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	Comentários sobre: Doze condições da luta social	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64743/#comment-147291</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Nov 2013 04:40:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não conheço muito do Ferréz, vida ou obra, mas quando o vi nesta entrevista falando sobre religião não pude deixar de lembrar deste post. Se por um lado fala que tem crescido sua espiritualidade, por outro ataca a religião como instituição humana de maneira muito clara. 
http://youtu.be/sAW6vWVU11E?t=4m10s]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não conheço muito do Ferréz, vida ou obra, mas quando o vi nesta entrevista falando sobre religião não pude deixar de lembrar deste post. Se por um lado fala que tem crescido sua espiritualidade, por outro ataca a religião como instituição humana de maneira muito clara.<br />
<a href="http://youtu.be/sAW6vWVU11E?t=4m10s" rel="nofollow ugc">http://youtu.be/sAW6vWVU11E?t=4m10s</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64743/#comment-82774</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Oct 2012 06:15:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não só li a entrevista inteira, como pretendi criticar a posição do entrevistado. Que muitas de suas afirmações vão na contramão do que tenho defendido, isto é meio que óbvio. A meu ver, a revolução será feita, sim, por pessoas que costumavam pedir graças antes das refeições, que costumavam ir à mesquita, que costumavam acreditar no misticismo da Nova Era. Só não será feita por pessoas que não conseguem deixar de pedir graças antes das refeições e não conseguem deixar de perceber que a refeição de cada dia é produto de seu próprio trabalho, e não de um desígnio divino. Também não será feita por pessoas que concebem a ordem do mundo em que vivem segundo o misticismo da Nova Era. Nesse sentido, sou radicalmente contra a ideia de que o marxismo é algo meramente acessório para a revolução, algo desnecessário mesmo. Pode até ser para as lutas sociais, mas o será para lutas sociais que não conseguirão levar à vitória da revolução. Para que a revolução seja vitoriosa, é preciso que os jogadores conheçam as regras do jogo no qual foram lançados sem aviso prévio, é preciso que eles conheçam os jogadores, e é preciso que eles conheçam o estágio no qual o jogo que se encontra. O marxismo é a teoria que explica as regras do jogo... sim, ele é &quot;a&quot; teoria (não tenho escrúpulo algum em afirmá-lo), pois explica o mecanismo da sociedade capitalista, a lei do valor. O marxismo é a teoria que explica o estágio no qual o jogo se encontra, pois explica as trajetórias já percorridas por esta sociedade, governada por aquele mecanismo. O marxismo esclarece quem são os jogadores (boa parte dos leitores deste site estão acostumados a não considerar o capitalismo como um jogo de dois jogadores principais, burguesia e proletariado, mas como um jogo de três jogadores principais, isto é, burguesia, proletariado e tecnocracia/gestores). Não sei quanto ao resto dos debatedores e leitores, mas, para mim, trata-se de um jogo no qual as classes dominantes estão a ganhar, já há um tempo, e no qual as classes dominantes gozam de uma considerável vantagem, já que elas investem no treinamento de seus jogadores com base nos recursos produzidos pelo seu adversário, pois elas acumularam experiências, pois elas são capazes de fazer o jogador do time adversário jogar segundo suas regras, segundo sua estratégia, segundo seu modo de ver o próprio jogo e suas regras, as regras que elas mesmas elaboraram e reelaboram, sem tocar na regra-mãe (a lei do valor e da sua reprodução ampliada no capitalismo, a mais-valia). Isto se chama &quot;hegemonia&quot;, algo que vale a pena estudar, ao invés de se encarar com preconceitos intelectuais infantis. Todos sabemos que quando um jogador entra num jogo sem conhecer as regras do jogo, sem conhecer os jogadores e sem conhecer o estágio no qual o jogo se encontra ao começar ele a jogar, o seu desempenho será, no mínimo, bastante negativo: sofrerá para marcar pontos e não conseguirá impedir com eficácia que o adversário marque os seus. Eu, particularmente, não gosto de entrar num jogo no qual não tenho chances de ganhar, menos ainda num jogo que insisto em não examinar, como se deve, jogando às cegas. É algo meio que suicida, e masoquista. Ninguém gosta, pelo menos é o que eu pensava antes de entrar em debate, aqui, com outros comentadores. Aliás, todo o debate no qual me inseri começou com uma indagação que fiz à autora, mediante a qual pretendi colocar em dúvida se os religiosos não constituem jogadores do campo oposto ao campo proletário. Daí vieram outras coisas, mas foi aí que tudo começou. Mas, voltando ao marxismo: eu não creio que todo proletário é marxista, nem que todo proletário o deva ser, no sentido de um intelectual sem vínculos com a luta prática do cotidiano, seguro de si em sua posição. Creio, isto sim, que qualquer projeto que se pretenda revolucionário, isto é, que pretenda ser feliz em inverter a correlação de forças entre as classes sociais, transformando o proletariado em classe dominante, deve ser baseado no marxismo – não nos dogmas marxistas, mas no método marxista de se examinar o terreno de luta e de se projetar uma estratégia de luta. Querendo ou não, o proletariado, ao aderir a um tal projeto, sustentá-lo e levá-lo adiante, será, cada vez mais, &quot;marxista&quot;, tal como a burguesia foi aprendendo a ser, cada vez mais, &quot;liberal&quot;, para dar um exemplo. Todos os trabalhadores precisam ler O Capital? Seria bom (melhor do que ler a Bíblia, com suas passagens machistas, suas apologias à violência, à escravidão, à subserviência etc.), mas o que é realmente necessário – pelo menos num momento, como o atual, de recuo das lutas e dos projetos abrangentes de luta – é que eles sejam convencidos por pessoas que o leram, e que souberam extrair apontamentos úteis à luta proletária, de que a estratégia de luta A é melhor do que a estratégia de luta B. Estas pessoas são a vanguarda, e me lembro de tê-la definido como coadjuvante da luta, não como protagonista. Aliás, a vanguarda, a meu ver – poderíamos acrescentar –, deve, não só definir-se institucionalmente como coadjuvante, mas prever, também institucionalmente, a sua própria dissolução, tão logo o objetivo de direcionar a luta para esta ou aquela direção já tenha sido atingido, tornando-se ela dispensável. Aliás, os próprios partidos ou as próprias organizações deveriam saber se dissolver, na medida em que cumprem seus objetivos iniciais ou na medida em que são incapazes de cumpri-los, perdendo, portanto, sua utilidade. É, então, que chega o momento de revisão da estratégia, de reorganização do movimento e de retorno à luta, um retorno enriquecido pela trajetória já percorrida. A valorização do ideológico não é, como disse um dos meus interlocutores, a razão do esvaziamento dos movimentos de base. Ela é na verdade a preocupação de pessoas que gostariam de ver os movimentos de base &quot;cheios&quot;, mas que percebem que eles estão &quot;vazios&quot; porque as mentes do proletários estão &quot;cheias&quot; de atitudes mentais próprias das classes dominantes, as quais condicionam o esvaziamento dos movimentos de base, mas não o esvaziamento das igrejas. É a preocupação daqueles para quem o capitalismo é como a esfinge: ou o proletário o decifra ou será por ele devorado, mais uma vez, todo dia, até sempre.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não só li a entrevista inteira, como pretendi criticar a posição do entrevistado. Que muitas de suas afirmações vão na contramão do que tenho defendido, isto é meio que óbvio. A meu ver, a revolução será feita, sim, por pessoas que costumavam pedir graças antes das refeições, que costumavam ir à mesquita, que costumavam acreditar no misticismo da Nova Era. Só não será feita por pessoas que não conseguem deixar de pedir graças antes das refeições e não conseguem deixar de perceber que a refeição de cada dia é produto de seu próprio trabalho, e não de um desígnio divino. Também não será feita por pessoas que concebem a ordem do mundo em que vivem segundo o misticismo da Nova Era. Nesse sentido, sou radicalmente contra a ideia de que o marxismo é algo meramente acessório para a revolução, algo desnecessário mesmo. Pode até ser para as lutas sociais, mas o será para lutas sociais que não conseguirão levar à vitória da revolução. Para que a revolução seja vitoriosa, é preciso que os jogadores conheçam as regras do jogo no qual foram lançados sem aviso prévio, é preciso que eles conheçam os jogadores, e é preciso que eles conheçam o estágio no qual o jogo que se encontra. O marxismo é a teoria que explica as regras do jogo&#8230; sim, ele é &#8220;a&#8221; teoria (não tenho escrúpulo algum em afirmá-lo), pois explica o mecanismo da sociedade capitalista, a lei do valor. O marxismo é a teoria que explica o estágio no qual o jogo se encontra, pois explica as trajetórias já percorridas por esta sociedade, governada por aquele mecanismo. O marxismo esclarece quem são os jogadores (boa parte dos leitores deste site estão acostumados a não considerar o capitalismo como um jogo de dois jogadores principais, burguesia e proletariado, mas como um jogo de três jogadores principais, isto é, burguesia, proletariado e tecnocracia/gestores). Não sei quanto ao resto dos debatedores e leitores, mas, para mim, trata-se de um jogo no qual as classes dominantes estão a ganhar, já há um tempo, e no qual as classes dominantes gozam de uma considerável vantagem, já que elas investem no treinamento de seus jogadores com base nos recursos produzidos pelo seu adversário, pois elas acumularam experiências, pois elas são capazes de fazer o jogador do time adversário jogar segundo suas regras, segundo sua estratégia, segundo seu modo de ver o próprio jogo e suas regras, as regras que elas mesmas elaboraram e reelaboram, sem tocar na regra-mãe (a lei do valor e da sua reprodução ampliada no capitalismo, a mais-valia). Isto se chama &#8220;hegemonia&#8221;, algo que vale a pena estudar, ao invés de se encarar com preconceitos intelectuais infantis. Todos sabemos que quando um jogador entra num jogo sem conhecer as regras do jogo, sem conhecer os jogadores e sem conhecer o estágio no qual o jogo se encontra ao começar ele a jogar, o seu desempenho será, no mínimo, bastante negativo: sofrerá para marcar pontos e não conseguirá impedir com eficácia que o adversário marque os seus. Eu, particularmente, não gosto de entrar num jogo no qual não tenho chances de ganhar, menos ainda num jogo que insisto em não examinar, como se deve, jogando às cegas. É algo meio que suicida, e masoquista. Ninguém gosta, pelo menos é o que eu pensava antes de entrar em debate, aqui, com outros comentadores. Aliás, todo o debate no qual me inseri começou com uma indagação que fiz à autora, mediante a qual pretendi colocar em dúvida se os religiosos não constituem jogadores do campo oposto ao campo proletário. Daí vieram outras coisas, mas foi aí que tudo começou. Mas, voltando ao marxismo: eu não creio que todo proletário é marxista, nem que todo proletário o deva ser, no sentido de um intelectual sem vínculos com a luta prática do cotidiano, seguro de si em sua posição. Creio, isto sim, que qualquer projeto que se pretenda revolucionário, isto é, que pretenda ser feliz em inverter a correlação de forças entre as classes sociais, transformando o proletariado em classe dominante, deve ser baseado no marxismo – não nos dogmas marxistas, mas no método marxista de se examinar o terreno de luta e de se projetar uma estratégia de luta. Querendo ou não, o proletariado, ao aderir a um tal projeto, sustentá-lo e levá-lo adiante, será, cada vez mais, &#8220;marxista&#8221;, tal como a burguesia foi aprendendo a ser, cada vez mais, &#8220;liberal&#8221;, para dar um exemplo. Todos os trabalhadores precisam ler O Capital? Seria bom (melhor do que ler a Bíblia, com suas passagens machistas, suas apologias à violência, à escravidão, à subserviência etc.), mas o que é realmente necessário – pelo menos num momento, como o atual, de recuo das lutas e dos projetos abrangentes de luta – é que eles sejam convencidos por pessoas que o leram, e que souberam extrair apontamentos úteis à luta proletária, de que a estratégia de luta A é melhor do que a estratégia de luta B. Estas pessoas são a vanguarda, e me lembro de tê-la definido como coadjuvante da luta, não como protagonista. Aliás, a vanguarda, a meu ver – poderíamos acrescentar –, deve, não só definir-se institucionalmente como coadjuvante, mas prever, também institucionalmente, a sua própria dissolução, tão logo o objetivo de direcionar a luta para esta ou aquela direção já tenha sido atingido, tornando-se ela dispensável. Aliás, os próprios partidos ou as próprias organizações deveriam saber se dissolver, na medida em que cumprem seus objetivos iniciais ou na medida em que são incapazes de cumpri-los, perdendo, portanto, sua utilidade. É, então, que chega o momento de revisão da estratégia, de reorganização do movimento e de retorno à luta, um retorno enriquecido pela trajetória já percorrida. A valorização do ideológico não é, como disse um dos meus interlocutores, a razão do esvaziamento dos movimentos de base. Ela é na verdade a preocupação de pessoas que gostariam de ver os movimentos de base &#8220;cheios&#8221;, mas que percebem que eles estão &#8220;vazios&#8221; porque as mentes do proletários estão &#8220;cheias&#8221; de atitudes mentais próprias das classes dominantes, as quais condicionam o esvaziamento dos movimentos de base, mas não o esvaziamento das igrejas. É a preocupação daqueles para quem o capitalismo é como a esfinge: ou o proletário o decifra ou será por ele devorado, mais uma vez, todo dia, até sempre.</p>
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		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64743/#comment-82548</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Oct 2012 03:00:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Talvez o Fagner Enrique também não tenha lido a entrevista inteira, pois em determinado ponto esta parece responder também no sentido contrário da solução apresentada em seus comentários aqui. Copiei e colei o trecho inglês, por falta de capacidade e tempo para traduzir (esperamos que o Grouxo Marxista termine a versão portuguesa, e torcemos para que o PP a publique, pois é bastante interessante hehe):

&quot;Given MWR was an explicitly revolutionary grouping, I’m interested to know where you stand on the tension between small groups with strict politics and large groups (or groups that would like to be large) such as are advocated by anarcho-syndicalists and revolutionary syndicalists?

Well the explicitly revolutionary statements were issued by the Glasgow branch specifically, and they were issued at a stage when our numbers had declined and we had gone from being a practical grouping with a significant influence at one restaurant, to being a propaganda group more focused on communicating with the wider workforce. It’s important not to get the two things confused.

Those were our ideas and we didn’t want to hide them. I think it would have been dishonest and patronising not to have declared publicly what we thought the future should look like. But we never asked anyone else to agree with these statements. We asked for a basic level of agreement on practical tactics of immediate concern to the form of struggle adopted and how workers related to their colleagues.

I think it’s important that workers publish and argue their ideas on the strictest political analysis they can. But they shouldn’t want the rest of the workforce to become like them. Perhaps you remember the article ‘Give up activism,’ which was popular (though maybe not applied), during the ‘anti-capitalist movement’? One of the points it made was that activists think the world would be sorted if only everyone would become like them. Well, I think class struggle anarchists do something similar. I think the revolution will be made by workers collectively challenging economic relationships that impoverish our lives. That won’t come about by magic, it will need the conscious effort of radicalised sections of the class, but it will also involve workers who go to the Mosque, wear mascara, prefer Middlemarch to Marx, believe in new age mysticism, say Grace before meals or… collect antiques. So I don’t see any inconsistency between arguing a coherent revolutionary politics and organising with whomever you have every day interactions with, whether their sandwiches are kosher, vegan, or even toasted in a ciabatta.

So, on organisation, do you think people like us who are libertarian revolutionaries or anarchists should try to organise as such – as anarchists - or just with our fellow workers where we are?

I think that in these depressing times people who share a political analysis should get together and support each other. They should have group hugs and cry into their pints. And sometimes it&#039;s worthwhile for them to cooperate on publishing projects or organise themselves in ways that can potentially assist the other sort of group, the groups that are grounded in everyday life. Because those are the only structures that can transform society. And most of the time organising as anarchists means going to some crap meeting before you can go to the pub. I think the world would be a better place if there were no such meetings, and comrades who wanted to hang out together found a more honest excuse. Bingo nights or cinema trips or something.&quot;

Essa trecho não só me parece muito bom para responder o Fagner, como serve para, num outro extremo, lançar um novo tipo de interpretação sobre o artigo &quot;Abandone o Ativismo&quot;, que quase sempre é lido (pelo menos aqui no Brasil) como um chamado para desistência ou para se assumir um &quot;estilo de vida&quot; libertário.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez o Fagner Enrique também não tenha lido a entrevista inteira, pois em determinado ponto esta parece responder também no sentido contrário da solução apresentada em seus comentários aqui. Copiei e colei o trecho inglês, por falta de capacidade e tempo para traduzir (esperamos que o Grouxo Marxista termine a versão portuguesa, e torcemos para que o PP a publique, pois é bastante interessante hehe):</p>
<p>&#8220;Given MWR was an explicitly revolutionary grouping, I’m interested to know where you stand on the tension between small groups with strict politics and large groups (or groups that would like to be large) such as are advocated by anarcho-syndicalists and revolutionary syndicalists?</p>
<p>Well the explicitly revolutionary statements were issued by the Glasgow branch specifically, and they were issued at a stage when our numbers had declined and we had gone from being a practical grouping with a significant influence at one restaurant, to being a propaganda group more focused on communicating with the wider workforce. It’s important not to get the two things confused.</p>
<p>Those were our ideas and we didn’t want to hide them. I think it would have been dishonest and patronising not to have declared publicly what we thought the future should look like. But we never asked anyone else to agree with these statements. We asked for a basic level of agreement on practical tactics of immediate concern to the form of struggle adopted and how workers related to their colleagues.</p>
<p>I think it’s important that workers publish and argue their ideas on the strictest political analysis they can. But they shouldn’t want the rest of the workforce to become like them. Perhaps you remember the article ‘Give up activism,’ which was popular (though maybe not applied), during the ‘anti-capitalist movement’? One of the points it made was that activists think the world would be sorted if only everyone would become like them. Well, I think class struggle anarchists do something similar. I think the revolution will be made by workers collectively challenging economic relationships that impoverish our lives. That won’t come about by magic, it will need the conscious effort of radicalised sections of the class, but it will also involve workers who go to the Mosque, wear mascara, prefer Middlemarch to Marx, believe in new age mysticism, say Grace before meals or… collect antiques. So I don’t see any inconsistency between arguing a coherent revolutionary politics and organising with whomever you have every day interactions with, whether their sandwiches are kosher, vegan, or even toasted in a ciabatta.</p>
<p>So, on organisation, do you think people like us who are libertarian revolutionaries or anarchists should try to organise as such – as anarchists &#8211; or just with our fellow workers where we are?</p>
<p>I think that in these depressing times people who share a political analysis should get together and support each other. They should have group hugs and cry into their pints. And sometimes it&#8217;s worthwhile for them to cooperate on publishing projects or organise themselves in ways that can potentially assist the other sort of group, the groups that are grounded in everyday life. Because those are the only structures that can transform society. And most of the time organising as anarchists means going to some crap meeting before you can go to the pub. I think the world would be a better place if there were no such meetings, and comrades who wanted to hang out together found a more honest excuse. Bingo nights or cinema trips or something.&#8221;</p>
<p>Essa trecho não só me parece muito bom para responder o Fagner, como serve para, num outro extremo, lançar um novo tipo de interpretação sobre o artigo &#8220;Abandone o Ativismo&#8221;, que quase sempre é lido (pelo menos aqui no Brasil) como um chamado para desistência ou para se assumir um &#8220;estilo de vida&#8221; libertário.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64743/#comment-82462</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Oct 2012 00:53:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=64743#comment-82462</guid>

					<description><![CDATA[É interessante confrontar o trecho transcrito pelos outros dois comentadores com outros trechos que talvez eles tenham preferido eludir, como o trecho no qual o entrevistado diz que, no fim, o grupo MWR “falhou espetacularmente” em atingir os objetivos básicos de: dar suporte aos outros trabalhadores da companhia, independentemente de etnicidade, sexualidade etc.; organizar-se não hierarquicamente; e manter a “crença na ação e na confrontação direta”. Outro trecho interessante de se ler é aquele no qual o entrevistado diz que sem proteção legal a posição do grupo era muito precária. Igualmente esclarecedores são os trechos no qual o entrevistado reclama da cobertura dada pela imprensa à luta do grupo, que começou a diminuir, e no qual ele aponta as armadilhas da organização anônima e sectária. Num dos trechos, o entrevistado chega à conclusão das razões do fracasso: o envelhecimento e o cansaço dos lutadores, a diminuição do contato do grupo com a força de trabalho, a resolução de deixar de trabalhar no McDonald’s. Mas poderíamos também apontar outros trechos que nos permitem perceber outras razões do fracasso, como os seguintes: “nunca pudemos organizar algo como uma conferência”; “toda a coisa do anonimato se tornou um pouco um jogo [...] acho que começamos a nos sentir como o Zorro [...]”. Noutro trecho, diz o seguinte: “qualquer luta aberta teria resultado em sermos todos imediatamente demitidos. Ficou aparente que para levar as coisas adiante teríamos que organizar na força de trabalho como um todo. Neste ponto eu suponho que deixamos de ser um grupo prático para ser um grupo ideológico. Quero com isso dizer que a escala do desafio a nos confrontar era tanta que o esforço colocado na organização era improvável de ser recompensado com qualquer ganho material”. Tudo isso reforça o que tenho defendido no debate. Por mais que os princípios práticos de organização sejam lindos, eles “falham espetacularmente” se não se consegue, através do movimento, construir uma hegemonia ideológica alternativa. Isso significa que o grupo em luta fica vulnerável à falta de proteção legal, à falta de cobertura da imprensa, à ameaça de demissão etc., além de ser vitimado pelo desânimo e pelo cansaço dos lutadores, pela perda de contato com a força de trabalho etc. O grupo organizado representa, do ponto de vista da hegemonia estabelecida, desde o início, uma contra hegemonia em potencial, a ser combatida de todos os lados, de modo que todo o esforço empreendido na organização torne-se incapaz de levar a luta adiante, pois não se consegue transformar o movimento num movimento de massa. Não se consegue suscitar pressões sociais a favor do movimento, dando novo fôlego ou renovando o fôlego de outros movimentos. O ponto de partido até foi dado: o grupo chegou a realizar publicações, a articular-se online e a tentar estabelecer contatos internacionais. O problema é que, com a não criação de um projeto abrangente de lutas, ou com a não articulação do movimento com um tal projeto, o grupo capacitou-se a entrar para a memória das lutas fracassadas, “espetacularmente”. O grande ganho do capitalismo, na passagem do século XX ao XXI, foi a desagregação de todo e qualquer projeto abrangente de transformação social (não só aquele sustentado pelos partidos autoritários). Outro grande ganho do capitalismo foi que parte da esquerda quase que saudou o capitalismo por ter tido sucesso nesta empreitada e não só disse adeus aos projetos abrangentes de transformação social, como disse: &quot;já vão tarde!&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É interessante confrontar o trecho transcrito pelos outros dois comentadores com outros trechos que talvez eles tenham preferido eludir, como o trecho no qual o entrevistado diz que, no fim, o grupo MWR “falhou espetacularmente” em atingir os objetivos básicos de: dar suporte aos outros trabalhadores da companhia, independentemente de etnicidade, sexualidade etc.; organizar-se não hierarquicamente; e manter a “crença na ação e na confrontação direta”. Outro trecho interessante de se ler é aquele no qual o entrevistado diz que sem proteção legal a posição do grupo era muito precária. Igualmente esclarecedores são os trechos no qual o entrevistado reclama da cobertura dada pela imprensa à luta do grupo, que começou a diminuir, e no qual ele aponta as armadilhas da organização anônima e sectária. Num dos trechos, o entrevistado chega à conclusão das razões do fracasso: o envelhecimento e o cansaço dos lutadores, a diminuição do contato do grupo com a força de trabalho, a resolução de deixar de trabalhar no McDonald’s. Mas poderíamos também apontar outros trechos que nos permitem perceber outras razões do fracasso, como os seguintes: “nunca pudemos organizar algo como uma conferência”; “toda a coisa do anonimato se tornou um pouco um jogo [&#8230;] acho que começamos a nos sentir como o Zorro [&#8230;]”. Noutro trecho, diz o seguinte: “qualquer luta aberta teria resultado em sermos todos imediatamente demitidos. Ficou aparente que para levar as coisas adiante teríamos que organizar na força de trabalho como um todo. Neste ponto eu suponho que deixamos de ser um grupo prático para ser um grupo ideológico. Quero com isso dizer que a escala do desafio a nos confrontar era tanta que o esforço colocado na organização era improvável de ser recompensado com qualquer ganho material”. Tudo isso reforça o que tenho defendido no debate. Por mais que os princípios práticos de organização sejam lindos, eles “falham espetacularmente” se não se consegue, através do movimento, construir uma hegemonia ideológica alternativa. Isso significa que o grupo em luta fica vulnerável à falta de proteção legal, à falta de cobertura da imprensa, à ameaça de demissão etc., além de ser vitimado pelo desânimo e pelo cansaço dos lutadores, pela perda de contato com a força de trabalho etc. O grupo organizado representa, do ponto de vista da hegemonia estabelecida, desde o início, uma contra hegemonia em potencial, a ser combatida de todos os lados, de modo que todo o esforço empreendido na organização torne-se incapaz de levar a luta adiante, pois não se consegue transformar o movimento num movimento de massa. Não se consegue suscitar pressões sociais a favor do movimento, dando novo fôlego ou renovando o fôlego de outros movimentos. O ponto de partido até foi dado: o grupo chegou a realizar publicações, a articular-se online e a tentar estabelecer contatos internacionais. O problema é que, com a não criação de um projeto abrangente de lutas, ou com a não articulação do movimento com um tal projeto, o grupo capacitou-se a entrar para a memória das lutas fracassadas, “espetacularmente”. O grande ganho do capitalismo, na passagem do século XX ao XXI, foi a desagregação de todo e qualquer projeto abrangente de transformação social (não só aquele sustentado pelos partidos autoritários). Outro grande ganho do capitalismo foi que parte da esquerda quase que saudou o capitalismo por ter tido sucesso nesta empreitada e não só disse adeus aos projetos abrangentes de transformação social, como disse: &#8220;já vão tarde!&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: André Godinho		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64743/#comment-82394</link>

		<dc:creator><![CDATA[André Godinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Oct 2012 05:22:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=64743#comment-82394</guid>

					<description><![CDATA[A chamada de atenção da Débora é importante, mas não levaria tudo ao pé da letra. Primeiro porque existem as diversas situações, como fica claro na discussão sobre drogas. Segundo porque existe a diferença entre se pautar irrestritamente a uma moral estabelecida (na quebrada ou fora dela) e se adequar, dialogando criticamente, com esta moralidade. Não se deve essencializar os valores da quebrada como se fossem dados, como se só restasse se adequar totalmente a eles, mesmo quando se voltam contra mulheres, homosexuais ou pessoas (mais) marginalizadas, por exemplo. O que se deve é ter cuidado ao se questionar esses valores, saber dialogar, saber quando se deve ou não confrontar. Mas acho que o principal do texto não é o que deu os maiores debates nos comentários, e sim o que está no comentário acima que fala dos trabalhadores do Mc Donalds:

&quot;Eu suponho que o ponto crucial é um pouco axiomático: nós começamos por causa da agitação de pessoas que eram respeitadas no seu lugar de trabalho. Essa é provavelmente uma precondição para todo movimento de trabalhadores que já aconteceu ou acontecerá. E nenhum teorização marxista no mundo vai mudar isso.”

Quer dizer, pra ter &quot;moral&quot;, pra ter respeito importa o que se faz no dia a dia e na totalidade da prática social. Isso passa por valores morais questionaveis (como dito acima), mas passa principalmente por aquilo que é quase (veja bem, estou dizendo quase!) universal para ser digno de confiança: honrar compromissos, não usar as pessoas, não se isentar de responsabilidades, não fugir do trabalho, não fingir ser o que não é, não ser inconsequente... Todo mundo sabe reconhecer essas coisas, dentro e fora da quebrada. E pra se construir uma militancia social não basta intevir pontualmente, é preciso ser parte orgânica de uma rede que não distingue papel político de sociabilidade privada. Não sei se fui claro, mas enfim, a discussão é boa e dá o que pensar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A chamada de atenção da Débora é importante, mas não levaria tudo ao pé da letra. Primeiro porque existem as diversas situações, como fica claro na discussão sobre drogas. Segundo porque existe a diferença entre se pautar irrestritamente a uma moral estabelecida (na quebrada ou fora dela) e se adequar, dialogando criticamente, com esta moralidade. Não se deve essencializar os valores da quebrada como se fossem dados, como se só restasse se adequar totalmente a eles, mesmo quando se voltam contra mulheres, homosexuais ou pessoas (mais) marginalizadas, por exemplo. O que se deve é ter cuidado ao se questionar esses valores, saber dialogar, saber quando se deve ou não confrontar. Mas acho que o principal do texto não é o que deu os maiores debates nos comentários, e sim o que está no comentário acima que fala dos trabalhadores do Mc Donalds:</p>
<p>&#8220;Eu suponho que o ponto crucial é um pouco axiomático: nós começamos por causa da agitação de pessoas que eram respeitadas no seu lugar de trabalho. Essa é provavelmente uma precondição para todo movimento de trabalhadores que já aconteceu ou acontecerá. E nenhum teorização marxista no mundo vai mudar isso.”</p>
<p>Quer dizer, pra ter &#8220;moral&#8221;, pra ter respeito importa o que se faz no dia a dia e na totalidade da prática social. Isso passa por valores morais questionaveis (como dito acima), mas passa principalmente por aquilo que é quase (veja bem, estou dizendo quase!) universal para ser digno de confiança: honrar compromissos, não usar as pessoas, não se isentar de responsabilidades, não fugir do trabalho, não fingir ser o que não é, não ser inconsequente&#8230; Todo mundo sabe reconhecer essas coisas, dentro e fora da quebrada. E pra se construir uma militancia social não basta intevir pontualmente, é preciso ser parte orgânica de uma rede que não distingue papel político de sociabilidade privada. Não sei se fui claro, mas enfim, a discussão é boa e dá o que pensar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Grouxo Marxista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64743/#comment-82345</link>

		<dc:creator><![CDATA[Grouxo Marxista]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Oct 2012 12:20:19 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=64743#comment-82345</guid>

					<description><![CDATA[Indicações que não só são úteis para a luta nas quebradas, mas também para as lutas de trabalhadores em gerais. Essa questão da carreira moral e &quot;do clima de união e paz&quot;, principalmente, são dados importantes. Reproduzo aqui um trecho de uma entrevista que estou a traduzir sobre um grupo de resistência de trabalhadores no McDonald&#039;s para enriquecer a discussão:

&quot;Como começou?

No passado eu respondia a essa pergunta me referindo a acontecimentos específicos que nos encorajaram a se organizar. Acontecimentos como a gerência voltando atrás nas promessas de pagar o bônus, ou a vez que um cliente morreu e nós mandaram continuar trabalhando (os outros clientes andavam em volta do corpo). Mas como esses acontecimentos dificilmente se repetirão e como, de qualquer forma, eles não necessariamente (ou mesmo logicamente) geram motivação para se organizar, eu tentarei responder de forma diferente. A demografia do nosso lugar de trabalho era provavelmente favorável para a organização; eram principalmente estudantes da escola ou que tinham acabada de sair, garotos que ainda não haviam sido completamente socializados em seus papéis produtivos. Também haviam estudantes universitários que lutavam para levantar da cama, e trabalhadores com baixa qualificação, muitos dos quais estavam acostumados com mudar de emprego constantemente. Ninguém trabalhava lá “por escolha” ou achava que era “um bom trabalho”.

Teria sido bem mais difícil começar algo igual em outro McDonald&#039;s. Por exemplo, no cume da nossa luta eu tive o privilégio de conversar com trabalhadores se organizando numa loja em Londo e eles eram principalmente imigrantes recentes, muitos deles ilegais. Obviamente que teria restrições severas no seu potencial organizativo.

Outra coisa que nos ajudou a começar foi que antes de qualquer organização explícita, os trabalhadores no nosso restaurante tinham laços sociais fortes. Todo mundo ia ao bar no dia do pagamento e muitos e nós nos tornamos amigos ou namoramos. Então quando alguém disse, “nós devíamos realmente fazer algo sobre isso”, não pareceu tão louco quando poderia parecer, e a rebelião se espalhou pelo nosso pequeno mundo incestuoso como uma doença venérea.

Outro fato importante foi que aqueles que formaram o núcleo do MWR eram os melhores e mais experientes trabalhadores do restaurante (no McDonald&#039;s você pode ser um trabalhador experiente depois de mais ou menos uma semana). Trata-se de um negócio de alta pressão, que opera com custos laborais muito restritos. A pressão é repassada nos níveis inferiores da hierarquia, de modo que os nossos gerentes imediatos frequentemente dependiam de nós para manter seus chefes felizes. Isso ajudou a criar um certo espaço.

Eu suponho que o ponto crucial é um pouco axiomático: nós começamos por causa da agitação de pessoas que eram respeitadas no seu lugar de trabalho. Essa é provavelmente uma precondição para todo movimento de trabalhadores que já aconteceu ou acontecerá. E nenhum teorização marxista no mundo vai mudar isso.&quot;

Fonte: http://libcom.org/library/interview-with-mcdonalds-workers-resistance#footnoteref1_4oh3j5c]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Indicações que não só são úteis para a luta nas quebradas, mas também para as lutas de trabalhadores em gerais. Essa questão da carreira moral e &#8220;do clima de união e paz&#8221;, principalmente, são dados importantes. Reproduzo aqui um trecho de uma entrevista que estou a traduzir sobre um grupo de resistência de trabalhadores no McDonald&#8217;s para enriquecer a discussão:</p>
<p>&#8220;Como começou?</p>
<p>No passado eu respondia a essa pergunta me referindo a acontecimentos específicos que nos encorajaram a se organizar. Acontecimentos como a gerência voltando atrás nas promessas de pagar o bônus, ou a vez que um cliente morreu e nós mandaram continuar trabalhando (os outros clientes andavam em volta do corpo). Mas como esses acontecimentos dificilmente se repetirão e como, de qualquer forma, eles não necessariamente (ou mesmo logicamente) geram motivação para se organizar, eu tentarei responder de forma diferente. A demografia do nosso lugar de trabalho era provavelmente favorável para a organização; eram principalmente estudantes da escola ou que tinham acabada de sair, garotos que ainda não haviam sido completamente socializados em seus papéis produtivos. Também haviam estudantes universitários que lutavam para levantar da cama, e trabalhadores com baixa qualificação, muitos dos quais estavam acostumados com mudar de emprego constantemente. Ninguém trabalhava lá “por escolha” ou achava que era “um bom trabalho”.</p>
<p>Teria sido bem mais difícil começar algo igual em outro McDonald&#8217;s. Por exemplo, no cume da nossa luta eu tive o privilégio de conversar com trabalhadores se organizando numa loja em Londo e eles eram principalmente imigrantes recentes, muitos deles ilegais. Obviamente que teria restrições severas no seu potencial organizativo.</p>
<p>Outra coisa que nos ajudou a começar foi que antes de qualquer organização explícita, os trabalhadores no nosso restaurante tinham laços sociais fortes. Todo mundo ia ao bar no dia do pagamento e muitos e nós nos tornamos amigos ou namoramos. Então quando alguém disse, “nós devíamos realmente fazer algo sobre isso”, não pareceu tão louco quando poderia parecer, e a rebelião se espalhou pelo nosso pequeno mundo incestuoso como uma doença venérea.</p>
<p>Outro fato importante foi que aqueles que formaram o núcleo do MWR eram os melhores e mais experientes trabalhadores do restaurante (no McDonald&#8217;s você pode ser um trabalhador experiente depois de mais ou menos uma semana). Trata-se de um negócio de alta pressão, que opera com custos laborais muito restritos. A pressão é repassada nos níveis inferiores da hierarquia, de modo que os nossos gerentes imediatos frequentemente dependiam de nós para manter seus chefes felizes. Isso ajudou a criar um certo espaço.</p>
<p>Eu suponho que o ponto crucial é um pouco axiomático: nós começamos por causa da agitação de pessoas que eram respeitadas no seu lugar de trabalho. Essa é provavelmente uma precondição para todo movimento de trabalhadores que já aconteceu ou acontecerá. E nenhum teorização marxista no mundo vai mudar isso.&#8221;</p>
<p>Fonte: <a href="http://libcom.org/library/interview-with-mcdonalds-workers-resistance#footnoteref1_4oh3j5c" rel="nofollow ugc">http://libcom.org/library/interview-with-mcdonalds-workers-resistance#footnoteref1_4oh3j5c</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64743/#comment-82046</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Oct 2012 14:46:49 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=64743#comment-82046</guid>

					<description><![CDATA[Bem, sei que para você, Paulo, as coisas são diferentes... mas, para mim, a memória das lutas se preserva em instituições (fundadas antes, durante ou depois de lutas determinadas), e se preserva nas publicações dos lutadores e em sua produção intelectual, se preserva em documentos. Por se preservar em coisas desprovidas de vida própria, documentos, é preciso que alguém se disponha a dar-lhe vida, não lutando por isto ou por aquilo, mas tornado estes documentos matéria-prima para uma produção intelectual que se pretende contribuir à luta por isto ou aquilo. Que eu saiba, quando uma população, muito legitimamente, se mobiliza em prol da diminuição da tarifa tal ou em prol da pavimentação da rua tal etc., os populares não resolvem pensar como é que se organizavam as pessoas que lutavam pela diminuição do preço do pão na revolução francesa, algo que lhes seria muito útil. É lógico que tal memória só pode ser ativada no processo de luta – afinal, é a luta que coloca tudo mais em movimento –, mas tal ativação prescinde da mediação de pessoas já engajadas, ou que então começam a se engajar, no esforço de reconstituição histórica das lutas (e de refundação de um programa abrangente de lutas)? Reconstituição esta que se preocupa com o balanceamento dos erros e acertos. Não se trata de &quot;uma entidade portadora do conhecimento das lutas passadas&quot;, trata-se, isto sim, de várias entidades, que não são absolutas no tempo e no espaço, mas que estão sujeitas, elas também, ao fluxo cambiante das transformações sociais. E não se trata – digo novamente – de estas pessoas, que chamamos de vanguarda, serem as protagonistas da luta, mas sim os coadjuvantes (e, para tanto, a vanguarda deve conceber-se desde o começo como coadjuvante, definir-se institucionalmente como coadjuvante e declarar-se publicamente como tal). Ademais, já disse eu que as lutas não podem atingir o cerne do capitalismo sem sua vinculação com amplos movimentos democráticos de massa. O projeto socialista em si não é mais do que uma tentativa de dar continuidade ao projeto democrático, abrangente, levando-o às suas últimas consequências (sobre isso recomendo uma leitura: Artur Rosenberg, Democracia e Socialismo, São Paulo: Global, 1986). E quem é que tem consciência do que é a democracia hoje, do que foi ela no passado e do que pode vir a ser ela no futuro? Amplos contingentes do proletariado?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem, sei que para você, Paulo, as coisas são diferentes&#8230; mas, para mim, a memória das lutas se preserva em instituições (fundadas antes, durante ou depois de lutas determinadas), e se preserva nas publicações dos lutadores e em sua produção intelectual, se preserva em documentos. Por se preservar em coisas desprovidas de vida própria, documentos, é preciso que alguém se disponha a dar-lhe vida, não lutando por isto ou por aquilo, mas tornado estes documentos matéria-prima para uma produção intelectual que se pretende contribuir à luta por isto ou aquilo. Que eu saiba, quando uma população, muito legitimamente, se mobiliza em prol da diminuição da tarifa tal ou em prol da pavimentação da rua tal etc., os populares não resolvem pensar como é que se organizavam as pessoas que lutavam pela diminuição do preço do pão na revolução francesa, algo que lhes seria muito útil. É lógico que tal memória só pode ser ativada no processo de luta – afinal, é a luta que coloca tudo mais em movimento –, mas tal ativação prescinde da mediação de pessoas já engajadas, ou que então começam a se engajar, no esforço de reconstituição histórica das lutas (e de refundação de um programa abrangente de lutas)? Reconstituição esta que se preocupa com o balanceamento dos erros e acertos. Não se trata de &#8220;uma entidade portadora do conhecimento das lutas passadas&#8221;, trata-se, isto sim, de várias entidades, que não são absolutas no tempo e no espaço, mas que estão sujeitas, elas também, ao fluxo cambiante das transformações sociais. E não se trata – digo novamente – de estas pessoas, que chamamos de vanguarda, serem as protagonistas da luta, mas sim os coadjuvantes (e, para tanto, a vanguarda deve conceber-se desde o começo como coadjuvante, definir-se institucionalmente como coadjuvante e declarar-se publicamente como tal). Ademais, já disse eu que as lutas não podem atingir o cerne do capitalismo sem sua vinculação com amplos movimentos democráticos de massa. O projeto socialista em si não é mais do que uma tentativa de dar continuidade ao projeto democrático, abrangente, levando-o às suas últimas consequências (sobre isso recomendo uma leitura: Artur Rosenberg, Democracia e Socialismo, São Paulo: Global, 1986). E quem é que tem consciência do que é a democracia hoje, do que foi ela no passado e do que pode vir a ser ela no futuro? Amplos contingentes do proletariado?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gustavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64743/#comment-81884</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gustavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Oct 2012 02:43:12 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=64743#comment-81884</guid>

					<description><![CDATA[Débora,
Sem negar a existência desse espírito de solidariedade na quebrada, não se poderia dizer, entretanto, que as milícias armadas que muitas vezes ali existem também &quot;contribuem&quot; para a inexistência de moradores de rua - eliminando-os?
De acordo com relatos de moradores de quebradas que conheço, fico com a impressão de que essas milícias desempenham um verdadeiro processo de limpeza social, para além dos objetivos de lucro imediato - até para se revestirem do papel de agentes de alguma &quot;lei&quot; - a deles, por suposto, mas também a da comunidade da qual usurpam o título de &quot;protetores&quot;, passando a &quot;representá-la&quot; paternalísticamente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Débora,<br />
Sem negar a existência desse espírito de solidariedade na quebrada, não se poderia dizer, entretanto, que as milícias armadas que muitas vezes ali existem também &#8220;contribuem&#8221; para a inexistência de moradores de rua &#8211; eliminando-os?<br />
De acordo com relatos de moradores de quebradas que conheço, fico com a impressão de que essas milícias desempenham um verdadeiro processo de limpeza social, para além dos objetivos de lucro imediato &#8211; até para se revestirem do papel de agentes de alguma &#8220;lei&#8221; &#8211; a deles, por suposto, mas também a da comunidade da qual usurpam o título de &#8220;protetores&#8221;, passando a &#8220;representá-la&#8221; paternalísticamente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64743/#comment-81881</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Oct 2012 02:08:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=64743#comment-81881</guid>

					<description><![CDATA[Sobre a discussão sobre a dependência de drogas dentro dos movimentos, lembrei do relato publicado aqui no PP sobre o autogoverno em Cherán, no México, e a forma como eles lidam com isso:
&quot;A entrada de veículos é permitida somente até as 20h e durante todo esse tempo imperou a lei seca, que proíbe a ingestão de bebidas alcoólicas. Exagero, pergunto a outro comuneiro: “Não, não! Se os talamontes de outras comunidades ou os próprios cartéis da droga nos pegam bêbados, nos espancam e conseguem informação valiosa. Bêbados ficamos muito vulneráveis”.&quot;
http://passapalavra.info/?p=57142]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre a discussão sobre a dependência de drogas dentro dos movimentos, lembrei do relato publicado aqui no PP sobre o autogoverno em Cherán, no México, e a forma como eles lidam com isso:<br />
&#8220;A entrada de veículos é permitida somente até as 20h e durante todo esse tempo imperou a lei seca, que proíbe a ingestão de bebidas alcoólicas. Exagero, pergunto a outro comuneiro: “Não, não! Se os talamontes de outras comunidades ou os próprios cartéis da droga nos pegam bêbados, nos espancam e conseguem informação valiosa. Bêbados ficamos muito vulneráveis”.&#8221;<br />
<a href="http://passapalavra.info/?p=57142" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=57142</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/09/64743/#comment-81851</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Oct 2012 17:58:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=64743#comment-81851</guid>

					<description><![CDATA[Fagner,
Eu não disse que as lutas do passado não têm importância. Somente não creio que a instância depositária desta tradição seja uma instância ideológica. A memória das lutas passadas, o sentimento de pertença a uma história, a uma classe, só pode ser ativado nos processos de lutas. Uma vanguarda, enquanto tal, enquanto guardiã de uma tradição, é puramente estéril.

Outra questão é a seguinte. As experiências de luta passadas só terão validade nas do presente se os erros e os acertos das primeiras forem balanceados. E tenho pra mim que a crença desmedida numa entidade portadora do conhecimento das lutas passadas conta-se entre os piores erros das lutas do passado.

Quanto a &quot;enfocar exclusivamente&quot; nas lutas da quebrada, bom, isso não diz respeito ao que eu disse. Mas já que me é dada a oportunidade, eu apoio e sou entusiasta das lutas das quebradas apenas na medida em que é la onde vive grande parte da classe trabalhadora; nem mais nem menos do que isso. Mas é claro que há outras lutas por aí, tão importante quanto, que não passam necessariamente pelas &quot;quebradas&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fagner,<br />
Eu não disse que as lutas do passado não têm importância. Somente não creio que a instância depositária desta tradição seja uma instância ideológica. A memória das lutas passadas, o sentimento de pertença a uma história, a uma classe, só pode ser ativado nos processos de lutas. Uma vanguarda, enquanto tal, enquanto guardiã de uma tradição, é puramente estéril.</p>
<p>Outra questão é a seguinte. As experiências de luta passadas só terão validade nas do presente se os erros e os acertos das primeiras forem balanceados. E tenho pra mim que a crença desmedida numa entidade portadora do conhecimento das lutas passadas conta-se entre os piores erros das lutas do passado.</p>
<p>Quanto a &#8220;enfocar exclusivamente&#8221; nas lutas da quebrada, bom, isso não diz respeito ao que eu disse. Mas já que me é dada a oportunidade, eu apoio e sou entusiasta das lutas das quebradas apenas na medida em que é la onde vive grande parte da classe trabalhadora; nem mais nem menos do que isso. Mas é claro que há outras lutas por aí, tão importante quanto, que não passam necessariamente pelas &#8220;quebradas&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
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