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	Comentários sobre: Darwin contra a ecologia	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 May 2013 17:36:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Guilherme, o problema está exatamente no modo como você coloca as coisas: não se trata da capacidade da natureza de se regenerar, trata-se da capacidade do homem de multiplicar os elementos naturais e de criar o novo a partir do dado. Os recursos não são infinitos, certamente, exatamente porque é o homem que os multiplica, sendo que toda a ação do homem sobre a natureza implica não somente um consumo da natureza, mas também uma sua multiplicação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Guilherme, o problema está exatamente no modo como você coloca as coisas: não se trata da capacidade da natureza de se regenerar, trata-se da capacidade do homem de multiplicar os elementos naturais e de criar o novo a partir do dado. Os recursos não são infinitos, certamente, exatamente porque é o homem que os multiplica, sendo que toda a ação do homem sobre a natureza implica não somente um consumo da natureza, mas também uma sua multiplicação.</p>
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		<title>
		Por: Guilherme		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64362/#comment-118044</link>

		<dc:creator><![CDATA[Guilherme]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 May 2013 08:06:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Interessante debate. Gostaria de agregar mais um ponto: a questão da finitude ou não dos &quot;recursos&quot; naturais. A ecologia e as ciências ambientais têm demonstrado a redução das taxas de biodiversidade. Elas dão cientificidade ao que é visível a olho nú, seja em áreas urbanas ou rurais. A natureza possui resiliência, mas isso não é uma constante crescente, ou seja, a capacidade de regeneração vai até certo ponto. O argumento de que os recursos naturais são infinitos se presta ao capital. A exploração infinita acima da necessidade para fins de acumulação e lucro por poucos, às custas do trabalho exploratório alheio e da perda dos recursos naturais por todos, é o que o capital quer e faz. Para ficar bem na foto, surgiram mecanismos de compensação e modernização e inovação tecnológicas.... da série o capital tem $$, tem poder, pode detonar a vontade, afinal os recursos são infinitos não é mesmo? Ah só esqueci de dizer que os benefícios da exploração não são compartilhados com todos.....que o trabalhador é que paga a conta....]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Interessante debate. Gostaria de agregar mais um ponto: a questão da finitude ou não dos &#8220;recursos&#8221; naturais. A ecologia e as ciências ambientais têm demonstrado a redução das taxas de biodiversidade. Elas dão cientificidade ao que é visível a olho nú, seja em áreas urbanas ou rurais. A natureza possui resiliência, mas isso não é uma constante crescente, ou seja, a capacidade de regeneração vai até certo ponto. O argumento de que os recursos naturais são infinitos se presta ao capital. A exploração infinita acima da necessidade para fins de acumulação e lucro por poucos, às custas do trabalho exploratório alheio e da perda dos recursos naturais por todos, é o que o capital quer e faz. Para ficar bem na foto, surgiram mecanismos de compensação e modernização e inovação tecnológicas&#8230;. da série o capital tem $$, tem poder, pode detonar a vontade, afinal os recursos são infinitos não é mesmo? Ah só esqueci de dizer que os benefícios da exploração não são compartilhados com todos&#8230;..que o trabalhador é que paga a conta&#8230;.</p>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64362/#comment-88942</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Nov 2012 13:16:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tudo depende de qual é o seu entendimento do que é científico. Um dos requisitos para se considerar um teoria científica é a sua coerência em relação a teorias científicas já comprovadas, ou a sua capacidade de provar que as teorias que antes eram consideradas científicas estavam erradas. Quis, pelo artigo, demonstrar que a ecologia, tanto a sofisticada quando a vulgar, não se compatibiliza com o darwinismo, que é, ainda, a teoria hegemonicamente considerada científica nos meios acadêmicos. Agora, se &quot;ecologia&quot; é o estudo da interação entre seres vivos e seus ambientes, então o darwinismo é ecológico, e toda teoria biológica é ecológica, aliás até a economia e a história, a geografia, são ecológicas! Apesar de alguns dos pressupostos de Darwin serem equivocados, o cerne de sua teoria não está, o princípio da seleção natural (pelo menos foi o que pretendi defender no artigo), algo que os próprios darwinistas ecológicos admitem. Por exemplo: Stephen Jay Gould, um dos autores darwinistas mais admiráveis de nosso tempo. Minha admiração pelo autor não me impede, entretanto, de dele discordar, e de estar certo que ele desaprovaria o artigo por completo. Mas não o escrevi para agradar autoridades científicas, o escrevi para expressar minha opinião sobre o tema. Sobre os vegetarianos, veganos etc.: não os ataquei porque os considero nocivos à luta de classes, os ataquei porque quis fazer polêmica com o fato de que muitos vegetarianos e veganos, sobretudo os politicamente conservadores, consideram que os animais devem ser protegidos da violência predatória humana, enquanto a classe trabalhadora pode ser sujeita a ela à vontade. Penso que o proletariado não deve ter receios em apropriar-se do mundo que é produto de seu trabalho e da herança dos trabalhadores de tempos históricos passados. A ecologia não só quer contentar o proletariado com o pouco, quer dar uma justificativa &quot;científica&quot; para que ele prescinda de apropriar-se do seu mundo, social e natural. O comunismo não será uma sociedade de pessoas contentadas com o pouco, será uma sociedade de pessoas gulosas, ambiciosas, que gostam do muito, da abundância. Não há algo que me enfurece mais do que encontrar com um colega de trabalho que diz que a vida está difícil, que está tendo que viver com o pouco que o salário &quot;rende&quot;, mas que &quot;tá bom demais!&quot;, &quot;não precisa de mais nada não!&quot;. (E, só para constar, meu nome se escreve “Enrique”, sem o “H”. Não se trata de um erro de datilografia. Quando for criticar alguém, certifique-se de criticar a pessoa certa).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo depende de qual é o seu entendimento do que é científico. Um dos requisitos para se considerar um teoria científica é a sua coerência em relação a teorias científicas já comprovadas, ou a sua capacidade de provar que as teorias que antes eram consideradas científicas estavam erradas. Quis, pelo artigo, demonstrar que a ecologia, tanto a sofisticada quando a vulgar, não se compatibiliza com o darwinismo, que é, ainda, a teoria hegemonicamente considerada científica nos meios acadêmicos. Agora, se &#8220;ecologia&#8221; é o estudo da interação entre seres vivos e seus ambientes, então o darwinismo é ecológico, e toda teoria biológica é ecológica, aliás até a economia e a história, a geografia, são ecológicas! Apesar de alguns dos pressupostos de Darwin serem equivocados, o cerne de sua teoria não está, o princípio da seleção natural (pelo menos foi o que pretendi defender no artigo), algo que os próprios darwinistas ecológicos admitem. Por exemplo: Stephen Jay Gould, um dos autores darwinistas mais admiráveis de nosso tempo. Minha admiração pelo autor não me impede, entretanto, de dele discordar, e de estar certo que ele desaprovaria o artigo por completo. Mas não o escrevi para agradar autoridades científicas, o escrevi para expressar minha opinião sobre o tema. Sobre os vegetarianos, veganos etc.: não os ataquei porque os considero nocivos à luta de classes, os ataquei porque quis fazer polêmica com o fato de que muitos vegetarianos e veganos, sobretudo os politicamente conservadores, consideram que os animais devem ser protegidos da violência predatória humana, enquanto a classe trabalhadora pode ser sujeita a ela à vontade. Penso que o proletariado não deve ter receios em apropriar-se do mundo que é produto de seu trabalho e da herança dos trabalhadores de tempos históricos passados. A ecologia não só quer contentar o proletariado com o pouco, quer dar uma justificativa &#8220;científica&#8221; para que ele prescinda de apropriar-se do seu mundo, social e natural. O comunismo não será uma sociedade de pessoas contentadas com o pouco, será uma sociedade de pessoas gulosas, ambiciosas, que gostam do muito, da abundância. Não há algo que me enfurece mais do que encontrar com um colega de trabalho que diz que a vida está difícil, que está tendo que viver com o pouco que o salário &#8220;rende&#8221;, mas que &#8220;tá bom demais!&#8221;, &#8220;não precisa de mais nada não!&#8221;. (E, só para constar, meu nome se escreve “Enrique”, sem o “H”. Não se trata de um erro de datilografia. Quando for criticar alguém, certifique-se de criticar a pessoa certa).</p>
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		<title>
		Por: JG		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64362/#comment-88302</link>

		<dc:creator><![CDATA[JG]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Nov 2012 13:01:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[De novo essa história? Vou tentar não repetir muito o Lucas Jardim, mas várias objeções necessárias já foram levantadas, embora ninguém seja obrigado a aceitar a verdade mesmo quando ela é forçada na sua cara.

Primeiro, as concessões. É óbvio que viver na &quot;natureza selvagem&quot; é difícil para quem não está acostumado. Além disso, é óbvio que a natureza não é uma harmonia perfeita, nem um equilíbrio estável. Quem nega isso? Certamente não a ecologia. Inclusive, quem quer exemplos de como a natureza se transforma radical e imprevisivelmente, basta abrir qualquer livro-texto de ecologia.

A ecologia é uma disciplina científica. Seria natural que ela tivesse seus próprios departamentos, mas a verdade é que em diversas Universidades, incluindo algumas das melhores do mundo, os departamentos e cursos de pós-graduação de ecologia e evolução biológica são os mesmos. Numa rápida pesquisa pelo Google, encontrei essa situação na Yale, Stanford, Princeton, Universidade de Chicago... Não há contradição alguma entre a ecologia e o estudo da evolução biológica, os pesquisadores de um campo não negam os do outro, muito pelo contrário: a ecologia evolutiva é um dos subcampos mais promisssores da pesquisa evolutiva.

Notem que eu não estou chamando a biologia evolutiva de &quot;Darwinismo&quot;; isso se dá pela simples razão de que o meio científico também não faz isso há décadas. A ciência é uma tarefa colaborativa humana e ela se discute com artigos, dados e teorias - não com autores. O termo &quot;darwinismo&quot;, carregado de personalismo, há muito perdeu prestígio na ciência, até porque o campo da biologia evolutiva evoluiu muito nos 150 anos que se passaram desde a obra de Darwin e muitos de seus pressupostos estavam equivocados (como não poderia deixar de ser).

Um exemplo disso? A seleção natural não é mais considerada o único fator evolutivo e cada vez mais se considera que não é nem mesmo o principal. A maior parte das mudanças evolutivas (mudança nas frequências gênicas das populações) se dá por deriva genética, independente de qualquer competição natural.

Que o autor do texto desconheça disso não surpreende, quando o próprio quer discutir um tema científico com argumentos por autoridade (&quot;Darwin disse...&quot;).

Essa rejeição da ciência ecologia é curiosa, vinda de quem vem. Numa discussão sobre o mesmo tema, João Bernardo nos trouxe um aviso importante:

&quot;É certo que todas as noções, científicas ou outras, reflectem a época em que surgiram e o meio social que as originou, mas é um atroz simplismo pensar que assim se possa negar a validade de tudo com que não se esteja de acordo. A ciência fundamenta-se em experiências laboratoriais e numa eficácia prática que serve de confirmação às suas descobertas (...) Mas a agroecologia coloca-se fora de qualquer debate científico ao considerar globalmente suspeitos os cientistas que se lhe opõem, precisamente pelo facto de se lhe oporem.&quot; 

Basta imaginar que não se está a falar da agroecologia, mas de Fagner Henrique e João Bernardo, para notar a semelhança com a rejeição infundada de tudo que leva o nome de ecologia, independente dos métodos científicos adotados nas pesquisas.

Sobre dizer que a ecologia, então, é culpada por incentivar ou promover as ideias ambientalistas, é idêntico a culpar a Física Nuclear pelas intenções belicistas de alguns. O uso que se faz do conhecimento científico extrapola seus limites metodológicos, não cabe à ciência dizer como devemos viver nossas vidas.

É curioso notar que Stephen Jay Gould, que certa vez disse ter aprendido sobre o marxismo no colo de seu pai, certamente rejeitaria por completo esse artigo, já que sempre considerou a ecologia uma ciência válida e que os recursos do planeta eram finitos, sendo uma questão de importância pra sociedade.

Uma última palavra é necessária sobre o ataque gratuito aos vegetarianos e veganos: é besteira tratar essa opção alimentar como uma ação para a luta de classes, assim como é besteira achar que ela é sempre motivada por uma visão ambientalista. As pessoas têm diversos motivos para não comer animais, mas é sobretudo uma questão ética por considerar os outros animais pacientes morais. Que a alimentação vegetariana promova um impacto ambiental menor é apenas mais um motivo a incentivar (alguns) vegetarianos e veganos.

Sobre não chamar &quot;Darwinismo&quot;, um artigo interessante da divulgadora da ciência Eugenie Scott:
http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs12052-008-0111-2?LI=true]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De novo essa história? Vou tentar não repetir muito o Lucas Jardim, mas várias objeções necessárias já foram levantadas, embora ninguém seja obrigado a aceitar a verdade mesmo quando ela é forçada na sua cara.</p>
<p>Primeiro, as concessões. É óbvio que viver na &#8220;natureza selvagem&#8221; é difícil para quem não está acostumado. Além disso, é óbvio que a natureza não é uma harmonia perfeita, nem um equilíbrio estável. Quem nega isso? Certamente não a ecologia. Inclusive, quem quer exemplos de como a natureza se transforma radical e imprevisivelmente, basta abrir qualquer livro-texto de ecologia.</p>
<p>A ecologia é uma disciplina científica. Seria natural que ela tivesse seus próprios departamentos, mas a verdade é que em diversas Universidades, incluindo algumas das melhores do mundo, os departamentos e cursos de pós-graduação de ecologia e evolução biológica são os mesmos. Numa rápida pesquisa pelo Google, encontrei essa situação na Yale, Stanford, Princeton, Universidade de Chicago&#8230; Não há contradição alguma entre a ecologia e o estudo da evolução biológica, os pesquisadores de um campo não negam os do outro, muito pelo contrário: a ecologia evolutiva é um dos subcampos mais promisssores da pesquisa evolutiva.</p>
<p>Notem que eu não estou chamando a biologia evolutiva de &#8220;Darwinismo&#8221;; isso se dá pela simples razão de que o meio científico também não faz isso há décadas. A ciência é uma tarefa colaborativa humana e ela se discute com artigos, dados e teorias &#8211; não com autores. O termo &#8220;darwinismo&#8221;, carregado de personalismo, há muito perdeu prestígio na ciência, até porque o campo da biologia evolutiva evoluiu muito nos 150 anos que se passaram desde a obra de Darwin e muitos de seus pressupostos estavam equivocados (como não poderia deixar de ser).</p>
<p>Um exemplo disso? A seleção natural não é mais considerada o único fator evolutivo e cada vez mais se considera que não é nem mesmo o principal. A maior parte das mudanças evolutivas (mudança nas frequências gênicas das populações) se dá por deriva genética, independente de qualquer competição natural.</p>
<p>Que o autor do texto desconheça disso não surpreende, quando o próprio quer discutir um tema científico com argumentos por autoridade (&#8220;Darwin disse&#8230;&#8221;).</p>
<p>Essa rejeição da ciência ecologia é curiosa, vinda de quem vem. Numa discussão sobre o mesmo tema, João Bernardo nos trouxe um aviso importante:</p>
<p>&#8220;É certo que todas as noções, científicas ou outras, reflectem a época em que surgiram e o meio social que as originou, mas é um atroz simplismo pensar que assim se possa negar a validade de tudo com que não se esteja de acordo. A ciência fundamenta-se em experiências laboratoriais e numa eficácia prática que serve de confirmação às suas descobertas (&#8230;) Mas a agroecologia coloca-se fora de qualquer debate científico ao considerar globalmente suspeitos os cientistas que se lhe opõem, precisamente pelo facto de se lhe oporem.&#8221; </p>
<p>Basta imaginar que não se está a falar da agroecologia, mas de Fagner Henrique e João Bernardo, para notar a semelhança com a rejeição infundada de tudo que leva o nome de ecologia, independente dos métodos científicos adotados nas pesquisas.</p>
<p>Sobre dizer que a ecologia, então, é culpada por incentivar ou promover as ideias ambientalistas, é idêntico a culpar a Física Nuclear pelas intenções belicistas de alguns. O uso que se faz do conhecimento científico extrapola seus limites metodológicos, não cabe à ciência dizer como devemos viver nossas vidas.</p>
<p>É curioso notar que Stephen Jay Gould, que certa vez disse ter aprendido sobre o marxismo no colo de seu pai, certamente rejeitaria por completo esse artigo, já que sempre considerou a ecologia uma ciência válida e que os recursos do planeta eram finitos, sendo uma questão de importância pra sociedade.</p>
<p>Uma última palavra é necessária sobre o ataque gratuito aos vegetarianos e veganos: é besteira tratar essa opção alimentar como uma ação para a luta de classes, assim como é besteira achar que ela é sempre motivada por uma visão ambientalista. As pessoas têm diversos motivos para não comer animais, mas é sobretudo uma questão ética por considerar os outros animais pacientes morais. Que a alimentação vegetariana promova um impacto ambiental menor é apenas mais um motivo a incentivar (alguns) vegetarianos e veganos.</p>
<p>Sobre não chamar &#8220;Darwinismo&#8221;, um artigo interessante da divulgadora da ciência Eugenie Scott:<br />
<a href="http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs12052-008-0111-2?LI=true" rel="nofollow ugc">http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs12052-008-0111-2?LI=true</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64362/#comment-80042</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Sep 2012 03:57:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Agradeço pelo seu amável elogio, Carlos Henrique.
Um abraço.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agradeço pelo seu amável elogio, Carlos Henrique.<br />
Um abraço.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Carlos Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64362/#comment-80010</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Sep 2012 20:38:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito bom artigo meu amigo Fagner, bem articula e com bastante embasamento teórico. Continue assim meu colega, temos orgulho de você.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom artigo meu amigo Fagner, bem articula e com bastante embasamento teórico. Continue assim meu colega, temos orgulho de você.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64362/#comment-79957</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Sep 2012 12:45:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando Lucas Jardim diz que a ecologia é meramente uma ciência, cujo objetivo é, em suma, &quot;criar planos de manejo de recursos, controle de pragas, priorização para criação de unidades de proteção ambiental&quot;, não percebe que o que transparece em sua argumentação é a ideia de uma natureza de recursos limitados, finitos. Mesmo que não diga que há ali um equilíbrio natural, diz que há uma quantidade de recursos que deve ser preservada. Mas Lucas não percebe que essa é apenas outra face da mesma corrente de pensamento do ambientalismo e que a ecologia, no sentido colocado por Lucas, dá asas ao ambientalismo. O que Lucas não compreende é que essa ecologia cujo objetivo é estudar o meio ambiente para melhor preservá-lo, a serviço do capital, como bem coloca o leitor, está presente também no pensamento dos ambientalistas que sustentam o mito da natureza. João Bernardo diferencia a ecologia dita científica da ecologia dita ideológica, mas não deixa de ver ligações entre ambas. Diz o autor: &quot;[...] algumas teses que para os teóricos da ecologia possuem um valor meramente secundário são por estes elementos [os ambientalistas mais radicais] levadas a pontos extremos, convertendo­-se assim em colossais disparates. Por isso a ecologia, que entre as camadas superiores dos gestores [a classe dos tecnocratas] conserva um tom sério e mantém pretensões a ideologia científica, aparece, graças à acção destes discípulos, enfeitada com as mais crassas aberrações. Quanto à sua produção intelectual no movimento ecológico estes elementos são os palhaços. Mas esta é, está claro, a sua função meramente estética, e é a função social que desempenham que sobretudo me interessa (João Bernardo. O inimigo oculto. Porto: Afrontamento, 1979. p. 181)&quot;. Ora, a disponibilidade limitada de recursos tem sido criticada por muitos outros cientistas, os quais procuraram rever o atual estado dessa disponibilidade e perceberam que as alarmantes de poluição, o alarmante esgotamento de certos recursos naturais etc. não tem objetividade científica. Uma das sínteses dos estudos de muitos desses cientistas está na obra do economista Bjørn Lomborg (não, ele não é financiado pelas grandes corporações), a qual já lhe recomendei. Mas diz Lucas: &quot;Se [a ecologia] está à serviço do capital, sim está, como todas as ciências e esta discussão não está presente nas discussões epistemologicas desta área, assim como não está presente em nenhuma discussão das ciências naturais&quot;. Bem, se essa discussão não está presente, tudo bem! Vamos seguir adiante nossas vidas, com toda alegria, e simplesmente ignorar questões que são levantadas por estudiosos de outras áreas, como a economia, a história etc., ignorando que a função das universidades etc. é promover aproximações entre áreas distintas de investigação. Se uma tendência da ecologia é mais branda, mais &quot;científica&quot; etc., isso não nos impede de traçar a sua afinidade ideológica com suas vertentes mais radicais e politicamente ativas, pois o princípio básico é o de que os atuais padrões de interação do homem com a natureza cria problemas de sustentabilidade, seja ela a sustentabilidade da economia ou a sustentabilidade da vida na Terra. Todas as correntes de pensamento possuem suas tendências vulgares, mas as tendências vulgares são sempre inspiradas nas tendências mais sofisticadas. Leio, na obra que já citei de S. J. Gould, o seguinte: &quot;A ecologia teórica [...] trabalha com a menor das dimensões do tempo &#039;ecológico&#039; (interação orgânica durante estações ou, no máximo, anos) [...] (p. 113)&quot;. Assim, a ecologia científica pretende analisar, sobretudo, fenômenos restritos em sua duração, ao passo que outros tipos de investigação, como a econômica, trabalham com espaços de tempo mais amplos. Isso desqualifica a ecologia para nos fornecer um estudo panorâmico confiável sobre as condições dos recursos naturais, por exemplo. Seu ponto de vista é microscópico, não macroscópico. O problema é que os ecológicos cientistas, de visão microscópica, pretendem traçar políticas públicas de gestão dos recursos naturais etc.!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando Lucas Jardim diz que a ecologia é meramente uma ciência, cujo objetivo é, em suma, &#8220;criar planos de manejo de recursos, controle de pragas, priorização para criação de unidades de proteção ambiental&#8221;, não percebe que o que transparece em sua argumentação é a ideia de uma natureza de recursos limitados, finitos. Mesmo que não diga que há ali um equilíbrio natural, diz que há uma quantidade de recursos que deve ser preservada. Mas Lucas não percebe que essa é apenas outra face da mesma corrente de pensamento do ambientalismo e que a ecologia, no sentido colocado por Lucas, dá asas ao ambientalismo. O que Lucas não compreende é que essa ecologia cujo objetivo é estudar o meio ambiente para melhor preservá-lo, a serviço do capital, como bem coloca o leitor, está presente também no pensamento dos ambientalistas que sustentam o mito da natureza. João Bernardo diferencia a ecologia dita científica da ecologia dita ideológica, mas não deixa de ver ligações entre ambas. Diz o autor: &#8220;[&#8230;] algumas teses que para os teóricos da ecologia possuem um valor meramente secundário são por estes elementos [os ambientalistas mais radicais] levadas a pontos extremos, convertendo­-se assim em colossais disparates. Por isso a ecologia, que entre as camadas superiores dos gestores [a classe dos tecnocratas] conserva um tom sério e mantém pretensões a ideologia científica, aparece, graças à acção destes discípulos, enfeitada com as mais crassas aberrações. Quanto à sua produção intelectual no movimento ecológico estes elementos são os palhaços. Mas esta é, está claro, a sua função meramente estética, e é a função social que desempenham que sobretudo me interessa (João Bernardo. O inimigo oculto. Porto: Afrontamento, 1979. p. 181)&#8221;. Ora, a disponibilidade limitada de recursos tem sido criticada por muitos outros cientistas, os quais procuraram rever o atual estado dessa disponibilidade e perceberam que as alarmantes de poluição, o alarmante esgotamento de certos recursos naturais etc. não tem objetividade científica. Uma das sínteses dos estudos de muitos desses cientistas está na obra do economista Bjørn Lomborg (não, ele não é financiado pelas grandes corporações), a qual já lhe recomendei. Mas diz Lucas: &#8220;Se [a ecologia] está à serviço do capital, sim está, como todas as ciências e esta discussão não está presente nas discussões epistemologicas desta área, assim como não está presente em nenhuma discussão das ciências naturais&#8221;. Bem, se essa discussão não está presente, tudo bem! Vamos seguir adiante nossas vidas, com toda alegria, e simplesmente ignorar questões que são levantadas por estudiosos de outras áreas, como a economia, a história etc., ignorando que a função das universidades etc. é promover aproximações entre áreas distintas de investigação. Se uma tendência da ecologia é mais branda, mais &#8220;científica&#8221; etc., isso não nos impede de traçar a sua afinidade ideológica com suas vertentes mais radicais e politicamente ativas, pois o princípio básico é o de que os atuais padrões de interação do homem com a natureza cria problemas de sustentabilidade, seja ela a sustentabilidade da economia ou a sustentabilidade da vida na Terra. Todas as correntes de pensamento possuem suas tendências vulgares, mas as tendências vulgares são sempre inspiradas nas tendências mais sofisticadas. Leio, na obra que já citei de S. J. Gould, o seguinte: &#8220;A ecologia teórica [&#8230;] trabalha com a menor das dimensões do tempo &#8216;ecológico&#8217; (interação orgânica durante estações ou, no máximo, anos) [&#8230;] (p. 113)&#8221;. Assim, a ecologia científica pretende analisar, sobretudo, fenômenos restritos em sua duração, ao passo que outros tipos de investigação, como a econômica, trabalham com espaços de tempo mais amplos. Isso desqualifica a ecologia para nos fornecer um estudo panorâmico confiável sobre as condições dos recursos naturais, por exemplo. Seu ponto de vista é microscópico, não macroscópico. O problema é que os ecológicos cientistas, de visão microscópica, pretendem traçar políticas públicas de gestão dos recursos naturais etc.!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas JArdim		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64362/#comment-79942</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas JArdim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Sep 2012 10:06:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A ecologia não se propõe como uma forma revolucionária de mudança da sociedade,não pretende lutar contra o sistema capitalista simplesmente busca e tenta explicar padrões de interação entre espécies, padrões de riqueza de espécies, estruturas de comunidades, ciclagem de materia e nutrientes nos ecosistemas. De uma forma aplicada pode ser usada para criar planos de manejo de recursos, controle de pragas, priorização para criação de unidades de proteção ambiental. Se está à serviço do capital, sim está, como todas as ciências e esta discussão não está presente nas discussões epistemologicas desta área, assim como não está presente em nenhuma discussão das ciências naturais. O que você tem que perceber é que o que está chamando de ecologia não é a ecologia enquanto ciência e sim aquelas distorções que disse anteriormente e isso tem que ficar claro no seu texto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ecologia não se propõe como uma forma revolucionária de mudança da sociedade,não pretende lutar contra o sistema capitalista simplesmente busca e tenta explicar padrões de interação entre espécies, padrões de riqueza de espécies, estruturas de comunidades, ciclagem de materia e nutrientes nos ecosistemas. De uma forma aplicada pode ser usada para criar planos de manejo de recursos, controle de pragas, priorização para criação de unidades de proteção ambiental. Se está à serviço do capital, sim está, como todas as ciências e esta discussão não está presente nas discussões epistemologicas desta área, assim como não está presente em nenhuma discussão das ciências naturais. O que você tem que perceber é que o que está chamando de ecologia não é a ecologia enquanto ciência e sim aquelas distorções que disse anteriormente e isso tem que ficar claro no seu texto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64362/#comment-79857</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Sep 2012 14:36:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=64362#comment-79857</guid>

					<description><![CDATA[Lucas Jardim,
se a teoria ecológica &quot;científica&quot; atual é uma teoria que visa &quot;ajustar a forma de exploração com a capacidade dos ecossistemas&quot;, então ela nada mais é do que uma busca de técnicas e tecnologias que visam garantir a reprodução da produção capitalista e das relações de produção capitalistas. Trata-se de adaptar o desenvolvimento econômico a formas mais racionais de se lidar com as matérias primas etc. Então a ecologia não tem nada de revolucionário, mas presta um serviço ao capital, como já disse eu anteriormente, respondendo a Tomas Oliveira. O problema é que, quando a ecologia pretende ser revolucionária, pretende contradizer abertamente o sistema capitalista, ao invés de prestar-lhe um serviço, o que ela faz é propor justamente a arcaização do processo produtivo e a regressão a formas arcaicas - não modernas, não baseadas na estrutura urbano-industrial das sociedades modernas - de vida. Aí ela chega ao posicionamento &quot;ambientalista, muitas vezes hippie&quot;. Das duas uma: ou a ecologia está a serviço do capital ou está a serviço, sob a forma do ambientalismo, da regressão social. Quando a ecologia propõe o referido &quot;reajuste&quot;, quem sofre com o reajuste é o proletariado, pois todo desenvolvimento tecnológico leva a uma exclusão de parte do proletariado do processo produtivo (a parte que já estava adaptada a um tipo de tecnologia, mas que demoraria a adaptar-se aos novos tipos), gerando desemprego estrutural e miséria social, e a uma exploração mais intensa do proletariado inserido no novo ciclo produtivo, pois o capital recobrará o investimento em tecnologias mais avançadas, obrigando-os a produzir mais e mais. Em ambos os casos, quem perde é a classe trabalhadora. Só através da vitória da revolução proletária, e do estabelecimento de uma economia socializada e democrática, é que se poderia aproveitar a tecnologia sem promover a exclusão social de parte do proletariado e sem intensificar a exploração do proletariado economicamente ativo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas Jardim,<br />
se a teoria ecológica &#8220;científica&#8221; atual é uma teoria que visa &#8220;ajustar a forma de exploração com a capacidade dos ecossistemas&#8221;, então ela nada mais é do que uma busca de técnicas e tecnologias que visam garantir a reprodução da produção capitalista e das relações de produção capitalistas. Trata-se de adaptar o desenvolvimento econômico a formas mais racionais de se lidar com as matérias primas etc. Então a ecologia não tem nada de revolucionário, mas presta um serviço ao capital, como já disse eu anteriormente, respondendo a Tomas Oliveira. O problema é que, quando a ecologia pretende ser revolucionária, pretende contradizer abertamente o sistema capitalista, ao invés de prestar-lhe um serviço, o que ela faz é propor justamente a arcaização do processo produtivo e a regressão a formas arcaicas &#8211; não modernas, não baseadas na estrutura urbano-industrial das sociedades modernas &#8211; de vida. Aí ela chega ao posicionamento &#8220;ambientalista, muitas vezes hippie&#8221;. Das duas uma: ou a ecologia está a serviço do capital ou está a serviço, sob a forma do ambientalismo, da regressão social. Quando a ecologia propõe o referido &#8220;reajuste&#8221;, quem sofre com o reajuste é o proletariado, pois todo desenvolvimento tecnológico leva a uma exclusão de parte do proletariado do processo produtivo (a parte que já estava adaptada a um tipo de tecnologia, mas que demoraria a adaptar-se aos novos tipos), gerando desemprego estrutural e miséria social, e a uma exploração mais intensa do proletariado inserido no novo ciclo produtivo, pois o capital recobrará o investimento em tecnologias mais avançadas, obrigando-os a produzir mais e mais. Em ambos os casos, quem perde é a classe trabalhadora. Só através da vitória da revolução proletária, e do estabelecimento de uma economia socializada e democrática, é que se poderia aproveitar a tecnologia sem promover a exclusão social de parte do proletariado e sem intensificar a exploração do proletariado economicamente ativo.</p>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64362/#comment-79855</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Sep 2012 14:14:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=64362#comment-79855</guid>

					<description><![CDATA[Tomas Oliveira,

1) Os referidos genocídios de Tomas Oliveira não foram causados pela concepção da civilização urbano-industrial como uma forma de vida superior. Foram causados pela expansão do capitalismo, que forçava pela violência a inserção dos povos autóctones nas novas relações de produção, reproduzindo noutros lugares a acumulação primitiva de capital (a brutal separação entre produtor e meios de produção etc.) que havia sido inaugurada na Inglaterra do século XVI. O problema é justamente aquele apontado por Tomas Oliveira, o da tentativa de justificar o processo colonizador. Mas o processo colonizador não é resultado de uma cultura que concebe a si mesma como superior: os gregos antigos consideravam-se superiores aos outros povos, seus contemporâneos; entretanto, a tendência das cidades-estado gregas foi o isolamento: foi só com a formação do império macedônico que os gregos iniciaram um processo, fracassado, de expansão para o Oriente; além do mais, as colônias gregas eram mais povoados e entrepostos comerciais do que um empreendimento que visava submeter os povos autóctones às relações sociais de tipo escravista que vigoravam na grécia antiga ou à autoridade das cidades de onde provinham, sendo também uma forma de remover camponeses sem-terra, indesejados na cena política dominada pelos latifundiários (pelo menos é esta a tendência interpretativa dominante na historiografia).

2) O que Tomas Oliveira quer dizer como &quot;a alimentação de um americano médio&quot;? Quer dizer que não pode a população mundial apreciar os hamburgers do McDonald&#039;s? Bem, certamente não é isso que se deve fazer se quisermos ter o sangue fluindo por nossas artérias... A agropecuária, no entanto, que produz, crescentemente, tipos de alimentos mais saudáveis, o suficiente para alimentar a população mundial e mais ainda. Se não o faz é porque esses alimentos são mercadoria e a pessoa que não se insere no mercado como exploradora de força de trabalho e consumidora de mercadorias, ou como vendedora de sua força de trabalho e consumidora de mercadorias só pode fazer duas coisas: passar fome e morrer; ou inserir-se no mercado de uma outra forma, ilegal ou imoral, tornando criminosa ou prostituindo-se. Não é a disponibilidade de alimentos o determinante, mas o fulcro das relações sociais do capitalismo.

3) &quot;Os modos de produção arcaicos não são arcaicos, só são diferentes... e as culturas deles decorrentes também não são primitivas, mas diferentes&quot; Ouço isso desde que pus os pés no âmbito universitário e continuo a ouvi-lo depois que dele saí, infelizmente. Por esse comentário vemos o quanto o relativismo do multiculturalismo penetrou as mentes das pessoas hoje em dia: não existe melhor ou pior, existe diferente. O multiculturalismo quer privar a todos do direito de discernir, em prol do politicamente correto. Se você acha que a vida numa sociedade urbano-industrial, apesar dos problemas que apresenta numa formação social capitalista, é superior à vida que é levada pela população de países onde essa sociedade urbano-industrial não se consolidou, então você é imperialista! Curiosamente, Europa e os EUA estão repletos de imigrantes de países onde a referida sociedade urbano-industrial não se consolidou por completo, os quais buscam tornar real, em suas vidas, as promessas da civilização moderna: se não conseguem, nos marcos do capitalismo, é porque é exatamente a luta pelo socialismo que cumprirá essa promessa. Além do mais, curiosamente, a ascensão de grupos xenofóbicos, fascistas mesmo, nos países desenvolvidos, é justificada pelo mesmo multiculturalismo: trata-se de colocar os imigrantes no lugar ao qual pertencem, naturalmente. Eles não precisam vir viver na bela Europa, e se quiserem desfrutar dos confortos da civilização moderna é para isso que serve a globalização!

4) &quot;As técnicas da civilização urbano-industrial só são superiores, para nós, porque partidos da definição de que a socidade urbano-industrial é uma civilização superior&quot;, diz Tomas Oliveira. É assim que ele nos dá uma aula de economia: uma técnica é superior à outra quando acreditamos que a sociedade nela baseada é superior às outras. Brilhante mesmo! Pensava eu que a superioridade da técnica era dada pelo grau de transformação dos elementos naturais a que ela é capaz de proceder, e pela diminuição do esforço do trabalhador para atingir o resultado projetado anteriormente. Mais esforço e menores resultados = técnicas rudimentares... menos esforço e maiores resultados = técnicas mais avançadas. Mas, dirá Tomas, o resultado é culturalmente estabelecido, ou coisa do tipo. O curioso, sobre isso, é que sociedade não capitalistas, ou não ocidentais, também buscaram diminuir o esforço e aumentar a produtividade do trabalho. O que Tomas não percebe é que, quanto maior é a técnica menos tem que se trabalhar, e isso sempre foi encarado como um avanço por qualquer trabalhador, de qualquer sociedade: não fosse assim, os camponeses medievais não se disporiam a construir moinhos, por exemplo. O curioso sobre o imperialismo é que muitas sociedades, hoje, encaram como benfeitoria a inserção de empresas transnacionais que realizam obras de infraestrutura etc. O imperialismo do Brasil de hoje, por exemplo, é um imperialismo benfeitor. (Cf. João Bernardo. &quot;Brasil hoje e amanhã: 8) teia do novo imperialismo&quot;. In: http://passapalavra.info/?p=44120)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tomas Oliveira,</p>
<p>1) Os referidos genocídios de Tomas Oliveira não foram causados pela concepção da civilização urbano-industrial como uma forma de vida superior. Foram causados pela expansão do capitalismo, que forçava pela violência a inserção dos povos autóctones nas novas relações de produção, reproduzindo noutros lugares a acumulação primitiva de capital (a brutal separação entre produtor e meios de produção etc.) que havia sido inaugurada na Inglaterra do século XVI. O problema é justamente aquele apontado por Tomas Oliveira, o da tentativa de justificar o processo colonizador. Mas o processo colonizador não é resultado de uma cultura que concebe a si mesma como superior: os gregos antigos consideravam-se superiores aos outros povos, seus contemporâneos; entretanto, a tendência das cidades-estado gregas foi o isolamento: foi só com a formação do império macedônico que os gregos iniciaram um processo, fracassado, de expansão para o Oriente; além do mais, as colônias gregas eram mais povoados e entrepostos comerciais do que um empreendimento que visava submeter os povos autóctones às relações sociais de tipo escravista que vigoravam na grécia antiga ou à autoridade das cidades de onde provinham, sendo também uma forma de remover camponeses sem-terra, indesejados na cena política dominada pelos latifundiários (pelo menos é esta a tendência interpretativa dominante na historiografia).</p>
<p>2) O que Tomas Oliveira quer dizer como &#8220;a alimentação de um americano médio&#8221;? Quer dizer que não pode a população mundial apreciar os hamburgers do McDonald&#8217;s? Bem, certamente não é isso que se deve fazer se quisermos ter o sangue fluindo por nossas artérias&#8230; A agropecuária, no entanto, que produz, crescentemente, tipos de alimentos mais saudáveis, o suficiente para alimentar a população mundial e mais ainda. Se não o faz é porque esses alimentos são mercadoria e a pessoa que não se insere no mercado como exploradora de força de trabalho e consumidora de mercadorias, ou como vendedora de sua força de trabalho e consumidora de mercadorias só pode fazer duas coisas: passar fome e morrer; ou inserir-se no mercado de uma outra forma, ilegal ou imoral, tornando criminosa ou prostituindo-se. Não é a disponibilidade de alimentos o determinante, mas o fulcro das relações sociais do capitalismo.</p>
<p>3) &#8220;Os modos de produção arcaicos não são arcaicos, só são diferentes&#8230; e as culturas deles decorrentes também não são primitivas, mas diferentes&#8221; Ouço isso desde que pus os pés no âmbito universitário e continuo a ouvi-lo depois que dele saí, infelizmente. Por esse comentário vemos o quanto o relativismo do multiculturalismo penetrou as mentes das pessoas hoje em dia: não existe melhor ou pior, existe diferente. O multiculturalismo quer privar a todos do direito de discernir, em prol do politicamente correto. Se você acha que a vida numa sociedade urbano-industrial, apesar dos problemas que apresenta numa formação social capitalista, é superior à vida que é levada pela população de países onde essa sociedade urbano-industrial não se consolidou, então você é imperialista! Curiosamente, Europa e os EUA estão repletos de imigrantes de países onde a referida sociedade urbano-industrial não se consolidou por completo, os quais buscam tornar real, em suas vidas, as promessas da civilização moderna: se não conseguem, nos marcos do capitalismo, é porque é exatamente a luta pelo socialismo que cumprirá essa promessa. Além do mais, curiosamente, a ascensão de grupos xenofóbicos, fascistas mesmo, nos países desenvolvidos, é justificada pelo mesmo multiculturalismo: trata-se de colocar os imigrantes no lugar ao qual pertencem, naturalmente. Eles não precisam vir viver na bela Europa, e se quiserem desfrutar dos confortos da civilização moderna é para isso que serve a globalização!</p>
<p>4) &#8220;As técnicas da civilização urbano-industrial só são superiores, para nós, porque partidos da definição de que a socidade urbano-industrial é uma civilização superior&#8221;, diz Tomas Oliveira. É assim que ele nos dá uma aula de economia: uma técnica é superior à outra quando acreditamos que a sociedade nela baseada é superior às outras. Brilhante mesmo! Pensava eu que a superioridade da técnica era dada pelo grau de transformação dos elementos naturais a que ela é capaz de proceder, e pela diminuição do esforço do trabalhador para atingir o resultado projetado anteriormente. Mais esforço e menores resultados = técnicas rudimentares&#8230; menos esforço e maiores resultados = técnicas mais avançadas. Mas, dirá Tomas, o resultado é culturalmente estabelecido, ou coisa do tipo. O curioso, sobre isso, é que sociedade não capitalistas, ou não ocidentais, também buscaram diminuir o esforço e aumentar a produtividade do trabalho. O que Tomas não percebe é que, quanto maior é a técnica menos tem que se trabalhar, e isso sempre foi encarado como um avanço por qualquer trabalhador, de qualquer sociedade: não fosse assim, os camponeses medievais não se disporiam a construir moinhos, por exemplo. O curioso sobre o imperialismo é que muitas sociedades, hoje, encaram como benfeitoria a inserção de empresas transnacionais que realizam obras de infraestrutura etc. O imperialismo do Brasil de hoje, por exemplo, é um imperialismo benfeitor. (Cf. João Bernardo. &#8220;Brasil hoje e amanhã: 8) teia do novo imperialismo&#8221;. In: <a href="http://passapalavra.info/?p=44120" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=44120</a>)</p>
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