quot;humana&quot;, os palestinos são tratados de maneira muito mais chapada, sem complexidade. Dessa maneira, toda complexidade pós moderna (os verdadeiros valores a se defender) estaria do lado israelense, enquanto os palestinos estão sempre uma passo aquém da complexidade humana (o que justifica sua superioridade no exato momento em que a questiona). Sem forçar paralelos, creio que é possível ver algo desse movimento em Tropa de Elite I, a &quot;complexidade&quot; do Nascimento se define por oposição à animalização dos bandidos, sendo mais um elemento a favor de sua valorização enquanto herói.

Mas o que eu quis argumentar com o texto, Zé, é, sobretudo, contra o risco que vc bem aponta das argumentações reducionistas. Embora ele seja, a meu ver, um filme conservador, essa qualificação não serve para dizer que não se trata de um grande filme. Mas também quis fugir do risco oposto: por ser um grande filme, temos que considerar necessariamente que não se trata de um filme conservador. Ao contrário, é nessa ambiguidade que o filme ganha em valor e força.

Abraços
Acauam]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desculpe Damastor, mas não entendi se vc quis dizer que o artigo apóia a &#8220;marginalidade&#8221;, ou faz apologia do crime ou coisa assim&#8230; então não irei tecer comentários.</p>
<p>Zé, eu acho que o Taiguara já respondeu bem a sua colocação. Mas eu concordo com o seu enunciado de que não seja um filme facista, embora por razões diferentes das suas. Eu acredito que o conservadorismo do filme é, propriamente, nacional, e não tem ligações diretas com o facismo enquanto evento histórico. O nosso conservadorismo é de outro tipo, e chamar de nazista por vezes encobre especificidades importantes que mais obscurece do que esclarece os eventos. </p>
<p>Só como um argumento a mais, lembro das críticas que o Zizek faz ao filme Munique, do Spilberg. Os defensores do filme também lançavam um argumento parecido com o seu, de que o filme não era conservador (ou seja, politicamente engajado em uma postura conservadora) porque os soldados israelenses eram mostrados como  dotados de complexidade psicológica, podendo ser bons ou maus, frequentemente embaralhando essa oposição de forma mais humana (e assim marcando uma posição estética, aquém ou além do mero político). Mas é justamente nessa humanização que se encontra o movimento ideológico mais profundo: enquanto os assassinos israelenses são retratados de maneira &#8220;humana&#8221;, os palestinos são tratados de maneira muito mais chapada, sem complexidade. Dessa maneira, toda complexidade pós moderna (os verdadeiros valores a se defender) estaria do lado israelense, enquanto os palestinos estão sempre uma passo aquém da complexidade humana (o que justifica sua superioridade no exato momento em que a questiona). Sem forçar paralelos, creio que é possível ver algo desse movimento em Tropa de Elite I, a &#8220;complexidade&#8221; do Nascimento se define por oposição à animalização dos bandidos, sendo mais um elemento a favor de sua valorização enquanto herói.</p>
<p>Mas o que eu quis argumentar com o texto, Zé, é, sobretudo, contra o risco que vc bem aponta das argumentações reducionistas. Embora ele seja, a meu ver, um filme conservador, essa qualificação não serve para dizer que não se trata de um grande filme. Mas também quis fugir do risco oposto: por ser um grande filme, temos que considerar necessariamente que não se trata de um filme conservador. Ao contrário, é nessa ambiguidade que o filme ganha em valor e força.</p>
<p>Abraços<br />
Acauam</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Taiguara		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/08/63223/#comment-78095</link>

		<dc:creator><![CDATA[Taiguara]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Aug 2012 14:44:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=63223#comment-78095</guid>

					<description><![CDATA[Caro Zé,

Não acho que se possa eximir o caráter fascista do filme pelo simples fato de haver psicologização complexa dos seus personagens. Ao contrário, parece-me que os conflitos e as confusões mentais do Nascimento, que nem são tão complexos assim, guardam analogia com a contradição, esta social, entre a necessidade de se revoltar com o atual estado das coisas e ao mesmo tempo mantê-las dentro da ordem. É essa tensão que o faz se olhar no espelho e já não mais se reconhecer, como se fosse movido por forças para além de sua vontade, sendo o sujeito, aqui, apenas o ponto em que se concentram e se encarnam as necessidades históricas. 

Poder-se-ia dizer que o autor da obra, então, apenas estaria exprimindo, ou denunciando, as contradições do mundo real, os elementos objetivos  que se encontram dispersos e latentes na sociedade, sem qualquer compromisso com a sua resolução. Mas Padilha, com ou sem consciência, assume posição, não pelas convicções políticas que ele declara ter em outros momentos da vida (já disse que não acho que Padilha é fascista, acho até que é um progressista) ou por algum discurso mais explícito do próprio filme, mas pelos recursos artísticos que ele escolhe para nos mostrar estas questões. Em parte, concordo com a ideia de que a arte não pode ser colocada pura e simplesmente à serviço da política, ou melhor, que os autores utilizem a obra ou um personagem dela para expressarem suas opiniões através de um discurso direto, chato e enfadonho. No entanto, haverá sempre um teor político emergindo de sua unidade; a qual, no caso de TE I e II, é fascista, a despeito do que pensa Padilha, do que se passa na cabeça de Nascimento ou de qualquer outro personagem do filme.

O problema não é ele contar a história pelo ponto de vista do Nascimento, mas o conjunto de recursos que se usa para contá-la: do mesmo modo que o herói é assimilado pelo ambiente em que está inserido, também o espectador é deixado levar pela tendência fascicizante da história; somos induzidos a admitir a “guerra” como se fosse um dado inevitável e, portanto, justificável.
 
Enfim, dá o que pensar...
Abraços,
Taiguara]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Zé,</p>
<p>Não acho que se possa eximir o caráter fascista do filme pelo simples fato de haver psicologização complexa dos seus personagens. Ao contrário, parece-me que os conflitos e as confusões mentais do Nascimento, que nem são tão complexos assim, guardam analogia com a contradição, esta social, entre a necessidade de se revoltar com o atual estado das coisas e ao mesmo tempo mantê-las dentro da ordem. É essa tensão que o faz se olhar no espelho e já não mais se reconhecer, como se fosse movido por forças para além de sua vontade, sendo o sujeito, aqui, apenas o ponto em que se concentram e se encarnam as necessidades históricas. </p>
<p>Poder-se-ia dizer que o autor da obra, então, apenas estaria exprimindo, ou denunciando, as contradições do mundo real, os elementos objetivos  que se encontram dispersos e latentes na sociedade, sem qualquer compromisso com a sua resolução. Mas Padilha, com ou sem consciência, assume posição, não pelas convicções políticas que ele declara ter em outros momentos da vida (já disse que não acho que Padilha é fascista, acho até que é um progressista) ou por algum discurso mais explícito do próprio filme, mas pelos recursos artísticos que ele escolhe para nos mostrar estas questões. Em parte, concordo com a ideia de que a arte não pode ser colocada pura e simplesmente à serviço da política, ou melhor, que os autores utilizem a obra ou um personagem dela para expressarem suas opiniões através de um discurso direto, chato e enfadonho. No entanto, haverá sempre um teor político emergindo de sua unidade; a qual, no caso de TE I e II, é fascista, a despeito do que pensa Padilha, do que se passa na cabeça de Nascimento ou de qualquer outro personagem do filme.</p>
<p>O problema não é ele contar a história pelo ponto de vista do Nascimento, mas o conjunto de recursos que se usa para contá-la: do mesmo modo que o herói é assimilado pelo ambiente em que está inserido, também o espectador é deixado levar pela tendência fascicizante da história; somos induzidos a admitir a “guerra” como se fosse um dado inevitável e, portanto, justificável.</p>
<p>Enfim, dá o que pensar&#8230;<br />
Abraços,<br />
Taiguara</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: zé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/08/63223/#comment-78080</link>

		<dc:creator><![CDATA[zé]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Aug 2012 11:18:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=63223#comment-78080</guid>

					<description><![CDATA[Não acho que se possa definir o TE como um filme facista. 

Nascimento é um herói destrutivo, cumpridor das suas funções, mas também é uma pessoa psicologicamente confusa, conflituosa, sobretudo na sua vida pessoal (e esse conflito, essa dúvida, vai se estender no TE II à própria estrutura da polícia e do governo, colocando em questão a sua própria eficiência como fucionário e o papel que ele deve exercer).

Gosto particularmente dos racionais também pela conflituosidade, pela complexidade psicológica que se expressa nas letras - um &quot;jesus chorou&quot; ou na &quot;fórmula mágica da paz&quot;, por exemplo.

Me parece que da mesma forma que não se deve olhar o TE como um filme facista não cabe olhar o racionais tão somente como um discurso de revolta do marginal contra o sistema - um discurso destrutivo, despersonalizador, desfragmentador, fundado tão somente na ótica da exclusão social, etc.. Se fosse somente isso muito da riqueza da rima deles seria perdida.

fica um trecho da fórmula mágica da paz

&quot;Pôrra, eu tô confuso. Preciso pensar. Me dá umtempo 
pra eu raciocinar. 
Eu já não sei distinguir quem tá errado, sei lá, minha ideologia enfraqueceu. 
Preto, branco, polícia, ladrão.. ou eu, quem é mais filha da puta, eu não sei! Aí fudeu, fudeu, decepção essas 
hora... a depressão quer me pegar vou sair fora.&quot;

Me parece que depois de uma primeira fase dos racionais, ligada ao movimento negro norte americano, a fase da juventude deles (bem clara numa música como &quot;racistas otários&quot; - que tem uma letra sensacional - ou &quot;negro limitado&quot;), depois dessa fase, surge uma segunda, mais conflituosa, onde as suas ideologias são colocadas em dúvida, e essa é certamente a fase mais rica, dos clássicos, dentre os quais o &quot;diário de um detento&quot;.

Enfim, em suma, a minha discordância com o texto (apesar do gosto pelos racionais em comum) se dá no próprio fundamento da arte. Eu não consigo admitir a arte à serviço da política, ainda que no âmbito do conflito de ideologias. Acho também que o artista que se limita a ser um produto do seu meio (um cara que veio da favela, marginalizado, que se limita a destacar seus status de marginalizado e de repetir um discurso ideológico ou ideologicamente direcionado), é, por definição, um político e não um artista. O artista deve buscar transcender isso, deve buscar construir um discurso diferenciado, que explore as sutilezas da alma humana e quiça se projete para além dela, ainda que se dê a partir de um universo reduzido (como a periferia ou qualquer outro microcosmo)

O TE explora as complexidades e conflitos do homem colocado numa situação de guerra com muita sutileza; a desumanização do inimigo, a separação entre guerreiro e pai de família, etc.. defini-lo como filme facista para mim é colocar todo o regime artístico sob o reflexo de uma paranóia política que inviabilziaria a própria arte como a concebo. Não que devamos execrar a política da arte, não! Mas devemos tomar cuidado com certas interepretações reducionaistas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não acho que se possa definir o TE como um filme facista. </p>
<p>Nascimento é um herói destrutivo, cumpridor das suas funções, mas também é uma pessoa psicologicamente confusa, conflituosa, sobretudo na sua vida pessoal (e esse conflito, essa dúvida, vai se estender no TE II à própria estrutura da polícia e do governo, colocando em questão a sua própria eficiência como fucionário e o papel que ele deve exercer).</p>
<p>Gosto particularmente dos racionais também pela conflituosidade, pela complexidade psicológica que se expressa nas letras &#8211; um &#8220;jesus chorou&#8221; ou na &#8220;fórmula mágica da paz&#8221;, por exemplo.</p>
<p>Me parece que da mesma forma que não se deve olhar o TE como um filme facista não cabe olhar o racionais tão somente como um discurso de revolta do marginal contra o sistema &#8211; um discurso destrutivo, despersonalizador, desfragmentador, fundado tão somente na ótica da exclusão social, etc.. Se fosse somente isso muito da riqueza da rima deles seria perdida.</p>
<p>fica um trecho da fórmula mágica da paz</p>
<p>&#8220;Pôrra, eu tô confuso. Preciso pensar. Me dá umtempo<br />
pra eu raciocinar.<br />
Eu já não sei distinguir quem tá errado, sei lá, minha ideologia enfraqueceu.<br />
Preto, branco, polícia, ladrão.. ou eu, quem é mais filha da puta, eu não sei! Aí fudeu, fudeu, decepção essas<br />
hora&#8230; a depressão quer me pegar vou sair fora.&#8221;</p>
<p>Me parece que depois de uma primeira fase dos racionais, ligada ao movimento negro norte americano, a fase da juventude deles (bem clara numa música como &#8220;racistas otários&#8221; &#8211; que tem uma letra sensacional &#8211; ou &#8220;negro limitado&#8221;), depois dessa fase, surge uma segunda, mais conflituosa, onde as suas ideologias são colocadas em dúvida, e essa é certamente a fase mais rica, dos clássicos, dentre os quais o &#8220;diário de um detento&#8221;.</p>
<p>Enfim, em suma, a minha discordância com o texto (apesar do gosto pelos racionais em comum) se dá no próprio fundamento da arte. Eu não consigo admitir a arte à serviço da política, ainda que no âmbito do conflito de ideologias. Acho também que o artista que se limita a ser um produto do seu meio (um cara que veio da favela, marginalizado, que se limita a destacar seus status de marginalizado e de repetir um discurso ideológico ou ideologicamente direcionado), é, por definição, um político e não um artista. O artista deve buscar transcender isso, deve buscar construir um discurso diferenciado, que explore as sutilezas da alma humana e quiça se projete para além dela, ainda que se dê a partir de um universo reduzido (como a periferia ou qualquer outro microcosmo)</p>
<p>O TE explora as complexidades e conflitos do homem colocado numa situação de guerra com muita sutileza; a desumanização do inimigo, a separação entre guerreiro e pai de família, etc.. defini-lo como filme facista para mim é colocar todo o regime artístico sob o reflexo de uma paranóia política que inviabilziaria a própria arte como a concebo. Não que devamos execrar a política da arte, não! Mas devemos tomar cuidado com certas interepretações reducionaistas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: damastor dagobé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/08/63223/#comment-78001</link>

		<dc:creator><![CDATA[damastor dagobé]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Aug 2012 13:22:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=63223#comment-78001</guid>

					<description><![CDATA[a barbárie, o estagio pré civilizatório, a ausência completa dos pressupostos da modernidade (padrões republicanos de governo, educação minimamente eficaz, consciência critica, organicidade social, a prosperidade induzida do exterior, a ausência de padrões de civilização, religiosidade primitiva) faz qualquer analise com tintas marxianas se tornar mera louvação da marginália...a má consciência de pequenos burgueses que se dizem de esquerda buscando na delinquência sua identidade secreta para uma ação para  a qual não estão preparados e não desejam efetivamente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>a barbárie, o estagio pré civilizatório, a ausência completa dos pressupostos da modernidade (padrões republicanos de governo, educação minimamente eficaz, consciência critica, organicidade social, a prosperidade induzida do exterior, a ausência de padrões de civilização, religiosidade primitiva) faz qualquer analise com tintas marxianas se tornar mera louvação da marginália&#8230;a má consciência de pequenos burgueses que se dizem de esquerda buscando na delinquência sua identidade secreta para uma ação para  a qual não estão preparados e não desejam efetivamente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ronan		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/08/63223/#comment-77930</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ronan]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Aug 2012 16:43:50 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=63223#comment-77930</guid>

					<description><![CDATA[O Rap &quot;Diário de um detento&quot; é mesmo o diário de um detento e foi escrito por um preso chamado Jocenir. Inicialmente um poema, a letra do preso foi musicalizada pelos Racionais, não são eles os autores. 

Discordo que não se defina no Brasil uma imagem do outro, do que se teme. Como se formou uma elite e uma classe média majoritariamente branca, filha de migrantes europeus, árabes e asiáticos, o outro é representado justamente pelos tons cinza da pobreza: o pardo, o feio, dentes precários, a pele escura.

Como não houve conflitos que criassem um inimigo externo, o imaginário de guerra dos moradores de Barão Geraldo, da classe média, traz como inimigo o próprio povo, pele escurecida, pobreza, os que não possuem todos os dentes...

A questão da mestiçagem traz problemas seríssimos porque as desigualdades econômicas são tingidas por ódios baseados em diferenças na cor da pele.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Rap &#8220;Diário de um detento&#8221; é mesmo o diário de um detento e foi escrito por um preso chamado Jocenir. Inicialmente um poema, a letra do preso foi musicalizada pelos Racionais, não são eles os autores. </p>
<p>Discordo que não se defina no Brasil uma imagem do outro, do que se teme. Como se formou uma elite e uma classe média majoritariamente branca, filha de migrantes europeus, árabes e asiáticos, o outro é representado justamente pelos tons cinza da pobreza: o pardo, o feio, dentes precários, a pele escura.</p>
<p>Como não houve conflitos que criassem um inimigo externo, o imaginário de guerra dos moradores de Barão Geraldo, da classe média, traz como inimigo o próprio povo, pele escurecida, pobreza, os que não possuem todos os dentes&#8230;</p>
<p>A questão da mestiçagem traz problemas seríssimos porque as desigualdades econômicas são tingidas por ódios baseados em diferenças na cor da pele.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
