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	Comentários sobre: Citando&#8230; Edgard Varèse	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Grouxo Marxista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66279/#comment-84420</link>

		<dc:creator><![CDATA[Grouxo Marxista]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Oct 2012 09:41:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[INCOMPREENSÍVEIS PARA AS MASSAS 

Entre escritor
e leitor
posta-se o intermediário,
e o gosto
do intermediário
é bastante intermédio.
Medíocre
mesnada
de medianeiros médios
pulula
na crítica
e nos hebdomadários.
Aonde
galopando
chega teu pensamento,
um deles
considera tudo
sonolento:
- Sou homem
de outra têmpera! Perdão,
lembra-me agora
um verso
de Nadson...
O operário
Não tolera
linhas breves.
E com tal
mediador
ainda se entende Assiéiev
Sinais de pontuação?
São marcas de nascença!
O senhor
corta os versos
toma muitas licenças.
Továrich Maiacóvski,
porque não escreve iambos?
Vinte copeques
por linha
eu lhe garanto, a mais.
E narra
não sei quantas
lendas medievais,
e fala quatro horas
longas como anos.
O mestre lamentável
repete
um só refrão:
- Camponês
e operário
não vos compreenderão.
O peso da consciência
pulveriza
o autor.
Mas voltemos agora
ao conspícuo censor:
Campones só viu
há tempo
antes da guerra,
na datcha,
ao comprar
mocotós de vitela.
Operários?
Viu menos.
Deu com dois
uma vez
por ocasião da cheia,
dois pontos
numa ponte
contemplando o terreno,
vendo a água subir
e a fusão das geleiras.
Em muitos milhões
para servir de lastro
colheu dois exemplares
o nosso criticastro.
Isto não lhe faz mossa -
é tudo a mesma massa...
Gente - de carne e osso!!
E à hora do chá
expende
sua sentença:- A classe
operária?
Conheço-a como a palma!
Por trás
do seu
silêncio,
posso ler-lhe na alma -
Nem dor
nem decadência.
Que autores
então
há de ler essa classe?
Só Gógol,
só os clássicos.
Camponeses?
Também.
O quadro não se altera.
Lembra-me e agora -
a datcha, a primavera...
Este palrar
de literatos
muitas vezes passa
entre nós
por convívio com a massa.
E impige
modelos
pré-revolucionários
da arte do pincel,
do cinzel,
do vocábulo.
E para a massa
flutuam
dádivas de letrados -
lírios,
delírios,
trinos dulcificados.
Aos pávidos
poetas
aqui vai meu aparte:
Chega
de chuchotar
versos para os pobres.
A classe condutora,
também ela pode
compreender a arte.
Logo:
que se eleve
a cultura do povo!
Uma só,
para
todos.
O livro bom
é claro
e necessário
a vós,
a mim,
ao camponêse ao operário.

MAIAKÓVSKI

O poema pareceu cair bem, rs.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>INCOMPREENSÍVEIS PARA AS MASSAS </p>
<p>Entre escritor<br />
e leitor<br />
posta-se o intermediário,<br />
e o gosto<br />
do intermediário<br />
é bastante intermédio.<br />
Medíocre<br />
mesnada<br />
de medianeiros médios<br />
pulula<br />
na crítica<br />
e nos hebdomadários.<br />
Aonde<br />
galopando<br />
chega teu pensamento,<br />
um deles<br />
considera tudo<br />
sonolento:<br />
&#8211; Sou homem<br />
de outra têmpera! Perdão,<br />
lembra-me agora<br />
um verso<br />
de Nadson&#8230;<br />
O operário<br />
Não tolera<br />
linhas breves.<br />
E com tal<br />
mediador<br />
ainda se entende Assiéiev<br />
Sinais de pontuação?<br />
São marcas de nascença!<br />
O senhor<br />
corta os versos<br />
toma muitas licenças.<br />
Továrich Maiacóvski,<br />
porque não escreve iambos?<br />
Vinte copeques<br />
por linha<br />
eu lhe garanto, a mais.<br />
E narra<br />
não sei quantas<br />
lendas medievais,<br />
e fala quatro horas<br />
longas como anos.<br />
O mestre lamentável<br />
repete<br />
um só refrão:<br />
&#8211; Camponês<br />
e operário<br />
não vos compreenderão.<br />
O peso da consciência<br />
pulveriza<br />
o autor.<br />
Mas voltemos agora<br />
ao conspícuo censor:<br />
Campones só viu<br />
há tempo<br />
antes da guerra,<br />
na datcha,<br />
ao comprar<br />
mocotós de vitela.<br />
Operários?<br />
Viu menos.<br />
Deu com dois<br />
uma vez<br />
por ocasião da cheia,<br />
dois pontos<br />
numa ponte<br />
contemplando o terreno,<br />
vendo a água subir<br />
e a fusão das geleiras.<br />
Em muitos milhões<br />
para servir de lastro<br />
colheu dois exemplares<br />
o nosso criticastro.<br />
Isto não lhe faz mossa &#8211;<br />
é tudo a mesma massa&#8230;<br />
Gente &#8211; de carne e osso!!<br />
E à hora do chá<br />
expende<br />
sua sentença:- A classe<br />
operária?<br />
Conheço-a como a palma!<br />
Por trás<br />
do seu<br />
silêncio,<br />
posso ler-lhe na alma &#8211;<br />
Nem dor<br />
nem decadência.<br />
Que autores<br />
então<br />
há de ler essa classe?<br />
Só Gógol,<br />
só os clássicos.<br />
Camponeses?<br />
Também.<br />
O quadro não se altera.<br />
Lembra-me e agora &#8211;<br />
a datcha, a primavera&#8230;<br />
Este palrar<br />
de literatos<br />
muitas vezes passa<br />
entre nós<br />
por convívio com a massa.<br />
E impige<br />
modelos<br />
pré-revolucionários<br />
da arte do pincel,<br />
do cinzel,<br />
do vocábulo.<br />
E para a massa<br />
flutuam<br />
dádivas de letrados &#8211;<br />
lírios,<br />
delírios,<br />
trinos dulcificados.<br />
Aos pávidos<br />
poetas<br />
aqui vai meu aparte:<br />
Chega<br />
de chuchotar<br />
versos para os pobres.<br />
A classe condutora,<br />
também ela pode<br />
compreender a arte.<br />
Logo:<br />
que se eleve<br />
a cultura do povo!<br />
Uma só,<br />
para<br />
todos.<br />
O livro bom<br />
é claro<br />
e necessário<br />
a vós,<br />
a mim,<br />
ao camponêse ao operário.</p>
<p>MAIAKÓVSKI</p>
<p>O poema pareceu cair bem, rs.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66279/#comment-84377</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Oct 2012 23:50:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66279#comment-84377</guid>

					<description><![CDATA[Edvan,
Eu não sou o Edgard Varèse, infelizmente, mas diria que uma grande parte das pessoas prefere não ter uma consciência completa do mundo em que vive, por isso usa a arte como refúgio. Ou seja, escolhe um tipo de arte que lhe possa servir de protecção relativamente à contemporaneidade, que lhe possa servir para esquecer, para se embalar. Por isso eu falei da necessidade de escutar um músico de outra época com ouvidos formados pela música contemporânea. Não se trata aqui da obra, mas da atitude do público perante a obra. O mesmo se passa na política; há muita gente que prefere embalar-se com hipocrisias e falsas promessas e proteger-se da luz com óculos cor-de-rosa. Por que motivo alguns não o fazem? A existência de vanguardas é um facto real, o que não dá direito a essas vanguardas de se converterem em elites. O mais perverso de tudo, na minha opinião, é quando as pessoas de gosto retrógrado pretendem justificar-se acusando os artistas inovadores de serem elitistas. Não encontro nada de pior do que essas justificações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Edvan,<br />
Eu não sou o Edgard Varèse, infelizmente, mas diria que uma grande parte das pessoas prefere não ter uma consciência completa do mundo em que vive, por isso usa a arte como refúgio. Ou seja, escolhe um tipo de arte que lhe possa servir de protecção relativamente à contemporaneidade, que lhe possa servir para esquecer, para se embalar. Por isso eu falei da necessidade de escutar um músico de outra época com ouvidos formados pela música contemporânea. Não se trata aqui da obra, mas da atitude do público perante a obra. O mesmo se passa na política; há muita gente que prefere embalar-se com hipocrisias e falsas promessas e proteger-se da luz com óculos cor-de-rosa. Por que motivo alguns não o fazem? A existência de vanguardas é um facto real, o que não dá direito a essas vanguardas de se converterem em elites. O mais perverso de tudo, na minha opinião, é quando as pessoas de gosto retrógrado pretendem justificar-se acusando os artistas inovadores de serem elitistas. Não encontro nada de pior do que essas justificações.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Edvan Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66279/#comment-84358</link>

		<dc:creator><![CDATA[Edvan Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Oct 2012 18:11:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por que será que a maioria fica aquém de seu tempo e somente uma pequena minoria é capaz de estar atualizada? Trata-se de uma diferença na formação, de terem vivências distintas ou é algum tipo de superioridade da pessoa, natural?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por que será que a maioria fica aquém de seu tempo e somente uma pequena minoria é capaz de estar atualizada? Trata-se de uma diferença na formação, de terem vivências distintas ou é algum tipo de superioridade da pessoa, natural?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66279/#comment-84336</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Oct 2012 10:57:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Valente Aguiar,
Uma pequena observação tardia. Dizes que «o minimalismo, ao mesmo tempo que foi uma das correntes artísticas mais interessantes, foi também uma das que [...] mais novos produtos, linhas e tendências foram captadas pelo design dos últimos 30-40 anos». Mas nota que na tradição funcionalista o &lt;em&gt;design&lt;/em&gt;, por um lado, é considerado como a própria realização da arte no quotidiano e, por outro, é considerado o contrário da moda. Procurava-se com o &lt;em&gt;design&lt;/em&gt; chegar a uma forma que, pela sua depuração e funcionalidade, fosse insuperável, e os exemplos habituais são o relógio de pulso e a bicicleta. Era isto, para os funcionalistas, a busca do clássico. É certo que o minimalismo chegou a um tal ponto de realização do seu programa que deixou de evoluir e pareceu condenado à esterilidade. Precisava de se reinventar. Mas os minimalistas que o conseguiram, como Frank Stella, a partir do momento em que começaram a criar &lt;em&gt;outra coisa&lt;/em&gt; foram postos de lado nos museus e nas galerias. Outro dos caminhos de recriação do minimalismo foi mediante a passagem do neon ao vídeo. Um dos artistas chineses contemporâneos que mais caro vende, desses vanguardistas da moda — não posso dizer agora o nome porque estou longe dos meus livros — declarou em entrevistas que as obras de cada artista funcionam como um logotipo e que, se o público não as identifica de imediato, elas perdem o valor comercial. Quem vai querer pagar milhares ou milhões por uma obra que o público não reconhece à primeira vista como sendo do famoso fulano de tal? E assim, contrariamente ao que se podia esperar, a moda funciona aqui como uma pressão no sentido da rotina.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Valente Aguiar,<br />
Uma pequena observação tardia. Dizes que «o minimalismo, ao mesmo tempo que foi uma das correntes artísticas mais interessantes, foi também uma das que [&#8230;] mais novos produtos, linhas e tendências foram captadas pelo design dos últimos 30-40 anos». Mas nota que na tradição funcionalista o <em>design</em>, por um lado, é considerado como a própria realização da arte no quotidiano e, por outro, é considerado o contrário da moda. Procurava-se com o <em>design</em> chegar a uma forma que, pela sua depuração e funcionalidade, fosse insuperável, e os exemplos habituais são o relógio de pulso e a bicicleta. Era isto, para os funcionalistas, a busca do clássico. É certo que o minimalismo chegou a um tal ponto de realização do seu programa que deixou de evoluir e pareceu condenado à esterilidade. Precisava de se reinventar. Mas os minimalistas que o conseguiram, como Frank Stella, a partir do momento em que começaram a criar <em>outra coisa</em> foram postos de lado nos museus e nas galerias. Outro dos caminhos de recriação do minimalismo foi mediante a passagem do neon ao vídeo. Um dos artistas chineses contemporâneos que mais caro vende, desses vanguardistas da moda — não posso dizer agora o nome porque estou longe dos meus livros — declarou em entrevistas que as obras de cada artista funcionam como um logotipo e que, se o público não as identifica de imediato, elas perdem o valor comercial. Quem vai querer pagar milhares ou milhões por uma obra que o público não reconhece à primeira vista como sendo do famoso fulano de tal? E assim, contrariamente ao que se podia esperar, a moda funciona aqui como uma pressão no sentido da rotina.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Alberto da Costa Pinto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66279/#comment-84143</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Alberto da Costa Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Oct 2012 20:14:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66279#comment-84143</guid>

					<description><![CDATA[João Bernardo,
não me atrevo a recusar evolução musical alguma, simplesmente porque não posso recusar o que não escuto, o que não conheço.
Mas, se tenho estes senhores aqui (link abaixo) para me vestirem os nervos, para que precisaria eu da música de Varèse?
http://www.youtube.com/watch?v=8Q0ExemVfiM&#038;feature=related

Mas digo-lhe com toda a minha sinceridade, muito aprenderia se pudesse ler aqui no Passa Palavra uma série de textos seus sobre o sentido estético da descontinuidade em música, eu e muitas centenas de outros leitores.
Fica um abraço.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo,<br />
não me atrevo a recusar evolução musical alguma, simplesmente porque não posso recusar o que não escuto, o que não conheço.<br />
Mas, se tenho estes senhores aqui (link abaixo) para me vestirem os nervos, para que precisaria eu da música de Varèse?<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=8Q0ExemVfiM&#038;feature=related" rel="nofollow ugc">http://www.youtube.com/watch?v=8Q0ExemVfiM&#038;feature=related</a></p>
<p>Mas digo-lhe com toda a minha sinceridade, muito aprenderia se pudesse ler aqui no Passa Palavra uma série de textos seus sobre o sentido estético da descontinuidade em música, eu e muitas centenas de outros leitores.<br />
Fica um abraço.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66279/#comment-84137</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Oct 2012 19:36:11 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66279#comment-84137</guid>

					<description><![CDATA[João Alberto,
A sua recusa da descontinuidade em música tem exactamente o mesmo valor de alguém que recuse as geometrias não euclidianas e com isso a física moderna. Afinal, você recusa toda a evolução musical desde Chopin, Liszt e Wagner em diante, até aos nossos dias. São demasiados reis nus. E quem lhe garante a si que isso que você tem é roupa?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Alberto,<br />
A sua recusa da descontinuidade em música tem exactamente o mesmo valor de alguém que recuse as geometrias não euclidianas e com isso a física moderna. Afinal, você recusa toda a evolução musical desde Chopin, Liszt e Wagner em diante, até aos nossos dias. São demasiados reis nus. E quem lhe garante a si que isso que você tem é roupa?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Alberto da Costa Pinto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66279/#comment-84127</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Alberto da Costa Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Oct 2012 17:55:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66279#comment-84127</guid>

					<description><![CDATA[Grato, João Bernardo, pela paciência dos seus comentários, muito instrutivos e com a ajuda dos links do youtube tornaram-se uma verdadeira aula sobre teoria e estética musical. Creio que um ou vários artigos seus sobre o assunto com ilustrações assim seria uma excepcional colaboração aqui no Passa Palavra, teríamos muito a aprender com tudo isso.

Mas veja então como esses franceses (que se recusaram ao Varèse) são tão provincianos, rs.

E perdoe-me, João Bernardo, pelas palavras em galhofa que escrevo a seguir, perdoe-me a ignorância frente à obra do Varèse, mas...

Seria então uma &quot;descontinuidade&quot; musical? Como algo &quot;descontínuo&quot; pode ser música? Como uma sobreposição de sons experimentais (uns poucos segundos de &quot;ruídos&quot; desconexos) reunidos sem a lógica de uma seriação poderia afirmar-se como música? Que mundo estaria ali afirmado? Se eu juntasse sons em meio a uma parafernália eletrônica, sobrepondo umas imagens numa tela de fundo, juntasse uns músicos com alguns dos instrumentos convencionais de uma orquestra e se a certa altura passasse a dar movimento a todo esse conjunto, apareceriam uns sons, uns barulhos, um assobio aqui, um reco-reco ali... mas, ainda assim, ao final dessa minha obra eu sentenciaria: esta é a minha música, se vocês não a podem &quot;entender&quot; ou sequer &quot;escutar&quot; é porque vocês estão aquém do &quot;meu&quot; tempo... É bastante certo que da platéia uma criança se levantaria e gritaria: &quot;o rei está nu!!&quot; 

Ouvi a música rap indicada acima, e confesso: se recuso os guinchos estridentes do Varèse, o rap deixou-me perplexo ante a gritaria e a profusão da recusa retórica nos palavrões ensandecidos, logo imaginei uma cena em uma das nossas ruas, de uma periferia qualquer, entupida de adolescentes quase a um passo das &quot;camisas marrons&quot; das antigas SA&#039;s... a música rap citada é de um niilismo parafascista! 

Beethoven neles!!!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Grato, João Bernardo, pela paciência dos seus comentários, muito instrutivos e com a ajuda dos links do youtube tornaram-se uma verdadeira aula sobre teoria e estética musical. Creio que um ou vários artigos seus sobre o assunto com ilustrações assim seria uma excepcional colaboração aqui no Passa Palavra, teríamos muito a aprender com tudo isso.</p>
<p>Mas veja então como esses franceses (que se recusaram ao Varèse) são tão provincianos, rs.</p>
<p>E perdoe-me, João Bernardo, pelas palavras em galhofa que escrevo a seguir, perdoe-me a ignorância frente à obra do Varèse, mas&#8230;</p>
<p>Seria então uma &#8220;descontinuidade&#8221; musical? Como algo &#8220;descontínuo&#8221; pode ser música? Como uma sobreposição de sons experimentais (uns poucos segundos de &#8220;ruídos&#8221; desconexos) reunidos sem a lógica de uma seriação poderia afirmar-se como música? Que mundo estaria ali afirmado? Se eu juntasse sons em meio a uma parafernália eletrônica, sobrepondo umas imagens numa tela de fundo, juntasse uns músicos com alguns dos instrumentos convencionais de uma orquestra e se a certa altura passasse a dar movimento a todo esse conjunto, apareceriam uns sons, uns barulhos, um assobio aqui, um reco-reco ali&#8230; mas, ainda assim, ao final dessa minha obra eu sentenciaria: esta é a minha música, se vocês não a podem &#8220;entender&#8221; ou sequer &#8220;escutar&#8221; é porque vocês estão aquém do &#8220;meu&#8221; tempo&#8230; É bastante certo que da platéia uma criança se levantaria e gritaria: &#8220;o rei está nu!!&#8221; </p>
<p>Ouvi a música rap indicada acima, e confesso: se recuso os guinchos estridentes do Varèse, o rap deixou-me perplexo ante a gritaria e a profusão da recusa retórica nos palavrões ensandecidos, logo imaginei uma cena em uma das nossas ruas, de uma periferia qualquer, entupida de adolescentes quase a um passo das &#8220;camisas marrons&#8221; das antigas SA&#8217;s&#8230; a música rap citada é de um niilismo parafascista! </p>
<p>Beethoven neles!!!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66279/#comment-84109</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Oct 2012 14:52:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66279#comment-84109</guid>

					<description><![CDATA[João Alberto e outros leitores com paciência,
Já que o &lt;em&gt;Densidade 21,5&lt;/em&gt; não lhe chocou os ouvidos, peço-lhe que faça uma experiência. Compare a versão do Larry Beauregard, que indiquei anteriormente, com esta de Laura Pou:
http://www.youtube.com/watch?v=cCFk0f8szes 
Enquanto Beauregard destaca a modernidade da obra, o seu carácter de ruptura, esta moça executa-a dentro de um universo musical mais tradicional. É que não há obras musicais que não sejam interpretações de obras. É certo que um livro, um quadro, uma escultura produzem impressões diferentes em pessoas diferentes, cada um as concebe à sua maneira. Mas com a música é mais do que isto, porque — para quem não saiba ler partituras — entre a obra e o ouvinte há obrigatoriamente a mediação do intérprete. Voltemos a Beethoven. Quais são as verdadeiras sonatas de Beethoven para violino e piano? As de Oistrakh com Lev Oborin, Francescati com Casadesus, Menuhin com Kempf? Todas as obras de arte são um espelho, onde o autor se reflectiu e onde cada um de nós pode reflectir-se. O problema é que na música nós inevitavelmente nos reflectimos sobre um reflexo. Isto com a condição de sabermos olhar para o espelho e para o reflexo, e a recusa que há da música erudita contemporânea não é maior do que aquela que há das artes plásticas contemporâneas. João Alberto classifica a citação de Varèse de «arrogante», «elitista» e «presunçosa». Ora, &lt;em&gt;arrogante&lt;/em&gt; para mim é uma grande qualidade. Não creio que a citação seja elitista, ela é realista, como demonstra a própria reacção do João Alberto perante a música de Varèse. E presunçosa, nunca. Basta ler qualquer coisa escrita hoje sobre música do século vinte para ver o lugar atribuído a Varèse. Seria o mesmo que chamar presunçoso a Max Planck — e não me lembrei deste nome por acaso, mas porque ambos, cada um no seu domínio, desenvolveram a noção de descontinuidade. Mas há uma coisa que está errada naquela citação, é chamar a Varèse «compositor francês». Nascido em França, sim. Francês, nunca, porque o público francês o renegou com o mesmo afinco com que João Alberto o recusa agora. Há bastantes anos ouvi em France Musique a gravação de um concerto realizado em Paris com uma das obras de Varèse, não me recordo qual, talvez &lt;em&gt;Déserts&lt;/em&gt;, creio que na década de 1950. Aos primeiros minutos começam as vaias e o bater dos sapatos, depois os gritos, os impropérios, até que a orquestra literalmente se dissolve porque os músicos nem conseguem escutar-se com o clamor indignado dos espectadores. Compositor norte-americano, talvez, já que ele foi residir para os Estados Unidos. Nem isso, porque um dos mais consagrados maestros daquela época, Leopold Stokowski, lhe dirigiu várias obras, na década de 1920, sem que isso despertasse então o interesse do público. Varèse é compositor sem pátria, compositor mundial, e sem tempo também, abrindo os ouvidos para o presente e ensinando a escutar de outro modo o passado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Alberto e outros leitores com paciência,<br />
Já que o <em>Densidade 21,5</em> não lhe chocou os ouvidos, peço-lhe que faça uma experiência. Compare a versão do Larry Beauregard, que indiquei anteriormente, com esta de Laura Pou:<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=cCFk0f8szes" rel="nofollow ugc">http://www.youtube.com/watch?v=cCFk0f8szes</a><br />
Enquanto Beauregard destaca a modernidade da obra, o seu carácter de ruptura, esta moça executa-a dentro de um universo musical mais tradicional. É que não há obras musicais que não sejam interpretações de obras. É certo que um livro, um quadro, uma escultura produzem impressões diferentes em pessoas diferentes, cada um as concebe à sua maneira. Mas com a música é mais do que isto, porque — para quem não saiba ler partituras — entre a obra e o ouvinte há obrigatoriamente a mediação do intérprete. Voltemos a Beethoven. Quais são as verdadeiras sonatas de Beethoven para violino e piano? As de Oistrakh com Lev Oborin, Francescati com Casadesus, Menuhin com Kempf? Todas as obras de arte são um espelho, onde o autor se reflectiu e onde cada um de nós pode reflectir-se. O problema é que na música nós inevitavelmente nos reflectimos sobre um reflexo. Isto com a condição de sabermos olhar para o espelho e para o reflexo, e a recusa que há da música erudita contemporânea não é maior do que aquela que há das artes plásticas contemporâneas. João Alberto classifica a citação de Varèse de «arrogante», «elitista» e «presunçosa». Ora, <em>arrogante</em> para mim é uma grande qualidade. Não creio que a citação seja elitista, ela é realista, como demonstra a própria reacção do João Alberto perante a música de Varèse. E presunçosa, nunca. Basta ler qualquer coisa escrita hoje sobre música do século vinte para ver o lugar atribuído a Varèse. Seria o mesmo que chamar presunçoso a Max Planck — e não me lembrei deste nome por acaso, mas porque ambos, cada um no seu domínio, desenvolveram a noção de descontinuidade. Mas há uma coisa que está errada naquela citação, é chamar a Varèse «compositor francês». Nascido em França, sim. Francês, nunca, porque o público francês o renegou com o mesmo afinco com que João Alberto o recusa agora. Há bastantes anos ouvi em France Musique a gravação de um concerto realizado em Paris com uma das obras de Varèse, não me recordo qual, talvez <em>Déserts</em>, creio que na década de 1950. Aos primeiros minutos começam as vaias e o bater dos sapatos, depois os gritos, os impropérios, até que a orquestra literalmente se dissolve porque os músicos nem conseguem escutar-se com o clamor indignado dos espectadores. Compositor norte-americano, talvez, já que ele foi residir para os Estados Unidos. Nem isso, porque um dos mais consagrados maestros daquela época, Leopold Stokowski, lhe dirigiu várias obras, na década de 1920, sem que isso despertasse então o interesse do público. Varèse é compositor sem pátria, compositor mundial, e sem tempo também, abrindo os ouvidos para o presente e ensinando a escutar de outro modo o passado.</p>
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		<title>
		Por: João Alberto da Costa Pinto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66279/#comment-84106</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Alberto da Costa Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Oct 2012 14:00:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Bernardo, agora percebo melhor o sentido que dás ao Varèse, e a música citada, na versão do Beauregard (desconheço qualquer outra versão, rs), é muito bonita, há nela uma flauta e há sentido sonoro promovido por um instrumento musical (talvez esteja aí o limite da minha ignorância - porque creio que os artefatos que produzem música devem ser feitos para tal), mesmo que não o possa definir, há ali música, ao contrário dos &quot;guinchos&quot; eletrônicos das &quot;músicas&quot; anteriormente citadas. 

Além de mim, certamente que muitos outros leitores agora sabem identificar o sentido de Varèse para a música contemporânea, ao menos o sentido que lhe dás como especialista na questão. Esse foi o propósito da minha indagação inicial, mas, insisto, a frase citada continua a parecer-me arrogante e presunçosa.
 
Gosto do Beethoven pela grandeza do conjunto, o impacto daqueles sons na minha cachola causam-me um efeito de catarse, apenas isso, e não importa em que versão seja porque mesmo a pior delas será sempre grandiosa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo, agora percebo melhor o sentido que dás ao Varèse, e a música citada, na versão do Beauregard (desconheço qualquer outra versão, rs), é muito bonita, há nela uma flauta e há sentido sonoro promovido por um instrumento musical (talvez esteja aí o limite da minha ignorância &#8211; porque creio que os artefatos que produzem música devem ser feitos para tal), mesmo que não o possa definir, há ali música, ao contrário dos &#8220;guinchos&#8221; eletrônicos das &#8220;músicas&#8221; anteriormente citadas. </p>
<p>Além de mim, certamente que muitos outros leitores agora sabem identificar o sentido de Varèse para a música contemporânea, ao menos o sentido que lhe dás como especialista na questão. Esse foi o propósito da minha indagação inicial, mas, insisto, a frase citada continua a parecer-me arrogante e presunçosa.</p>
<p>Gosto do Beethoven pela grandeza do conjunto, o impacto daqueles sons na minha cachola causam-me um efeito de catarse, apenas isso, e não importa em que versão seja porque mesmo a pior delas será sempre grandiosa.</p>
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		<title>
		Por: Menino do morro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66279/#comment-84104</link>

		<dc:creator><![CDATA[Menino do morro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Oct 2012 13:45:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Será este o perfil da próxima maré de lutas sociais. A violência sem precedentes de um confronto generalizado desprovido de mediações. Terríveis, nós, os vencidos dos anos de 1970? Ouçam no YouTube as músicas que nos serviam de liturgia. Em França eram Brassens e Léo Ferré quem reverentemente escutávamos. Ouçam o canto de Nina Simone, cru
pressentimento do destino da luta dos negros nos Estados Unidos, mas elevado a um plano onde o som rasgava o véu de outro horizonte. Ouçam e vejam Bob Dylan cantando Blowin’ in the wind com Joan Baez, os Freedom Singers e Peter, Paul &#038; Mary no festival de Newport em 1963. Era um dos nossos hinos, que todos conheciam, de um e outro lado do oceano. Chamaram violência a esta candura. E o quê, agora? O que anunciam as
músicas que dão voz às revoltas urbanas de hoje?&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Será este o perfil da próxima maré de lutas sociais. A violência sem precedentes de um confronto generalizado desprovido de mediações. Terríveis, nós, os vencidos dos anos de 1970? Ouçam no YouTube as músicas que nos serviam de liturgia. Em França eram Brassens e Léo Ferré quem reverentemente escutávamos. Ouçam o canto de Nina Simone, cru<br />
pressentimento do destino da luta dos negros nos Estados Unidos, mas elevado a um plano onde o som rasgava o véu de outro horizonte. Ouçam e vejam Bob Dylan cantando Blowin’ in the wind com Joan Baez, os Freedom Singers e Peter, Paul &amp; Mary no festival de Newport em 1963. Era um dos nossos hinos, que todos conheciam, de um e outro lado do oceano. Chamaram violência a esta candura. E o quê, agora? O que anunciam as<br />
músicas que dão voz às revoltas urbanas de hoje?&#8221;</p>
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